Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

PT aumentou emprego e salário por 12 anos sem eliminar um só direito

emprego capa

No último sábado, esta página publicou matéria que provou, por A mais B, que é balela do Michel Temer e do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, que, na França, a jornada de trabalho tenha passado de 35 horas semanais (e não 36, como esses golpistas afirmaram) para (como disseram primeiro) 80 ou 60 horas (como retificaram depois).

A matéria em tela reproduziu dados da legislação francesa sobre o tema. Esses dados mostram que o que ocorreu naquele país é ter sido autorizada a mera possibilidade de os trabalhadores franceses trabalharem mais horas dos que as 35 que a lei prevê, mas só em condições excepcionais como, por exemplo, em caso de catástrofe (natural ou não) ou para uma distribuição emergencial de medicamentos.

Temer e o presidente da CNI tentaram vender ao público que a França estaria aumentando a carga horária semanal dos trabalhadores, o que, como mostrou a matéria supracitada, é uma tremenda farsa.

Contudo, essa não é a primeira e, provavelmente, nem terá sido a última vez em que os golpistas tentarão vender aos brasileiros a premissa revoltante, criminosa de que é preciso exterminar direitos e benefícios dos trabalhadores para gerar mais empregos no país.

Algumas semanas antes do estarrecedor episódio das “80 horas de trabalho semanais”, o ministro-chefe da Casa Civil interino, Eliseu Padilha, criticou a legislação trabalhista estabelecida em 1946 durante almoço com grupo de líderes empresariais em São Paulo.

Padilha disse reconhecer que “a CLT foi necessária na época de sua criação”, mas “a década de 40 já ficou para trás há muito tempo”. E propôs, para delírio do patronato: “nós temos que olhar rumo ao amanhã e fazer reforma trabalhista”.

Por “reforma trabalhista”, o ministro-chefe dos golpistas quis dizer eliminação de direitos, aumento da jornada de trabalho, com diminuição de salários, e outras barbaridades.
A organização anfitriã – Grupo de Líderes Empresariais – foi criada pelo pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, João Doria, que estava na mesa durante o discurso de Padilha.
Veja o vídeo:



br /> Só quem é muito estúpido e desinformado ou muito mau-caráter e cínico não reconhece que o governo Temer, se vier a ocorrer – por enquanto, é mera ameaça que pode virar realidade –, terá como prioridade tirar dos brasileiros tudo que ganharam com os governos do PT entre 2003 e 2014 – a partir de 2015, os golpistas conseguiram sabotar o Brasil e fizeram tudo piorar.

Temer e sua gangue tentam vender aos brasileiros a premissa ridiculamente frágil de que, para recuperarmos o nível de emprego – de melhora dos salários os golpistas não falam –, será preciso reduzir direitos trabalhistas esculpidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Uma simples pesquisa na internet revela quão absurda é essa teoria. Os dados que a desmontam estão disponíveis a qualquer um que quiser a verdade. Cumpre a este Blog, portanto, divulgá-los para que todos entendam que a gangue golpista que usurpou o poder (por sorte, ainda interinamente) tem o objetivo único de roubar do povo brasileiro tudo de bom que os governos do PT propiciaram.
Vamos lá.

Em primeiro lugar, tratemos da criação de empregos com carteira assinada – o tipo de emprego que verdadeiramente interessa aos brasileiros.

Para quem não sabe, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 59,6% no Brasil em 12 anos, segundo o IBGE. Percentual médio de trabalhadores com emprego formal no setor privado foi de 50,8% em 2014; em 2003, era de 39,7%.

O percentual médio de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado em relação à população ocupada passou de 50,3% (11,6 milhões) em 2013, para 50,8% (11,7 milhões) em 2014. Em 2003 essa proporção era de 39,7% (7,3 milhões).

Em 12 anos esse contingente cresceu 59,6% (ou mais 4,4 milhões), de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro de 2014, havia 11,807 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, apresentando estabilidade no mês e no ano.

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

A publicação completa está em:

www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/
 
A publicação da Retrospectiva do Mercado de Trabalho 2003-2014 está em:

www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/estudos_retrospectiva.shtm

Fonte: Portal Brasil com informações do IBGE
 
Mas isso nem é o mais impressionante, porque decorre de outro fenômeno criado pelos governos petistas: a contínua e forte geração de empregos no país, ou as políticas públicas que, por mais de uma década, fizeram o desemprego cair sem parar, como demonstra gráfico do IBGE abaixo reproduzido.

emprego 1
Como o leitor pode constatar, o desemprego no Brasil caiu de 12,6% no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (2002) para 9,9% no último ano do primeiro governo Lula (2006), 6,7% no último ano do segundo governo Lula (2010) e para 4,8% no último ano do governo Dilma Rousseff (2014).

Nenhum direito foi tirado dos trabalhadores durante esses 12 anos. E sem mexer nos direitos trabalhistas que o governo ilegítimo do golpista Michel Temer quer retirar, os governos petistas conseguiram um outro feito tão importante quanto o de aumentar muito o nível de emprego com carteira assinada: aumentaram fortemente o valor dos salários.

Para quem não sabe, renda real do trabalhador cresceu mais de 33% desde 2003. Renda média anual passou de R$ 1.581,31 para R$ 2.104,16 em 12 anos. Serviços domésticos tiveram maior aumento, com avanço de 69,9% no período.

A média anual da renda da população ocupada do País, descontada a inflação, cresceu 33,1%, entre 2003 e 2014, passando de R$ 1.581,31 para R$ 2.104,16, o que significa acréscimo de R$ 522,85, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas em 2014, a média anual do rendimento habitual real da população ocupada (R$ 2.104,16) cresceu 2,7% em relação a 2013 (R$ 2.049,35). A população ocupada compreende as pessoas que tinham trabalho na semana anterior à realização da pesquisa, ou seja, os indivíduos que tinham um patrão, os que exploravam seu próprio negócio e os que trabalhavam sem remuneração em ajuda a membros da família.
Fonte: Portal Brasil com informações do IBGE

O que é mais importante em tudo isso nem são os números, mas o fato de que os bons governos petistas fizeram a vida da maioria avassaladora dos brasileiros melhorar contínua e fortemente durante mais de uma década. Foram 12 anos – DOZE ANOS!! – de melhora ininterrupta.

Os fatos acima elencados mostram outro dado muito importante: o PSDB e o PMDB não aprenderam nada durante a era petista. Tucanos, peemedebistas e pefelês (hoje demos) chegaram ao poder em 1995 e conseguiram ficar 8 anos no poder com ajuda de uma imprensa, de um Ministério Público e de uma Polícia Federal que serviam aos donos eventuais do poder. Mas foi pouco tempo, se compararmos com o que conseguiu o PT.

Enquanto a direita fascista conseguiu 2 mandatos presidenciais, os governos progressistas conseguiram 4 e poderiam ter conseguido 6, 8 ou 10, se não fosse a crise econômica internacional, a Lava Jato partidarizada e a maioria reacionária de ultradireita que se formou no Congresso na eleição de 2014 graças a erros da própria esquerda (junho de 2013).

Como sempre, a direita subestima o povo. Subestimou durante a era FHC achando que poderia vender o Brasil a preço de banana e eliminar direitos trabalhistas – esse discurso de Eliseu Padilha sobre tirar direitos para criar empregos, que você viu no vídeo acima, era comum na vez anterior em que tucanos, pefelês e peemedebês estiveram no poder (1995 – 2002).

Por tudo isso, de alguma forma seria bom para o Brasil que Temer conseguisse governar até 2018. Claro que a democracia seria conspurcada – e isso é muito grave, é até inaceitável –, mas os brasileiros provariam desse remédio amargo que é a direita governar e em 2018 voltariam correndo para a esquerda, implorando a volta de Lula.

O grande desafio das pessoas racionais e informadas é mostrar os dados acima ao povo brasileiro para que entenda quão absurda e criminosa é a “proposta” do governo de Temer, de sua gangue demo-tucano-peemedebê e da mídia golpista no sentido de que seria preciso eliminar direitos dos trabalhadores e deprimir salários para gerar empregos no Brasil.

sábado, 9 de julho de 2016

Pela jornada de 80 horas para quem vestiu camiseta amarela


escravidão capa

EDUGUIM 

 O lado obscuro da alma do blogueiro sente uma satisfação mórbida quando se materializam desgraças que os que sabiam que o golpe era golpe avisaram que sobreviriam. Apesar de que estar certo, nesse caso, significa que você também vai se dar mal, é analgésico saber que as hordas de imbecis que se fantasiaram com camisetas amarelas também pagarão alto preço.

Claro que muitos dos fascistas que inundaram as ruas pedindo golpe contra Dilma Rousseff serão, sim, beneficiados por medidas contra os trabalhadores que decorrerão da derrubada do governo eleito em 2014. São os que têm motivos para apoiar o golpe por serem beneficiários de medidas contra trabalhadores que o golpista Michel Temer já anunciou que tomará.

Porém, quase todos os camisas-amarelas que ajudaram a jogar o Brasil nesse buraco vão se dar tão mal quanto quem não queria o golpe, porque a quase totalidade dessas hordas de descerebrados é empregada de alguém, por mais que ocupe cargos mais altos nas empresas.

Os camisas-amarelas ajudaram a colocar no poder um grupo político identificado com grandes empresários que têm forte interesse na piora das condições de trabalho dos assalariados. Essa gente começou a se animar a pregar suas sandices durante o ano eleitoral de 2014.

Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), diretor-presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e do Grupo Vicunha, participou do programa de web TV Poder e Política, da Folha e do “UOL”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 25.set.2014 no estúdio do UOL em São Paulo.

Para resumir as loucuras que aquele sujeito pregou, basta um trecho de sua entrevista:

Fernando Rodrigues – O problema do custo do empregado para o empregador está relacionado diretamente aos direitos que os empregados têm. Como é possível reduzir o valor que se paga para ter empregado sem reduzir os direitos que lhe tem hoje?

Benjamin Steinbruch – Por exemplo, se você vai hoje em uma empresa nos Estados Unidos, aqui a gente tem uma hora de almoço, normalmente não precisa de uma hora do almoço, porque o cara não almoça em uma hora. Você vai nos Estados Unidos você vê o cara almoçando com a mão esquerda e operando… comendo o sanduíche com a mão esquerda e operando a máquina com a direita, e tem 15 minutos para o almoço, entendeu? E eu acho que se o empregado se sente confortável em poder, eventualmente, diminuir esse tempo, porque a lei obriga que tenha que ter esse tempo?

É óbvio que isso não existe. Não é desse jeito que acontece. E mesmo que fosse verdade, nos EUA a jornada de trabalho é menor e os salários são muito maiores. Mas, como o leitor irá conferir adiante, esses dementes dessas entidades ligadas à indústria pegam uma exceção em países ricos que oferecem excelentes condições de trabalho e a transformam em regra.

Na imagem abaixo, cena das mais de duas horas de reunião na última sexta-feira entre o presidente interino Michel Temer e cerca de 100 empresários da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao lado de Temer, Robson Braga de Andrade, presidente da entidade. Temer e Braga de Andrade concordaram em adotar “mudanças duras” tanto na Previdência Social quanto nas leis trabalhistas.
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Uma das “mudanças duras” discutidas pelos dois filhos das respectivas mães diz respeito à jornada de trabalho dos brasileiros. O presidente da CNI sugeriu que o Brasil adote iniciativas similares às que teriam sido adotadas pelo governo francês, que, sem aval do Parlamento, teria conseguido aprovar jornada laboral de até 80 horas semanais e/ou 12 horas diárias.

Abaixo, a pregação textual de Braga de Andrade, da CNI. Vale informar que antes de jogar a bomba na praça, o presidente daquela entidade empresarial discutiu o assunto com o presidente interino da República.

“Vimos agora o governo francês, sem enviar ao Congresso Nacional, tomar decisões com relação às questões trabalhistas. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36 passou, para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias de trabalho. A razão disso é muito simples. A França perdeu a competitividade de sua indústria com relação aos demais países da Europa. Agora, está revertendo e revendo suas medidas, para criar competitividade. O mundo é assim e temos de estar aberto para fazer essas mudanças. Ficamos ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível”

A proposta caiu como uma bomba, na sexta-feira. Como sempre ocorre nas redes sociais, a loucura proposta pelos dois “presidentes” (da CNI e da República) acabou virando piada, já que não havia meio de discutir seriamente o verdadeiro genocídio social que está em gestação.
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O mais engraçado é que, apesar de a declaração do presidente da CNI – que, não se esqueça, foi acordada com Temer – jamais ter sido omitida, diante da repercussão estrondosa e do surto de indignação que sobreveio, a CNI entendeu que divulgando a íntegra daquela declaração alguma coisa mudaria.
Confira a nota da CNI divulgada para “negar” a proposta clara de aumento drástico da jornada de trabalho dos brasileiros.
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Parece brincadeira, mas é sério. O que a nota de “esclarecimento” da CNI mudou? Não está claro que o presidente da entidade acha que é aceitável um aumento tão drástico da jornada de trabalho dos brasileiros?
O mais preocupante, porém, é que Michel Temer e o tal Robson Braga de Andrade estão absolutamente equivocados. Não houve mudança alguma na jornada de trabalho dos franceses. O que houve foi uma autorização do governo francês para que, em situações muito especiais (que serão descritas a seguir), a jornada de trabalho possa chegar a 60 horas, não a 80.

Em primeiro lugar, vale informar que a legislação trabalhista francesa estabelece jornadas de trabalho 35 horas semanais, e não 36 – no Brasil são 44 horas semanais.

Sites que se dedicam a apurar informações incorretas divulgaram que o que a nova lei trabalhista francesa estipula é que, apenas em casos de emergência e após negociação com sindicato, as horas extras poderão chegar às tais 12 horas (oito horas, com quatro horas extras pagas em cinco dias da semana; isto é, 60 horas).

Caso contrário, continua valendo o máximo de 10 horas (oito horas, com, no máximo, duas horas extras, no mesmo período). No Brasil, a soma dessas horas é semelhante.

A nova legislação francesa também reafirma que, “durante a mesma semana, a duração máxima do trabalho é de 48 horas” e que “o tempo de trabalho semanal calculado ao longo de 12 semanas consecutivas não deve exceder 48 horas”, exceto em casos de exceção previstos na lei.

José Carlos de Carvalho Baboin, mestre em direito do trabalho pela Sorbonne e pesquisador do tema na USP (Universidade de São Paulo), explica que a jornada máxima a ser permitida passa a 60 horas semanais, porém essas horas extras são exceções previstas em decretos e aplicáveis apenas em circunstâncias excepcionais.

“São casos extremos nos quais o governo francês vai permitir 12 horas semanais. Por exemplo: acontece uma grande nevasca e a empresa responsável por limpar as estradas cheias de neve precisa que os trabalhos excedam as 10 horas. Ou desabastecimento de algum remédio ou em caso de surto epidêmico”, explica.
Isso significa que, para poder demandar essa jornada de 60 horas, o empregador vai precisar de autorização de uma autoridade administrativa responsável pela inspeção do trabalho, que concederá essa permissão com base em condições determinadas pelo Conselho de Estado da França. Essas 60 horas não podem ser usadas por uma empresa que fechou um contrato com um cliente e precisa aumentar a produção, por exemplo.

O decreto em questão, no entanto, ainda não foi expedido, então não se sabe como funcionará de fato a regulamentação. Já as alterações na lei devem entrar em vigor apenas no fim deste mês, portanto não há dimensão factual do seu impacto.

O texto original do projeto de lei francês pode ser conferido aqui e a discussão legislativa aqui. Reproduzimos, abaixo, os trechos em questão, incluindo as exceções previstas na legislação.​

Art. L. 3121-17. – La durée quotidienne du travail effectif par salariéne peut excéder dix heures, sauf:
1° En cas de dérogation accordée par l’autorité administrative dans des conditions déterminées par décret ;

2° En cas d’urgence, dans des conditions déterminées par décret ;
3° Dans les cas prévus à l’article L. 3121-18.

Art. L. 3121-18. – Une convention ou un accord d’entreprise ou d’établissement, ou, à défaut, un accord de branche peut prévoir le dépassement de la durée maximale quotidienne de travail, en cas d’activité accrue ou pour des motifs liés à l’organisation de l’entreprise, à condition que ce dépassement n’ait pas pour effet de porter cette durée à plus de douze heures.

Art. L. 3121-19. – Au cours d’une même semaine, la durée maximale hebdomadaire de travail est de quarante-huit heures.

Art. L. 3121-20. – En cas de circonstances exceptionnelles et pour la durée de celles-ci, le dépassement de la durée maximale définie à l’article L. 3121-19 peut être autorisé par l’autorité administrative dans des conditions déterminées par décret en Conseil d’État, dans la limite de soixante heures.

Art. L. 3121-21. – La durée hebdomadaire de travail calculée sur une période quelconque de douze semaines consécutives ne peut dépasser quarante-quatre heures, sauf dans les cas prévus aux articles L. 3121-22 à L. 3121-24.

Aliás, vale informar ao distinto leitor que em nenhum lugar do mundo essa jornada de trabalho é praticada. Conforme aponta estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país onde mais se trabalha no mundo é o México, com 9,54 horas diárias; em segundo lugar vem o Japão, com 9 horas diárias.

As médias de jornada revelam, inclusive, a quantidade além da imposta pela legislação trabalhista dos países. Isso porque a Organização Internacional do Trabalho classifica como “insalubre” qualquer jornada que exceda a 48 horas semanais.

Segundo a Organização em seu estudo Duração do trabalho em todo o mundo: tendências de jornadas de trabalho, legislação e políticas numa perspectiva global comparada, a preservação da saúde dos trabalhadores foi um ponto primordial para a adoção de um teto global de 48 horas no início do Século XX.
Durante as últimas cinco décadas houve uma mudança global para um limite de 40 horas. A evidência mais recente, em um estudo de 2005 da OIT, mostra que esse limite é o patamar predominante no mundo.

“O limite de 40 horas, no entanto, não tem sido visto apenas como um estímulo para a geração de empregos, mas tem sido reconhecido como contribuição para um conjunto maior de objetivos, inclusive, em anos recentes, o aprimoramento do equilíbrio trabalho-vida” – apontou a organização no relatório.
Segundo a Organização, a extensão da jornada de trabalho está intrinsecamente ligada à baixa produtividade e baixos salários, uma vez que os trabalhadores precisam se utilizar de horas-extras para aumentar os rendimentos.

Leia o relatório completo da OIT.

Enfim, esse episódio mostra o nível de desinformação dessas entidades empresariais, os planos maléficos e antipopulares desses pilantras e, o que é pior, a mentalidade assustadora do grupo político que governa o Brasil.

Diante dessa situação alarmante em que os grupos antipetistas jogaram o Brasil, bem que as pessoas que perceberam aonde tudo aquilo ia dar poderiam ficar isentas das medidas “temerárias” dos golpistas. Que tal criarem um movimento que exija que só quem defendeu o impeachment seja submetido às loucuras de Temer?

Poderiam criar um regime de trabalho especial para quem quis colocar Temer no poder. Os camisas-amarelas trabalhariam 80 horas semanais e os cidadãos normais continuariam trabalhando 44.

Olhando a foto dos palhaços que foram endeusar os empresários que querem a volta da escravidão, é difícil conter o riso. Aquele pato para o qual os camisas-amarelas fizeram culto diante da Fiesp é, ou não, o símbolo perfeito para aquelas hordas de imbecis que jogaram o país nas mãos de psicopatas como Michel Temer?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O mundo de Temer: sem SUS, com jornada de 80 horas e aposentadoria aos 75



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O jornalista Gustavo Gindre sintetizou as três propostas mais esdrúxulas que surgiram durante a interinidade de Michel Temer: uma idade mínima de aposentadoria superior à expectativa de vida em vários estados do País, a privatização da saúde pública e, agora, uma jornada de trabalho duas vezes maior do que a atualPor 

Gustavo Gindre, em seu Facebook
 
Imagine um mundo onde não haja SUS, as pessoas tenham que trabalhar 11 horas por dia, sete dias por semana (as tais 80 horas), e que só possam se aposentar aos 75 anos de idade, independente de terem começado a trabalhar aos 14.
Imaginou?

Pois, o Temer imaginou!!!

 Tijolaço ironiza proposta de 80 horas da CNI: chamem a princesa Isabel!
 
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"A escravidão acabou há mais de um século, mas o pensamento escravocrata está por aí…", diz Fernando Brito, sobre a proposta levada por Robson Andrade, da CNI, sobre uma jornada de trabalho de 80 horas semanais; "Agora, com Temer no Governo, esta gente está alvoroçada… Claro que não vão ter peito de propor 80 horas, mas vão achar um jeito de deixar que a jornada possa ser livremente negociada entre patrões e empregados", completa 
 
Por Fernando Brito, editor do Tijolaço 

 Depois de um encontro com o presidente em exercício, Michel Temer, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade ficou tão animado que resolveu propor uma jornada de trabalho de “apenas” 80 horas semanais para o trabalhador brasileiro.

-“Vimos agora o governo francês, sem enviar ao Congresso Nacional, tomar decisões com relação às questões trabalhistas. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36 passou, para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias de trabalho.

Não é conversam inha, não, Está no site da EBC que, cumprindo o seu dever de se ajustar ao que diz a grande mídia, mudou o título que reproduzi acima por outro, menos chocante.
Uma jornada de 80 horas, para ficar mais fácil de entender seriam 14:30 horas nos dias de semana e mais 7:30 aos sábados, “meio-expediente”

O camarada entra às 7 da manhã e sai às 9:30 da noite, se segunda a sexta, isso se não tirar hora do almoço ou do jantar. Com mais uma hora (no barato) para ir e outra para voltar, sai de casa às seis e chega 22:30h.
Que beleza!

A escravidão acabou há mais de um século, mas o pensamento escravocrata está por aí…
Escravocrata e mentiroso, porque é evidente que a França não adotou as 80 horas semanais e as mudanças na legislação, que é de 35 horas semanais, tem de passa no Legislativo e por conta disso os franceses estão quebrando o pau por lá há dois meses.

Agora, com Temer no Governo, esta gente está alvoroçada… Claro que não vão ter peito de propor 80 horas, mas vão achar um jeito de deixar que a jornada possa ser livremente negociada entre patrões e empregados.

Com tanta animação, dá para achar que os tais 13% de popularidade que deram a Temer na pesquisa encomendada pela CNI já são meio esquisitos…
Lerê, Lerê…