Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Listas de “petralhas” estariam sendo usadas para perseguições

lista
A melhor indicação de que o Brasil está sob um regime autoritário é a onda de perseguições políticas desencadeada após o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff. Demissões em massa em órgãos públicos por conta da posição política dos servidores, porém, não foram as únicas investidas dos golpistas.
Estranhas ações na Justiça, denúncias do Ministério Público feitas contra servidores ainda podem ser “justificadas” com acusações de envolvimento mesmo que os perseguidos sejam pessoas que jamais participariam de esquemas por serem simples servidores de 4º, 5º escalões – ou ainda mais baixos.
O que assusta é uma onda de demissões em meios de comunicação e empresas em geral fomentada por ideologia e que ainda vai ser condignamente denunciada nesta página e em outras, a partir do momento que os demitidos criarem coragem de falar.
Este blogueiro, porém, nunca teve medo e não é agora que começará a ter.
No momento em que escrevo, retorno de reunião com empresa que me contratou durante anos e anos e que, subitamente, sem explicação, não renovou o contrato. Este ano ocorreram outros casos, mas, até então, eu vinha atribuindo esse problema à crise econômica.
Desta feita, porém, algo mudou. Após a reunião com a direção da empresa, alguém veio se solidarizar comigo. Fomos tomar um café e, durante a conversa, ouvi um aviso bastante preocupante:
— Eduardo, você não vai ter problema só aqui. Você sabe que tá na lista de “petralhas perigosos” feita por aquele Rodrigo Constantino, que trabalhava na Veja?
Obviamente que sei. Sei até que militantes de esquerda criaram uma página no Facebook pedindo para ingressar nessa lista. Figuro na posição 214. Clique aqui para ver a lista de “petralhas perigosos” feita pelo ex-colunista de Veja.
Não é a primeira vez. Em 2012, outro colunista da Veja – desta vez, um que continua trabalhando lá – fez outra lista negra de “petralhas” na qual fui incluído.
lista-1Já havia recebido outros relatos sobre o uso dessas listas para promover perseguições políticas na hora em que o governo petista fosse derrubado – essas listas foram feitas com alguma finalidade; ninguém faz uma lista de pessoas se não for necessária para beneficiar ou prejudicar os que nela figuram.
Assim sendo, declaro-me alvo de perseguição política e acuso os autores dessas listas de serem responsáveis por isso e por tudo o mais que possa ocorrer com os alvos dessa iniciativa criminosa, levada a cabo para prejudicar pessoas por conta de suas opiniões políticas, como acontece em toda ditadura.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Indústria de mentiras sobre Lula funciona sem parar há 25 anos

Posted by  on 21/02/15
Lula 1
Todos sabem qual foi a primeira grande mentira pública sobre Lula. No segundo turno da campanha eleitoral à Presidência de 1989, Miriam Cordeiro, ex-namorada do então candidato do PT à Presidência, Lula, apareceu no programa eleitoral de seu adversário, Fernando Collor, para acusar o pai de sua filha Lurian de supostos defeitos morais.


Rapidamente, Lula conseguiu direito de resposta no Tribunal Superior Eleitoral. A eleição em segundo turno ocorreria em poucos dias e não havia tempo a perder.


Porém, já era tarde. Ficara a versão de Lula contra a da ex-mulher. Ela o acusara de ser “racista”, “abortista” e de desprezar a filha que tinham tido, Lurian. O prejuízo eleitoral era insanável.
Lula ainda tentou uma última cartada para desfazer a farsa. A pedido da filha, então adolescente, levou-a ao seu programa eleitoral, porém sem que ela abrisse a boca, o que só faria publicamente muitos anos depois, confirmando tudo o que o pai afirmara sobre a relação dos dois naquele final de 1989.



A menina muda ao lado de Lula não foi tão convincente quanto a verborragia de uma ex-mulher que o odiava e que, além disso, tinha bom$ motivo$ para difamá-lo. Anos mais tarde, em entrevista ao Jornal do Brasil, Miriam Cordeiro revelou que fora paga por Collor para caluniar o pai de sua filha naquele infame programa eleitoral.

Lula 1


Pulemos um quarto de século. Final de 2014, dezembro. O Jornal O Globo, que apoiara a estratégia eleitoral de Collor contra Lula, em 1989, divulga matéria afirmando que Lula seria dono de um imóvel de luxo no Guaruja, que estaria reformando, apesar de que o ex-presidente nem tinha as chaves.

bancoop 1


Aquela deve ter sido a milionésima mentira assacada contra o ex-presidente da República ao longo de sua carreira política. Mas talvez nem o próprio Lula tenha se dado conta de que aquela mentira era especial, porque fora espalhada no aniversário de 25 anos da primeira grande calúnia que sofreu, a que usou Miriam Cordeiro.
Nem um mês depois, agora na primeira semana de janeiro último, surge outra invenção contra o ex-presidente. Teria um câncer gravíssimo, no pâncreas, onde a cura é extremamente difícil. Ou seja, estaria desenganado. Mais uma vez, ele teve que se mobilizar para desmentir uma invenção.
Mais um mês, mais uma farsa contra Lula. Alguns dirão que talvez seja a pior, mas este que escreve julga que foi apenas a mais bizarra, pois, agora, já se poderia dizer que não falta inventarem mais nada contra ele.

lula 2


Sim, Lula, agora, já pode dizer que foi acusado até de ter morrido.
E se quiserem atribuir essa farsa inacreditável ao “submundo da internet”, não rola. 10 dias após a penúltima mentira, a revista Veja não apenas inventou um sobrinho de 3 anos para o petista; também inventou que a festa de aniversário da criança imaginária custaria 220 mil reais e presentearia cada convidado com um I-Pad.

lula 3


Há um quarto de século funciona uma infame indústria de calúnias contra Lula. E o que é mais surpreendente é que, de certa forma, os donos dessa indústria são os mesmos de 25 anos atrás, se se considerar que Collor não passou de um títere dos mesmos impérios de comunicação que caluniam Lula sem parar desde 1989.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O PSDB renegou, a petição aos EUA micou: quem vai embalar o monstrinho da extrema direita?

psiquiatra

A extrema direita brasileira vem sofrendo uma série de humilhações públicas após as eleições.

Aécio Neves, o candidato que se acreditava a salvação contra o “bolivarianismo”, a “venezuelização” ou algo que o valha, perdeu. Na volta ao Senado, tratou o pessoal que o acolheu como uma amante grávida.

“Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a nossa mais veemente oposição”, disse. “Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político”.

(Evitar as manifestações pelo impeachment obedece a uma lógica de sobrevivência política. Collor já foi impedido. Se Dilma for também, quem garante que o próximo da fila não será um tucano?)

Enquanto lhe foi útil, o PSDB alimentou esses fanáticos e não fez nenhuma crítica a discursos golpistas ou simplesmente malucos, desde que fosse contra o adversário. Agora, sinaliza fim de caso.

Uma separação doída. Coordenador da campanha de Aécio, Xico Graziano foi chamado de “petralha”, “comunista”, “safado”, “traíra” etc porque se declarou contra os protestos pelo impeachment. Alckmin disse não aceitar a defesa da “intervenção militar”. Enfim, não sobrou ninguém importante.

A última esperança que havia eram os Estados Unidos. Sim, o companheiro Obama. Qual o quê.

Os inconformados criaram uma petição no site da Casa Branca. Era um apelo para conter os planos “de estabelecer um regime comunista no Brasil – nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.”

Reforçavam que “o Brasil não quer e não se tornará uma nova Venezuela”.

Mais de 120 mil pessoas assinaram. Essas petições servem para qualquer pleito. Qualquer. Recentemente, outros desocupados, mais bem humorados, requereram o desterro de Justin Bieber.

A reposta veio através de uma representante da embaixada americana em Brasília, Arlissa Reynolds, que afirmou que “petições apresentadas nessa página não representam as opiniões do governo dos EUA”.
Arlissa recordou o fato de que seu governo “publicou uma declaração parabenizando a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição” e que “o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff a fim de fortalecer as nossas relações bilaterais”. A palhaçada ficou ainda mais triste quando foi revelado que essas cartas são destinadas a “cidadãos norte-americanos”.

Com um repertório baseado em alarmismo, paranoia, golpismo barato, macartismo, anticomunismo de guerra fria, desinformação, má fé e abstinência de Rivotril, a extrema direita ficou com um mico na mão.

Suas lideranças voltam a ser um ex-cantor parecido com Edir Macedo, um “filósofo” obcecado e um ex-comediante lotado no SBT, que levam para as ruas um deputado eleito cujo grande feito foi discursar com uma pistola na cintura, filho de um deputado que já quis fuzilar um presidente e pretende fuzilar outra.

A culpa do fracasso, pelo menos, eles já sabem de quem é. Malditos nordestinos. Maldito Obama. Malditos tucanos. Maldita democracia.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Quem ganha com o bolsa-boato?



Quem diz que está investigando a origem do boato sobre o fim do Bolsa-Família deveria começar por aqueles que se beneficiam de mentiras assim.
Há mais de três dias espalharam a falsa notícia de que iriam acabar com o Bolsa-Família, que se espalhou, sobretudo, nos estados do Nordeste e provocou uma corrida aos terminais da Caixa Econômica e, em alguns lugares, até mesmo quebra-quebras.
Nenhum jornal deu-se ao trabalho de perguntar aos que correram aos caixas automáticos como soube da notícia falsa. Ou publicam que  ’as pessoas têm medo de falar” como souberam da “notícia”. Centenas de pessoas? Milhares de pessoas? Acabaram de inventar o segredo de multidão….
Ao que parece, a Polícia Federal, até agora, também não perguntou.
Nem se tem notícia de que a Caixa tenha sido procurada pelos jornais para saber em que lugar começou o movimento anormal de saques, primeira providência para localizar os autores do atentado.
O nosso “jornalismo investigativo”, quando se trata de investigar o que fazem a direita e os poderosos, prefere dar mais destaque às declarações ridículas dos tucanos de que isso é para atingi-los.
A tucanagem tem tradição neste tipo de golpe baixo. Este Tijolaço, há três anos, mostrou como havia sites (como o petralhas.com.br) preparados para o uso em difamações pelos dirigentes do PSDB.
Coincidentemente, no mesmo dia dos boatos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu que o partido tratasse o povo “com carinho” (leia aqui) e Aécio Neves afirmava que “o Bolsa-Família é hoje um projeto incorporado, enraizado na paisagem econômica e social e será mantido”.
O que os tucanos – e as elites brasileiras – pensam do Bolsa-Família foi dito de forma claríssima pelo senador (e quase-vice de José Serra) Álvaro Dias e pode ser assistido por qualquer um: as pessoas não querem trabalhar para não perder o Bolsa-Família.
Mas os jornais trazem o mesmíssimo senador acaju vociferando contra a “armação” governista de insinuar que a tucanagem é contra o programa.
Isso não quer dizer que o PSDB tenha disseminado a mentira do sábado. Mas, certamente, o faz beneficiário do “Bolsa-Boato”.
Desde muito antes de Ághata Christie escrever seu primeiro romance, a primeira pergunta que se faz é: a quem este crime beneficia?
Como aconteceu de outras vezes, a presidenta reagiu com firmeza e mandou apurar tudo.
Mas não é improvável que se faça corpo mole na apuração, porque tem gente que acha que, sendo mansinho, vai ganhar o título de “bom menino” da mídia.
Que, por sua vez, não quer saber de “malfeito de direita”.
Não é notícia.
 Por: Fernando Brito