Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Escolha da nova equipe econômica visou destravar investimentos



  FHC volta a flertar com o golpismo e sugere a 'judicialização das decisões' diante do que chama de 'quase ilegitimidade' de Dilma; tucano que comprou a emenda da reeleição divide o país entre 'o Brasil dinâmico' que votou em Aécio' e o 'dependente', que apoiou Dilma.
 
 Dilma define Joaquim Levy no comando na economia e promete maior diálogo com movimentos sociais.

 A teimosia do Brasil aos cacos: vendas dos supermercados sobem 2% até outubro

 Recuperação sem poder aquisitivo: consumidor dos EUA aumenta em apenas 0,2% seu gasto em outubro; demanda fraca espalha anemia nas encomendas de máquinas industriais; setor rasteja em outubro pelo 2º mês seguido.
 
 Alemanha estabelece déficit fiscal zero e lava as mãos para o futuro de uma Europa assombrada pelo espectro da deflação recessiva.

Site Carta Maior



levy
 Blog Cidadania.

A escolha da presidente Dilma Rousseff para o principal cargo da equipe econômica, o de ministro da Fazenda, gerou aflição em muita gente. O Blog tem recebido mensagens via e-mail e comentários privados nesta página e nas redes sociais. Leitores perguntam se devem temer por seus empregos diante do que vem sendo pintado como a adoção pela presidente do programa econômico que ela dizia, durante a campanha eleitoral, que provocaria desemprego no país: o programa econômico de Aécio Neves.

Para começar a explicar, vale propor uma reflexão: por que a presidente faria tal maldade com o povo brasileiro? Estaria finalmente revelando uma perversidade latente que ocultou ao longo dos quase quatro anos de seu primeiro mandato ou é apenas covardia imotivada?

A revolta com a escolha do engenheiro naval Joaquim Levy para comandar a principal pasta econômica do governo federal levou muitos dos que votaram em Dilma há um mês a, agora, dizerem-se arrependidos da escolha. Um dos mais decepcionados chegou a sugerir que, diante da escolha deste ou daquele nome para o novo ministério da presidente, nada haveria a estranhar se ela colocasse o assustador deputado fluminense Jair Bolsonaro na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o que dá uma ideia do climão que se instalou entre os setores progressistas da opinião pública ante a escolha de Levy.

A materialização da escolha maldita no penúltimo dia útil da semana torna inoportunas maiores considerações sobre o que esta página vem julgando um exagero e um equívoco. Passemos, assim, às questões práticas.

A nova equipe econômica não fará algo que a anterior não faria, apesar de o agora ex-ministro da Fazenda Guido Mantega dificilmente poder ser considerado um bicho-papão como Levy. Diante disso, este Blog dará sua opinião sobre o que aconteceu na economia brasileira durante o primeiro mandato de Dilma e o que acha que deverá acontecer daqui para frente. E, ainda, irá explicar a razão da escolha de Levy e de outros ministros polêmicos do segundo mandato.

Entre 2008 e 2013, o mundo passou pela maior crise econômica da história recente da humanidade. Foi considerada mais grave do que a que quebrou a bolsa de valores americana em 1929. Sessenta milhões de empregos foram extintos em todo o planeta. Países como os Estados Unidos, o mais rico do mundo e o terceiro em qualidade de vida (segundo o IDH 2013), viram surgir favelas em seus territórios.

No Brasil, poderia ter sido feita uma política econômica que contivesse a inflação no centro da meta de 2014 (4,5%). Essa política, apesar de recessiva, segundo os economistas de linha liberal teria resultado em maior crescimento. Os investimentos do Estado em programas gigantescos de obras, a renúncia fiscal para incontáveis setores da economia, os aportes em bancos públicos para conter os juros ao consumidor e propiciar financiamento farto e crescente a esse consumidor, porém, geraram inflação mais alta.

As políticas anticíclicas (ou antirrecessivas) do governo Dilma fizeram a inflação bater no teto da meta, mas, em contrapartida, impediram o desemprego e o arrocho salarial. Com isso, o brasileiro, apesar de pagar mais caro a compra do mês no supermercado, teve dinheiro para fazê-la – e quanto mais baixa a classe social, menos os hábitos de consumo ora gastadores foram afetados pela crise devido aos salários virem subindo acima da inflação.

Houve, porém, um preço a pagar por essa proteção que Dilma deu ao emprego e ao salário: além da inflação um pouco mais alta (2 pontos percentuais a mais do que o centro da meta), houve certo desarranjo nas contas públicas. Por exemplo, o país reduziu drasticamente o superávit primário, economia que o governo faz para pagar suas dívidas.

O superávit primário, porém, é uma tara neoliberal. Sobretudo em um país que tem quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais e, portanto, mesmo sem economizar um centavo via superávit primário por certo tem como pagar suas dívidas. Porém, esse superávit demonstra a disposição do governo de não confrontar o investidor.

Por isso, apesar de tudo o que se falou de Levy ele deu uma declaração na edição do Jornal Nacional da data em que foi anunciado como novo ministro da Fazenda que contraria tudo o que disse a oposição durante a recente campanha eleitoral e que indica que o bicho-papão neoliberal, visto como uma espécie de genérico de Armínio Fraga, talvez venha a se mostrar muito menos malvado do que parece – ao menos por ter que se reportar a uma Dilma Rousseff.

Para ver um Levy menos carrasco do que o previsto, leia, abaixo, trecho de matéria do JN de quinta-feira 27 sobre a nova equipe econômica.

“(…)Os ministros indicados para a Fazenda e para o Planejamento anunciaram o compromisso de fazer um ajuste nas contas do governo nos próximos três anos. Descartaram a adoção de um pacote econômico e medidas drásticas para acertar as contas do país. Segundo Joaquim Levy, os ajustes serão graduais, porque o Brasil não vive uma crise (…)”

Epa! Como assim? Se Levy implementará o modelo de gestão que o ministro da Fazenda que Aécio Neves disse que nomearia, caso fosse eleito, prometeu adotar, então deveria ter, como Armínio Fraga, dito que o Brasil vive uma grave crise que requer justamente ao contrário, ou seja, “medidas drásticas para acertar as contas do país”.

Não foi o que ele disse. Ele e os outros membros da equipe econômica. Ah, ele está fazendo média com Dilma? Bem, se está fazendo média ou não, tanto faz. Sua declaração não é a que daria Fraga ou o possível ministro da Fazenda de Marina Silva, Eduardo Gianetti. Sem uma declaração catastrofista não se pode dizer que a nova política econômica será draconiana como a que prometiam o PSDB e o PSB durante a última campanha eleitoral.

Além disso – agora no campo dos fatos efetivos e não do que eles parecem ser –, a proposta da nova equipe econômica para o maldito superávit primário está longe de ser “draconiana”. Outro trecho do Jornal Nacional revela que o ajuste será mesmo gradual, de forma a não gerar desemprego e arrocho salarial.

Ele [Levy] anunciou que o governo pretende fazer, em 2015, um superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 1,2% do PIB –  que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país num determinado período. Esse número é menor do que a previsão feita pelo governo em agosto, de 2%, mas é maior que a economia esperada para 2014. Para 2016 e 2017, a meta é de um superávit primário 2% do PIB

Para quem não sabe, no tempo de FHC/Armínio Fraga (2002) o Brasil chegou a fazer superávit primário de 4,06% do PIB, o que fez o desemprego explodir para cerca de 12% no país. E, em 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula, o superávit primário teve a maior meta da história, de 4,25%.

Detalhe: quem fez aquele superávit primário do primeiro ano de Lula foi Antonio Palocci, do PT.
Porém, como o mundo vai saindo da crise – sobretudo porque os EUA estão saindo, após mais de 5 anos de uma quase depressão econômica –, agora é hora de se preocupar com a higidez das contas públicas.
Tivemos recursos para bancar a preservação do povo brasileiro dos horrores da crise internacional. Foi como se tivéssemos uma gorda poupança da qual retiramos uma pequena parcela para atravessar um período difícil e, agora que a situação começa a melhorar, trataremos de repor o que usamos daquela reserva.

Por conta da boa situação de caixa do país, pode-se adotar, paulatinamente, uma fórmula que, mais do que as contas públicas, terá o condão de melhorar um componente da economia que, devido à política, contribuiu para manter o país estagnado durante o período em que o governo Dilma foi mais “heterodoxo”, por assim dizer: a taxa de investimento privado, que foi brecada por aquelas injunções políticas e pelo temor dos investidores que se estabeleceu.

Aliás, convenhamos, muito empresário segurou investimentos visando criar uma situação-limite para a política econômica, em uma espécie de chantagem política do capital contra o Estado.

Não adiantaria Mantega tocar a mesma política econômica dura que tocou Palocci durante o primeiro governo Lula porque antecessor de Levy perdeu a confiança do mercado ao cumprir a determinação de Dilma Rousseff de afrouxar o garrote das finanças públicas de modo a que o país não mergulhasse no desemprego e no arrocho salarial. Assim, Levy e outros ministros conservadores pretendem, agora que a direita midiática perdeu a eleição, fazer com que os empresários parem de pirraça e voltem a investir, o que é vital para o país.

É simples assim, leitor. Por conta disso, a opinião deste Blog é a de que você não precisa se preocupar com seu emprego. Mas é claro que aqui tampouco se recomenda que continue comprando o último modelo de carro ou de celular, viajando toda hora de férias com a família etc. É hora de poupar para ajudar o país a atravessar um par de anos menos duros do que foram os primeiros anos do primeiro governo Lula, mas, ainda assim, mais duros, do ponto de vista fiscal e monetário, do que entre 2006 e 2014.
PS: a nova equipe econômica também irá produzir um outro efeito benfazejo. Qual seja, o de reduzir o custo-benefício do golpe “paraguaio” que vem sendo articulado pela direita midiática praticamente à luz do dia.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

É injusto acusar Dilma de “estelionato eleitoral” por nomear Levy

JN domésticas 1

A crescente possibilidade de a presidente Dilma Rousseff nomear Joaquim Levy como ministro da Fazenda gerou especulações sobre seu segundo governo que desafiam os fatos. Eis no que consiste o estardalhaço em torno dessa ainda hipotética, mas provável nomeação.
Ao longo de 3 anos, 10 meses e 25 dias, o governo Dilma foi acusado de tudo, menos de ortodoxia econômica. Muito pelo contrário: a administração da economia vem sendo acusada pela direita midiática de ser “bolivariana”, no mínimo.
Ainda que a crise econômica internacional venha a impor ajustes macro e microeconômicos menos desenvolvimentistas, cobrar que o governo Dilma não faça o que fariam Aécio Neves ou Marina Silva é, no mínimo, uma impropriedade.
Em primeiro lugar, ninguém ousará dizer que Dilma ou Levy darão “independência” ao Banco Central – o que, no frigir dos ovos, tratar-se-ia não de independência, mas de dependência do sistema financeiro, que passaria a mandar na economia.
Como acusar Dilma de pretender descumprir o programa econômico de governo que venceu a eleição presidencial se não se vislumbra tal possibilidade? Com base na provável indicação de Levy? É muito pouco.
O programa econômico de governo que Dilma apresentou ao longo da recém-terminada campanha eleitoral pregou, basicamente, ajustes na economia, sim. Ela disse com todas as letras, em vários debates, que faria os ajustes que se impõem, mas que, à diferença de Aécio ou Marina, faria paulatinamente, de forma a não gerar sacrifícios insuportáveis.
Dilma mandará seu ministro da Fazenda implantar ajustes monetário (juros) e fiscal (impostos) e cortes no orçamento, entre outros. Só que de uma forma menos dolorosa. E ela disse que faria isso durante a campanha. Está gravado em vários debates.
Só para refrescar algumas memórias: enquanto Armínio Fraga, durante a campanha, pregava “redução do papel dos bancos públicos na economia”, inclusive dizendo que não sabia se iria “sobrar muito” desses bancos, Dilma dizia que, em seu segundo mandato, as instituições continuariam tendo um papel importante.
Esses são apenas alguns pontos de tudo que Dilma prometeu durante a recente campanha eleitoral e que será lembrado aqui ao longo do tempo, inclusive para cobrar promessas.
Contudo, achar que Dilma acabará com o papel que os bancos públicos têm tido ou que promoverá um choque monetário ou fiscal do tamanho e com a velocidade com que Aécio ou Marina implantariam só porque seu novo ministro é de linha mais ortodoxa, vai uma longa distância.
O governo explica a quem quiser ouvir – e este Blog sugere que os críticos à esquerda busquem tal informação junto ao governo – que o papel de Levy será o de implantar as medidas necessárias de austeridade, mas que quem decidirá em que ritmo elas ocorrerão será Dilma.
E, mais uma vez, vale repetir que Dilma disse claramente, durante a campanha, que medidas de ajuste viriam, porém em ritmo e intensidade muito diferentes do que fariam seus adversários.
A proposta de Marina e Aécio era a de dar uma paulada na inflação e no ritmo da economia enquanto ambos criticavam o baixo crescimento dos últimos anos. Qualquer um deles no poder, porém, subiria fortemente os juros, provocando uma recessão profunda, e atribuiria o desastre ao governo anterior, com apoio da mídia.
A filosofia dessa gente é a de Maquiavel, de fazer a maldade toda de uma vez e as bondades em doses homeopáticas. Vimos isso ao longo dos dois governos Fernando Henrique Cardoso. A proposta de Dilma, porém, é muito diferente.
O governo fará as “maldades” em suportáveis doses homeopáticas, evitando forte aumento do desemprego e arrocho salarial, enquanto que as “bondades” serão feitas o quanto antes, mas dentro do possível.
Adeus, Maquiavel.
Dessa forma, evitar-se-á que milhões de empregos sejam perdidos, que os salários se tornem iníquos, que a economia sofra o tal “freio de arrumação” que integra as taras de dez entre dez neoliberais.
Onde está, portanto, o “estelionato eleitoral” sugerido por campanhas que pedem que Dilma cumpra o programa de governo com o qual venceu a eleição? Na nomeação de Levy? Bobagem.
Segundo o governo, Levy será o homem certo para apontar áreas vitais para corte, o que não quer dizer que tudo que detectar e apontar será encampado por quem decide: Dilma Rousseff. Ela determinará a velocidade e a intensidade dos ajustes. Levy dirá quais são.
As campanhas contrárias à indicação do dito “discípulo de Armínio Fraga” – carimbo que carece de materialidade – para a Fazenda são bem-intencionadas, mas carecem de memória sobre o que foi que Dilma prometeu durante a campanha eleitoral.
Para demonstrar como são injustas as acusações a Dilma, este Blog reproduz, abaixo, reportagem do Jornal Nacional sobre a nova libertação de escravos durante o governo dela.  Quem promove tal feito não pode ser acusado dessa forma.

JN domésticas

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Comunicações é mais importante que a Fazenda Mas, não tem que ser ministro da Globo ?

A partir de p itaco do amigo navegante Iskra (via Gerador de Memes)

Liga o Vasco, na sala de embarque do Aeroporto de Claudio, à espera da chave do Titio.

- Ansioso blogueiro, quem vai ser o Ministro da Fazenda?

- Não tem a menor importância, Vasco.

- O que é isso ? A eleição te tirou o senso.

- Não me tirou o senso de nada, Vasco.

- Então, como é que você me diz que o Ministro da Fazenda não tem a menor importância?

- Vasco, me diz uma coisa: como é o nome do Ministro da Fazenda dos Estados Unidos?

- Bem, é verdade, lá chamam até de Secretário.

- Você sabia que o porta-voz do Obama é mais importante que o Secretário do Tesouro?

- É mesmo, ansioso blogueiro?

- É, Vasco.

- Então, põe qualquer um lá?

- Não, tem que botar um bom contador, aplicado, que saiba as quatro operações …

- Basta isso?

- E um pouquinho mais. Aqui no Brasil é que tem essa obsessão por Economia, Fazenda… Uma doença tropical …

- Mas, não precisa acalmar os mercados?

- Vasco, a Dilma não vai acalmar os mercados nunca, porque o PT não faz omelete com o mercado, nem o mercado faz omelete com o PT. São escolas gastronômicas muito diferentes, Vasco …

- Entendi. Feijão e arroz.

- Não, Vasco. Feijão e arroz se misturam. É água e azeite, Vasco.

- Mas, e aí, ela vai peitar o mercado?

- De jeito nenhum ! Tem que botar lá um contador que o mercado reconheça como um contador competente, que não vai hostilizar o mercado.

- Mas contador não formula política, ansioso blogueiro…

- E quem disse que Ministro da Fazenda formula política, Vasco? Quem formula política é o Presidente da República, eleito pela maioria do povo. Ministro da Fazenda administra a caixa.

- Ansioso, você está simplificando. O Brasil não cresce, a inflação bate no teto, a indústria capenga …

- E o desemprego desaba, Vasco. De novo, é uma questão política: desempregar ou explodir os juros, Vasco? Política, meu caro Watson …

- Tá, e daí ? Que contador que você prefere?

- Qualquer um, Vasco. Tem uma dúzia. Que faça as contas direitinho, que o mercado engula – ou finja que engole – e fale pouco, muito pouco.

- Por que ansioso?

- Porque Ministro da Fazenda que fala muito engole mosca.

- Tá. E o que é mais importante que o Ministro da Fazenda?

- O Ministro das Comunicações.

- Por que … das Comunicações? Mas, ninguém fala nisso.

- Exatamente por isso, Vasco. Porque ninguém quer ser o Ministro das Comunicações…

- Então, por que não deixa o Bernardão?

- Seria melhor nomear o Schroeder, Vasco.

- Quem? Chi … o que?

- Deixa pra lá, Vasco.

- Então, o Mercadante vai querer, se é tão importante assim …

- Vasco, eu acho que você ainda não captou o espírito da coisa …

- Mas, por que essa preocupação toda com o Ministro das Comunicações? Ele não tem que ser sempre da Globo?

- Sempre foi assim.

- E vai mudar agora?

- Se não mudar … esquece!

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim (ou ansioso blogueiro)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Miriam Leitão é ignorante ou máu-caráter?


Nassif não fala por questões profissionais, mas esses "erros" da srta. PIG são inaceitáveis em qualquer pessoa alfabetizada. Ninguém precisa estudar economia para entender conceitos tão básicos.

Se a srta. PIG não entende isso é completamente analfabeta, se entende é extremamente desonesta. Não há outras alternativas.

Os erros no diagnóstico da economia
Coluna Econômica

Ouvi ontem, na rádio CBN, considerações de minha colega Miriam Leitão sobre déficit público. São análises algo equivocadas, que acabam por confundir a opinião pública.

1º Tema – há uma discussão sobre dívida bruta e divida líquida. A Fazenda trabalha com o conceito de dívida líquida, descontando da dívida bruta o valor das reservas cambiais e de outros ativos líquidos. Miriam diz que é bobagem porque as reservas podem se evaporar na primeira crise cambial. Ora, evaporando-se, a dívida líquida ficará menor.

Entenda o raciocínio.

Momento 1 - O Banco Central adquire, digamos, US$ 100 milhões a uma taxa de R$ 1,70. Para tanto, vende R$ 170 milhões em títulos no mercado. Ficará com US$ 100 milhões a mais nas reservas e R$ 170 milhões a mais na dívida bruta.

Momento 2 – há uma fuga de recursos e o dólar vai a, digamos, R$ 2,00. O BC pega os US$ 100 milhões e vende no mercado. Apura R$ 200 milhões, resgata os R$ 170 milhões de títulos vendidos e tem um lucro de R$ 30 milhões com a operação – que abaterá da dívida bruta.

Momento 3 - Mais ainda. Supondo que as reservas foram adquiridas a um custo médio de R$ 1,75 por dólar, se o dólar chegar a R$ 2,00, o BC terá um lucro fiscal correspondente ao total das reservas (US$ 250 bi) vezes a diferença de R$ 0,25 por dólar. Ou R$ 62,5 bi.

***

2º Tema – diz a Miriam: a Fazenda fala que a dívida pública caiu, mas é falso. A dívida continua aumentando. O que ocorreu foi uma redução da relação dívida pública/PIB porque o PIB cresceu.
Vamos entender melhor.

Imagine que você tenha uma empresa que fature R$ 1 milhão por mês, um lucro de 10% sobre o faturamento (R$ 100 mil mensais) e uma dívida de R$ 2,5 milhões. A dívida corresponderá a 25 meses de lucro. Aí a empresa investe, dobra o faturamento para R$ 3 milhões mensais, o lucro para R$ 300 mil mensais e a dívida para R$ 3 milhões. A dívida aumentou. Só que serão necessários apenas 10 meses de lucro para cobrir a dívida.

Em termos de crédito, a situação da empresa piorou ou melhorou? É óbvio que melhorou.

Com países se dá a mesma coisa: o que interessa, na avaliação do endividamento, é a proporção sobre o PIB (o conjunto de riquezas geradas pelo país). Se a dívida aumenta em termos nominais, mas cai em termos percentuais, eu, você, o FMI e o banco Mundial considerarão que a situação do país melhorou.

***

Por trás dessa discussão, há questões mais profundas, relacionadas à própria condução da política econômica.

Quando se aposta no crescimento, há recuperação do mercado de trabalho, melhorando a arrecadação da Previdência; há aumento na receita tributária, sem necessidade de aumentar as alíquotas; abre-se inclusive espaço para reduções de tributação. É como o exemplo da empresa que aumenta seu faturamento.

***

De uma maneira geral, com exceção dos últimos dois anos, o jogo da política econômica tem sido o inverso. Problemas fiscais são utilizados como álibi para juros altos e crescimento baixo.
 Esquerdopata


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