Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de março de 2016

Manual do perfeito midiota – 15, por Luciano Martins Costa

Por Luciano Martins Costa
Antes desse presidente que ela considera machista, houve outro que enxovalhou a honra da própria esposa, com casos extraconjugais que lhe custaram o tornaram refém do maior conglomerado de mídia do País – e nossa amiga socióloga certamente acha que esse é quase um ícone do feminismo
Esta é uma semana decisiva para as chances do Brasil finalmente se tornar um País moderno, como as democracias que se consolidaram no século passado.
Existe uma chance de alcançarmos esse estágio sem uma guerra ou sem conflitos sociais muito graves. Basta que as regras do jogo democrático sejam respeitadas.
E acredite, prezado midiota (não consigo perder o otimismo e a simpatia por essa figura tão patética da contemporaneidade), você pode jogar um papel muito importante nessa história.
Imagine, por exemplo, uma socióloga experiente, com anos de vivência em uma grande empresa de comunicação, que resolve assinar uma petição pública em favor do impeachment da presidente da República – por que ela nomeou ministro o ex-presidente que vem sendo ameaçado de prisão num processo arbitrário que os mais conceituados juristas do País consideram kafkiano.
A pessoa em questão decide que é a favor do impeachment por considerar que o ex-presidente é o maior machista que este País já teve. Ora, não foi esse suposto machista que escolheu e fez eleger a primeira mulher presidente da história do País?
Então, caríssimo midiota, é assim que funciona o programa fascista dirigido pela mídia tradicional: vai queimando diariamente os neurônios de gente que até sabia pensar, e produz absurdos como esse.
Antes desse presidente que ela considera machista, houve outro que enxovalhou a honra da própria esposa, com casos extraconjugais que lhe custaram o tornaram refém do maior conglomerado de mídia do País – e nossa amiga socióloga certamente acha que esse é quase um ícone do feminismo.
É o mesmo roteiro que faz o movimento dos golpistas pagar um grupo de miseráveis sem teto para que se misturassem aos manifestantes que pregam o golpe: é que faltavam pobres e escurinhos no movimento.
Voltando ao enunciado lá do começo: você, midiota, acha maravilhosa a civilização europeia, certo? Tanto, que eventualmente faz questão de dizer que descende deste ou daquele povo imigrante. Mas não lhe passa pela cabeça que nessas democracias não se considera tirar do poder alguém que foi eleito pelo voto?
Você foi se manifestar, acreditando no que a mídia empurra diariamente, desde o dia em que foram anunciados os resultados da eleição de 2014. Acredita também que aquele juiz de primeira instância está conduzindo um processo judicial.
Aliás, muita gente bem intencionada, incluídos alguns juristas honestos e esclarecidos, ainda tentam analisar os atos do juiz como jurisprudência. Mas não se trata de um processo conduzido, como se diz, com o objetivo da justiça.
O que se vê e se pode cheirar não é o “fumus de boni juris” – ou seja, a fumaça, o sinal do bom direito. Trata-se de um processo político, orientado por valores fascistas.
Não é mero acaso que, paralelamente à ação do julgador, proliferem listas com nomes de artistas, intelectuais e jornalistas que, na opinião dos defensores desse processo, deveriam ser postos numa “lista negra”.
Esses são os sinais do obscurantismo que tenta se ocultar por trás da sua boa-fé. Sim, porque acredito que o midiota é um indivíduo de boa-fé. Acredita que está combatendo a corrupção na política, sem perceber que há um jogo de cartas marcadas.
Há corrupção? Sim, há corrupção. Mas não é essa que você lê nos jornais de circulação nacional, nem as que você assiste na interpretação teatral dos apresentadores da TV.
Para ler: veja os posts da jornalista Barbara Gancia nas redes sociais, por exemplo. Ou do filósofo Renato Janine Ribeiro, especialista em Thomas Hobbes. Pode começar lendo um ensaio dele, muito interessante, chamado “A Sociedade contra o social”.
*Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

É presidenta, mesmo ! Com “a”


Marcos Bagno: É presidenta, sim!


O Brasil ainda está longe da feminização da lín-gua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada.

Se uma mulher e seu cachorro estão atraves-sando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século 20 as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na Presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na Presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples – e no lugar de um –a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.

Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília.

Via CartaCapital



Em tempo: este ansioso blog adota também a forma “presidenta”.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A vida alheia

Postado do Blog eduardo Guimarães - blog Cidadania
O provincianismo é uma das anomalias das sociedades em estágio civilizatório atrasado. E a expressão mais eloqüente do provincianismo é a cultura da fofoca e da maledicência em relação à vida alheia, um costume patético de se fiscalizar assuntos privados do outro como se pertencessem ao domínio público.
Além do que, há a questão do machismo, da coisificação da mulher. Delas, dissecam-lhes o comportamento ao primeiro olhar, dando decretos sobre moral com base nas roupas que vestem, nos sorrisos que dão, na idade ou em qualquer particularidade daqueles – ou daquelas – com quem se relacionam sexual e afetivamente.
Vejam só o caso da esposa de Michel Temer. As insinuações da mídia sobre a diferença de idade e sobre a beleza da jovem Marcela em relação ao septuagenário jurista de São Paulo pertencem ao provincianismo mais babaca, ao machismo mais patético e, em certos casos, à inveja mais transbordante.
Por definição, nesta sociedade babaca em que vivemos, se um septuagenário se casa com uma jovem de vinte e tantos anos, ela, por certo, estará interessada em seu dinheiro ou em sua projeção social, mesmo que tenha dado à luz o filho de um homem que consigo se casou formalmente e com quem mantém uma relação estável.
Agora mesmo, há um bando de militantes de oposição que trata de espalhar maledicência sobre a relação de Temer com a sua esposa com base nessa crença idiota de que uma bela jovem não pode se apaixonar por um homem bem mais velho, pois, certamente, tratar-se-á de uma caça-dotes, de uma aproveitadora, mesmo que seja de família até mais rica do que o esposo.
Antes de tudo, há uma incompreensão da alma feminina. É estupidamente alta a parcela de mulheres que se sente atraída por homens mais velhos. Legitimamente. Ora, Temer é um cara boa-pinta, um “coroa conservado”, um jurista eminente. Nada a espantar, portanto, se Marcela dele se tiver enamorado.
Infelizmente, como se criou um estereótipo para as mulheres de que têm que ser jovens e esguias, o que exclui a grande maioria delas, são menos comuns os relacionamentos de mulheres maduras com homens jovens. Nesse caso, se um homem jovem está ao lado de uma mulher madura, aí acontece o mesmo que na proporção inversa de gêneros: o homem quer o dinheiro da mulher.
Sim, com homens e com mulheres maduros acontece de se relacionarem com oportunistas mais jovens. Mas não é porque acontece que se pode dar decretos sobre ser assim qualquer relacionamento entre homens e mulheres de faixas etárias distantes entre si.
Do contrário, qualquer homem ou qualquer mulher que se interessar por alguém bem mais jovem ou bem mais maduro sentir-se-á constrangido mesmo que ambos estejam perdidamente apaixonados.
Agora eu pergunto: é impossível que uma mulher bela e jovem se apaixone por um homem maduro, porém em forma física e no auge do desenvolvimento intelectual e do sucesso? Sim, porque, pelos maledicentes a serviço da oposição – mesmo que esta não os estimule, pois alguns tentam agradá-la fazendo o que acham que ela quer que façam –, seria impossível.
Essa polícia oficiosa dos costumes é uma praga de sociedades provincianas que um país em franco desenvolvimento econômico e social como o nosso precisa enterrar bem fundo, pois é vergonhosa e oriunda de gente que não resistiria às devassas que faz da vida alheia, mas se arvora em juiz e júri da intimidade do outro.