Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador Augusto Nunes. Mostrar todas as postagens
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Listas de “petralhas” estariam sendo usadas para perseguições

lista
A melhor indicação de que o Brasil está sob um regime autoritário é a onda de perseguições políticas desencadeada após o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff. Demissões em massa em órgãos públicos por conta da posição política dos servidores, porém, não foram as únicas investidas dos golpistas.
Estranhas ações na Justiça, denúncias do Ministério Público feitas contra servidores ainda podem ser “justificadas” com acusações de envolvimento mesmo que os perseguidos sejam pessoas que jamais participariam de esquemas por serem simples servidores de 4º, 5º escalões – ou ainda mais baixos.
O que assusta é uma onda de demissões em meios de comunicação e empresas em geral fomentada por ideologia e que ainda vai ser condignamente denunciada nesta página e em outras, a partir do momento que os demitidos criarem coragem de falar.
Este blogueiro, porém, nunca teve medo e não é agora que começará a ter.
No momento em que escrevo, retorno de reunião com empresa que me contratou durante anos e anos e que, subitamente, sem explicação, não renovou o contrato. Este ano ocorreram outros casos, mas, até então, eu vinha atribuindo esse problema à crise econômica.
Desta feita, porém, algo mudou. Após a reunião com a direção da empresa, alguém veio se solidarizar comigo. Fomos tomar um café e, durante a conversa, ouvi um aviso bastante preocupante:
— Eduardo, você não vai ter problema só aqui. Você sabe que tá na lista de “petralhas perigosos” feita por aquele Rodrigo Constantino, que trabalhava na Veja?
Obviamente que sei. Sei até que militantes de esquerda criaram uma página no Facebook pedindo para ingressar nessa lista. Figuro na posição 214. Clique aqui para ver a lista de “petralhas perigosos” feita pelo ex-colunista de Veja.
Não é a primeira vez. Em 2012, outro colunista da Veja – desta vez, um que continua trabalhando lá – fez outra lista negra de “petralhas” na qual fui incluído.
lista-1Já havia recebido outros relatos sobre o uso dessas listas para promover perseguições políticas na hora em que o governo petista fosse derrubado – essas listas foram feitas com alguma finalidade; ninguém faz uma lista de pessoas se não for necessária para beneficiar ou prejudicar os que nela figuram.
Assim sendo, declaro-me alvo de perseguição política e acuso os autores dessas listas de serem responsáveis por isso e por tudo o mais que possa ocorrer com os alvos dessa iniciativa criminosa, levada a cabo para prejudicar pessoas por conta de suas opiniões políticas, como acontece em toda ditadura.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ali Kamel e a judicialização da política e do jornalismo


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O melhor indicador de que a dita grande imprensa e a blogosfera progressista se tornaram atrizes do palco político reside em um dos processos que o diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, moveu contra vários blogueiros por conta de um episódio que integra um processo de confrontação entre estes e aqueles mega veículos de comunicação e seus profissionais.
Todos os dias, na internet, centenas e até milhares de textos são postados em blogs, sites e em suas respectivas caixas de comentários contendo ataques muito mais graves do que aquele do qual reclama o diretor global. A profusão de ataques, mentiras, distorções, invenções e até ameaças graves à integridade física de pessoas é altamente significativa.
Todavia, ninguém leva essas coisas a sério, pois, do contrário, quem o fizesse não sairia do Judiciário.
Vasculhem-se as caixas de comentários e até os posts de blogs e sites progressistas ou corporativos e o resultado será matéria-prima inesgotável para milhares de ações por danos morais. Nenhum lado, portanto, pode se considerar a salvo de ações judiciais por ofensas a pessoas.
Se Ali Kamel for processar  a todos os que já falaram mal dele tanto de forma legítima – em forma de crítica política – quanto de forma ilegítima – em forma de meros xingamentos  –, irá monopolizar o Poder Judiciário e despender uma considerável fortuna. E o mesmo vale para este que escreve e para aqueles blogueiros que têm opiniões parecidas com a sua e que são alvos de constantes ataques de todo tipo.
Essa ação que move Kamel contra o blogueiro Rodrigo Vianna, conforme relata post deste segundo jornalista veiculado em sua página pessoal na internet e em outros blogs e sites, sugere que integra a esfera dasvendettas. O diretor da Globo pinçou, de uma infinidade de ataques similares que recebeu na internet, alguns poucos nomes.
Coincidentemente, como relata Vianna em seu texto (que será reproduzido a seguir), todos os processados pela razão das ironias com a homonímia entre o Kamel jornalista e um Ali Kamel que foi ator pornô nos anos 1970, ou são pessoas que trabalharam com o diretor de jornalismo da Globo ou são jornalistas de renome, à exceção, talvez, do signatário do blog Cloaca News, que, ao que se sabe, nunca trabalhou em um grande meio de comunicação.
Ainda na Globo, o jornalista Heraldo Pereira, um dos âncoras do Jornal Nacional, processou o blogueiro e apresentador da TV Record Paulo Henrique Amorim por uma frase que considerou racista, quando este jornalista o chamou de “negro de alma branca” por julgar que o apresentador do JN se conformou, passivamente, em ser exceção étnica no jornalismo da Globo.
Luis Nassif, por sua vez, também virou alvo e acusador no âmbito de um processo de escaramuças judiciais que teve início há alguns anos, sendo este jornalista, talvez, o primeiro de uma série de jornalistas que foi ao Judiciário discutir divergências.
Independentemente do mérito das demandas, o que se pode prever é que, a persistir esse quadro de judicialização, a prática de pinçar pessoas de um amplo contexto de confrontações políticas em que pululam exageros de parte a parte deve desembocar em uma guerra judicial, pois, se for para levar qualquer frase intempestiva a sério, não faltarão elementos para todos os contendores baterem às portas do Judiciário.
Recentemente, por exemplo, o jornalista da Veja Augusto Nunes elaborou uma lista de caráter depreciativo, contendo ilações sobre a honra dos que nela figuram – entre estes, este que escreve, acusado, desairosamente, de integrar um grupo que “trabalharia” para o PT e para o ex-presidente Lula.
Abaixo, a “lista” de Nunes, que mais parece denunciar pessoas por apoiarem o ex-presidente da República e por terem simpatia pelo PT.
Esse, acima, é só um dos exemplos de abusos que são cotidianamente praticados pelo lado que toma iniciativa de judicializar o debate político na internet. Há coisas infinitamente piores.
Aliás, vale dizer que não são apenas blogueiros ou jornalistas de grandes meios de comunicação que passam a ser passíveis de represálias judiciais, pois internautas desconhecidos tomam as dores dos dois lados e, frequentemente, ultrapassam o limite da crítica, inclusive chegando ao ponto de ofensas e ameaças muito mais graves do que aquela suposta ofensa que moveu Ali Kamel contra blogueiros.
Eis que a temperatura política vai subindo além do minimamente razoável, pois não estamos em guerra civil, neste país.
Assim, os setores do judiciário que estão abrindo as portas a essa guerra político-judicial, estão, também, abrindo-as a uma verdadeira invasão daquele Poder por ações dessa natureza, o que carece de sentido em um momento em que a mídia brande a “liberdade de expressão” para defender seu direito de criticar pesadamente seus desafetos políticos.
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Leia, abaixo, o post do jornalista Rodrigo Vianna sobre o assunto.
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Do O Escrevinhador
Justiça do Rio: a TV Globo joga em casa; mas Kamel está derrotado pela história
Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato…
Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida
(Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)
por Rodrigo Vianna
Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.
Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.
Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação,pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidadesque gostaríamos de ver consultados na ação.
O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.
Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!
Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.
Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim… Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.
Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.
Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.
Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”
Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel  profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…
De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.
No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico).Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.
Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação  (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.
Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?
Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.
Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.
Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil. Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são  eles os objetos da crítica e do humor.
Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais.  Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…
A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.
Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…
Tudo bem, Kamel, se você e a  Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer – aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.
Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!
Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.

sábado, 7 de julho de 2012

Colunista da Veja xinga Dilma e acusa institutos de pesquisa

É insólita recente matéria do colunista da Veja Augusto Nunes sobre episódios igualmente recentes em que a presidente Dilma Rousseff teria sido “vaiada”. O colunista insultar a presidente não chega a espantar, pois, quando escreve sobre políticos petistas ou seus aliados, esse fenômeno é recorrente. O que espanta é a tese sobre os institutos de pesquisa.
Dilma é recorrentemente chamada por esse jornalista de “neurônio solitário”, ou seja, teria apenas um neurônio. A figura de linguagem pretende vender a idéia de que a primeira mandatária da República seria estúpida. Nada demais. É regra esse e outros colunistas da Veja usarem xingamentos como se fossem argumentos.
Impressionante mesmo é a tese de Nunes que afirma que Ibope, Sensus e Vox Populi falsificam a popularidade da presidente da República, apesar de que o único grande instituto de pesquisa não citado, o Datafolha, também confere a ela alta aprovação – segundo pesquisa Datafolha de abril, 64% consideram desempenho de Dilma bom ou ótimo.
O alvo principal da ira que os fatos despertam no colunista da Veja, no entanto, parece ser o Ibope. Visivelmente enraivecido, Nunes considera incompatível o recorde de popularidade da presidente com o fato de ela ter sido vaiada duas vezes em 24 horas pelo mesmo grupo de estudantes e professores universitários.
De repente, para aumentar o espanto que o tal de Nunes provoca, o mensalão entra na história. A tese é a de que vaias de grupos descontentes com Dilma combinados com o julgamento “do maior escândalo de corrupção da história” acabariam com a credibilidade de Ibope, Sensus e Vox Populi – e, por tabela, do Datafolha.
Os quatro grandes institutos estariam a serviço da presidente da República por detectarem alta aprovação. A pergunta é se essa premissa vale quando detectam alta aprovação do governador Geraldo Alckmin, por exemplo, ou se pesquisa positiva só é falsa quando é sobre Dilma e outros petistas.
Detalhe: essa tese também induz à crença de que não só as pesquisas são forjadas para favorecer Dilma e outros governantes, mas, também, os processos eleitorais pelos quais esses políticos se elegem, processos que acabam se coadunando com as pesquisas…
Vale a pena ler, a seguir, a tese insólita desse colunista. Ela dá a medida de um planejamento meio destrambelhado para as ações políticas de certa mídia no segundo semestre, que coincidirão com a campanha eleitoral que tomará o país. A aposta na burrice do público parece ser bem alta, assim como foi em todas as eleições anteriores.
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Dilma, duas vaias em 24 horas
Augusto Nunes
Ainda convalescendo da vaia em São Bernardo do Campo, Dilma Rousseff voltou a ouvir no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, o mais desconcertante dos protestos sonoros. O neurônio solitário deve estar pálido de espanto com o enigma .
No fim de junho, uma pesquisa do Ibope informou que apenas 8% dos brasileiros reprovam o desempenho da presidente. E comunicou à nação que o recorde estabelecido pela chefe de governo colocou Dilma Rousseff à frente de todos os seus antecessores desde a Proclamação da República.
Como combinar as duas informações do Ibope com duas vaias separadas por apenas 24 horas? Se o preço da encomenda for suficientemente estimulante, o comerciante de porcentagens escolhido para o serviço conseguirá decifrar o enigma com uma pesquisa restrita aos participantes das manifestações.
Ficará provado que os mesmíssimos 8% de eternos descontentes, disfarçados de estudantes, juntaram-se ─ para fingir que são muitos ─ tanto no ato de protesto em São Bernardo quanto na reprise ocorrida no Rio.
A pesquisa provaria que esses inimigos da pátria resolveram piorar o péssimo humor da presidente e, sobretudo, atrapalhar a vida mansa dos fabricantes de estatísticas com a invenção de outra brasileirice: a vaia ambulante. E Dilma ficaria feliz ao saber que a vaia desta sexta-feira saiu das mesmas gargantas que a hostilizaram na véspera. E já se preparam para a terceira rodada de apupos.
Mas convém apressar o serviço. Se o bando de manifestantes continuar perturbando as aparições públicas da recordista, e se a temporada de protestos estender-se até o ínício do julgamento do mensalão, nem o mais crédulo dos devotos da seita vai levar a sério a usina de pesquisas convenientes administrada em conjunto pelos ibopes, sensus e voxpopulis que prosperam no Brasil Maravilha. Em todas, o vitorioso é sempre quem está no poder.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desmascarando Augusto Nunes


Blog Cidadania - Eduardo Guimarães
Quem quiser entender por que um comerciante que jamais militou em partidos, sindicatos ou em qualquer outro tipo de corporação ou grupo de interesses cria um blog, funda uma ONG e chega a gastar nas atividades parte do tempo que deveria destinar ao trabalho pela sobrevivência, basta ler o que o colunista da Veja Augusto Nunes escreveu em seu blog.
Mas, antes, um aviso: cuidado com o coração, caso você seja cardíaco e tenha vivido no Brasil entre 2001 e 2002. Aliás, mesmo se não for cardíaco, não sei bem se é bom arriscar tal leitura. Pode propiciar um mau momento para você descobrir que sofre do coração…
Todavia, se por sua conta e risco você quiser se expor ao lado mais obscuro do ser humano, leia mesmo este post.  Há pouca coisa na praça capaz de revolver de forma similar o estômago de qualquer ser humano com sangue nas veias e miolos na cabeça. Trata-se de um show de antijornalismo protagonizado por alguém que se diz jornalista.
O que, nessa leitura, fere a sensibilidade de qualquer pessoa decente é que um jornalista de um grande meio de comunicação como a Veja está obrigado, primeiro, a ser isento – ou a tentar parecer isento. Não é como editor deste blog, que não tem qualquer compromisso desse tipo porque apenas expressa a sua opinião sem ganhar um centavo para isso.
Em seguida ao artigo de Nunes, segue o que dizia a Folha de São Paulo em 20/10/02 e em 01/07/01, em dois raros momentos em que fez jornalismo em toda a sua história. Os textos, insuspeitos de serem “petistas”, mostram a falta de vergonha na cara do colunista da revista mais vendida do país – com trocadilho, é claro.
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Do blog do colunista da Veja Augusto Nunes
07/02/2011
O apagão do Nordeste iluminou a face enrugada do governo que já nasceu velho
O Dicionário da Língua Portuguesa/Acordo Ortográfico informa queapagão quer dizer “interrupção provisória do fornecimento de eletricidade a uma dada região”. Na madrugada de sexta-feira, oito  Estados do Nordeste atravessaram a madrugada na escuridão. Houve um apagão, certo? Errado, repetiu nesta segunda-feira o ministro Edison Lobão. Cabelos e sapatos engraxados com igual capricho, voz de apresentador de circo, o canastrão maranhense recitou a fala que lhe coube no ato mais recente da ópera dos farsantes: “Não houve apagão. Houve interrupção provisória de energia elétrica”. Quer dizer: embora tenha ocorrido seu significado, o substantivo não aconteceu.
O que ainda esperam os jornalistas para atirar pilhas de dicionários sobre a figura bizarra?, estaria perguntando Nelson Rodrigues. O que há com a imprensa que finge enxergar um ministro de Minas e Energia onde só existe o capataz do latifúndio mais produtivo da capitania explorada pela Famiglia Sarney? Num país sério, um Lobão seria despejado do gabinete no meio da primeira frase cretina. No Brasil da Era da Mediocridade, é outro reincidente sem medo ─ e cada vez mais atrevido. Já não gagueja quando conta que, entre tantos assombros, o apagão foi expulso do país por Lula e proibido definitivamente por Dilma de dar as caras por aqui.
Submisso a todos os governos desde que se apaixonou pela ditadura militar, Lobão estreou no papel de doutor em eletricidade em novembro de 2009, escalado por Lula para justificar o blecaute que afetou metade do Brasil. Numa entrevista coletiva inverossímil, surpreendeu a nação com a versão espantosa: ocorrera apenas a paralisação da usina de Itaipu, provocada por trovões que ninguém ouviu e raios que não caíram. Até então preocupada só com a própria imagem, a candidata que foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2005 enfim se animou a entrar no picadeiro. “Nós também temos uma outra certeza de que não vai ter apagão”, declamou. E o apagão da véspera?, intrigou-se uma jornalista. “Não confunda apagão com blecaute, minha filha”, irritou-se Dilma Rousseff. Outra que merece uma tempestade de dicionários. Não sabe que apagão e blecaute são sinônimos. Ou finge não saber, o que é a mesma coisa.
“Apagão foi o do Fernando Henrique”, ensinou. Errou de novo. Em 2001, o que houve foi racionamento de energia, decretado para evitar um grande e demorado apagão. Ao compreender que a insuficiência de água nos reservatórios, a falta de chuvas e a escassez de investimentos se haviam conjugado para levar o sistema à beira do colapso, FHC fez um corajoso pronunciamento em rede nacional de TV. Reconheceu os erros cometidos, não se intimidou com o desgaste político resultante do racionamento, transformou a questão em prioridade absoluta e encarregou uma força-tarefa da busca de soluções. Entregou a Lula um país iluminado. O sucessor repassou-o na penumbra.
A escuridão que castigou 46 milhões de nordestinos iluminou a face enrugada de um governo que já nasceu velho. Tem tanto apreço pela verdade quanto Lula, e está ficando ainda mais parecido com Sarney. A exemplo do registrado em 2009, o apagão deste fevereiro avisou, aos berros, que o sistema elétrico está em decomposição. Os equipamentos são obsoletos, faltam investimentos, sobram administradores ineptos. Se fosse mais que um apêndice de Lula, Dilma já teria internado o paciente na UTI. Em vez disso, ratificou a opção preferencial pela mentira feita pelo padrinho há oito anos. E reencenou o espetáculo da vigarice, protagonizado pelo mesmo ministro que Sarney nomeou.
“O sistema é robusto, é muito bom e é moderno”, fantasiou Lobão. “Não há no mundo nada mais moderno que o sistema brasileiro”. Não pode ser robusto nem muito bom um sistema que, segundo dados oficiais, registrou 91 apagões de menor calibre só em 2010 ─ um aumento de 90% em relação a 2008. Não pode ser moderno um setor controlado pela Famiglia que há 50 anos atormenta o Maranhão com o recorrente assassinato do futuro.
Em 2009, ao celebrar a erradicação dos apagões, Dilma resumiu o segredo do milagre. “É que nós, hoje, voltamos a fazer planejamento”. Na sexta-feira, ela consumou o que vinha planejando faz tempo. Depois de prometer valer-se do critério do mérito para compor o primeiro e o segundo escalões, resolveu afastar do setor elétrico o que restava da turma do deputado Eduardo Cunha. E entregou ao bando de José Sarney o controle completo do Ministério de Minas e Energia.
É como afastar o Comando Vermelho para que o PCC governe sozinho um território sem lei.
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FOLHA DE SÃO PAULO
20/10/2002
AGENDA DA TRANSIÇÃO
País sofre com o apagão e indeniza as distribuidoras
Foram nove meses de redução compulsória do consumo de luz, seis deles com corte de 20% nas residências e de até 35% nas indústrias; antes, o único racionamento importante no país após os anos 50 havia sido restrito ao Nordeste, em 87/88
CHICO SANTOS
DA SUCURSAL DO RIO
O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso foi responsável pelo primeiro racionamento de âmbito nacional (exceto o Sul) da história moderna da energia elétrica no Brasil (pós-Furnas). Junto com o Plano Real (iniciado no governo Itamar Franco), foi o fato que mais afetou o cotidiano dos brasileiros nos últimos oito anos.
Além de terem sido obrigados a gastar menos luz, os consumidores, ao final do episódio, foram obrigados a cobrir, via aumento de tarifa, as perdas das empresas de energia com a redução forçada dos seus faturamentos.
Foram nove meses de redução compulsória do consumo, seis deles com corte de 20% nas residências e de até 35% nas indústrias. Antes, o único racionamento importante ocorrido no país após os anos 50 havia sido restrito ao Nordeste, no período 87/88.
De acordo com especialistas do sistema elétrico, a escassez foi precipitada pela combinação do atraso nas obras da hidrelétrica de Itaparica (complexo de Paulo Afonso) com a demora na conclusão da interligação Norte-Nordeste, que levaria energia de Tucuruí para o Nordeste.
O apagão, como ficou conhecido o último racionamento, começou no dia 4 de junho do ano passado e se estendeu até o dia 28 de fevereiro deste ano, com abrandamento das metas a partir de 1º de dezembro. A insuficiência de investimentos em geração e transmissão de energia foi sua principal causa.
De acordo com levantamento do engenheiro e economista Maurício Tolmasquin, da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), os investimentos caíram de uma média anual de R$ 13 bilhões de 80 a 89 para R$ 7 bilhões/ano de 90 a 98.
O estudo constatou também que o menor volume de investimentos ocorreu no primeiro mandato de FHC (1995-1998), ficando em R$ 5,3 bilhões anuais, contra R$ 6,4 bilhões no governo Itamar Franco e R$ 8,9 bilhões no governo Fernando Collor. Os estudos técnicos apontavam para uma necessidade anual de R$ 10 bilhões ao longo dos três governos.
Um trabalho encomendado pelo governo à empresa de consultoria Coopers & Lybrand, concluído em outubro de 1996, ao custo de US$ 10 milhões, já alertava para o risco de falta de energia elétrica no final dos anos 90.
O documento, que não teve publicidade na época, recomendava medidas que foram tomadas durante o racionamento do ano passado, como a criação de um órgão à semelhança do “ministério do apagão”, como ficou conhecida a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, presidida pelo ministro da Casa Civil, Pedro Parente.
A privatização do setor elétrico começou mais de um ano antes do alerta, em julho de 1995, com a venda da Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas), empresa federal de distribuição de energia.
Em 1996 foi vendida a Light, distribuidora federal do Rio, e em 1998 foi a vez da Gerasul (sul do país), única geradora estatal privatizada. A partir de 1996 foi vendida a maior parte das distribuidoras estaduais, mas a privatização das grandes geradoras federais (Furnas, Chesf e Eletronorte) ficou emperrada.
Para o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, “há uma relação direta, causal entre o apagão e o programa de privatizações”. Para ele, ao decidir criar um mercado de energia elétrica e privatizar as empresas, o governo passou a restringir os investimentos das geradoras estatais.
“Entregou-se a gestão da energia elétrica ao setor macroeconômico do governo”, disse. Segundo Pinguelli, o dinheiro das estatais do setor passou a ser usado para fechar as contas do governo, e as empresas privadas não investiram porque o setor público não definiu as regras para esses investimentos.
O físico defende para o setor elétrico um modelo no qual se combinem investimentos públicos e privados, dentro de regras que considerem a energia um serviço público, com obrigações claramente definidas para seus participantes.
Outro especialista, o engenheiro Adriano Pires Rodrigues, também da Coppe, tem ponto de vista diferente. Para ele, “a falta de privatização gerou o apagão”. Rodrigues diz que o governo pecou por falta de planejamento.
Os problemas, na sua avaliação, começaram com a venda das distribuidoras antes das geradoras. Prosseguiram quando o governo interrompeu as vendas de estatais, temendo a elevação de tarifas e a consequente inflação, e ficou esperando que o setor privado investisse no lugar das estatais. “Deram o azar de vir uma seca, e o resultado foi o apagão”, conclui.
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FOLHA DE SÃO PAULO
01/07/2001
PAÍS NO ESCURO
Segundo pesquisa Datafolha, 70% acreditam que inflação vai subir; para 72%, desemprego aumentará
Pioram as expectativas em relação ao país
MARTA SALOMON
SECRETÁRIA DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O orgulho de ser brasileiro é um sentimento em baixa. No retrato traçado pelo Datafolha na semana passada, um certo baixo astral é embalado pelo aumento do pessimismo com a situação econômica do país e a situação individual dos entrevistados.
Entrevistas feitas com 12.601 pessoas em 348 cidades do país traduzem esse sentimento como um temor mais acentuado dos brasileiros em perder duas coisas: o emprego e o poder de compra de seus salários.
Os números apontados pela pesquisa só encontram paralelo durante o governo Fernando Henrique Cardoso no período que se seguiu à desvalorização do real, ocorrida em janeiro de 1999, quando o governo foi constrangido a abrir mão do câmbio fixo.
Entre as expectativas negativas, o medo de volta da inflação é o que mais chama a atenção. A taxa medida na última pesquisa Datafolha é a mais elevada em quase oito anos.
A expectativa generalizada é de que os preços deverão aumentar. Ela só foi tão grande quanto agora na época em que o Plano Real nem passava de um esboço e os tucanos mal sonhavam em chegar ao Planalto.
Na semana passada, 70% dos entrevistados apostaram que a inflação vai aumentar, contra apenas 4% que achavam que os preços vão diminuir.
Essa avaliação é um recorde desde agosto de 93, quando FHC só contava três meses à frente do Ministério da Fazenda do governo Itamar Franco. Só para comparar, quando o Real foi lançado, em julho de 94, apenas 14% dos entrevistados acreditavam em aumento de preços.
O sentimento detectado pela pesquisa ganhou carimbo de previsão oficial no último relatório de inflação divulgado anteontem pelo Banco Central. A previsão oficial de inflação aumentou um ponto percentual desde março e deverá bater em 5,8% em 2001.
Ainda de acordo com o BC, há 40% de chances de a inflação ultrapassar a meta de 6% até o fim deste ano.
A principal reação ao aumento da inflação percebido pelos entrevistados é um aperto no consumo: 41% dos que responderam à pesquisa disseram que pretendem consumir menos nos próximos seis meses.
No fim de 99, ainda sob o efeito da desvalorização do real, 27% dos entrevistados davam a mesma resposta. Agora, a pretensão de aumentar o consumo não chega a animar nem a quinta parte da população.
E como anda a esperança de que a situação econômica vai melhorar? Em baixa, diz a pesquisa: 44% acham que a situação vai é piorar, dez pontos percentuais a mais do que o contingente que engrossava essa aposta há apenas três meses.
Principal problema
A crise energética -apontada como responsável pela queda no ritmo de crescimento da economia e como uma das principais causas do fôlego tomado pela inflação- está distante de representar a principal preocupação dos brasileiros, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.
No topo da lista de problemas percebidos no país, permanece, imbatível, o desemprego, mencionado por 33% dos entrevistados, sobretudo entre jovens e no Nordeste.
A crise energética apareceu pela primeira vez na última pesquisa entre as respostas espontâneas, citada como o principal problema por 6% dos entrevistados.
Nota-se que a crise de energia tem um peso maior em Belo Horizonte entre as dez capitais pesquisadas pelo Datafolha.
Justamente no Estado governado por Itamar Franco (PMDB), um dos principais críticos do racionamento e do modelo energético do governo.
De acordo com a pesquisa, menos gente percebe a saúde, a educação, o salário ou mesmo a segurança como maior problema de responsabilidade do governo federal. Mas aumentou o número de pessoas preocupadas com a corrupção: de 2% para 5% nos últimos três meses -período em que o governo conseguiu deter a abertura de uma CPI da corrupção no Congresso. Foi a maior taxa desde junho de 96.
Curiosamente, só 1% dos entrevistados apontaram a inflação como maior problema do país. O que mais cresceu foi a preocupação com a fome e a miséria. Em três meses, passou de 6% para 14% o percentual de entrevistados que apontam esses como os principais problemas do país.
As consequências sociais do cenário econômico pouco azul podem explicar o aumento, ainda que discreto, dos que sentem vergonha de serem brasileiros.
Menos gente acha que o Brasil é um “país maravilhoso”, ótimo lugar para se viver. Mas trata-se de um sentimento discreto: 78% dos entrevistados ainda dizem ter mais orgulho que vergonha, contra 87% que tinham a mesma opinião em março do ano passado.