Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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domingo, 22 de setembro de 2013

TRÉGUA: O QUE FAZER COM ELA?

Jornalismo de economia erra mais uma: emprego com carteira assinada cresce 26% em agosto

** editorias de renda fixa & rentismo criam expectativas negativas, sucessivamente desmentidas  pelos resultados do PIB, consumo, emprego, inflação e cenário internacional. Por que erram tanto? 




Governo e forças progressista respiram nesse momento o ar fresco que sopra da janela  aberta no front interno e externo. Depois de meses em que a iniciativa política coube à maré antagônica, o mando do jogo mudou de mão. Sinais se acumulam: o recuo da inflação;  o êxito do ‘Mais Médicos'; o anticlímax da mídia no julgamento da AP 470; a resposta soberana à espionagem da CIA; a sustentação dos níveis de consumo, emprego e renda - um naufrágio previsto diariamente pelas editorias de renda fixa & rentismo em geral; e a reviravolta no calendário do Fed.  O BC dos EUA decidiu azedar de vez a 4ª feira do conservadorismo brasileiro. Depois do voto de Celso de Mello, no STF, Ben Bernank anunciou que o horizonte dos incentivos à liquidez nos EUA foram dilatadas sem prazo de reversão, desanuviando a pressão cambial sobre as contas externas e a inflação.Seria injusto dizer que o conjunto é obra exclusiva do acaso.Mas tampouco é justo  atribuí-lo a uma sólida capacidade de resposta da agenda progressista. O novo ciclo de políticas de crescimento e convergência da riqueza, requerido pela sociedade,  exige  decisões  que talvez não caibam  no espaço quase ornamental  reservado à mobilização  progressista, dentro do bloco de alianças  do PT. Caberia perguntar, como se pretende desfrutar a 'folga'?  Como se pretende conduzir a campanha eleitoral de 2014? Como um evento publicitário, a exemplo do que se fez nas últimas? Ou requalificá-la como um espaço de repactuação de forças da nova institucionalidade que o  desenvolvimento requer?(LEIA MAIS) 



marinaleitaolara

Marina Leitão e seu guru FHC boy, o da “bomba H” 

de  Daniel Dantas

21 de setembro de 2013 | 19:48

O bom do processo político é que as coisas vão se revelando, não obstante a geléia geral de hoje.
De Marina Silva, por exemplo, não temos ouvido quase nada sobre o que diz respeito à vida do país.
Ele, que vem de uma comunidade pobre e isolada, não deu uma palavra para se solidarizar com o “Mais Médicos”, que vai levar profissionais para lugares como o seu Acre natal, tão mal assistido de profissionais.
Só o que vimos foi ela falar do “perigo de perdermos as conquistas com o aumento da inflação e o desmonte do “tripé macroeconômico do câmbio flutuante, do superávit fiscal e das metas inflacionárias”.
Agora surge uma pista de quem está marinando no vinho neoliberal a cabeça de Marina Silva, que a gente, aqui, já vem chamando de Marina Leitão, pela identidade em matéria econômica.
O tucano André Lara Resende, um dos FHC boys de velha cepa, apresentado pela Épocacomo novo guru marinista.
De Lara Resende, vamos deixar que a Veja o descreva, para não ser suspeita a definição:
“Economista brilhante, Lara Resende ajudou a criar o Plano Cruzado, juntamente com o colega Persio Arida. Teceu também as bases do Plano Real. Para favorecer a vitória do Opportunity na compra da Tele Norte Leste, em detrimento do consórcio Telemar, negócio que não se concretizou, Lara Resende foi diretíssimo ao ponto em suas conversas telefônicas com Arida. “Se precisar vou ter de detonar a bomba atômica”, disse ele ao amigo, referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso. “Vai lá e negocia, joga o preço para baixo. Depois, se precisar, a gente sobe e ultrapassa o limite”, instruiu Lara Resende, segundo fitas divulgadas pela imprensa à época.”
Lara Resende foi absolvido dos processos abertos, já que, na época, a Justiça precisava de provas para condenar. Mas os fatos e as fitas jamais foram contestados nem a história edificante do então jovem amante dos cavalos puro-sangue que ameaçou detonar “uma bomba atômica” para Daniel Dantas ganhar a Telemar, hoje Oi.
De lá para cá, ele usa seu brilhantismo a serviço da especulação, na famosa Casa das Garças, um ninho de mafagafos cheio de mafagafinhos tucanos como ele, Edmar Bacha, Pérsio Arida, Armínio Fraga e a família Moreira Salles.
Na entrevista a Época, agora como marineiro, ele repete a mesma cantilena sobre estado mínimo e carga tributária de sempre, com uma superfluidade natural para quem, no fundo, sempre defendeu os interesses do capital.
Uma coisa, porém, deve ser dita: as idéias de Marina estão cada vez mais verdes.
Verdes do bolor neoliberal.

Por: Fernando Brito












domingo, 2 de junho de 2013

DIAS: GURGEL MOSTRA A SUA FÉ Gurgel não se apega à lei, mas às convicções políticas.

Conversa Afiada reproduz a abertura da “Rosa dos Ventos”, imperdível seção da Carta Capital, sob a regência de Mauricio Dias:

GURGEL MOSTRA SUA FÉ

Roberto Gurgel, o mais controvertido dos procuradores na história da República, tomou e toma decisões que marcaram e marcarão de forma melancólica o desfecho do mandato dele na Procuradoria-Geral em agosto.

Uma dessas decisões, a mais recente, é o fato de Gurgel ter mandado para as profundezas do arquivamento a ação que envolve os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL) e João Capiberibe (PSB).  Ambos, em tese, da base governista. Na prática, não.

Gurgel, ao contrário de Geraldo Brindeiro, que engavetava tudo que o governo FHC queria engavetado, tem ido muito além do engavetar ou desengavetar. Ele deu clara noção de sua orientação política.

Há outras diferenças. Fiquemos, por enquanto, no fato de que o procurador-geral ora desengaveta, ora engaveta. Engavetou, por exemplo, o caso citado acima.

O episódio ocorreu em 1999, quando Randolfe era deputado estadual e Capiberibe, governador do estado. Nesse período, conforme denúncia feita por Fran Soares Junior (PP), Randolfe teria recebido dinheiro além do salário regulamentar para votar projetos de interesse do governador. Há conversas gravadas, periciadas, entre Capiberibe e o deputado João Brandão, com menção clara sobre isso.

Randolfe, a única flor do PSOL no Jardim do Senado, nega tudo. E justifica alguns recibos que assinou. Não justifica todos ou tudo. Há recibos, assinados por Randolfe, reconhecidos como legais por análise feita pelo perito Ricardo Molina. Há também gravações em áudio, periciadas, que reforçam a denúncia.

Se fosse possível admitir dúvidas em favor de Randolfe, seria impossível engolir o arrazoado de Gurgel que conduziu a representação para o arquivo sob a alegação de que os fatos narrados na representação “são inverídicos”.

Eis algumas razões em contrário:

– Não houve montagem dos áudios.

– O procurador-geral faz “exercício argumentativo” para deduzir que “a representação noticiou fatos inverídicos”.  Também faz descaso das provas apresentadas, indiferente ao fato de que só a perícia pode averiguar a veracidade da prova técnica.

– Gurgel foi além de sua competência. O Ministério Público analisa as questões de direito. As de fato competem exclusivamente a peritos.

– A acusação diz que não apresentou todos os recibos assinados por Randolfe, porque teriam sido recolhidos pela Polícia Federal. Gurgel poderia averiguar. Oficiaria à PF sobre os recibos e, se existissem, os submeteria a exame pericial.

Gurgel navega orientado por bússola política e com a frieza de um frade de pedra. É possível perceber a linha que norteia as decisões que toma. Não é uma linha reta. Bem avaliada, nota-se, porém, como é definida. Por isso é possível supor que, só aparentemente, a decisão beneficia Randolfe e Capiberibe. O arquivamento, falho e apressado, mantém sobre os dois um incômodo ponto de interrogação.

Gurgel não é profissional descuidado. Ele sempre sabe o que faz.

Em tempo: 
clique aqui para se espantar com outro capítulo melancólico desse fim de mandato daquele queCollor chama de “prevaricador”: o artigo de Leandro Fortes, também na Carta (e só na Carta !), sobre “a estranha mudança de parecer de Gurgel a favor do banqueiro Daniel Dantas “.

aqui para ler a assinatura de Randolphe é de Randolphe.

Não deixe de ler também o verbete “Daniel Dantas” na WicKepedia, de autoria de Aurélio Buarque de Espanha.

Em tempo2: esse Bessinha não é um gênio, amigo navegante ?

E Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim