Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O modelo de inclusão no consumo está esgotado?

consumo
Toda hora você vê um economista um político da direita – ou na “nova política”, que anda de mãos dadas com ela – dizendo que o modelo de economia apoiado num forte consumo interno, pela inclusão crescente dos pobres em ascensão econômica está virtualmente “esgotado”.
Aliás, no mundo em crise, chega a ser estranho que nossa imprensa viva chorando ao dizer que o crescimento do comércio foi “só” de 4,3% e outras coisas assemelhadas.
Ontem, o Serasa Experian (não consta que seja uma empresa destinada a promover o populismo comunista) e o Datapopular divulgaram e evolução do que, com muito boa vontade, é chamado de classe média no Brasil, num critério que, vá lá, define quem apenas saiu da pobreza.
os resultados, que você vê no gráfico abaixo, não admitem discussão: em 2003, no início do Governo Lula, os pobres eram 49% da população. No ano passado, caíram para menos da metade: 34% do total. E, em 10 anos, a percentagem estará reduzida para apenas 9%.
RENDA
Esse mar de gente consome produtos, serviços e bens imateriais – arte, cultura, informação – aos bilhões e bilhões de reais.
Você vê no gráfico lá de cima o que esta gente irá demandar em matéria de consumo.
E não está na conta o que será comprado pelos grupos de maior renda, que também estão crescendo, o pouquinho que os mais pobres conseguem consumir e as exportações que um produção nesta escala permite ser competitiva.
Quem é que pode dizer que um mercado assim está esgotado?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dívidas caem mas calote aumenta? O “milagre” do jornalismo brasileiro

 
 
 
 
Os jornais de hoje alardeiam: “Calote do consumidor cresce 21,5%, a maior alta desde 2002″.
Pronto, temos uma crise de inadimplência gravíssima, as pessoas, endividadas, não conseguem pagar suas contas, as empresas, sem receber, perdem seu fluxo de caixa, a economia caminha para a crise.
Verdade?
Bem, a notícia toma como base os indicadores do Serasa Experian, uma empresa de cadastro de crédito que, como poucas, sabe explorar a mídia espontânea que seus indicadores lhe dão.
Olhemos, então, o que dizem estes dados,  na tabela  que acompanha a divulgação do índicee a gente reproduz aí em cima.
E o que aconteceu, segundo o próprio Serasa?
 ”Em 2011, o valor médio das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), foi de R$ 320,63, o que representou uma queda de 17,3% na comparação com 2010.
Quanto às dívidas com bancos, o valor médio verificado ao longo dos doze meses de 2011 foi de R$ 1.302,12, com redução de 0,7% ante o mesmo acumulado de 2010.
Os títulos protestados, por sua vez, registraram em 2011 um valor médio de R$ 1.372,86, ocasionando um crescimento de 16,0% quando comparado com 2010.
Por fim, os cheques sem fundos tiveram, em 2011, um valor médio de R$ 1.359,19, representando um aumento de 8,4% sobre 2010.”

Bem, aí você vai olhar qual é o peso de cada modalidade de inadimplência no índice. As dívidas não-bancárias respondem por 39,8% do indicador; as com os bancos, por 48,2%. Já os cheques sem fundo, 10,5% e os títulos protestados, apenas 1,5%.
Portanto, se você aplicar a ponderação que o próprio Serasa define, o resultado é que o valor médio das dívidas decresceu 6,04%, se comparado os anos de 2011 e 2010.
Mas aí você descobre que o indicador mede, na verdade, ” as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias (lojas em geral, cartões de crédito, financeiras, prestadoras de serviços como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia etc.)
O que, claro, não mede nada, porque você não pode considerar aumento da inadimplência em números absolutos, porque senão três carnês de R$ 20 em atraso representam uma inadimplência maior do que uma prestação vencida de 500 reais. Principalmente porque você tem, com a bancarização da população e o crescimento do crédito uma base cada vez maior de operações de crédito.
O próprio Serasa sabe e diz que não há qualquer bolha de cre´dito no Brasil e muito menos seu estouro. O próprio Serasa já advertiu que a tendência de inadimplência é decrescente.
Essa é uma das  história do catastrofismo nosso da cada dia na mídia.
O mesmo Serasa, em press- release distribuído dois dias antes, registra que o número de falências decretadas no ano de 2011 caiu 30% (de 908 para 641) e o de falência requeridas baixou 27%, de 2.371 para 1.737.
Obviamente, isso não é manchete.
Mas é assim que se constrói boa parte do noticiário econômico no Brasil.
Ano passado, o mundo ia de vento em pôpa, crescendo. E este otimismo era medido aqui: o indicador FGV/Banco Central de confiança do comércio dizia que, de 1244 empresas pesquisadas, 755 delas previam um aumento nas vendas.
Agora, com o mundo mergulhado na crise e a incerteza por toda a parte, 711  – 56,2% - continuam achando que vão vender mais.
E isso é apresentado como um clima de pessimismo.

E aí a gente continua naquele clima de que nada do que fazemos dá certo e o melhor é que alguém tome conta de nós, como incapazes.
Por: Fernando Brito

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Chama a especialista do Jornal da Globo


Muito curiosa a edição de hoje do Financial Times, o grande jornalão conservador de economia da Inglaterra.
Na mesma edição, duas matérias sobre o Brasil.

Uma, sobre os “riscos” de uma “bolha” de crédito, absolutamente sem qualquer base sólida de avaliação, estendendo uma pequena elevação da inadimplência registrada pelo Serasa. Claro que essa elevação é resultado do apertto de crédito, mas está a anos-luz de poder ser caracterizada como o “estouro de uma bolha” de crédito, como você pode verificar no gráfico da própria Serasa que reproduzo aí ao lado.
Típica noticia de quem vê o Brasil “ameaçado” pelo apetite consumista de uma massa de ex-miseráveis.
Diz o FT:
” O rápido crescimento econômico do Brasil tem levantado mais de 30 milhões de pessoas da pobreza nos últimos anos.
Estes novos consumidores começaram empréstimos para comprar casas, carros e eletrodomésticos, contribuindo para um aumento de quase 100 por cento no crédito privado desde 2007, segundo o Fundo Monetário Internacional.”
Embora não esteja dito, é óbvia a conclusão de que há crédito demais para os pobres e, portanto, nada melhor que um bom arrocho. Balela, porque os níveis de crédito na economia brasileira – apesar do crescimento – ainda representam parcela pequena da economia, menos da metada, aliás, se comparado ao que significam nos países desenvolvidos. E é crédito caro, como qualquer um de nós sabe.
Mas o FT tem outra matéria interessante.
É que o jornal britânico diz que a Ferretti, fabricante italiana de iates, está se voltando aos super-ricos brasileiros, já que as vendas aos clientes tradicionais do Mediterrâneo despencam.
A razão, segundo o jornal, é que presidentes e diretores de empresas ganharam mais em São Paulo do que em Londres ou Nova York.
Os barcos da Ferreti custam entre 300 mil euros e 80 milhões de euros. Isto é, entre R$ 685 mil e R$ 182 milhões.
Sinal que o tal “custo Brasil” provocado pela carga tributária “altíssima” não está chegando a atrapalhar o lazer dos executivos que reclamam tanto, não é?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O terrorismo econômico na mídia não se sustenta – 2



Um mês atrás publiquei um post sob este mesmo título, mostrando que o alarde que o jornal O Globo fazia em torno do número de falências de empresas não passava do mais descarado terrorismo econômico.
Hoje, a nota publicada pelo Jornal da Tarde, sem destaque, mostra que era isso mesmo:
“O número de falências decretadas de micro e pequenas empresas nestes quatro primeiros meses do ano é o menor desde 2005, quando foi editada a nova Lei de Falências. No período, o total de firmas falidas passou de 979 a 193, aponta indicador produzido pela Serasa Experian, empresa de informações de crédito.
De janeiro a abril de 2011, apenas 48 empresas por mês foram à falência no País. O motivo, explica o assessor econômico da Serasa Carlos Henrique de Almeida, é o bom momento da economia.”
A imprensa brasileira tornou-se uma máquina de propaganda e de desinformação, é muito triste dizer. Claro que há muitas e honrosíssimas exceções a esta regras, e não tenho dificuldade nenhuma em registrar aqui que não confundo jornalistas com linha editorial dos jornais.
A grande verdade sobre o papel dos jornais foi publicada muito discretamente por eles. Foi a afirmação da presidente da Associação dos Jornais de que, já que a oposição era fraca e desarticulada, era o papel da mídia ser a oposição.
Informar, assim, certamente não é.