Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador renda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador renda. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Emprego e renda desabam. Em 2018, senador vai culpar a Dilma? É o pior resultado desde 2012! Vai que é tua, Traíra!

SerraChevron.jpg

Segundo o IBGE:

PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 11,6% no trimestre encerrado em julho de 2016

A taxa de desocupação foi estimada 11,6% no trimestre móvel encerrado em julho de 2016, ficando 0,4 ponto percentual (p.p.) acima da observada no trimestre móvel que vai de fevereiro a abril (11,2%). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, quando a taxa foi estimada em 8,6%, o quadro também foi de elevação (3,0 pontos percentuais).

A população desocupada (11,8 milhões de pessoas) cresceu 3,8% na comparação com o trimestre fevereiro-abril (11,4 milhões), um acréscimo de 436 mil pessoas. No confronto com igual trimestre do ano passado, esta estimativa subiu 37,4%, significando um aumento de 3,2 milhões de pessoas.

Já a população ocupada (90,5 milhões) ficou estável quando comparada com o trimestre de fevereiro a abril de 2016 (apesar de ter havido um decréscimo de 146 mil pessoas, esta queda não foi estatisticamente significativa). Em comparação com igual trimestre do ano passado, quando o total de ocupados era de 92,2 milhões de pessoas, foi registrado declínio de 1,8%, significando, aproximadamente, menos 1,7 milhão de pessoas no contingente de ocupados.

O número de empregados com carteira assinada (34,3 milhões) não apresentou variação estatisticamente significativa em comparação com trimestre de fevereiro a abril de 2016. Contudo, frente ao trimestre de maio a julho de 2015, houve queda de 3,9%, uma perda de 1,4 milhão de pessoas com carteira assinada.

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 1.985) registrou estabilidade frente ao trimestre de fevereiro a abril de 2016 (R$ 1.997) e declínio de 3,0% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.048).

A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos (R$ 175,3 bilhões) não mostrou variação significativa em relação ao trimestre de fevereiro a abril de 2016, e recuo de 4,0% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Moço, cuidado para não deixar o passado virar futuro

vagas1
Tirei as duas fotos aí de cima hoje, em dois pequenos supermercados próximos de onde moro – o Real e o Supermarket, em Niterói.
Parece bobo, não é? Mas para quem passou dos 50 anos não é não, porque somos de uma geração onde a placa que se via em mercados e obras de construção era, ao contrário, a de  ”não há vagas”.
Às vezes, até, com um peremptório e duro “não insista” para rematar.
Ok, não são ótimos empregos e certamente não são o sonho profissional de quase ninguém.
Mas certamente é melhor que não ter emprego nenhum.
E não é só para os mais pobres e com menos formação escolar, não.
Há vagas, embora com salários baixos, para todos os níveis.
Aliás, há tanta vaga aberta justamente porque paga-se pouco e muitos param por ali apenas o tempo necessário para sair do sufoco absoluto e buscar algo melhor.
Estas fotos daí de cima são do Brasil que não sai nos jornais.
O Brasil que sai no jornal está desmoronando, com os mercadinhos às moscas e o desemprego, não importa o que diga o IBGE, em alta.
Tudo está um desastre, tal índice é “o pior desde 2 mil e tanto”, tal taxa “é a mais grave desde tantos anos”.
Mas quer dizer que está tudo muito bem, tudo muito bom?
De jeito nenhum.
Que bom que a gente esteja insatisfeito com o Brasil, porque é mesmo para estar.
Este país ainda dá muito pouco a seus filhos, em matéria de educação, de saúde, de habitação, de oportunidades.
Mas cuidado, seu moço, porque moço eu também já fui.
E porque já fui e não sou mais, que este pais, sei que não faz uma geração, era muito, muito, muito mais avaro com seus cidadãos.
Avaro?
Não, a palavra exata  é cruel.
Porque só pode ser cruel que quer abaixar a inflação a base de  arrocho,  de corte nos gastos sociais, com a precarização do trabalho, com políticas recessivas.
Vão dizer que querem isso é apelar para o medo?
Pois eu não tenho problemas em dizer que se deve, sim, ter medo disso, porque sei muito bem como isso é terrível.
Eu sei e tenho obrigação de contar que existia um Brasil sem vagas para seu povo.
Mesmo as mais modestas, os “empreguinhos de dois salários” dos quais  a “turma da bufunfa” debocha, mas nem assim quer pagar e diz que os salários “altos demais” são responsáveis pelo desequilíbrio do tal “tripé macro-econômico”.
Talvez você, moço, não acredite em mim.
Ficamos assim: eu também prefiro que você duvide do que eu digo e até faça pouco caso.
É muito melhor  você me olhar desconfiado do que acontecer aquilo que faça você me dar razão.
Cuidado, porém, que o pior inimigo do bom é o que aquela turma diz que vai ser ótimo.
Acho que você tem toda a razão em querer mais, muito mais.
Só não esqueça que tivemos, não faz muito tempo, muito menos.
Onze anos atrás, a imagem do Brasil era aquela que divide a ilustração com as de hoje.
Eu não a quero de volta, você quer?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Conselho da Bláblá é Golpe de Estado Quem vai fazer parte do Conselho ? O André Haras Resende, com certeza !



Saiu no IBGE:

Em agosto, taxa de desocupação fica em 5,0%

A taxa de desocupação de agosto (5,0%) não teve variação estatisticamente significativa nem em relação a julho (4,9%) nem a agosto de 2013 (5,3%). Foi a menor taxa para um mês de agosto em toda a série da pesquisa, iniciada em março de 2002. A população desocupada (1,2 milhão de pessoas) também ficou estável em ambas as comparações. O contingente de ocupados (23,1 milhões de pessoas) cresceu 0,8% em relação a julho e manteve-se estável comparado a agosto de 2013. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,8 milhões) mostrou estabilidade em ambas as comparações.O rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 2.055,50) cresceu 1,7% em relação a julho (R$ 2.022,04) e subiu 2,5% comparado a agosto de 2013 (R$ 2.005,72).

O IBGE também divulga hoje os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego referentes a maio, junho e julho de 2014 para as seis regiões metropolitanas investigadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), que foram divulgados anteriormente sem as regiões metropolitanas de Salvador e Porto Alegre, por causa da paralisação dos servidores do Instituto.

A publicação completa da Pesquisa Mensal de Emprego encontra-se em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/

A taxa de desocupação em agosto de 2014, foi estimada em 5,0% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Frente a julho (4,9%) e também a agosto de 2013 (5,3%) a taxa não apresentou variação estatisticamente significativa. Essa foi a menor taxa para um mês de agosto em toda a série da pesquisa, iniciada em março de 2002.

(…)


Leia também:

“Direito do trabalhador? Nem que a vaca tussa!”.


Desemprego é o menor da História

Dá o lenço pra Blablá: ela vai chorar no ombro do Arrocho.


No Mau Dia Brasil em que a Urubóloga poupou a Bláblá do jatinho, passou batida a criação de um “Conselho de Responsabilidade Fiscal”.

Bláblá desentranhou essa ideia do fundo do baú Golpista.

O Golpe daqueles que não acreditam em partidos, que acham que é necessária uma “nova política” sem o PMDB …

Sem o “mar de lama”…

Ela anunciou, assim como quem diz que vai até Madureira, a instalação de um “Conselho de Responsabilidade Fiscal”.

Ele teria “independência”, ela prometeu.

Teria a função de verificar as contas do Governo, manter “transparentes” as contas publicas, e não permitir elevar os gastos mais do que a Economia crescer.

Lorotas dos parvos que acreditam no tripé.

O problema não é a função, mas o Conselho em si.

Que Conselho é esse, que segundo ela, ficará ALÉM do Tribunal de Contas e, portanto, SOBRE o Legislativo, que escolhe os membros do TCU  ?

(D Ana Arraes vai ficar chateada …)

Como se sabe, quem controla as contas do Governo e sua transparência são o TCU e o Ministério Público.

Em última instância, quem diz onde o Governo vai gastar e quanto é o CONGRESSO, através do Orçamento da União !

A Presidência faz uma proposta de Orçamento, o Congresso a examina, vota e a Presidenta sanciona a proposta do LEGISLATIVO !

Este Conselho, portanto, nada mais é que um Golpe contra o Legislativo.

Contra o Poder que emana diretamente da soberania POPULAR !

Um Golpe contra o covil dos corruptos !

Governo de fora para dentro das instituições.

Um Golpe contra o POVO !

O Conselho, segundo a neo-Golpista, teria a função de “cobrar do Governo”.

Mas, e o Legislativo, não cobra ?

O TCU não cobra ?

A imprensa não cobra ?

Não, o Conselho ficará lá em cima, no Olimpo Verde.

Quem vai ser membro do Conselho, perguntou, intrigada a PhD da Universidade  Municipal de Caratinga (consta do ABC do C Af).

Quem sentará à direita de Deus ?

Ela não disse, porque não disse nada.

Mas, digamos que tenha uma composição supra-nacional.

Venham para cá os sábios da University of Chicago e seus filhotes tupiniquins, instalados no INSPER.

Esses prodíjios (ver no ABC do C Af) que decretaram a falência da União Europeia, na cabeça de quem o Banco Central dos Estados Unidos e o Obama depositam sólidos detritos.

Com certeza, o André Haras Resende dele fará parte, em posição de destaque, a partir de sua quinta em Cascais, Portugal (que ninguém é de ferro…)

Será o Banco Central do Banco Central.

O Congresso do Congresso !

Como a ideia do Banco Central independente (independente do povo, mas dependente do Itaúúú) deu com os burros n’água, agora ela vem com o Super-Banco-Central !

Numa palavra: é Golpe !

Golpe da UDN.

Nada de novo no front !


Paulo Henrique Amorim 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dilma dá show em 11′ ! Se não abateram até agora… Primeiro programa do horário eleitoral foi um massacre !







amigo navegante deve imaginar o efeito de um vídeo dessa qualidade, ao longo da campanha, até outubro.

E comparar com os dois minutos do Aecioporto – que não tem nada a declarar -  e o minuto (dividido) da Bláblá, que tem muito o que explicar …  (Clique aqui para ver a denúncia do deputado Aldo Rebelo.)

(E aqui para ler “Casamento de fachada”.)

Dilma mostra o que realizou, sem ser didática, professoral.

Nem Imperial, como aquele que está nu.

E passa a informar: a crise lá fora e como ela preservou os empregos e a renda, aqui.

Ela demonstrou, já na saída, que vai neutralizar os efeitos do manchetômetro e a treva que se tentou montar num veloriomício.

Se não abateram a Dilma até agora, bye-bye !

Em tempo: e a categoria do Lula, amigo navegante, ao se despedir do Eduardo ! Dispensou a gravata preta do Aecioporto, o estafeta do óbvio…

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Quem quer crescimento de renda como o do Primeiro Mundo?




tela1


O ótimo blog de Fernando Nakagawa, no Estadão, dá hoje  conta de como anda a distribuição de renda nos países mais ricos.
Ele informa que “pobres e ricos perderam dinheiro com a crise que se arrasta há mais de cinco anos”.
Mas também registra que uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra, para variar, que o castigo foi bem maior para quem tem menos.
A renda média dos 10% mais ricos caiu a um ritmo anual de 0,78% entre 2007 e 2011, a perda da renda dos 10% mais pobres foi o dobro: 1,61% por ano.
O resultado detalhado está no gráfico lá em cima.
Coo eu não sou “economista” nem “jornalista econômico” que não consegue situar o Brasil dentro do mundo – embora todos eles encham a boca para falar em “globalização” –  fui buscar dados que permitissem uma comparação com o nosso país.
Como não achei uma que pegasse o período exato, coloquei dois, com base na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar, agrupados pelo IPEA, para que os mal-humorados não venham a invalidar a comparação.
Entre 2003 e 2011, os mais 10% mais pobres no Brasil tiveram um incremento de renda de 80,8%, ou média anual de 6,8%. Os 10% mais ricos também cresceram, mas 26,9%, ou média anual de 2,7%.
Na crise, entre 2009 e 2011, o décimo mais pobre cresceu 9,1% e o mais rico, 4%. Na média de taxas anuais, isso dá 2,95% e 1,32%.
Coloquei  estes os números no gráfico do Estadão, lá em cima e aqui embaixo.
Depois de vê-los, diga-me se você quer seguir as receitas que eles vivem nos dando.
Porque os muito ricos continuam ganhando, mas não suportam que não seja tudo, e que os pobres ganhem também.

tela2

terça-feira, 3 de junho de 2014

EMPREGO CONTINUA ROBUSTO ! DESOCUPAÇÃO CAIU ! Você não compara o verão com o inverno do ano passado …

A propósito deste resultado:

PNAD MOSTRA QUEDA NA TAXA DE DESEMPREGO DO PAÍS



A taxa de desemprego no País caiu 11% na comparação entre o primeiro trimestre de 2013 e o mesmo período em 2014. No acumulado dos últimos 12 meses também houve queda, passando de 7,1% para 6,9% no primeiro trimestre de 2014. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Continuada), divulgada há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(…)


Conversa Afiada ouviu, por telefone, a Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que disse (a transcrição não é literal):

Em todos o índices que medem desocupação e emprego – PME e PNAD contínua do IBGE, e DIEESE – o resultado é o mesmo: a criação de emprego continua robusta.

A PNAD continua, hoje divulgada, é a amostra mais abrangente.

Ela indica que não mudou o ritmo: há anos o Brasil cria empregos, com formalização, carteira assinada e aumento de renda.

Por que é importante comparar trimestre com o mesmo trimestre do ano anterior e, não, com o trimestre imediatamente anterior, no caso, de outubro a dezembro de 2013 ?

Porque não se compara o verão deste ano com o inverno do ano passado, ela explicou.

Há sazonalidade, ao longo de todo o ano.

A colheita agrícola, a mobilização industrial para as vendas de fim de ano, a contratação para as compras de Natal.

Cada época é uma época.

Verão se compra com verão.

Ainda mais: o primeiro trimestre de cada ano e’, tradicionalmente, o trimestre de menos emprego.

Por isso, é preciso compara-lo com o trimestre do ano anterior, e , não, com o trimestre imediatamente anterior.

A média de desocupação em todo o ano passado foi de 7,1%.

A deste primeiro trimestre, o mais fraco em todos os anos, foi de 7,1%.

O que isso significa, pergunta Belchior ?

Que a desocupação deste ano será menor que a do ano passado.

Em 40 meses de Governo, a Dilma criou 4,6 milhões de empregos, o que dá  4 mil e 100 empregos por dia  e uma média de 1,5 milhão de emprego por ano.

Em oito anos de Governo, FHC criou 800 mil empregos formais, o que representa 70% do que foi gerado apenas em 2013: 1,1 milhão.

Está com saudades dos fantasmas do passado ?

A maior queda da desocupação foi na região Nordeste: de 10,9% no primeiro trimestre de 2013, contra 9,3% neste primeiro trimestre de 2014.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a queda também foi a maior, nas faixas etárias: de 16,4% para 15,7%.

E sobre a renda ?

Segundo a PME, ela cresceu 3,2%, em termos reais, em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.

Clique aqui para ler “Em todos os índices o emprego sobe !”.


Paulo Henrique Amorim 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A tarefa de Lula

Aécio preconiza processo de desenvolvimento flutuante. Uma montanha russa ordenada pelo livre fluxo dos capitais, com seu carrossel de arrocho e desemprego.

por: Saul Leblon 


Divulgação/PT


A decisão tomada no Encontro Nacional do PT de dar à reforma política e à democracia a centralidade  que lhes cabe na luta pelo desenvolvimento não pode  ser subestimada.

É mais que uma inflexão de método.

Vem  rejuvenescer a meta histórica –esgarçada sob o peso da responsabilidade institucional e da correlação de forças, mas também pelo estiolamento  ideológico de alguns setores do partido-- de construir neste país uma verdadeira democracia social.

Aquela que se ergue a contrapelo da lógica capitalista, e propicia às grandes massas que não detém a riqueza, mesmo assim,  um poder de  voz e peso na ordenação da sociedade e da economia.

Há consequências.

E elas não são desprezíveis.

Dilma sintetizou a principal delas em uma frase de contundente antagonismo com aquilo que tem sido dito de forma cifrada ou explícita pelos candidatos do dinheiro grosso:

‘Não fomos eleitos para promover o arrocho contra o trabalhador’.

O arrocho é a operação  intrínseca à agenda ortodoxa que,  na opinião do próprio presidenciável Aécio Neves,  interliga a sua candidatura à de Campos e assemelhados.

É tudo a mesma sopa.

No fundo foi  isso que disse o tucano na semana passada, em  ato falho,  num cenário propício: o  clube dos endinheirados, em Comandatuba, onde ele e Campos se exibiram aos donos do país, sob a batuta do animador Dória Jr.

Não foi uma agenda de exceção.

Dias antes, conforme o cada vez mais  insuspeito jornal Valor Econômico, o ex-governador mineiro e seu fiador  no mercado, Armínio Fraga, estiveram na sede do Itaú, em São Paulo, para falar a clientes milionários do banco .

Membros de uma confraria que, segundo o mesmo Valor, tem R$ 577 bilhões empoçados no sistema bancário, os rentistas  do Itaú estão se lixando para as urgências do investimento brasileiro.

Seu país  é a taxa de juro.

Essa linha de frente daquilo que Keynes definia como ‘a obsessão mórbida pela liquidez’, ouviu Aécio e Armínio com atenção prestativa.

Ao final,  aplaudiu-os de pé.

A razão da empatia não foi revelada pelo igualmente prestativo Valor.

Mas uma coisa é certa: se foi pronunciada, dificilmente a palavra arrocho teve ali a mesma conotação empregada por Dilma no encontro do PT.

O antagonismo  retórico, de qualquer forma, não basta.

A luta pela reeleição desta vez se dá em  condições de beligerância que prometem suplantar as de 2002 e a do cerco de 2006 ensejado pela farsa do ‘mensalão’.

O combate  à  quase insurgência conservadora  --que outro nome dar a isso que figura como uma convocação diária  ao extermínio do PT e de seu governo?—precisa ir além dos enunciados.

Aécio e assemelhados preconizam um processo de desenvolvimento flutuante.

Uma montanha russa ordenada  pelo livre fluxo dos capitais, portanto, entregue à inconstância da especulação  financeira, com seu  carrossel de bolhas, colapso e  desemprego.  

A isso dá-se  o nome  de mercados autorreguláveis.

A resposta à cosmologia da incerteza só pode ser política.

Mas,  sobretudo, deve ser imediatamente palpável  para ser crível e relevante nas condições de vale tudo impostas à disputa pelo campo  conservador.

Significa dizer que um segundo governo Dilma precisa se tornar perceptível desde já, na campanha eleitoral.

Significa, ademais, que as resoluções anunciadas no Encontro do PT desenham um caminho sem volta que requer imediata transposição das palavras para os atos.

 
Entre eles, a imediata deflagração de um processo de negociações por  um pacto  pelo desenvolvimento, capaz de selar  a nova identidade da agenda progressista –e de seu método de luta.

Trata-se de dar consequências ao propósito de  deslocar a  correlação de forças do país para uma democracia social,  ancorada em  ganhos de produtividade, crescimento, distribuição de renda e melhor qualidade de vida.

Um requisito crucial dessa travessia é a credibilidade de seu negociador .

Ademais da legitimidade própria, é imperativo que guarde sintonia estreita com a candidata-presidenta , que dificilmente poderia exercer esse papel de forma direta e imediata, por força de  sua dupla função.

Esse personagem-ponte  existe.

Chama-se Lula.

Tem tudo para ser o porta-voz  de um compromisso claro de Dilma  e do PT com a  emancipação das  grandes massas  que  saíram da miséria e as que ascenderam na pirâmide de renda  nos últimos anos.

O conservadorismo  fez  do ‘centro da meta da inflação’ uma espécie de leilão público para escrutinar  qual, dentre os seus candidatos,  estaria  disposto a ir mais fundo no arrocho monetário  calibrado pela alta dos   juros.

A mesma  gincana pode ser observada em relação ao superávit  primário. Ou à desregulação trabalhista.

Há ofertas cada vez mais explícitas de arrocho no mercado. E o dinheiro ensaia um levante da república argentária rumo a outubro, em intercurso obsceno com a mídia isenta (ideológicos são os blogs progressistas).

Sua bandeira-mestra é ampliar a fatia rentista na divisão da renda nacional.

A resposta de um pacto pelo desenvolvimento deve ser distinta em sua hierarquia de prioridades.

A fatia dos salários no PIB  figura desde logo como sua espinha estruturante.

Muito se avançou em 12 anos de valorização do salário mínimo, formalização do mercado de trabalho e expansão do emprego.

Mas o fato é que a fatia do trabalhador  na renda no país ainda está aquém do que foi no início dos anos 90.

No ciclo do tucano FHC,  1995 e 2002,  essa participação decresceu.

Caiu de 48% para 42,4% do PIB, empurrada pelas políticas antipopulares conhecidas –entre elas o rebaixamento virulento do poder de compra do salário mínimo, a informalidade galopante e a depressão instalada no mercado de trabalho.

No período seguinte, 2002 até meados de 2010, a fatia do salário na renda brasileira  cresceu de 42,4% para 43,4% . Mantém-se em torno disso na média dos últimos anos.

Qual a meta para esse decisivo guarda-chuva  da justiça social num segundo governo Dilma?

Em Comandatuba ou no Itaú a pergunta não faz sentido.

Ela só faz sentido quando passa a existir um portador disposto a respondê-la afirmativamente.

É isso que cabe a um pacto pelo desenvolvimento a ser deflagrado desde já.

Trata-se de dar à deliberação do encontro do PT a sua dimensão de um caminho distinto e sem volta em relação à ganância rentista.

Mais que nunca, as mudanças requeridas pelo desenvolvimento brasileiro exigem a participação  direta de seus interessados  para serem efetivadas.

O 14º Encontro do PT resgatou essa convicção.

Trata-se agora de exercê-la – com a celeridade que a hora exige.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A miragem mexicana

 

Na última década, o modelo mexicano de abertura liberal, integração com os EUA, e livre comércio teve um desempenho extraordinariamente pior do que o do Brasil.

Poucas pessoas inteligentes – fora da Inglaterra - ainda prestam atenção nas notícias da monarquia inglesa e da sua família real, em pleno século XXI. Mas o mesmo não se pode dizer da City, centro financeiro de Londres, e dos seus dois principais órgãos de  imprensa e divulgação – o Financial Times, e o The Economist – que  seguem tendo importância decisiva na formação das opiniões e dos consensos ideológicos dentro das elites liberais e conservadoras do mundo. 
 
A escolha dos seus temas e o uso de sua linguagem nunca é casual. Como no caso recente do seu entusiasmo pelo México e seu modelo de desenvolvimento liberal e seu ataque cada vez mais estridente, ao “intervencionismo” da economia brasileira. Uma tomada de posição compreensível do ponto de vista ideológico, mas que não vem sendo confirmado pelos fatos.

Em 1994, o México assinou o Tratado de Livre Comercio da América do Norte/ NAFTA, junto com os EUA e  Canadá, e nos últimos 20 anos tem sido absolutamente fiel ao livre-cambismo, incluindo sua adesão a Aliança do Pacífico, e à inciativa norte-americana do TPP. Por outro lado, nesse mesmo período, o México praticou uma política macroeconômica e financeira rigorosamente ortodoxa - em particular na última década - mantendo inflação baixa, cambio flexível,  taxas de juros moderadas e amplo acesso ao crédito. 
 
Mesmo assim, depois de duas décadas, o balanço dessa experiência ultraliberal deixa muito a desejar [1]. Como era de se prever o comercio exterior do país cresceu significativamente no período e passou – em termos absolutos - de U$ 60 bilhões em 1994, para U$ 400 bi em 2013. Mas nesse mesmo período, a economia mexicana teve um  crescimento médio anual pífio, de 2,6%, sendo o crescimento per capita, de apenas 1,2%. O emprego industrial cresceu de forma setorial e vegetativa, e mesmo nas “maquiladoras”, foi de apenas 20%, algo em torno de 700 mil novos postos de trabalho. A participação dos salários na renda permaneceu em trono de 29% da renda nacional, e a pobreza absoluta da população mexicana aumentou significativamente.
 
Por fim, ao contrário do que havia sido previsto, a economia mexicana não se integrou nas “cadeias globais de produção”, a produtividade média da economia praticamente só cresceu de forma segmentada e vegetativa, e o “investimento direto estrangeiro” (o principal “premio” anunciado em troca da abertura da economia) não teve nenhuma alteração significativa.

Esse balanço fica ainda mais decepcionante quando se compara o desempenho do “modelo mexicano”, com o “modelo intervencionista” da economia brasileira, no período entre 2003 e 2012. Segundo  dados publicados pelo Banco Mundial [2], e pelos Ministérios do Trabalho dos dois países, os números e as diferenças são realmente chocantes. Nesse período, a crescimento médio anual do PIB brasileiro, foi de 4,21%, o do México de 2,92%. O crescimento total a economia brasileira foi de 42,17%, o do México, de 29,29 %. As exportações brasileiras cresceram, a uma taxa anual de 6,59%, as do México, a uma taxa de 5,35%. O crescimento total das exportações brasileiras foi de 65.95%, o do México, foi de 53,35%. As importações brasileiras cresceram a uma taxa média anual de 17,33%, e as do México, a uma taxa de 6,75%. O crescimento total das importações no Brasil foi de 173,32%, e no México de apenas 67,54%.
 
Por outro lado, a renda per capita brasileira cresceu a uma taxa anual de 2,84%, e a do México, 1,42%; o crescimento total da renda no Brasil foi de 28,4%, e no México foi de 14,26%; e  a participação dos salários na renda chegou a 45 % , no Brasil, e no México, a 29%. Nesse mesmo período, o Brasil criou 16 milhões de novos empregos formais, e o México 3.500 milhões; e a pobreza absoluta foi reduzida a 15,9%, no Brasil,  e aumentou para 51,3%, no México.
 
Por fim, (pasme-se), entre 2002 e 2012, o “investimento direto estrangeiro” no Brasil,  cresceu de U$ 16.590 milhões, para U$ 76.110 milhões de dólares, e no México,  caiu de U$ 23. 932 milhões, em 2002, para U$ 15.4553 milhões, em 2012 ! Só para encerrar a comparação, em 2103 a economia brasileira cresceu 2,3%, em  ( uma das maiores taxas entre as grandes economias do mundo) enquanto  a economia mexicana cresceu 1,1%.

Foreign direct investment, net inflows (BoP, current US$)

Fonte: International Monetary Fund, Balance of Payments database, supplemented by data from the United Nations Conference on Trade and Development and official national sources.Catalog Sources World Development Indicators. Disponível em: http://data.worldbank.org/indicator/BX.KLT.DINV.CD.WD/countries/BR-MX?display=graph em 27/04/2014
    
Isto posto, o elogio do México deve ser considerado um caso de má fé,  fundamentalismo ideológico, ou estratégia internacional ? As três coisas ao mesmo tempo. Mas o que importa é o que dizem os números, e a conclusão é uma só: na última década, o “modelo mexicano” de abertura liberal, integração com os EUA, e livre comércio teve um desempenho extraordinariamente pior do que o “modelo intervencionista”, “heterodoxo” e “fechado”(apud FT e TE) da economia brasileira, junto com seu projeto de integração do Mercosul.
 
Notas
[1] Vide  artigo  do ex-ministro de Relações Exteriores do México,  Jorge Castañeda: “NAFTA´s  mixed  record”,  publicado no numero da Revista Foreign Affairs,. de janeiro/fevereiro de 2014.

[2] www.data.worldbank.org

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Brasil está se acabando, segundo a mídia. Mas com todo mundo empregado, né?


desempdez
A tragicomédia da imprensa brasileira, que transforma em “desgraça” todos os problemas econômicos que nosso país tem diante de um mundo abalado, desde 2008, pela crise e pela estagnação da economia, tem um grande inimigo: os fatos.
O dado divulgado agora de manhã pelo IBGE, registrando (mais um ) recorde na taxa de ocupação dos brasileiros, com o menor índice já apurado, na história, nas regiões metropolitanas do país é um destes fatos contra os quais só há argumentos se eles forem de má-fé.
Repito, o menor desemprego de toda a história deste país.
Como foi má-fé a exploração de que “o desemprego não era tão baixo assim” quando o IBGE lançou uma nova pesquisa, mais abrangente que aquela que vem sendo feita desde 2002 e que, portanto, é a que pode servir de comparação.
porcordapelO trabalho divulgado pelo IBGE tem outras informações reconfortantes.
Por exemplo a de que não apenas aumentou muito proporção dos trabalhadores com carteira assinada, desde 2003, como a de que isso se deu dentro de um processo de inclusão e justiça social.
De 39,7% de trabalhadores do setor privado, passamos a 50,7% em dezembro passado.
Entre 2003 e 2012, o número de trabalhadores negros ou mestiços com carteira assinada, que era muito inferior ao da população branca praticamente igualou-se, como você observa no gráfico ao lado.
É claro que a economia brasileira tem problemas e terá ainda mais com a crise a conta-gotas que o fim do ciclo de expansão monetária da política norte-americana for sendo encerrado, o que “chupa” de volta para os títulos do Tesouro dos EUA a montanha de dólares espalhados pelo mundo, sacolejando os fluxos de capital dos países emergentes.
escolaridadeMas estamos numa situação que nem de longe pode ser classificada como crise, ainda mais sob a ótica do povo trabalhador, onde crise econômica tem um sinônimo: não conseguir emprego.
Um trabalhador que, a duras penas, vem conseguindo elevar seus níveis de escolaridade, embora a “nata” econômica, que reclama de sua desqualificação não apenas não move uma palha para treiná-lo e educá-lo quanto pratica uma cruel rotatividade, mandando embora todos aqueles que se tornam mais capazes pela experiência e, portanto, começam a ter sonhos “perigosos” de pretender uma remuneração melhor.
Veja abaixo, no gráfico interativo do Estadão, o que veio ocorrendo com o desemprego desde que os “gênios” do tucanato foram tirados do poder.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

PRÉVIA DA INFLAÇÃO CAI PARA 0,67%, AFIRMA IBGE.

 Presidente do Bradesco refuta alarmismo parasitário de seus pares: a poupança teve aplicação recorde em 2013, diz Trabuco Cappi, ao Valor; ao mesmo tempo, a inadimplência é a menor em cinco anos; o crédito cresceu e o emprego é firme.

Não é só a dona do Magazine Luiza: pesquisa da PricewaterhouseCoopers com 1.344 executivos de 68 países coloca o Brasil na 4ª posição entre as melhores opções de investimento no mundo; atrás apenas da China, EUA e Alemanha.


Em 2001, penúltimo ano do governo FHC, a inadimplência no varejo cresceu 35,7%; em 2013, penúltimo de Dilma, caiu a 2,3%.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Petróleo, Noruega e Reino Unido: o estatal milionário e o liberal sem tostão

noruega
Quarta-feira passada, cada norueguês se tornou um milionário – sem ter que levantar um dedinho sequer. 
Eles devem isso ao seu litoral, e a uma enorme dose de bom senso. 
Desde 1990, a Noruega foi fazendo seu caixa a partir do óleo e do gás do Mar do Norte, em um fundo para o futuro. (…)
Na semana passada, o saldo deste fundo atingiu um milhão de coroas para cada um dos 5 milhões de noruegueses, ou perto de US$ 163 mil (R$ 383 mil).
O texto acima é o início de uma reportagem do inglês  The Guardian, publicada esta semana que, logo a seguir, pergunta porque os ingleses, que começaram a explorar o petróleo do Mar do Norte ao mesmo tempo que os noruegueses, no final dos anos 70,  não têm praticamente nada acumulado pelos bilhões de barris que foram extraídos do leito marinho.
Para onde foi o dinheiro? “Virou corte de impostos para os ricos ou foi desaguado nas paredes das concessionárias de veículos ou dos agentes imobliários”, lamenta o Guardian.
O economista-chefe da PricewaterhouseCoopers, John Hawksworth, admite que “não temos quaisquer novos hospitais ou estradas para mostrar: o investimento líquido do setor público caiu de 2,5% do PIB no início da era Thatcher a apenas 0,4% do PIB até 2000. E ele explica o destino do dinheiro: “A resposta lógica é que o dinheiro do petróleo permitiu baixar os impostos não petrolíferos”.
Claro que os sobre a renda e o capital.
Enquanto isso, a Noruega se tornou o maior PIB per capita entre os países da região, como você vê lá no gráfico. À frente, inclusive dos “paraísos” da Dinamarca e da Suécia. E muito à frente dos arrogantes ingleses.
O Fundo do Petróleo Norueguês é, hoje, o dono de 1% de todas as ações do mundo, em valor.
Equivale a 1,8 vezes o produto interno bruto do país.
Não que eles não gastem o dinheiro do petróleo.
Gastam, inclusive o do fundo, mas apenas 4% ao ano, menos do que os rendimentos.
A riqueza veio da atividade exploratória, feita em regime de partilha e com uma empresa estatal fortalecida, a Statoil, que desenvolveu tecnologia e indústria no até então atrasado e pesqueiro país. Hoje, a sua empresa busca petróleo em todo o mundo e o país exporta tecnologia.
Mas os noruegueses têm outra estatal: a Petoro, a Petrosal deles, que recolhe a parte estatal do petróleo e a transforma em dinheiro para o Fundo.
Trago esta história, sugerida pelo leitor Ernesto, para que os amigos e amigas se advirtam quando começarem a entrar os recursos do pré-sal, contra os discursos de que o dinheiro deve ser direcionado para “aquecer o mercado”, cortar impostos e distribuir perdulariamente aos municípios.
Ou que andaríamos muito mais rápido se o país permitisse mais liberdade às multinacionais, não exigindo participação da Petrobras, cotas de partilha e alto conteúdo nacional nos equipamentos exploratórios.
A obra dos “eficientes” neoliberais do petróleo do Mar do Norte está lá, bem marcada no gráfico sobre o PIB per capita do Reino Unido.
O modelo escolhido pelo Brasil para o pré-sal é o norueguês e também está lá onde ele levou o pais em quarenta anos.
O país que, mais que seu, é dos seus filhos e dos seus netos.