Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Bolsonaro é a cara – sem máscara – da oposição


Blog Cafezinho: o juiz Moro trabalhou em escritório de advocacia que assessorava prefeito do PSDB no Paraná; a mulher de Moro assessora o governo do PSDB no Paraná ; o irmão de Moro fez campanha pelo PSDB destilando ódio contra o PT nas eleições presidenciais...

 Ditadura brasileira matou 434 pessoas, diz relatório final da Comissão da Verdade, que indica revisão da Lei de Anistia para punir os culpado.

 Congresso aprova a mudança na meta fiscal do governo para 2014 e joga a pá de cal no alarido conservador
  
Carta Maior


bolsonaro Aécio


No meio da tarde da última terça-feira (9/12), estava reunido com blogueiros  discutindo o quadro político atual quando uma jovem que participava da reunião interrompeu o orador do momento para anunciar que alguma coisa chamada “Jair Bolsonaro” grunhiu, da tribuna da Câmara dos Deputados, que só não estupraria a deputada pelo PT gaúcho Maria do Rosário porque ela “não merece” ser estuprada por ele.
Desta vez, Maria do Rosário teve mais sorte. Em 2003, além de dizer a mesma coisa esse portento de “valentia” que atende por “Jair Bolsonaro” ainda empurrou a parlamentar enquanto a chamava de “vagabunda”.

bolsonaro

Porém, esse “homem” não se limitou a agredir moralmente apenas a deputada petista; também cobriu outra mulher de insultos e calúnias, a presidente da República, Dilma Rousseff:

“(…) A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi para Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava armas em quarteis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense. Por que não fala isso? (…)”

O sujeito citou o “primeiro” e o “segundo” maridos de Dilma como um anátema. Acusou-os de crimes, mas, na mesma frase, a principal acusação que fez, de forma implícita, foi a de que uma mulher, veja só, é tão questionável moralmente que até já teve dois maridos (!). Para uma aberração como a que atende por “Jair Bolsonaro”, mulher que teve dois maridos dispensa maiores comentários.

Você, mulher de qualquer orientação político-ideológica, faixa etária, nível de escolaridade, de renda, que resida em qualquer parte do país e que tenha a cor da pele ou dos cabelos que tiver, gostaria de ser casada com esse sujeito? Algum dia, quando era uma adolescente, você sonhou que o homem da sua vida poderia ser alguém capaz de admitir a hipótese de estuprar uma mulher?

Você amaria essa coisa chamada “Jair Bolsonaro”? Que mulher pode amar um homem que demonstra prazer ao violar mulheres mental e moralmente e, pelo que propôs em sua teoria sobre meritocracia de suas vítimas, também fisicamente?

Não é preciso dizer mais sobre esse que atende por “Jair Bolsonaro”. O relato de sua última fala conhecida resume a sua vida pública e, mais ainda, a sua vida privada. O fato, porém, é que, apesar de sua ultra sinceridade, esse espécime não passa de um resumo da oposição a Dilma Rousseff.

Além da tese sobre meritocracia das vítimas de estupro, o que foi que “Jair Bolsonaro” expeliu, nessa diarreia verborrágica que o acometeu na Casa do Povo, que não diz a oposição formal a Dilma ou essa oposição envergonhada que habita os verdadeiros canis que teimam em se autodenominar “redações”?
Eis um trecho da “argumentação” padrão da oposição a Dilma Rousseff:

“(…) Dilma Rousseff, deve estar envergonhada, sim, Vossa Excelência, por ter roubado, só, dois milhões e meio de dólares da casa do Ademar. Agora, são bilhões da Petrobrás. Presidente do Conselho de Administração, ministra das Minas e Energia, chefe da Casa Civil, Presidente da República, não sabe de nada… Quantas dezenas de milhares de pessoas morrem por esse dinheiro desviado para o seu partido, para a sua casa (…) Esteve agora na Unasul reunida com a escória da América Latina tratando, entre outras coisas, da abertura do espaço aéreo para os países aqui da Unasul… Cuba não faz parte mais; tá no bolo. Além do tráfico de drogas e o tráfico de armas e munições… Já tem onze mil cubanos aqui (…)”

Ufa! Não é fácil ouvir esse animal…

Mas o mais engraçado é que ele acusa o partido de Maria do Rosário apesar de o partido a que pertence, pelos seus critérios, ser muito pior. “Jair Bolsonaro”, do PP, acusa o PT baseado, por exemplo, nas “delações” de gente como o doleiro Alberto Youssef, o mesmo que, segundo matéria do Estadão do último dia 1º, deu declarações nada abonadoras sobre o grupo político do agressor de deputada e da presidente da República.

Abaixo, trecho da matéria do jornal paulista:

“(…) O doleiro Alberto Yousseff afirmou a investigadores da Operação Lava Jato que ‘só sobram dois no PP’ ao reforçar o envolvimento de políticos do partido no esquema de corrupção da Petrobrás (…)”

Detalhe: O PP, de “Jair Bolsonaro”, tem 39 deputados e 5 senadores. Se “sobram dois” no partido, de onde esse energúmeno tirou coragem para acusar o partido de Maria do Rosário?
Enfim, a parte publicável da catilinária do agressor de mulheres emula o que diz, por exemplo, Aécio Neves. A tese de que Dilma “deve se envergonhar” foi usada à exaustão pelo tucano ao longo da recente campanha eleitoral. Se fosse dito que a fala acima sobre corrupção na Petrobrás partiu do senador pelo PSDB mineiro, ninguém duvidaria. A oposição encontra seu símbolo nesse monumento à covardia.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Entenda como funciona a oposição "extraoficial" de Eduardo Cunha

Oficialmente, lidera o PMDB para aprovar os projetos de interesse do governo. Extraoficialmente trabalha para que esses projetos não sejam aprovados

Daniel Quoist
Renato Araújo / ABr


Qualquer pessoa minimamente interessada em política sabe o poder de destruição que tem uma personalidade beligerante quando assume uma função, digamos, de liderança.   

É o caso do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Oficialmente é o líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, o segundo maior partido da base aliada que dá sustentação ao governo Dilma no Congresso.

Extraoficialmente é o criador de problemas por excelência: está em contínua queda de braço com a presidenta ou com seus prepostos da mesma base aliada.

Oficialmente deveria liderar a bancada do PMDB para aprovar os projetos de interesse do governo.

Extraoficialmente trabalha exatamente para que esses projetos sejam derrotados e, sempre que possível, que sejam derrotas clamorosas, ruinosas, barulhentas.

Oficialmente deveria estar alinhado com a principal figura do PMDB na atualidade, o vice-presidente Michel Temer.

Extraoficialmente é quem mais cria problemas para o nº 2 da República que, vira e mexe, tem que ir se explicar perante a presidenta Dilma, e gastar imensa energia para apagar os sucessivos focos de incêndio criado pelo correligionário carioca.

Oficialmente deveria manter um mínimo de cooperação e de urbanidade com o partido da presidenta, o PT, e somar esforços com este para produzir matéria legislativa que traduza em ações concretas o plano de governo oferecido à população nas eleições de 2010.

Extraoficialmente comporta-se como macaco em loja de louças, fustigando o presidente do PT, Rui Falcão, infernizando a vida do vice-presidente da Câmara, André Vargas, ironizando e desqualificando os diversos ministros de Estado que, por acaso, sejam petistas de carteirinha.           




Oficialmente deveria trabalhar para abater no nascedouro os escândalos ‘fakes’, artificiais, forjados por uma Oposição capenga para desgastar a imagem do governo junto à população e que sempre contam com a extrema boa vontade de uma mídia tradicional empenhada ela mesma em ter incontestável protagonismo de oposição ao governo.

Extraoficialmente é incansável em fazer articulações para desmobilizar a bancada do PMDB em defesa do governo e em promover factóides que coloquem água no moinho para a criação de Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI), que tanto podem ser sobre a Copa 2014, a Petrobrás, o papel do Itamaraty na crise da Venezuela, as brechas no Mais Médicos, os riscos de apagão, o descontrole da inflação, os empréstimos a Cuba, o uso de aviões da FAB. Ou seja, tudo que poderia ser rapidamente esclarecido acionando as instituições competentes e que existem exatamente para isso, como a Advocacia-Geral da União, a Controladoria Geral da União, a Procuradoria Geral da República, o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, o Itamaraty, o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda, o BNDES, o Ministério das Minas e Energia.

Oficialmente deveria defender dos ataques de uma oposição - sem bandeiras e sem discurso - o governo em que seu partido ocupa a vice-presidência, mantêm em sua órbita de atuação 5 ministérios e milhares de cargos de segundo, terceiro e quarto escalões, incluindo vistosas diretorias em estatais do porte do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Petrobras, CHESF, DNIT.

Extraoficialmente se entrega de corpo e alma a apoiar convocação de ministros de Estado, propostas pelo consórcio PSDB-DEM-PPS, com o objetivo básico de gerar desgaste para o governo, que tanto pode ser político, quando de imagem, midiático.

Oficialmente deveria ter uma atuação de líder nos tradicionais moldes que privilegiam a transparência, a sinceridade, o senso de agregação em torno de um ideário ou de uma causa e que prefira a proatividade ao invés do desmesurado reacionarismo.

Extraoficialmente faz questão de atuar nos bastidores, nas articulações que minem, avariem e enfraqueçam a capacidade do governo federal de apresentar iniciativas legislativas condizentes com o anseio da maioria dos brasileiros que elegeu o PT para lhe governar desde as eleições de 2010.

Oficialmente deveria encorajar o surgimento (e fortalecimento) de crescentes pontos de convergência entre os lideres (e suas respectivas bancadas) que integram o imenso arco de partidos que apoiam o governo.

Extraoficialmente trabalha para potencializar as insatisfações individuais dos deputados, exigir de maneira truculenta o pagamento de emendas parlamentares, ridicularizar (sempre que possível) presidentes de partidos que dão suporte ao governo, criar as condições para criar facções, blocos e similares que atravanquem de vez a ação do governo no Congresso.

Oficialmente deveria buscar interlocução preferencial com o governo a que serve e para o qual foi designado líder de bancada, a começar com o azeitamento das comunicações com a presidenta da República e o alinhamento consensual com o vice-presidente da República, fomentar diálogo fácil com demais lideranças do PT e do PMDB, abrir canais de conciliação com lideranças oposicionistas.

Extraoficialmente é imbatível em torpedear esses canais de comunicação, utilizando as redes sociais para mostrar contrariedade, desaprovação, desaforos e frustrações com os rumos do governo, de seu partido e do partido do governo.

Oficialmente deveria blindar o governo de crises artificiais, crises que têm como objetivo prioritário diminuir o imenso apoio político que a presidenta angariou para se lançar a uma campanha reeleitoral com todos os ingredientes para ser vitoriosa ainda no primeiro turno das eleições majoritárias de outubro de 2014.

Extraoficialmente se comporta mais oposicionista que os líderes de bancadas oposicionistas como Antonio Imbassahy (PSDB), Mendonça Filho (DEM), Beto Albuquerque (PSB) e Rubens Bueno (PPS).

Feitas estas considerações, algumas perguntas que exigem urgentes respostas:

1. Além dele próprio, a quem mais serve o líder peemedebista Eduardo Cunha?

2. Quem, nos bastidores, mantêm o deputado Cunha na liderança do PMDB?

3. Será que o PMDB nacional é incapaz de ver o que o Brasil todo vê: Eduardo Cunha é a pessoa menos indicada para as funções de líder de bancada governista?

4. Qual é a pauta de reivindicações do deputado carioca pendente de aprovação do Planalto?

5. Ter um ministério ‘para chamar de seu’?

6. Conseguir a nomeação de meia dúzia de afilhados para ocupar diretorias de importantes empresas estatais?

7. Apoio do governo para voos eleitorais de maior envergadura em sua base política no Rio de Janeiro?

8. Sentimento de frustração com a atuação política de lideranças de seu próprio partido (Michel Temer – Henrique Eduardo Alves – Valdir Raupp – José Sarney - Renan Calheiros)?

9. Ter protagonismo de líder oposicionista visando concorrer como vice de Aécio Neves ou em caso de rompimento de Marina Silva com o PSB, fazer dobradinha com seu xará Eduardo Campos?

10. Por que é tão difícil para o PMDB destituí-lo da liderança de sua bancada na Câmara?