Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Para ajudar os jornalistas sem Google

Como eu sei que os nossos jornais não sabem acessar o Google, reproduzo abaixo um bom trecho de uma matéria do Correio Brasiliense, que relata as circunstâncias em que este policial militar José Dias Ferreira foi preso, ano passado, o que mal e mal tem sido informado aos leitores.
Ter sido preso não quer dizer que o que ele diz não seja investigado, mas deveria fazer pensar duas vezes antes de, sem provas – havendo, é outra coisa – se dê automaticamente foros de verdade ao que ele diz.
Leiam só (a íntegra está aqui):

Fachada da academia This Way Fitness, em Sobradinho, de propriedade do soldado da PM João Dias
Cinco pessoas estão presas na Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco) suspeitas de participar de desvio de dinheiro repassado pelo Ministério do Esporte. O policial militar João Dias Ferreira, Demis Demétrio Dias de Abreu, Flávio Lima Carmo, Miguel Santos Souza e Eduardo Pereira Tomaz foram detidos às 6h da manhã desta quinta-feira (1º/4) por agentes da Polícia Civil do Distrito Federal, numa operação chamada Shaolin, que tem a participação do Ministério Público do DF.
O grupo, que era liderado pelo PM, falsificou 49 notas frias para retirar o dinheiro repassado pelo Ministério dos Esportes a entidades sociais convenadas com o Programa Segundo Tempo do Governo Federal. A verba aproximada, ao longo de três anos (2006/07 e 08), foi de R$ 3 milhões. O dinheiro seria destinado a programas sociais, em atividades esportivas para 10 mil atletas carentes de núcleos situados em Sobradinho, mas pouco menos de R$ 1 milhão foi realmente destinado a eles.
O derrame de verba pública saia da Federação Brasiliense de Kung-Fu (Febrak) e da Associação João Dias de Kung-Fu, Esportes e Fitness. Esta última é uma organização não-governamental e leva o nome do soldado da 10ª Companhia de Polícia Militar Independente. Ele é dono de duas academias em Sobradinho: Thisway Fitness e Wellness Ltda., usada para lavar dinheiro desviado, situada no primeiro piso do Sobradinho Shopping.
Além das academias, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão, autorizados pela 3ª Vara Criminial de Brasília, nas residências dos acusados, entre elas, na luxuosa casa onde reside o casal João Dias e Ana Paula Oliveira de Faria, 33, também apontada como integrante da quadrilha. O imóvel do PM fica num condomínio luxuoso de Sobradinho e foi arrestado pela Justiça.
Vamos com calma, portanto. O cidadão deve ser ouvido, mas com muito cuidado, face a estes antecedentes. E com o cuidado com que se deve ouvir quem levou três anos para “denunciar” um acordo que diz não ter aceito. Aliás, um dos presos já tinha feito acusações da mesma ordem contra o atual Governador de Brasilia, Agnelo Queiroz, inclusive com episódios idênticos de entrega de dinheiro em automóvel. E, na época (e na revista Época), o mesmo acusador de hoje negou tudo. Teria mudado de ideia?
A história é velha, só trocaram os personagens. Basta ir ao Google.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

RJ: Milícia liderada por vereador planejava matar parlamentares e a chefe da Polícia Civil



Um dos alvos, o deputado estadual Marcelo Freixo, desabafou a CartaCapital:
“É inadmissível que em pleno século XXI há um parlamentar que representa o crime organizado no Rio.
A chefe da Polícia Civil carioca, Martha Rocha, também estava na mira.
O vereador do Rio de Janeiro Luiz André Ferreira da Silva (PR), conhecido como Deco, foi preso na manhã desta quarta-feira, durante uma operação da Polícia Civil para desarticular uma milícia que atua em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade. Oitenta agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) continuam na região para cumprir 14 mandados de prisão contra ex-policiais e guardas municipais que integram o grupo miliciano.
De acordo com o Ministério Público, o bando controlava ao menos 13 comunidades cariocas, incluindo Praça Seca e Campinho, e planejava matar uma vereadora não identificada, o deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias em 2008, e a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha. “Ela só foi ameaçada porque, antes de assumir a chefia da Polícia, era delegada titular do 26º DP de Campinho e nunca foi conivente com o crime organizado”, afirmou Freixo a CartaCapital. “Nós cumprimos o nosso papel. Investigamos, denunciamos e indiciamos o Deco e seu bando há três anos, mas só agora resolveram prendê-lo. Essa demora é injustificável.”
O deputado ameaçado, que anda com escolta armada desde 2008, lista uma série de crimes atribuídos à milícia liderada por Deco, como homicídios, extorsões, tortura, furto de sinal de tevê a cabo e internet e exploração ilegal de transporte coletivo e máquinas caça-níquel. Visivelmente irritado com a demora em prender o grupo, Freixo desabafa: “Espero que esses vereadores tomem vergonha na cara e peçam cassação desse bandido ainda hoje. É inadmissível que em pleno século XXI há um parlamentar que representa o crime organizado no Rio. Precisamos acabar com esse silêncio covarde da Câmara Municipal e cobrar mais celeridade da Justiça para punir esses criminosos.”
Oficial da reserva do Exército, o vereador Deco diz ser inocente e vítima de uma perseguição política. Além das prisões, os policiais envolvidos na operação devem cumprir 25 mandados de busca e apreensão em diversos pontos da capital fluminense.
Rodrigo Martins
By: CartaCapital