Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Apoio de “petistas” à prisão de “mensaleiros” é “pegadinha” do Datafolha

No último domingo, o site da Folha de São Paulo divulgou um dado em pesquisa Datafolha sobre a corrida eleitoral para presidente e governador de São Paulo e sobre a popularidade do prefeito da capital Paulista, Fernando Haddad, que muitos consideraram algo estranho.
Segundo a pesquisa, 87% dos “adeptos do PT” aprovaram as prisões de réus do mensalão “no feriado de 15 de novembro”, 86% acham que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, “agiu bem” ao fazê-lo e 80% acham que “agiu de acordo com a Justiça” e não para “se promover”.
Abaixo, a matéria assinada pelo colunista Fernando Rodrigues e publicada pela Folha só na internet e não na edição impressa do jornal.

Como se pode notar na imagem acima, a matéria termina dizendo que “Entre petistas, vai a 80% a taxa dos que acharam que o presidente do STF agiu de acordo com a Justiça” ao determinar a prisão de “mensaleiros”.
Nesse ponto, começa a confusão causada pela interpretação que a Folha deu às respostas dos entrevistados pelo Datafolha.
Em primeiro lugar, não são “petistas” que, em expressiva maioria, disseram que o ministro Joaquim Barbosa “agiu de acordo com a Justiça”. Essa opinião é de entrevistados pelo Datafolha que simplesmente declararam PREFERÊNCIA pelo PT.
Ora, assim como não são tucanos os que preferem o PSDB, não são petistas os que preferem o PT. No máximo, são simpatizantes.
Como muitos consideraram a matéria meio estranha – entre eles, este que escreve –, o Blog entrou em contato com o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. Abaixo, o e-mail enviado a ele e sua resposta.
—–
De: Eduardo Guimarães
Para: Mauro Francisco Paulino
Assunto: Perguntas
Data:02/12/2013 11:51
Caro Mauro Paulino,
Estão surgindo dúvidas sobre matéria da Folha de São Paulo que afirma que, segundo pesquisa Datafolha, 87% dos petistas aprovaram a prisão dos “mensaleiros”. 
Diante disso, apresento algumas questões que gostaria que respondesse, de forma a esclarecer tais dúvidas.
1 – Que perguntas, exatamente, foram feitas no questionário do Datafolha sobre a posição de “petistas” sobre a prisão dos “mensaleiros”?
2 – Os “petistas” em questão seriam filiados, simpatizantes ou ambos?
3 – Onde se pode encontrar a planilha apresentada pelo Datafolha aos entrevistados?
4 – Os “petistas” que aparecem na pesquisa como apoiadores da prisão dos “mensaleiros” e da conduta de Joaquim Barbosa ao decretar as prisões seriam os entrevistados que declararam votar no PT?
Agradeço se puder responder a estas perguntas.
Um abraço
Eduardo Guimarães
*
De: Mauro Francisco Paulino
Enviada: Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013 14:32
Para: Eduardo Guimarães
Assunto: Re: Perguntas
Eduardo,
Todas as pesquisas divulgadas do Datafolha são disponibilizadas na íntegra no site do instituto, no primeiro dia útil após sua publicação. Assim todos podem conferir bases estatísticas, formulação das perguntas, segmentação detalhada dos resultados, relatório dos principais resultados produzido pelo instituto, perfil da amostragem entre outras informações.
A pergunta sobre preferência partidária aplicada sempre pelo Datafolha é: ” Qual é o seu partido político de preferência?”
Abs,
Mauro Paulino
*
De: Eduardo Guimarães
Para: Mauro Francisco Paulino
Assunto: Re: Perguntas
Data:02/12/2013 14:40
Caro Mauro,
não achei o formulário da pesquisa em tela. E não encontrei no site.
Onde posso consegui-lo? Teria como o Datafolha me enviar?
Grato,
Eduardo Guimarães
*
De: Mauro Francisco Paulino
Para: Eduardo Guimarªes < edu.guim@uol.com.br >
Assunto: Re: Perguntas
Enviada: Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013 15:27
Eduardo,
Há itens da pesquisa que ainda não foram divulgados pelo jornal. Assim que sair a íntegra poderei enviar a você o questionário aplicado.
Como já informei, a íntegra de todos os resultados já publicados e a formulação exata das perguntas encontram-se no site.
Grato,
Mauro
*
De: Eduardo Guimarães
Para: Mauro Francisco Paulino
Assunto: Re: Perguntas
Data:02/12/2013 15:30
Caro Mauro, agradeço a gentileza.
Um abraço,
Eduardo
—–
Como Paulino, quando liguei, estava em horário de almoço e eu precisava terminar este post, antes de ele responder que depois me enviaria as informações entrei em contato com o Datafolha e consegui o teor das perguntas sobre a prisão dos “mensaleiros”.
Eis que aparece outra confusão que a matéria da Folha causou em relação à opinião de “petistas” sobre a prisão dos “mensaleiros”. Diz o texto que “Entre os simpatizantes do PT, 87% dizem que Barbosa agiu bem ao mandar prender os mensaleiros no feriado”.
Não foi bem isso que o Datafolha perguntou aos entrevistados. Abaixo, a informação que recebi da equipe de sondagens eleitorais do Datafolha.
Como se vê, os entrevistados não disseram que “Barbosa agiu bem ao mandar prender os mensaleiros no feriado”, pois o Datafolha não perguntou isso; perguntou se “Agiu bem ou agiu mal ao determinar a prisão de condenados do mensalão”. Dizer que aprovaram a prisão “no feriado” ficou por conta de Fernando Rodrigues…
De resto, a matéria reproduz fielmente as respostas. Porém, a escolha das perguntas foi capciosa. Ora, há uma condenação da Justiça contra os réus do mensalão. Alguém que não seja altamente politizado jamais poderia dizer outra coisa.
Os simpatizantes do PT – e não “os petistas”, como disse a matéria de Fernando Rodrigues – deram a única resposta cabível. A lei amparou a decretação das prisões. Não se pode dizer que Barbosa as decretou para se promover sem que fossem dadas todas as informações aos entrevistados
O baixo percentual dos que discordaram da decisão de Barbosa se refere aos que estão informados do que disseram vários juristas eminentes sobre o espetáculo armado por ele, com transferência dos condenados para Brasília e confinamento em regime fechado quando fazem jus ao semiaberto.
Ainda assim, a iniciativa da Folha de arrancar essa resposta a fórceps dos entrevistados mostrou um dado positivo para o governo federal e sua titular: os que preferem o PT e pretendem votar em Dilma dissociam a presidente e o partido do escândalo do mensalão.
Por fim, resta anotar que a própria Folha acabou concluindo ser irrelevante divulgar essa pegadinha em sua edição impressa. Agora, então, só resta aguardar o envio do questionário apresentado aos entrevistados, conforme prometeu o diretor do Datafolha…

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cerca de 1000 leitores veem golpe em marcha e querem reagir

Até a manhã de domingo, o post intitulado “Você vai ficar parado assistindo o golpe prosperar?” recebeu cerca de 1000 comentários de leitores de todas as partes do Brasil e também do exterior, os quais se uniram a este que escreve no entendimento de que os fenômenos que se produziram no país em junho decorreram de orquestração com fins políticos.
Vale explicar a falta de precisão sobre o número de leitores que apoiam a teoria da orquestração e o chamamento para que se unam ao Movimento dos Sem Mídia a fim de elaborar estratégias para enfrentar um movimento de viés fascista que buscou, desde o primeiro passo, interferir nas eleições do ano que vem.  Não há número fechado porque esse contingente segue crescendo enquanto este texto se escreve praticamente sozinho.
Antes de prosseguir, porém, é preciso avaliar a importância de um contingente como esse de cidadãos romper o surto de covardia que se abateu sobre o país e que tornou “crime de traição” discordar da nova ordem, a “ordem das ruas”, a contaminação fascista que assola o Brasil.
Se um simples blog consegue reunir quase mil pessoas desconfiadas do rumo dos acontecimentos em pouco mais de um dia, é de se imaginar quanta gente, por aí, percebe que há um golpe político em andamento.
O mérito da iniciativa desta página, portanto, está sendo o de impedir que a Onda de protestos sem causa e sem rumo que tomou o país se torne “unanimidade” da boca das pessoas para fora, pois, como fica claro em incontáveis depoimentos de leitores no post anterior, quem discorda está sofrendo pressão em seus meios sociais e profissionais e, nesse processo, sente-se intimidado e coagido a “mudar” de posição ou a se calar.
Alguns dirão que cerca de 1000 pessoas (até aqui) espalhadas pelo Brasil não são nada diante de cerca de um milhão que foram às ruas. Contudo, antes deste post tenho certeza de que nenhuma outra página na internet mostrou tão claramente como a desconfiança dessas manifestações é um sentimento latente e sufocado.
Além disso, aqui não se pediu simpatia aos leitores que aderiram ao chamamento feito, pediu-se engajamento, o que, por certo, limitou a adesão – além, é claro, do medo de muitos de se exporem a uma discordância que vem se tornando quase que proibida em meio a um processo catártico que está levando as pessoas a deixaram de raciocinar e a se tornaram, em boa parte, legitimamente fascistas ao agredirem, verbal ou fisicamente, quem discorda.
A essas pessoas que aderiram ao chamamento do Blog, informo que já estão sendo cadastradas com base em seus nomes, cidades e Estados. O primeiro passo, porém, será varrer o arquivo de comentários para retirar nomes repetidos em mais de um comentário da mesma pessoa e manifestações que não são de adesão.
Contudo, já se pode dizer que os comentários inadequados à natureza do post não passam de algumas poucas dezenas em meio a cerca de nove centenas de adesões.
A partir da primeira lista que for composta, um e-mail coletivo será enviado e cada pessoa que se manifestou simpaticamente à causa do Movimento dos Sem Mídia receberá instruções por esse meio.
Em primeiro lugar, será pedido àqueles que não informaram em que cidade e Estado residem que complementem a informação. Anexada ao e-mail, haverá uma ficha de inscrição em que serão pedidos dados adicionais, como telefone, endereço etc., de forma a compor o cadastro do MSM.
O passo seguinte será separar as pessoas de São Paulo de forma a que participem fisicamente de uma Assembleia que será feita em auditório nesta cidade em data que será discutida após concluir a tabulação dos dados.
Simultaneamente, pessoas de outros Estados ou mesmo de cidades paulistas mais distantes da capital que não puderem vir a ela serão instruídas sobre como poderão ajudar até que em suas regiões tenhamos massa crítica para organizar um evento similar ao de São Paulo.
Este que escreve está disposto a percorrer o país para organizar o MSM em outras regiões. Independentemente da política, pois tempos sombrios se fazem anunciar e quando os olhos e mentes se abrirem pelo menos os que enxergaram antes já terão se organizado de alguma forma.
Nesse aspecto, há que fazer comentários sobre a pesquisa Datafolha que mostrou derretimento da popularidade da presidente Dilma Rousseff e que foi divulgada cerca de 12 horas após a publicação do post em que foi feita a exortação aos seus leitores para que nos organizemos contra o golpe político em curso no país.
Nas redes sociais Twitter e Facebook, em comentários aqui no Blog, em telefonemas e e-mails que recebi, perguntaram-me se tenho bola de cristal, pois o tom do post de convocação de pessoas assumiu grande sentido diante de uma queda de aprovação de Dilma que ficou claro que surpreendeu a todos pela sua profundidade.
Só ficou surpreso, porém, quem não lê este Blog ou, se lê, não acredita nele. A queda pronunciada de popularidade da presidente já vinha sendo avisada desde a pesquisa Datafolha anterior, que já mostrava queda de 8 pontos percentuais e que foi confirmada pelo Ibope.
Em meio à desorientação que se produziu inclusive no partido da presidente após a divulgação da pesquisa, pois boa parte do PT deu apoio a manifestações que agora se sabe que foram mais prejudiciais a esse partido do que a qualquer outro, vão surgindo tentativas de edulcorar a realidade, como comparações com a perda de popularidade de Lula durante o escândalo do mensalão, em 2005, e suposições de que “todos os políticos” perderam aprovação.
Não é assim. Marina Silva, por exemplo, se deu muito bem. Sua distância para Dilma nas pesquisas sobre a sucessão presidencial do ano que vem, ficou pequena – menos de dez pontos percentuais, em alguns cenários.
Há hoje risco real de o país, ano que vem, eleger uma presidente que flerta com o fanatismo religioso e que, além de posições legitimamente de direita – que se aproximam das do deputado Marco Feliciano, o presidente homofóbico e racista da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados –, não tem um partido político de verdade por trás de si.
Aécio Neves também melhorou um pouco no Datafolha, em alguns cenários. Mas o mais importante é que os protestos não o afetaram muito. O grande prejuízo, portanto, foi de Dilma.
Claro que governantes estaduais e municipais de partidos que fazem oposição ao governo federal, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o de Minas Gerais, Antonio Anastasia, também sofreram fortes abalos de popularidade. Contudo, nenhum deles tinha tanto a perder quanto Dilma, que tinha uma reeleição quase garantida
O principal problema de Dilma, portanto, não é só o processo de desmoralização em que foi atirada pelo que este blogueiro e quase mil de seus leitores afirmam ter sido resultado de orquestração. O problema é que seus adversários, ano que vem, terão a mídia a seu favor e, em uma situação como a atual, esse apoio pode ser decisivo.
A mídia conservadora apoiará qualquer um que esteja mais perto de pôr fim aos governos do PT. Eduardo Campos, Marina Silva e Aécio Neves terão apoio contra Dilma. Quem dos três tiver mais chance, será apoiado decididamente por Globos, Folhas, Vejas e Estadões.
Mas, em verdade, o processo político esquizofrênico em que o país mergulhou deve, isso sim, ressuscitar José Serra. Com Dilma fraca, o recall (lembrança) dele se tornou uma arma fortíssima para vencer a sucessão presidencial. Aliás, esse clima a favor do tucano foi antecipado aqui no post “Convite a Serra pra soltar rojão no Roda Morta diz tudo“.
Pior do que isso: há notícias de que o vice-presidente Michel Temer está sendo assediado pela oposição para que comece a dar declarações vira-casacas sobre o governo Dilma, quem alguns oposicionistas mais exaltados e alguns meios de comunicação sonham em submeter a impeachment. A Temer caberia iniciar o desmonte das políticas públicas petistas, sobretudo as sociais, antes mesmo de 2015.
Dilma está morta? Lula pode se candidatar em lugar dela?
Bem, Dilma ainda tem aprovação e intenções de voto maiores do que as que qualquer adversário tem individualmente, e Lula, nas simulações do Datafolha, aparece quase tão forte quanto de costume. Ou seja: quem acha que o PT está morto, está se precipitando e a chance de quebrar a cara não é pequena.
Até porque, apesar das negativas que sobrevirão por parte do PT e de membros do governo Dilma, lembremo-nos de que Lula sempre afirmou que se, por alguma razão, a sua afilhada política não pudesse enfrentar a sucessão presidencial de 2014, aí, sim, ele poderia voltar.
Se Lula for disputar a sucessão de Dilma, portanto, isso só ocorrerá na undécima hora da disputa do ano que vem, no prazo limite para apresentação de candidaturas. Até lá, o PT, o próprio Lula e todo o governo Dilma negarão até a morte essa possibilidade, pois, uma vez materializada ou admitida por petistas e governistas, mataria este governo de vez.
Para animar quem já estiver mortificado, há que lembrar que Lula não precisa construir sua candidatura. A dele está pronta. Não há brasileiro que não o conheça e, ao contrário de Dilma, ele mantém laços afetivos com o povo brasileiro. Só terá que arrumar um meio de justificar a indicação de Dilma em 2010, mas a política permite “explicações” como essa.
Voltando à realidade, há que tocar na questão da economia. Dez entre dez analistas econômicos já concluem que as manifestações produzirão um baque econômico de proporção ainda não sabida, mas do qual a mídia oposicionista irá se aproveitar para espalhar ainda mais o pânico entre os investidores, os empresários e a população em geral.
O ódio ao PT é tão grande que esses criminosos não se importam de destruir o país para derrotar o partido.
Eis que o risco-brasil, que norteia empresários e investidores, está em torno de 180 pontos. Já é o triplo em relação a maio, antes das manifestações. O real foi a moeda que mais perdeu valor no mundo em junho, pelo mesmo motivo. A atividade econômica está despencando, até porque o comércio das grandes cidades sofreu, até agora, mais de R$ 1 bilhão de prejuízos com as depredações e saques “pacíficos”. Além do que, perdeu incontáveis horas de trabalho. Isso sem falar nas estradas bloqueadas por manifestantes, o que afetou a produção industrial.
Um desastre.
O que se teme, após tudo isso, é um recrudescimento do desemprego. Entre o fim de 2008 e o começo de 2009, quando explodiu a crise internacional, um número impressionante de empresários promoveu “demissões preventivas” assustado pela mídia, que dizia que o país iria quebrar. Nesse processo, perderam-se 800 mil postos de trabalho.
Recomenda-se aos eventuais demitidos que batam à porta do PSOL, do MPL ou de qualquer outro que incensou esse delírio coletivo que engolfou o país e peçam a eles um emprego novo…
O quadro não é bonito, meus amigos. Eis o que esses irresponsáveis fizeram com o Brasil. Estávamos indo bem, a economia estava reagindo, a desigualdade caindo, o nível de emprego no patamar mais alto da história, os salários valorizados como nunca…
Não se pude dizer que tudo tenha sido destruído. Mas o que já se perdeu, até aqui, foi imensurável. E o pior é que continuam tentando manter o incêndio vivo. Tenho visto até petistas continuando a exaltar o MPL e incentivando mais manifestações “pacíficas” enquanto se recusam a admitir o erro fatal que foi apoiar essa loucura.
A grande maioria do PT, de todos os partidos, da mídia, de jornalistas e de blogueiros sabe que houve uma orquestração do PSOL, acima de qualquer outro. Mas quase ninguém quer dar a cara a tapa e alguns, por interesse ou por teimosia, não querem admitir o que vai ficando cada vez mais claro.
O Movimento dos Sem Mídia, para os despertos que frequentam este espaço, constitui-se em uma boia salva-vidas. Ao menos do ponto de vista moral. Não se pode deixar que as pessoas sucumbam às pressões sociais que tentam calar discordâncias. O mais importante, neste momento, é não sucumbir à tentação de se render.
No momento, este que escreve e seus leitores já conseguiram uma grande vitória. As cerca de 1000 pessoas que deixaram seus dados aqui e que se dispõem a se organizar nesse movimento podem se tornar uma luz a guiar quem quiser escapar das trevas que se abatem sobre o Brasil. É só o que nos cabe nesse latifúndio, ao menos por enquanto.
A você que corajosamente aderiu ao chamamento deste Blog e do Movimento dos Sem Mídia, dou as boas-vindas e aviso que logo estaremos em contato. Parabéns por seu destemor. É de pessoas como você que o Brasil mais precisa neste momento.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Partidos perderam o controle dos protestos; hora de ir à rua

Vai se confirmando a percepção inicial de muitos no sentido de que houve um início de aparelhamento político dos protestos que, a partir de São Paulo, espalharam-se pelo Brasil. Conversas com simpatizantes e militantes de partidos envolvidos nesse processo e com outros tantos sem vinculações partidárias confirmam essa premissa e estimulam a imaginação.
Todavia, cumpre reconhecer que os interesses políticos que tentavam se assenhorar desse movimento encabeçado pela organização “Passe Livre” nunca representaram a sua totalidade, assim como a tese de que se tratava de um movimento espontâneo tampouco reproduz a sua gênese.
Acima de outros partidos, o PSOL teve um papel importante na tal “gênese” do crescimento de um movimento que vem atuando há anos, porém sem maior expressão. Nesse aspecto, nos primeiros atos desse drama houve, sim, tentativa de constranger adversários políticos ocupantes do governo do Estado e da prefeitura paulistana.
O que ocorreu, do primeiro grande ato ao último – com seus resultados trágicos –, foi o entendimento, inclusive pelo Movimento Passe Livre, de que a politização terminaria por sepultar intenções sinceras e um clamor da sociedade diante de um Estado que vem se mostrando incapaz de atuar com a velocidade que se espera no sentido de estender aos brasileiros os benefícios de um soerguimento econômico da nação que ocorreu ao longo da última década.
Além do que, nos Estados e municípios não houve uma melhora da qualidade de vida nas metrópoles. Apesar de o brasileiro estar com mais dinheiro no bolso, a vida nas grandes cidades vai se tornando insuportável.
Viver em uma urbe como São Paulo é hoje um martírio. A situação é tão insustentável que uma cidade que rejeitava com tanta força o PT elegeu até com votação confortável um representante desse partido. Aconteceu, na minha cidade, o que ocorrera no Brasil em 2002: o povo resolveu dar uma nova chance ao PT como última tentativa.
Fernando Haddad, nesse aspecto, cometeu um erro político muito grande. O grande problema do PT vem sendo a falta de comunicação. Por conta disso, desde a posse o novo prefeito se manteve praticamente mudo. Após uma campanha em que a melhora no transporte urbano foi o mote, antes de qualquer melhora a nova administração tasca um aumento no lombo dos munícipes.
Ao longo deste ano, pessoas que vêm dos bairros mais humildes para os mais abastados todos os dias, e que votaram em Haddad esperando uma tarifa de transporte que pesasse menos no bolso, revoltaram-se com a ocorrência do inverso.
Apesar de o transporte ferroviário e metroviário também continuar piorando e subindo de preço, a recente eleição colocou a administração municipal em maior visibilidade.
Se Haddad tivesse se dirigido à sociedade e explicado antes do aumento que ele era inevitável e que no segundo semestre os planos de sua administração para o transporte urbano começariam a se fazer sentir, talvez esse movimento não tivesse eclodido. Mas a falta de capacidade de comunicação que vem caracterizando o PT, deu nisso.
Exposta a visão do Blog sobre a causa da eclosão desse movimento, passamos ao que ocorreu em seus intestinos ao longo das últimas semanas.
A dita horizontalidade dos protestos era mais real do que acreditavam os partidos que tentaram direcioná-los aos seus objetivos políticos. Ou seja: a rua é de todos, e muitos levaram a sério o que era um mote pra inglês ver. E foram à rua reclamar.
Aos mauricinhos e patricinhas que planejaram tudo, somou-se uma juventude pobre, das periferias desassistidas, com demandas reais e pouco preocupada em desgastar este ou aquele governo ou partido. E veio à rua, também, o sentimento de revolta com “tudo isso que está aí”, ou seja, com a desigualdade excruciante que esmaga este país.
Daí o quebra-quebra, gerado pela raiva incontida dos massacrados pela desigualdade.
Os partidos políticos que tentavam manipular um movimento que já vai deixando de ter dono ou lideranças e que, aos poucos, vai se tornando anárquico e incontrolável, perderam espaço. A massa que irá às ruas nesta segunda-feira está muito bem precavida quanto à politização, ainda que esses grupos político-ideológicos continuem teimando em lhe dar uma sobrevida.
Nessa situação, o processo está se abrindo a todo tipo de demanda da sociedade. Ao protestar contra o status quo, os cálculos políticos dos partidos de esquerda e de oposição aos governos do PSDB e do PT de São Paulo e do governo petista federal deixaram de fora, por exemplo, a democratização da mídia, a eterna demanda esquerdista.
No momento em que naufragam os planos dos que pretendiam manipular politicamente esse sentimento de “basta” que permeia um processo que beira a convulsão social, portanto, surge a possibilidade de que todo tipo de anseio por mudança seja posto à mesa.
Ironicamente, a partir desse processo surge, talvez, uma das melhores chances em décadas para que seja encaminhada a questão da democratização da comunicação oligopolizada que infecta o Brasil – e que parecia não ter solução.
Eis que ganha sentido adequado uma máxima que, até onde me lembro, é de autoria do historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento Nicolau Maquiavel: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
Durante anos, a ONG criada a partir deste Blog, o Movimento dos Sem Mídia, tentou levar às ruas um sentimento de inconformismo com a comunicação de quinto mundo que tem o Brasil, onde meia dúzia de famílias conservadoras detêm o controle de praticamente toda a comunicação de massa e das principais concessões públicas de rádio e televisão.
Todavia, nunca logramos reunir mais do que algumas centenas de pessoas. Não havia clima para as pessoas irem às ruas. Isso  porque os movimentos sociais e sindicais tradicionais nunca encamparam com decisão a necessidade de se levar uma demanda dessa importância à rua por conta de cálculos políticos, pois os governos do PT, que poderiam encampar tais demandas, colocaram-nas em segundo plano ou as sepultaram.
Ora, os protestos que estão surgindo encampam demandas genéricas “contra a corrupção” e tantas outras que não têm significação prática, pois ser contra a corrupção do Poder todo mundo é, mas esse discurso vem sendo usado pela mídia e por partidos de oposição de direita e de esquerda contra um único grupo político, como se corrupção existisse só em governos petistas, enquanto se sabe que não há governo de partido algum que possa se dizer imune a ela.
Uma demanda como a democratização da comunicação, considerada maldita pela direita e inconveniente pela esquerda mais radical porque serviria ao PT, ganha, no âmbito desses protestos (agora) sem dono a melhor chance que já teve. Um debate interditado desde sempre pelos donos da mídia e pela direita pode, sim, ganhar as ruas.
Convencer os manifestantes das mais diversas orientações de que a comunicação oligopolizada que há no Brasil é o que os obriga a irem às ruas para dizer o que poderiam dizer na televisão e no rádio será moleza, se alguém levar essa premissa a eles.
Eis que chega o momento, pois, de se começar a pensar em como fazer do limão uma limonada.
Se, por um lado, não é bom que tendo tantos eventos esportivos de importância internacional imensa acontecendo no país vigore nele um clima de convulsão social, já que não se pode mudar um sentimento que já se consolidou para muito além dos partidos que engendraram esse processo cumpre aos que querem mudar o Brasil de verdade que participem dele.
Com base nas premissas aqui elencadas é que este Blog e o Movimento dos Sem Mídia passam a se guiar pela filosofia de que “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Se os protestos são, de fato, contra “Tudo isso que está aí”, o que está “aí” e prejudica muito os que querem se manifestar e não podem é a concentração da propriedade de meios de comunicação.
Chegou a hora, pois, de ir à rua. Então, só se for agora.