Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O senhorio de Marina no apê de São Paulo. Ele tem quem o defenda. É Brilhante, e Ustra.

dovalle
A Folha de S. Paulo publica matéria dizendo que Marina Silva vive em São Paulo, desde o início do ano, no apartamento do empresário Carlos Henrique Ribeiro do Valle,  com o qual a candidata diz “não manter relacionamento pessoal”, embora ele se diga  ”mais próximo do pessoal da Marina” do que de Eduardo Campos, a quem diz que o imóvel estava “doado” para a campanha, com valor estimado de R$ 9.300.
Se a Folha tivesse procurado um pouco mais ia ver que este personagem não é um camarada de classe média que resolveu “não desistir do Brasil”.
Quem sabe não contratam este pobre redator aqui para dar um “molho”  nestas matérias?
A distribuidora dele e a rede de postos não são brincadeira, não : sua empresa, a Petronac, é uma das maiores do mercado, com mais de 600 clientes e algumas questões com a União.
Onde seu advogado é Octavio Teixeira Brilhante Ustra.  Brilhante Ustra… Será que é parente do Brilhante Ustra da tortura?
Mas o senhorio de Marina é boa gente.
Foi um dos convidados vip da “festinha aeronáutica” promovida em 2004 pela Camargo Correa, onde se montaram estandes para comprar e vender aviões.
E onde a Veja registra as impressões de Ribeiro do Valle, o cara “próximo do pessoal da Marina”:
“Avião é a minha caminhonete”, diz o pecuarista Carlos Eduardo Ribeiro do Valle, que também tem um Skylane. Dono de fazendas em Mato Grosso e no Pará, com um barco de pesca no Araguaia, ele igualmente se empolgou com o Cirrus. “Eu vou comprar esse daí. O avião tem um pára-quedas acoplado. Se houver algum problema, é só apertar um botão e a gente é ejetado para fora”, diz ele, que sobreviveu a um acidente de avião. “Olhe, avião é coisa simples, é modo de vida, não é frescura. É necessidade.”
A paixão por dinheiro e aviões foi passada hereditariamente.
Na matéria, diz-se que Ribeiro do Valle tem dois filhos. Um, operador em Wall Street, “pilota planadores quando vai para os Hamptons, o balneário elegante dos nova-iorquinos”, diz a Veja.
O outro, Carlos Eduardo Ribeiro do Valle Filho, é dono de uma empresa de táxi aéreo e gastou R$ 600 mil para gravar um CD como cantor sertanejo. Cadu é casado com Gigi, neta de Sebastião Camargo, fundador da empreiteira festeira.
É dele a foto que ilustra o post, publicada pela Veja São Paulo.
O amor é lindo!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A dominância financeira


a mídia depende de verbas publicitárias, que vêm do mercado financeiro e os bancos são importantes financiadores de políticos nas campanhas eleitorais, obtendo força nas decisões políticas de seus interesses. Eles têm equipes de economistas em seus quadros e de consultorias para defenderem posições que lhes interessam. O resultado é que são raras as oportunidades de expressão de posições divergentes em relação ao que poderia chamar de pensamento único na economia. O artigo é de Amir Khair.

Se existe um problema grave na economia brasileira, ela se chama taxa de juros. Existem duas taxas de juros distintas no Brasil. A Selic, que é a taxa básica de juros definida pelo governo, e a taxa de juros cobrada pelos bancos aos seus clientes (empresas e pessoas).

A diferença entre elas é denominada de spread bancário, considerado o Brasil, em vários estudos internacionais, como tendo o spread mais elevado do mundo há muitos anos. É a principal fonte do lucro dos bancos, sem a interferência do governo, que têm os instrumentos legais para regular esses exageros, o que evidencia a gravidade do problema e sua subserviência ao mercado financeiro.

A Selic é a mais alta do mundo, também há vários anos. Assim, essas duas taxas apresentam a maior aberração e trava macroeconômica, que tem impedido que o Brasil avance na economia de forma saudável, pois as taxas de juros elevam em excesso as despesas do governo, das empresas e dos consumidores e, o que é mais grave, com o apoio da maioria dos economistas, que têm espaço na mídia, defendendo que as taxas de juros têm que ser elevadas para controlar a inflação.

Não é de se estranhar isso, pois a mídia depende de verbas publicitárias, que vêm do mercado financeiro e os bancos são importantes financiadores de políticos nas campanhas eleitorais, obtendo força nas decisões políticas de seus interesses. Eles têm equipes de economistas em seus quadros e de consultorias para defenderem posições que lhes interessam. O resultado é que são raras as oportunidades de expressão de posições divergentes em relação ao que poderia chamar de pensamento único na economia.

O fato é que o Brasil convive com essas taxas de juros, quando países de economia semelhante à nossa têm taxas muito inferiores e com inflação igual ou menor que a nossa.

A principal explicação para essas anomalias é a submissão do governo ao mercado financeiro. A presidente Dilma começou bem, dando a diretriz de redução da Selic até 2014, para 2%, excluída a inflação. É uma meta tímida e demorada, que não vai ajudar a resolver logo essa questão. A meta de 2% é elevada em relação aos níveis dos países emergentes que estão negativas em 0,5% atualmente. Sobre o spread o governo não se pronunciou determinando limites, tendo poder para isso.

O Brasil tem taxa básica de juros real de 6,8%, mais de quatro vezes (!) o segundo colocado em pior posição, que é o Chile com 1,5%. A média dos 40 países da amostra deu negativa de 0,9%.

A Selic é definida pelos diretores do Banco Central, em reuniões a cada seis semanas, no Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central (BC) consulta semanalmente as instituições do mercado financeiro, divulgando-as no boletim Focus, para saber que estimativas fazem essas instituições sobre a inflação para o ano em curso, os próximos doze meses e para o ano seguinte.

Essas instituições informam a decisão que esperam seja tomada pelo Copom em relação à Selic nas próximas reuniões até o final do ano seguinte.

O Focus é apresentado pela mídia como sendo as previsões do mercado para a inflação, Selic, crescimento econômico, taxa de câmbio e produção industrial. Tem a finalidade de orientar as expectativas dos agentes econômicos. Mas orientar expectativas é de suma importância e, para isso, pressupõe a escolha de uma amostra representativa do mercado. No caso o mercado financeiro representa apenas 7% (!) do mercado, e tem interesse na elevação da Selic.

O problema é que a mídia divulga essas expectativas como sendo do mercado, e com isso acaba orientando os agentes econômicos (empresas e pessoas) em suas decisões sobre inflação, crescimento, etc.

Várias vezes o BC foi questionado por usar uma amostra não representativa das previsões do mercado, mas não mudou, o que é estranho e danoso. Faz o contrário do que é feito internacionalmente pelos bancos centrais e governos que se preocupam com a credibilidade e orientação adequada das expectativas dos agentes econômicos.

Fato mais grave é que o Copom acaba definindo a Selic, que é indicada pelo mercado financeiro em praticamente 100% das vezes, ou seja, só serve para referendar uma Selic elevada. Quanto mais elevada, melhor, pois sai daí parcela importante dos lucros obtidos com prejuízos equivalentes do único devedor da Selic, o governo federal. Esse prejuízo em última instância sai do bolso do contribuinte através dos tributos que paga.

Esse prejuízo atingiu nos últimos doze meses até maio, R$ 220 bilhões ou 5,7% do PIB, quando no mundo esse custo é de 1,8% do PIB. A perda de 3,9% do PIB (5,7 menos 1,8) é injustificável, pois é possível controlar a inflação nos demais países com taxas básicas de juros bem inferiores às aqui aplicadas.

Esse prejuízo será ainda maior até o final deste e do próximo ano, caso o Copom continue seguindo as previsões da Selic do mercado financeiro em suas reuniões. A dívida do setor público irá continuar subindo pelos juros crescentes e pelas injustificadas transferências por parte do Tesouro de novos R$ 55 bilhões ao BNDES. Esse valor foi obtido com a emissão de novos títulos que pagam juros Selic.

Assim, não sobram recursos para o governo expandir suas atividades nas áreas estratégicas da saúde, educação, assistência social, previdência, segurança pública, habitação, investimentos em equipamentos para a expansão dessas atividades e para a infraestrutura do País.

A gravidade dessa situação é que ela vem de longa data, e já foi pior, pois após o Plano Real, as despesas com juros atingiram a média de 8,6% do PIB no governo FHC (1995 a 2002) e de 6,2% no governo Lula (2003 a 2010). A média dos 16 anos (1995 a 2010) foi de 7,8% (!) Em valores atualizados pelo IPCA os juros atingiram nesses 16 anos R$ 3,7 trilhões (!) Caso não tivesse trilhado esse caminho suicida, o País seria outro, com situação fiscal equilibrada, e recursos suficientes para reduzir o elevado déficit social e de infraestrutura existente.

A consequência dessa política monetária, com a benção do governo, é que ele fica obrigado a obter resultados primários (receitas menos despesas, exclusive juros) elevados para pagar apenas parte dos juros, resultando em déficits fiscais, que obrigam a emitir mais títulos de dívida. É uma bola de neve crescente para as finanças públicas, que continuará a rolar ladeira abaixo caso não caia rapidamente a Selic.

Agravantes da Selic com a crise de 2008
Com a crise de 2008, os países desenvolvidos emitiram vários trilhões de dólares, euros e ienes para socorrer seus bancos que estavam em situação falimentar e a maior parte dessas emissões com taxas de juros próximas a zero foram em busca de aplicações em outros países que ofertavam taxas de juros mais elevadas, e o Brasil é o preferido dessa dinheirama que vem para cá, lucrando e repatriando esses lucros, que saem do Tesouro Nacional, ou seja, dos contribuintes brasileiros que pagam tributos ao governo federal.

Assim, o BC dá de presente aos capitais internacionais quantias elevadas de recursos, que irão faltar para serem usados no País.

Existem outros danos causados pelo BC, pois é ele que detém as reservas internacionais em dólares do País, que já ultrapassaram a US$ 333 bilhões em maio e continuam subindo com velocidade. Essas reservas custam aos cofres públicos juros equivalentes à Selic e são aplicadas, especialmente, em títulos do Tesouro americano que não rendem praticamente nada e são penalizadas pela queda do dólar face ao real durante todo o período de existência das reservas.

Em 2010 o BC causou um rombo de R$ 50 bilhões com essa política suicida e, neste ano como as reservas cresceram muito mais do que em 2010, e a Selic média será mais elevada do que em 2010, estima-se que o rombo causado pelo carregamento dessas reservas poderá ultrapassar R$ 70 bilhões (!). Se continuar elevando essas reservas, sem reduzir a Selic no próximo ano, como prevê o mercado financeiro, esse rombo em 2012 poderá chegar a R$ 90 bilhões (!)

Mas os danos causados por essa Selic não param por aí. Como dissemos, a dinheirama espalhada pelo mundo pelos países desenvolvidos são atraídos para o Brasil devido à Selic elevada, sem correr riscos e podendo repatriar os lucros rapidamente (alta liquidez). O ganho desses capitais é ainda maior do que só com os juros. Em junho de 2010, cada dólar valia R$ 1,81 e agora R$ 1,55 (dia 4/7). Ganham, pois duplamente: nos juros e na valorização do real.

Com a valorização do real, que não para, as importações ficaram mais baratas e substituíram produtos fabricados no País, gerando desempregos aqui e criando empregos lá fora. Os consumidores saem ganhando nessa situação por terem mais escolhas nos produtos, que apresentam qualidade similar ao produzido aqui e com preços inferiores.

As exportações foram, também, prejudicadas, pois ficaram mais caros os produtos fabricados aqui no confronto com os produtos similares de outros países. Mas é importante considerar se o desemprego gerado não irá causar redução do consumo. Já criou rombos nas contas externas desde 2008.

Diante dessas realidades não resta ao governo alternativa se não enfrentar a dominância financeira, que vem travando o desenvolvimento econômico e social do País. Não se trata de problema técnico ou econômico, mas de decisão política e, para isso, é necessário afrontar os interesses impostos pelo mercado financeiro. O governo até agora não demonstrou disposição nesse sentido.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Alckmin: cadê a ponte do Serra?


publicada sexta-feira, 07/01/2011 às 11:55 e atualizada sexta-feira, 07/01/2011 às 12:14
O blogueiro Augusto da Fonseca (que conhece muito bem a área de transporte e infra-estrutura) pergunta: cadê a ponte do Serra? 
Pouco antes de deixar o cargo pra concorrer à Presidência, o então governador paulista mostrou a maquete. A ponte ligaria Santos ao Guarujá (conhecido balneário paulista).
O governo Lula tem muitas falhas na área de infra-estrutura. Elas são expostas na velha imprensa. Ok. Mas, vejamos: Lula faz a rodovia transoceânica (que liga o Brasil ao Peru), mas o governo paulista não consegue fazer uma ponte?
Imaginem se Lula tivesse inaugurado uma maquete, e anos depois não desse explicação sobre a ponte que sumiu? Estaria nas manchetes, como escândalo!
A imagem de bons gestores, que os tucanos mantêm entre a classe média paulista, é um mistério. Na verdade, nem tanto: eles contam com a ajuda singela da velha mídia (que compra assinaturas dos jornais, e entrega nas escolas públicas, pra dar uma “força”),  e põe o nome de “publishers” da velha mídia em prédios públicos. É assim que as coisas acontecem em São Paulo – como bem mostra o Augusto…
Já ouvimos falar de governo marqueteiro. Mas parece que agora São Paulo criou o governo “maqueteiro”.
===
por Augusto da Fonseca, no blog FBI
Já que o desgovernador Alckmin está desmontando a farsa que foi o desgoverno Serra (mostrando, aliás, que foi desgoverno mesmo), que tal informar a nós todos sobre o paradeiro do projeto da ponte estaiada que, supostamente, fará a ligação Santos-Guarujá, hoje feita por barcaças?
Para entender o que estou falando, é necessário contar a história em detalhes.
***
No ano passado (9/3/10), publicamos o seguinte post, republicado em outubro/10:
Vejamos o que dizia, na ocasião, o site oficial do Governo de São Paulo:
O governador José Serra anunciou nesta terça-feira, 09, o projeto de ligação seca entre Santos e Guarujá.
O complexo de 4,6 km, sendo 1 km de ponte estaiada, irá beneficiar não só os 24 mil veículos que passam todo dia pela balsa, mas também os cerca de um milhão de pessoas que vivem em Santos, São Vicente e Guarujá.
Estimadas em cerca de R$ 700 milhões, as obras terão duração prevista de 30 meses, após a assinatura do contrato.
***
Em 10/12/10, publiquei o post:
Há 12 anos os tucanos enganam os paulistas sobre o túnel que ligaria Santos a Guarujá e, com isso, eliminaria a arcaica travessia por barcaças.
Em janeiro de 2009, o Governador José Serra anunciou que as obras do túnel iniciariam até o final daquele ano.
Agora, de repente, é inaugurada (9/3/10) a maquete de uma ponte estaiada (foto), que substituirá o túnel (não há  maquete do túnel).
Um breve histórico para entender a farsa número 1 – a do túnel:
  • O projeto é previsto desde 1947, pelo Plano Regional de Santos, elaborado pelo urbanista Prestes Maia
  • Em 1997, o ministro dos Transportes de FHC, Eliseu Padilha, autorizou as prefeituras de Santos e Guarujá a formar um consórcio para a construção e a operação de um túnel submarino entre as duas cidades. O custo estimado da obra era R$ 110 milhões.
  • No Plano Plurianual do Governo do Estado de São Paulo consta o estudo do túnel (clique aqui e vá à pag. 97) e não consta o estudo da ponte
***
A farsa número 2 – a da Ponte Estaiada – mais uma realização da “Central Serra de Factóides“:
A partir de março/09 – quando Serra constata que não iniciará obra alguma de túnel, em 2009, como tinha prometido – surge a idéia da ponte.
O motivo, mais ridículo não poderia ser: “o secretário Mauro Arce esclareceu que a proposta inicial do Estado era de um túnel, a qual foi descartada por diversos motivos: “Com o processo de desassoreamento do porto, verificou-se que o túnel pré-moldado precisaria estar abaixo da linha d’água em mais de 30 metros. Outra dificuldade: a montagem, que implicaria em interrupções de operações portuárias. A obra custaria mais de R$ 2,5 bilhões e levaria cinco anos para ser realizada.”
Como é que em janeiro o Serra anuncia o início das obras para 2009 sem saber desses problemas todos e do elevadíssimo custo?
Ou o governo tucano foi incompetente durante os doze anos em que se comprometeu com o túnel ou está sendo incompetente agora. Lembrar que o custo previsto inicialmente para a construção do túnel era de R$ 110 milhões!
Portanto, foram 12 anos com a enganação sobre o túnel para, num estalar de dedos, surgir com uma nova proposta, mais vistosa e mais fácil de trabalhar o imaginário coletivo dos moradores daquela região: a Ponte Estaiada.
Que não terá tráfego para caminhões! O Estado de São Paulo não sobrevive sem o caminhão e, no entanto, os demo-tucanos querem se livrar dos caminhões a qualquer custo.
  • Serra vai anunciar ponte Santos-Guarujá (site Revista Ecoturismo – 10/3/10)
    • A data de abertura do processo de licitação para a construção da Ponte Santos-Guarujá,aguardada há quase 70 anos, deverá ser feita pessoalmente pelo governador José Serra. O projeto básico da obra já está concluído pela Vetec Engenharia, empresa contratada pelo Governo do Estado para realizar o estudo.
    • Como demonstrei, é mentira que o projeto da ponte é aguardado há quase 70 anos. O que era aguardado era o túnel, com promessa do Serra, em janeiro de 2009, de que as obras seriam iniciadas ainda naquele ano!

Uma questão importante ainda está no “vai prá lá, vem prá cá”, característico do sempre indeciso governador José Serra:  quem financiará essa obra?
Ora Serra diz que será o usuário – como sempre – através de pedágio. Ora Serra diz que não será o usuário.
Como não há previsão de ponte – e sim de túnel – no Plano Pluri-Anual, vamos ver se a revisão deste, a ser enviada à Alesp no mês de maio, contemplará essa obra. Eu não acredito!
***
No dia 17/3/10, publiquei o seguinte post:
A imprensa, na ocasião, informou haver um projeto básico elaborado pela Vetec.
O site da Vetec Engenharia diz que ele foi iniciado em setembro/09.
Estranho, porque o projeto para o qual havia recursos orçametários em 2009 era do túnel e não da ponte.
Se eu fosse deputado estadual do PT, encaminharia um requerimento de CPI do Túnel Santos-Guarujá, para esclarecer a situação do túnel, o motivo fundamentado da troca de túnel para ponte e, finalmente, solicitaria o projeto básico da ponte cuja maquete foi inaugurada.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Campanha tucana desmascarou elite paulista

São auspiciosas as notícias de que a estudante de Direito paulista Mayara Petruso (foto acima) pode serprocessada criminalmente por racismo, crime que cometeu recentemente no Twitter. E de que outros que se juntaram a ela naquele crime estão sendo identificados para sofrerem o mesmo tipo de processo.
Os crimes de racismo e de discriminação na internet datam de há muito tempo sem que jamais tenham ocorrido punições exemplares, de forma a pelo menos fazerem com que os racistas e discriminadores por orientação sexual, região do país etc. contenham as suas personalidades degeneradas.
No domingo à noite, usuários de redes sociais começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado da eleição presidencial à boa votação de Dilma na região. As mensagens foram desencadeadas após Mayara postar no Twitter a seguinte sentença:
@mayarapetruso: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado. #nordestisto”
Não satisfeita, Mayara terminou de expor suas perversões morais:
@mayarapetruso: “Brasileiros, agora fodam-se! Isso que da, dar direito de voto pra nordestino. #nordestisto”.
Essas postagens da moça no microblog foram o que bastou para desencadear uma onda surpreendente de mensagens furiosas contra negros e nordestinos que engolfou as redes sociais. Todavia, foram poucas dessas mensagens que se igualaram às da jovem paulista estudante de Direito em termos de perfil criminoso, pois ela pregou até assassinato.
Por chocante que seja, é preciso rever algumas dessas mensagens:
@dilma_Bebada: “Infelizmente quem decide eleição não é quem lê jornal, e sim quem limpa a bunda com ele. Quem perdeu foi o Brasil! #euquero45”
@emerlinlipe: “tem gente que fala que todos os brasileiros são iguais discordo… Não quero e não sou igual ao povo do Norte/nordeste”
@ClaytonAmerico: “Bem vou trabalhar porque não ganho bolsa família dos nordestinos. Nem faço 2 filhos por ano pra ter mais bolsa família #nordestisto
@Ju_Balog: “Enfie seu OXENTE no cu, vagabundos q vivem de bolsa miseria, vc’s não trabalham 1/3 do q a gente em SP #nordestisto
@carolsalgueiro: “Rindo muito da tag #nordestisto. Já vi nordestino dizendo que é educado e inteligente, AVÁ!”
@FerLeoni: “Para eleitores de merda, uma presidente de merda! #nordestisto”
@suhelen1: “80% do amazonas vota na Dilma… cambada de índio burrooooooooooooo”
@andrebittarello: “Me tornei RACISTA HOJE POR CAUSA DE VOCÊS PRETOS FEDIDOS QUE SÓ QUEREM TER FILHOS E ENCHER A BARRIGA COM O DINHEIRO DOS QUE TRABALHAM!!!”
@edujunior: “Sou bem a favor de um muro separando sul/sudeste do norte/nordeste”
@DeehSativa: “No Sul/Sudeste tem muito mais gente bonita do que no Norte/Nordeste”
@LorenzoC_: “ADOREI O QUE A MAYARA PETRUSO DISSE. E XENOFOBIA É O CARALHO, ISSO QUE ELA DISSE É SIMPLESMENTE A VERDADE!”
@Pedroo_MG: “A cmo eu Queria Q o sul/sudeste se separasse do Norte/Nordeste. Pra até Q enfim Governo ñ ganhar eleição por dar esmola, e sim por projetos.”
@tayane_monteiro: “só nordestinos fdp pra vota na Dilma! Nordestino num serve pra NADA DE UTIL vem pra SP ENCHE O SACO e vota na merDilma”
@Mikafrauzola: “Bando de nordestinos FDP …..são tão burros, que qlqr idiota faz a cabeça dles….por isso q eu odeio nordestino…..”
@Mikafrauzola: “Tbm esse país é cheio de baiano morte de fome… por isso q ela ganhou….”
O que chama a atenção nessas barbaridades é que foram proferidas todas por jovens brancos, ao menos de acordo com as fotos deles nos perfis no Twitter em que foram publicados os textos acima. E, pelo que escreveram, fica claro que são paulistas.
O fato de jovens terem posições políticas e preconceitos tão formatados sugere que essa mentalidade decorre da criação que receberam dos pais, até mesmo quando as posições políticas deles não sejam do mesmo jaez das dos filhos.
Ninguém que pertença às classes média alta e alta de São Paulo terá sido surpreendido pelo nível de xenofobia, de racismo e de intolerância – e mesmo de ignorância – de jovens que se julgam “inteligentes e estudados”, mas que escreveram textos compatíveis com os mais baixos níveis de instrução ou de civilidade.
Desde que me conheço por gente – e tendo nascido e crescido na classe média alta paulistana, entre a qual vivo até hoje – que ouço preconceitos contra os nordestinos, os quais, em meu Estado e na minha cidade – e, sobretudo, no bairro paulistano em que resido –, sempre foram chamados de “baianos”, sendo-lhes atribuído tudo que há de ruim por aqui.
Esse preconceito extremamente arraigado entre a elite paulista sempre esteve lá e sempre ficou fora da imprensa, que jamais denunciou fenômeno que data de décadas e décadas e décadas. A campanha de José Serra à Presidência, porém, teve o “mérito” de expor à luz do dia essas perversões de classe, de etnia e geográficas.
Só uma punição exemplar dos que cometeram esses crimes, portanto, pode começar a inibir, se não o preconceito deles, a difusão aberta de suas “idéias” odiosas e repugnantes, vertidas por jovens que têm tudo na vida e que consideram natural externar os preconceitos que lhes foram incutidos no ambiente familiar enquanto cresciam.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quatro dias de fúria midiática – forjando a bala de prata

A fúria midiática foi surpreendida por pesquisas mostrando prejuízo para José Serra depois do factóide da suposta “agressão petista” que teria sofrido em comício na zona Oeste do Rio. Pelo visto, o aumento da vantagem de Dilma Rousseff detectado pelos institutos Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi se deveu à descrença popular na encenação do tucano e na “prova”, forjada pela Globo, de uma segunda “agressão” naquele evento, ou ao aborto de Mônica Serra.
Outro factóide que pôs a fúria midiática em stand by no início da semana foi matéria publicada pela Folha de São Paulo ontem, que mostra que há muito mais de racionalidade nessa fúria – ou em parte daqueles que ela move – do que poderia supor a nossa vã filosofia. Surpreendentemente, a matéria foi sobre o imperscrutável governo paulista, com as suas montanhas de escândalos eternamente encobertos inclusive pelo jornal que surpreendeu.
Se a Folha quisesse mesmo investigar as escandalosas obras do metrô paulistano, obras que tiveram agora, surpreendentemente, uma de suas concorrências viciadas denunciada pelo diário mais chapa-branca paulista, teria que se manter no assunto por meses.
Surpreendentemente, o assunto ainda está em pauta ao menos no jornal que fez a primeira  denúncia que afeta Serra negativamente que a imprensa de São Paulo publicou em muitos meses, em contraposição às denúncias diárias que faz ao governo Lula há quase oito anos ininterruptos. Mais fácil do que crer em uma súbita conversão ao jornalismo por parte do jornal paulista, portanto, é supor que nesse mato tem coelho.
Da última vez que a Folha divulgou algum fato mais negativo para tucanos foi no fim de 2009, quando, depois de 18 anos, noticiou o filho secreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com uma jornalista da Globo, fato que simboliza a promiscuidade entre tucanos e mídia como nenhum outro. E essa divulgação serviu para justificar um ataque hediondo que Lula recebeu daquele jornal, que colocou um desafeto do presidente para lhe fazer uma das acusações mais imundas que já lhe foram feitas, a do “menino do MEP”
Não parece exagero ou teoria conspiratória, portanto, prever que a divulgação sobre uma das muitas maracutaias que todos sabem que ocorre no governo paulista tenha tido como objetivo justificar o disparo da verdadeira bala de prata que está sendo forjada para tentar ajudar Serra a derrotar Dilma, pois, apesar de a mídia ter repercutido muito discreta e sobriamente o escândalo do metrô de São Paulo, o que denunciar contra Dilma será martelado até que as urnas sejam desligadas no próximo domingo.
A verdadeira bala de prata a ser disparada contra Dilma nesta eleição talvez seja o produto da ação do jornal paulista na Justiça Militar que tenta extrair de lá os arquivos da ditadura sobre Dilma, nos quais obviamente ela foi acusada de toda sorte de crimes para justificar as sevícias e o encarceramento que sofreu aos 19 anos de idade.
Ou talvez esteja no conteúdo do excelente trabalho investigativo que o repórter da Rede Record Rodrigo Vianna vem fazendo nestas eleições e que deu conta de que estaria sendo preparado um ato de violência por sequazes da campanha de Serra vestindo camisetas do PT, na linha do que este blog também supôs recentemente.
Ou, finalmente, talvez seja algum ataque mais pessoal a Dilma, sem relação com a sua militância na ditadura ou com algum suposto ilícito, mais na linha da moralidade, como demonstraram os boatos sobre aborto ou lesbianismo.
Só há uma certeza em todas as cabeças, seja de tucano, de petista ou da torcida do Corinthians: alguma armação contra Dilma a direita midiática está preparando, e é tão virulenta que foi necessário finalmente fazer alguma denúncia a Serra para Justificar o que será feito contra a adversária dele. É uma certeza oriunda da observação de oito anos de rancor midiático, ora convertido em fúria.

Isso é que é desespero !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

LULA ESPETA EM SERRA A SÍNTESE DE UMA CAMPANHA FEITA DE CALÚNIAS E MENTIRAS: FARSANTE!


Globo e Folha se empenham. E dão um bônus ao farsante: não foi só bolinha de papel, teve também um rolinho de fita crepe --'de meio quilo', pede Serra. Serra: menos, menos, assim nem o Molina emplaca. 


No discurso mais duro de toda a campanha eleitoral, pronunciado no Rio Grande do Sul, o Presidente da República desmascara o candidato demotucano no caso da "agressão" em Campo Grande. Lula denunciou a cumplicidade do médico que atendeu o ex-governador de São Paulo e comparou o tucano ao goleiro Rojas. Todos os ingredientes apontam para um episódio que pode significar a pá de cal numa candidatura cujo derradeiro lastro de coerencia advém do apoio que recebe da extrema direita religiosa, política e midiática.

FALA LULA:

"A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa. Ontem deveria ser conhecido como dia da farsa, dia da mentira". (Leia o discurso de Lula: 'Dia da Mentira'; leia também a repercussão da farsa no Twiter e na web: '‘Na bolinha de papel estava escrito: "Não se larga um líder ferido na estrada', Assinado, Paulo Preto". E não perca:'A tomografia de uma fita crepe', o desabafo de um eleitor tucano envergonhado). 

INDIGNAÇÃO MOBILIZA INTELIGENCIA BRASILEIRA 
"...a agressividade da campanha do adversário tem produzido movimentos sólidos de unidade em torno da candidatura Dilma, por parte de uma esquerda que estava dispersa desde 2002" (Inês Nassif; Valor, 21-10)

- dia 23, sábado, caminhada Pró-Dilma na Vila Madalena-SP; concentração às 10:30 hs, entre as ruas Fradique Coutinho e Wizard; -dia 25, 2º feira, na Filosofia da USP, às 18 hs, gigantesco ato suprapartidário de apoio a Dilma. (Leia mais sobre manifestos e o intercurso entre Serra e a extrema-direita religiosa e política)
(Carta Maior, 22-10)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Serra apanha no Rio


O que era para ser uma passeata em busca de votos no calçadão de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, terminou em tumulto nesta quarta-feira. Com bandeiras da campanha da candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, do PT, e cartazes contra o candidato do PSDB, José Serra, manifestantes tentaram impedir a caminhada do tucano no local
Houve empurra-empurra e confusão. Enquanto os ânimos se exaltavam, Serra, o vice Índio da Costa (DEM) e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) abrigaram-se dentro de uma loja.
Durante cerca de 45 minutos, militantes do PT e do PSDB gritaram palavras ordem em defesa de seus candidatos. José Serra chegou a ser atingido por um cabo de bandeira arremessado por um dos manifestantes
Quando ele retomou a caminhada, houve mais tumulto. Seguranças fizeram um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes se aproximassem do candidato. Por precaução, lojistas fecharam as portas. Nenhum policial esteve no local.
Para fugir do tumulto, o tucano entrou em um carro da campanha e retomou a passeata alguns metros à frente, mas logo o ato foi encerrado.

Militante do PSOL denuncia campanha suja.wmv

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jornalista mostra que promessas de Serra são impraticáveis e contraditórias



André Siqueira, sub-editor de Economia da Carta Capital, fez as contas e mostra que Serra não tem como cumprir as promessas de elevar o salário mínimo para 600 reais, instituir 13° para o Bolsa Família e reajustar em 10% as aposentadorias. Ele teria que rasgar a cartilha de gestão pública do PSDB e nem assim conseguiria. Mesmo fazendo um corte drástico de 30% nos gastos federais, Serra só conseguiria metade do dinheiro necessário para cumprir suas promessas.“E ele continua a criticar o endividamento público. Ao mesmo tempo em que promete elevar gastos sociais, ampliar investimentos e cortar impostos. Como, José?”, indaga Siqueira.
O jornalista André Siqueira, sub-editor de Economia da revista Carta Capital, decidiu fazer algumas contas e demonstrou objetivamente que o candidato à presidência da República do PSDB, José Serra, não tem como cumprir uma série de promessas que vem fazendo na campanha eleitoral. Em primeiro lugar, Serra teria que rasgar a cartilha de gestão pública de seu partido, que critica os gastos públicos do governo Lula. E nem assim o tucano conseguiria elevar o salário mínimo para 600 reais, instituir um 13° pagamento para o Bolsa Família ou reajustar em 10% as aposentadorias. “É de causar espanto a falta de olhar crítico da mídia para as promessas do candidato José Serra, impraticáveis diante dos paradigmas de gestão tucanos”, escreve Siqueira. Trata-se de um devaneio do candidato, acrescenta.

Vamos aos números analisados por André Siqueira:

“Consta no Orçamento de 2011 a proposta de elevar o salário mínimo para 538,14 reais. Serra propõe desembolsar 61,86 reais a mais por assalariado, para atingir os 600 reais. Apenas essa promessa de campanha custaria, portanto, 12,3 bilhões de reais. O montante é próximo ao orçamento total do programa Bolsa Família, atualmente em 13,7 bilhões de reais. Aliás, criar uma parcela a mais para o programa acrescentaria 1,14 bilhão de reais ao cálculo – em valores correntes. Finalmente, há o reajuste dos benefícios da Seguridade Social. Nesse caso, apelo ao cálculo do economista do Ipea, Marcelo Caetano, que avaliou em 6,2 bilhões de reais o esforço adicional exigido pelo presente oferecido pelo tucano aos aposentados e pensionistas”.

No total, assinala o jornalista da Carta Capital, as promessas de Serra custariam cerca de 19,6 bilhões de reais aos cofres públicos. André Siqueira consultou, então, o especialista em contas públicas, Amir Khair, ex-secretário de Finanças de São Paulo, para indagar sobre a viabilidade das promessas de Serra, que batem de frente, sempre é bom lembrar, com as críticas que o próprio candidato e seu partido fazem ao que consideram ser “excesso de gastos” do governo Lula. Em primeiro lugar, Khair lembra que o gasto federal corresponde a uma parcela de 43% dos desembolsos totais do setor público. O restante fica a cargo das prefeituras e estados. Em segundo, assinala, cerca de 80% do orçamento federal está legalmente engessado com salários e outras obrigações constitucionais. 

Considerando a pouca margem de manobra que resta ao Executivo, Khair imagina que um “choque de gestão”, - a receita preferida do PSDB – permitiria um corte de aproximadamente 30%. Seria um “sacrifício extraordinário”, diz o economista, e equivaleria a 2,58% do gasto público nacional, algo em torno de 9,9 bilhões de reais. Ou seja, mesmo se fizesse isso, Serra estaria conseguindo apenas a metade dos recursos necessários para cumprir suas promessas de aumentar o salário mínimo para 600 reais, de reajustar em 10% as aposentadorias e de conceder um 13° pagamento ao Bolsa Família. “E ele continua a criticar o endividamento público. Ao mesmo tempo em que promete elevar gastos sociais, ampliar investimentos e cortar impostos. Como, José?”, indaga o jornalista.


Fotos: Blog do Kayser (http://blogdokayser.blogspot.com)