Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

‘Quem votar contra a educação estará com as mãos sujas por 20 anos’

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Jovem estudante paranaense que emocionou o País ao defender a luta dos estudantes contra o retrocesso na Educação, Ana Júlia Ribeiro participou nesta segunda-feira, 31, de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado; em seu discurso, a jovem disse que os parlamentares que defendem a PEC do teto de gastos estarão com as "mãos sujas por 20 anos"; ela anunciou que o movimento estudantil deve aumentar; "Nós vamos desenvolver métodos de desobediência civil, nós vamos levar a luta estudantil para frente, nós vamos mostrar que não estamos aqui de brincadeira, e que o Brasil vai ser um país de todos"; "Nós vamos ocupar as ruas também"; Ana Júlia denunciou ainda a "repressão violenta" contra os estudantes nas escolas ocupadas e disse que o movimento é democrático 

247 - A jovem estudante Ana Júlia Ribeiro – que emocionou o País ao defender a luta dos estudantes secundaristas contra mudanças no Ensino Médio e contra a PEC 241, esteve nesta segunda-feira, 31, no Senado, para participar de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos.

A audiência contou com a presença de senadores do PT, representantes de associações da área da educação e estudantes. Em sua manifestação, Ana Júlia que os parlamentares que defendem a PEC do teto de gastos estarão com as "mãos sujas por 20 anos". "Em relação à PEC 55, a antiga PEC 241, eu quero dizer uma coisa: aqueles que votarem contra a educação estarão com as mão sujas por 20 anos", afirmou.
A estudante disse também que o movimento estudantil deve aumentar. "Nós vamos desenvolver métodos de desobediência civil, nós vamos levar a luta estudantil para frente, nós vamos mostrar que não estamos aqui de brincadeira, e que o Brasil vai ser um país de todos".

"Resistir não é só ficar na escola. É não abaixar as cabeças para as ideias contrárias, é continuar lutando pelo movimento estudantil [...] Nós vamos ocupar as ruas também", enfatizou.

A jovem denunciou a "repressão violenta" que os estudantes vêm sofrendo nas escolas ocupadas. "Infelizmente, nós temos sofrido repressão de movimentos contrários. E a repressão está sendo violenta. Repressão que, na calada da noite, passa nas escolas. Repressão que passa com som alto, tocando o Hino Nacional, como se nós não respeitássemos o Hino", destacou a estudante.

"Nós defendemos o direito que eles [os opositores das ocupações] têm de serem contrários. Nós vivemos em uma democracia e sabemos que é importante ter os dois lados. Mas nós abominamos a repressão violenta", acrescentou

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

PEC da maldade faz ficha dos coxinhas começar a cair


bolsonaro-capa

Este blogueiro continua na contramão do senso comum – e se preocupa quando não está, pois sabe que não deve estar enxergando direito. Por exemplo, nessa questão da ascensão da direita radical ao poder ou do tempo que vai demorar para os golpistas serem desmascarados.

Assim como em junho de 2013 eu achava, desde a primeira manifestação, que tudo aquilo iria fazer um grande mal ao Brasil – e, por isso, fui tachado de “reacionário” -; assim como desde 2005 venho dizendo que iriam derrubar o PT do poder via golpe parlamentar (impeachment), agora digo que vai demorar pouco tempo para a máscara dos golpistas cair.

Nesse aspecto, estou na contramão da contramão da contramão. Cerca de 9 em cada dez comentários que fazem quando escrevo sobre isso vão no sentido de que estou enganado, de que sou muito “otimista”.
Quando eu falava em golpe, já a partir de 2005, e a cada semana de cada ano posterior até que o golpe fosse dado, e quando eu avisava, desde então, que iriam usar o impeachment para tirar o PT do poder, diziam-me “pessimista”.

Não sou nem uma coisa (otimista) nem outra (pessimista). Sou realista.

Assim como eu achava negativo quando diziam que estava tudo azul ou cor-de-rosa – e eu achava o cenário para lá de cinzento –, agora eu acho que está tudo menos cinzento do que parece. E que não vai demorar tanto assim para o povo entender que foi ludibriado pela direita.

Há vários indícios de que aqueles que chegaram a pedir a derrubada de Dilma começam a perceber que fizeram um mau negócio trocando o certo pelo duvidoso e que foram enganados pelos golpistas.
Em post anterior, noticiei pesquisa privada que mostra que a maioria do país não faz nem ideia do que representa a PEC 241 e grande parcela da sociedade nem sabe que medida tão grave foi tomada. Isso é uma má notícia.

Porém, há uma boa notícia. Quem fica sabendo dessa lei e de todos os males que irá causar, assusta-se e fica visceralmente contra.

Se você pensa que é só a esquerda que entende quanto é ruim essa medida tucano-peemedebê-midiática, enganou-se. À direita, a militância mais engajada – porém sem vínculo direto com o governo – já começa a se assustar e a ficar incrédula diante da loucura que é essa PEC.

Um episódio recente comprova isso. O deputado de ultradireita Jair Bolsonaro, ligado às Forças Armadas, vinha criticando fortemente a PEC 241 porque obviamente sabe que os salários dos militares e os investimentos nas três Armas da República ficarão prejudicados pela medida, como de resto tudo o mais.
Porém, após banquete de 200 talheres promovido por Temer para os deputados na véspera da votação da PEC, Bolsonaro mudou radicalmente de posição, passou a apoiar a medida e anunciou que iria votar a favor.

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Em vídeo publicado em seu perfil no Facebook pouco antes da votação, Bolsonaro explica que mudou de posição porque os golpistas e altas patentes das forças armadas lhe garantiram que os militares não serão afetados de verdade pela PEC porque logo após ela “passar” no Congresso eles serão tirados do rol dos setores que terão as verbas públicas contingenciadas, o que deve ser um tipo de ilegalidade ou, no mínimo, uma afronta ao resto da sociedade.

Confira vídeo que mostra as duas posições antagônicas entre si que Bolsonaro adotou em um intervalo de poucos dias.

Em situação normal, essa postura inaceitável de Bolsonaro de pregar contra os horrores da PEC 241 e de prometer que votaria contra e, em seguida, mudar de posição miraculosamente seria recebida com conformismo pelos fidelíssimos seguidores dele, mas eis que ocorre um fenômeno que, pensando bem, nem chega a ser de estranhar tanto…

Os seguidores de Bolsonaro se revoltaram. No post do Facebook em que ele comunica sua mudança de posição, direitistas radicais e moderados espantam-se ao ver que o deputado militarista se contenta com a promessa – que, provavelmente, Temer fez – de que os militares serão tirados da PEC 241 logo após ela ser aprovada.

Afinal, como esses comentaristas disseram, Bolsonaro não é o candidato só dos militares. Ele anseia ser candidato a presidente da República, ora.

Confira algumas dessas manifestações no perfil de Bolsonaro no Facebook

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São mais de cinco mil comentários. Quem quiser pode clicar no link acima e conferir um por um.
Muitos comentaristas se rendem ao discurso absurdamente suspeito de Bolsonaro e ficam no mimimi antipetista, mas GRANDE parte dos fãs dele tomou um susto ao ver sua atitude ridiculamente desonesta e em total desconsideração com um país que ele pretende governar.

E olhem que os efeitos da PEC nem começaram a ser sentidos. Há uma profusão de setores que serão duramente atingidos.

Uma quantidade imensa de pessoas que apoiou o golpe contra Dilma vai se arrepender amargamente; vai perder emprego, vai ter sua vida destruída. Não há jeito de os golpistas não fazerem isso. É só seguirem o que estão dizendo que vão fazer.

Que façam, pois!

Venho dizendo essas coisas e, assim como em 2013, parece que, em certos momentos, poucos enxergam os fatos. A comoção cega as pessoas.

As medidas que os golpistas prometem adotar para agradar ao capital e aos países ricos, EUA à frente, vão massacrar o povo brasileiro. E não pense que será só o pobre. A classe média vai sofrer muito, talvez até mais do que os pobres, pois deles há pouco a tirar – vão perder ao longo do tempo.

Já os mais abastados vão pagar com o encolhimento draconiano do mercado brasileiro. Empresários que atuam no segmento voltado para as classes populares, por exemplo, terão prejuízos GIGANTESCOS.
Vai demorar pouco. Se Temer, seu partido e o PSDB inteirinho fizerem o que estão prometendo, em 2018 vai ter gente que apoiou o golpe pedindo de joelhos a volta do Lula.

E se Lula estiver preso ou inelegível? Será a vez do candidato de esquerda que se apresentar. Bastará ser de esquerda.

Tenho dito que essa “alternância” (forçada) no poder será boa para o país, em larga medida, porque vai fazer as pessoas entenderem a diferença entre esquerda e direita.

O recall do governo Lula é muito forte, por isso precisam prendê-lo. Mas nada como sofrimento para tornar as pessoas mais lúcidas. Vão entender o que de fato é ser de esquerda e o que de fato é – e a quem interessa – ser de direita.

Hoje, as pessoas estão com os ouvidos tampados. Só ouvem quem fala mal do PT porque ainda acham que tirando o PT do poder, agora suas vidas voltarão ao que eram durante a maior parte do governo petista. Mas já começam a descobrir que se enganaram.

Vai ter muita gente zangada com os golpistas. Eu não queria estar na pele deles. Por isso FHC, esperto como só ele, está atacando Temer sem parar. Ele, como eu e outros como eu, já percebeu que o golpe vai ser desmascarado logo, logo.

Não acredita? Espere, então. Um par de anos será suficiente…

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eles agem como se não houvesse amanhã: é hora de construí-lo Há uma bomba social a caminho; a resistência passa por fazer o caminho de volta às lutas populares e aí construir a frente ampla.

Saul Leblon


Lula Marques
                                         
                                           A ordem unida na votação da PEC 241 passa um sinal de coesão inoxidável, que pode induzir à prostração diante do golpe.

Seria um erro.

Há ferrugem política sob o brilho metálico lustrado pelos mercados.
E corrosão nos pilares econômicos, dissimulada pelo endosso midiático.
 
A vitória em primeiro turno na Câmara --graúda, de fato-- aprofunda, em vez de equacionar a crise que despedaça o tecido econômico e estreita o horizonte da população brasileira.

Há uma bomba social a caminho.

A hora de organizá-la é agora.

Isso significa muitas coisas.

Retificar conceitos e rever estratégias que vestiram a camisa de força dos mercados na política, quando ela deveria comandá-los, repactuando o desenvolvimento, é uma delas.

Nada fará sentido, porém, sem convergir para o principal.

O principal é romper o isolamento progressista decorrente desse erro e fazer o caminho de volta às lutas populares para organizar a resistência ao arrocho.

Não é pouco o que está em jogo.

Só os ingênuos acreditam ser possível fazer política hoje no Brasil sem ‘nacionalizar’ o debate.

O golpe quer redesenhar o país numa prensa abastecida de libras de carne humana.

Subverte para isso uma prudência clássica na macroeconomia.

A cautela recomenda nunca endossar os ímpetos irrefletidos dos mercados com o peso de iniciativas públicas na mesma direção.

A PEC 241 é um criminoso pé de chumbo no acelerador da crise vivida pela nação brasileira.

Em seu interior fervilha o agravamento do conflito distributivo --num horizonte de desemprego, recessão e urgência ela responde com mais privação.

Um criterioso alerta à nação, ‘Austeridade e Retrocesso’, lançado esta semana pelo Fórum 21, com a participação de alguns dos melhores economistas do país (leia http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Golpe-quer-impor-arrocho-social-por-20-anos-tempo-que-durou-a-ditadura/4/36984) denuncia a rudimentar aposta na contração das políticas e estruturas públicas, quando mais se precisa delas.

Em nome de um eldorado mítico do neoliberalismo –a ‘contração expansiva’--   providencia-se o Estado mínimo, à espera de uma expansão privada desmentida pela experiência corrente em várias latitudes do planeta.

Europa, por exemplo, onde nações patinam num limbo de desemprego elevado, baixo investimento, receitas anêmicas e déficits robustos.

‘Sociedade fulminada por asfixia rentista e inação pública’.

A lápide mais comum no cemitério de nações em nosso tempo denuncia o lacto purga que o golpe quer replicar no Brasil, com a adoção tardia de um neoliberalismo em decomposição.

O que se votou no reduto antissocial e antinacional no qual se transformou o parlamento brasileiro foi o gatilho dessa restauração anacrônica.

Postergar seu epicentro para o depois das eleições de 2018 , e confiar na retribuição antecipada dos mercados, precificada em uma onda imediata de investimentos, é a aposta da esperteza delirante.

Nisso se fiam colunistas que copidescam relatórios de bancos.

A precificação que avança é de outra natureza.

Os bancos, claro, já suspendem o crédito a pensionistas pobres e doentes, marcados para morrer de inanição pela PEC aprovada com o júbilo da escória parlamentar.

Não só.

Ignora-se, antes de mais nada, os ares do mundo.

O esgotamento da ordem neoliberal acirrou desequilíbrios sistêmicos conhecidos.

A  concentração da renda, a desigualdade entre as nações e dentro delas, a atrofia do aparato público de desenvolvimento, o desmonte industrial...

E criou outros novos.

O mais grave deles: a anemia da sua principal fonte de legitimação e dinamismo, o crescimento do comércio mundial.

Sob a égide dos acordos de livre comércio e cortes tarifários as trocas globais avançaram a taxas duas vezes superiores às do PIB entre 1985 e 2003.

Esse mundo acabou.

Só o ‘chanceler’ Serra, algo balbuciante, continua a apostar que o futuro do Brasil consiste em engatar a economia ao passado.

Em 2016, pela primeira vez em 15 anos, as trocas internacionais vão crescer abaixo da expansão do PIB global (1,7% contra 2%)

É o pior resultado desde 2008.

Fica quase à metade do desempenho de 2012 e muito aquém dos 2,8% previstos em abril pela OMC.

A debilidade da demanda global, sobretudo nos mercados de commodities, por conta da transição chinesa, explica uma parte da reversão.

A outra é a paralisia dos investimentos, responsável por 75% da desaceleração nas trocas internacionais.

O ambiente global associa elevadas taxas de endividamento das empresas, de um lado –caso do Brasil inclusive, o que desautoriza expectativas golpistas de retomada ‘puxada’ pelo setor privado--; sobras de capitais especulativos, de outro, e uma epidemia de juros negativos que se espraia e se prolonga.

A precarização do trabalho e o corner de Estados endividados num ambiente recessivo engessado por receita anêmica, fecham o garrote no pescoço da engrenagem produtiva  --indissociável do investimento público e privado.

A Unctad prevê que o fluxo global do investimento externo deve cair entre 10% e 15% este ano.

A saturação acionou anticorpos à panaceia do livre comércio, refletindo-se na queda de novos acordos de liberação alfandegária.

A média de trinta por ano, da década de 90, segundo o Wall Street Journal, recuou para um terço agora e a redução média de tarifas (um ponto percentual ao ano entre 1985/96 e 0,5 entre 1996 e 2008) estancou.
 
Disso para o ressurgimento da xenofobia e o renascimento do protecionismo era um pulo. E ele ensaia se tornar um salto no escuro.

O extraordinário bate à porta: um consenso contra o acordo Transpacífico uniu as candidaturas democrata e republicana nas eleições presidenciais dos EUA este ano.

Esse é o vagalhão em curso.

Ele potencializa perdas e danos embutidos na opção golpista de recuar o interesse público e entregar o país –literalmente, como mostra a blitzkrieg sobre as reservas do pré-sal--  aos impulsos dos livres mercados globais.

A operação equivale a engatar um carro sem gasolina a um trem descarrilado.

A alternativa de elevar o nível do tanque com maior justiça tributária, para, paulatinamente recuperar velocidade em uma repactuação negociada desenvolvimento, é a opção progressista e democrática.

Contra ela se fez o golpe.

Omiti-la é a lei de ferro nas redações. Onde a pauta tergiversa para não admitir: o pior está por vir.

O Brasil acumula um exército de 12 milhões de desempregados.

Um milhão e meio de vagas foram fechadas em 2015 pela associação entre o cerco golpista e o erro do governo Dilma ao buscar indulgência do mercado, adotando a panaceia contracionista.

Os otimistas acreditam que se tudo der certo o nível de emprego de 2014 (41,2 milhões de vagas formais) será recuperado em 2020...

Abstrai-se o crescimento da população economicamente ativa do período.

Num cenário de capacidade ociosa nas fábricas e demanda se arrastando pelo chão, parece temerário atribuir à  ‘reversão das expectativas’ dos mercados, protegidos do PT e da Carta Cidadã de 1988, a  drenagem desse oceano de braços.

Há variáveis de incerteza institucional que também contam.

Fundos de investimento estão preferindo a Colômbia e o Peru ao Brasil.

Gestores de carteiras não especulativas querem distancia da instabilidade política criada por Moro e sua central de confissões pré-fabricadas.

Só os vulgarizadores da ortodoxia acreditam da viabilidade de planos de infraestrutura sem financiamento e garantias do BNDES –agora, de novo, uma usina de privatizações.

Sem falar de faturas estruturais submersas, que o colunismo de banco declimna.

A industrialização brasileira necessita de um salto de renovação e produtividade para sobreviver no espaço encolhido pela estagnação global.

Como agir sobre esse relevo escarpado sem as cordas, ganchos e redes de estabilização do investimento público?                                                                                

O déficit fiscal de 10,5% no ano passado (10% este ano) continuará alto.

Mantido o peso de 80% dos juros na sua composição, mesmo espremendo-se a goela das despesas com a escola e o SUS, ou enterrando antes os velhinhos do LOAS, a alavanca do setor público persistirá manca.

O champanhe de fim de ano na firma Golpe & Cia, como se vê, borbulha  ilusão.

A crise vai azedar logo o clima de festa na aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário partidarizado.

O arrocho progressivo reduzirá ministros, governadores e prefeitos a síndicos de  estruturas públicas falidas, que vão piorar o cotidiano já difícil da população na hora mais vulnerável das famílias assalariadas.

O seguro desemprego é um dos alvos imediatos do facão autorizado por 366 ‘representantes do povo’.

Gestores locais serão obrigados a baixar a guilhotina em obras e serviços, na linha de frente do embate com as sobras humanas expelidas pela retração de empregos, leitos, vagas, merendas, remédios, programas, professores, médicos, enfermeiros.

Haverá defecções.

Mesmo dentro do conservadorismo, administradores dignos irão se rebelar.

Nem todos aceitarão o papel de proxenetas de sua gente, para servir à cupidez rentista no plano federal.

A montanha desordenada de ideologia e realidade apita alertas à prostração induzida pelo brilho falso de um comboio sem trilhos.

A ordem neoliberal está exaurida. Com ela, as bases do crescimento pro-cíclico associado à alta nos preços das matérias-primas.

O pacto distributivo não conta mais com esse lubrificante da engrenagem.

Não basta saciar ‘as expectativas’ do mercado para iniciar um outro ciclo.

É preciso redesenhar o mercado.

Inclui-se aí o papel da indústria, as bases da produtividade, o crescimento do emprego, do investimento público e privado, o financiamento fiscal.

O Brasil perdeu o bonde da história para fazer disso uma tarefa da democracia, diz a mensagem subliminar dos que tomaram de assalto o país para fatiá-lo.

Contrariar esse vaticínio é a prova crucial da esquerda, dos democratas, dos nacionalistas e dos liberais sinceros.

É o que de mais importante eles podem fazer hoje pelo Brasil.

Não com lamúrias.

Com a construção de uma frente ampla que fale às urgências e esperanças da população, para romper o isolamento refletido nas urnas de 2 de outubro.

À moda uruguaia, ele deve ser ‘progressista-ecumênica’ e híbrida o suficiente para incorporar partidos, centrais, movimentos sociais, juventude, personalidades etc.

Seu ventre são os conflitos do presente e a resistência à bomba social em curso.

Disputas do segundo turno das eleições municipais como a do Rio de Janeiro, com Freixo; a de Recife, com a arrancada de João Paulo e a de Belém, com Edmilson Rodrigues –um arquiteto e geógrafo de longa trajetória socialista, que já dirigiu a capital paraense por dois mandatos, compõem as oficinas históricas dessa construção.

Seria um erro monumental descolar a questão municipal da política brasileira, como se o ano não fosse 2016 e o país não vivesse uma encruzilhada cujo desfecho condicionará o destino público e privado em todas as dimensões.

A estratégia adotada nos últimos anos de despolitizar os conflitos e conquistas do desenvolvimento desarmou a sociedade, atrofiou a participação popular e confundiu o discernimento social.

Nesse vácuo Moro age como se não houvesse amanhã.

É hora de construí-lo.

E a PEC do arrocho abre uma avenida enorme para quem quiser caminhar.

Exclusivo: 77% não sabem o que a PEC 241 vai causar ao país

pesquisa

Dormia

A nossa pátria mãe tão distraída

Sem perceber que era subtraída

Em tenebrosas transações

                        Chico Buarque – Vai Passar

O Blog teve acesso a pesquisa de opinião feita para consumo interno de um grupo político suprapartidário que começou a se reunir após o golpe e que não quer ser identificado. As informações foram passadas a este Blog sob o compromisso de anonimato da fonte.

A sondagem foi feita por telefone com 896 pessoas de classes sociais, idades, regiões, gêneros e etnias baseados no retrato da população brasileira feito pelo IBGE – vale dizer que na era do celular pré-pago barato qualquer classe social tem telefone.

O tema pesquisado: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241.
Os resultados dessa pesquisa certamente vão ser confirmados por outras que serão feitas proximamente. E são surpreendentes. A esmagadora maioria dos brasileiros está completamente alheia ao que está acontecendo no país após a derrubada de Dilma Rousseff.

Antes de divulgar a sondagem, porém, vamos rever alguns efeitos óbvios e inquestionáveis da provável aprovação da mudança na Constituição proposta pelo governo Temer e pelo PSDB.

A Constituição de 1988 implantou no Brasil a seguridade social, com ações relativas a saúde, previdência e assistência social”. Passaram-se 28 anos e a PEC 241 está para desfigurar completamente a Carta Magna ao congelar os gastos públicos por 20 anos, tanto em infraestrutura quanto na área social.

Saúde, educação, assistência social, ciência e tecnologia, esporte, habitação, saneamento, segurança, cultura, agricultura, indústria, meio ambiente, turismo, Polícia Federal, Judiciário, Ministério Público, aumento real do salário mínimo e programas como Bolsa Família, Minha casa Minha vida, Luz para Todos, Mais Médicos, etc. serão inviabilizados.

Esse regime fiscal destruirá o modelo de cidadania inscrito na Constituição de 1988. E apesar de a Procuradoria Geral da República e o STJ se manifestarem contra a proposta por ir de encontro a cláusulas pétreas da Constituição, um Congresso que cassou um presidente sem crime de responsabilidade não vai se importar de mudar a Constituição ilegalmente.

Estudo da consultoria do Senado, projetando o impacto dessa PEC em saúde e educação de 2015 até 2018, revela números estarrecedores: uma redução de R$ 255,5 bilhões na educação e de R$ 168,2 bilhões na saúde. E para piorar a situação, as despesas desses setores perderiam seus critérios de proteção com a inversão da lógica constitucional, ou seja, onde há obrigação de gastos mínimos haveria um teto.
Este Blog acreditava que Temer começaria a esvaziar seu saco de maldades no ano que vem, mas, pelo visto, o país começará a sofrer imediatamente os efeitos de entregar seu governo a um grupo de políticos vassalos de banqueiros e megaempresários.

É nesse ponto que abordaremos os resultados de uma sondagem da opinião pública que é ao mesmo tempo preocupante e alentadora – preocupante porque demonstra o nível bizarro de alheamento da população e alentadora porque a ignorância do povo quanto aos efeitos da PEC 241 significa que quando as pessoas descobrirem para que foi dado o golpe irão mudar radicalmente de opinião política.

77% afirmaram desconhecer o teor da PEC 241

83% não sabiam que a PEC vai congelar o valor real do salário mínimo por 20 anos e deve, inclusive, reduzir esse valor.

88% não sabem que Saúde e Educação vão ter valor real dos investimentos congelados por 20 anos
46% nunca tinham sequer ouvido falar da PEC 241

88% dos consultados é contra o congelamento do valor real do salário mínimo e das verbas de Saúde e Educação, entre outras.

Diante desses dados, existe, aí, uma imensa avenida para quem quer fazer oposição ao governo do PMDB e do PSDB. A grande batalha é fazer essas informações chegarem à população brasileira.

Contudo, independentemente do tempo que vai demorar para a maioria ficar sabendo do que vem por aí, será praticamente impossível o povo brasileiro não notar a piora que terão hospitais e escolas públicas, além de tudo mais listado acima.

A mídia ajudou muito os golpistas a aplicarem no povo brasileiro um castigo que irá perdurar por décadas e que flagelará uma geração inteira de brasileiros. Ao não explicar o que essa mudança na Constituição significa, esses órgãos ditos de imprensa cometeram um crime de lesa-humanidade.

Se você quer travar essa batalha para informar os brasileiros sobre o que os golpistas estão fazendo, comece enviando esta matéria para todos os que você conhece e também imprimindo-a e levando-a para discussão no trabalho, com familiares, amigos etc.

Só você pode combater a censura que a ditadura temerária-tucano-midiática impôs ao país. Está nas suas mãos fazer alguma coisa.

Não se omita. Você também será vítima desse desastre. Nem que seja em algum semáforo no qual alguma criança vítima da exclusão promovida pelos golpistas e carregando algum tipo de arma cometerá um ato tresloucado de justiça contra um colaborador da ditadura.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Previdência: após as eleições, vem a paulada

ANDRESSA ANHOLETE

Não foi por acaso que o governo Michel Temer decidiu adiar o envio da reforma da Previdência para depois do segundo turno das eleições municipais, ao contrário do que havia sido prometido; pela proposta que vem sendo costurada pelo ministro Henrique Meirelles, a idade mínima da aposentadoria será ainda maior do que 65 anos; o texto propõe um gatilho que permitirá aumentar o piso da idade à medida em que também subir o tempo médio de sobrevida do indivíduo; no governo, há quem defenda que o benefício integral só seja obtido aos 70 anos 

247– Embora tenha prometido enviar a reforma da Previdência antes das eleições municipais deste ano, o governo Michel Temer adiou o envio do projeto para depois do segundo turno das eleições municipais e obteve o aval do PSDB, que vinha cobrando maior rapidez do Palácio do Planalto.

Agora, sabe-se o motivo. Pelo projeto que vem sendo trabalhado pela equipe do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, a idade mínima poderá ir além dos 65 anos, como se imaginava. A ideia dos técnicos é criar um "gatilho" de acordo com a expectativa de sobrevida dos indivíduos e já se fala até em obtenção do benefício integral apenas aos 70 anos.

"A proposta de reforma da Previdência que o presidente Michel Temer tem em mãos prevê o aumento da idade mínima para além dos 65 anos fixados inicialmente. O texto, elaborado pela equipe técnica do governo, propõe um gatilho que permitirá aumentar o piso da idade à medida em que também subir o tempo médio de sobrevida (a quantidade de anos de vida depois da aposentadoria). A 'calibragem' evitaria a necessidade de discutir novos projetos de reforma previdenciária acompanhando o envelhecimento da população", diz a reportagem do jornal O Tempo.

Pela proposta do governo, fala-se também em 50 anos de contribuição para obtenção do benefício integral – em vez dos 35 atuais. "O projeto também eleva o tempo mínimo de contribuição (atualmente de 15 anos para a aposentadoria por idade) e vincula o pagamento integral do benefício a um período maior de pagamentos. Uma das hipóteses é aumentar a base de contribuição para 25 anos para ter acesso ao benefício, sendo que, para ter direito à aposentadoria integral, serão necessários 50 anos de contribuição", diz a reportagem.

Leia, abaixo, a reportagem da Reuters sobre o adiamento do envio da reforma:
Governo desiste de enviar reforma da Previdência nesta semana e não marca novo prazo
Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal desistiu de enviar ao Congresso a proposta de reforma da Previdência até sexta-feira, como havia prometido, e decidiu que antes vai apresentar o texto a centrais sindicais, empresários e parlamentares, confirmou nesta terça-feira o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, ao sair de reunião do presidente Michel Temer com ministros e líderes da base governista.

"Não podemos trabalhar com essa questão de prazo. Fomos atropelados por alguns eventos, inclusive a própria eleição deste domingo, que não permitiu a tempo fazer debate que queríamos com as centrais sindicais, núcleos empresariais e com as lideranças na Câmara e no Senado, para que depois não nos acusem de autoritarismo, de tentar enfiar uma reforma goela abaixo do Congresso Nacional", disse o ministro.

Inicialmente, o governo falava em mandar uma proposta de reforma ainda em julho. Ao constatar a dificuldade de chegar a um texto de consenso, retirou qualquer prazo. Há algumas semanas, no entanto, o próprio Geddel havia anunciado que o texto iria até 30 de setembro.

Na próxima semana, as reuniões começarão a ser marcadas, iniciando com as centrais, que nesta semana reclamaram ao ministro que o governo cumprisse a promessa de não enviar nada sem antes apresentar aos trabalhadores. A previsão agora é meados de outubro, logo depois das rodadas de reuniões e antes ainda de o Congresso terminar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos.

De acordo com Geddel, o texto deve ser apresentado a Temer na próxima quinta-feira. "Foi apresentada uma versão inicial, ele pediu alguns ajustes", explicou.
TETO
O assunto central da reunião, no entanto, foi a limitação dos gastos públicos, que o governo prevê que seja votada em primeiro turno na Câmara nos dias 10 e 11 de outubro.

A intenção primária da reunião era obter dos partidos da base aliada que fechassem questão em torno da aprovação da PEC. De acordo com o líder do Solidariedade na Câmara, deputado Paulinho da Força (SD-SP), a maior parte dos líderes concordou ou anunciou que reuniria as bancadas nesta semana para formalizar a decisão.

"Vários partidos já declararam fechamento de questão, alguns ainda estão em dúvida, como é o nosso caso", disse Paulinho, revelando que o Solidariedade chegou a propor uma mudança no texto prevendo que, quando o país voltar a crescer, os investimentos nessas áreas pudessem subir acima da inflação.
Segundo o próprio deputado, Temer disse que poderia discutir, mas que o teto será um só para todas as despesas, efetivamente cortando a possibilidade de fazer mudanças que alterem a limitação global.
Apesar do apoio geral, ainda há questões que dividem o governo e sua base. A principal delas, a inclusão dos Estados no teto. Geddel minimizou as diferenças alegando que os governos estaduais estão incluídos no texto.

"É para todos os entes, é o que está na PEC", disse o ministro, afirmando ainda que o relator, Darcísio Perondi (PMDB-RS) ficou de analisar implicações legais para ver se era necessário alguma mudança.
Perondi, no entanto, nega que os Estados estejam incluídos. "Os Estados não estavam e não vão estar. Houve uma interpretação errada do Geddel. Os Estados têm mecanismos suficientes pela LDO para fazer seus ajustes", disse Perondi