Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Israel ameaça Palestina com medidas unilaterais


A indignação de Israel pelas críticas internacionais atingiu o seu ponto mais alto quando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que as negociações entre as duas partes permaneciam congeladas. Na semana passada, Israel informou aos 15 membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e aos maiores países da União Europeia que se a ANP persistir nos seus esforços para obter reconhecimento como Estado, responderia com medidas unilaterais. O artigo é de Mel Frykberg.

Nos últimos meses, vários países latino-americanos (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana e Uruguai) reconheceram oficialmente o Estado palestino. É provável que Paraguai e Peru sigam o mesmo caminho em breve, enquanto a Venezuela já o fez na década passada. Por outro lado, a Noruega passou a considerar “delegação diplomática” o escritório palestino em Oslo, antes chamado “delegação geral”.

Nos últimos quatro meses, várias outras nações amigas de Israel, como França, Espanha e Portugal, tomaram a mesma medida. Outras centenas de países, a maioria do Sul, reconheceram a “Palestina” depois do seu líder histórico, Yasser Arafat (1929-2004) ter declarado unilateralmente a sua independência em 1988. Outros Estados, a maioria do antigo Bloco do Leste, reconheceram o Estado palestino às vésperas dos acordos de paz de Oslo de 1993.

A onda diplomática originada na América Latina pode propagar-se pela África e Ásia. Um sinal disso foi notado quando a Universidade de Johannesburgo, na África do Sul, decidiu, na semana passada, cessar todo tipo de cooperação com a Universidade Bem Gurion e boicotar outras instituições acadêmicas israelenses. O antigo regime do apartheid (segregação racial institucionalizada pela minoria branca contra a maioria negra) na África do Sul costumava ser um dos aliados mais próximos de Israel.

A cooperação militar, política e econômica entre os dois governos era extremamente próxima. Israel ajudou a treinar as forças de segurança sul-africanas, famosas pela sua brutalidade, e ajudou o regime com seu programa de desenvolvimento nuclear, desarticulado com o fim do apartheid e a chegada do governo democrático, liderado por Nelson Mandela (1994-1999). Acredita-se que, por outro lado, que os sul-africanos forneceram urânio a Israel para seu próprio plano atômico.

A indignação de Israel pelas críticas internacionais atingiu o seu ponto mais alto quando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que as negociações entre as duas partes permaneciam congeladas. Na semana passada, Israel informou aos 15 membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e aos maiores países da UE que se a ANP persistir nos seus esforços para obter reconhecimento como Estado, responderia com medidas unilaterais.

Também na semana passada, a chancelaria israelense enviou um telegrama classificado a mais de 30 de suas embaixadas, ordenando que apresentassem protestos diplomáticos no mais alto nível possível em resposta aos esforços palestinos pelo reconhecimento internacional na próxima sessão da Assembleia Geral da ONU.

Em setembro passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na Assembleia Geral que desejava ver o Estado palestino convertido em membro da ONU em menos de um ano. Israel e ANP também disseram que as conversações começaram dia 2 de setembro em Washington e durariam, pelo menos um ano. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, anunciou que os esforços para criar instituições estatais estarão completos até setembro próximo.

Embora soe ameaçador, não se sabe exactamente o que o governo israelense tem em mente quando fala de “ações unilaterais”. É possível que anexe grandes blocos de assentamentos israelenses construídos ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Más notícias para Israel chegaram no dia 30 de março, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou esse país a deter a construção de colônias em territórios palestinos ocupados e toda a forma de violência e provocação.

Ao falar no Uruguai durante uma conferência internacional organizada pela ONU sobre apoio latino-americano e caribenho à paz no Oriente Médio, Ban afirmou que é um momento “crucial” para o processo de paz. “O tempo é essencial para concretizar a solução dos dois Estados. A ocupação que começou em 1967 é moral e politicamente insustentável, e deve acabar. Os palestinos têm um direito legítimo de estabelecer um Estado independente e viável por si mesmos”.

Mas Samir Awad, da Universidade de Birzeit, na Palestina, perto da cidade de Ramalah, na Cisjordânia, acredita que os israelenses estão mais preocupados em controlar o terreno do que com a opinião internacional. “Os israelenses, contrariamente às suas afirmações de que apoiam a criação de um Estado palestiniano, decidiram, ao menos extra-oficialmente, que isso não está entre os seus interesses”, disse Samir, à IPS. “Para consumo internacional e a fim de manter as aparências, continuarão com a farsa de apoiar a solução dos dois Estados”, acrescentou.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sob o silêncio desesperador da mídia e em meio à escuridão da noite.ISRAEL BOMBARDEIA GAZA SOB O SILÊNCIO DESESPERADOR DA MÍDIA


Enviado por luisnassif, seg, 14/02/2011 - 21:29
Por João V., de Portugal
Juan Santiago e Fernando Casares. Rompiendo Muros/Rebelión 11/02/2011.
            Sob o silêncio desesperador da mídia e em meio à escuridão da noite, exatamente à uma hora da manhã, Israel lançou 7 ataques contra a Faixa de Gaza. Duas bombas de caças F16 (de fabricação estadunidense) caíram na fábrica de suprimentos médicos Al-Querem, em Jabalya, norte de Gaza. O prédio está totalmente destruído, do mesmo modo que os suprimentos e as matérias-primas. A Faixa de Gaza já se encontra em estado crítico por falta de suprimentos médicos e este bombardeio significará que as mais básicas necessidades médicas continuarão sendo impossíveis de serem atendidas na Faixa de Gaza. O prédio era o terceiro em importância e armazenamento desses suprimentos.
            Os demais ataques foram contra edifícios em Khan Yunis, Zaytoon e na área de Rafah.
sp;           Nesses momentos em que o mundo observa com suma atenção os acontecimentos no Egito, as forças sionistas parecem aproveitar a situação para arremeter mais uma vez contra a população da Faixa de Gaza. Neste caso, atacando alvos-chave da necessidade da população, como são os medicamentos.
            Ao mesmo tempo, a rebelião popular no Egito mantém fechada a passagem de fronteira de Rafah desde o dia 30 de janeiro, porta de oxigênio de Gaza por cujos túneis entram todo tipo de matérias-primas e combustíveis. Quem costumava contrabandear combustível não está mais fazendo isso ou se uniram à rebelião popular. O contrabando diminuiu a seu nível mais baixo desde a época em que se intensificaram os enfrentamentos entre a população do norte da península do Sinai e as forças de segurança.
            “Gaza precisa de 800.000 litros de diesel, dos quais 200.000 são para a principal usina de energia, e 300.000 litros de gasolina todos os dias”, sublinhou Mahmoud Al-Shawa, presidente da junta de diretores da Autoridade de Recursos Naturais e Energia da Palestina. Agora só chega a metade. A maior parte dos combustíveis entra pelos túneis entre o Egito e a Faixa de Gaza, já que o que chega de Israel não só é pouco, como é caro demais para a maioria dos moradores da Faixa de Gaza.
            “Um litro de diesel egípcio custa 45 centavos de dólar, bem menos do que o 1,66 dólar que custa o de Israel”, sublinhou Al-Shawa.
            “Peço ao primeiro ministro Salam Fayyad, designado pela ANP, e a Abbas que eliminem os impostos para que a população possa comprar gasolina. Já faz quatro anos que Gaza suporta o bloqueio israelense e o povo não tem trabalho”, acrescentou. “Temos um problema grave. Peço ao mundo e aos Estados Unidos que lembrem de Gaza. Haverá um desastre se não fizermos nada”, alertou.
            Antes do dia 30 de janeiro, a passagem de Rafah estava aberta cinco dias por semana para os estrangeiros e palestinos que circulavam para receber cuidados médicos, visitar familiares e estudar. Por dia, saíam cerca de 400 moradores da Faixa de Gaza e voltavam uns 200. Agora o terminal está vazio, todos os funcionários e encarregados foram embora.
            De acordo com as declarações de Ken O’Keefe que mora na região, há pelo menos uma criança morta nos ataques do exército israelense a Gaza.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A América Latina e a questão palestina


A América Latina e a questão palestina

A participação na posse da presidente Dilma Rousseff permitiu ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, agradecer a presidentes sulamericanos e somar Costa Rica, Cuba, Nicarágua e Venezuela na relação dos países que reconheceram a Palestina. Os primeiros foram Brasil, Argentina, Bolívia e Equador. Depois, foi a vez do Uruguai. Abbas convidou outros países a seguirem esse exemplo. Junto com as expressões contrárias a esses reconhecimentos por parte do Departamento de Estado dos EUA, a chancelaria israelense procurou, sem sucesso, contrapor as gestões palestinas. O artigo é de Ignacio Klich.

Ignacio Klich – Revista Debate (Argentina)

A visita ao Brasil de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em sua luta por globalizar o reconhecimento do direito da Palestina por suas terras ocupadas por Israel desde a guerra de 1967, confirmou a importância que a América Latina dá a essa questão. Os reconhecimentos obtidos até aqui são vistos por Abbas como um incentivo à reabertura da estancada negociação com Israel, desde que o premier Benjamin Netanyahu concorde em suspender a construção de novas edificações nestas áreas.

A participação na posse da presidente Dilma Rousseff permitiu ao titular da ANP agradecer a presidentes e outros representantes sulamericanos em Brasília e somar Costa Rica, Cuba, Nicarágua e Venezuela na relação dos países que reconheceram a Palestina. Cronologicamente, os primeiros foram Brasil, Argentina, Bolívia e Equador. Depois, foi a vez do Uruguai. Abbas convidou outros países a seguirem esse exemplo.

Além disso, a visita serviu para colocar a pedra fundamental da futura embaixada da Palestina em Brasília. Embora o Itamaraty tenha permitido em 1975 que a diplomacia palestina enviasse um representante ao Brasil, ainda sob o governo militar, e tenha precedido a Argentina no reconhecimento, a missão palestina em Buenos Aires tem sede própria há tempos. Ela foi concedida quando a Argentina tinha um alinhamento funcional com Washington durante o governo de Carlos Menem, e foi acompanhada pela rua Palestina, cruzando a avenida Estado de Israel, um símbolo portenho da convivência palestino-israelense. A delegação internacional logo obteve o estatuto de embaixada

Em 1947, a maioria da representação latino-americana na Assembleia Geral das Nações Unidas apoiou a divisão da Palestina, que, sob mandato britânico, existia há um quarto de século. A ONU acreditava que com o surgimento de Israel e de um Estado palestino se superaria a violenta contradição entre as aspirações nacionais judias e as dos árabes. Somente Cuba foi contra a proposta. Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras e México se abstiveram. Dado o apoio que Israel foi recolhendo na região a partir desse momento – maior que o obtido em outras regiões em desenvolvimento do mundo – não é estranho, então, que sua diplomacia esteja incomodada com os recentes êxitos palestinos na região.

Em uma tentativa de minimizar essas conquistas, porta vozes oficiais e alguns comentaristas procuram desqualificar esses reconhecimentos, equiparados automaticamente com uma desqualificação de Israel.

Segundo uma nota publicada em um jornal israelense, os países latino-americanos que reconheceram recentemente a Palestina teriam feito isso porque “lutam contra a hegemonia estadunidense, sem interesse algum em Israel”. Essa caracterização exclui aqueles governos mais ou menos sensíveis aos interesses de Washington, entre eles os do Cone Sul, com repetidas expressões favoráveis a Israel.

Em 1947, o plano de partição contou, entre outros apoios, com o voto positivo do outrora representante uruguaio na ONU, Enrique Rodríguez Fabregat, posterior integrante do grupo fundador da Frente Ampla. Antes de sua morte, em 1976, o diplomata revisou sua posição. Apesar de que, em 1956, a associação israelense com a guerra das potências coloniais (Inglaterra e França) contra o Egito começou a desencantá-lo, Rodríguez Fabregat, sem abdicar de seu apoio à criação de Israel, concluiu que a divisão não havia levado em conta os palestinos como deveria.

Apesar dos custos que teve ao assumir o nacionalismo palestino para concretizar suas postergadas aspirações, e apesar das terras perdidas e dos novos refugiados que surgiram após as guerras árabe-israelenses, está longe ser casual que o mundo árabe tenha sido refratário à solução dos dois estados, aprovada pela Organização de Libertação da Palestina em 1988, e pela Liga Árabe em 2002.

Resta saber os resultados de tal aceitação; entre eles, a delimitação dos dois estados. A ONU havia outorgado a Israel 55% da Palestina, fração que Israel ampliou de fato nas guerras de 1948-49 e em 1967. Por ser mais antigo, maior teria sido o provável desencanto de um Rodríguez Fabregat progressista, dada a crescente virada à direita de Israel desde 1977, ano em que o direitista Likud desbancou os trabalhistas como favoritos do eleitorado para formar o governo. A mais recente expulsão de cidadãos palestinos de Israel e a caça às bruxas movida contra ativistas de direitos humanos também compõem esse cenário.

Por outro lado, esse desencanto talvez permita explicar a aceitação do presidente uruguaio José Mujica, em setembro de 2010, de um prêmio da Organização Sionista e do município de Jerusalém, cujo titular é um dos principais promotores oficiais israelenses da questionada atividade de construção de casas em territórios em disputa. E, dois meses mais tarde, seu vice chanceler anunciaria o reconhecimento uruguaio da Palestina.
Novos apoios

Antes de voltar a Ramallah, Abbas tinha a esperança de que, no curto prazo, Chile e Paraguai poderiam se integrar à lista de mais de cem países que já reconheceram a Palestina. A quase uma semana de seu encontro com o presidente Sebastián Piñera, o Chile formalizou esse reconhecimento, deixando para outra ocasião a manifestação sobre as fronteiras entre Israel e Palestina. Identificar os limites do Estado palestino como os do período que antecedeu a guerra de 1967 – com efeito, parte das linhas de armistício de 1949 – significa reconhecer que a primeira expansão israelense é irreversível.

Junto com as expressões contrárias a esses reconhecimentos por parte do Departamento de Estado em Washington, a chancelaria israelense procurou, sem sucesso, contrapor as gestões palestinas. Nada ilustra melhor tal ineficácia do que o par de conversações telefônicas mantidas por Netanyahu com Piñera antes do reconhecimento chileno. Fontes chilenas também vaticinaram que Peru e El Salvador reconhecerão a Palestina em breve.

A chancelaria israelense teme que esse reconhecimento seja fomentado em Lima, em fevereiro, durante a III Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), diálogo iniciado pelo Brasil em 2005, como parte de seu interesse em ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança ampliado das Nações Unidas.

A situação deixaria a Colômbia, cuja chanceler já manifestou sua resistência a fazer tal coisa sem um acordo de paz palestino-israelense, como o único membro da ASPA a persistir em sua negativa durante 2011, enquanto a diplomacia palestina gestiona apoios em El Salvador, Guatemala, Honduras e México.

Por seu turno, Abbas previu que ninguém poderá antecipar o resultado de uma larga paralisação das negociações de paz. Para um parceiro trabalhista de Netanyahu, o ministro da Indústria e Comércio, Benjamin Bem Eliezer, essa estagnação pode determinar que Washington reconheça a Palestina, mediante negociações que delimitem ambos Estados, definindo também a repartição de Jerusalém e o tema dos refugiados. Um documento da União Europeia recomendou em dezembro último tratar Jerusalém oriental como a capital palestina. Embora Bem Eliezer não tenha falado em datas, uma ocasião para Washington poderia ser setembro próximo, quando se completa um ano do início de negociações por um acordo de paz, suspensas pela decisão de israelense de seguir construindo em territórios ocupados. Com ou seu reeleição de Barack Obama, o reconhecimento estadunidense pode ser mais fácil de imaginar depois das próximas eleições presidenciais – em sua ante sala os apoios de Israel tentam maximizar sua influência –, acompanhados, logo em seguida, da retirada de suas tropas do Iraque e do Afeganistão.

(*) Ignacio Klich é historiador, organizador de “Árabes e judeus na América Latina”, Século XXI, Editora Iberoamericana, Buenos Aires, 2006.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Contra Câncer de Pulmão



Esses comunistas...
HAVANA, 10 janeiro 2011 (AFP) - Cuba registrou a primeira vacina terapêutica contra o câncer de pulmão, após testar sua eficácia em mais de mil pacientes sem que tenham ocorrido efeitos colaterais, informou esta segunda-feira uma autoridade científica.
"Foram mais de 15 anos de pesquisas", disse ao semanário 'Trabajadores' Gisela González, chefe do projeto desta vacina - denominada CIMAVAX-EFG -, cujo objetivo é transformar o câncer de pulmão avançado em uma doença crônica controlável.
O registro permite usar a vacina maciçamente no país, bem como nos mil pacientes aos quais foi administrada durante os testes, e "atualmente seu registro avança em outras nações", disse a especialista.
"Uma vez que o paciente termina o tratamento com radioterapia ou quimioterapia e é considerado um paciente terminal sem alternativa terapêutica, neste momento é aplicada a vacina, que ajuda a controlar o crescimento do tumor sem toxicidade associada, e pode ser usada como um tratamento crônico que aumenta a expectativa e a qualidade de vida do paciente", ressaltou.
A vacina "está baseada em uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico", acrescentou González.
"Igualmente se avalia a forma de empregar o princípio desta vacina em outros tumores sólidos (em próstata, útero e mama), que podem ser alvo deste tipo de terapia. Existem resultados importantes, mas é preciso esperar", concluiu.
Opinião dO Cachete:
Alguém sabe o nome do país com o maior índice de incidência de câncer do mundo???? Vai ser muito irônico exportar vacina anticâncer para lá, não vai? E isso com o embargo da ONU!!!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Reflexões sobre a defesa nacional: Defesa do mar territorial e zona econômica exclusiva

Autor: Vympel1274
Plano Brasil
8. Situação no atlântico sul.
Além da reativação da 4ª frota pelos Estados Unidos, outro país que vêm militarizando o atlântico sul é a Inglaterra, com um aumento do nível de militarização das Falklands (Malvinas, para os argentinos). Hoje em dia, existem cerca de 1.067 militares nas ilhas, que também abriga um esquadrão de caças Typhoon em condições de decolar em missão de interceptação / ataque em cinco minutos. O destróier Type 42 HMS “York” fica ancorado na base aeronaval de Mount Plesant, construída e ampliada desde o fim da guerra de 1982.
Destróier Type 42 HMS “York”
O Eurofighter Typhoon
Recentemente, a Inglaterra passou a explorar petróleo nas Falklands / Malvinas, independente dos protestos argentinos. As Malvinas ficam dentro do limite de 200 mn do mar territorial argentino, mas mesmo assim devido ao fato de seus recursos militares serem muito aquém do necessário, não podem fazer nada, a não ser protestar junto da OEA e da ONU contra a presença Inglesa, com os resultados que todos já conhecemos.
A Argentina não foi capaz de sobrepujar os ingleses dentro de seu próprio território, e hoje vive com um protetorado inglês dentro dos limites de seu mar territorial. Por que o mesmo não aconteceu com Hong-Kong, a qual a República Popular da China reclamava como sua? Somente a economia de Hong-Kong (PIB de USD 252,4 bilhões em 2005), é muito maior que a economia das ilhas Malvinas/Falklands (PIB de USD 75 milhões em 2005). A ilha de Hong-Kong foi entregue á China no ano de 2000. Por que a Inglaterra não manteve a ilha de Hong-Kong?
Ilha de Hong-Kong – PIB de 252.4 bilhões de dólares em 2005
Ilhas Falklands/Malvinas – PIB de 75 milhões de dólares em 2005
A Inglaterra deslocou-se cerca de 12.000 km até as Malvinas, lutou por 100 dias contra a argentina em seu próprio território e venceu. Se a Argentina tivesse forças armadas de envergadura e adequadas para a manutenção de sua soberania, os ingleses arriscariam tanto?
Fuzileiros navais ingleses nas Malvinas /Falklands, em 1982.
Por décadas, ambos os países discutiram sobre a soberania das ilhas. Por alguma razão, a Inglaterra nunca abriu mão de uma ilha com economia irrisória, alegando que o que pesava era a decisão dos Kelpers (ingleses habitantes das ilhas) de permanecerem sob a coroa britânica. Acredito que já se sabia do potencial econômico da área (inclusive o pré-sal brasileiro) há anos, mas somente com as reservas do mar do norte exploradas pela Inglaterra escasseando, é que foi iniciada a prospecção dos blocos petrolíferos nas ilhas Malvinas/Falklands.
Blocos petrolíferos encontrados no entorno das Falklands / Malvinas
A evocação do TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) por parte da Argentina (o qual foi simplesmente ignorado por parte dos Estados Unidos, que preferiu seu aliado de longa data, a Inglaterra, fornecendo inclusive armamento), demonstra que a simples assinatura de tratados não garantem a segurança de nenhum país, dependendo mais dos interesses momentâneos destes que proferem a “união entre os povos americanos”.
O princípio central do acordo era que “um ataque contra um dos membros será considerado como um ataque contra todos, com base na chamada “doutrina da defesa hemisférica”. Foi conveniente até o dia em que o comunismo foi vencido. Será que podemos confiar em alguém que simplesmente ignora tratados propostos por eles mesmos de acordo com suas necessidades imediatas?
9. A questão energética
“Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos”
(Henry Kissinger, 1994, ex-secretário de Estado americano).
A frase diz tudo. Explica muita coisa que acontece no mundo hoje em dia, como a guerra do Iraque, a permanência das tropas americanas no Afeganistão, a guerra das Falklands / Malvinas e as guerras que hoje acontecem na África.
Pressões e constrangimentos são realizados visando desacreditar os países detentores de recursos naturais perante a opinião pública mundial, viabilizando uma intervenção apoiada pela opinião pública mundial. Este trabalho fica mais fácil quando o referido país tem alguma posição ou atitude reprovável perante esta mesma opinião pública. O descaso institucional do Brasil com sua floresta tropical foi o principal alvo desse sistema de pressões e constrangimentos elaborados pelas grandes potências durante os anos 80 / 90.
Pode-se citar o Iraque de Saddam Hussein, o qual foi invadido pela coalizão liderada pelos Estados Unidos em busca de armas nucleares que nunca foram encontradas. O governo era extremamente impopular entre seus próprios cidadãos e também pela mídia mundial, com vários exemplos de atrocidades contra seu próprio povo e seus inimigos, o que só reforça o sistema de pressões e constrangimentos elaborado pelos países industrializados.
O detalhe é que poucas pessoas sabem que Saddam Hussein era praticamente um aliado da CIA durante sua guerra contra o Irã (esse sim, inimigo jurado que os chamavam de “grande satã”), inclusive fornecendo imagens de satélite das tropas iranianas perto da fronteira com o Iraque, o que favoreceu a vitória nessa região pelas forças iraquianas. Interessava aos Estados Unidos que o Irã ficasse enfraquecido militarmente numa guerra contra o Iraque, pois assim não teria condições de causar “problemas” no oriente médio.
Donald Rumsfeld apertando a mão de Saddam Hussein em 1983. Grandes amigos
10. Mecanismos de proteção internacionais
‘‘Quando necessário, quando não houver concordância da ONU com os EUA, faremos a intervenção, onde quer que seja, mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU’’.
(Bill Clinton, na época da declaração, presidente dos Estados Unidos)
A Organização das Nações Unidas
A partir do momento em que um país sobrepõe seus interesses acima dos órgãos internacionais voltados para tanto, é hora de cada um cuidar de sua própria segurança. Durante a invasão do Iraque, a ONU respondeu negativamente ao pedido dos Estados Unidos para a invasão, e o que todos presenciamos foi a humilhação de uma organização que deveria garantir a igualdade entre os povos. Por que o seu tribunal internacional de justiça não puniu exemplarmente os Estados Unidos por ignorar resolução por ela emitida, mas pune estados nacionais de menor monta? Se não pudermos confiar nossos direitos legítimos á organização mantenedora dos direitos dos países, com quem contaremos?
Prédio sede da ONU, localizado na cidade americana de Nova York
A Organização dos Estados Americanos
A OEA (Organização dos Estados Americanos), por várias vezes durante sua existência, mostrou-se conivente com os interesses de seu principal signatário, os Estados Unidos, como por exemplo a expulsão arbitrária de Cuba da organização, depois desta se definir como uma república socialista (em que pese o período político do mundo naqueles dias) e mais atualmente, esta organização acusou o Brasil por violação dos direitos humanos em relação á lei da anistia, na qual os crimes ocorridos durante o regime militar nunca foram levados á justiça.
“Segundo o secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (órgão criado pela OEA), Santiago Canton, o caso promete chegar a uma conclusão ainda em 2010. “Nós na Comissão de Direitos Humanos já demos nossa versão, apontando que a manutenção da Lei de Anistia vai contra o que acreditamos ser a direção legal que o continente deve tomar. Mas o governo brasileiro não cumpriu e por isso é que caberá agora à corte dar sua decisão”, explicou.
A missão da Comissão da OEA que irá visitar o Brasil para tratar da questão da anistia tratará também da situação das prisões. O caso do Espírito Santo e as condições reveladas há poucas semanas por organizações não-governamentais (ONGs) serão alvo de um debate entre a OEA e governos estaduais e federal.
Jornal O Estado de S. Paulo
Prédio sede da OEA, localizado na cidade americana de Washington DC
O que me ocorre é que todas as ações do governo militar foram tomadas com o suporte e concordância de Washington, inclusive com treinamento e formação política fornecida pela Escola das Américas, localizada no Panamá, isso sem contar as várias intervenções dos EUA nos países da região, como no caso do Brasil durante a operação Brother Sam , em apoio ao golpe militar no Brasil, e no Chile, com a deposição de Salvador Allende através do Plano Fulbet, levando ao poder um governo militar liderado por Augusto Pinochet, que de acordo com vários relatórios e investigações, cerca de 1.200 á 3.200 pessoas foram mortas, 80 mil foram internadas, e até 30 mil foram torturadas por seu regime, incluindo mulheres e crianças. Isso sem contar as barbáries cometidas em outros locais da América latina e central, pois não haveria espaço para tanto nesta matéria.
Instalações da Escola das Américas, situada no Panamá
São esses “defensores dos direitos humanos” que mesmo sabendo que a guerra do Iraque foi declarada sem o aval da ONU, e que o suposto motivo foi a posse de armas nucleares por este país, as quais nunca foram encontradas, quais pessoas foram responsabilizadas? Quantas famílias iraquianas foram mortas com o desencadeamento da doutrina chamada  “choque e pavor”?
Por falar em prisões, porque a Prisão de Guantánamo ficou tanto tempo em funcionamento, em território cubano, o qual os direitos dos prisioneiros políticos não valiam nada (por estarem fora dos EUA)? E quanto á Abu Graib, porque somente o escalão inferior foi sancionado com penas relativamente leves e ninguém do alto comando foi punido? Lembrem-se que, se um dia estes mesmos homens que tudo isso fizeram vierem até nós, podem fazer o mesmo conosco….
Imagens de Abu Graib (esquerda) e Guantánamo (direita), grandes exemplos de direitos humanos para a América latina e o mundo, de quem tanto nos exige e defende tais princípios.
Tudo que foi visto aqui tem a função de mostrar aos leitores que uma nação verdadeiramente independente tem que necessariamente reunir condições de trilhar seu próprio caminho, e este se faz sem a dependência ou crenças que a assinatura de tratados podem garantir nossa segurança. Os referidos tratados, principalmente quando impostos pelas grandes potências, demonstram interesses em áreas vitais por parte destas (TNP e MCTR). Muitas verdades estão esquecidas ou ocultas na história entre as nações, principalmente as que dominam a mídia mundial, que podem fazer que nações que procuram verdadeiramente seus direitos, sejam incluídas no chamado “eixo do mal” e ainda passar para a história como vilões.
9. Quais as opções para o Brasil?
Depois de todos estes fatos, limitando-se ao aspecto militar, podemos concluir que:
a) O Brasil deve procurar parcerias no setor de defesa, com países que têm necessidades semelhantes de material de defesa, procurando soluções “no estado da arte” para não ficar defasado tecnologicamente, inclusive repotencializando equipamentos  já existentes;
b) As parcerias devem ser feitas com países que sejam neutros politicamente (para não sofrer “bloqueios tecnológicos”), de preferência no seio dos BRIC;
c) É interessante adquirir / desenvolver sistemas de armamentos que tenham seus projetos originalmente voltados para o enfrentamento dos sistemas de combate utilizados pelos nossos possíveis futuros adversários;
d) Desenvolvimento de armamentos de concepção inéditas ou baseados em equipamentos já existentes, mas de eficácia comprovada;
e) Fomento industrial e desenvolvimento tecnológico, visando que a produção e desenvolvimento de sistemas de armamentos futuros sejam realizados no país.
f) Desenvolvimento na área espacial com fins militares, não somente na área de comunicações, mas sim na vigilância marítima, terrestre e aérea, além da análise de emissões eletromagnéticas, análise de imagens e fotografias por radar.
g) Desenvolvimento de equipamentos de guerra eletrônica e de sistemas C4ISR para gerenciamento de dados, para utilizá-los inicialmente em proveito de uma aviação naval baseada em terra e de uma força de submarinos, contra uma força naval agressora baseada em porta-aviões.
Por que os BRIC?
Os países que compõem o BRIC serão possivelmente os futuros contrapesos tanto da economia quanto da política mundial. São países com quem os Estados Unidos não têm controle tanto político quanto econômico (sem dizer militar), e que competirão com eles no futuro. A melhor opção em compra / desenvolvimento de sistemas de armas seria a Rússia, como mostra o rápido desenvolvimento militar da Índia e China, com base na tecnologia russa.
Presidentes do países conhecidos como BRIC. Da esquerda para a direita, o Premiê da Índia, Manmohan Singh; o Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev; o Presidente da China, Hu Jintao; e o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Por que a Rússia?
Com a sua economia se recuperando, sua indústria bélica é de longe, a mais amadurecida dos países do BRIC, além disso, sua exportação quase irrestrita de armamento e tecnologia (o que não acontece com os Estados Unidos, pois devido á seus interesses globais, não seria inteligente fornecer armamento moderno para quem um dia eles possam entrar em conflito) atinge dois objetivos: o econômico, gerando receitas para a continuidade da pesquisa / desenvolvimento de novas tecnologias e divisas para o país, e o político, no sentido de equilibrar a balança do poder mundial, gerando dificuldade para os Estados Unidos imporem sua vontade política e militar no mundo, equipando países com quem os EUA concorrem com diferenças políticas e militares, multiplicando assim os desafios dos EUA, promovendo uma “diluição” de seu poder de combate global. Os sistemas de armas russos, apesar da tentativa do governo americano de mostrá-los como inferiores, já provaram em diversas ocasiões que, na maioria das vezes são tão bons ou até mesmo superiores que seus equivalentes ocidentais. Além disso tudo, entendendo que as maiores ameaças á nossa soberania vem do eixo EUA / OTAN, a Rússia é o país que nas últimas décadas mais desenvolveu sistemas voltados para destruir / neutralizar os sistemas de armas ocidentais, ou seja, os que possivelmente podem no futuro nos ameaçar.
Sistema de defesa antiaérea S-400 ”Triumph”, de fabricação Russa. Considerado o melhor sistema do seu tipo em uso no mundo.