Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 4 de abril de 2017

Blogueiro Eduardo Guimarães também é alvo de lawfare

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edu hideo

No contexto político brasileiro recente, o termo lawfare tem sido empregado principalmente no sentido de uso de instrumentos jurídicos para fins de perseguição política, destruição da imagem pública e inabilitação de um adversário político.
Nesse sentido, uma característica fundamental dessa estratégia seria o uso de acusações sem materialidade. Confira as principais táticas do Lawfare tupiniquim:
1 – Manipulação do sistema legal, com aparência de legalidade, para fins políticos;
2 – Instauração de processos judiciais sem qualquer mérito;
3 – Abuso de direito, com o intuito de prejudicar a reputação de um adversário;
4 – Promoção de ações judiciais para desacreditar o oponente;
5 – Tentativa de influenciar opinião pública com utilização da lei para obter publicidade negativa;
6 – Judicialização da política: a lei como instrumento para conectar meios e fins políticos;
7 – Promoção de desmoralização popular;
8 – Crítica àqueles que usam o direito internacional e os processos judiciais para fazer reivindicações contra o Estado;
9 – Utilização do direito como forma de constranger o adversário;
10 – Bloqueio e retaliação das tentativas dos adversários de fazer uso de procedimentos e normas legais disponíveis para defender seus direitos;
11 – Acusação das ações dos inimigos como imorais e ilegais, com o fim de frustrar objetivos contrários.
O ex-presidente Lula tem sido a principal vítima desse tipo de estratégia, segundo seus advogados.
Na última segunda-feira, este blogueiro e seu advogado, doutor Fernando Hideo, tivemos certeza de que já há duas vítimas dessa estratégia no país.
Dirão que quero me comparar ao personagem histórico Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é tão falso quanto dizer que estarei me comparando a ele se também vier a ter um câncer na garganta.
É evidente que, enquanto Lula é um personagem histórico dos mais importantes no mundo, Eduardo Guimarães é apenas um cidadão comum que, por uma sequência de casualidades, foi alçado a um patamar de exposição incrivelmente desproporcional à sua estatura como pessoa pública.
Houvesse a fonte que me informou sobre a quebra de sigilo do ex-presidente escolhido outro blogueiro, nada disso estaria acontecendo comigo. Porém, quis o destino que a pessoa que me passou as informações me escolhesse.
Para começar a ilustrar esse fato, reproduzo, abaixo, matéria da Revista Fórum publicada na última segunda-feira, logo após meu depoimento na Polícia Federal no âmbito do processo que o juiz Sergio Moro move contra mim por “ameaça”.

forum 1Como se vê, as leis estão sendo atropeladas pelas autoridades de modo a me condenar a qualquer preço, pelo menos nas instâncias inferiores da Justiça.
Mas não é só. Ao mesmo tempo em que as leis e o Estado são usados para me perseguir, com sucessivos processos, uma rede de difamação “jornalística” é criada para desmoralização.
Na semana passada, o juiz Sergio Moro suspendeu os efeitos da quebra de meu sigilo telefônico em um despacho no qual faz alusões desairosas à minha competência como jornalista.
É espantoso. À luz do dia, ele envereda pela esfera pessoal e mantém a prerrogativa de me julgar.
Na revista Veja, o colunista Augusto Nunes me insulta pesadamente, chamando-me de criminoso etc., etc. Ao mesmo tempo, o site Antagonista simplesmente parte para a divulgação de mentiras sobre o que eu disse ou deixei de dizer. E publica distorções de meus depoimentos sigilosos, mas que deixam ver que teve acesso a alguma coisa e a esculpiu como lhe pareceu melhor para me difamar.
Estou sendo perseguido sem trégua. Acabo de receber informação de que entrevista que dei à EBC na porta da Sede da Polícia Federal em São Paulo foi censurada. Por exemplo, foi suprimida a analogia que fiz sobre “matar de rir”. Coisa que nem a Globo censurou.
Aliás, diga-se de passagem, parte da grande imprensa, acredite quem quiser, tem sido justa comigo.
Após a Folha de São Paulo me oferecer grande espaço em sua seção opinativa mais nobre, a Seção Tendências / Debates, a Globo News fez uma matéria absolutamente correta comigo. Assista, a baixo.


Contudo, é certo que virei inimigo do Estado brasileiro. Um poder esmagador está sendo empregado para destruir minha imagem, meu ganha-pão e minha liberdade. Para esmagar um simples cidadão por conta de suas opiniões e palavras.
Para completar esta exposição de motivos para me declarar a segunda vítima de lawfare no país, reproduzo, a baixo, a íntegra da entrevista coletiva que dei na segunda-feira ao sair de meu depoimento à Polícia Federal, da qual a Globo News publicou um trecho.
PS 1: durante a oitiva na PF, interrogador me perguntou por que criei o Blog da Cidadania. Respondi: porque é meu direito
PS 2: Justiça negou busca e apreensão e condução coercitiva também por “ameaça” a Moro

domingo, 13 de março de 2016

Foi uma manifestação de brancos numa Nação negra É a passeata de sempre na Globo de sempre: sem negro ou desdentado​

Protestos antipetistas foram inflados por crime de agentes públicos.

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golpista
Escrevo na décima hora da manhã de domingo, 13 de março de 2016, data em que grupos inconformados com o resultado das eleições presidenciais de 2014 voltam às ruas pedindo desde a volta da ditadura militar até a deposição legal, porém ainda golpista, da presidente Dilma.
Esses atos antidemocráticos ocorrerão por todo país, ainda que todos os olhos estejam voltados para São Paulo; o tamanho da manifestação por aqui definirá o sucesso ou o fracasso do movimento de forma geral.
Nesse aspecto, ao menos em São Paulo o esperado era um grande movimento, pois, aqui, o poder público foi usado desavergonhadamente para inflar as manifestações.
Executivo, Judiciário e Ministério Público paulistas aliaram-se à Justiça Federal, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para levarem fanáticos de ultradireita às ruas neste 13 de março, mesmo dia e mês do histórico comício antigolpista da Central do Brasil, há 52 anos.
O esforço das forças golpistas neste mês de março não remete aos idos de 1964 só por conta do mês do golpe que nos legou duas décadas inteirinhas de regime de exceção; não faltam abusos contra o Estado de Direito a nos remeter ao início do período mais sombrio da história brasileira.
O que emula os idos de 1964 é o uso do poder de Estado para oprimir adversários políticos dos golpistas, assim como foi há meio século. Mais uma vez, quem está no poder não governa e quem está na oposição oprime amparado pelos mesmos grupos de mídia daquela época.
Na verdade, a ousadia dos golpistas contemporâneos é muito maior do que há 52 anos. O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal substituíram os militares. O golpe não usa mais tanques ou fardas verde-oliva e coturnos; usa toga de juízes de primeira instância, ternos bem cortados dos procuradores e a roupa preta dos policiais federais.
No fim, dá no mesmo. Morre menos gente, mas o efeito sobre a democracia é idêntico.
O que define o golpe é a já reconhecido parcialidade do Judiciário reconhecida, agora, até pela mídia golpista, já que a direita está tão por cima que pode se dar até ao luxo de reconhecer seus excessos.
Nesse aspecto dos excessos, eles foram ocorrendo em escalada no período pré-manifestações.
Excessos ainda mais estarrecedores começaram com a condução coercitiva desnecessária, midiática e abusiva de um ex-presidente da República, para que ele fosse depor. E com o episódio hollywoodiano que chegou às páginas do maior jornal do país pela pena do colunista Janio de Freitas.
Basicamente, surgiu a versão de que agentes da polícia da Aeronáutica, legalistas, insurgiram-se contra a tentativa da Lava Jato de sequestrar Lula sem mandado judicial e levá-lo preso a Curitiba.
Muitos leitores vêm perguntando se sei alguma coisa sobre o caso. Parece-me que a coluna de Janio de Freitas passou meio batida, apesar de seu caráter explosivo. Desse modo, vale reproduzi-la antes de prosseguir.
FOLHA DE SÃO PAULO
Janio de Freitas
Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa as questões políticas e econômicas. Escreve aos domingos e quintas-feiras.
O plano obscuro
10/03/2016 02h00
Em condições normais, ou em país que já se livrou do autoritarismo, haveria uma investigação para esclarecer o que o juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato intentavam de fato, quando mandaram recolher o ex-presidente Lula e o levaram para o Aeroporto de Congonhas.
E apurar o que de fato se passou aí, entre a Aeronáutica, que zela por aquela área de segurança, e o contingente de policiais superarmados que pretenderam assenhorear-se de parte das instalações.
Mas quem poderia fazer uma investigação isenta? A Polícia Federal investigando a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República investigando procuradores da Lava Jato por ela designados?
É certo que não esteve distante uma reação da Aeronáutica, se os legionários da Lava Jato não contivessem seu ímpeto. Que ordens de Moro levavam?
Um cameramen teve a boa ideia, depois do que viu e de algo que ouviu, de fotografar um jato estacionado, porta aberta, com um carro da PF ao lado, ambos bem próximos da sala de embarque VIP transformada em seção de interrogatório.
É compreensível, portanto, a proliferação das versões de que o Plano Moro era levar Lula preso para Curitiba. O que foi evitado, ou pela Aeronáutica, à falta de um mandado de prisão e contrária ao uso de dependências suas para tal operação; ou foi sustado por uma ordem curitibana de recuo, à vista dos tumultos de protesto logo iniciados em Congonhas mesmo, em São Bernardo, em São Paulo, no Rio, em Salvador.
As versões variam, mas a convicção e os indícios do propósito frustrado não se alteram.
O grau de confiabilidade das informações prestadas a respeito da Operação Bandeirantes, perdão, operação 24 da Lava Jato, pôde ser constatado já no decorrer das ações. Nesse mesmo tempo, uma entrevista coletiva reunia, alegadamente para explicar os fatos, o procurador Carlos Eduardo dos Santos Lima e o delegado Igor de Paula, além de outros. (Operação Bandeirantes, ora veja, de onde me veio esta lembrança extemporânea da ditadura?)
Uma pergunta era inevitável. Quando os policiais chegaram à casa de Lula às 6h, repórteres já os esperavam. Quando chegaram com Lula ao aeroporto, repórteres os antecederam. “Houve vazamento?”
O procurador, sempre prestativo para dizer qualquer coisa, fez uma confirmação enfática: “Vamos investigar esse vazamento agora!”.
Acreditamos, sim. E até colaboramos: só a cúpula da Lava Jato sabia dos dois destinos, logo, como sabe também o procurador, foi dali que saiu a informação –pela qual os jornalistas agradecem. Saiu dali como todas as outras, para exibição posterior do show de humilhações. E por isso, como os outros, mais esse vazamento não será apurado, porque é feito com origem conhecida e finalidade desejada pela Lava Jato.
A informação de que Lula dava um depoimento, naquela mesma hora, foi intercalada por uma contribuição, veloz e não pedida, do delegado Igor Romário de Paula: “Espontâneo!”. Não era verdade e o delegado sabia. Mas não resistiu.
Figura inabalável, este expoente policial da Lava Jato. Difundiu insultos a Lula e a Dilma pelas redes de internet, durante a campanha eleitoral.
Nada aconteceu. Dedicou-se a exaltar Aécio, também pela rede. Nada lhe aconteceu. Foi um dos envolvidos quando Alberto Youssef, já prisioneiro da Lava Jato, descobriu um gravador clandestino em sua cela na
Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Nada aconteceu, embora todos os policiais ali lotados devessem ser afastados de lá. E os envolvidos, afastados da própria PF.
Se descobrir por que a inoportuna lembrança do nome Operação Bandeirantes, e for útil, digo mais tarde.
U-au! Daqui a 50 anos essa história estará sendo contada na íntegra, espantando as futuras gerações com o arcaísmo do Brasil destes tempos.
Aliás, vale lembrar que, no âmbito desse ataque à democracia obrado pela Lava Jato, sobrou até para este blogueiro, que segue ameaçado de ser “preso e processado”, nessa ordem…
Mas vamos em frente.
Houve nova mudança de patamar na ofensiva golpista com um pedido de prisão de Lula tão criminoso, tão malfeito, tão medíocre que, como disse o jornal Folha de São Paulo em editorial, conseguiu a proeza de fazer até os inimigos figadais de Lula repudiarem essa iniciativa dos já chamados de “três patetas do ministério público”.
Na última sexta-feira, a horas das manifestações deste domingo, a terceira mudança de patamar na ofensiva golpista: um destacamento inteiro da Polícia Militar baixou em uma reunião do Partido dos Trabalhadores em Diadema (SP) para intimidar militantes, parlamentares e sindicalistas.
A ameaça à democracia foi de tal monta que ninguém mais, ninguém menos do que o ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Júlio Cesar Neves, classificou como um “risco à democracia” essa ação de policiais armados durante plenária petista.
Sim, é isso mesmo que você leu: alguém, na PM, teve coragem e decência para criticar a ordem do governador Geraldo Alckmin para que seus gorilas intimidassem os adversários políticos.
A escalada de desconstrução da democracia, em que pese sua gravidade, cede espaço, neste texto, ao crime que talvez algum dia venha a ser punido: o de agentes públicos do Judiciário, do Ministério Público e das Polícias Militar e Federal usarem suas prerrogativas funcionais com propósitos políticos tão claros.
Os órgãos de controle e as polícias foram transformados em apêndices do PSDB. Não de qualquer outro partido, mas do PSDB. E usados para guerra política. Em qualquer lugar do planeta em que a democracia esteja vigente atos como esses levariam seus altores para trás das grades.
Mas estamos no Brasil…
Não se sabe, no momento em que escrevo, como serão os protestos golpistas de 13 de março de 2016. Serão iguais aos de um ano? Maiores? Menores?
Tanto faz. Serão ilegítimos, pois decorrem de crimes cometidos por agentes públicos para estimular pessoas de pouco cérebro a irem à rua apoiar pleitos como os supracitados, que envolvem até golpe militar formal e tradicional.
Isso sem falar da quantidade de políticos corruptos – muitos, indiciados – que, neste domingo, estará pelas ruas do país aproveitando esse crime dos agentes públicos em questão para debochar da sociedade ao protestarem “contra o corrupção”.
foto manifestação_phixr.jpg
Hoje! E acham que vão dar o Golpe
Este post foi escrito às 13h00.

Quando a passeata do Rio chegou ao ponto de saturação e a de São Paulo é uma preparação.

(Uma preparacao feérica, riquissima, cheirosa, de dezenas de carros de som, patos do Skaf daFIE  P, muito tenis Nike.

Mas, negro que é bom ... nada !

Foi uma passeata de brancos numa Nação negra.

Numa naçao de maioria negra e parda (para atender às exigências conceituais do Gilberto Freire com "i".

É a mesma passeata de sempre, com mais cinco ou menos cinco brancos, aqui ou ali, e com a mesma Globo de sempre: uma prova concreta, física do apartheid social no Brasil.

Em Copacabana, o desfile foi patético.

Copacabana é um bairro cercado de magníficas e deslumbrantes favelas.

Pavaã-Pavaozinho, Cantagalo, Tabajaras, Morro dos Cabritos, Chapeu Mangueira.

Dona Marta ali perto, no Humaitá.

E Vidigal e Rocinha, mais para a São Conrado.

São alguns milhoes de negros - E POBRES !

Que não se mexeram para sair na Globo.

Ficaram em casa !

No botequim, tomando cerveja e esculhambando o Flamengo e o Fluminense, que querem jogar o Fla-Flu, em São Paulo.

O que a Globo mostrou no Rio foi um iate com a familia vestida de verde e amarelo, e um exuberante "fora Dilma".

Depois, vai ancorar no Iate Clube e tomar champagne Veuve Clicquot - rosé, porém !

E em Salvador ?

A cidade mais negra do Brasil !

Não tinha negro nem vendendo água de coco !

E a Globo a divulgar numeros de manifestantes incompatíveis com a metragem quadrada do calçadao da Barra.

Pra botar aquele monte de gente da Globo ali, só dentro d'água.

Branco sozinho não derruba presidente no Brasil !

Se é por esse domingo que o PMDB vai saltar fora do barco.

Não vai.

(Saltar do barco de NOVOS ministerios, bem entendido ...)

Se saltar, é para tentar um golpe parlamentar, instalar o impeachment por meia hora - até a favela perceber - e fechar a Lava jato.

Porque se ficar aberta, o Temer morre (e o Wellington Moreira Franco, seu unico escudeiro, vai junto).

Se a sobrevivencia da Globo dependia dessa manifestacao de hoje , 13/3, pode começar a fechar a banca e tentar arrumar comprador.

Como o Valdir Macedo nao se interessa, quem sabe os filhos do Roberto Marinho vendem à Netflix ou à Google Red ?

Enquanto os farofeiros não se apossam da praia da Jararaca.

Deu xabu no Golpe !

No Golpe de brancos, por brancos para brancos.

Como disse o Roberto Marinho, no livro "O Quarto Poder", ao seu diretor de jornalismo: "não quero preto nem desdentado no jornal nacional !"

Nem em passeata.

Qua qua qua !

Em tempo: leia a seguir os documentos das liderancas negras do Brasil, a nação mais negra do mundo, depois da Nigéria !

PHA

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Caso Wikipedia/filho de Lula é vingança da PF; show tem que continuar

filho de lula
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A forma como a mídia apresentou conclusão descabida e maliciosa da Polícia Federal sobre o filho do ex-presidente Lula Luíz Cláudio dá a entender que ele teria entregado uma cópia de material da Wikipédia à empresa M&M em troca de 2,4 milhões de reais.
É uma maluquice. Significa que apesar do valor do negócio, a empresa do filho do ex-presidente sequer se deu ao trabalho de contratar alguém – por uma fração mínima do montante auferido – para produzir alguma coisa mais elaborada.
Ninguém seria tão estúpido. Basta um mínimo de bom senso para perceber que há alguma coisa estranha nessa história.
Começa pelo fato de que, a cada reprodução da reportagem do Jornal Nacional que fez essa denúncia, a história vai sendo cada vez mais distorcida. A reportagem relata conclusão da PF de que “partes do trabalho foram copiadas da internet, em especial do site Wikipédia”.
Na versão que se espalha, porém, o trabalho todo que a LFT Marketing Esportivo, de Luís Cláudio Lula da Silva, prestou à M&M teria sido integralmente extraído da enciclopédia eletrônica.
Como dizem, quem conta um conto aumenta um ponto…
Mas é isso mesmo, o trabalho foi “chupado” integralmente da internet? O que o acusado tem a dizer sobre isso? Como pode uma acusação dessa gravidade, feita em quase cinco minutos de reportagem, não conter o contraponto, o famoso “outro lado”?
O Blog foi atrás de ouvir esse “outro lado”, que, apesar de não parecer, existiu. E contém explicação que, se fosse veiculada pelo telejornal da Globo e pelas outras matérias da imprensa antipetista, permitiria ao menos o benefício da dúvida ao ex-presidente e seu filho.
Em primeiro lugar, vamos entender que o que a PF diz ter sido “o trabalho” da LFT Marketing Esportivo para a Marcondes & Mautoni, de Mauro Marcondes, empresário preso na Operação Zelotes, não é TODO o trabalho e, sim, apenas uma apresentação do trabalho que seria desenvolvido.
Repito: os 2,4 milhões de reais pagos à LFT não decorreram do material que a PF analisou, que foi apenas um briefing, uma apresentação do trabalho que seria prestado.
De acordo com a divulgação de trechos do relatório do IPL nº 1.424/15-4 revelados pela imprensa, a Polícia Federal criticou a qualidade dos trabalhos realizados para a Marcondes & Mautoni pela LFT Marketing Esportivo Ltda, de propriedade de Luís Cláudio Lula da Silva.
Segundo o advogado de Luíz Cláudio, Cristiano Zanin Martins, os relatórios entregues espontaneamente por Luís Cláudio à PF são “apenas uma parte da prestação de serviço contratada pela M&M, e não seu todo”.
Por que foi feita essa armação? Simples: porque a Polícia Federal e o Ministério Público não conseguiram apontar qualquer conduta ilegal de Luís Cláudio em relação aos assuntos investigados na chamada “Operação Zelotes”, mesmo tendo aberto, de modo ilegal, diversos procedimentos investigatórios e recorrido a medidas invasivas já reconhecidas por desproporcionais e ilegais pela Desembargadora Neusa Alves, do TRF da 1ª. Região.
Os fatos relacionados à “Operação Zelotes” são objeto de investigação do MPF através do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) nº4, de 24 de abril de 2014. A despeito disso, a PF instaurou o IPL nº 1.424, em 23 de outubro de 2015, com o mesmo objeto.
Para quem não sabe, não é legal a existência de vários inquéritos para tratar do mesmo objeto. Isso é uma aberração jurídica. Ainda assim, em ambos os procedimentos Luís Cláudio está sendo instado a apresentar as mesmas informações.
Seja como for, a ausência de elementos contra o filho de Lula fez com que o inquérito fosse concluído sem que houvesse qualquer elemento para o indiciamento do acusado.
Sim, é isso mesmo que você leu: a afirmação de que o filho de Lula extraiu da Wikipédia o material pelo qual a M&M teria pago 2,4 milhões de reais foi feita no âmbito da conclusão do inquérito que teria apurado esse “fato”, e esse inquérito foi concluído sem indiciar o filho de Lula.
É mole ou quer mais, leitor? Quer mais? Então vamos lá.
Em primeiro lugar, o material produzido pela LFT para a fase dos trabalhos que prestou à M&M e que foi analisado pela PF não se trata de obra concluída. O material que a PF analisou foi feito para avaliar e traçar cenários de mercado e tendências, considerando o objeto da contratação.
Todavia, foi interrompido o fluxo do trabalho por dificuldades enfrentadas pela contratante, a M&m, já que seu proprietário foi preso pela Operação Zelotes. O trabalho no valor de 2,4 milhões de reais, se fosse totalmente desenvolvido, seria muito maior e mais complexo.
Antes de mais nada, há que explicar que o know-how da LFT e da Touchdown Promoções de Eventos Esportivos Ltda – outra empresa de Luís Cláudio – e a compatibilidade dos valores por estas movimentados no seu mercado setorial foi objeto de análise e parecer do Professor Carlos Roberto Ferreira Ayres, da LA Consultores, e professor de Finanças Empresariais e de Mercado Financeiro das Faculdades de Economia e Administração de Empresas da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP).
O trabalho da consultoria em questão comprova que duas empresas do filho de Lula são pioneiras na promoção e patrocínio do Futebol Americano no Brasil.
O estudo em questão revela que a LFT e Touchdown têm potencial para a exploração de um mercado avaliado em US$ 20 bilhões em 2013, nos Estados Unidos, e de cerca de US$ 1,26 bilhão anuais no País, o que equivaleria a 30% apenas do potencial de patrocínio projetado para a América Central e do Sul, com base na estimativa da empresa norte-americana IEG LLC.
Pelo Relatório da IEG (Sponsorship Report), especializada em informações estratégicas de marketing, o futebol americano fica com 70% das verbas globais de patrocínioOs trabalhos da LFT para a M&M voltaram-se a explorar exatamente esse potencial.
A defesa de Luiz Cláudio apresentou às autoridades o teor completo do que seria o trabalho da LFT para a M&M, mas, claro, a nossa “gloriosa” mídia antipetista não se preocupou em oferecer tais informações ao público.
Confira abaixo, portanto, em que consistiria o trabalho a ser prestado pela LFT à M&M:
Estudo 1
Focou a estratégia de associar uma marca/empresa ao esporte, como fator gerador de grande impacto público. O estudo apontou as diversas vantagens das empresas em patrocinar esportes, tais como “alternativa à mídia convencional”, “reforço ou construção da imagem institucional”, “segmentação do público-alvo”, “rejuvenescimento da imagem”, “diversificação das metas estratégicas de propaganda” etc. O estudo mostrou também a necessidade de serem observadas diversas fases até a implantação do projeto de associação da marca ao esporte, tais como: “escolha dos líderes” – exemplos de personalidades e o perfil de cada uma (inspirador, autoritário, coercitivo, paternal etc); importância da “comunicação e divulgação, indicado os diversos meios; escolha do torneio, e, ainda, a realização de “avaliação final”;
Estudo 2
Tratou das oportunidades das Olimpíadas de 2016, no âmbito do marketing esportivo. Abordou características do Rio de Janeiro e do megaevento, detendo-se nos legados que resultarão das Olimpíadas e seus impactos. Apontou patrocinadores e apoiadores do evento, os “pacotes de mídia” existentes e o papel das mídias sociais. A partir desse quadro, delinearam-se as oportunidades efetivas geradas pelo megaevento e a possibilidade de criar “legado proprietário”, a criação da “casa dos países”, de forma que “as montadoras internacionais consigam utilizar desde o começo o processo das olimpíadas e consolidar a percepção de que as melhores marcas se fazem presentes;
Estudo 3
Verteu sobre a avaliação da “viabilidade de ações de patrocínio das arenas construídas para a Copa do Mundo”. O trabalho envolveu uma análise sobre as múltiplas funções de uma arena. Alguns dados geográficos e demográficos para o estudo são públicos e estão presentes na internet. Também foi abordada a média de público em cada arena nos torneios nacionais realizados em 2014. Enfrentou-se, também, as experiências de outros países no uso de arenas construídas para alguns eventos esportivos;
Estudo 4
Abordou o impacto da Copa do Mundo no desempenho de empresas patrocinadoras, descrevendo o que deve “servir de exemplo e referência” para qualquer companhia interessada nesse tipo de apoio. Destacou os fatores macro e microeconômicos que são determinantes no processo de patrocínio. O trabalho abordou a “Trajetória da imagem da Copa do Mundo no Brasil”, citando pesquisa Datafolha realizada em 2008, um ano após o País ser indicado como sede do evento. O estudo avaliou a trajetória da percepção dos brasileiros, que apoiaram e depois rejeitaram a iniciativa. E, ao final, fez a conexão com o segmento automobilístico, mostrando que a cadeia de valor dessa indústria tem potencial para colher os benefícios de grandes patrocínios considerando:
1. o fato de o automóvel estar vinculado aos consumidores no universo dos desejos;
2. existir intrinsecamente um desejo de compra do bem pelos consumidores;
3. os grandes centros urbanos serem foco de consumo de veículos e de informação esportiva;
4. as concessionárias poderem ser pontos de apoio e territórios esportivos colhendo os benefícios do fluxo de consumidores.
A Touchdown – promotora do Futebol Americano – e a LFT, especializada em ferramentas de marketing esportivo, são as duas maiores empresas no segmento brasileiro, em desenvolvimento.
Do torneio promovido pela Touchdown participam Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, Santos, Corinthian e Portuguesa. Fazem ainda parte dos campeonatos regionais o Juventude (RS), T-Rex (SC), Vila Velha – Tritões (ES) e Tubarões do Serrado (DF). Times de inquestionável expressão em seu setor.
Dada a força do mercado no torneio administrado pela Touchdown, nada mais natural “que os investimentos em marketing esportivo voltados ao futebol americano se concentrem na LFT, face a natural complementaridade entre as atividades das duas empresas”, diz Carlos Ayres, autor do estudo feito para sustentar a lisura da atividade das empresas do filho de Lula.
A defesa de Luíz Clúdio informa, também, que os valores recebidos por seu cliente enquadram-se nas faixas de atuação em seu mercado e ele já informou à PF que destinou expressiva parte do montante recebido à realização dos Torneios Touchdown.
Luiz Cláudio pode provar isso, segundo sua defesa. Ou seja: os 2,4 milhões não foram pagos em troca de um papelucho copiado da internet, como quer fazer a matéria da Globo e as que repercutem essa tese maluca.
Mas o mais importante é que essa celeuma toda foi feita sem que tivesse havido indiciamento de Luíz Cláudio. Ora, dada a forma como a história da Wikipédia foi apresentada, no mínimo o inquérito onde essa versão surgiu deveria ter sido concluído com o indiciamento do acusado, mas não foi o que ocorreu.
A história da Wikipédia, no entender da defesa de Luíz Cláudio, não passa de uma vingança da PF por não ter conseguido reunir prova alguma contra o acusado que permitisse seu indiciamento. Assim, esse setor da PF teria optado por causar um “prejuízo de imagem” não o filho de Lula, mas ao pai dele.
Além disso, a intenção da PF teria sido oferecer um elemento para abrir mais uma investigação, apesar das outras em curso, apesar de que todas deveriam estar reunidas em um processo só, de acordo com a lei.
A fonte que conversou com o Blog deu uma explicação prosaica, porém muito eloquente, para essa aparente armação que procura transformar em escândalo uma investigação que foi concluída sem dar em nada:
“O show tem que continuar”
*
PS: Conheça o trabalho das empresas do filho de Lula em matéria do jornal O Globo que você pode ler clicandoaqui
PS 2: Atenção, em contato com fonte ligada a Luíz Cláudio o Blog obteve informação da qual já suspeitava: NÃO FOI FEITO O PAGAMENTO INTEGRAL DE 2,4 MILHÕES PELA CONSULTORIA CONFORME A MÍDIA NOTICIA PORQUE O NEGÓCIO FOI INTERROMPIDO DEVIDO À PRISÃO DO DONO DA EMPRESA CONTRATANTE, JÁ QUE O MATERIAL ENTREGUE PELA LFT À M&M FOI SÓ UMA APRESENTAÇÃO DO TRABALHO.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Abertura de contas no HSBC de 1997 a 2002 supera a de 2006 a 2007

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swiss leaks

Ficou curioso sobre a razão de nenhum parlamentar do PSDB ter assinado o pedido de instalação de Comissão Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do SwissLeaks-HSBC protocolado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL) na quinta-feira (26)no Senado Federal? Bem, talvez o Blog da Cidadania possa ajudá-lo a entender o “fenômeno”.
No dia 19 do mês passado, este Blog publicou o post Abertura de contas brasileiras no HSBC suíço teve pico durante privatizações de FHC. A matéria revelou que as 6.606 contas de 8.667 brasileiros abertas naquela instituição desde 1970 tiveram picos de abertura em três períodos. O gráfico abaixo foi extraído do site do The International Consortium of Investigative Journalists (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) e mostra a movimentação.
hsbc 1
No site oficial do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ao passar o mouse sobre os pontos de intersecção entre os anos marcados no gráfico reproduzido acima, aparece quanto aumentou o número de contas abertas por brasileiros naquela instituição desde 1988. O que se descobre nessa pesquisa é o que o Blog passa a demonstrar abaixo.
Em 1988, foram abertas 8 contas
Em 1989, foram abertas 419 contas
Em 1990, foram abertas 378 contas
Em 1991, foram abertas 582 contas
Em 1992, foram abertas 120 contas
Em 1993, foram abertas 43 contas
Em 1994, foram abertas 12 contas
Em 1995, foram abertas 24 contas
Em 1996, foram abertas 4 contas
Em 1997, foram abertas 65 contas
Em 1998, foram abertas 54 contas
Em 1999, foram abertas 81 contas
Em 2000, foram abertas 25 contas
Em 2001, foram abertas 43 contas
Em 2002, foram abertas 49 contas
Em 2003, foram fechadas 63 contas
Em 2004, foram fechadas 63 contas
Em 2005, foram fechadas 84 contas
Em 2006, foram abertas 20 contas
Em 2007, foram abertas 187 contas
Desses dados, extrai-se que houve três períodos de pico de abertura de contas de brasileiros na instituição suíça:
De 1988 a 1991, foram abertas 1387 contas
De 1997 a 2001, foram abertas 317 contas
De 2006 a 2007, foram abertas 207 contas
Estranhamente, a grande mídia brasileira comenta apenas o pico de 2006 e 2007 como período suspeito por terem sido criadas 207 contas após terem sido fechadas 210 contas de 2003 a 2005, mas a mesma mídia não comenta um pico muito maior de 1997 a 2002, quando foram abertas 317 contas.
Ocorre que o período que vai de 1997 a 2002 marcou também o pico de privatizações no Brasil, a dita “privataria tucana”, que até virou livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., um best-seller com mais de 200 mil cópias vendidas.
A mídia brasileira pode noticiar o que quiser, mas o fato é que tanto a CPI que está praticamente aberta no Senado quanto a investigação que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mandou abrir na Polícia Federal por certo não vão escolher um único período para investigar e, devido ao grande volume de abertura de contas durante as privatizações de Fernando Henrique Cardoso, o Estado brasileiro irá querer saber quem são os titulares das contas abertas naquele período.
A recusa do PSDB em assinar a CPI do HSBC suíço torna-se extremamente eloquente diante dos dados acima, não acha, leitor?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Curso relâmpago de FHC sobre engavetamento de investigações

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Andam dizendo que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não só não têm mérito pelo STF da era petista ter interrompido sua prática histórica de sepultar processos contra políticos importantes como também por hoje estarmos vendo donos de empreiteiras indo ver o sol nascer quadrado.
tese desses caras-de-pau é a de que como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União etc. são “órgãos de Estado” eles atuariam independentemente dos desejos do presidente, de forma que Dilma estaria enganando a sociedade ao dizer que investigações como a da Operação Lava-Jato só são possíveis porque ela, presidente da República, deu liberdade para investigarem.
Chega a ser estupefaciente ver uma afirmação dessas, sobretudo quando é proferida por jornalistas renomados. Só sendo muito amnésico ou muito calhorda para inventar uma história como essa.
Vamos pôr os pingos nos is: um presidente pode montar uma rede de proteção intransponível para impedir qualquer tipo de investigação sobre seu governo, sobretudo se contar com o beneplácito da mídia.
Neste ponto, cedo o palco à maior autoridade brasileira em engavetamento de escândalos, o professor Fernando Henrique Cardoso. Ele foi o criador do modus operandi que todos os governos tucanos aplicaram a partir de sua gestão temerária. A partir daqui, ele explicará, em curso relâmpago, como presidentes podem liberar a roubalheira em seus governos.
Para um governo não ser investigado por nada, há que tomar alguns cuidados iniciais. Quem pretende roubar ou deixar roubar tem que criar um ambiente em que investigações sejam abortadas no nascedouro.
Abaixo, os três mandamentos do governante improbo tupiniquim.
1 – Estabeleça relações íntimas com donos de grandes meios de comunicação. Almoce com eles, peça opinião deles, vá às festas deles e aceite imposições.
2 – Aparelhe a Procuradoria Geral da República. Coloque um aliado no cargo. Só o PGR pode processar o presidente da República. Se o PGR for “seu”, meio caminho estará andado.
3 – Aparelhe a Polícia Federal. Como na PGR, coloque um aliado no cargo de Diretor Geral da PF. Esse cargo permitirá que o presidente da República encerre ou impeça investigações, transfira delegados “independentes” etc.
Essa fórmula também funciona para governos estaduais. Só há que trocar a PF pelas polícias civil e militar e a PGR pela Procuradoria Geral do Estado.
O “mestre” FHC seguiu esse roteiro. Ao assumir a presidência da República, em 1995, a primeira previdência – não é providência, é previdência mesmo – foi nomear procurador-geral da República um primo do vice-presidente, Marco Maciel. Brindeiro foi nomeado por FHC em 28 de junho de 1995 e só deixou o cargo quando o sucessor do tucano, Lula, assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003.
Em 16 de junho daquele ano, a Folha de São Paulo noticiou que Brindeiro corria o risco de não ser reconduzido ao cargo por conta de ter se envolvido em um escândalo que, para os padrões de moralidade do governo tucano, não eram motivo para celeuma. Brindeiro usou avião da Força Aérea Brasileira para ir descansar com a família no arquipélago de Fernando de Noronha, uma atitude impensável para um PGR, nos dias de hoje.
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Brindeiro foi nomeado para o cargo quatro vezes durante o governo FHC – em 1995, 1997, 1999 e em 2001. Lula nomeou três procuradores-gerais no mesmo período de oito anos e, à diferença de FHC, os escolhidos nunca tiveram qualquer relação com seu governo. Muito menos relações familiares.
O maior serviço que Brindeiro prestou a FHC foi ter engavetado o processo de investigação da compra de votos para a reeleição do tucano como presidente em 1998. Deputados da base aliada do governo foram grampeados confessando que haviam recebido 200 mil reais cada do ministro das Comunicações de então, Sergio Motta, para votarem a favor da emenda constitucional que instituiu a reeleição de presidente, governador e prefeito.
Mas os serviços prestados por Brindeiro foram muitos. Dois anos após FHC e seu PGR terem assumido, a mesmaFolha de São Paulo publicava matéria dando conta dos seguidos “engavetamentos” de investigações que fariam o então chefe do MP receber o apelido de “engavetador-geral da República”.
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Sempre buscando reduzir a transparência de seu governo, em 1998 FHC mandaria projeto ao Congresso para manietar o Ministério Público, reduzindo os poderes dos procuradores. De novo, a Folha de São Paulo, apesar de tratar só esporadicamente do assunto, foi o único veículo da grande mídia que deu espaço à revolta que se instalou no MP com aquela medida.
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Finalmente, em 1999 FHC tratou de eliminar de vez o “problema” de “órgãos de Estado” muito independentes e não fez por menos: usando o poder de presidente da República, pôs um correligionário para comandar a Polícia Federal, que, na era tucana, jamais teria delegados insultando o presidente da República. Confira matéria daFolha sobre o tema.
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Ainda em 1998, Brindeiro tratou de impor um “controle externo da Polícia Federal” por ele mesmo, procurador-geral da República, de modo que o despachante do governo federal no Ministério Público pudesse impedir investigações incômodas.
A Folha de São Paulo, no ano da reeleição comprada de FHC, tratou dessa investida do MP contra a PF. Esses  eram órgãos “de Estado”, sim, mas, enquanto com Lula e Dilma trabalharam livremente e sem pressões, na era tucana eram controlados com mão de ferro pelo Executivo Federal e seus teleguiados.
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Como se vê, a Polícia Federal, ao menos durante o governo FHC, não era um órgão de Estado. Além de não investigar o governo, ainda perseguia inimigos políticos desse governo.
E ai de quem, na mídia, ousasse questionar o governo. Era perseguido mesmo que, ideologicamente, tivesse convergências com aquele governo. Que o diga Paulo Francis, uma espécie de Reinaldo Azevedo dos anos 1980 e 1990, só que infinitamente mais competente e independentemente, apesar de conservador.
Francis morreu cedo, aos 66 anos. No terceiro ano do governo FHC, o jornalista se deu a criticar a roubalheira desbragada que havia na Petrobrás, mas, à diferença de hoje, nunca se investigou nada. Pelo contrário, quem denunciava é que ia para o banco dos réus.
Alguns dizem que o que matou Francis, que já vinha com a saúde combalida, foi processo por danos morais no valor de cem milhões de reais que sofreu por denunciar corrupção na Petrobrás. Na Folha, logo após a morte de Francis, o colunista Elio Gaspari contou uma versão dessa história.
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Você, cidadão, não sente-se mais confiante vivendo em um país em que o Estado – antes com tendências tão ditatoriais, com imprensa cerceada,  órgãos de controle manietados – agora tem que prestar contas e sofrer devassas ao menor sinal de práticas antiéticas?
É revoltante dizerem que Lula e Dilma não têm mérito por hoje o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio STF, entre outros, investigarem qualquer um, doa a quem doer.
É inimaginável que governantes como foi Lula e hoje é Dilma sejam acusados pela imprensa de uma forma que um presidente que tratou de acobertar corrupção valendo-se de meios ditatoriais nunca foi acusado. Mas o pior é espalharem essa mentira de que presidente da República não pode impedir investigações.
Deixo o leitor com uma pergunta: governante que pretende roubar deve usar os critérios e métodos de Lula e Dilma ou os de FHC?