Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brasil ensina ao FMI: só consumo vence a crise! Mantega anuncia cortes de R$ 1 bilhão em tributos

Brasil ensina ao FMI: só consumo vence a crise! 


 

Foto: UESLEI MARCELINO/REUTERS

Presidente Dilma dá aula de economia no dia em que Christine Lagarde, chefona do FMI, chega ao Brasil; edição extra do Diário Oficial publica pacotaço de incentivos fiscais para a compra de geladeiras, máquinas de lavar e fogões; financiamento para consumo à prazo também foi incentivado


247, com Agência Brasil - No dia exato em que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, chega ao Brasil para reuniões com autoridades econômicas, nas quais irá pedir dinheiro brasileiro para ajudar a salvar a Europa da estagnação econômica, o governo dá uma lição de incentivo ao consumo. O Diário Oficial da União publica hoje (1º) em edição extraordinária a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de eletrodomésticos da chamada linha branca. O IPI do fogão, por exemplo, cairá de 4% para 0%. A geladeira terá o imposto reduzido de 15% para 5% e a máquina de lavar, de 20% para 10%. No caso de máquinas de lavar semiautomáticas (tanquinho), a redução será de 10% para 0%. As medidas também valem para os estoques nas lojas e vão vigorar até 31 de março de 2012.
As medidas vão exatamente na direção oposto ao receituário do FMI, que prega, em situações de crise, aperto monetário, rigor fiscal e retração do consumo.
O governo reduzirá ainda o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado sobre o financiamento ao consumo de 3% para 2,5%, anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista coletiva para detalhar as medidas, que visam a incentivar o consumo.
Também participa da entrevista o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel. As medidas ajudarão o Brasil a enfrentar a crise mundial com estímulos à produção e ao emprego.


Brasil Econômico

Medidas incluem redução de IPI sobre produtos da linha branca e eliminação da cobrança de IOF para aplicações de estrangeiros na bolsa. As desonerações terão impacto de R$ 1 bilhão.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira (1/12) que o governo vai reduzir impostos para estimular o crescimento econômico.
"Estamos nos preparando para um crescimento de 5% em 2012, esta é a nossa meta", disse Mantega a jornalistas em Brasília.
As medidas incluem cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca e no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O IPI cobrado na venda de fogões cai de 4% para zero, o tributo para geladeiras vai de 15% para 10% e, para tanquinhos, de 10% para zero. A desoneração vale até 31 de março de 2012.
Está sendo reduzido, ainda, de 10% para 5% o IPI sobre esponja de lã de aço, e de 15% para zero o tributo sobre papel sintético (papel de plástico), destinado à impressão de livros e periódicos.
Além disso, o governo reduziu a alíquota do IOF de 3% para 2,5% ao ano nas transações de crédito ao consumidor.
Também foi eliminada a cobrança do IOF sobre investimentos de estrangeiros em debêntures de infraestrutura, que tinham alíquota de 6%. Adicionalmente, o governo eliminou a cobrança do IOF nas aplicações de investidores estrangeiros em ações brasileiras.
O ministro disse que as medidas de desoneração anunciadas hoje terão impacto fiscal de mais de R$ 1 bilhão em 2012.
Uma Medida Provisória, que também está sendo publicada nesta quinta-feira, estabelece a elevação dos preços de imóveis que podem ingressar no Programa Minha Casa Minha Vida.
O valor passa de R$ 75 mil para R$ 85 mil. Segundo o ministério, a iniciativa ajusta o programa às condições de mercado atuais.
Na mesma MP, o governo reduz de 9,25% para zero as alíquotas de PIS/Cofins sobre massas, com prazo até 30 de junho do ano que vem, e prorroga até 31 de dezembro de 2012 a desoneração desses tributos sobre trigo, farinha de trigo e pão comum.
Outro decreto regulamenta o Programa Reintegra, que prevê a devolução de impostos no montante equivalente a até 3% das receitas de empresas exportadoras de bens industrializados.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Brasil em 2008 – Marolinha. AO MESTRE COM CARINHO

A Marolinha e os Abutres
Com 20 dias da explosão do Lehman Brothers e da crise instalada de forma incontrolada nos EUA e ameaçando a Europa, o ex-Presidente Lula de forma simples definiu o que seria a crise no Brasil: Marolinha. Depois reafirmou que “o Brasil será o último a entrar em crise e o primeiro a sair”.
A reação foi desenfreada para desqualificar o Presidente Lula, quilos e quilos de editoriais, “especialistas” nos programas de televisão para desmentir o que ele dizia, nem a humildade de perceber que as palavras ali eram para que o cidadão comum entendesse a crise e que o Brasil podia enfrentá-lo, nada foi considerado. Aqui uma pequena amostra do que disseram – a mídia e a oposição – na melhor fusão de ambos:
“Era um telhado com goteiras, e o dono da casa tentava pegar a água com baldinhos. Ontem caiu parte do telhado: a queda de 17,2% da produção industrial em janeiro, em comparação com janeiro de 2008 — o pior resultado desde 1991 —, fez cair a ficha de que o país pode ter recessão em 2009. Há fatos preocupantes. Quem acreditou na tese da “marolinha” tomou decisões que aprofundam a crise agora.
(…)
O governo Lula continua perdido. Para ele, o que há é uma crise do “neoliberalismo”. O que há é uma crise econômica, senhores e senhora. Ela é grande e nos atingiu há meses.
(Miriam Leitão 7/3/2009)
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“O quixotesco presidente Lula é outro que prefere indicar o caminho de um otimismo imaginário e enganador a aceitar a realidade. Diante da intensidade da crise nos últimos 30 dias, a tentativa de reduzi-la ao tamanho de uma marolinha mostrou-se ridícula. Lula até descreve direitinho a cadeia de acontecimentos: se o cidadão não compra, as vendas caem, as empresas reduzem a produção e o trabalhador perde o emprego. Afinal, é isso que ensinam manuais de economia e é o que está acontecendo. Só que Lula ignora um detalhe poderoso: quem desencadeia a perda de vendas, da produção e do emprego não é o cidadão, mas a pior crise econômica global dos últimos 70 anos. Não serão seus extravagantes conselhos de consumo que irão derrotá-la.” (O Estado SP – O real e o imaginário na crise 11/01/2009) *Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio
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“A percepção popular é a de que a população está sendo lograda. A história da marolinha pegou e as pessoas estão vendo que o Lula as estava ludibriando”, afirmou Agripino Maia. “Há uma realidade que o governo não foi capaz de enfrentar, de encarar de frente o risco de uma crise interna e externa. A opinião pública está sentindo que, na prática, a crise não está sendo verdadeiramente enfrentada”, disse Sérgio Guerra. (O Estado SP – Para oposição, crise derrubou aprovação ao governo Lula 30/03/2009)
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“Os brasileiros, portanto, ainda acreditam em Papai Noel e que a crise é só uma marolinha, enquanto o tsunami devora 1,2 milhão de vagas em três meses e 533 mil num único mês nos EUA. E está vindo.
Isso demonstra má informação e confiança quase mística em Lula.”
* Eliane Catanhêde (Folha Sp – Bota tsunami nisso! 7/12/2008)
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“O governo perdeu a chance de preparar o Brasil para a crise. Num aspecto, estamos piores do que a própria Argentina, que não tem déficit na conta corrente do balanço de pagamentos nem déficit fiscal.
“A crise é do Bush, não é minha”. “Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha”. O talento do presidente Lula para se esquivar de responsabilidades é conhecido. Mas o país depende agora de duas habilidades que seu governo ainda não mostrou: firmeza e competência para tomar decisões difíceis e capacidade de negociação transparente e baseada no interesse nacional.
* Sérgio Guerra, economista, é senador da República pelo PSDB-PE e presidente nacional do PSDB. (Folha SP – Uma crise (inter) nacional 14/10/2008)
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“Mesmo os mais cabeludos já estão carecas de saber que o presidente Lula exagerou, exageradamente, ao dizer, em outubro passado, que a crise – “um tsunami lá nos Estados Unidos – chegaria ao Brasil, se chegasse, como uma “marolinha”. Hoje, Lula é malhado, com razão, sem dó nem piedade, por gregos e baianos – principalmente os que lhe fazem oposição.” José Paulo Kupfer, Estadão 17/03/2009)
O DataFolha foi usado para tentar “provar” que Lula estava errado, que a declaração sobre marolinha não era aprovada pela população:
“Diminuiu sensivelmente desde novembro a concordância com a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise, se chegasse aqui, seria apenas “uma marolinha”, informa pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira pela Folha.
Segundo a pesquisa, a porcentagem dos que concordam caiu de 42% para 35%, enquanto os que discordam aumentaram de 39% para 50%. Mas segue alto o grau de concordância com outra frase –a de que “o Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno”: ele caiu de 53% para 50%.
A piora da crise econômica mundial fez a aprovação ao governo Lula cair cinco pontos percentuais –de 70% para 65%. O levantamento revela também que o percentual de brasileiros que tomaram conhecimento da crise subiu de 72% para 81%, em relação a última pesquisa divulgado em novembro do ano passado”. (Folha de S, Paulo 20/03/2009)
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A Virada de Lula

Como toda declaração de Lula quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate a crise, enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento no natal de 2008.
Mesmo com toda torcida contra, Lula jogou todas as suas forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise, importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM) que torciam entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo, todo dia eles comemoravam um número ruim que saiam, em abril chegaram a dizer que o desemprego iria explodir em 2009, que a geração de novos empregos seria nula. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.
Logo em junho a situação se reverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas o mundo todo em média seria de -4%, ou seja, estávamos no Lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão(confirmado com 995 mil novos empregos).
Para variar Lula foi reconhecido no exterior pela sua imensa coragem de enfrentar a crise, ao contrário do governo FHC que sucumbira nas crises: Tigres Asiáticos e Russa. Lula saiu como o grande vencedor, mas melhor ler o que publicou o Le Monde no começo de Setembro de 2009:
Ao prever com ironia um ano atrás que “o tsunami” da crise provocaria em seu país uma simples “marola”, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acertou: a recessão só duraria um semestre.
O produto interno bruto aumentou 1,9% no segundo trimestre de 2009, depois de ter recuado durante dois trimestres consecutivos: -3,4% (outubro-dezembro 2008) e -1% (janeiro-março 2009).
Segundo o ministro da economia, Guido Mantega, o gigante sulamericano deverá recuperar em 2010 sua velocidade média anterior à crise, em torno de +4,5%.
Atingido pela recessão mais tarde que a maioria dos países do mundo, o Brasil também saiu dela antes, como mostram dois outros índices: a Bolsa de São Paulo retomou seu alto nível de um ano atrás e a moeda, o real, recuperou toda sua força frente ao dólar e o euro.
A rápida recuperação do Brasil mostra como foi acertada a estratégia adotada pelo governo, com enfoque sobre o apoio do mercado interno. Reduções de impostos na indústria automobilística e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nesses dois setores industriais cruciais.
O Banco Central ajudou os bancos em dificuldades, retirando de suas gordas reservas – US$ 200 bilhões – para irrigar o mercado que havia secado. Grandes empresas, como a gigante mineradora Vale, ficaram com medo, congelando seus investimentos, o que é criticado pelo presidente Lula hoje. Mas a confiança dos consumidores não foi abalada: “A economia sobreviveu graças aos mais pobres”, ressalta Lula.
Lula passou a ser visto no mundo como o “CARA” nas palavras de Obama, sua rapidez de agir, firmeza e principalmente a confiança de que só nós podíamos vencer a crise convenceu a população de que era possível. Jamais, em tempo algum, aqueles acima citados fizeram ou farão mea-culpa do que escreveram e falaram, mas eles passarão para história apenas como ideólogos do caos, do sentimento de vira-latas que assolou por longos anos o Brasil.