Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

PAULO BERNARDO VAI GIRAR ESSA MAÇANETA?



O governador  tucano,Geraldo Alckmin, levou a tiracolo um estafeta e notório defensor da ditadura  à cerimonia de entrega dos arquivos digitalizados  do DOPS, em São Paulo. O episódio ilustra o corredor de camaradagem  que liga as portas abertas da democracia  e os socavões  escuros da ditadura  ainda existentes  na sociedade. A mais notória delas  guarda os nomes dos mortos e desaparecidos políticos e os de seus respectivos algozes. Outra, abriga a colaboração estreita entre o mundo  empresarial,  a repressão e a barbárie. Um lacre merecedor  da mais  prestigiada das omissões  garante  a intocabilidade do monopólio  do sistema de comunicação, setor cuja centralidade  na vida democrática dispensa apresentações. A presidenta Dilma experimentou na carne , em Durban, as consequências desse anacronismo, que seu ministro das Comunicações tinge de virtude democrática. A indignação de Dilma com o uso distorcido de suas palavras coincidiu, na sua volta, com sugestiva mudança na postura do ministro. Paulo Bernardo, concede agora a hipótese de  desengavetar o projeto de regulação da mídia, deixado pelo antecessor. Mas exala inoxidável má vontade com a missão de faxinar um esqueleto da ditadura, que gostaria  de preservar no confortável formol da omissão. Resta saber por quanto tempo mais a mão do governo poderá  repousar sobre a maçaneta dessa porta. Sem risco de ser decepada pelas baionetas aquarteladas no seu interior. (LEIA MAIS AQUI)


O Chile que se cuide: o Goldman Sachs vem aí!


O banco de investimento estadunidense Goldman Sachs, protagonista do desastre financeiro global de 2008, começou a operar neste ano a partir de uma base no Chile. O que os banqueiros desejam por lá? A resposta não é complicada: aproveitar este paraíso da desregulamentação financeira latino-americano.


No final de fevereiro, o banco de investimento estadunidense Goldman Sachs começou suas operações no Chile com um capital de modestos 289 milhões de pesos. A notícia, embora a boa recepção que a imprensa financeira local concedeu, refrescou a memória de não poucos leitores: o Goldman Sachs não só é um dos maiores bancos de investimento do mundo, mas também foi um dos causadores do desastre financeiro dos Estados Unidos em 2008. O estado atual da economia mundial não é alheio às corruptas e obscuras operações desta instituição.

O Goldman Sachs já realizava atividades no Chile através da sua filial em Buenos Aires. Mas é compreensível o passo dado ao transpor a cordilheira. Sob a tramoia dos negócios globalizados no marco do neoliberalismo ultrarradical, o Chile, embora seja um mercado pequeno, leva a dianteira na América Latina. As declarações do gerente da empresa para suas operações na região, reproduzidas pela imprensa especializada, corroboram esta afirmação: “A banca de investimento pode se desempenhar muito bem no Chile, assim como a colocação de ações e gestão de riqueza privada. Mas o mais interessante é que nos últimos anos vimos o capital chileno desempenhar um papel muito mais proeminente, enquanto a financiamento, na América Latina”.

Vale lembrar algo deste protagonista do desastre financeiro de 2008. Como banco de investimento, tem um verdadeiro prontuário e não só na crise das subprimes, mas também como detonador da crise grega, que neste momento tem boa parte da Europa pendendo por um fio. Um documentário titulado Inside Job (Trabalho Confidencial, completo no Youtube) desenreda a ensebada trama entre o poder político e financeiro: como responsáveis pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estavam altos executivos do Goldman Sachs, que iam e vinham dos salões da Casa Branca aos escritórios financeiros. Assim vem se dirigindo a economia mundial durante as últimas décadas. O documentário narra que Ronald Reagan nomeou como secretário do Tesouro Donald Regam, ex-diretor geral do Merrill Lynch, apenas poucos anos depois, durante a administração de Bill Clinton, nesse mesmo cargo foi sucedido por Robert Rubin, que vinha do Goldman Sachs. Após sua passagem pelo governo, voltou ao setor financeiro, desta vez ao Citigroup. Uma verdadeira porta giratória do ouro e dos milhões.

O caso mais recente, e certamente o mais escandaloso, é o de Henry Paulson, ex-presidente do Goldman Sachs e mais tarde secretário do Tesouro de Bush. Em meio à catástrofe e durante a administração de Obama, o Congresso dos Estados Unidos vazou um relatório sobre os responsáveis da crise. Entre bancos e outras agências, o Goldman Sachs aparece com papel protagônico. Esta empresa, diz, “especialmente sob a presidência de Henry Paulson (pouco antes de ser nomeado por Bush) aliviou os efeitos da queda do mercado das subprimes” potencializando a criação e difusão de produtos tóxicos, com a cumplicidade das agências de qualificação. Como resultado destas operações, a economia estadunidense expressa hoje todo o contraste neoliberal, com um aumento histórico da pobreza e concentração da riqueza.

Em suma, no dia 16 de abril de 2010 a Comissão do Mercado de Valores dos Estados Unidos acusou a Goldman Sachs de fraude pelas hipotecas subprime. Trata-se de uma informação pública. Até a Wikipédia corrobora: “A Comissão considera que estão no centro da fraude Fabrice Tourre, vice-presidente do Goldman, e aponta também Paulson, gestor principal do fundo de investimento livre (hedge fund) Paulson & Co. A Goldman Sachs é considerada um dos atores principais na ocultação do déficit da dívida grega”.

Que interesse pode ter este banco no Chile? Muito. Bem sabemos que este é o paraíso da desregulamentação financeira, o que significa que os fluxos de capitais entram e saem com muita intimidade. Mas não só é a utopia do mercado transformada em realidade, também é hoje um paraíso para videntes e especuladores financeiros, o combustível atual do forte crescimento no consumo e a economia, o que deveria, como em bom ano eleitoral, prolongar-se pelo menos até novembro.

A máquina financeira está que arde, fenômeno celebrado pelo empresariado, o consumidor e, como não, pelo governo. Um processo febril que pouco tem que ver com o cauteloso e também angustioso passo do capitalismo mundial, em franca deterioração. Existem fluxos especulativos que ingressam para fazer seus negócios na Bolsa, na construção, no mercado cambiário em um processo complexo e arriscado - uma clássica bolha especulativa - que tem já as características de um cassino financeiro, o cenário perfeito para o Goldman Sachs.

*Publicado em “Punto Final”, edição Nº 777, 22 de março, 2013. 

**Tradução: Liborio Júnior

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Wikileaks volta à ativa com “arquivos espiões”

                             Wikileaks volta à ativa com “arquivos espiões” Foto: Divulgação


Organização de Julian Assange lista mais de 150 empresas acusadas de espionar pessoas via internet e celular; o Brasil está entre elas, com a companhia Suntech Intelligence, que estaria monitorando informações pessoais ilegalmente

Lucas Reginato _247 – Mais de um mês após anunciar que seria forçado a parar as atividades, o Wikileaks resolveu atacar, nesta quinta-feira, o que eles batizaram de “Arquivos espiões” – uma relação de documentos de vinte cinco países que denunciam o uso de informações privados por empresas de comunicação.
O Brasil e a Colômbia são os únicos países da América Latina que aparecem no “mapa da espionagem” publicado no site da organização. Entre as mais de 150 companhias denunciadas pelo mundo, aparece a Suntech Intelligence, empresa de Florianópolis que atua há 15 anos no mercado de inteligência da comunicação, retenção de dados legais e gerenciamento de redes. Segundo as denúncias, eles estariam monitorando ilegalmente o acesso à internet, ligações telefônicas e mensagens de texto.
“Parece coisa de Hollywood”, avisa o comunicado da organização fundada pelo jornalista australiano Julian Assange. Segundo o site, essas informações obtidas são usadas com objetivo financeiro ou político.
A tecnologia, que normalmente é construída nos países de primeiro mundo, acaba sendo usada por governos de nações subdesenvolvidas para a manutenção de ditaduras e vigilância de sua população. Na Primavera Árabe, por exemplo, que acabou mudando o rumo do governo já estabelecido por décadas em alguns países, os manifestantes usavam as redes sociais e os telefones para marcarem a hora e o local dos protestos. Após a queda dos ditadores de Líbia e Egito, por exemplo, descobriram a presença de empresas europeias que trabalhavam monitorando as telecomunicações desses países. Mas a espionagem não se limita a regimes ditatoriais, chegando a envolver países bastante desenvolvidos, como Suíça e Dinamarca. Outros que constam da lista são Canadá, Estados Unidos, China, França e Nova Zelândia.
Para uma sociedade cada vez mais conectada, a notícia trazida pelo Wikileaks definitivamente não é boa. A indústria estaria desregulada e, devido a isso, com espaço para abusar dos poderes que possui através do uso cada vez mais constante da tecnologia. Pessoas físicas podem ser, por exemplo, secretamente rastreadas se estiverem carregando um telefone celular, mesmo que este esteja desligado.
Embora tenha anunciado uma pausa nas atividades há algumas semanas, devido a um boicote das operadoras de cartão de crédito, que bloquearam doações à organização, o Wikileaks afirmou que ainda tem muitos outros documentos a serem liberados. Já são 287 arquivos, entre catálogos, manuais, listas contábeis e mesmo alguns vídeos. Eles mostram como, às vezes, as empresas trabalham sem a preocupação de não invadir a privacidade de terceiros, mas como se fosse natural e, mais do que isso, o objetivo delas. O idealizador do site está em prisão domiciliar na Inglaterra, acusado de quatro crimes de agressão sexual cometidos na Suécia. Neste mês, Assange teve negado o recurso que apresentou para evitar sua extradição ao país. Ele ainda tem direito a um novo recurso.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O golpismo valerá a pena?



São cada vez mais fortes os indícios que que a Folha de S.Paulo prepara  para sexta-feira uma edição destinada a disparar a “última bala” contra a candidatura Dilma Rousseff.

A insistência em obter os autos do processo contra ela, dos tempos de ditadura, no Supremo Tribunal Federal e, depois, no STF, visa, essencialmente, dar cobertura a uma matéria que já está escrita.
Até porque grande parte deste processo está copiada nos arquivos da Universidade de Campinas e são de acesso público. Fazem parte da coleção “Brasil, nunca mais”, do Arquivo Edgard Leuenroth, daquela Universidade.
Neles, segundo o próprio diretor do Arquivo, Alvaro Bianchi, “, não há nada nesses processos que vincule diretamente Dilma Rousseff a ações armadas, como sequestros, expropriações ou atentados contra alvos civis e militares, nem mesmo a greves ou manifestações estudantis. Ao contrário. Mesmo seus inquisidores não conseguiram estabelecer esse vínculo, não restando –senão- acusá-la vagamente de ‘subversão’ ”.
O professor Bianchi é insuspeito, pois é a favor da liberação indiscriminada dos arquivos do STM. Mas também é contra sua manipulação:
- Suprimir a memória para não perder votos não é boa coisa. Falsificá-la para ganhá-los também não, escreveu ele, num artigo publicado na Carta Capital, onde descreve o conteúdo da documentação relativa a Dilma.
O professor pode ter suas razões. Nem mesmo concordo com elas, pois a revelação daquilo que foi dito – ou que se alegou terem dito – em sessões de torturas abomináveis viola de tal forma o direito das pessoas que só elas, individualmente, podem julgar se querem tornar público, como protesto, ou se aquilo fere a si ou a terceiros,
Afinal, se esta mesma imprensa acha abominável a quebra de sigilo fiscal, revelando aquilo que pessoas disseram à Receita Federal, como pode achar normal ter o direito de revelar detalhes do que foi obtido usando de vilências bárbaras? Ou o crime cometido da delegacia fiscal de Mauá é mais grave do que aquele que se cometeu nas câmaras de tortura do regime ditatorial?
A discussão, porém, não se dá nem neste plano das ideias. Não há um pingo de “direito à informação” ou liberdade jornalística neste episódio.
O material – tentando envolvê-la em casos de sangue, não posso afirmar se direta ou indiretamente-  está pronto para ser publicado de forma a não ser respondido. Sexta-feira, calam-se os horários eleitorais. No final de semana das eleições, não há possibilidade razoável de contestação. Impera o silêncio, e falarão sozinhos o Jornal Nacional, a Veja, O Globo…
Não será a ética ou o amor pela verdade que os impelirá, nem também o que lhes impelirá.
A única dúvida que lhes resta é se isso adiantará para derrotar Dilma e eleger Serra.