De 4 horas, 24 minutos e 51 segundos de reportagens sobre a lista de Fachin desde que o STF tornou pública a delação da Odebrecht, na última sexta-feira 11, até a ediçaõ desta segunda 17, o Jornal Nacional dedicou 33 minutos e 32 segundos ao ex-presidente Lula, político mais mencionado no principal telejornal da TV Globo; a segunda na lista é Dilma Rousseff, com 18 minutos e 7 segundos; o senador Aécio Neves (PSDB-MG), campeão em número de inquéritos (cinco), entre os quais é acusado de receber R$ 50 milhões em propina, teve a metade do tempo de Lula: 16min27seg; já Michel Temer, citado por delatores por ter participado de uma reunião em que foi combinado o repasse de US$ 40 milhões em propina pela Odebrecht ao PMDB, recebeu uma reportagem de 5 minutos e teve o vídeo em que se defende exibido pelo Jornal Nacional; ranking foi elaborado pelo portal Poder 360
247 – O ex-presidente Lula foi o político mais atacado pelo Jornal Nacional após a divulgação da chamada "lista de Fachin" – relação de 105 pessoas investigadas no Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato, tornada pública na última sexta-feira 11, de acordo com um levantamento feito pelo portal Poder 360.
De 4 horas, 24 minutos e 51 segundos dedicados a reportagens sobre o tema, o JN separou 33 minutos e 32 segundos para Lula. O segundo nome mais mencionado pelo principal telejornal da TV Globo é o de Dilma Rousseff, com 18 minutos e 7 segundos.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), campeão em número de inquéritos (cinco), entre os quais é acusado de receber R$ 50 milhões em propina em troca de favores em projetos do setor elétrico, recebeu metade do tempo de Lula: 16min27seg. José Serra, acusado de ter recebido milhões em caixa 2 em suas campanhas, entre eles os R$ 23 milhões em uma conta no exterior, vem em seguida de Aécio, com pouco mais da metade do tempo: 9min03seg.
Já Michel Temer, citado por delatores por ter participado de uma reunião em que foi combinado o repasse de 40 milhões de dólares em propina pela Odebrecht ao PMDB, parece ter sido esquecido pelo telejornal. O atual presidente foi alvo de uma reportagem de 5 minutos e teve o vídeo em que se defende exibido pelo JN.
Temer não é alvo de investigação porque o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, valeu-se de um entendimento equivocado para dizer que o presidente desfruta de "imunidade temporária", uma vez que a Constituição anota que "o presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções".
No entanto, o veto constitucional não impede que o presidente seja investigado. Esse entendimento foi reconhecido em despacho assinado no dia 15 de maio de 2015 pelo então ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo. No âmbito da Lava Jato, existem elementos para a abertura de pelo menos dois inquéritos contra Temer.
O telespectador do Jornal Nacional – entre outros noticiários picaretas que embromam o país –, caso só se informe pela mídia corporativa, por certo ficou sem entender nada ao fim da edição do primeiro dia útil desta semana daquele telejornal.
Há meses que a mídia e a oposição ao governo Dilma Rousseff vêm desmentindo a presidente da República quando ela diz que as dificuldades econômicas do país se devem à crise internacional.
O blogueiro da Globo Ricardo Noblat, por exemplo, escreveu, recentemente, que “a crise internacional não existe mais”.
Também recentemente, Gustavo Franco, que pilotou o Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, afirmou que a crise econômica do Brasil “não vem de fora” e que ela foi “autoinfligida” – ou seja, não existiria crise internacional. A crise seria só brasileira.
A Editora Abril, claro, não poderia se furtar, através da revista Exame, a espalhar a farsa de que só o Brasil estaria em crise enquanto o resto do mundo já teria se recuperado.
Mas o mentiroso mais ousado, sem dúvida, foi o economista Armínio Fraga, que teria sido nomeado ministro da Fazenda caso Aécio Neves tivesse vencido a eleição presidencial do ano passado; ele afirmou que “a crise econômica mundial acabou em 2009″.
A mentira colou. A grande maioria dos brasileiros desaprova o governo Dilma porque acreditou na mídia e na oposição quando disseram que os problemas do Brasil não são causados por crise internacional, pois esta não existiria mais.
As pessoas, então, por certo ficaram perdidas ao assistir à edição do JN de 24 de agosto de 2015.
O telejornal começou informando que a Bolsa de Nova Iorque chegou a cair mais de 6% no primeiro dia útil desta semana porque a China representa 15% da economia do planeta e seu crescimento vem despencando ano a ano.
A causa disso foi explicada pelo JN e essa explicação por certo foi o que mais deve ter espantado quem acreditou na Globo e na oposição quando disseram que não havia mais crise econômica internacional.
“Se a China cresce menos, é ruim para as multinacionais que ganham dinheiro lá. E para as empresas que exportam pros chineses. Eles são os maiores compradores de matérias-primas do mundo – e os principais clientes do Brasil”, diz o telejornal da Globo.
O JN disse, também, que “A Europa continua patinando”… Como assim, “Continua”?! A Europa já não tinha saído da crise, segundo Noblat, Gustavo Franco, Armínio Fraga etc.?!
Ao fim da matéria, o maior telejornal do país diz que o professor de economia norte-americano Sanjay Reddy opinou que os Estados Unidos não têm como baixar suas taxas de juro – que estão negativas desde 2009 – porque isso poderia “agravar ainda mais a crise nesses países”, ou seja, nos EUA, na Europa, na própria China e na América Latina.
Aí é que o público que se informa (mal) pela mídia corporativa não entendeu nada mesmo. Que crise “nesses países”? Ela não tinha acabado no mundo inteiro, menos no Brasil?
Assista, abaixo, à matéria do Jornal Nacional em questão. E espante-se também. Ou não…