Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Madalena, Moacir, Ana, Nivaldo, Fabiana: “Perdi tudo”

As entrevistas deste vídeo foram concedidas à ativista Carmen Sampaio, que também nos enviou este e-mail:
Olá, amigos do Viomundo. Precisamos de vocês!
Enfim, tantas coisas a fazer, hoje a labuta é de novas necessidades. Nasce aqui o Mutirão da Informática  para os desabrigados de Pinheirinho.
Para quem não sabe, Necessidade é uma deusa grega, aquela da obrigação absoluta. Filha de Saturno, o pai do compromisso.
Necessidade é de tanta importância no Olimpo, que nem os deuses podem abdicar da experiência.
Assim, hoje, lançamos o Mutirão da Informática, elemento fundamental em nossa Lista de Necessidades.
Se você tem um notebook  ou pode fazer uma vaquinha com os amigos, para comprar um, saiba que precisamos de muitos, porque são muitos os necessitados. Você é nossa oportunidade de provar que o mundo bom existe.
Dez pessoas que doam 100 reais  compram tranqüilamente um notebook que pode fazer a diferença a um jovem desabrigado de Pinheirinho. Aceitamos usados e que exijam conserto.
Criar uma rede de comunicação móvel para o Povo de Pinheirinho é fundamental, pois a cada hora tudo muda e, já que o sistema não tem dignidade para agir, tomemos nós a dianteira e façamos o que precisa ser feito.
E sempre naquele esquema: se não é por compaixão,  afinidade, crer na ação, faça um “share” ou compartilhar, só por hábito.
Pois alguém que está com algo que não precisa, pode compartilhar. E isto será bom para todos.
Receberemos as doações de materiais eletrônicos em tempo integral. Basta ligar  para 11 9620- 2079 ou enviar e-mail para astrologia@terra.com.br. E marcar quando e como você quer fazer isso.
Precisamos de uma carta de próprio punho, fazendo a doação.
Somos apartidários e apenas pedimos a compreensão de quem tem tudo (ou quase)  e pode ganhar paz de espírito, por simplesmente fazer a coisa certa.
Felicidades e desculpem a longa mensagem.
Beijos
Carmen
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O que a manchete do Post nos diz sobre nosso tempo



por Luiz Carlos Azenha

O New York Post, tabloide de Rupert Murdoch, é a caricatura de um tabloide de Rupert Murdoch e, de certa forma, do jornalismo de nosso tempo. Mais escancarado, obviamente, já que o Post depende do que vende nas ruas.
Numa era de sociedades ‘encharcadas’ de infotainment e de neurônios sob o cerco feroz de múltiplas mensagens, o Post aperfeiçoou o “jornalismo do grito”: manchetes emocionais, que apelam ao mínimo denominador comum e servem para ‘informar’ escondendo o essencial.
Numa era de incertezas, certezas absolutas, sem nuances ou contextualização.
Qualquer pessoa que visite o acampamento do Occupy Wall Street, numa praça próxima da bolsa de valores de Nova York, vai se surpreender com a tranquilidade, a limpeza e a organização dos manifestantes.
O Post, porém, vem fazendo uma intensa campanha pela desocupação do espaço, ora afirmando que o movimento atrapalha o comércio da região, ora dizendo que tira a tranquilidade dos moradores de uma área essencialmente de escritórios.
O “ápice” da campanha, pelo menos até agora, foi a manchete acima, baseada numa briga entre dois manifestantes.
“Os animais do Occupy Wall Street enlouquecem”, diz o título, para justificar o trocadilho: Zoo-cotti!
Zuccotti Park é o nome do espaço ocupado pelo acampamento. Aliás, é propriedade privada de uma empresa chamada Brookfield Properties, que provavelmente fez a praça ali para poder usar os “air rights”, direitos de construção, em outro lugar.
No interior do tabloide, além das fotos da briga, um texto assinado por Kevin Fasick e Bob Fredericks diz: “Passou do simples caos à pura insanidade. A violência e a depravação continuaram a se acumular no protesto do Occupy Wall Street ontem, quando policiais prenderam 16 pessoas por tentar bloquear a entrada da Goldman Sachs e uma mulher do Alabama se apresentou para relatar outro doentio ataque sexual no Zuccotti Park”.
“Três outros manifestantes foram presos no Zuccotti por se negar a tirar máscaras, inclusive um homem que vestia uniforme militar dizendo que era fuzileiro naval. Usar máscaras durante um protesto é ilegal”, diz ainda o texto.
“Filth”, “horde”, “defiant” são palavras associadas aos manifestantes no tabloide.
“Estamos seriamente sugerindo que se um grupo jihadista ou neonazista entrasse no protesto receberia a mesma indulgência?”, diz uma declaração atribuída a um morador no texto de um editorialista. “Ou a Klu-Klux-Klan!”, disse outro.
No mesmo texto: “‘Grandes pacotes, sem identificação’ estão sendo entregues no parque, ’sem que ninguém cheque o conteúdo’, foi notado. Esta é uma área que — como resultado da proximidade do World Trade Center 4 e da Freedom Tower — está em alerta máximo e na qual buscas aleatórias em grandes containers é a norma”.
[Seriam as famosas armas de destruição em massa do Saddam?, pergunto]
Na mesma página, outro editorialista escreve: “Está se tornando claro durante as últimas semanas que existe ilegalidade no coração do Occupy Wall Street. Ele criou pequenos espaços desgovernados em cidades de todo o país, para os quais os sem-teto, usuários de drogas e criminosos estão se dirigindo”.
Mais adiante: “Os manifestantes pelos direitos civis fizeram seus protestos pacificamente e com dignidade. A diferença entre eles e os do Occupy que desafiam a polícia é a diferença entre heróis do auto-sacrifício e punks e reclamões ideologicamente bêbados”.
Os dois editorialistas, aliás, “militam” nas fileiras da National Review, um bastião dos neocons nos Estados Unidos.
O curioso é que todo o palavreado neofascista — de defesa da ordem e da limpeza social, das forças de segurança e dos cidadãos de bem — se consolida em um tempo de desordem, de angústia social, de desemprego, de aprofundamento da desigualdade  e de risco de colapso econômico.
Talvez não seja coincidência.

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