Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador neiliberalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador neiliberalismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dilma rejeita receita recessiva da direita e do FMI para economia

A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, voltou a rejeitar nesta quinta-feira (7) a ideia apregoada pela direita neoliberal e agora também pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a economia nacional precisa de um ajuste fiscal, apresentado como condição para reduzir a taxa básica de juros e evitar a queda do dólar frente ao real.

Como economista, Dilma conhece o significado da expressão ajuste fiscal, que à primeira vista pode parecer inofensiva ou quem sabe até providencial. Conforme a candidata explicou na campanha do primeiro turno, o tal ajuste se concretiza através de cortes das despesas públicas e aumento de impostos. Em outras palavras, significa diminuição das verbas para saúde, educação, transportes, infra-estrutura, demissão de trabalhadores no setor público, redução de salários e de direitos. As privatizações tucanas são o tempero da receita.

Retrocesso


O resultado macroeconômico do remédio sugerido pelo FMI e a direita neoliberal seria a paralisação do Programa de Crescimento Econômico (PAC), a diminuição da taxa de investimentos e a desaceleração das atividades produtivas, estagnação ou mesmo recessão econômica. Como complemento, veríamos a reversão do ciclo positivo do mercado de trabalho, com a elevação dos níveis de desemprego, da precariedade e da pobreza. Um retrocesso à era neoliberal liderada por FHC.

A Grécia oferece, hoje, um bom exemplo dos efeitos danosos da receita do FMI para a economia. Submetido a um ajuste fiscal ditado pelos economistas do Fundo e pela cúpula da União Europeia, o país deve encerrar 2010 completando três anos de recessão e com um nível recorde de desemprego, em torno de 12%. Nesta quinta-feira (7) o país foi paralisado por uma nova greve geral dos trabalhadores do setor público, que tiveram seus salários reduzidos e direitos suprimidos.

Lição amarga

O Brasil também fez as “lições de casa” ditadas pelo FMI no passado, após a crise da dívida externa, no início dos anos 1980, e durante o governo FHC, que quebrou o país com sua política neoliberal e entregou o país à administração dos tecnocratas do Fundo em 1988. Fernando Henrique Cardoso chegou a assinar um protocolo de intenções com o órgão prometendo a privatização da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, intenção que felizmente não saiu do papel. O Brasil viveu pelo menos duas décadas perdidas em termos de desenvolvimento (com a renda per capita estagnada) por seguir os palpites do FMI. Foi uma lição amarga, que não devemos repetir.

Não há razão objetiva para o ajuste sugerido pelos neoliberais, conforme observa a candidata a presidente. As contas públicas estão equilibradas, observa-se a redução da relação dívida/PIB e o saldo entre gastos e receitas governamentais (não financeiras, isto é, excluindo juros) é positivo, ou seja, o Estado continua promovendo o polêmico superávit primário.

Ideias e interesses

Os conselhos do FMI, como denunciou o Prêmio Nobel de Economia Josefh Stiglitz, não obedecem aos postulados da ciência econômica, onde é notória a divergência entre conservadores (ortodoxos) e progressistas (heterodoxos) quando o tema é gasto público. O órgão, controlado pelos Estados Unidos e União Europeia, defende os interesses cínicos das potências capitalistas (que dizem uma coisa e fazem outra, extrapolando os limites da sensatez em termos de déficit e dívidas) e conspira contra o desenvolvimento do Brasil e outros países emergentes.

É preciso considerar, ainda, que o “ajuste” proposto, embora seja um veneno para a economia nacional, favorece os interesses dos credores da dívida pública, pois entre seus objetivos destaca-se o de ampliar o superávit primário reservado ao pagamento dos extorsivos juros que remuneram os detentores de títulos públicos.

O debate sobre o tema, mediado pelos grandes meios de comunicação, passa ao largo desses interesses, que (bem mais que a ciência econômica) orienta as ideias neoliberais. Outra empulhação é apresentar o ajuste fiscal como o “remédio técnico” para o problema do câmbio (a excessiva valorização do real), suposição falsa que também foi criticada e desmascarada pela candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando.

Desequilíbrios americanos


Dilma Rousseff afirmou que um eventual ajuste fiscal não vai conter a desvalorização do câmbio, pois esta resulta de um problema mundial, proveniente dos EUA. Com efeito, a queda do dólar, que ocorre em todo o planeta (não é um problema só brasileiro), decorre dos formidáveis desequilíbrios da economia estadunidense, que ainda não superou a crise. “O ajuste fiscal não tem uma relação direta com o câmbio. A questão do câmbio diz respeito, no caso dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos, ao fato de eles estarem numa crise profunda", esclareceu a candidata.

Na opinião de Dilma, o Brasil precisa aumentar a competitividade da indústria para reverter os efeitos de um câmbio supostamente apreciado. Ela também defende a reforma tributaria e lembra que, diferentemente do que aconteceu na era FHC, o governo Lula reduziu o endividamento público e equilibrou as contas públicas.

"Quando chegamos ao governo, 60% do Produto Interno Bruto (PIB) era dívida pública. Hoje, chegamos a 40%", disse. "Isso vai permitir que a gente reduza os juros e, com isso, a relação com o câmbio vai melhorar", completou. A receita recessiva do FMI e da direita neoliberal, a serviço do capital financeiro, está na contramão dos interesses da nação e do povo brasileira.

Da redação, Umberto Martins, com agências