Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Por que Aecínico suava tanto? O que perdeu a eleição também se achava o Machão do pedaço; no caso, da Califórnia…


Debate Recorde: Aécio saiu menor do que entrou; Dilma, com elevado domínio dos temas, foi implacável na pontuação de diferenças e comparação de resultados;um ponto alto foi a defesa da Petrobrás, quando acusou claramente a prática tucana de desmerecer, denegrir e desvalorizar estatais para depois privatizar; vocês venderam ações da Petrobrás a preço de banana.


Debate Recorde: Dilma levou Aécio às cordas várias vezes,nas comparações entre governos do PSDB e PT; vocês fizeram 11 escolas técnicas; nós, 422

Debate Recorde : Dilma emparedou Aécio no caso do baixo investimento na área da saúde em Minas; ao ler a denúncia de um desembargador do estado, acusou o tucano de computar vacina em cavalo como investimento em saúde.



Kennedy sorria e o Aecínico, também chamado de Nixon, suava em bicas



Quem assistiu ao debate na Record percebeu alguns traços no rosto do Aecínico.

Apertava os olhos a tal ponto que parecia ser míope.

Os lábios também se cerravam com força.

E ele suava.

Tinha a barba espessa, fechada, escura, e o suor reforçava a impressão de estar cansado, tenso e com medo.

A barba, a expressão fechada e o suor o transformaram em Richard Nixon – que ele provavelmente não sabe quem foi.

Richard Nixon foi vice de Eisenhower e concorreu à eleição de 1961 contra um jovem milionário, bonitão, John Kennedy.

Nixon fez a carreira como anti-comunista feroz e inescrupuloso – tinha o apelido de “Tricky Dicky” (“Dick”é o apelido de Richard) – Ricardinho Pilantra.

Seria um nosso Aecínico, que desviou verba da Saúde e da Educação, que não usou o bafômetro e deu a chave do aeroporto ao titio ?

O nosso Tricky Aécio faz carreira no anti-comunismo, contra o Porto de Mariel e ameaça invadir a Bolívia para erradicar a cocaína que os coxinhas do Leblon e de Higienópolis consomem.

A eleição de 1960 dos Estados Unidos foi a primeira a realizar um debate entre candidatos a Presidente.

Foram quatro debates, e o decisivo, que deve ter dado a vitória a Kennedy foi o primeiro.

Tricky Dicky chegou em cima da hora, porque estava em campanha.

(O Aecínico passou o dia na Zona Sul do Rio, ovacionado pelos coxinhas lacerdistas…)

Nixon não fez a barba à tarde.

O debate foi à noite.

E se recusou a usar maquiagem …

Era o Machão da Califórnia…

Do outro lado, o bonitão, queimado de praia, sorridente.

Tricky Dicky se saiu tão mal, que , ao final, a mãe lhe telefonou para saber se ele estava doente.

Quem sabe o mesmo não aconteceu com o nosso Tricky, ontem (19/10), num telefonema da Mamãe ou da Irmãzinha da SECOM ?

O debate foi produzido por “Don” Hewitt, que, em 1968, lançou o programa “60 Minutes”, que está no ar até hoje, no início das noites de domingo da CBS, como um campeão de audiência.

“Don” inventou a tela dividida, a “split screen”, para mostrar os dois e isso foi fatal para o Aecínico (quer dizer, Nixon).

De um lado, a confiança, a certeza, a exuberância; de outro, os olhos apertados e o suor …

O suor.

“Don” dizia que o mais importante num programa de jornalismo da televisão é o texto.

E, não, a imagem.

O “60 Minutes” está aí para provar que ele sabia das coisas.

Mas, num debate de candidatos a Presidente, a imagem vale mil palavras.

Ainda mais se um dos candidatos sua …

E aperta os olhos…

E os lábios…

Em tempo: Kennedy morreu assassinado. Nixon, eleito mais tarde, saiu da Casa Branca fugido da Polícia; e “Don” morreu em 2009, aos 87 anos.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

KENNEDY E 1964: COMO ARROMBAR PORTA ABERTA Jornalões não sabem que furo é furado.

Roberto Jefferson PT Joaquim Barbosa mensalão
Só o Gaspari não sabia ...


A propósito do “furo” de reportagem “Kennedy cogitou (de) ação armada para depor João Goulart”, o Conversa Afiada recebeu o seguinte comentário de atento amigo navegante:

Paulo,

É impressionante como nossa imprensa cobre mal assuntos de grande relevância para o Brasil. Os jornais apresentam hoje como se fosse um furo de reportagem a gravação de diálogos do Kennedy na Casa Branca onde ele dá o sinal verde para o golpe militar no Brasil. O registro, bem como o de um diálogo do Johnson comemorando o golpe meses depois, já havia sido revelado no imperdível documentário de Camilo Tavares “O dia que durou 21 anos”.

No entanto, os jornalões e as televisões passaram batido pelo filme, que foi exibido na TV Brasil, em salas de cinema e inclusive numa sessão especial no Palácio da Alvorada.

Só me pergunto: Por que? Provavelmente porque sequer destacaram um bom repórter para ver o documentário.

Sobre o mesmo tema, o Conversa Afiada recomenda também o documentário “Dossiê Jango”.
Ali se verá que – segundo o ínclito Waldyr Pires – Jango preferiu não resistir no Rio Grande do Sul, porque tinha a informação – de San Tiago Dantas – de que os americanos iam dividir o Brasil ao meio, como tinham feito, há pouco, na Coreia.
O “furo”, como se sabe, é de autoria do historialista – não é Historiador nem Jornalista – que usa múltiplos chapéus.
O “furo”, nos Estados Unidos, é um documento público.
“Privados” são os documentos dos arquivos do major Aquino Ferreira, em que se sustenta a extensa obra do historialista.
Arquivos acumulados quando o major servia no Palácio do Planalto, como funcionário público.
O historialista terá dificuldade em arrombar essa porta ainda que aberta – só ele sabe que os americanos derrubaram Jango.
Porque dele é a tese de que Jango caiu porque gostava de pernas – de coristas e cavalos.
Clique aqui para ler “Jango não foi deposto”, e aqui para ler “Kruel traiu Jango por seis malas de dólares”.





Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 23 de março de 2011

O que Obama devia ter feito no Chile


Em 1965, durante uma viagem notável ao Chile, Bobby Kennedy quebrou seu rígido protocolo e se encontrou com mineiros explorados e estudantes universitários hostis. Ele mergulhou nos problemas do país para conhecê-los, para perguntar como chegar a uma solução. E se Obama decidisse seguir o exemplo de Kennedy – seu ídolo, Bobby Kennedy – e mudasse o roteiro para fazer algo sem precedentes como uma visita ao túmulo de Allende? Não seria preciso pedir perdão ou expressar remorso pela intervenção dos EUA nos assuntos internos do Chile, nem por ter sustentado Pinochet durante tanto tempo. Bastaria esse gesto singelo. O artigo é de Ariel Dorfman.

Quando Barack Obama desembarcar no Chile para uma visita de 24 horas, algo crucial faltará em sua agenda. Haverá mariscos suculentos, discursos elogiosos à prosperidade do Chile, acordos bilaterais e encontros com poderosos e celebridades, mas não há planos, sem dúvida, de que o presidente dos Estados Unidos tome contato com o que foi a experiência fundamental da recente história chilena, o trauma que o povo de meu país sofreu durante os quase dezessete anos do regime do general Augusto Pinochet.

E, no entanto, não seria impossível para Obama ter conhecimento de uma pequena amostra do que foi a aflição do Chile. A poucas quadras do Palácio Presidencial de La Moneda, onde será recebido por Sebastian Piñera, 120 pesquisadores se dedicam assiduamente a construir uma lista definitiva das vítimas de Pinochet para que possa ser feita alguma forma de reparação. Esta é a terceira tentativa desde que terminou a ditadura, em 1990, para enfrentar as perdas massivas que ocasionou. Duas comissões estabelecidas oficialmente investigaram uma imensa quantidade de casos de tortura, execuções e prisão política, mas foi ficando claro, na medida em que passavam os anos, que inumeráveis abusos de direitos humanos seguiam sem identificação. E, de fato, a pesquisa recente recebeu 33 mil solicitações adicionais, horrores que ainda não tinham sido registrados.

Ainda que Obama não tenha direito a ler nenhum dos informes confidenciais acerca daqueles casos, alguns minutos roubados de seu estrito calendário para falar com alguns dos homens e mulheres que realizam essas pesquisas, o informariam mais sobre a escondida agonia do Chile do que mil livros e reportagens.

Poderia, por exemplo, conversar com a pesquisadora chamada Tamara. No dia 11 de setembro de 1973, dia em que Salvador Allende foi derrubado, o pai de Tamara, um dos guarda-costas de Allende, foi detido, sem que jamais se soubesse seu paradeiro posterior. Eu trabalhava em La Moneda na época do golpe militar e salvei minha vida em função de uma cadeia de coincidências milagrosas, mas o pai de Tamara não teve tanta sorte, assim como não tiveram vários bons amigos meus, cujos corpos ainda estão sem sepultura.

Ou Obama poderia auscultar os olhos de um advogado que conheço, que foi sequestrado uma tarde e torturado durante semanas antes de ser deixado uma noite em uma rua desconhecida, tão longe de seu lar que imediatamente preso de novo por romper o toque de recolher. Ou Obama poderia conversar com uma antropóloga que teve que ir para o exílio por 14 anos, perdendo seu país, sua profissão, seu idioma, e cujo retorno ao Chile foi tão angustiante como seu desterro original, posto que seus filhos, em virtude da prolongada ausência do país onde nasceram, decidiram permanecer no estrangeiro, o que significa que essa família estará separada para sempre.

Caso o presidente Obama sinta-se mais cômodo conhecendo lugares em vez de seres humanos de carne e osso, poderia familiarizar-se com Villa Grimaldo, uma casa de tormentos onde agora se ergue um centro para a paz, ou reservar dez minutos para visitar o Museu da Memória, onde há exibições que denunciam o terrível passado do Chile.

Uma razão pela qual faz sentido que Obama vislumbre, ainda que através de um vidro obscuro, nossa vasta e devastadora dor, é que os norteamericanos foram, em grande parte, responsáveis por aquela tragédia. Washington ajudou, estimulou e financiou a queda do governo democraticamente eleito de Allende e a trajetória ditatorial de Pinochet. No momento em que a revolta no Egito, como em tantos outros países que se levantam contra o autoritarismo, lembra ao mundo as consequências de sustentar regimes brutais, seria instrutivo para um presidente tão inteligente e humanitário como Obama ver, de perto e pessoalmente, alguns dos homens e mulheres que foram destruídos por essa política.

O Chile também oferece um exemplo do quão difícil é confrontar os crimes contra a humanidade, difícil e necessário. Em meu país aprendemos que se nossa comunidade, nosso povo inteiro, não olha de frente para o passado aterrador e arrasta seu pesar para a luz, se os responsáveis não recebem castigo, corremos o risco de que nossa própria alma se corrompa.

É uma lição que Obama e seus compatriotas deveriam impor a si mesmos. Dois anos depois de sua posse, Guantánamo segue aberta e não há sinal de que vá ocorrer um julgamento das violações dos direitos humanos sob a administração Bush nem tampouco uma insinuação de que será pedido perdão às vítimas. Uma comissão norteamericana que tome como modelo esta que foi criada em Santiago poderia dar um primeiro passo na direção de um ajuste de contas que, como bem sabemos nós os chilenos, não deveria ser adiada de forma indefinida.

Por mais importante que essa experiência fosse para Obama, há outra que seria ainda mais significativa. À noite, ele vai jantar no mesmo Palácio Presidencial onde Salvador Allende morreu muitos anos atrás, em defesa do direito de seu povo escolher seu próprio destino. Allende está enterrado em um cemitério não muito longe de onde a elite do país estará brindando pela amizade eterna entre Chile e os Estados Unidos. Em 1965, durante uma viagem notável ao Chile, Bobby Kennedy quebrou seu escrupuloso protocolo e se encontrou com mineiros explorados e estudantes universitários hostis. Ele mergulhou nos problemas do país para conhecê-los, para perguntar como chegar a uma solução. E se Obama decidisse seguir o exemplo de Kennedy – seu ídolo, Bobby Kennedy – e mudasse o roteiro para fazer algo sem precedentes como uma visita ao túmulo de Allende? Se ele simplesmente parasse neste lugar, ficasse de pé diante dos restos de quem foi, como ele, um presidente eleito por seu povo, e dedicasse um par de minutos solitários?

Não seria imprescindível que pedisse perdão ou expressasse remorso pela intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos do Chile, nem por ter sustentado Pinochet durante tanto tempo. Bastaria esse gesto singelo. Essa homenagem a um presidente que entregou sua vida lutando pela democracia e a justiça social mandaria uma mensagem a América Latina e a todo o planeta que seria mais eloquente que cinquenta discursos retóricos. Seria um sinal de que talvez seja mesmo possível uma nova era das relações entre os Estados Unidos e seus vizinhos, ao sul do rio Bravo, que o passado tão amargo e injusto nunca mais há de voltar, nunca, nunca mais.

(*) Ariel Dorfman é escritor. Seu último livro é “Americanos: Los passos de Murieta”.

Tradução: Katarina Peixoto