Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Em 2014, Aécio distribuía Veja nas ruas contra Dilma

Em 2014, Aécio distribuía Veja nas ruas contra Dilma

aécio capa


Em outubro de 2014, na reta final da eleição em segundo turno, a campanha do então candidato a presidente Aécio Neves violou proibição do Tribunal Superior Eleitoral de os meios de comunicação eletrônicos e o PSDB divulgarem edição da revista Veja que trazia na capa acusação sem provas contra Lula e Dilma Rousseff, adversária do tucano.
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Naquela eleição, Aécio fechou sua campanha eleitoral na TV prometendo ética na política e acusando Dilma e seu partido.
Meses depois, na abertura dos trabalhos legislativos de 2015, Aécio entrou triunfalmente no Congresso, com seus partidários cantando o Hino Nacional, e fez um duro discurso no qual propôs o impeachment de uma presidente que assumira o segundo mandato havia pouco mais de 30 dias.
E eles, tucanos, apoiadores, mídia e assemelhados não querem ser chamados de golpistas…
A partir dali, seguiu-se um processo que destruiria virtualmente a economia brasileira.
Naquele mesmo mês, a Câmara dos Deputados elegeria Eduardo Cunha presidente. Com grande parte do PMDB e em parceria com Cunha, Aécio paralisaria o governo Dilma, que, além de não conseguir aprovar medidas para estabilizar a economia, ainda tinha que lidar com as pautas-bomba que tucanos e peemedebistas aprovavam para gerar instabilidade no país.
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Esse processo de sabotagem da economia brasileira foi construído por Aécio em parceria com a mídia e com a ex-base aliada de Dilma, além do efeito paralisante que a Lava Jato impunha sobre o setor mais dinâmico da economia brasileira, o de petróleo e construção pesada.
A receita do desastre funcionou. Dilma foi derrubada por acusações falsas e um pretexto criminoso que acabou de instalar o caos no país.
Os golpistas ignoraram até alertas do FMI de que a crise política que fomentavam jogaria a economia em uma recessão tão profunda que seria difícil reverter, de uma vez que se instalasse.
De nada adiantou. Os golpistas só queriam o poder. Dessa forma, venderam ao povo, que já sentia os efeitos da sabotagem, a tese absurda de que bastaria tirar Dilma do cargo que o bem-bom da era Lula 1 e 2 e Dilma 1 retornaria.
Obviamente que a bonança econômica da era petista não retornou e, pior, a paralisia econômica durante mais de um ano, visando derrubar Dilma, não pôde ser revertida.
Eis que o país começa a perceber que o PT não estava mais no poder e que só os petistas eram investigados, e começa a clamar por equanimidade nas investigações. Tudo isso culmina na outrora impensável capa da revista Veja desta semana, que, como jamais ocorrera antes, acusa aquele que tanto se valeu de seus ataques ao PT.
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No vídeo abaixo, você vai ver a dramatização dessa história em mais uma super edição de vídeo do Felipe Masini, que vem atuando na edição de imagens e vídeos do Blog. Assista, reflita, divulgue para que Aécio e todos os que, como ele, apostaram no caos reflitam se valeu a pena sabotar um país para tomar o poder de forma golpista.
Observação: se gostar do vídeo abaixo, inscreva-se no Canal do Blog da Cidadania clicando aqui

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Listas de “petralhas” estariam sendo usadas para perseguições

lista
A melhor indicação de que o Brasil está sob um regime autoritário é a onda de perseguições políticas desencadeada após o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff. Demissões em massa em órgãos públicos por conta da posição política dos servidores, porém, não foram as únicas investidas dos golpistas.
Estranhas ações na Justiça, denúncias do Ministério Público feitas contra servidores ainda podem ser “justificadas” com acusações de envolvimento mesmo que os perseguidos sejam pessoas que jamais participariam de esquemas por serem simples servidores de 4º, 5º escalões – ou ainda mais baixos.
O que assusta é uma onda de demissões em meios de comunicação e empresas em geral fomentada por ideologia e que ainda vai ser condignamente denunciada nesta página e em outras, a partir do momento que os demitidos criarem coragem de falar.
Este blogueiro, porém, nunca teve medo e não é agora que começará a ter.
No momento em que escrevo, retorno de reunião com empresa que me contratou durante anos e anos e que, subitamente, sem explicação, não renovou o contrato. Este ano ocorreram outros casos, mas, até então, eu vinha atribuindo esse problema à crise econômica.
Desta feita, porém, algo mudou. Após a reunião com a direção da empresa, alguém veio se solidarizar comigo. Fomos tomar um café e, durante a conversa, ouvi um aviso bastante preocupante:
— Eduardo, você não vai ter problema só aqui. Você sabe que tá na lista de “petralhas perigosos” feita por aquele Rodrigo Constantino, que trabalhava na Veja?
Obviamente que sei. Sei até que militantes de esquerda criaram uma página no Facebook pedindo para ingressar nessa lista. Figuro na posição 214. Clique aqui para ver a lista de “petralhas perigosos” feita pelo ex-colunista de Veja.
Não é a primeira vez. Em 2012, outro colunista da Veja – desta vez, um que continua trabalhando lá – fez outra lista negra de “petralhas” na qual fui incluído.
lista-1Já havia recebido outros relatos sobre o uso dessas listas para promover perseguições políticas na hora em que o governo petista fosse derrubado – essas listas foram feitas com alguma finalidade; ninguém faz uma lista de pessoas se não for necessária para beneficiar ou prejudicar os que nela figuram.
Assim sendo, declaro-me alvo de perseguição política e acuso os autores dessas listas de serem responsáveis por isso e por tudo o mais que possa ocorrer com os alvos dessa iniciativa criminosa, levada a cabo para prejudicar pessoas por conta de suas opiniões políticas, como acontece em toda ditadura.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Veja inventa “fuga de Lula” para justificar prisão arbitrária

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No dia 14 do mês passado, no começo da tarde, este Blog denunciou que estava sendo preparado um espetáculo em torno de suposta prisão arbitrária que Lula sofreria por parte da Lava Jato. O argumento que seria usado para prendê-lo: ele pretenderia “obstruir a Justiça” e, assim, haveria que prendê-lo para proteger as investigações.

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Clique na imagem acima para ler a matéria.

O que é “atrapalhar investigações”? Fugir, por exemplo. Fuga de suspeito ou acusado é a forma mais grave de obstruir a Justiça.

Na edição de Veja desta semana (9 de novembro), pela enésima vez neste ano a revista martela que existiria um “plano de fuga” de Lula e família, e essa seria a razão de o ex-presidente estar fazendo denúncia à ONU contra abusos da Lava Jato de que vem sendo alvo.

Porém, desta vez a revista cria uma situação absolutamente insólita. O Palácio do Planalto, ou seja, Michel Temer e, sobretudo, José Serra (derrotado duas vezes pelo petista em campanhas eleitorais), ambos adversários políticos de Lula, descobriram um problema grave que ameaçaria o Brasil…

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Clique na imagem acima para ler a matéria.

Zelosos com a “imagem impecável do Brasil no exterior” (sic), sobretudo no que diz respeito aos cânones democráticos do país, Temer e Serra acham que, se Lula pedir asilo diplomático por se dizer perseguido politicamente, a comunidade internacional acreditará no que a direita diz que essa mesma comunidade internacional nunca acreditara, ou seja, que, recentemente, houve um golpe no Brasil e que, agora, há uma ditadura instalada por aqui.

Reportagem publicada na mais recente edição de VEJA que chega às bancas neste sábado promete revelar “detalhes de como o governo Temer vem lidando em sigilo com um delicado assunto: o risco de o ex-presidente Lula fugir do país”

Segundo a revista, “no momento em que o cerco da Operação Lava-Jato se fecha sobre o petista, as investidas dos advogados de Lula na Organização das Nações Unidas (ONU) levaram o ministro José Serra a procurar o presidente da República para analisar as consequências de um eventual pedido de asilo político de Lula”.

Como foi que a Veja descobriu essa preocupação inédita de Temer e Serra com a imagem do país? Ora, eles contaram para a Veja.

O chanceler também considera que um eventual asilo de Lula poderá criar danos diplomáticos, prejudicando a imagem do Brasil no exterior.

“Talvez eu tenha essa avaliação, mas o assunto principal que eu discuti com o presidente Temer foi o tratamento a ser dado a essa questão da ONU dentro do governo. Não penso que o asilo seja a estratégia principal, mas não vou afirmar o contrário”, disse ele à revista Veja desta semana.

Serra não foi questionado sobre os R$ 23 milhões que recebeu da Odebrecht em 2010, numa conta na Suíça (leia aqui), nem foi indagado sobre a possibilidade de ele próprio vir a pedir asilo diplomático, caso venha a sofrer implicações judiciais decorrentes da descoberta da conta usada pelo PSDB no paraíso fiscal helvético.

Lula é acusado de se beneficiar de reformas em dois imóveis (um sítio em Atibaia e um apartamento no Guarujá), que, segundo os cartórios de imóveis competentes, não lhe pertencem.
Serra foi delatado pela Odebrecht por ter recebido R$ 23 milhões – equivalentes hoje a R$ 34,5 milhões – numa conta secreta num paraíso fiscal.

O chanceler avalia, no entanto, que o que dano à imagem do Brasil é causado pelo risco de fuga de Lula – e não por sua presença no Itamaraty

Na verdade, essa matéria nada mais é do que material requentado. A primeira tentativa da Veja de criar argumentos para a Lava Jato prender Lula foi em março deste ano.

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A matéria foi anunciada numa quinta-feira, 24 de março de 2016 no portal da Veja
Basicamente, o que a revista publicou foram informações negadas pela fonte que teria afirmado que “o ex-presidente e aliados” estariam estudando “requerer que país europeu o receba como perseguido político” porque a família de Lula teria cidadania brasileira e italiana.

Disse Veja, à época, que o embaixador daquele país, Raffaele Trombetta, promovia um jantar para quarenta convidados, entre eles aliados do ex-presidente com atuação destacada no mundo jurídico e no Congresso.
Segundo a revista, “em determinado momento do convescote Trombetta teve uma conversa franca e reservada com os emissários do ex-presidente. Foi perguntado sobre possíveis desdobramentos caso Lula se refugiasse no prédio da embaixada italiana e desse prosseguimento ao pedido de asilo político” e o embaixador teria prometido “estudar consequências”.

O factoide não durou 24 horas.

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Há algumas semanas, o site O Antagonista veio com a tese da fuga de Lula de novo.
Para quem não sabe, esse site é editado por antipetistas que trabalhavam na Veja e que pediram demissão da revista para tocar um site com bico grande e investimento milionário, aquilo que os mineiros chamam de “trem-bão”…

Seja como for, um dos editores do Antagonista, um tal Claudio Dantas, tratou de inventar nova rota de fuga para Lula. Agora não seria mais Itália, já que o embaixador Trombetta desmentiu Veja publicamente. Agora, Lula fugiria para o Uruguai




A matéria de Veja desta sábado 5 de novembro nada mais é do que ação da revista para justificar eventual decretação extemporânea de prisão de Lula.

Na verdade, há quem acredite que Lula iria ser preso junto com Cunha e acabou não sendo porque polêmica sobre sua prisão iminente deixou a Lava Jato com um pé atrás.

É tudo uma questão de fé, não é mesmo? Quem acreditou na possível prisão iminente de Lula três semanas atrás, agora pode supor que essa nova reportagem de Veja sobre hipotética fuga dele e da família teria relação com triangulação entre a revista, a Lava Jato e o governo Temerário com vistas a justificar prisão arbitrária do ex-presidente.

É criminosa a acusação de que Lula fugiria do país apesar de as denúncias contra si estarem sofrendo críticas tão duras de inépcia. O processo contra o ex-presidente não contém um só elemento de prova ou de forte indício. Tudo está no campo das suposições.

Concluo esse texto exortando Les Enfants Terribles  de Veja e agregados antagônicos a darem uma lida no coleguinha deles Reinaldo Azevedo, que no texto que você pode ler aqui afirma que Lula não tem um mísero motivo para fugir.

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Deputado desmente Veja sobre delação premiada de Vaccari

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A última edição da revista Veja trouxe uma matéria que surpreendeu, mas que não ganhou grande repercussão porque poucos acreditaram nela. Apesar disso, o resto da mídia a reproduziu, ainda que com pouco destaque.
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Veja afirmou que “O homem que arrecadou e distribuiu mais de 1 bilhão de reais em propina para o PT, do qual foi tesoureiro, se prepara para falar à Lava Jato”.
A revista cuja razão da existência é atacar o PT refere-se a João Vaccari Neto, ex-presidente do partido, preso há mais de um ano, tendo começado a cumprir pena antes da condenação sumária que lhe foi imposta pelo juiz Sergio Moro.
Vaccari não falou à Veja, mas a revista inventou uma afirmação dele. Segundo a publicação, o ex-tesoureiro do PT teria dito o seguinte:
Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua”.
É uma piada. Note o absurdo da versão da Veja, leitor. Se Vaccari tivesse dito isso, a delação premiada estaria feita. Ele teria confessado. Não poderia nem mais recorrer da sentença em primeira instância que lhe foi imposta por Sergio Moro, que iria para cima dele.
A declaração que Veja atribui a Vaccari poderia lhe agravar a pena, seria um escândalo de repercussão internacional a afirmação peremptória de que a maior central sindical das Américas assassina pessoas e é temida por um de seus membros mais eminentes.
No último domingo, porém, o signatário desta página participou de reunião na residência do jurista Pedro Serrano, em São Paulo, para discutir o lançamento do livro Resistência ao golpe de 2016, na capital paulista, que ocorrerá no próximo dia 20 de junho. Lá, encontrou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que esteve com Vaccari quando ele deu as declarações que a Veja alterou criminosamente.
Ouça, abaixo, a breve entrevista concedida por Teixeira a este blogueiro – abaixo do vídeo, a transcrição da declaração do deputado.


Transcrição da entrevista
Blog da Cidadania – Paulo Teixeira, sobre essa matéria que saiu acho que não Folha de São Paulo…
Paulo Teixeira – Na Veja…
Blog da Cidadania – Sobre o Vaccari ter intenção de aderir à delação premiada contra alguém, você diz que estava presente no momento em que essa declaração teria sido dada e isso [o que a Veja diz] não é verdade…
Paulo Teixeira – Ele nunca falou em delação premiada. O que o Vaccari fala é que o Partido dos Trabalhadores tem que se colocar nessa ação [de investigação contra si] do ponto de vista institucional, mas ele, em momento nenhum, falou em delação premiada.
Como estávamos em uma reunião, não foi possível gravar o resto da conversa. Porém, o que Vaccari disse foi o contrário do que afirmou Veja.
Vaccari disse que o PT é parte da ação movida contra si, mas que não poderia delatar ninguém porque não fez nenhuma articulação ilegal a pedido do partido de forma a obter propina.  Seria inacreditável o que Veja fez, se não fosse a Veja.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mídia trata filhos de FHC e Serra como os de Lula?

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Primeiro nos deparamos com a fofoca do decadente jornalista Lauro Jardim acerca de suposta afirmação do réu confesso Fernando Baiano de que ele teria pago contas de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, me remeteram a fatos ocorridos em 2005, depois ele mudou a versão... Disse que entregou o dinheiro para um amigo do ex-presidente, o qual entregaria a uma nora, cujo nome ele sequer soube dizer.
Essa perseguição começou em 2005 quando a revista VEJA estampou em sua capa um simulacro de “escândalo” denunciando “fato grave” segundo a revista. Mas a escândalo denunciado estava mais para contas do Senador Romário do que para contas do Cunha. Tratava-se de uma operação declarada à Receita Federal e aprovada pela CVM, que a imprensa tentou criminalizar em vão, não há ilegalidade.
Agora o espetáculo midiático ataca o filho mais novo de Lula. Fato que é tão “forçado”, como dizem os jovens. Fato que o senador José Serra considerou um "exagero" a decisão da Polícia Federal de realizar uma busca e apreensão no escritório de um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bem, em 12 de junho de 2010 publiquei no meu blog um artigo curtinho com esse titulo “Dois pesos e duas medidas...”, pois tudo que se publica por parte da imprensa em relação a Lula e sua família jamais é honesto, o objetivo é desgastar, constranger e destruir. 
Mas essa mesma imprensa tão “imparcial” não comenta o desfecho de outros casos, nem se interessa em apresentar grandes manchetes sobre eles.
Há, por exemplo, o caso do superfaturamento na construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000, fato que envolve Paulo Henrique Cardoso o filho do ex-presidente FHC.
Isso mesmo, o herdeiro do FHC gastou cerca de 24 milhões de dólares em 2000, equivalente a 80 milhões hoje de dinheiro público para ir à feira. O custo astronômico chamou atenção, pois o custo real e comprovado do estande não passou de 1,5 milhão... Com quem ficou a diferença entre 1,5 milhão e os 24 milhões que o governo desembolsou na época? O filho de FHC foi denunciado pelo MPF à época.
Já Fábio Luís, filho de Lula, apesar de incansavelmente investigado jamais foi denunciado pelo MPF. Por quê? Porque não praticou nenhum ilícito. Como não encontraram, e provavelmente nada será encontrado contra Fábio, atacam seu filho mais novo: Luiz Claudio.
E para, a empresa do filho do ex-presidente Lula chegou a ter 150 funcionários, gera emprego, trabalho e renda, funciona regularmente e produz conteúdos de qualidade, basta assistir diariamente o canal Playtv na TV a cabo. Já estande de Paulo Henrique Cardoso deve ser sucata faz tempo...
Ou caso tratado com “descuido” pela zelosa e imparcial imprensa envolve a filha de José Serra, palmeirense da Mooca.
Verônica Allende Serra, entre os 25 e os 30 anos se tornou um fenômeno do mundo dos negócios ao ganhar milhões em período tão curto.
Em 1995, aos 25 anos, Verônica ganhou uma bolsa de estudos para um curso de MBA (Mestre em Administração de Negócios) na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O benfeitor da filha do então poderoso ministro do Planejamento foi a Fundação Educar, criada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, à época donos do Grupo Garantia (não podemos esquecer que os citados benfeitores participaram ativamente do processo de privatizações do governo ao que o pai de Verônica servia, além de estarem envolvidos nos interesses da cervejaria Brahma, que, em 1998, em processo polêmico que dependia do Cade, ligado à área de influência de José Serra.
Bem, Verônica concluiria o curso em Harvard em 1997 e já em 1998 conseguiria seu primeiro trabalho no mundo corporativo, na companhia de administração de recursos chamada Leucadia. Meses depois, seria recrutada pelo fundo de investimentos International Real Returns (IRR) para atuar como sua representante no Brasil. Em 2000, tornar-se-ia “diretora” da “Decidir.com, Inc.”, fundada naquele ano, uma empresa “ponto.com” norte-americana, subsidiária da matriz argentina “Decidir”, de busca e verificação de dados cadastrais e crédito.
A empresa ganhou notoriedade no Brasil por ter tido como membros da diretoria tanto Verônica Dantas Rodemburg, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do CVC Opportunity, como Verônica Allende Serra, filha do então ministro da Saúde José Serra. Em cinco anos, esse prodígio pulou de um empreguinho na Editora Abril e de um singelo curso de Direito na USP para o epicentro dos grandes negócios corporativos, alegadamente por ter passado pela abençoada Universidade de Harvard, que, agora se sabe, basta cursar para ficar rico em poucos anos. Mas ninguém fala nada sobre isso. Mas com Fábio Luís não havia descanso até descobrirem que Claudio.
Fato é que esse tal Lauro Jardim fez novamente o quem vem fazendo desde 2003: acusações “espetaculares” para atingir o ex-presidente Lula.
Lula jamais teve, ao longo das mais de três décadas de vida política, uma única acusação leve ou grave comprovada, foi absolvido de todas as calúnias e infâmias, nunca sofreu um processo em que fosse apresentada uma mísera prova das acusações que lhe eram feitas, mas ao longo de seus dois governos, seu filho Fábio Luís Lula da Silva vem sendo acusado, através de montagens fotográficas principalmente, as quais atribuem a ele a posse de propriedades rurais imensa, apontado como dono de empresas como a JBS (cujos donos reais qualquer pessoa informada sabe quem são), enfim, o filho mais velho de Lula é um dos alvos prediletos dos adversários do pai há muito tempo, mas Paulo Henrique Cardoso e Verônica Serra são sempre poupados e seu surpreendente enriquecimento, coincidente com os mandatos de FHC e Serra, relevados.
Dois pesos e duas medidas. A imprensa trata uns com justiça e outros com injustiça, Paulo, Verônica, Fábio e Luiz Claudio merecem o mesmo tratamento da imprensa, pois condutas diversas da diante de situações idênticas, aplicar a lei ou a regra com mais ou menos rigor de acordo com a conveniência é imoral e merece a nossa discordância expressa.
Pedro Benedito Maciel Neto, 51, advogado, sócios da MACIEL NETO ADVOCACIA, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

É hora de denunciar ao mundo o golpe político no Brasil

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A matéria de capa da última edição da revista Veja ultrapassou qualquer limite aceitável pelas forças políticas progressistas deste país. E quando cito forças políticas progressistas não me refiro, tão-somente, a partidos de esquerda da base aliada, como PT e PC do B, mas a todos os partidos de esquerda – inclusive os de oposição – e a movimentos sociais.
Apesar de ter sido desmentida publicamente pela defesa do ex-vice-presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmação de Veja de que ele teria autorizado seus advogados a conversar com o Ministério Público Federal para fazer um acordo de delação premiada e, no âmbito desse acordo, apresentar “provas” contra o ex-presidente Lula, a publicação da matéria revela que não há mais o que esperar para as forças democráticas deste país reagirem por meios mais drásticos.
A matéria de Veja foi recebida com frieza pelo resto da grande imprensa devido ao fato de que não passa de matéria requentada. Em sua edição de 27 de abril deste ano, a revista já tinha feito essa afirmação de que Pinheiro iria denunciar Lula. A afirmação não se confirmou assim como a de agora, desmentida prontamente pela defesa do acusado.
Mas as matérias tendenciosas de Veja e do resto da mídia feitas diuturnamente e exclusivamente contra o PT, suas lideranças e seus aliados não são o que dá forma ao golpismo; em várias partes do mundo setores da imprensa comportam-se como partidos políticos. Porém, não encontram ressonância das instituições como acontece no Brasil.
O que configura o golpe político em curso é que, como em qualquer ditadura, a lei passa a ser usada de formas diferentes em situações praticamente iguais, mas com variações de resultados derivadas da orientação política dos envolvidos.
Chegou a hora, portanto, de dizer ao mundo que a democracia brasileira está sendo jogada no lixo e que as instituições estão sendo usadas como armas políticas para derrubar um governo democraticamente eleito.
E não é difícil provar ao mundo o que está acontecendo. Basta mostrar como a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal estão agindo partidariamente, acobertando escândalos envolvendo políticos tucanos e expondo os petistas.
Tomemos o caso das ligações de empreiteiras com políticos petistas e, sobretudo, com o ex-presidente Lula, alvo preferencial de Veja, e do envolvimento delas com políticos tucanos em situações absolutamente idênticas.
Do que se trata a acusação a essas empreiteiras no âmbito da Operação Lava Jato? Havia um cartel que fazia negociatas na Petrobrás pagando propinas a políticos por meio de doações oficiais, entre outras formas de corromper autoridades e ocupantes de altos cargos na empresa.
O que espanta é que as mesmíssimas empreiteiras envolvidas em outros escândalos muito parecidos com o da Petrobrás fizeram altas doações a políticos tucanos e de outros partidos que não o PT, mas, nesses casos, não há uma única ação da grande mídia, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e muito menos da Justiça no sentido de tratar essas doações como são tratadas as feitas ao PT.
Há alguns meses, surgiu a denúncia de que mais da metade da campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ano passado, foi bancada por empresas investigadas por fraudes e formação de cartel em licitações do metrô de São Paulo.
No total, as quatro empresas suspeitas doaram R$ 8,3 milhões, 56% do total arrecadado (R$ 14,7 milhões) pelo tucano.
Três das empresas doadoras já são rés em processos na Justiça: a construtora Queiroz Galvão, a CR Almeida S/A Engenharia de Obras e a construtora OAS S/A.
Executivos de consórcios integrados pela CR Almeida S/A Engenharia de Obras, pela OAS S/A e pela Queiroz Galvão foram denunciados em 2012 por suspeita de fraude e formação de cartel na licitação para ampliar a linha 5-lilás do Metrô de São Paulo. No total, 14 funcionários de 12 construtoras foram denunciados no caso.
Mas não é só. Existe também a denúncia de que sete das nove empresas investigadas na Operação Lava Jato repassaram ao menos R$ 38,9 milhões às campanhas de 19 governadores eleitos e reeleitos. As doações foram feitas pelas UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Engevix, OAS, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa.
Vários executivos dessas empresas estão presos e até hoje não há notícia de que tenha sido levantada uma mínima suspeita contra os governadores que receberam doações dessas empresas em troca de obras em seus Estados.
Confira, abaixo, quem são os governadores que receberam doações das empreiteiras envolvidas no Cartel dos Trens de São Paulo e no Cartel da Petrobrás.
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A tese que sustenta essa situação é absolutamente louca: essas empreiteiras fizeram negócios esquisitos com a Petrobrás e, como fizeram doações eleitorais ao PT, a Dilma e contrataram palestras de Lula, todos os petistas e aliados são suspeitos. Porém, essas empresas fizeram negócios com administrações tucanas e desses negócios surgiram escândalos como o dos trens de São Paulo, mas as doações que elas fizeram a Alckmin, por exemplo, não foram postas sob suspeitas.
Isso se dá porque a Operação Lava Jato se auto circunscreveu à Petrobras. É como se corrupção só fosse crime se praticada por petistas e aliados na Petrobrás, mas não fosse crime quando praticada por tucanos e aliados em empresas como o Metrô ou a CPTM.
É óbvio que isso não é possível. É óbvio que a lei está sendo usada de forma diferente de acordo com a posição política das pessoas. E a lei ser usada de uma forma para alguns e de outra forma para outros é a principal característica das ditaduras.
O que há hoje, no Brasil, é uma ditadura da minoria (eleitoral), protagonizada pela grande mídia, pela oposição, por setores mais ousados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal. Essa ditadura já declara abertamente seus planos para destruir moral e politicamente a maior liderança política do país, o ex-presidente Lula.
Além disso, a economia está sendo destroçada pelo espalhafato das investigações, que deveriam ocorrer em sigilo, mas que têm cada detalhe, cada frase, cada vírgula vazados para a mídia de forma absolutamente seletiva, de modo a incriminar apenas petistas e aliados, poupando opositores do governo federal onde eles são governo, nos Estados e municípios.
Quem acompanha atentamente a política já sabe que é questão de tempo para inventarem algum pretexto para derrubar o governo e, acima de tudo, desmoralizar e, se possível, aprisionar o único grande líder político de esquerda que o Brasil produziu das últimas décadas do século XX para cá.
Não será fácil impedir esse golpe político-institucional. O poder da mídia aliado ao do capital, ao do Judiciário, ao do Ministério Público, ao da Polícia Federal e ao da maioria do Legislativo, é uma força avassaladora. Do lado dos golpeados, só há uma militância combalida, desanimada e alguns movimentos sociais e partidos de esquerda hesitantes.
Isso tudo, porém, não muda o fato de que a democracia brasileira está sendo posta no lixo. Com a destruição política das lideranças de centro-esquerda, os conservadores irão pisotear programas sociais, “precarizar” as relações trabalhistas, dar caráter fascista à legislação penal etc., etc.
Na visão deste Blog, só resta denunciar ao mundo o que está acontecendo no país. Os golpistas podem até tomar o poder por meio dessa vergonhosa manipulação das leis, mas assumirão esse poder sem legitimidade diante da comunidade internacional.
Bastará apresentar ao mundo os fatos supra elencados, com todas as provas pertinentes, para provar que, neste país, as leis e os órgãos de controle do Estado estão sendo usados seletivamente de modo a acobertar alguns e fustigar a outros. Há que exigir observadores internacionais para fiscalizarem o comportamento da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal.
Se a hesitação das vítimas desse golpismo ditatorial persistir, o retrocesso político, institucional e social que o Brasil sofrerá terminará em tragédia, em um levante das massas que serão pisoteadas pelas políticas antipopulares dos futuros novos donos do poder. Guarde estas palavras, leitor.

sábado, 18 de julho de 2015

Segundo Bolsonaro, Cunha levará 18 pedidos de impeachment a votação em 3/8

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Na sexta-feira, foi noticiado que, após Eduardo Cunha romper com o governo, estaria pedindo a parlamentares que propuseram 11 pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff que “atualizem” esses pedidos.
Cunha, inclusive, reconheceu, publicamente, que está agindo assim por estar sendo pressionado pelas delações premiadas do doleiro Alberto Yousseff e do lobista Julio Camargo e, também, pela Receita Federal, que, no dia 23 de junho, abriu procedimento fiscal questionando o pagamento de seu Imposto de Renda entre 2010 e 2013 – o presidente da Câmara atribui essa investigação ao governo federal.
Um dos tais 11 pedidos de impeachment feitos por parlamentares contra a presidente da República é de autoria do deputado pelo PP fluminense Jair Bolsonaro, que divulgou para um colunista da revista Veja cópia de ofício que recebeu do presidente da Câmara para que refaça seu pedido.
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O colunista da Veja em questão é o tal Felipe Moura Brasil, que, conforme relatou este blog recentemente, sofre deanalfabetismo funcional. Esse colunista entrevistou Bolsonaro, que lhe relatou conversa que teve com Cunha.
Entre uma miríade de baboseiras sobre a esquerda e sobre as motivações de seu pedido de impeachment contra Dilma – por ela ter dito que não respeita delatores, por exemplo –, o truculento Bolsonaro revelou que foi informado por Cunha de que são 18, e não 11, os pedidos de impeachment que Cunha tem à disposição para retaliar a presidente.
Confira, abaixo, o áudio da entrevista

A informação que interessa, em meio a esse monte de cretinices, é a de que Cunha deverá colocar em votação esse amontoado de pedidos de impeachment sem fundamentação no exato dia em que o Congresso retornar do recesso parlamentar, que, segundo Bolsonaro, será em 3 de agosto próximo.
Isso, claro, caso Cunha não seja afastado do cargo antes, já que é muito grave a denúncia de que está usando seu cargo para intimidar testemunhas que o estão denunciando à Operação Lava Jato.
Cunha colocar esses pedidos de impeachment mal fundamentados em votação no primeiro dia de retomada dos trabalhos parlamentares é um fato da maior importância porque constitui um desrespeito àquela Casa Legislativa, já que medida de tal gravidade precisa ser tomada com os mais elevados critérios em respeito aos votos de 54 milhões de eleitores, ano passado.
A revelação de Bolsonaro, se confirmada, representará mais um agravante na situação de Cunha, pois ele está usando o cargo que ocupa para promover quase que uma briga de rua.
O STF e a Procuradoria Geral da República têm obrigação funcional de impedir que o presidente da Câmara a transforme em um circo. Nenhum país sério pode permitir que seu Legislativo seja transformado em porrete de arruaceiros.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Como qualificar o colunista da Veja que pediu “menos escolas, mais prisões”?

constantino

Quem achou que a agressão moral praticada por um dos “ideólogos” do grupo fascista “Revoltados On Line” a umfrentista seria o fundo do poço da ultradireita brasileira, errou. Mesmo as agressões físicas que os neofascistas tupiniquins vêm praticando não se comparam a recente ato criminoso praticado pelo colunista da revista Veja Rodrigo Constantino.
Em seu “blog”, asquerosamente instalado no portal da revista semanal, esse elemento publicou um post cujo título é mais do que suficiente para definir não apenas a “obra”, mas o autor: “Menos escolas, mais prisões!
Um texto com esse título não precisa ser lido para ser repudiado. Infelizmente, por falta de Educação e excesso de encarceramentos até mesmo os setores mais instruídos da sociedade têm o péssimo hábito de ler apenas os títulos dos textos, que, na era da avalanche de informações na internet, têm que resumir o conteúdo a que remetem para não ser ignorados.
Houve tempo em que um título bem engendrado estimulava o leitor a descobrir o conteúdo a que remetia. Hoje, porém, as pessoas formam conceitos com base em frases curtas que intitulam textos que frequentemente não dizem o que a chamada insinua. Desse modo, uma frase como a que intitula o post do colunista da Veja tem, por si só, um efeito altamente danoso.
Só por isso o texto “Menos escolas, mais prisões” já deveria ser repudiado, pois quem escreve em um veículo de grande alcance tem que ter responsabilidade. Todavia, a leitura completa dessa excrescência elucubrada por Constantino não atenua a barbaridade que é o título.
Ao ser cobrado por seus leitores pela barbaridade que cometeu, Constantino ainda tentou minimizar seu crime de lesa-pátria – e, muito provavelmente, de lesa-humanidade – com um post scriptum que acusa quem ficou chocado de “não saber” o que é uma “hipérbole”, que é o que teria usado no título.
Eis o remendo de Constantino:
PS: Algum esquerdista qualquer divulgou esse meu texto e o blog foi invadido por bárbaros. Já tem até gente pedindo minha prisão pelo texto, ou seja, querem mais prisão para gente como eu, não para o assassino do médico ciclista Jaime Gold. É que são grandes humanistas, como Lenin, Stalin e Che. Ironicamente, eles me dão razão, corroboram a crítica de que temos uma péssima qualidade de ensino. Só sabem me xingar de “fascista”, não entenderam a crítica que faço ao sistema de ensino, não sabem o que significa “hipérbole” e ainda negam que exista doutrinação marxista em nossas escolas. Alguns leram apenas o título! Ou seja, uns alienados deformados justamente por esse ensino que critico, e gente que, por isso, acha que não precisamos de mais prisões ou do fim dessa doutrinação da qual foram vítimas
Quem, evidentemente, não sabe o que é uma hipérbole é o próprio Constantino. Senão, vejamos: hipérbole é um recurso de estilo que se baseia em um exagero altamente evidente e propositado para conferir dramaticidade a uma ideia. Exemplo: se eu digo que já expliquei alguma coisa “um bilhão de vezes” a alguém, é evidente que se trata de uma figura de linguagem porque ninguém conseguiria explicar nada tantas vezes. Não é necessário, pois, explicar que, em verdade, a explicação não foi repetida nessa proporção. Isso é uma legítima hipérbole.
Não é o caso do título do texto de Constantino, pois já no primeiro parágrafo o autor justifica a proposta maluca de construirmos menos escolas e mais prisões.
Não há discurso mais fácil do que repetir que a solução é mais educação. Nada mais é preciso depois dessa sentença mágica: seu autor é automaticamente visto como um ser nobre, sensível, um humanista. Quem pode ser contra mais educação? Claro que o debate sério e honesto deverá ser qualificado depois: qual educação? Quem paga? Que modelo? E esse ensino público que temos? Será que mais dinheiro público resolve mesmo? E há garantia de que mais escolas levam a menos crime, por exemplo? (…)”.
Quem paga pela Educação para quem quiser estudar e não tiver dinheiro para pagar escola? Em qualquer país civilizado, é o Estado. Até mesmo na Disneylândia do neoliberalismo, os Estados Unidos, o Estado banca Educação para todos. Nesse primeiro parágrafo, porém, Constantino põe em questão a mera existência do ensino público e gratuito.
Como se não bastasse, ainda formula uma questão cuja resposta não pode ser outra a não ser um sonoro SIM. Nem o neoliberal mais empedernido duvidaria de que Educação para quem não tem acesso certamente não eliminaria a opção de todos pela criminalidade, mas, por certo, reduziria o contingente dos que fazem essa opção.
Há uma vastidão de trabalhos científicos que dão conta de que a Educação é um poderoso instrumento de combate à criminalidade. Quem não sabe disso?
Um exemplo: a potencialidade da escola como um fator para influenciar o comportamento dos alunos e reduzir a violência foi comprovada pela economista Kalinca Léia Becker em sua tese de doutorado realizada no programa de pós-graduação em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultutra Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A pesquisa foi orientada por Ana Lúcia Kassouf, professora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da Esalq e mostra que quando ocorre o investimento de 1% na educação, 0,1% do índice de criminalidade é reduzido.
Se formos buscar estudos que comprovem o potencial da Educação no combate à degeneração moral das sociedades, haverá tanto material disponível que demoraria uma vida para ler.
Ao fim dessa peça tétrica de estupidez composta pelo colunista da Veja, ele ainda trata de reafirmar sua tese de que é melhor construir mais prisões e menos escolas. O último parágrafo de seu texto não deixa dúvida de que ele não usou uma hipérbole nesse texto e que acredita piamente na ideia-força dele:
“(…) Diante desse quadro de ensino público caótico e marxista, e da falta de lugar nas prisões, talvez seja o caso de concluir, com alguma hipérbole, que precisamos de MENOS ESCOLAS, MAIS PRISÕES!”.
Que “hipérbole”? Constantino está ou não pregando que, em vez de educar jovens, é melhor construir mais prisões? A premissa imbecil de que estudar Karl Marx leva o indivíduo a cometer crimes não anula a “solução final” do indigitado “colunista” de que é melhor prender jovens do que permitir que tenham contato com a obra de um dos maiores pensadores da história da humanidade, estudada nos quatro cantos da Terra.
Há um projeto de lei na Câmara dos Deputados que poderia resolver o dilema que perturba o colunista da Veja. Um deputado federal desocupado, Rogerio Marinho (PSDB-RN), titular da Comissão de Educação daquela casa, propôs, recentemente, lei que torna crime o “assédio ideológico” em ambiente escolar. O projeto psicótico prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa, com possibilidade de aumento da punição, caso o ato seja praticado por educadores ou “afete negativamente a vida acadêmica da vítima”.
Esse projeto fascista, por incrível que pareça, é menos danoso que a proposta de Constantino porque ao menos não busca eliminar a Educação pública em prol de mais vagas nas prisões. Ao menos admite que é preciso educar os nossos jovens, ainda que incorra na loucura de querer impedir que um professor expresse um ponto de vista legítimo que o educando pode ou não assimilar no decorrer da vida.
Se houvesse no Brasil essa doutrinação “marxista” nas escolas a que o tal colunista alude, esta sociedade seria majoritariamente pró comunismo. É preciso dizer que isso não existe?
O post escrito por Constantino em seu “blog” no portal da Veja alcançou – até o momento em que este texto foi escrito – nada mais, nada menos do que incríveis 13 mil “curtidas” no Facebook. Mais de uma dezena de milhar de pessoas alfabetizadas concordaram com ele. Previsivelmente, grande parte delas concordou com o título “curtindo-o” naquela rede social sem sequer ter lido mais nada além da linha fina da matéria.
Ao fim e ao cabo desta reflexão, o que aflige seu autor é encontrar uma forma de qualificar Constantino que esteja à altura de seu nível de boçalidade, de egoísmo, de truculência, de falta de caráter. Infelizmente, não é tarefa fácil. Pensei nisso desde a noite de sábado até o fim da tarde de domingo e não consegui encontrar um qualificativo à altura.
Convido o leitor a sugerir um adjetivo que dê conta de definir adequadamente alguém como esse colunista da Veja. Mas, sendo sincero, duvido que alguém encontre definição que esteja à altura de alguém que comete um crime de tal envergadura.


constantino capa
Constantino divulga nova “explicação” sobre seu “menos escolas, mais prisões”
Na quinta-feira da semana passada, o colunista da Veja Rodrigo Constantino publicou um texto em sua página no portal da revista que, passados quatro dias – no momento em que escrevo –, ainda não conseguiu explicar. Por isso – e, em muito menor medida, por conta dos maus-tratos que aplica ao idioma – vem tendo que continuar se explicando. Afinal, só precisa ser reiteradamente explicado aquilo que não tem explicação.
Não é para menos que o colunista da Veja tenha que se estender nas explicações: a tese do elemento é nada mais, nada menos a de que o Brasil precisa de “menos escolas e mais prisões” (!?).
O texto original do dito “Menino Maluquinho da Veja” é tão maluquinho quanto o autor. Tão alucinado que deu até cria: gerou dois post scriptum e um segundo texto.
No primeiro texto, Constantino pisa e repisa a tese de que o Brasil precisa construir menos escolas – públicas, claro, porque, evidentemente, não quer extinguir escolas para quem pode pagar por Educação. E ele quer menos escolas porque acha que o nosso ensino é ideologizado à esquerda e, assim, seria melhor não ensinar nada a ninguém do que o ensino ser ministrado por um professor que eventualmente faça comentários de viés “esquerdista” em sala de aula. Além disso, prega que, enquanto fecha escolas, o país construa mais prisões.
De certa forma, faz sentido. Como incontáveis estudos mostram que mais Educação redunda em menos criminalidade, se formos construir menos escolas é óbvio que teremos que construir mais prisões, pois a criminalidade irá aumentar paralelamente à redução de oportunidades geradas pelo aprendizado.
É claro que esse fato não confere qualquer mérito à proposta de Constantino; a necessidade de mais prisões teria aumentado devido à menor oferta de Educação e, assim, quem propôs menos Educação será o responsável pelo aumento da criminalidade.
Não resta a menor dúvida de que, em seu primeiro post, o colunista propôs exatamente o que diz o título do texto. O fato de ele propor menos escolas porque os professores seriam seguidores das ideias de Karl Marx não muda o fato de que prefere que não existam escolas a escolas continuarem tendo professores que influenciem alunos com ideias “esquerdistas”.
Detalhe: Constantino não demonstrou se opor a que professores exponham o corpo discente das instituições de ensino a ideias de direita.
Estamos de acordo sobre o fato de que o colunista da Veja quer menos escolas e mais prisões? Então sigamos em frente.
Apesar de o conteúdo do post “Menos escolas, mais prisões” dizer exatamente a mesma coisa que o título, após a repercussão negativa o autor tentou remendar o que escreveu. Em um post-scriptum, afirmou que não propôs “menos escolas, mais prisões”. O título, na explicação posterior de Constantino, apenas teria se valido de uma “hipérbole” de modo a conferir maior dramaticidade ao seu ponto de vista.
Traduzindo isso para o português: ele usou uma frase de efeito com a finalidade de chamar atenção para um texto medíocre que repete uma ladainha furada, a de que TODOS os professores de escolas públicas seriam “marxistas”.
Como essa primeira “explicação” pós-escrita não convenceu a ninguém, o colunista da Veja lançou mão de um segundo post-scriptum no mesmo texto – agora para anunciar que, devido a “reação histérica dos bárbaros”, continuaria se explicando em um novo post. Confira, abaixo, o segundo PS do texto que originou a polêmica.
PS2: Como a reação histérica dos bárbaros continuou com força, e outros blogs sujos bancados pelo governo divulgaram meu texto, segue uma resposta ainda mais completa aqui, onde lamento a necessidade de vencer a preguiça e combater essa praga de néscios!
O menino fala em “blogs sujos bancados pelo governo”. Sei, sei… Será que se refere ao meu post, publicado neste Blog e no Brasil 247? Provavelmente, já que não vi nenhum outro blog, além desses dois, comentar a pérola “menos escolas, mais prisões”.
Antes de prosseguir, porém, vale um comentário sobre essa história de este blog ser “bancado pelo governo”. É papo furado. Não sou bancado por ninguém. Se o maluquinho diz isso por conta do banner da prefeitura de Guarulhos, ele está aqui de graça há muito tempo – aquela administração fez algumas veiculações desse anúncio nesta página, ano passado, e não pagou quase nenhuma, ainda. E o Banner só está aí para o espaço não ficar vazio, pois farei uma reforma visual no site e, até lá, ficaria feio deixar aquele quadradão vazio.
Seja como for, a terceira emenda de Constantino – agora “ainda mais completa”, em forma de novo post – saiu pior do que o soneto.
O fato, porém, é que a terceira tentativa do colunista de se explicar ficou exageradamente longa e nada inovou em relação à primeira além de ter deixado mais visível uma prática ridícula que, atualmente, afeta uma grande quantidade de pretensos colunistas de direita: a prática de copiar o estilo de Reinaldo Azevedo.
Provavelmente Constantino ainda usava fraldas quando Azevedo começou a compor títulos bipartidos e iniciados pela expressão “Ai, que preguiça!”. É constrangedor para o copiador e lisonjeiro para o copiado.
Mais impressionante ainda, nesse outro texto do colunista da Veja sobre a proposta de construir “menos escolas, mais presídios”, é que, agora, ele pretendeu “provar” que TODOS os professores das escolas públicas brasileiras são marxistas. Realmente, uma prova “inquestionável – logo abaixo.
maluquinho 2

Não leio esse sujeito. Descobri o primeiro texto dele devido a mensagem de um leitor perplexo com a proposta de o país construir “menos escolas e mais prisões”. Agora que já tenho um pouco mais de “intimidade” com o Menino Maluquinho da Veja, quero informá-lo de que se é para ler falácias prefiro as do Reinaldo Azevedo. Apesar de ser igualmente enrolador, pelo menos ele escreve bem. Lê-lo, serve como diversão. Plágios, nem isso.
*
PS1: “Blog sujo sustentado pelo governo é aquele ao qual Alckmin paga R$ 70 mil por mês, valeu, Constantino?!
PS2: é sempre bom rever Ciro Gomes surrando esse sujeitinho – abaixo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O “democrata” do “povo” da arruaça no Congresso

kit

Um dos promotores da “manifestação democrática” que o Congresso, “autoritariamente”, impediu que se realizasse junto do plenário é um personagem, no mínimo, curioso.
Trata-se de Matheus Sathler Garcia, candidato do PSDB a deputado federal em Brasília nas últimas eleições.

Obvio que nem passou perto de eleger-se, mas ficou conhecido por, segundo o Correio Braziliense,  defender a distribuição de “cartilhas para ensinar meninos a gostar somente de mulheres”.

Esse é apenas um dos compromissos do político, que chama o PT de “partido do satanás” e prega o anti-feminismo, com ideais como ensinar “as mulheres a serem femininas”.

Responde, por isso, a um processo ético na OAB, por ser advogado.

Entre outros fatos por uma “entrevista” no UOL onde diz que ” o kit macho” é para educar o menino a ser fiel à esposa, não ser violento, ser o líder da casa, não abandonar o lar, não ser apegado a bebidas e drogas, e, principalmente, a gostar somente de mulher”  e que “o kit fêmea” é para instruir a mulher a ser feminina, dócil, boa dona de casa, boa mãe, apegada aos filhos e apegada ao marido”.

Sathler chegou a assustar até Reinaldo Azevedo, por ter escrito: que tinha bons contatos com ele e com Rodrigo Constantino, ambos de Veja.

Você está lendo aí em cima o que ele postou em seu Facebook sobre a “grave falha” da democracia.
Talvez isso explique porque, naquela citada entrevista, saem pérolas do tipo:

“Hitler era nacional-socialista, não era de extrema direita, isso é mentira, ele tinha acordo com a União Soviética, que depois foi quebrado por interesses, não por ideologia.”
“Por meio do Programa Nacional de DST/Aids, que é controlado por militantes gays, (…) eles utilizam dinheiro público para participar de congressos internacionais onde homens fazem sexo com homens. O governo envia gente para essas excursões gays sob a justificativa de que são congressos de combate à Aids, fazendo a farra com o dinheiro público”.
“Proponho também uma privatização cooperativista do SUS (Sistema Único de Saúde) e do sistema educacional.”
“Também defendo a substituição do Bolsa-Família pelo Bolsa-Empresário, onde quem recebe o benefício atual poderá trocá-lo por acesso a microcrédito, cursos de empreendedorismo etc.”

Essa é a turminha “duramente reprimida”  que ovacionou Aécio Neves ontem, na entrada do Congresso.
Cuidado, Aécio, até o Reinaldo Azevedo corre deste pessoal…

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Inquérito da PF sobre vazamento ilegal para Veja já tem suspeitos


A 48 horas do 2º turno da eleição presidencial deste ano, confirmou-se denúncia feita por este Blog no dia 26 de setembro: o perfil da revista Veja no Facebook divulgou dados sigilosos de investigação da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que negociou “delação premiada” com o doleiro Alberto Yousseff.


Naquele final de setembro, poucas horas antes de participar de entrevista que a então candidata Dilma Rousseff concedeu a blogueiros no Palácio da Alvorada, publiquei o post Grupo “antipetista” da PF prepara denúncia para o 2º turno. Após a entrevista, Dilma disse que encaminharia minha denúncia ao ministro da Justiça, para que a investigasse.
Como acredito em Dilma, devo supor que o ministro José Eduardo Cardozo não deu bola à denúncia, pois, como eu disse no post, a existência de uma “banda antipetista” na PF não é segredo para ninguém e esses membros da instituição já vinham prometendo “causar” contra a presidente no 2º turno.
A capa de Veja divulgada na internet a 48 horas do segundo turno e usada como panfleto pelos cabos eleitorais contratados pelo PSDB remetia a conteúdo considerado ilegal pela Justiça Eleitoral e originou direito de resposta para o PT no site da revista, além de multa de 500 mil reais por cada hora que a publicação deixou de publicá-lo – Veja demorou cerca de 24 horas para cumprir a decisão da Justiça Eleitoral.


Além disso, segundo o jornal O Globo, “A Polícia Federal abriu inquérito para investigar as circunstâncias do vazamento de trechos de um depoimento em que o doleiro Alberto Youssef cita a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula (…)”


Por fim, segundo o jornal Valor Econômico o PT pediu ao Supremo Tribunal Federal apuração do crime eleitoral cometido por Veja.


A petição 5220 do PT foi distribuída no STF ao ministro Teori Zavaski.


Na madrugada de quinta-feira, 13 de novembro de 2014, o jornal O Estado de São Paulo publica denúncia que mostra quem são os componentes do “grupo antipetista da PF” que este blog citou em seu post de 26 de setembro.
Segundo o jornal, durante a campanha eleitoral delegados federais da Operação Lava-Jato atacaram duramente a presidente Dilma e o ex-presidente Lula enquanto exaltavam o candidato Aécio Neves.
Os membros da PF citados na matéria do Estadão são os seguintes:
1 – Delegado Igor Romário de Paula, que responde diretamente ao superintendente da Polícia Federal do Paraná e que atuou na prisão de Yousseff;
2 – Delegado Márcio Anselmo, coordenador da Operação Lava-Jato;
3 – Delegado Maurício Grillo;
4 – Delegada Erika Mialik Marena, que dirige a delegacia onde estão principais inquéritos da operação Lava-Jato.
Apesar de ser tentador dizer que a denúncia do Estadão deslindou o objeto da investigação aberta pela PF para descobrir quem deu informações sigilosas da operação Lava-Jato para a Veja, no mínimo esses delegados supracitados tornaram-se os principais suspeitos.
Alguma dúvida?