Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

BLOOMBERG: MULTINACIONAIS APOSTAM ALTO NO BRASIL

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O modelo de inclusão no consumo está esgotado?

consumo
Toda hora você vê um economista um político da direita – ou na “nova política”, que anda de mãos dadas com ela – dizendo que o modelo de economia apoiado num forte consumo interno, pela inclusão crescente dos pobres em ascensão econômica está virtualmente “esgotado”.
Aliás, no mundo em crise, chega a ser estranho que nossa imprensa viva chorando ao dizer que o crescimento do comércio foi “só” de 4,3% e outras coisas assemelhadas.
Ontem, o Serasa Experian (não consta que seja uma empresa destinada a promover o populismo comunista) e o Datapopular divulgaram e evolução do que, com muito boa vontade, é chamado de classe média no Brasil, num critério que, vá lá, define quem apenas saiu da pobreza.
os resultados, que você vê no gráfico abaixo, não admitem discussão: em 2003, no início do Governo Lula, os pobres eram 49% da população. No ano passado, caíram para menos da metade: 34% do total. E, em 10 anos, a percentagem estará reduzida para apenas 9%.
RENDA
Esse mar de gente consome produtos, serviços e bens imateriais – arte, cultura, informação – aos bilhões e bilhões de reais.
Você vê no gráfico lá de cima o que esta gente irá demandar em matéria de consumo.
E não está na conta o que será comprado pelos grupos de maior renda, que também estão crescendo, o pouquinho que os mais pobres conseguem consumir e as exportações que um produção nesta escala permite ser competitiva.
Quem é que pode dizer que um mercado assim está esgotado?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Brasil está se acabando, segundo a mídia. Mas com todo mundo empregado, né?


desempdez
A tragicomédia da imprensa brasileira, que transforma em “desgraça” todos os problemas econômicos que nosso país tem diante de um mundo abalado, desde 2008, pela crise e pela estagnação da economia, tem um grande inimigo: os fatos.
O dado divulgado agora de manhã pelo IBGE, registrando (mais um ) recorde na taxa de ocupação dos brasileiros, com o menor índice já apurado, na história, nas regiões metropolitanas do país é um destes fatos contra os quais só há argumentos se eles forem de má-fé.
Repito, o menor desemprego de toda a história deste país.
Como foi má-fé a exploração de que “o desemprego não era tão baixo assim” quando o IBGE lançou uma nova pesquisa, mais abrangente que aquela que vem sendo feita desde 2002 e que, portanto, é a que pode servir de comparação.
porcordapelO trabalho divulgado pelo IBGE tem outras informações reconfortantes.
Por exemplo a de que não apenas aumentou muito proporção dos trabalhadores com carteira assinada, desde 2003, como a de que isso se deu dentro de um processo de inclusão e justiça social.
De 39,7% de trabalhadores do setor privado, passamos a 50,7% em dezembro passado.
Entre 2003 e 2012, o número de trabalhadores negros ou mestiços com carteira assinada, que era muito inferior ao da população branca praticamente igualou-se, como você observa no gráfico ao lado.
É claro que a economia brasileira tem problemas e terá ainda mais com a crise a conta-gotas que o fim do ciclo de expansão monetária da política norte-americana for sendo encerrado, o que “chupa” de volta para os títulos do Tesouro dos EUA a montanha de dólares espalhados pelo mundo, sacolejando os fluxos de capital dos países emergentes.
escolaridadeMas estamos numa situação que nem de longe pode ser classificada como crise, ainda mais sob a ótica do povo trabalhador, onde crise econômica tem um sinônimo: não conseguir emprego.
Um trabalhador que, a duras penas, vem conseguindo elevar seus níveis de escolaridade, embora a “nata” econômica, que reclama de sua desqualificação não apenas não move uma palha para treiná-lo e educá-lo quanto pratica uma cruel rotatividade, mandando embora todos aqueles que se tornam mais capazes pela experiência e, portanto, começam a ter sonhos “perigosos” de pretender uma remuneração melhor.
Veja abaixo, no gráfico interativo do Estadão, o que veio ocorrendo com o desemprego desde que os “gênios” do tucanato foram tirados do poder.

domingo, 29 de dezembro de 2013

PIG MENTE, MANIPULA, E NÃO CANSA DE SER DESMASCARADO Foi o melhor Natal da história, mas o PìG diz que foi o pior

Amigo navegante enviou ao Conversa Afiada mais uma proeza do PiG (*):


Olá, PH!

Hoje, ao abrir o site pigal “G1″ me deparo, em sua página principal, com a seguinte notícia: “Shoppings tem pior natal em vendas nos útlimos 5 anos”. Curioso, cliquei na notícia. Qual não foi minha surpresa, a manchete que aparece é: “Vendas de Natal em shoppings crescem 5% em 2013, diz Alshop”. Não me contive e decidi ler a notícia, para ver o pq de na capa estar uma manchete negativa e na matéria em si o título da mesma em tom positivo. Aí que doeu o pouco da inteligência que tenho. Segundo a matéria, o crescimento de 5% só foi possível pelo aumento da abertura de novas lojas no país, mas que se fosse considerar apenas as lojas que já vendiam em outros anos, o natal não “bombou”. 

O PIG perdeu a noção do bom senso. Utilizar esse malabarismo para ficar no quanto pior melhor, já está manjado. Eles estão desesperados, fazendo qualquer coisa para tomar o poder em 2014.

Seguem anexo os 2 prints que dei na referida matéria.

Abraços!







Em tempo: Saiu no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães:

FOI O MELHOR NATAL DA HISTÓRIA, MAS A MÍDIA DIZ QUE FOI O PIOR


Nunca antes na história deste país o comércio vendeu tanto quanto no Natal de 2013. Os shoppings e as ruas de comércio foram ocupados por verdadeiras massas humanas. Encontrar vagas nos estacionamentos foi praticamente impossível. As filas para pagar pelas compras foram quilométricas. A avidez do consumidor brasileiro continua crescendo sem parar.

Apesar do que todos os que saíram para comprar sentiram – e comentaram entre si enquanto esperavam nas lojas para ser atendidos ou para pagar pelas compras –, os grandes meios de comunicação, no primeiro dia útil após o Natal, elaboraram manchetes que induzem o público a crer que o país está terminando 2013 a pão e água.

Como todos neste país, o blogueiro também foi às compras. Enquanto tentava “laçar” um vendedor para atendê-lo ou enquanto mofava nas imensas filas que se formaram nos caixas, ouviu várias vezes uma frase que você, leitor, também deve ter ouvido: “Isso é porque estamos em crise”.

A frase em questão quer dizer que, apesar de vermos a mídia alardear diariamente que o país está empobrecido, endividado e estagnado, o que o cidadão comum percebe em seu dia a dia é que todos estamos com o poder aquisitivo nos píncaros da glória e que o problema, na verdade, parece ser falta de oferta de produtos e mais lugares para comprar.

Não foi por outra razão que, segundo o jornal Folha de São Paulo, ao longo de 2013 foram inaugurados nada mais, nada menos do que 38 novos shoppings contra 27 em 2012.

O site Brasil Econômico mostra que o faturamento desses centros de compras também cresceu bem em 2013. Em 2012, os shoppings faturaram R$ 119,5 bilhões e, em 2013, R$ 132,8 bilhões, um crescimento de 6,95% deste ano para o ano passado contra um crescimento de 10,65% de 2011 para 2012.

Esse dado desmascara a pegadinha armada pela mídia de oposição ao governo federal, que distorceu os dados descaradamente para tentar enganar aqueles brasileiros que foram às compras alucinadamente, brandindo seus cartões de crédito e débito na esperança de atrair algum vendedor nas lojas de comércio lotadas.

Matéria de capa da Folha de São Paulo de 6ª feira (27 de dezembro) diz que “(…) Vendas de shopping ficam estáveis sem levar em conta os novos empreendimentos (…)”. Com base nessa manobra, o jornal excluiu da conta os 38 novos shoppings de 2013 sem excluir os 27 novos shoppings de 2012 para, ao fim, concluir que o crescimento nas vendas foi de “apenas” 2,7%.

Como a cada ano da última década as vendas de Natal sempre superaram as do ano anterior – e como neste ano não foi diferente –, o dado concreto é o de que 2013 teve o melhor Natal da história do país.

Em 500 anos, o comércio brasileiro nunca vendeu tanto nesta época do ano. Mas a tramoia midiática vendeu um crescimento menor nas vendas como sendo “o pior Natal em 11 anos” quando o correto seria dizer que as vendas não cresceram em 2013 tanto quanto cresceram nos anos anteriores, mas que continuam crescendo.

O mais ridículo em tudo isso, porém, está sendo a avaliação de que teria se “esgotado” o modelo econômico baseado no crescimento do consumo, o que não passa de uma invenção, pois o modelo de crescimento do Brasil é baseado na inclusão no mercado de consumo, sendo este apenas uma decorrência daquele.

Segundo a mídia, o Brasil não tem mais para onde crescer com base na entrada de consumidores no mercado. É uma sandice tão grande que se chega a duvidar que tenha sido dita. Como é possível que um país com tanta gente que não consegue consumir mais do que o básico não tenha mais como crescer incluindo quem ainda não pode consumir?

Se isso fosse verdade, significaria que o Brasil acabou com a pobreza e com a miséria, o que, infelizmente, está longe de ser verdade, apesar da forte inclusão dos mais pobres no mercado de consumo de massas que os governos petistas começaram a construir ao longo da última década e que, por certo, está longe de ter chegado ao ponto ideal.



Em tempo2: O mesmo PiG, que foi desmascarado com as vendas de Natal deste ano, comemorava queda de 2% nas vendas do mesmo período na época do Príncipe da Privataria:

Leia aqui, no Tijolaço.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Os números de hoje da economia do “Brasil em crise”

 Autor: Fernando Brito
charge
Valor  publica esta manhã que “o faturamento real do comércio no Estado de São Paulo deve fechar o ano com crescimento de 4%, segundo dados divulgados há pouco pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Para as vendas de Natal, a expectativa da entidade é de aumento de 3,3%.” Já a inadimplência dos consumidores  caiu 3,22% em novembro quando comparada ao mesmo mês de 2012, segundo o Clube dos Diretores Lojistas.
Nada mau para o país que, nos jornais, está à beira de uma bancarrota.
O IBGE também anuncia números recorde na produção pecuária:  2,137 milhões de toneladas de bovinos,  11,4%a mais que 3º trimestre de 2012. O mesmo aconteceu com a produção de frangos, suínos, leite e ovos.
A inflação dos alimentos cresceu bem menos em dezembro, segundo a Fipe, em São Paulo: 0,38% contra 0,8% na última semana de novembro.
O emprego industrial reverteu a tendência de queda e subiu,também segundo o IBGE.
O número de brasileiros que pedem demissão à procura de um emprego e um salário melhor, desde 2002, triplicou, saltando de 1,617 milhão para 5,693 milhões, segundo dados do Ministério do Trabalho.
É grave a crise.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pilar sólido da economia? O mercado interno, claro

A decisão do Ministro Guido Mantega de zerar a alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras para investimentos estrangeiros em renda fixa em ações pode ter sido necessária, diante da inversão do fluxo de capitais para o Brasil.
E não é só nas aplicações em renda fixa, mas também nos valores em Bolsa: em maio, registrou-se, depois de meses de saldo positivo, uma saída de R$ 1,16 bilhão da Bovespa.
Nada assustador, pois o saldo no ano segue positivo em mais de R$ 8 bilhões. E só os lançamentos de ações atraíram US$ 6,5 bilhões este ano para o mercado de país, pouco menos da metade desse valor proveniente de investidores externos.
Mas isso tem pouca influência – exceto em movimentos pontuais – sobre as pressões do câmbio.
Estas pressões vêm dos sinais cada vez mais intensos de que o Federal Reserve pode reduzir, em breve, o expansionismo monetário que realiza desde a criação do “Quantitative Easing”, um programa de injeção de liquidez no mercado dos EUA.
Ontem, uma dirigente do Banco Central do Kansas, que tem assento no “Copom” americano, falou que os mercados “estão viciados em dinheiro barato”. Também ontem se confirmaram os indicadores de recuperação do consumo americano, que resultou num déficit comercial 8,5% maior em abril, comparado a maio.
Mesmo que não faça uma elevação de juros, o Banco Central americano vai endurecer – ou parar de afrouxar – a expansão monetária por lá.
É isso, e não o pequeno terrorismo econômico brasileiro, que interfere no fluxo de dólares.
Mas, então, como responder a isso?
Bem, não vai ser pelas fórmulas ortodoxas que sempre se praticaram aqui e que, a rigor, só foram rompidas em 2009, quando nos atrevemos a enfrentar a crise apelando para o potencial econômico do povo brasileiro.
Domingo, no Estadão, o professor Amir Kayr já apontava a necessidade de agir não como deseja o mercado, ou de forma errática, com medidas pontuais.
No artigo “Chega de ficar parado!“, Kayr coloca o dedo na ferida:
“A política econômica deve seguir um plano estratégico que parta do potencial que o País possui, que é seu imenso mercado interno, indústria e serviços diversificada e posição forte na produção de alimentos e de commodities metálicas.
Esse potencial está sendo pouco explorado. O mercado interno permite um nível de consumo bem acima do atual, pois, para adquirir bens, as pessoas têm de pagar um sobrepreço elevado (a parcela de juros embutida no valor a ser adquirido). Esse sobrepreço existe em todo o mundo e é de cerca de 10% nos países emergentes e de 3% nos países desenvolvidos. Aqui é de 90% (!). Esse é o freio que inibe o consumo. Se não for retirado, será impossível explorar o potencial que o mercado interno possui.”
Consumo, prossegue, se consegue com salário e crédito. A expansão da massa salarial perdeu força e o crédito “tem péssima qualidade devido às taxas de juros abusivas ao consumidor e às empresas.”
Uma e outro pioram com a decisão do BC de subir os juros. Mais recursos públicos que poderiam ser carreados para programas de transferência de renda vão para a conta financeira e o crédito, que já é dependente dos bancos públicos, ficará mais caro e difícil.
Kayr faz uma defesa explícita de menos “pavor” com o câmbio e a inflação. O primeiro significa a oportunidade de voltar a buscar mercado no mundo. A elevação de preços, diz ele, já tinha amainado e não tem espaço para subir muito num mundo onde inflação não é a tônica dos mercados.
O professor pode ser duro, porque no campo teórico as coisas são sempre bem mais simples que na administração da economia. Mas tem toda a razão no rumo que aponta, porque estamos, muito mais do que caminhando no rumo traçado, respondendo às pressões dos agentes do mundo das finanças: bancos, fundos, mídia…
E deixando em segundo plano o imenso poder do grande e verdadeiro poder da economia: a sociedade formada não mais por 25 ou 30% dos brasileiros, mas pela imensa maioria dos 200 milhões de cidadãos deste país.
 Por: Fernando Brito

sexta-feira, 31 de maio de 2013

TOMBINI MEIRELLISOU. TOMBOU DIANTE DO PIF


Conter o consumo, Tombini ? O consumo cresce a 0,1% !


Como se sabe, quando, em 2008, estourou a crise do banco Lehmann e a Urubóloga anunciou um tsunami universal, o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, que parecia acumular a presidência do BankBoston, aumentou a taxa de juros.

Lula enfureceu-se.

Chamou o Luiz Gonzaga Belluzzo para o lugar.

Mas, depois mudou de ideia e preferiu botar os bancos estatais – Banco do Brasil (que NÃO controla a Visanet), Caixa e BNDES para encher o mercado de grana.

Lula entupiu o Meirelles e acalmou o “mercado” (cuja corneta, como se sabe, é o “Valor”).

Nesta sexta-feira, a Folha publica entrevista inútil com o Tombini para assegurar que vai botar a inflação no centro da meta, 4,5%, custe o que custar.

Meirellisou-se.

A propósito, o Conversa Afiada, sempre favorável ao consumo desenfreado, localizou o João Mainardo em Bloomsbury, um condado de Cordisburgo, como se sabe.

–Mainardo, o que deu no Tombini, Mainardo ?

–O doente estava se recuperando, aí o Tombini mandou chamar na sala de espera e abriu o peito do cara de novo.

–Que horror, Mainardo, você já foi mais elegante…

–O consumo cresce zero, my dear, cresceu 0,1%, está parado, e o Tombini me aumenta 0,50 para conter o consumo … Como é que pode ?

–Então, o que ele deveria fazer ? Subia 0,25 ? Não subia ?

–Dava um telefonema para o Hereda (presidente da Caixa) e pro Bendine (do Banco do Brasil) e dizia: meu querido, segura o crédito.

–Tá legal, Mainardo. Mas e se o crédito vazasse pelos bancos privados …

–O Itaú e o Bradesco já seguraram, meu querido. O financiamento ao consumo deles cresce a 7%, 8% ao ano … O do BB e da Caixa cresce a25% ao ano. Era só dar dois telefonemas…

–Mas, podia dar ocupado, Mainardo…

–Aí, diminuía o investimento em propaganda, estimulava menos o consumo …

–Bem. Aí a Globo ia chiar …

–Vai me dizer que a Globo agora tem também o controle da política monetária …

–Mainardo, e a Urubóloga, não é a porta-bandeira do PIF, o Partida da Inflação ?

–É verdade …

–Quer dizer que o 0,50 foi desastroso …

–Um desastre ferroviário, como diz o Mino. Na contra-mão do mundo inteiro…

–E vai ter efeito sobre a inflação ?

–A inflação não vai cair por causa disso.

–Então, o Meirelles, digo, o Tombini…

–Isso mesmo, você está certo: ele se Meirellisou. Parecia que ele era de outra vertente, mas com essa aí, o 0,50, meu querido, fica claro que ele vem mesmo é da longa tradição ortodoxa do Banco Central.

–E o PIB vai crescer ?

–Vai. Porque a economia brasileira muda para melhor. Com mais investimento na veia. Como disse o teu amigo professor Wanderley: 14 das 50 maiores obras do mundo estão sendo feitas aqui.

–É, mas a SECOM não avisa. Tem que vir o professor Wanderley …

–O que é a SECOM ?

–Esquece, Mainardo, esquece. Olha, então o que decidiu mesmo foi o viés dos teus amigos Hayek, Milton Friedman, do Kenneth Rogoff.

–Não, cara, Rogoff virou nome proibido …

–É verdade. Depois daquela esculachada que o Krugman ……………………. deu nele.

–O Tombini tombou diante da pressão do “mercado”.

–Tem certeza ?

–Do “mercado” instalado no coração o PiG (*).

–E do PIF !

Pano rápido !


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Bradesco analisa Censo-2010. Esse Nunca Dantes …

O Conversa Afiada reproduz análise da newsletter do Bradesco sobre os resultados do Censo 2010.

É um tributo ao trabalho do Nunca Dantes !

Chora, Fernando Henrique, chora !

Ontem, hoje e amanhã: o Censo Demográfico de 2010, as transformações estruturais e as perspectivas para o futuro


Sumário Executivo


Este trabalho busca avaliar os impactos das transformações da sociedade brasileira apontadas pelo Censo Demográfico nas perspectivas para o consumo de diferentes itens e para a composição da renda, combinando tais informações com dados de outras pesquisas do IBGE (PME, POF, PNAD)


O Censo Demográfico de 2010 aponta que a população brasileira está em uma trajetória de envelhecimento, em função da rápida redução da taxa de fecundidade (pp. 2-3).


Diferenças regionais persistem: no Norte/Nordeste ainda é elevada a taxa de fecundidade, e é maior a taxa de dependência de crianças, enquanto que no Centro-Sul os níveis da taxa de fecundidade são bem mais baixos e a taxa de dependência de idosos se destaca em níveis mais elevados do que a média (p. 3)


A composição das famílias também tem se alterado significativamente, em direção a domicílios com menor número de moradores e ao aumento das estruturas familiares baseadas em pessoas sós e em casais sem filhos, em detrimento da redução de casais com filhos (p. 4).


Os ganhos do crescimento na última década foram apropriados por maior parcela da população, engendrando um processo de significativa mobilidade social (as Classes A, B e C aumentaram em cerca de 45 milhões de pessoas entre 2004 e 2011) (pp. 4-5).


Esse processo se baseou ao menos em parte no aumento da escolaridade, na maior formalização do mercado de trabalho e na forte expansão de programas de transferência de renda (pp. 5-7)


Conforme aumentar mais o nível de escolaridade da população, mais difícil será verificar uma reversão do processo de mobilidade social, já que conforme as pessoas possuem mais anos de estudo, diminui a probabilidade que descendam para classes sociais mais baixas (pp. 7-8).


Ainda existe significativo potencial a ser explorado para determinados bens duráveis (em especial computadores, automóveis e máquinas de lavar), mas a taxa de troca mais rápida em função do avanço tecnológico favorece também as vendas de televisões (pp. 8-10).


O mercado potencial de automóveis poderá se ampliar significativamente no Brasil e o País ainda está muito longe de atingir um nível de saturação do tamanho da frota em relação à sua população (p.10).


A continuidade do processo de mobilidade social também beneficiará largamente o setor de serviços (p. 11).


O Censo Demográfico e os avanços do Brasil entre 2000 e 2010


O Censo Demográfico de 2010 teve mais uma rodada de divulgação de resultados em Novembro de 2011, se restringindo de maneira geral a indicadores agregados, mas para algumas variáveis disponibilizando uma abertura para municípios e seus distritos e bairros. Informações socioeconômicas, que até então eram analisadas por pesquisas amostrais ou referentes a apenas partes do País, agora foram consolidadas por esta pesquisa censitária, o que garante que estejamos de fato analisando a realidade do País como um todo.


Entretanto, mais do que apenas apresentar as informações, é importante identificar o que elas apontam para a próxima década em relação à estrutura da economia, ao novo perfil da população e às suas implicações para a estrutura do consumo. Por consequência, é possível inferir quais são os principais setores que se beneficiarão dessa nova composição demográfica.


Movimentos demográficos na década: em direção a uma população mais velha, que crescerá cada vez menos


O Brasil tem passado por um processo significativamente acentuado de envelhecimento de sua população quando comparado a outros países que se encontram em um momento demográfico semelhante. Tal fato se deve à queda extremamente forte da taxa de fecundidade brasileira nos últimos anos, principalmente se analisada em relação às taxas de países em estágio de desenvolvimento semelhante (Gráfico 1). Este é um dos elementos mais relevantes para explicar a rápida mudança na composição etária da população.


É importante destacar que o processo de redução da taxa de fecundidade, apesar de ter ocorrido em todas as regiões do País, não foi suficiente para diminuir a heterogeneidade regional do seu nível (Gráfico 2). Desse modo, a região Norte permanece com a taxa mais elevada (2,42 filhos por mulher em idade fértil), e as áreas com maior urbanização e acesso a serviços de saúde e educação (Sul e Sudeste) persistem com os níveis mais baixos (1,66 e 1,75, respectivamente).


A consequência direta desse processo pode ser verificada pela comparação das pirâmides etárias de 2000 e 2010 (Gráfico 3). De fato, em apenas 10 anos houve um deslocamento significativo do grupo mais representativo da população das faixas de 0 a 24 anos para 10 a 29 anos. Como a taxa de fecundidade nacional já está abaixo do nível de reposição, que é de 2,10 filhos por mulher em idade fértil, a base da pirâmide tende a se tornar cada vez mais estreita, o que implica que nas próximas décadas a população em idade ativa deixará de apresentar incrementos tão significativos como os observados nos últimos anos.


Com essa tendência de redução do ingresso de pessoas na população em idade ativa projetada para os próximos anos, alguns fenômenos adicionais devem surgir. Por um lado, a taxa de dependência de crianças deve diminuir, já que esta é a faixa etária cujo tamanho relativo cai primeiro quando comparada às demais faixas etárias, em função da queda da taxa de fecundidade. Por outro, combinando os efeitos da diminuição desta taxa com o aumento da expectativa de vida (devido aos avanços da medicina, entre outras razões), a população idosa deve ganhar cada vez maior importância relativa na população, fazendo crescer a taxa de dependência de idosos.


Entretanto, existem diferenças bastante expressivas entre as regiões do Brasil no que concerne à queda da taxa de fecundidade, como já mencionado, resultando em taxas de dependência bastante distintas entre as diferentes Unidades da Federação (Gráfico 4). Dentre aquelas com elevada taxa de dependência, destacam-se as localizadas nas Regiões Norte e Nordeste, sendo que seu principal componente para esta taxa é o elevado percentual de crianças na PIA (população em idade ativa). No Centro-Sul, a situação é oposta: as taxas de dependência são mais baixas e, em comparação com o restante do País, o componente de idosos tem um peso maior. Como apontado anteriormente, as distinções das estruturas econômicas e dos acessos à informação nos dois polos do País está correlacionada com este padrão antagônico.


Uma implicação adicional da mudança de planejamento familiar e da consequente redução do número de filhos é que cada vez mais os domicílios comportam famílias com menor número de membros. No Gráfico 5, pode-se verificar que os domicílios com até 3 moradores ganharam participação relativa no total, enquanto que os domicílios com maior número de moradores perderam participação. Algumas consequências diretas disto podem ser sintetizadas pelo fato de que a qualidade de vida das famílias passa a ser maior ao ter que repartir determinada renda entre menos membros e ter gastos fixos menores. Além disso, o fato do número de filhos ser menor (e, portanto, o custo de mantê-los na escola ou realizando atividades extracurriculares é mais baixo) permite que as mães retornem ao mercado de trabalho mais rapidamente, contribuindo para ampliar a renda familiar de maneira significativa.


Mobilidade social e as perspectivas para o consumo


Os movimentos demográficos de um país estão associados aos elementos propulsores do crescimento de longo prazo e permitem discriminar perspectivas para as próximas décadas. Entretanto, a década de 2000 também assistiu a outras mudanças bastante relevantes para a economia brasileira. Se estes movimentos de fato se solidificarem e ganharem cada vez mais força, poderão gerar uma estrutura social propiciadora de redução da desigualdade. Ao mesmo tempo, o maior crescimento relativo da renda das faixas menos abastadas da população possibilita que mais pessoas integrem o mercado consumidor. Adicionalmente, a melhoria das condições de crédito (prazo e juros), que ocorreu principalmente a partir de meados da década de 2000, permitiu que, para um mesmo nível de renda, fosse possível acessar bens de maior valor agregado.


No Gráfico 6, verificamos que a distribuição da massa de renda entre os decis da população entre 2000 e 2010 se deslocou na direção da redução da desigualdade, ou seja, a massa de renda dos dois decis superiores perdeu participação no total, enquanto que os decis inferiores ganharam participação. É patente o fato de que ainda existe um caminho significativo a ser percorrido na direção de reduzir a desigualdade no País, mas em relação às décadas anteriores, os anos 2000 representaram um avanço importante, pois o País cresceu e mais pessoas se beneficiaram disso.


De fato, considerando a evolução da distribuição de classes no Brasil, entre 2004 e o início de 2012 o incremento de população nas Classes A, B e C1 foi de cerca de 45 milhões de pessoas, enquanto que a Classe E se reduziu em 25 milhões de pessoas (Gráfico 7). Alguns fatores que serão discutidos a seguir podem explicar ao menos parcialmente tal processo: aumento da escolaridade da população, maior formalização do mercado de trabalho, expansão de programas de transferência de renda, entre outros.


Em primeiro lugar, é interessante observar que tanto a escolaridade (níveis de ensino completados) como a escolarização (frequência escolar) da população se expandiram significativamente na última década. O Brasil ainda está bastante defasado em relação a outros países latino-americanos ou mesmo à Rússia e à China quanto à média de anos de educação de sua população. Entretanto, os esforços recentes do governo com o intuito de universalizar o ensino levaram ao movimento verificado no Gráfico 82, que representa a abrangência do ensino no nível fundamental e a ampliação do acesso aos ensinos médio e superior e à educação infantil. Vale destacar que ao menos parte do movimento de redução da razão relativa ao ensino fundamental e do aumento da do ensino médio é explicada pelo fato de que mais pessoas passaram a cursar o nível escolar correto para a sua idade3.


Já o esforço da ampliação da escolaridade da população tem como consequência um crescimento significativo do número de pessoas com níveis mais elevados, como mostra o Gráfico 9. Destacam-se o número de pessoas com nível médio completo e superior incompleto, que se expandiu em 18 milhões, e com superior completo, que mais do que dobrou, crescendo em 6,5 milhões de pessoas. É essencial para as perspectivas de crescimento econômico que este movimento continue e até se acentue. Outro ponto a ser lembrado é que não só a quantidade, como também a qualidade do ensino deve ser promovida. Isso porque um dos fatores mais importantes que explicam o aumento da escolaridade até o final do ensino fundamental é o sistema de progressão continuada, o que não tem necessariamente contribuído para que os alunos ampliem seu aprendizado efetivo4. Avaliações internacionais, tais como o PISA (realizado pela OCDE), mostram que o Brasil está muito atrás dos demais países em termos de habilidades como compreensão de leitura, matemática e ciências de seus alunos (em 2009, o País estava abaixo da média da OCDE em todas essas disciplinas, encontrando-se na 53ª posição de 65 países avaliados, à frente apenas de países em desenvolvimento).


O segundo fator elencado como propulsor da mobilidade social recente foi o processo de formalização da força de trabalho. Ao longo da década de 2000, houve significativo aumento absoluto dos empregados com carteira de trabalho assinada e ligeira redução do número de empregados sem carteira assinada, como mostra o Gráfico 10. Além disso, os militares e funcionários públicos estatutários passaram de 3,7 para 4,9 milhões entre 2000 e 2010. Vale destacar também o crescimento do grupo de conta própria, que é bastante heterogêneo, e inclui desde profissionais liberais a vendedores ambulantes (e, portanto, não é possível discernir se essa expansão se deu no grupo mais estável de ocupação ou naquele cuja possibilidade de ser afetado por uma instabilidade da economia é maior).


Adicionalmente, a década aqui analisada apresentou uma evolução bastante significativa de programas de transferência de renda, com especial destaque para o Programa Bolsa Família. Entre 2005 e 2011, o volume médio despendido mensalmente nesse programa saltou de patamares próximos a R$ 340 milhões para R$ 1,4 bilhão, sendo que o número de famílias beneficiadas cresceu de 5 milhões para 13 milhões no mesmo período (Gráfico 11). Além de propiciar aumento da renda das famílias mais pobres, o Programa Bolsa Família tem condicionalidades5 que possibilitarão que as novas gerações dessas famílias tenham uma base melhor para obterem maior renda no futuro. Souza (2011) destaca que, por mais que não seja possível avaliar o estado atual dos primeiros beneficiados por programas sociais que foram introduzidos desde 1995 (Bolsa Escola e Renda Mínima), considerando informações contemporâneas, o impacto do Programa Bolsa Família parece ser pequeno, mas não desprezível, em especial sobre a escolaridade dos indivíduos. Entretanto, devido à boa focalização do Programa, seus impactos de curto prazo reduzindo a pobreza das famílias são significativos e relevantes para explicar a queda da desigualdade observada na última década.


Condições para a sustentabilidade do processo de mobilidade social


Portanto, os incentivos à expansão da renda foram abundantes nos últimos anos. Há um elemento adicional a ser considerado: o deslocamento da população em direção ao grupo de pessoas com maior renda, com maior formalização, mais velhas e mais escolarizadas por si só torna o emprego mais estável. Isso porque as informações da Tabela 1 indicam que a probabilidade de perder emprego 1 ano à frente decresce conforme ocorrem estes movimentos (excetuando-se o caso da escolaridade, no qual pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto têm menor probabilidade de perder emprego, 2,2%, do que as pessoas com os dois níveis seguintes de escolaridade; isso pode se dever ao fato de que a mão de obra pouco qualificada tem tido uma demanda bastante elevada, por exemplo pelo setor de construção civil). Assim, não só os fatores destacados anteriormente contribuem para a mobilidade social, como engendram uma situação de maior estabilidade no emprego, e, portanto, diminuem a possibilidade de que esse processo de aumento da renda com distribuição de renda se reverta.


Para aprofundar um pouco mais este tema, uma informação adicional que permite analisar em que medida a expansão da classe C é sustentável é a evolução da escolaridade de seus componentes. Ou seja, busca-se um indicador de se as pessoas que ascenderam socialmente apresentam ou não tendência de retornar ao grupo anterior. Nesse sentido, avaliar a evolução da escolaridade deste grupo parece ser um início, já que se tiver ocorrido um aumento da participação dos níveis mais elevados de escolaridade, serão obtidos indícios de menor probabilidade de que estas pessoas voltem para uma classe mais baixa.


Para complementar esta avaliação, a Tabela 2 apresenta a probabilidade das pessoas de cada classe  ascenderem, descenderem ou se manterem na mesma classe um ano à frente por escolaridade. Conforme aumentam os anos de estudo das pessoas, cresce a probabilidade de ascensão social em todos os níveis de renda e cai a probabilidade de descender socialmente. Outro elemento relevante é que as Classes E e D apresentam as maiores probabilidades de ascenderem, e a Classe C mostra maior probabilidade de manutenção (em função do corte de renda ser mais amplo).


Perspectivas para o mercado de bens duráveis


Por fim, com relação à posse de bens duráveis, e concomitantemente avaliando o mercado potencial para tais produtos, existe uma significativa heterogeneidade entre as classes sociais e os produtos considerados (Gráfico 13). O primeiro fato que se destaca é que quase todas as famílias possuem televisão, fogão e geladeira. Por outro lado, a posse quase universalizada de automóvel se restringe majoritariamente às Classes A e B, enquanto que cerca de 40% das famílias de Classe C, menos de 15% da Classe D e cerca de 7% da Classe E tinham pelo menos 1 automóvel em 2009. Um padrão bastante semelhante é observado para computadores e máquinas de lavar.


De fato, o primeiro grupo de bens (televisão, fogão e geladeira), de maneira geral, parece mais essencial, sem itens que possam substituí-los diretamente, enquanto que os demais itens podem ser considerados mais “supérfluos”. Muitas famílias substituem a máquina de lavar por uma opção mais barata, como o tanquinho, ou então pelo trabalho manual de maneira direta. Automóveis podem ser substituídos por transporte público e a utilização de computadores ainda está se disseminando na população (e o avanço tecnológico tem reduzido seu custo de maneira significativa nos últimos anos). É importante destacar também que o valor de um automóvel pode ser extremamente elevado para uma família de Classe D ou de Classe E, inclusive porque sua renda impossibilita o acesso a um financiamento para adquiri-lo.


Mais do que avaliar quais famílias já possuem cada bem durável, é importante entender qual a taxa de troca dessas famílias, ou seja, com qual frequência elas adquirem tais bens. Uma aproximação desse indicador é encontrada no Gráfico 14, no qual estão representados os percentuais de famílias por classe social e por época de aquisição. De fato, a Classe A apresenta a maior participação dos que compraram computador (35%), televisão (38%) e automóvel novo (pouco mais de 30%) nos últimos dois anos. Considerando fogão, geladeira e máquina de lavar, a taxa de troca de todas as classes é mais lenta, já que são bens mais duráveis e que não têm sofrido transformações significativas em suas características apesar dos avanços tecnológicos.


Combinando o movimento de mobilidade social acima identificado e o perfil de acesso e de aquisição de bens duráveis, é possível avaliar que ainda existe um potencial de mercado bastante significativo a ser explorado, principalmente no que concerne aos automóveis, computadores e máquinas de lavar. Para esse grupo de bens, o aumento da renda familiar está diretamente associado à maior probabilidade de possui-lo e de tê-lo comprado em um período mais recente. Vale ressaltar que mesmo para os bens que já estão mais disseminados entre as famílias, o crescimento da renda proporciona taxa de troca mais rápida (principalmente para televisão à cores). É importante ainda destacar que uma parte das vendas de bens duráveis pode se basear na decisão das famílias de trocá-los por modelos mais novos, ou seja, não são apenas as famílias que não possuem tais bens que constituem o mercado potencial dos mesmos, mas sim toda a população, em maior ou menor medida, compõe este mercado.


Existe significativo potencial de expansão para o mercado de automóveis


Avançando um pouco mais na análise do mercado de automóveis, a OCDE9 desenvolveu um trabalho comparando a frota de países e seus PIBs per capita, encontrando uma relação positiva não linear que demonstra que conforme cresce a renda de um país (tomando por proxy seu PIB per capita), aumenta a frota de automóveis relativa à sua população (Gráfico 15). Além disso, o trabalho aponta para a existência de uma possível saturação desse mercado, ou seja, a partir de determinado ponto o crescimento da frota de automóveis vai ser meramente vegetativo de acordo com a expansão da população e a reposição do estoque que se deprecia. Dentre os países analisados, os Estados Unidos possuíam o número mais próximo do limite superior de carros por 1.000 habitantes, cerca de 800. Já o Brasil ao longo da década de 2000 apresentou uma evolução relevante de sua renda média e de sua frota, mas ainda possui um significativo potencial de expansão do consumo de automóveis conforme aumente sua renda.


Entretanto, existe uma importante heterogeneidade na população brasileira, com elevada desigualdade de renda, de modo que ao separá-la em quintis de renda média familiar per capita, encontram-se níveis médios de renda bastante distintos entre cada grupo10. Além disso, o tamanho da frota de automóveis em relação à população de cada quintil atinge níveis significativamente diferentes. Ao plotar tais pontos no Gráfico 15, percebe-se que o 5º quintil, de renda mais elevada, possui uma frota relativa à sua população que se aproxima à da Coréia do Sul. Já os demais quintis ainda apresentam níveis bastante baixos tanto da renda média como da frota. Esta análise permite observar que o potencial de mercado de veículos pode ser explorado amplamente na medida em que a renda média evolua. Adicionalmente, o quintil superior (5º quintil) também não está saturado, e um aumento de sua renda também permitirá que a sua frota de automóveis se amplie significativamente.


Como conclusão, o crescimento da renda tenderá a ampliar o desejo das famílias por bens duráveis novos.  Outro elemento essencial para fortalecer este mercado é a melhoria das condições de crédito, incluindo a redução das taxas de juros e a extensão de prazos. Isso porque bens duráveis de maneira geral requerem um dispêndio mais elevado, e o maior acesso a financiamentos permite que a renda mínima para adquiri-los caia significativamente. Portanto, considerando que os movimentos observados ao longo desta década continuem a ocorrer nos próximos anos, será possível ampliar as vendas de bens da linha branca, de eletroeletrônicos e de automóveis.


Potencial de expansão dos gastos com serviços


O último item a ser analisado neste trabalho se refere à distribuição do gasto médio mensal familiar com serviços de acordo com a renda. No Gráfico 16 verifica-se que existe uma relação positiva entre estes dois elementos. Assim, o crescimento da renda faz com que a massa de gastos com serviço se amplie de maneira significativa. Portanto, as perspectivas futuras de continuidade do processo de mobilidade social fazem com que este setor se destaque em relação ao seu potencial de crescimento.


Conclusão


Em suma, este trabalho buscou identificar os principais movimentos demográficos e socioeconômicos apontados pelo Censo Demográfico de 2010 e por um conjunto de pesquisas adicionais. Hoje o Brasil é um país mais maduro em termos da estrutura etária de sua população, com menor perspectiva de crescimento populacional e com famílias menores. Por outro lado, os avanços na área social resultaram em uma configuração de classes  sociais muito mais favorável que a do início da década, e, considerando a possibilidade de continuidade deste processo, as perspectivas para o consumo de bens duráveis e de serviços são bastante positivas.


Referências


Haugh, D.; Mourougane, A.; Chatal, O. (2010) The automobile industry in and beyond the crisis. OECD Working Paper 745.


Menezes-Filho, N.A.;Vasconcellos, L.; Werlang, S.R.C.; Biondi, R.L. (2009). Avaliando o impacto da progressão continuada nas taxas de rendimento e desempenho escolar no Brasil.

6º Seminário de Economia de Belo Horizonte. Disponível em http://www.sebh.ecn.br/seminario_6/sebh_artigo_Roberta.pdf


Ribas, R.P.; Soares, S.S.D. (2008) Sobre o painel da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Texto para Discussão 1348, Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada.


Souza, A.P. (2011) Políticas de distribuição de renda no Brasil e o Bolsa-Família. Centre for Applied Microeconomics, São Paulo School of Economics, Working paper 1/2011.


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