Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A central tucana de dossiês

Mais de 50 mil documentos encontrados no Arquivo Público de São Paulo mostram como a polícia civil se infiltrou e investigou partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos em pleno governo de Mário Covas

Pedro Marcondes de Moura
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Agentes infiltrados em movimentos sociais, centenas de dossiês sobre partidos políticos, relatórios minuciosos com os discursos de oradores em eventos políticos e sindicais. Tudo executado por policiais, a mando de seus chefes. Estas atividades, típicas da truculenta ditadura militar brasileira, ocorreram no Estado de São Paulo em plena democracia, há pouco mais de dez anos. Cerca de 50 mil documentos, até então secretos e que agora estão disponíveis no Arquivo Público do Estado, mostram como os quatro governadores paulistas, eleitos pelas urnas entre 1983 e 1999, serviram-se de “espiões” pagos com o dinheiro dos contribuintes para monitorar opositores. Amparados e estimulados por seus superiores, funcionários do Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil realizavam a espionagem estatal. Até o tucano Mário Covas, um dos maiores opositores do regime militar e ele mesmo vítima de seus métodos autoritários, manteve a “arapongagem” durante todo o seu primeiro mandato e por um período de sua segunda gestão. Entre os alvos preferidos na administração do PSDB aparecem o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), organização sindical fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há dezenas de dossiês com informações sobre as duas entidades e seus principais expoentes. Já as investigações a respeito dos tucanos e seus aliados foram suspensas a partir de 1995, quando Covas assumiu o governo de São Paulo.

A classificação dos documentos, que vieram à tona em uma reportagem publicada pelo portal IG, deixa claro como a polícia a serviço dos políticos paulistas se utilizou exatamente das mesmas práticas que fizeram a fama dos órgãos de repressão militar. As informações coletadas eram organizadas em fichas por códigos alfanuméricos, como no temido Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde opositores do golpe de 1964 foram alvo de interrogatórios e sessões de tortura. Tarimbados profissionais do extinto Dops integravam também a equipe do Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil. Delegados de cidades paulistas foram orientados a reportar qualquer acontecimento político-social ao DCS. Codinomes e infiltrações em assembleias grevistas também faziam parte da rotina dos agentes, que relatavam os acontecimentos aos superiores. Em um dos dossiês sobre a CUT, os investigadores autodenominados Gama 30 e Gama 38 relatam a tentativa frustrada de participar de uma assembleia dos funcionários da Fundação Florestal do Estado de São Paulo em 13 de março de 1995. Dizem que “cumpriram a determinação”, mas foram barrados por uma moça na portaria. Os crachás de empregados temporários de que dispunham os agentes trapalhões não eram aceitos na entrada.

Os agentes eram enviados para acompanhar até eventos públicos. “Em cumprimento à determinação de V.S., assistimos no local e constatamos a presença de aproximadamente 250 pessoas juntamente com um carro de som e de uma perua Kombi”, relatam os agentes Gama 45 e Gama 55 sobre manifestação da CUT realizada no dia 10 de março de 1995, na Praça da Sé, em São Paulo. No documento ainda identificam os proprietários dos veículos pelas placas e fazem questão de mencionar que o hoje deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, presidente na época da entidade sindical, discursou no evento. Essa seria apenas uma das diversas arapongagens contra a Central Única dos Trabalhadores na gestão Covas.

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Tanto Lula, candidato a presidente contra Fernando Henrique Cardoso,
quanto Marta Suplicy, que disputava o governo de São Paulo com
Mário Covas, foram alvo da arapongagem estatal paulista em 1998
Em algumas tentativas os arapongas paulistas pareciam conseguir antecipar alguma coisa. “A CUT e entidades alinhadas estão articulando para os dias 06, 07 ou 08/03/99, Praça da Sé, um grande “Ato Público” contra o desemprego e arrocho salarial. Distribuirão no ato, entre outros, o panfleto “Bloco do Bode”, que segue abaixo”, informa o documento sem assinatura ou destinatário. Em seguida, junto de recortes de jornal confirmando a manifestação, há uma lista com 15 policiais designados para ficar de plantão. Procurado pela reportagem de ISTOÉ, Vicentinho mostrou-se perplexo com a espionagem: “Na época do Covas, eles ainda faziam isso? Achei que tinha parado na ditadura. É inimaginável”, diz o ex-líder sindical. “É um absurdo gastar dinheiro público para violar a privacidade das pessoas, ainda mais com interesse político. Graças a Deus nada disso interrompeu a consolidação da democracia”, complementa.

Em tempos tucanos, o Partido dos Trabalhadores (PT) virou o principal alvo. Há pilhas e pilhas de documentos produzidos pelo Departamento de Comunicação Social (DCS) a respeito da sigla. Convenções, disputas internas, gestões municipais do partido e informações das principais lideranças e dos possíveis candidatos a eleições majoritárias eram coletadas pela “polícia política” em plena década de 90. Os nomes do ex-presidente Lula e da hoje senadora Marta Suplicy (PT-SP), que disputaria com Covas o primeiro turno da corrida pelo governo de São Paulo em 1998, aparecem constantemente nos “dossiês PT”. Já para Antônio Palocci, prefeito de Ribeirão Preto no período, criaram um dossiê exclusivo. Na pasta, o ex-ministro é apresentado como uma figura em ascensão no partido e favorável a privatizações.

Segundo o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damou, as atividades realizadas pelo Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil do Estado de São Paulo são ilegais, violam a Constituição e devem ser investigadas com extremo rigor. “Causa mais repulsa ainda que tenham sido feitas em um período democrático. Nunca vi nada parecido. Fico preocupado e penso se isso não continua acontecendo.” O DCS, pelo menos, acabou extinto em 24 de novembro de 1999.  

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domingo, 24 de outubro de 2010

Jornal Estado de Minas pagou passagens do jornalista do dossiê


O Jornal Estado de Minas pagou as passagens aéreas do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a violação dos sigilos fiscais dos tucanos. Em depoimento à Polícia Federal, Amaury afirmou que deixou oficialmente o jornal em 16 de outubro, tendo gozado férias de 30 dias antes disso. A quebra dos sigilos fiscais dos tucanos ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao jornal.

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, uma declaração da agência de turismo confirma que o Estado de Minas só pagou, em nome da empresa, viagens para Amaury até julho do ano passado. A partir de setembro, os bilhetes, inclusive os adquiridos no período da quebra do sigilo fiscal, foram faturados em nome de Marcelo Augusto de Oliveira, funcionário do jornal até hoje. Dezoito passagens emitidas em favor de Amaury, a última delas datada de 22 de dezembro de 2009, foram pagas em dinheiro ou faturada em nome do funcionário.

A direção do jornal negou, em nota divulgada nesta quinta-feira (21), que tenha pago viagens de Amaury durante as férias. “Amaury Ribeiro Júnior trabalhou como repórter do Estado de Minas de 25 de setembro de 2006 a 15 de outubro de 2009. No dia 25 de setembro de 2009, o jornalista entrou em férias e as gozou até o dia 14 de outubro do mesmo ano. No dia 15 de outubro, o repórter pediu demissão. Nenhuma viagem do jornalista no período em questão foi custeada pelo jornal”, diz a nota.

Em depoimento à PF, o despachante paulista Dirceu Garcia admitiu que recebeu R$ 12 mil em dinheiro de Amaury para comprar as declarações de renda das pessoas próximas a Serra. Por sua vez, o jornalista confirmou que conhecia o despachante e que encomendou buscas em juntas comerciais, mas negou a compra de documentos sigilosos e desconversou sobre a forma de pagamento. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.

A PF informou que Amaury Ribeiro Jr. disse que estava levantando as informações contra José Serra porque havia indícios de que um grupo de arapongagem ligado ao ex-governador de São Paulo estaria investigando Aécio Neves, à época cotado para ser o candidato tucano à Presidência. No entanto, no depoimento prestado à PF em 15 de outubro, Amaury diz que existe um grupo de inteligência tucano, comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-SP), mas não cita o nome nem faz menção ao ex-governador de Minas Gerais. Afirma que ouviu relatos de que o grupo tucano “estaria adiantado” em relação aos petistas e que, por isso, seria importante que a campanha de Dilma também tivesse seu próprio núcleo de inteligência.

Fonte: Carta Capital. Matéria publicada originalmente no jornal Hoje em Dia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PiG tenta esconder que livro do Amaury era para Aécio



Depois da sórdida cobertura do jn de ontem – clique aqui para ler.

Na primeira página da Folha (*).

Na primeira página do Estadão.

E na primeira página do Globo.

O PiG (**) escondeu o Aécio.

Clique aqui para ler “PF diz que Folha mentiu”.

Clique aqui para ler “Amaury trabalhou para Aécio”.

Clique aqui para ler “Folha fez o que Dilma não conseguiu: mostrou que Aécio não dá um voto ao Serra”.

O jn e o Bom (?) Dia Brasil omitiram informação essencial: a PF não achou nenhum vínculo entre a encomenda do Aécio ao Amaury e a campanha da Dilma.

Ou seja, não foi a Dilma quem mandou o Amaury escrever o livro.

Nem a Dilma pretendia usar os dados do livro do Amaury, mas, sim, o Aécio, para se proteger do Serra e do Marcelo Lunus Itagiba.

O jn e o Bom Dia Brasil dizem que a PF não vai investigar a motivação política da quebra de sigilo.

Ou seja, para a Globo, a PF prevarica.

Não, a PF não vai investigar, porque não encontrou nenhum indício de que houvesse motivação eleitoral.

Ou seja, a PF não pode investigar aquilo que o PiG (**) decide que a PF deva investigar.

Se o Diretor Geral da Policia Federal não fosse o Dr Corrêa,, entrava com um processo contra a Globo por acusação de “prevaricação”.

Mas, o Dr Corrêa, sabe como é, amigo navegante, o Dr Corrêa ainda não achou o áudio do grampo.

O vice-presidente do PSDB, o impoluto Eduardo Jorge, aquele que ligava para o Juiz Lalau do gabinete do FHC, deu substanciosa entrevista à Globo.

Disse o inatacável Eduardo Jorge: como dizer que o PSDB (o Aécio) encomendou um dossiê, se não há dossiê.

O que é isso, EJ ?

Pensa que o espectador é bobo ?

E o livro do Amaury, encomendado – segundo o Amaury – para o Aécio se proteger do Serra ?

O livro não é O dossiê ? Ou, o dossiê é o livro, EJ. 

O dossiê se chama “Nos porões da privataria”, cujo prefácio, com autorização do Amaury, este ordinário blog publicou.

O PiG (**) tem dois problemas.

Primeiro, fazer o pessoal lá de Marechal entender que o Amaury fez tudo isso para beneficiar a Dilma e prejudicar o coitadinho do Serra.

(Serra é aquele que levou um rolo de fita crepe na cabeça e lamenta que não tenha sido um tijolo).

Segundo, esconder o óbvio: o Aécio não vai depositar um único, solitário voto para o Serra em Minas.

Eles se odeiam.

E se juntam como a água e o azeite.

Em tempo: a ilustração deste ordinário post é uma colaboração da amiga navegante Dolores, que enviou o seguinte e-mail: 

Oi, Paulo! Tenho 24 anos e venho acompanhando o site do conversa afiada há algum tempo durante essas eleições porque sei que lá a verdade não é falseada, maquiada muito menos escondida como acontece no o “PiG (*)”.


Queria, primeiramente, agradecer pelos seus posts e segundamente compartilhar a charge que acabei de fazer e postar no facebook depois de assistir a essa palhaçada de fita crepe!!!


Em anexo está o desenho e abaixo o textinho que o acompanha! ;)

Depois de meses de cálculos e pesquisas, eis o plano infalível que derrubou o candidato Serra no dia de hoje. Apesar de ser altamente confidencial, parece que o candidato descobriu o plano e, com ajuda da Rede Globo, tornou pública a ação maliciosamente planejada pelo inimigo.

Um enfurecido militante do Partido dos Trabalhadores, a despeito do traje branco, simbolizando a paz, que vestia, teria odiosamente lançado um rolo de fita crepe tendo como alvo a careca do candidato tucano.

“Uma ação violenta, me pareceu uma coisa pré-organizada, não foi nada espontânea, nem de longe, e é uma coisa que puxa pro ódio.”

(José Serra)


Grande abraço,


Dolores Marques



Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) 
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Até o Aécio odeia o Serra....Quebra de sigilo tem as digitais, as penas e até o bico do tucano Aécio



E vamos nós falar do Amaury, de novo. Primeiro. Vamos analisar a mudança da Folha. No jornal imprenso manchete é"PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma" Depois, mudou para; "Jornalista admite que encomendou dados fiscais de tucanos" E agora está em:"Amaury Ribeiro Jr. afirmou que agiu para "proteger" Aécio Neves em disputa com Serra."Para ajudar o patrocinador Serra, a Folha não se envergonha de mentir em manchetes que são desmentidas pelo próprio texto da matéria.

O Destaque deveria ser:"Amaury Ribeiro Jr. afirmou que agiu para "proteger" Aécio Neves em disputa com Serra".

Acabei de saber que, a Folha sabia o tempo todo do depoimento do jornalista, mas não publicou.Engavetou.. Somente hoje, o jornal está soltando em conta gotas a história.Nem a Folha de São Pualo e nem a grande mídia em geral vão poder tapar o sol com a peneira.O vínculo de Amaury com o Estado de Minas e deste com o aecismo é evidente; atribuir a quebra de sigilo ao PT é uma armação insustentável. Se o próprio Amaury ou a PF não vierem a público desmentir essa armação, isso transbordará a partir da blogosfera e da própria campanha da Dilma.

Primeiro a Folha mancheteou para que o candidato José Serra usasse no seu programa eleitoral.Agora, a Folha publicada meias verdade, para o Serra usar em entrevista.

Porque a Folha não deu destaque ao fato de Amaury estar trabalhando para o jornal Estado de Minas quando aconteceu o pedido da quebra de sigilo?

Porque não disseram que havia briga dentro do PSDB entre Aécio e Serra pela vaga de candidato à presidência?

Por que a Folha não disse que foi o jornal "Estado de Minas" que solicitou e pagou pelos dados sigilosos?

Porque a imprensa protegem Aecio?

Para proteger Serra?

A imprensa deveria dar destaque à verdade!

Mas não é isso que vemos. Na matéria tedenciosa da Folha, diz que o jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao chamado "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT). A Folha mente. Até outro dia, o jornal dizia que Amaury fazia parte da campaha. A partir do momento em que a candidata Dilma disse que em 2009 não tinha se quer campanha, o jornal também mudou o discurso. Impressionante a manipulação da notícia para que se ressalte um ou outro aspecto.

Fica claro que a manchete maior, em uma situação normal seria o "fogo amigo" entre os partidarios de Aécio e Serra.

Mas o que se busca é ligar de qualquer maneira a quebra de sigilo à campanha de Dilma, chegando ao cumulo de "esclarecer" tratar-se da pré-campanha, para que não haja direito de resposta.

Ufa....haja liberdade de imprensa para suportar a manipulação da Folha


Amaury confirmou em depoimento à Polícia Federal que encomendou dados de dirigentes tucanos e familiares de José Serra (PSDB)

Essas informações, obtidas ilegalmente em agências da Receita Federal em São Paulo, foram parar em um dossiê que, no começo do ano, circulou no comitê dilmista.Isso quem diz é a Folha e não o jornalista

O repórter disse que iniciou seu trabalho de investigação quando era funcionário do jornal "Estado de Minas", para "proteger" o ex-governador tucano Aécio Neves --que à época disputava internamente no PSDB a candidatura à Presidência.(conforme eu afirmei neste post publicado pela manhã)

Amaury não admitiu que pagou pelos dados nem que pediu a quebra de sigilo fiscal dos tucanos. O despachante Dirceu Rodrigues Garcia, porém, declarou à PF que o jornalista desembolsou R$ 12 mil em dinheiro vivo e que entregou a ele as informações protegidas por lei.

Amaury afirmou que iniciou a apuração após ter tomado conhecimento de que uma equipe de inteligência liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), ligado a Serra, estaria reunindo munição contra Aécio.

Vamos falar assim...

Como disse Nassif; A conclusão final do inquérito foi a de que Amaury trabalhou o dossiê aserviço do jornal Estado de Minas e do governador Aécio Neves. A advogada de Eduardo Jorge, conferindo seu conteúdo explosivo, montou um antídoto. Vazou as informações para a Folha de São Pualo, dando ênfase ao acessório - a aproximação posterior de Amaury com a pré-campanha de Dilma - para diluir o essencial - o fato de que o dossiê foi fogo amigo no PSDB.

E mais

Uma coisa está passando despercebida: O jornal Estado de Minas, onde Amaury Ribeiro Jr trabalhava à época da quebra de sigilo, pertence ao Grupo Associados, e o ex-governador e atual senador Aécio Neves tem participação societária neste Grupo, conforme consta de sua declaração de bens arquivada no TSE, por ocasião do lançamento de sua candidatura. Logo, acredito eu, Amaury não fez nada por conta própria e, sim, a mando de alguém. Este alguém é que precisa ser revelado...

Eleições: quinze questões que a mídia deveria investigar (e não o faz)


Antes de 31/10 o Brasil espera respostas para 15 questões pontuais

Se a imprensa quisesse teria muito trabalho por realizar. Bastaria ver as muitas matérias interrompidas abruptamente, as notícias sem continuidade, as manchetes anunciando que ontem pela manhã, por volta das 5h45m o mundo acabou.

por Washington Araújo, da Carta Maior
Pois bem, se a imprensa quisesse… não precisaria ficar se exercitando qual hamster passeando em sua roda-gigante dentro de sua minúscula gaiola. E também não teria que ficar repetido à exaustão que “tudo está indefinido”, somente com “a abertura das urnas” saberemos alguma coisa (?), “as pesquisas mostram números ligeiramente alteradíssimos”, “os votos do PV não são do PV, são de Marina”, “os votos de Marina não são de Marina são do PV”.
É um festival de coisa morna, que longe de queimar a língua, no máximo lhe faz sentir quão desagradável é a coisa morna, seja leite morno, seja escândalo morno, seja notícia morna. A cobertura da imprensa destas eleições presidenciais se alterna entre o frio e o morno e qualquer calorzinho existente parece nascer do lado partidário da imprensa que mais se autoproclama isenta, independente, acima das ideologias, acima das eternas rusgas entre governo e oposição.
Mas, se a imprensa quisesse teria muito trabalho por realizar. Bastaria ver as muitas matérias interrompidas abruptamente, as notícias sem continuidade, as manchetes anunciando que ontem pela manhã, por volta das 5h45m o mundo acabou. Se preciso tão somente responder, se possível antes do aguardado domingo 31 de outubro, a questões como as que enuncio a seguir:
1. Porque o avanço do tema aborto cruzava o Brasil como se planasse em céu de brigadeiro e, logo após “a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto” o tema desapareceu do noticiário com tal velocidade que até falar da construção da Transamazônica, nos momentos mais dolorosos do governo Médici parece notícia com muito mais cheiro de novidade para este segundo turno que a questão do aborto?
2. Havendo o tema descriminalização do aborto ter se levantado como onda de 11 metros, com a informação de que Monica Serra, mulher do candidato a presidência José Serra (PSDB), teria feito um aborto durante o período em que o tucano viveu exilado no Chile. Partiu de “gente com ficha limpa”: da bailarina e ex-aluna de Monica Serra na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sheila Canevacci Ribeiro… Cadê o jornalismo investigativo buscando ouvir ao menos mais 5 ou 6 alunas da professora Mõnica, ex-colegas de Sheila Ribeiro sobre o assunto?
3. Porque a simples nota da Assessoria do PSDB negando o aborto da mulher de seu presidenciável ao invés de deixar a onda se acabar na praia não produziu o que se esperaria de uma jornalismo minimamente partidário e independente: aumentar o esforço investigativo em torno do caso, afinal, não era ela que há algumas semanas panfletava em Nova Iguaçu (RJ) bradando que Dilma Rousseff (PT) “é a favor de matar criancinhas”?
4. Porque partiu de um líder católico, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da antes pacata Guarulhos (SP) a encomenda de 20 milhões de panfletos, com assinatura de sua entidade-mor, a CNBB, com ataques claros e diretos à candidata da continuidade governista Dilma Rousseff?
5. E se em nota a própria CNBB afasta dos lábios sacerdotais o cálice amargo encontrado em Guarulhos… quem teria autorizado a impressão de sua chancela?
6. Como Dom Bergonzini conseguiu levantar tanto dinheiro para ação tão meritória e tão alinhada com as mensagens que há 2.000 anos sopram dos Evangelhos de Lucas, João, Mateus e Marcos?
7. E se não era dinheiro resultante de dízimos e doações de sua diocese, de onde viria tão elevada quantia – cerca de algo entre R$ 600 mil a R$ 800 mil, de que casa bancária, de que conta partidária teria sido debitado a quantia?
8. E em que conta da diocese de Guarulhos teria sido depositada a dinheirama?
9. Paulo Preto, personagem de outro escândalo ligeiramente escamoteado no principal telejornal da tevê brasileira, estaria envolvido com a gráfica demandada por Dom Bergonzini?
10. Quais as ações tanto da Justiça Eleitoral quanto de sua mais operosa agente do Direito, esta que parece trabalhar em três turnos sem qualquer intervalo, Procuradora Eleitoral Dra. Sandra Cureau sobre a impressão desses 20 milhões de folhetos?
11. Porque o governador José Serra considerou “irrelevante” o fato de a dona da gráfica de Guarulhos, segundo o jornal Folha de S.Paulo, além de filiada ao PSDB desde 1991 e se tratar da irmã do coordenador de infraestrutura de sua campanha, Sérgio Kobayashi?
12. Porque um dos lados, sempre que acusa o outro de grossas inverdades, campanhas subterrâneas de desqualificação, quando apresenta a ficha corrida de elementos gestores de uma ou de outra campanha, recebe como resposta padrão adjetivos ou frases curtas como “Irrelevante”, “Factóide”, “Não vai dar em nada(sic)” e fica por isso mesmo, dando-se por saciado o interesse jornalístico?
13. Porque um outro lado, por mais que refute as acusações, apresente dados, relatos circunstanciados, nome e sobrenomes de meliantes, passa a ser visto pela grande imprensa como “informação não confiável”, “ não publicável” ou daquelas que abastecem o extenso rol das “informações jornalísticas a serem sonegadas”?
14. Porque chefes da editoria de Economia & Finanças dos principais jornais e revistas do país não produzem estudos jornalísticos sobre as conseqüências para o Brasil de um salário mínimo rapidamente catapultado para R$ 600,00 – quais as implicações para as contas públicas? quais as repercussões nas contas da Previdência?
15. Porque a grande imprensa não convoca economistas de renome e lhes oferece espaço adequado em seus veículos para publicar suas análises sobre o impacto de um aumento na faixa dos prometidos 10% a todos os aposentados do Brasil logo no primeiro trimestre de 2011? Estaria dentro dos princípios que norteiam a celebrada Lei da Responsabilidade Fiscal?
São pautas para estudante de jornalismo algum colocar defeito. Quem, em sã consciência, não teria interesse de ver a equação da informação fechar de forma redonda e completa? E olha que deixei completamente ao relento a esquizofrênica pauta brandida por presidenciável desejoso de asfaltar formidáveis 4.000 quilômetros da rodovia Transamazônica ligando o Estado da Paraíba ao Estado do Amazonas.
Deixo também às vicissitudes do tempo, chova ou faça sol, a idéia de se construir uma ponte unindo Recife a Fernando de Noronha (545km) ou a opção mais em conta e não menos exótica e espalhafatosa que a construção dessa mesma ponte agora ligando Fernando de Noronha a Natal (340km). Promessas assim só servem para uma coisa: engrossar o folclore político e populista do Brasil.

Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,  Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email – wlaraujo9@gmail.com
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Livro do Amaury. Nassif: PF sabe que foi o Aécio


BOMBA , BOMBA !!!!!!!!!!!!!!!!!

Quem é o Judas: o da direita ou o da esquerda ?


Extraído do Blog do Nassif:


O caso do dossiê Amaury


Para entender melhor o inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal dos tucanos.

As investigações foram encerradas na semana passada, inclusive com a tomada de depoimento do repórter Amaury Jr por mais de dez horas.

A conclusão final do inquérito foi a de que Amaury trabalhou o dossiê a serviço do Estado de Minas e do governador Aécio Neves – como uma forma de se defender de esperados ataques de José Serra.

Em negociação com o Palácio, a cúpula da Polícia Federal decidiu segurar as conclusões para após as eleições, para não dar margem a nenhuma interpretação de que o inquérito pudesse ter influência política.

No entanto, a advogada de Eduardo Jorge – que tem acesso às peças do inquérito por conta de uma liminar na Justiça – conseguiu as informações. Conferindo seu conteúdo explosivo, aparentemente pretendeu montar um antídoto. Vazou as informações para a Folha, dando ênfase ao acessório – a aproximação posterior de Amaury com a pré-campanha de Dilma – para diluir o essencial – o fato de que o dossiê foi fogo amigo no PSDB.





terça-feira, 19 de outubro de 2010

Confirmado: FHC já está agilizando novas privatizações para Serra!

- por Brizola Neto, deputado federal PDT/RJ em seu blog


Um portal de Foz do Iguaçu, o Clickfoz, confirmou junto ao Hotel das Cataratas que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve presente em um evento fechado ontem à noite no hotel com a presença de vários estrangeiros.

Segundo o jornalista mineiro Laerte Braga, em seu blog, Brasil Mobilizado, o propósito do encontro seria apresentar a investidores estrangeiros oportunidades de negócios no Brasil, com a privatização de estatais brasileiras no caso de vitória de José Serra.

Ainda segundo Braga, FHC estaria assumindo com os empresários o compromisso de venda de empresas como a Petrobras, Banco do Brasil e Itaipu, em nome de José Serra.

“Cada um dos investidores recebeu uma pasta com dados sobre o Brasil, artigos de jornais nacionais e internacionais e descrição detalhada do que José FHC Serra vai vender se for eleito”, escreveu Laerte Braga. “E além disso os investidores estão sendo concitados a contribuir para a campanha de José FHC Serra, além de instados a pressionar seus parceiros brasileiros e a mídia privada a aumentar o tom da campanha contra Dilma Roussef.”

Ainda segundo o blog, FHC teria dito, logo após ser apresentado pelo organizador do evento Raphael Ekmann, que “se deixarmos passar a oportunidade agora jamais conseguiremos vender essas empresas.”

Raphael Ekmann, ex-gerente comercial da Globosat, é responsável por relações com investidores do Grupo de Investimentos Tarpon. Em 2006, este grupo fez uma oferta hostil para tentar comprar a Acesita, e em 2009, vendeu sua participação na siderúrgica para a Arcelor Mittal.

Braga cita a presença de outras pessoas, como Alice Handy, que vem a ser fundadora e presidente de um grupo privado de investimentos em Charlottesville, nos Estados Unidos, e de Anjum Hussain, diretor de gerenciamento de risco de outro fundo de investimentos que administra US$ 1,6 bilhão.

A jornalista Hildegard Angel afirmou em seu blog no R7, que “o fato é realmente grave e pode ser visto como um ato contra a soberania brasileira e seria importante tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o candidato José Serra virem a público esclarecer essa denúncia.”

sábado, 25 de setembro de 2010

Haverá uma última bala de prata?

Posted by eduguim on 25/09/10 • Categorized as Opinião do blog  BLOG CIDADANIA

As campanhas eleitorais em todos os níveis estão a (praticamente) uma semana daquele momento único da democracia em que o povo dá o seu veredicto final sobre tudo o que foi dito pelos protagonistas da disputa política – sobre si e sobre os adversários. E, claro, do que disse a imprensa sobre esses contendores.
Apesar de ser praticamente impossível encontrar um eleitor de Dilma, de Serra, de Marina ou de algum candidato nanico – ou até de ninguém – que tenha a mínima dúvida de que a revista Veja, a Folha de São Paulo, a Globo ou até o Estado de São Paulo lançarão um último “escândalo” contra Dilma no undécimo momento da campanha eleitoral, tenho lá minhas dúvidas de que isso ocorrerá.
Mesmo que nos últimos sete anos e tanto a mídia de direita e o grupo político comandado por Serra e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenham se recusado a entender que através de acusações ao PT não induzirão o voto no PSDB ao ponto de levá-lo de volta ao poder, não acredito que essa grande mídia seja totalmente estúpida, como pensam muitos.
Já escrevi aqui que “Eles não rasgam dinheiro”, ou seja, que não são loucos ou idiotas completos. Pelo contrário: contam com cabeças bem mais frias do que as suas para analisarem estratégias políticas sob prismas bem mais racionais do que os usados pelos Otavinhos da imprensa golpista.
Como todos sabem, sempre mantive – e sempre manterei – interlocução com expoentes dessa “grande” imprensa que se interessem por dialogar comigo. Bem sei, portanto, a razão pela qual essa gente não desiste da estratégia de escandalizar o nada. Acham que, se não fizessem isso, seria “pior”, pois Lula teria hoje 100% de aprovação, por mais que seja uma hipótese descabida.
Desta maneira, direi a vocês uma conclusão à qual acredito que os aparatos oficial e extra-oficial de comunicação de Serra estão chegando. Seguramente, ele está sendo alertado pelos especialistas de que sua estratégia de acusar a adversária através desse seu aparato midiático foi um rotundo fracasso.
Após cerca de um mês e meio de artilharia pesada contra Dilma, de condenações peremptórias dela, do PT e do presidente Lula por grandes meios de comunicação que, concomitantemente, fizeram de tudo para transformar o belicoso Serra em vítima, a montanha pariu um rato.
Todas as pesquisas de opinião mostram o que digo. Apesar de a mídia ter abolido o princípio da margem de erro nas pesquisas, dando manchetes que dizem que Dilma teria perdido pontos sobre a soma dos adversários sem considerar que tudo se dá no âmbito da imprecisão estatística provável, foi isso o que aconteceu.
Trocando em miúdos: como as tais diminuições de vantagem de Dilma captadas pelos indefectíveis Datafolha e Ibope ficaram dentro da margem de erro estatística, é possível dizer tanto que houve essa diminuição quanto que não houve qualquer diminuição das intenções de voto da candidata do PT .
Com efeito, o noticiário vem tentando induzir a sensação de que finalmente Dilma teria sentido o golpe do bombardeio tucano-midiático mesmo que tudo não passe de especulação baseada em pesquisas que são desmentidas pelo instituto que mais tem acertado, o Vox Populi, que não detectou perda de vantagem da petista nem dentro da margem de erro.
Não foi por outra razão que o polêmico diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, deu recente declaração de que o eleitorado está tendo a “impressão” de que as acusações tucano-midiáticas contra Dilma não passam de “jogo eleitoral”.
Desta maneira, penso que o uso da surrada tática de fazer alguma acusação pesada contra Dilma quando não houver mais tempo para ela se defender na tevê e no rádio será repensada pelo candidato tucano e pelos seus Otavinhos.
Lembremo-nos, neste ponto, da teoria que embasou o prolongamento do bombardeio midiático da mídia contra Dilma, a teoria da pedra no lago, segundo a qual as denúncias levariam algum tempo para se propagar do centro “esclarecido” da opinião pública para as suas margens ignaras. Por essa teoria, deixar o ataque para a última hora seria ineficaz.
Ocorre que essa teoria foi desmoralizada (de novo), nesta campanha eleitoral. As ondas no lago, que propagariam as denúncias tucano-midiáticas, não passaram de marolinhas. O fato é que, com uma comunicação veloz como a de hoje, há dezenas e dezenas de milhões de pessoas que tomariam conhecimento, rapidamente, de qualquer acusação.
A reação indiferente do eleitorado a uma das maiores campanhas difamatórias que já se viu durante um processo eleitoral se deveu a provas que inexistiram. É justamente o setor mais informado da sociedade que logo se deu conta de que essa campanha tinha objetivos eleitoreiros exatamente como nas eleições passadas.
Foram acusações grosseiras, produto de uma crença inexplicável dos autores em uma burrice popular que este blogueiro sempre disse que inexistia.
O caso da quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra foi solucionado – tinha relação com o tráfico de informações que sempre existiu na Receita – e o PT não tinha nada que ver com o peixe, ainda que a mídia se recuse a admitir.
Sobre o caso Erenice, apesar de ter sido dito que o afastamento de membros do governo – inclusive da própria Erenice – provaria alguma coisa, ao mesmo tempo em que essa coalizão tucano-midiática dizia isso também dizia que a atitude correta do governo seria a de afastar os envolvidos. Só que a direita pensa que o povo é burro demais para perceber.
Se vier mais alguma bala de prata contra Dilma, portanto, terá que ser alguma coisa muito bombástica. Nas últimas semanas, aliás, surgiram diversos balões de ensaio do PSDB sobre que tipo de denúncia poderia ser feita para abalar uma decisão do eleitorado que parece cada vez mais cristalizada.
Enumeremos, pois, essas possibilidades acusatórias:
1 – Denúncia de crime, provavelmente de roubo ou de morte.
2 – Denúncia envolvendo orientação sexual e má conduta com algum parceiro
3 – Denúncia envolvendo o caráter, como um vídeo em que Dilma humilharia subalternos.
Seria muita burrice virem com apenas mais um pseudo escândalo de corrupção. A menos que tenham alguma prova irrefutável de que Dilma corrompeu ou foi corrompida. Mas será que fariam aposta em ataques desse nível sabendo que todos estão esperando por eles?
Dirão que meu conceito sobre o irrefutável é menos elástico do que o da imprensa golpista e do seu lunático candidato a presidente. Concordo. Mas Serra, de quem fatalmente será a decisão sobre a bala de prata final, parece-me um disciplinado seguidor de marqueteiros e estes já devem estar pensando em lhe dizer a verdade.
Que verdade? Essa que já disse, de que todos estão esperando pela última denúncia contra Dilma e de que ir ao pleito sem ter tentado um último golpe sujo pode ser bom para a biografia de Serra e para os votos da oposição, que a mídia já reconhece que sofrerá um duro revés na representação parlamentar.
Um governo Serra, vale dizer, seria praticamente inviável. Ele teria muita dificuldade para governar com um parlamento posto em pé-de-guerra por uma campanha eleitoral suja ao impensável. Sendo assim, declaro que o disparo de uma última bala de prata contra Dilma não está confirmado, mas tampouco está descartado.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dom Demétrio: “Já passou o tempo das falácias divulgadas pela imprensa”

23 de setembro de 2010 às 16:39

FATO RELEVANTE

Por D. Demétrio Valentini, bispo de Jales
23/09/2010 às 15H25
Nestas eleições um fato novo está acontecendo. Fato verdadeiramente relevante. Mas que não precisa ser publicado na grande imprensa. Aliás, o fato relevante consiste exatamente nisto: o povo já não se guia pelos “fatos relevantes” publicados pela mídia. A grande imprensa perdeu o poder de criar a “opinião pública”. A “opinião pública” não coincide mais com a “opinião publicada”.
O povo encontrou outros caminhos para chegar às suas próprias opiniões, e traduzi-las em suas opções eleitorais. Já houve eleições que mudaram de rumo por causa do impacto produzido pela divulgação de “fatos relevantes”, tidos assim porque assim divulgados pela grande imprensa. Agora, a grande imprensa fica falando sozinha, enquanto o povo vai tomando suas decisões. Bem que ela insiste em lançar fatos novos, na evidente tentativa de influenciar os eleitores, e mudar o rumo das eleições. Mas não encontram mais eco. São como foguetes pífios, que explodem sem produzir ruído.
A reiterada publicação de fatos, que ainda continua, já não encontra sua justificativa nas reações suscitadas, que inexistem. Assim, as publicações necessitam se apoiar mutuamente, uma confirmando o que divulga a outra, mostrando-se interdependentes mais que duas irmãs siamesas, tal a impressão que deixam, por exemplo, determinado jornal e determinada revista. Esta autonomia frente à grande imprensa, se traduz também em liberdade diante das recomendações de ordem autoritária.
Elas também já não influenciam. Ao contrário, parecem produzir efeito contrário. Quando mais o bispo insiste, mais o povo vota contra a opinião do bispo. Este também é um “fato relevante”, às avessas. Não pela intervenção da Igreja no processo eleitoral. Mas pela constatação de que o povo dispensa suas recomendações, e faz questão de usar sua liberdade. Este “fato relevante” antecede o próprio resultado eleitoral, e pode se tornar ponto de partida para um processo político muito promissor. O povo brasileiro mostra que já aprendeu a formar sua opinião a partir de “fatos concretos”, que ele experimenta no dia a dia, dos quais ele próprio é sujeito.
Já passou o tempo das falácias divulgadas pela imprensa, onde o povo era reduzido a mero expectador. Em tempos de eleições, como agora, fica mais fácil o povo identificar em determinadas candidaturas a concretização da nova situação que passou a viver nos últimos anos. Mas para consolidar esta mudança, e atingir um patamar de maior responsabilidade política, certamente será necessário trabalhar estes espaços novos de autonomia e de participação, que o povo começou a experimentar.
Temos aí o ponto de partida para engatar bem a proposta de uma urgente reforma política, e também de outras reformas estruturais, indispensáveis para superar os gargalos que impedem a implementação de um processo democrático amplo e eficaz. O fato novo, a boa notícia, não consiste só em saber quem estará na Presidência da República, nos Governos Estaduais, e nos parlamentos nacionais e estaduais. A boa notícia é que o povo se mostra disposto a tomar posição e assumir o seu destino de maneira soberana e responsável.