Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Problema de Serra é a (quinta) coluna

serra capa

A notícia foi divulgada lá pelo final da noite da última quarta-feira (22): José Serra largara o osso, pedira demissão de cargo que, para ele, a mídia tucana passou a chamar de “chanceler” – para outros, era meramente ministro das Relações Exteriores, mas chanceler é mais pomposo e passou a ser usado para o eterno candidato a presidência dos barões da mídia.
A carta de demissão falava em “problemas de saúde”; a expressão foi repercutida pela mídia sem maiores detalhes, gerando especulações de que o tucano poderia estar sofrendo de algum mal sério, alguns falaram em câncer.
serra 1
Este blogueiro sentiu-se na obrigação de pregar nas redes sociais que a esquerda não fizesse com Serra o que a direita costuma fazer com adversários políticos doentes, como fez com Lula e Dilma quando tiveram câncer e com a falecida dona Marisa Letícia, ou seja, insultar, desejar a morte, sofrimento etc.
Porém, muita gente desconfiou e, no final da noite, veio a notícia de que não era nada demais ou, quem sabe, simplesmente não fosse nada além de “delírium investigatorium”, causado pelo medo de ter que sair do governo em meio a denúncias.
Confesso que, pensando em não me igualar aos sociopatas que atacam adversários políticos em momentos de fragilidade humana que todos experimentaremos um dia, fui ingênuo. Havia algo de podre naquele anúncio intempestivo de Serra.
As suspeitas são de que ele estaria preferindo se antecipar à divulgação das delações da Odebrecht, onde supõem que irá aparecer em destaque ainda maior que o conferido por denúncia anterior de que recebeu 23 milhões de propina da empreiteira, e, assim, decidiu sair do governo em situação mais amena, já que, por ser senador, mesmo saindo do governo manterá o foro privilegiado.
Faz sentido. Porém, tudo ainda é pura especulação, até o momento. Ainda vamos saber por que Serra saiu tão intempestivamente do cargo de “chanceler” (uma boquinha muita boa). Foi só por conta de um problema absolutamente contornável que, segundo o próprio tucano, estaria resolvido dali a quatro meses?
Hummmm…
Não se sabe se esse tucano tem mesmo problema na coluna vertebral, mas sabe-se que tem um outro problema de coluna, um problema de quinta-coluna, ou seja, de traição que começou a ficar visível lá em 2010, quando, em campanha eleitoral à Presidência, comprometeu-se com a petroleira Chevron a lhe fazer gordas concessões, caso fosse eleito.
serra 2O tempo passou e, por fim, Serra conseguiu entregar às petroleiras estrangeiras o que prometera, mesmo sem ter conseguido se eleger presidente.
Em fevereiro do ano passado, o Senado aprovou um projeto que mudaria drasticamente as regras de exploração do pré-sal. O texto legal extinguiu participação obrigatória da Petrobras em todos consórcios formados para aquelas reservas petrolíferas.
O projeto que entregou o pré-sal às petroleiras estrangeiras, obviamente, foi de autoria do senador José Serra (PSDB-SP).
“Esse projeto acaba com a política de controle nacional. A Petrobras deixar de ser a operadora única do pré-sal é um desastre. Nós estamos entregando a preço de banana, US$ 30 o preço do barril. Nós descobrimos o pré-sal e vamos entregar de bandeja?”, protestou, inutilmente, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
O mais incrível é que a proposta de Serra era muito pior para os interesses do que a que foi aprovada.
O texto inicial do senador tucano não previa a prioridade da Petrobras na escolha dos blocos de exploração do pré-sal. De acordo com a redação orginal formulada por Serra, a ANP determinaria as áreas a serem leiloadas e seria aberta uma licitação para que Petrobras e demais empresas disputassem o bloco a ser explorado.
Da maneira que estava, o texto desagradava até os parlamentares mais conservadores porque retirava o protagonismo da Petrobrás na exploração do pré-sal. Diante disso, para que houvesse um entendimento entre governo e senadores favoráveis ao projeto, ficou estabelecido que a Petrobras teria preferência nas áreas cuja exploração considerasse estratégica.
Menos mal, porém não graças a Serra. Ele queria entregar tudo, dedos e anéis. Seu problema não é de coluna vertebral, é de quinta-coluna, ou seja, um grande problema de Serra, entre tantos outros, é ser um traidor capaz de entregar a nação aos tubarões internacionais em troca, obviamente, de muito mais do que aplausos…

EXTERMINADOR DA PREVIDÊNCIA É CONSELHEIRO DA BRASILPREV

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lava Jato apoia indicado ao STF para barrar… Lava Jato!

Lava Jato

Em maio do ano passado, logo após o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff ter passado no Senado, com o consequente afastamento da então presidente da República, o agora ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, à época ministro da Justiça, deu uma entrevista que deveria fazer dele persona non grata no Ministério Público Federal.
Moraes dissera à Folha de São Paulo que defendia que, quando vencesse o mandato do então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o agora presidente Michel Temer não deveria obrigatoriamente nomear para a chefia da Procuradoria-Geral da República o mais votado em uma lista tríplice elaborada por integrantes da carreira, como fizeram todos os governos petistas.
Não nomear o indicado pelo MPF para chefiar a instituição foi uma invenção dos governos “republicanos” do PT, que decidiram dar essa demonstração de “destemor de investigações” deixando que um cargo cujo ocupante pode depor o presidente da República fosse ocupado por qualquer um, inclusive por inimigos políticos.
A ideia de Moraes era retornar ao passado fraudulento, quando o PSDB governava e mantinha a Procuradoria nas mãos de um aliado. Geraldo Brindeiro, primo do vice-presidente do governo Fernando Henrique Cardoso, foi procurador-geral da República durante os oito anos em que o tucano governou o Brasil e barrou TODAS as investigações contra o governo.
A conduta de Brindeiro era tão descarada que o jornalista Elio Gaspari (Folha de São Paulo e o Globo) o apelidou de “engavetador-geral da República”.
A Constituição não prevê a eleição interna na Procuradoria, mas a prática foi adotada nos governos do PT, que indicaram para procurador-geral sempre o primeiro da lista. A conduta era elogiada por membros do Ministério Público por em tese garantir maior autonomia ao órgão.
Moraes, agora ministro do STF, porém, disse à Folha naquela entrevista logo após assumir o Ministério da Justiça que “o poder do Ministério Público é grande, mas não pode ser absoluto”.
Na prática – e não existe um só membro do Ministério Público que irá discordar do que digo –, Moraes estava, com essa proposta, acabando com a possibilidade do Ministério Público de fiscalizar a Presidência da República. Postura como essa deveria colocar a instituição em peso contra si.
Não foi, porém, o que se viu após Moraes ser indicado para o STF.
Antes de prosseguir, vale lembrar o contexto em que o próximo ministro do STF Alexandre de Moraes chega ao cargo. Filiado ao PSDB, braço direito do governador Geraldo Alckmin e depois do presidente Michel Temer, Moraes chega ao Supremo sob suspeita de pretender usar o posto de relator da Lava Jato no STF para proteger aqueles aos quais serviu.
Surpreendentemente, porém, em sua Sabatina no Senado na última terça-feira (21), Moraes anunciou o que até já era de conhecimento de alguns, que estaria chegando ao STF com apoio dos coordenadores da Lava Jato no Ministério Público Federal (?!!).
Ouça a declaração de Moraes durante a sabatina no Senado
Não se sabe muito bem quem são “os dois coordenadores da Lava Jato” que Moraes cita, mas supõe-se que sejam os dois procuradores do MPF que mais falam publicamente, Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima.
Sobre Dallagnol, o mais curioso é que, no início de fevereiro, em entrevista à Folha, ele manifestava “preocupação” com Moraes, um teleguiado por Temer, investigado pela Lava Jato, tornar-se relator da Operação no Supremo.
Alguns dias depois, porém, em entrevista, Dallagnol mudou o discurso radicalmente e passou a defender a nomeação de Moraes. Ouça, abaixo.
Já o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista recentíssima ao Estadão, mostrou que sua posição e a de Dallagnol sobre Moraes havia sido afinada. Usou os mesmos termos do colega para apoiar a ida do militante tucano-peemedebista para o Supremo:
“(…) Em relação ao ministro Alexandre de Moraes, temos ele como um jurista capaz, ele veio nos visitar logo no começo da gestão (na pasta da Justiça) mostrando comprometimento. E durante o período no Ministério da Justiça não vi nenhum efetivo problema de intervenção na Lava Jato. Então tenho por ele o maior respeito (…)”, disse Santos Lima.
Ninguém tem dúvida de qual será o comportamento do novo ministro do Supremo. A proposta de Moraes de tirar do Ministério Público o poder que Lula e Dilma lhe deram de a instituição indicar quem a chefia e a proximidade do novo ministro do STF com investigados deveria fazer esses “coordenadores da Lava Jato” se preocuparem, sim.
As declarações dos tais “coordenadores” mostra o que todos sempre soubemos: a Lava Jato não passa de uma iniciativa político-partidária de grupos políticos que não conseguiam chegar ao poder por meio do voto e, assim, usaram o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça para perseguirem seus adversários políticos e tomarem o poder de assalto.
Simples assim.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sabatina de Alexandre de Moraes, farsa que esbofeteia o Brasil

moraes

Assista à sabatina de Alexandre de Moraes e leia a opinião do Blog sobre essa bofetada que Temer e o PSDB estão dando na cara do Brasil


Composta por 54 senadores (27 titulares e 27 suplentes), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal tem 10 senadores que respondem a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato e 17 deles foram citados por delatores.
Na verdade, dos 81 senadores, 24 são acusados ou suspeitos de alguma prática criminosa.
Uma das mais importantes comissões do Senado, a CCJ tem, entre suas atribuições, a tarefa de sabatinar indicados à Suprema Corte, caso do ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes.
Recentemente, a Operação Acrônimo, coordenada por Polícia Federal e Ministério Público Federal, apreendeu documentos que indicam o pagamento de pelo menos R$ 4 milhões de uma das empresas investigadas, a JHSF Participações, de São Paulo, para a firma de advocacia do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, entre 2010 e 2014.
Também recentemente, reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o livro de autoria de Moraes “Direitos Humanos Fundamentais” contém trechos idênticos aos de uma obra do jurista espanhol Francisco Rubio Llorente (1930-2016), Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales. O futuro ministro do STF enfrenta acusações de plágio.
Após sua indicação ao STF, Moraes submeteu-se a uma “sabatina informal” realizada por parlamentares a bordo da chalana Champagne, casa flutuante do senador Wilder Morais, do PP, em uma festança que teria sido regada a muito álcool e prostitutas.
Mais uma controvérsia que acompanha Moraes é ter sido advogado da Transcooper, uma cooperativa de vans investigada por ligações com a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Dos 24 ministro do governo Michel Temer, 7 já foram citados na Lava Jato. Chegaram a ser 15, mas acabaram sendo afastados. Porém, os que foram citados e permanecem no governo são os mais próximos, inclusos José Serra, Moreira Franco e Eliseu Padilha.
Moraes é tucano de carteirinha, filiado em vias de desfiliação para poder ser nomeado para o STF.
Os vínculos estreitíssimos de Moraes com o PSDB e com o governo Temer fazem dele praticamente um despachante desse grupo político dentro do STF, por sua postura partidária e serviçal em relação a políticos envolvidos até o pescoço em escândalos de corrupção.
Meio Senado Federal está envolvido de alguma maneira nas delações da Lava Jato, da Acrônimo ou de alguma outra investigação. Por conta disso, o indicado por Michel Temer para a vaga de Teori Zavascki deveria primar pela mais inquestionável independência em relação a quem o indicou e a partidos políticos.
Nesta terça-feira, o Brasil será transformado em um circo. Um espetáculo burlesco insultará cada cidadão decente que quer ver as instituições saneadas, mas que, ao contrário, verá, nesta data, um arremedo de processo legal para indicar um dos onze cidadãos que têm a última palavra na Justiça brasileira.
Não se esqueça de 21 de fevereiro de 2017, um dos muitos dias de nossa história em que o Brasil ficou menor.
Desta vez, apequenou-se após ser ridicularizado pelo Senado Federal e pelo presidente da República, que agora patrocinam encenação de uma farsa para fazer parecer que uma decisão já tomada para proteger corruptos tem algum aspecto respeitável.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Será que não tem Google na sede da IstoÉ?

istoE capa

Não param de surgir informações pouco abonadoras sobre a pessoa que convenceu a revista IstoÉ de que seria fonte suficientemente crível para um ataque “mortal” contra o líder de intenções de voto para presidente da República em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva.
Confira, abaixo, a acusação básica da revista ao ex-presidente.
“O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. ‘Levei uma mala de dólares para Lula’, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para pagamento de propina ao ex-presidente. Ele não soube precisar valores, mas contou que o dinheiro foi conduzido por ele no início de fevereiro de 2012 do hangar da Camargo Corrêa em São Carlos (SP) até a sede da Morro Vermelho Táxi Aéreo em Congonhas, também de propriedade da empreiteira. Segundo o relato, a mala foi entregue por Davincci nas mãos de um funcionário da Morro Vermelho, William Steinmeyer, o ‘Wilinha’, a quem coube efetuar o repasse ao petista. “O dinheiro estava dentro de um saco, na mala. Deixei o saco com o dinheiro, mas a mala está comigo até hoje”, disse. Dias depois, acrescentou ele à ISTOÉ, Lula foi ao local buscar a encomenda, acompanhado por um segurança. ‘Lula ficou de ajudar fechar um contrato com a Petrobras. Um negócio de R$ 100 milhões’, disse Davincci de Almeida. A atmosfera lúdica do desembarque de Lula na Morro Vermelho encorajou funcionários e até diretores da empresa a posarem para selfies com o ex-presidente. De acordo com Davincci, depois que o petista saiu com o pacote de dinheiro, os retratos foram pendurados nas paredes do hangar. As imagens, porém, foram retiradas do local preventivamente em setembro de 2015, quando a Operação Lava Jato já fechava o cerco sobre a empreiteira (…)”
O acusador diz que levou uma mala de dinheiro em uma empresa de táxi aéreo e que Lula foi lá buscar. Ocorre que eventuais passagens do ex-presidente por essa empresa de táxi aéreo nunca foram novidade . Eram frequentemente citadas na imprensa. O tal Davincci não trouxe novidade alguma à IstoÉ.
Falta de credibilidade parece ser o conjunto da vida desse indivíduo. Espalha-se como fogo sua trajetória de criações fantásticas. Tudo indica que se trata de alguém com problemas mentais. Chega a ser estarrecedor que a IstoÉ tenha usado tal fonte.
Confira, abaixo, as peripécias de Davincci Lourenço de Almeida, o homem que fez a IstoÉ pagar um mico de proporções épicas.
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Qualquer busca por aí resultará em muito mais fatos impressionantes sobre a fonte que deu a capa da IstoÉ desta semana. Será que não tem Google na sede da revista? Valeria dar uma busca no nome de suas fontes. Economizaria seu tempo e o nosso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A rejeição a Temer e a ficha que cai


(134) Rodolfo Buhrer / La Imagem

Tereza Cruvinel

Não é preciso ter bola de cristal para concluir que a queda na aprovação ao governo Temer para meros 10,3%, segundo a pesquisa MDA-CNT, carrega uma tendência de continuidade que vai se acentuar na medida em que o governo avançar com sua agenda e os brasileiros conhecerem mais o presidente que os governa por obra de um golpe.  Nesta 133ª. Pesquisa CNT-MDA, 26,5% consideraram o governo péssimo e 17,6% apenas ruim,  o que soma 44,1% de desaprovação.  Já atuação do próprio Temer foi reprovada por 62,4%.  
         A reprovação ao presidente e a seu governo é mais um indicador, embora não o único, de que o projeto do golpe está naufragando a olhos vistos, e de que a ficha está caindo para os que se iludiram com o impeachment de Dilma Rousseff.  A contrapartida é o crescimento de Lula, na mesma pesquisa, entre os candidatos a presidente em 2018.   Ele cresceu seis pontos após a penúltima rodada da série, em outubro, passando de 24,8 para 30,5% pontos percentuais. Já Aécio, Marina, Ciro Gomes e o próprio Temer encolheram.  Além de Lula, só Bolsonaro cresceu, capitalizando a frustração da direita extremada com os outros que se dispuseram a representá-la. Subiu de 6,5% para 11,3%.
         A agenda do governo, quanto mais conhecida e implementada, mais desgaste trará a Temer e aos partidos e candidatos que se uniram na coalizão golpista.  O melhor resultado obtido por Temer nesta série de pesquisas foi logo depois de sua posse como interino, quando ainda era um enigma para a maioria da população.  Naquele momento, substituindo a presidente afastada,   que o Congresso e a oposição haviam impedido de governar no segundo mandato para gestar a crise e minar-lhe a popularidade, ele  foi visto por com alguma esperança por uma parcela da população que se iludiu com as promessas de moralização e restauração das condições econômicas.   Em junho, um mês depois da posse provisória, ele alcançou  33,8% de aprovação,  índice que caiu em outubro para 31,7%, e agora para 24,4%. Já a rejeição, que era de 51,5% em outubro, agora subiu 62,4%. A mesma evolução pode ser observada na avaliação do governo.
         A decepção tende a ser continuada por razões elementares. Por mais que a mídia e setores do empresariado e do mercado financeiro se esforcem para enxergar sinais positivos na economia, para o povo a situação só piorou sob Temer.  Até o final do ano, o país terá cerca de 3,8 milhões de novos pobres, filhos da recessão.  Os pobres já não andam de avião e já cortam até o celular, informam as companhias do setor. Cerca de 200 mil pessoas saíram dos planos de saúde só em janeiro, diz a ANS. Ou perderam o plano corporativo ao perderem o emprego, ou não puderam mais pagar o plano individual. A pressão sobre a rede pública de saúde aumenta, assim como o êxodo das escolas privadas pressiona o sistema público de ensino. Os programas sociais sofreram cortes. Nos estados, calamidade financeira, crise de segurança e penitenciária.  Neste quadro, como enxergar dias melhores? Como celebrar o recuo da inflação, obra da recessão? Os juros caíram duas vezes recentemente mas a taxa real (Selic menos inflação) continua mais alta que no último mês do governo Dilma, e isso impacta negativamente o crédito.  O governo anuncia, como um feito,  que o FGTS financiará imóveis de até R$ 1,5 milhão. O que isso significa é a drenagem de recursos para as classes de maior renda, em detrimento dos que precisam é da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Temer libera resíduos de contas inativas do FGTS, que nem farão cócegas na recessão, mas o povo agora está descobrindo é que ele garfou o abono do PIS/Pasep, que não será pago este ano.  
         Temer não foi eleito, não há como falar em estelionato eleitoral. Mas o que vem sendo percebido pela população é o estelionato político do impeachment: não houve moralização nem o país entrou nos trilhos, como prometido. Pelo contrário, a Lava Jato agora esbarra nos esquema de corrupção do PMDB e PSDB e Temer não dissimula os esforços para proteger sua turma. O país segue descarrilhando e a vida ficou pior.
         O presente é péssimo mas a percepção de que o futuro será trágico virá quando a população começar a entender o completo sentido das reformas previdenciária e trabalhista que o governo quer aprovar a galope.    O pior da reforma previdenciária nem é a elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos, para homens e mulheres. A maior maldade está na elevação do tempo mínimo de contribuição, de 15 para 25 anos. Num país onde milhões só conseguiram um emprego de carteira assinada bem mais tarde, até mesmo na meia idade, e onde os autônomos e os trabalhadores informais só começaram a ingressar no sistema a partir da implantação, por Lula, do regime simplificado com contribuição de 11%, milhares de pessoas jamais se aposentarão se tiverem que provar pelo menos 25 anos de recolhimento ao INSS.  Na medida em que estas e outras maldades forem conhecidas, a percepção do estelionato vai se consolidar e a rejeição a Temer e a seus associados vai aumentar.
         Lula será o beneficiário natural do cair da ficha. Secundariamente, Bolsonaro. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Com Lula, economia brasileira teve melhor fase em 30 anos, diz FGV

era lula

Nesta semana, ficamos sabendo pelo jornal Valor Econômico que, com a possibilidade de Lula concorrer novamente à Presidência em 2018, a disputa poderá ter um componente inédito. Pesquisa qualitativa feita pela empresa Ideia Inteligência explica por que a população “não ideológica”, ou seja, a grande maioria dos brasileiros, quer votar em Lula na próxima eleição.
Ao explorar os argumentos e as justificativas de um grupo selecionado de eleitores que andam afastados do PT, mas declaram intenção de votar no petista, o levantamento identificou reiterados sinais de um sentimento de nostalgia em relação à sua gestão, de 2003 a 2010.
Esta página vinha dizendo há muito tempo que, passados alguns meses da experimentação de um governo de direita, seria rápida a volta da população para a esquerda.
Desde antes da derrubada de Dilma Rousseff pelo golpe parlamentar de 31 de agosto de 2016 que este Blog vinha dizendo que, a partir do momento em que o primeiro dissesse a frase “Bom mesmo era no tempo do Lula”, ninguém seguraria mais a boiada. Era uma previsão óbvia, por isso se concretizou.
Segundo o Valor, em dezembro, num levantamento quantitativo com 2.828 entrevistas e margem de erro de dois pontos, o Datafolha mostrou que Lula era o líder isolado em todos os cenários de primeiro turno. Apesar do noticiário francamente desfavorável em 2016, com a Lava-Jato em seu encalço, impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e derrota do PT nas eleições municipais, Lula não só vem crescendo nas pesquisas como diminuindo drasticamente sua rejeição.
Nesta quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017, Lula volta a crescer. Se nas pesquisas anteriores ele ainda perdia (de pouco) para Marina Silva em segundo turno (em primeiro, ganhava), agora, na 133ª Pesquisa CNT/MDA, realizada de 8 a 11 de fevereiro de 2017 e divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o ex-presidente vence em todo e qualquer cenário. E de lavada.
Seguem, abaixo, os resultados:
Eleição presidencial 2018
1º turno: Intenção de voto espontânea
Lula: 16,6%
Jair Bolsonaro: 6,5%
Aécio Neves: 2,2%
Marina Silva: 1,8%
Michel Temer: 1,1%
Dilma Rousseff: 0,9%
Geraldo Alckmin: 0,7%
Ciro Gomes: 0,4%
Outros: 2,0%
Branco/Nulo: 10,7%
Indecisos: 57,1%
1º turno: Intenção de voto estimulada
Lula: 30,5%,
Marina Silva: 11,8%
Jair Bolsonaro: 11,3%
Aécio Neves:10,1%
Ciro Gomes: 5,0%
Michel Temer: 3,7%
Branco/Nulo: 16,3%,
Indecisos: 11,3%
CENÁRIO 3:
Lula 32,8%,
Marina Silva 13,9%,
Aécio Neves 12,1%,
Jair Bolsonaro 12,0%,
Branco/Nulo 18,6%,
Indecisos 10,6%
2º turno: Intenção de voto estimulada
CENÁRIO 1: Lula 39,7%,
Aécio Neves 27,5%,
Branco/Nulo: 25,5%,
Indecisos: 7,3%
CENÁRIO 2:
Aécio Neves 34,1%,
Michel Temer 13,1%,
Branco/Nulo: 39,9%,
Indecisos: 12,9%
CENÁRIO 3:
Aécio Neves 28,6%,
Marina Silva, 28,3%,
Branco/Nulo: 31,9%,
Indecisos: 11,2%
CENÁRIO 4:
Lula 42,9%,
Michel Temer 19,0%,
Branco/Nulo: 29,3%,
Indecisos: 8,8%
CENÁRIO 5:
Marina Silva 34,4%,
Michel Temer 16,8%,
Branco/Nulo: 35,2%,
Indecisos: 13,6%
CENÁRIO 6:
Lula 38,9%,
Marina Silva 27,4%,
Branco/Nulo: 25,9%,
Indecisos: 7,8%
Por mais que os grupos de mídia, os partidos conservadores e os grupos políticos de direita se recusem a aceitar, há uma explicação muito plausível divulgada por estudo da Fundação Getúlio Vargas.
O período, segundo a FGV, foi a fase de maior expansão para a economia brasileira das últimas três décadas, conforme estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Na era Lula, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceram como jamais ocorrera nos 30 anos anteriores.
Por outro lado, o que representam os governos de direita se não redução de direitos, discurseira sobre “sacrifícios” da sociedade que só os mais pobres pagam.
Basta olhar o que acaba de fazer o prefeito de São Paulo, João Doria, ao reduzir pela metade (55%) a entrega de leite para crianças pobres na rede municipal de ensino para economizar 155 milhões em um orçamento de quase 50 bilhões.
era lula 1

Do lado do governo federal, só se fala em reduzir direitos trabalhistas, arrochar a previdência para que as pessoas só possam se aposentar às vésperas da morte, com 49 anos de contribuição, redução do SUS e outras tragédias.
E não vamos nos esquecer de que o Blog da Cidadania previu, em outubro do ano passado, que a partidarizada Operação Lava Jato pretendia prender Lula imediatamente porque, do contrário, passaria o momento de prendê-lo, já que, a partir deste ano, ele se fortaleceria muito porque começaria a deixar saudade ante a chuva de maldades tucano-peemedebistas que desabaria.
Bem, o momento passou. Ficou mais difícil prender Lula – e, logo, será impossível – e ele já caminha para se tornar unanimidade nacional. Porém, este blog oferece uma sugestão ao ex-presidente.
Em 2018, quando estiver com 60% de intenções de voto já no primeiro turno, que ele vá ao horário eleitoral e diga que se forem votar nele para presidente e não votarem também em um deputado e em um senador petista, é melhor que nem votem porque, se ele não tiver ampla maioria, não vão deixá-lo governar e, além disso, irão derrubá-lo.
Se Lula se eleger presidente em 2018 com ampla maioria no Congresso, finalmente este país entrará numa rota de crescimento com justiça social que irá perdurar por décadas. Mas vai dar um trabalhão reverter toda destruição do país que a direita está levando a cabo. Porém, antes tarde que nunca.

LULA PEDE QUE SUPREMO REPARE ERRO HISTÓRICO