Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

sábado, 25 de setembro de 2010

Humberto Costa: “Serra tenta se apropriar de políticas que não criou”



Ministro da Saúde na primeira gestão Lula e coordenador do programa de governo para a Saúde da candidata Dilma Rousseff, Humberto Costa aponta as diferenças nas visões dos dois principais postulantes à Presidência do país em relação ao setor. Nesta entrevista ao Vermelho, ele questiona o fato de o tucano José Serra tentar se apropriar de políticas que não criou e adverte que o Sistema Único de Saúde é uma construção de muitos governos.
Atual candidato ao Senado por Pernambuco, Humberto destaca os avanços do SUS, em especial nos últimos oito anos, mas aponta ainda muitos desafios. Entre eles, a prioridade é conquistar mais recursos para a saúde. Liderando com folga todas as pesquisas de intenção de voto, o petista defende a regulamentação da Emenda 29 e a aprovação da Lei de Responsabilidade Sanitária. Veja abaixo.
Portal Vermelho: O SUS foi criado há 22 anos. Nesse período houve avanços, mas até agora o sistema não consegue atender à demanda e seus princípios não são respeitados. Por quê?
Humberto Costa: O SUS avançou muito. Incluiu milhões de pessoas que antes da Constituição de 88 eram atendidas pelo serviço de saúde meramente por caridade. Criamos um sistema universal que busca atender a todos de forma igual. Tivemos resultados importantes, como a ampliação da atenção básica, com o Programa Saúde da Família (PSF), que antes não existia.
Também foram criadas políticas de saúde exitosas, como a política nacional de humanização, a política nacional de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis – em especial a AIDS -, a política de transplantes, a política de assistência farmacêutica… No governo Lula, os avanços foram ainda maiores com a expansão do PSF, a criação do Brasil Sorridente, o investimento no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Farmácia Popular, além da ampliação do Samu.
Mas, naturalmente, um sistema complexo, que foi implantado de forma imediata, tem muitas limitações. As principais dizem respeito, primeiramente, à falta de recursos, que impede o SUS de cumprir a contento as suas responsabilidades.
Em segundo lugar, há alguns entraves, no que diz respeito a áreas específicas. Entre eles, o atendimento de urgência e emergência de média complexidade e o atendimento especializado são problemas que precisam ser enfrentados e demandam resolver outras questões , como a política de recursos humanos, com a formação de mais profissionais e sua interiorização.
Há problemas também de gestão. Apesar de termos avançado muito, ainda há gastos desnecessários, ineficiência, e esses problemas precisam ser enfrentados. Contudo, o que já foi feito no SUS justifica o fato de ele ser considerado uma das políticas mais exitosas do País.
Vermelho: Como medir essa questão do subfinanciamento?
Humberto: O financiamento do setor saúde no Brasil representa cerca de 8% do PIB. E o gasto privado é maior que o público. Ou seja, as famílias precisam gastar mais do seu orçamento com a saúde, numa proporção em que o gasto privado supera os 55% e o público não chega a 45% do total da Saúde.
E a gente não precisa ir longe para saber que este investimento não é suficiente. Se formos comparar com países da América Latina, só ficamos na frente, no que se refere ao financiamento da Saúde, de dois países: Argentina e Uruguai. Temos que criar mecanismos para sanar os dois problemas: melhorar a qualidade dos gastos e aumentar os recursos. Além disso, o fim da CPMF acabou gerando dificuldade a mais, no que diz respeito aos recursos.
Vermelho: Como tapar o buraco deixado pelo fim da CPMF?
Humberto: A queda da CPMF precisa ser recompensada na saúde de alguma forma, seja com mais recursos de impostos, do orçamento da União, seja pela regulamentação da Emenda 29, que vai determinar o que pode ser enquadrado como gasto na Saúde.
A proposta da Emenda é muito boa, mas é claro que gera ruídos, em parte, porque vai obrigar estados e municípios a cumprirem a obrigação de gastar o percentual mínimo das suas receitas com saúde. E também porque vai mostrar claramente o que são os gastos, ações e serviços na saúde, limitando artifícios contábeis que acabam incluindo, nessa conta, despesas com saneamento e programas assistenciais, e que desviam os recursos do setor de sua função final.
Vermelho: A relação entre municípios, estados e união tem funcionado bem para o SUS?
Humberto: Em muitos aspectos, sim, como na questão da definição dos objetivos estratégicos, no cumprimento do papel constitucional que cada um deles tem e também na criação de um sistema em que estados e municípios tenham autonomia, em especial, no que se refere à distribuição de recursos.
Mas é preciso avançar. E o principal é fazer com que os pactos e os acordos que são celebrados entre os estados, municípios e união, com divisão de responsabilidades, deixem de ser meramente cartoriais e passem a ter força de lei. Por isso, defendemos a Lei de Responsabilidade com a Saúde, ou Lei de Responsabilidade Sanitária, tema que eu pretendo ajudar a construir no Senado.
Vermelho: Como resolver a carência de profissionais e a precarização do trabalho na saúde?
Humberto: Primeiramente, é necessário eliminar a precarização, pelo respeito à adoção dos direitos previdenciários e trabalhistas, em todas as relações de trabalho entre o setor público e os profissionais. E precisamos, para sanar a carência, de mais profissionais formados, entre técnicos e profissionais de nível superior, que possam, inclusive, vivenciar um processo de educação continuada.
É importante aprimorar o currículo dos profissionais, fazendo com que eles sejam formados para atender às necessidades da população. Além disso, podemos criar alguns mecanismos, como o serviço social obrigatório, para estabelecer a interiorização dos profissionais e receber destes profissionais uma contrapartida pelos gastos públicos com a sua formação.
Vermelho: Grupos privados de alguma forma atrapalham a evolução do SUS?
Humberto: Pela Constituição brasileira, a atividade privada é possível tanto na área de saúde suplementar, como também no credenciamento de serviços privados pelo SUS. Nós achamos que é perfeitamente possível a atuação privada no sistema. Agora, é importante que haja uma forte regulação do Estado, em relação ao setor privado. As agências cumprem esse papel, é o caso Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Vermelho: A dependência de produtos e tecnologias estrangeiras atrapalha o SUS?
Humberto: Sem dúvida, o Brasil ainda é muito dependente neste sentido. Especialmente no que se refere às novas tecnologias, e é claro que isso interfere no SUS. Principalmente, porque somos sempre obrigados a incorporar essas tecnologias sem que novos recursos sejam incorporados ao SUS. Além disso, quando não dominamos esta tecnologia, a gente deixa de ter um controle estratégico sobre algumas áreas fundamentais para a própria soberania do país.
Vermelho: O tema da Saúde tem sido muito abordado nesta campanha presidencial pelo candidato José Serra, que se apresenta como o pai de várias ações. ..
Humberto: Inegavelmente, todos os governos que passaram deram uma contribuição ao SUS. Todos colocaram um tijolo nessa construção importante que é o SUS, que não foi fruto exclusivo de nenhum governo e no qual todos tiveram méritos. O que me parece equivocado, na abordagem do candidato Serra, é que ele procura se apropriar de determinadas políticas, que não foram criadas por ele, mas que ele pretende apresentar como iniciativas suas, apesar de que ele possa ter contribuído para elas terem se desenvolvido.
É o caso de ele dizer que criou o Saúde da Família, que criou o genérico e que é o pai do programa de combate a AIDS, o que não é verdadeiro. Mas, naturalmente, ele teve seu mérito de contribuir também para que o SUS crescesse e avançasse.
Vermelho: Qual a principal diferença na forma como Serra e Dilma tratam a saúde?
Humberto: A rigor, todo mundo defende o SUS. Agora, claro que existem diferenças entre os dois projetos. Parte dos tucanos defende a flexibilização de alguns direitos universais do SUS. Embora o Serra não tenha se posicionado oficialmente assim, alguns projetos de partidários dele já circularam no Congresso neste sentido, inclusive ao longo do governo FHC.
Outra diferença básica entre o projeto de Dilma e o de Serra diz respeito à gestão pública dos serviços de saúde. Os tucanos têm uma postura de delegar ao setor privado ações, especialmente na gestão de serviços, que comprometem o controle público. Um exemplo disso é a maneira como eles utilizam as parecerias com as Organizações Sociais (OS).
Vermelho: Quais os principais desafios para o próximo presidente do Brasil?
Humberto: O principal desafio do próximo governo é ter dinheiro para fazer o sistema funcionar. E isso vai ser obtido pela regulamentação da Emenda 29. E o próprio governo deve estabelecer, dentro do seu orçamento global, mais recursos, com a priorização do setor Saúde.
Afora isso, a gente tem que resolver os problemas de acesso, criar novos serviços para atender às demandas da população, especialmente na área de média complexidade, o atendimento de urgência, o atendimento especializado. Também temos que melhorar a política de recursos humanos e adotar novos modelos de gestão para melhorar a eficácia do Sistema.
Da Redação,
Joana Rozowykwia
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FALTAM OITO DIAS A BALA DE PRATA ERA VERDE



A direita brasileira raspou o fundo do tacho e chegou à seguinte conclusão: Marina é o último cartucho de Serra. Todas as pesquisas divulgadas até sexta-feira convergem para um ponto de equilíbrio sedimentado: Dilma tem 50% das intenções de voto (oscilou apenas um ponto para baixo depois da fuzilaria das últimas duas semanas). Serra patina em torno de 25%. Parece difícil ir além por suas próprias "qualidades. Depois de tudo que tentou, a boa vontade estatística, leia-se, o versátil Ibope do transformista Carlos Montenegro, lhe deu uma oscilação de amigo do peito de mais 3 pontos. Anima a militância da página 2 da Folha, mas é insuficiente. ".

Para levar a eleição ao segundo turno, resta ao conservadorismo nativo pintar-se de verde e bombar Marina Silva pelo ar, terra e mar, 24 horas por dia nos próximos oito dias. O mutirão já começou. Faz parte desse "tour de force", por exemplo, a retardatária adesão do neoecologista Pedro Simon à candidatura do PV. Personalidades de algum apelo popular serão convocadas também. Em troca, terão espaços generosos e citações simpáticas no dispositivo midiático do conservadorismo nativo.

O movimento ambientalista brasileiro encontra-se diante de uma encruzilhada histórica: tem oito dias para decidir se integra o campo de forças que lutam pela transformação do Brasil numa sociedade mais justa e sustentável, ou, ao contrário, como lamentavelmente sugere o comportamento de alguns de seus porta-vozes e lideranças lambuzadas com a atenção da mídia, se assume a condição subserviente de pé-de-palanque da direita e da extrema-direita unidas no interior da coalizão demotucana. Chico Mendes, por certo, não hesitaria em escolher seu lado se na reta final de uma disputa política, como agora, tivesse objetivamente duas opções de poder: um governo amarrado em torno dos compromissos históricos de Dilma e Lula ou um Brasil submetido ao comando da alarmante coalizão de forças liderada pela não menos alarmante dupla, Serra e Índio da Costa. Resta saber qual será a escolha de Marina Silva. A ver.
(Carta Maior, 25-09)

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma


A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma
O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta. Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. O artigo é de Leonardo Boff.
Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes. 

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

Kamel, o futuro do Brasil está em suas mãos


Aparentemente, esgotou-se o acervo de detritos de maré baixa da Veja.

A capa dessa semana é uma defesa do Golpe do PiG (*).

Este ordinário blogueiro não ousou abrir a capa de plástico.

E explicou aos frequentadores da banca que fica em frente à padaria Aracaju, em Higienópolis, São Paulo, que ao manusear as páginas da Veja é possível contrair doenças terminais de pele.

O notável desta edição – uma das últimas deste periódico – é que ele não tem mais a propriedade de dar o Golpe antes da eleição.

(Perguntava o Brizola, o avô: quantos passaportes tem o sr. Civita ?)

Resta ao Golpe do PiG (*) o jornal nacional da véspera da eleição.

O jornal nacional da véspera da eleição já produziu uma memorável edição do debate entre Collor e Lula, acompanhada de um editorial inesquecível de Alexandre Maluf Garcia.

Na véspera de outra eleição, Ali Kamel ignorou a tragédia da Gol para não desarmar a paginação do jornal nacional que levou para o segundo turno a eleição entre Alckmin e Lula.

Clique aqui para ler “O primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.

No dia 1º de outubro, Ali Kamel terá um encontro com a História.

Detonar a bala de prata e, de um só Golpe, atravessar o coração de Lula e da Dilma.

O Alexandre, o casal 45, o Waack, a Mônica, a urubóloga, o Jabor, e agora a nova estrela do firmamento Golpista, o Merval, eles não conseguiram o que só o Ali Kamel pode conseguir.

Como se diz no mictório da padaria: Ali Kamel, o futuro do Brasil está em suas mãos.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Haverá uma última bala de prata?

Posted by eduguim on 25/09/10 • Categorized as Opinião do blog  BLOG CIDADANIA

As campanhas eleitorais em todos os níveis estão a (praticamente) uma semana daquele momento único da democracia em que o povo dá o seu veredicto final sobre tudo o que foi dito pelos protagonistas da disputa política – sobre si e sobre os adversários. E, claro, do que disse a imprensa sobre esses contendores.
Apesar de ser praticamente impossível encontrar um eleitor de Dilma, de Serra, de Marina ou de algum candidato nanico – ou até de ninguém – que tenha a mínima dúvida de que a revista Veja, a Folha de São Paulo, a Globo ou até o Estado de São Paulo lançarão um último “escândalo” contra Dilma no undécimo momento da campanha eleitoral, tenho lá minhas dúvidas de que isso ocorrerá.
Mesmo que nos últimos sete anos e tanto a mídia de direita e o grupo político comandado por Serra e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenham se recusado a entender que através de acusações ao PT não induzirão o voto no PSDB ao ponto de levá-lo de volta ao poder, não acredito que essa grande mídia seja totalmente estúpida, como pensam muitos.
Já escrevi aqui que “Eles não rasgam dinheiro”, ou seja, que não são loucos ou idiotas completos. Pelo contrário: contam com cabeças bem mais frias do que as suas para analisarem estratégias políticas sob prismas bem mais racionais do que os usados pelos Otavinhos da imprensa golpista.
Como todos sabem, sempre mantive – e sempre manterei – interlocução com expoentes dessa “grande” imprensa que se interessem por dialogar comigo. Bem sei, portanto, a razão pela qual essa gente não desiste da estratégia de escandalizar o nada. Acham que, se não fizessem isso, seria “pior”, pois Lula teria hoje 100% de aprovação, por mais que seja uma hipótese descabida.
Desta maneira, direi a vocês uma conclusão à qual acredito que os aparatos oficial e extra-oficial de comunicação de Serra estão chegando. Seguramente, ele está sendo alertado pelos especialistas de que sua estratégia de acusar a adversária através desse seu aparato midiático foi um rotundo fracasso.
Após cerca de um mês e meio de artilharia pesada contra Dilma, de condenações peremptórias dela, do PT e do presidente Lula por grandes meios de comunicação que, concomitantemente, fizeram de tudo para transformar o belicoso Serra em vítima, a montanha pariu um rato.
Todas as pesquisas de opinião mostram o que digo. Apesar de a mídia ter abolido o princípio da margem de erro nas pesquisas, dando manchetes que dizem que Dilma teria perdido pontos sobre a soma dos adversários sem considerar que tudo se dá no âmbito da imprecisão estatística provável, foi isso o que aconteceu.
Trocando em miúdos: como as tais diminuições de vantagem de Dilma captadas pelos indefectíveis Datafolha e Ibope ficaram dentro da margem de erro estatística, é possível dizer tanto que houve essa diminuição quanto que não houve qualquer diminuição das intenções de voto da candidata do PT .
Com efeito, o noticiário vem tentando induzir a sensação de que finalmente Dilma teria sentido o golpe do bombardeio tucano-midiático mesmo que tudo não passe de especulação baseada em pesquisas que são desmentidas pelo instituto que mais tem acertado, o Vox Populi, que não detectou perda de vantagem da petista nem dentro da margem de erro.
Não foi por outra razão que o polêmico diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, deu recente declaração de que o eleitorado está tendo a “impressão” de que as acusações tucano-midiáticas contra Dilma não passam de “jogo eleitoral”.
Desta maneira, penso que o uso da surrada tática de fazer alguma acusação pesada contra Dilma quando não houver mais tempo para ela se defender na tevê e no rádio será repensada pelo candidato tucano e pelos seus Otavinhos.
Lembremo-nos, neste ponto, da teoria que embasou o prolongamento do bombardeio midiático da mídia contra Dilma, a teoria da pedra no lago, segundo a qual as denúncias levariam algum tempo para se propagar do centro “esclarecido” da opinião pública para as suas margens ignaras. Por essa teoria, deixar o ataque para a última hora seria ineficaz.
Ocorre que essa teoria foi desmoralizada (de novo), nesta campanha eleitoral. As ondas no lago, que propagariam as denúncias tucano-midiáticas, não passaram de marolinhas. O fato é que, com uma comunicação veloz como a de hoje, há dezenas e dezenas de milhões de pessoas que tomariam conhecimento, rapidamente, de qualquer acusação.
A reação indiferente do eleitorado a uma das maiores campanhas difamatórias que já se viu durante um processo eleitoral se deveu a provas que inexistiram. É justamente o setor mais informado da sociedade que logo se deu conta de que essa campanha tinha objetivos eleitoreiros exatamente como nas eleições passadas.
Foram acusações grosseiras, produto de uma crença inexplicável dos autores em uma burrice popular que este blogueiro sempre disse que inexistia.
O caso da quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra foi solucionado – tinha relação com o tráfico de informações que sempre existiu na Receita – e o PT não tinha nada que ver com o peixe, ainda que a mídia se recuse a admitir.
Sobre o caso Erenice, apesar de ter sido dito que o afastamento de membros do governo – inclusive da própria Erenice – provaria alguma coisa, ao mesmo tempo em que essa coalizão tucano-midiática dizia isso também dizia que a atitude correta do governo seria a de afastar os envolvidos. Só que a direita pensa que o povo é burro demais para perceber.
Se vier mais alguma bala de prata contra Dilma, portanto, terá que ser alguma coisa muito bombástica. Nas últimas semanas, aliás, surgiram diversos balões de ensaio do PSDB sobre que tipo de denúncia poderia ser feita para abalar uma decisão do eleitorado que parece cada vez mais cristalizada.
Enumeremos, pois, essas possibilidades acusatórias:
1 – Denúncia de crime, provavelmente de roubo ou de morte.
2 – Denúncia envolvendo orientação sexual e má conduta com algum parceiro
3 – Denúncia envolvendo o caráter, como um vídeo em que Dilma humilharia subalternos.
Seria muita burrice virem com apenas mais um pseudo escândalo de corrupção. A menos que tenham alguma prova irrefutável de que Dilma corrompeu ou foi corrompida. Mas será que fariam aposta em ataques desse nível sabendo que todos estão esperando por eles?
Dirão que meu conceito sobre o irrefutável é menos elástico do que o da imprensa golpista e do seu lunático candidato a presidente. Concordo. Mas Serra, de quem fatalmente será a decisão sobre a bala de prata final, parece-me um disciplinado seguidor de marqueteiros e estes já devem estar pensando em lhe dizer a verdade.
Que verdade? Essa que já disse, de que todos estão esperando pela última denúncia contra Dilma e de que ir ao pleito sem ter tentado um último golpe sujo pode ser bom para a biografia de Serra e para os votos da oposição, que a mídia já reconhece que sofrerá um duro revés na representação parlamentar.
Um governo Serra, vale dizer, seria praticamente inviável. Ele teria muita dificuldade para governar com um parlamento posto em pé-de-guerra por uma campanha eleitoral suja ao impensável. Sendo assim, declaro que o disparo de uma última bala de prata contra Dilma não está confirmado, mas tampouco está descartado.