Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sábado, 11 de setembro de 2010

A economia arrumada e a surra dos fatos

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

Nos anos 70, o Brasil crescia num ritmo que hoje qualificaríamos como “chinês”. Só que não distribuía renda. Sob ditadura militar, os czares da economia (como o professor Delfim Neto) diziam que era preciso “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. Na oposição, a turma de economistas do MDB (Maria Conceição Tavares e Celso Furtado eram as bússolas dessa turma) dizia que era possível, sim, crescer e distribuir renda – ao mesmo tempo. Não foram ouvidos.

O modelo de concentração dos militares deixou o Brasil mais injusto, e ainda nos legou a hiperinflação, que explodiu no colo de Sarney. Quando o MDB chegou ao poder, a casa estava tão desarrumada que eles não conseguiram dar jeito: Planos Cruzado 1 e 2, Bresser… E nada. O caldo entornou, e o liberalismo à moda Margareth Tatcher parecia a única receita à mão.

Nos anos 90, sob FHC, o Brasil controlou a inflação mas esqueceu de crescer. Limitações estruturais, diziam os tucanos, impediam o país de ter uma economia equilibrada e forte ao mesmo tempo. Parecia maldição.

Sob Lula, finalmente, a equação fechou. Hoje, temos crescimento semelhante ao da época da ditadura, distribuição de renda e inflação sob controle. Não é à toa que Conceição Tavares (que também foi professora de Serra) escolheu votar em Dilma. O governo petista botou em prática a receita dos economistas do MDB. Lula expandiu o mercado interno, transformou o capitalismo para poucos (marca brasileira) num capitalismo para muitos. É um governo social-democrata, com tinturas brasileiras. Mercado relativamente livre, mas com a mão do Estado sempre pronta para agir. Estado democrático, aberto e plural – diga-se, nesse momento em que os tucanos desesperados apelam e tentam vender a imagem de que o país caminha para a ditadura. Só rindo muito…

O Banco Central acaba de sinalizar que os juros devem voltar a cair no Brasil. O “Estadão” até deu um tempo nas manchetes sobre o “escândalo” da receita, para reconhecer o óbvio. E por que os juros caem? Porque a inflação voltou pra perto de zero (pelo terceiro mês seguido). No acumulado de 12 meses, a taxa está abaixo da meta de 4,5%. Ao mesmo tempo, a economia cresce em torno de 7% a 8%. E a miséria se reduz.

Ah, o Lula tem sorte, diziam meus amigos tucanos durante o primeiro mandato. “Ele não pegou crises bravas, como o FHC”.

Aí veio 2008, os EUA desmancharam (a tal ponto que brasileiros compram até o Burger King), e a Europa ameaçou ruir…

E o Brasil?

O Brasil cresce, com inflação sob controle e distribuição de renda. Isso é sorte? Ou é escolha e ação?

Quando a crise veio, há dois anos, os “consultores” liberais diziam que Mantega/Lula estavam errados por expandir o gasto público e usar os bancos estatais na reação ao tumulto financeiro mundial. A velha receita dos consultores e economistas atucanados era: apertar o cinto, reduzir gastos. Isso teria lançado o Brasil numa espiral invertida, de estagnação e desemprego.

Lula/Mantega fizeram a escolha oposta: gastar, e colocar os bancos estatais pra emprestar. Ajudaram a economia a reagir, não com dinheiro público a fundo perdido na mão de banqueiros e empresário privados (como fizeram Obama e Merkel, por exemplo). Mas com empréstimos, que serão pagos.

Por que o Brasil pode reagir à crise? Porque não privatizou seus bancos públicos. Caixa Economica Federal, Banco do Brasil e BNDES cumpriram um papel decisivo. O programa tucano incluía privatizar tudo, como se fez na Argentina – sob Menem.

O desafio de Dilma é manter tudo isso, e recuperar a capacidade de inovação da Indústria brasileira. O país não pode mais assistir sua balança comercial ser engordada quase que apenas com produtos primários. O Brasil precisa escolher alguns setores-chave e fortalecer sua indúsria nessas áreas. O Brasil precisa ter montadora nacional de carros, fábricas de computadores (ou, ao menos, de componentes para computadores). Esse é o desafio. Não podemos andar pra trás e virar uma fazenda pra alimentar chinês!

Poucos países no Mundo possuem a estrutura pública para crédito que o Brasil conseguiu manter. Os EUA não tem um BNDES. A China tem ferramentas parecidas com as brasileiras. Mas sob partido único, e sem liberdade.

Não se trata de discurso de “jornalista petralha”, como dizem por aí blogueiros (eles, sim) apedeutas e sujos.

Não é à toa que economistas não-alinhados com os velhos liberais brazucas reconhecem os avanços. Como fez o italiano Pier Carlo Padoan, nessa entrevista à BBC.

E não é à toa que a Ana – a moça que faz a limpeza e a arrumação lá em casa – chegou outro dia para trabalhar dirigindo o carro que comprou – financiado.

Perguntei para a Ana o que ela acha das denúncias contra o Lula. “No meu bairro, lá na periferia da zona leste, ou na minha terra, lá na Bahia, se o sujeito falar mal do Lula e da turma do Lula, ele corre o risco de apanhar.”

Bem, de certa forma, é o que os tucanos estão aprendendo agora. Estão levando uma surra. Quanto mais usam a velha mídia para bater no PT e em Lula, maior é a pancada que lhes volta na testa.

É uma surra dos fatos, dos números da economia. E vai virar uma surra de votos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Do Cairo a Alexandria – O fim de Mubarak está próximo. Quem vem depois?

10/08/2010Comandante.MelkDeixar um comentárioIr para os comentários
Por Gustavo Chacra

Quando um líder de um regime ditatorial inimigo adoece, como Fidel Castro em Cuba ou Kim Jong-il, na Coréia do Norte, os Estados Unidos e seus aliados torcem pela queda do regime. Quando o comandante é de um país aliado, como o Egito de Hosni Mubarak, a Casa Branca fica apreensiva, temendo mudanças que coloquem seus interesses em risco.
O líder egípcio completou 82 anos, está doente, passou por tratamento na Alemanha e não tem um vice-presidente. Mais grave, não indicou quem ele gostaria de ver no seu lugar no Cairo.
Apesar das críticas por reprimir a oposição, censurar a imprensa e fraudar eleições, Mubarak sempre honrou seus compromissos com os americanos e os israelenses. Por menos democrático que seja, o presidente do Egito tem sido um aliado leal de Washington e Jerusalém. A dúvida nos EUA é sobre como será o futuro presidente do Egito.
Analistas comparam a sua sucessão com a do líder sírio Hafez al Assad, que morreu há dez anos. No seu lugar, entrou seu filho Bashar al Assad. Caso o mesmo fenômeno aconteça no Egito, o escolhido para o lugar do atual presidente será o seu filho, Gamal Mubarak, que conta com o apoio da emergente elite econômica do Cairo e de Alexandria. Como Bashar al Assad, ele também fala inglês fluentemente, morou no Ocidente e é visto como modernizador. Sua plataforma seria parecida com a da China, que se tornou moda em regimes fechados – abrir a economia, mas manter o país distante da democracia.
“Porém Gamal não é do Exército e existe uma certa relutância dos militares em ver um civil no comando do regime”, disse ao Estado Hani Sabra, analista de Egito da consultoria de risco político Eurasia. Bashar não enfrentou este problema. Apesar de ser oftalmologista, o líder sírio passou por anos de treinamento militar.
O Egito também se difere da Síria por sua história. A sucessão de Hafez para Bashar foi a primeira em Damasco sem envolver golpe. O Egito passou por outras duas sucessões dentro do sistema no atual regime, depois das mortes de Gamal Abdel Nasser e de Anwar Sadat, que antecederam Mubarak. E nenhum dos dois foi sucedido por seus filhos.
Caso o favorito Gamal seja excluído, a avaliação é de que o sucessor de Mubarak “será alguém de dentro do regime. Não deve haver instabilidade”, diz Sabra, acrescentando que dificilmente a rachada Irmandade Muçulmana, principal grupo opositor, assumirá o poder. Além disso, sem democratização, são nulas as chances de elegerem Mohammad el Baradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica.
Todos os outros nomes citados, além de Gamal, são ligados a Mubarak. Omar Suleiman, chefe da inteligência, sempre recebe citações de analistas e diplomatas como um nome forte. Depois de Mubarak, é certamente a figura mais poderosa do Egito. Mesmo que não seja o sucessor do atual presidente, ele certamente estará envolvido na escolha do próximo governante.
Zakaria Azmi, chefe de gabinete de Mubarak e forte no regime, também costuma ter seus nomes nas listas. A Eurasia e outras consultorias de risco político, como a Stratfor, também trabalham com a hipótese de algum militar do segundo escalão ser o escolhido. Assim, o regime teria uma cara mais nova e de dentro do Exército, diferentemente de Gamal. Começaria assim mais uma dinastia na terra dos faraós.

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Serra ataca de novo o Mercosul. Valentia, só com os fracos

Seguindo na sua linha de que bom mesmo é ser amigo dos ricos, José Serra voltou a atacar hoje o Mercosul. Segundo ele disse à Folha, o Brasil teria mais chances sozinho de fechar, de forma ágil, um acordo com a União Europeia, sem depender do Mercosul. “Seria importante ter uma flexibilização das regras do Mercosul. O Brasil tem condições de avançar mais sozinho”, disse o tucano.

Ele fez críticas à política externa do governo Lula. Serra disse que “o Brasil investiu muito em estreitar relações com países de pouca relevância no comércio mundial”.
Não tenho dúvidas que Serra fecharia mais rápido os acordos com os países ricos. É mais rápida a negociação onde o lado mais fraco diz: “sim, senhor”, “certo”, “está bem”, e “seja como o senhor quiser, patrão”.

Eu já o comparei aqui com o exemplo de Juracy Magalhães, aquele da frase “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.

Curioso é Serra falar isso justamente depois de uma reunião com a União Européia. Os europeus, que sendo de esquerda ou de direita não querem ser capachos de outras potências econômicas, negociam em bloco com o mundo. Aqui, o “jenial” Serra acha que na base do “cada um por sí” vamos a algum lugar.

A cabeça egoísta de Serra é assim. Ele não cultiva relações, nem solidariedade. Tem comportamento subalterno. Natural que entenda assim as relações comerciais com o mundo.