Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 16 de março de 2011

A direita quer sumir do mapa?


(A morte de Sardanapalus, por Delacroix. A pintura está em alta definição: clique nela para ver com mais detalhes.)

A pintura acima retrata um rei assírio que teria vivido no século VI antes de Cristo, conforme a descrição literária de Lord Byron, que por sua vez inspirou o também romântico Delacroix a pintar uma de suas obras-primas mais conhecidas.

Sardanapalus, ao saber que seus inimigos já haviam penetrado no palácio, ordena aos lacaios que matem todos seus escravos e concubinas, e lance ao fogo todo ouro e objetos preciosos.

Depois de experimentar as delícias do poder por décadas, a direita brasileira - assim como o personagem de Byron - quer sumir do mapa e eliminar todos os que a serviram?

Não é bem assim, claro.

Três textos convidam-nos à reflexão sobre o futuro da direita brasileira.Neste, da Folha, faz-se um rápido balanço do sumiço ou esvaziamento dos partidos liberais (nome bonitinho para "direita") do país. O segundo fala do realinhamento dos Democratas (DEM) na direção do senador Aécio Neves. Oterceiro descreve o surgimento do movimento Endireita Brasil.

Voltaremos a eles mais tarde, pois me parecem os assuntos mais importantes e consequentes sobre o futuro da oposição na pátria idolatrada.

*

E como diria o surfista de Ipanema, olha a nota "irada" que encontrei hoje na coluna da Renata Loprete, na Ditabranda News:


Realmente, Serra continua espalhando o bem pelo país, quer dizer, o Dem. A parte mais suja do DEM. E ainda nos faz o favor de levar o estrupício para o PSDB. Se conseguir convencer o Indio a entrar no PSDB e disputar a prefeitura do Rio, José Serra mata a candidatura Gabeira, a única com potencial para ameaçar a reeleição de Eduardo Paes, do PMDB.

Acho difícil, entretanto, que Serra realize essa proeza, de conduzir Indio ao comando do PSDB carioca, o que forçaria, por exemplo, Aspasia Camargo, uma verde influente na cidade, a abandonar qualquer aliança com os tucanos. Além disso, Indio significaria um PSDB definitivamente ancorado na extrema-direita do espectro político carioca e consequentemente interferindo na tentativa do grupo de Aécio Neves de criar pontes com a centro-esquerda, todas rompidas ao longo da campanha ultraconservadora de Serra.

PS: Otávio Leite, tucano de alta plumagem do Rio deu um chega pra lá no Serra quanto à possibilidade de Indio disputar a prefeitura do Rio pelo PSDB. A ver. A diversão trazida por Indio é perigosa demais, a meu ver, para valer a pena. Ele envenena os ambientes com seu radicalismo sectário e sua ausência total de escrúpulos no debate político.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

WikiLeaks, CIA & Veja

Julian Assange entregou as provas do financiador ideológico-mor da revista Veja. Documentos a serem divulgados hoje, 04/01/2011, explicam a coincidência entre os interesses eleitorais de Álvaro Uribe, o exílio do padre colombiano Francisco Antonio Cadena Collazos, conhecido como Padre Olivério Medina, e a matéria da revista Veja acusando o PT de participação nas FARC.
Segundo matéria assinada pela correspondente da WikiLeaks no Brasil,Natália Viana, em 2005 a Colômbia pediu a extradição e a embaixada americana prontamente se aliou. Daí a razão pela qual a Veja e seus aliados no Congresso, fomentados pela CIA, pa$$aram ao ataque. O incentivo da CIA vem agora comprovado pelo esforço diplomático em benefício da política eleitoral de Uribe, aliado incondicional dos EUA.
No documento fica particularmente evidente o empenho da tríplice aliança, Álvaro Uribe, EUA e VEJA, quando o “ embaixador aconselha que o governo americano ajude a Colômbia amontar um argumento “o mais forte e mais detalhado possível contra Cadena”: “Associar isso com quaisquer novas informações ou inteligência que os serviços do governo colombiano ou americano possam obter sobre a história de Cadena nas ações militares das Farc também seria útil”. E a Veja cumpriu seu papel! Mandou e todos seus colonistas pa$$aram a tratar do tema diuturnamente.
Assim como as campanhas eleitorais são financiadas visando um benefício futuro, as matérias celulares (pré-pagas) da VEJA também escondem, ou revelam, que intere$$es escondem ou revelam…
Uma mão lava a outra
E as duas, a bunda. O assunto envolvendo o PT e as FARC voltou à tona nas eleições do ano passado. Como ficou provado em documento anterior vazado pela Wikileaks, houve dobradinha durante a campanha. Dobradinha servida pelo Índio da Costa que Serra engoliu sem mastigar. Ou, pelas provas de agora, saboreou. Para defender os interesses americanos o vice de José Serra trouxe a baila novamente o tema da ligação do PT com as FARC (e o TSE deu direito de resposta ao PT), e, com isso, a Chevron ganhou de Serra a promessa que, se eleito, mudaria as regras do Pré-sal em benefício das empresas americanas. Saiba mais sobre as relações do candidato José Serra com os interesses dos EUA, lendo: Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal.
PSDB, independência dependente
José Serra esteve “exilado” nos EUA, exatamente o país que apoiava a ditadura. Fernando Henrique foi financiado pela Fundação Ford com o único intuito de criar a doutrina segundo a qual o Brasil só seria independente se dependesse dos EUA. Uma independência tutelada…
Como se vê, nos tempos atuais urge uma WikiLeaks que trate da movimentação financeira entre a CIA e a VEJA. Seria a prova do que já sabemos!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pequena amostra da corrupção tucana, a dos homens bons !!!!


Vice de Serra quis punir quem dá esmola



Imagine uma senhora caminhando pela rua e se deparando com uma outra mulher, muito pobre, pedindo esmolas. Comovida pela situação, que nenhum de nós gostaria de ver alguém passar, a senhorinha abre a bolsa e oferece um trocado, sugerindo que o dinheiro seja usado para comprar um alimento para a criança. Mas eis que surge um guarda municipal, interpela a solidária senhora e avisa: a senhora está multada!

Pois foi exatamente isso que o vice “mauricinho” de José Serra propôs quando foi vereador no Rio de Janeiro. Em projeto de lei (nº 558), de 1997, obviamente rejeitado, Índio da Costa tentou proibir o ato de esmolar no município.

E como pretendia que o poder público proibisse o ato de esmolar? “Aquele que for apanhado esmolando, será recolhido a albergue ou centro de atendimento”. E “quem doar esmola pagará multa a ser definida pelo Poder Executivo”. 

Se o mendigo ficasse lá, deitado na rua, sem pedir esmola, não seria atendido pelo poder público. Afinal, a lei previa que fosse recolhido para albergue aquele que fosse apanhado esmolando. E o cidadão compungido pela miséria humana ficava tolhido de tentar ajudar, mesmo que momentaneamente, aqueles que mais necessitam.

Na justificativa apresentada para seu edificante projeto, Índio da Costa afirmava que a mendicância vinha se acentuando a cada dia, com “famílias inteiras molestando os transeuntes com pedidos insistentes e até ameaçadores”.

O jovem vereador, externando desde cedo sua ideologia de direita, tachava a mendicância de “vício” e dizia que “tais indivíduos fazem desse ato sua profissão.”

A Índio não interessava as causas da pobreza e a desestruturação que provoca em famílias inteiras. Como uma Sandra Cavalcanti de calças curtas, devia, no fundo, sonhar com um tempo onde a indiferença dos governos permitiu acontecerem monstruosidades como aquelas do Rio da Guarda. Não se dá conta que essa enorme quantidade de pessoas em situação limite foi acumulada em décadas de estagnação econômica que, além de eliminar o emprego, tirou de muita gente a fé no trabalho como ferramenta de uma vida digna. Décadas num país que crescia a taxas ínfimas, comandado por uma coligação entre seu partido e os tucanos. 

Seu projeto reacionário teve vida curta, assim como sua irresponsável candidatura a vice-presidente, que termina derrotada em quatro meses, se é que sobrevive até lá.
Brizola Neto em seu Blog

Serra e o desmatamento ZERO

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Serra apanha no Rio


O que era para ser uma passeata em busca de votos no calçadão de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, terminou em tumulto nesta quarta-feira. Com bandeiras da campanha da candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, do PT, e cartazes contra o candidato do PSDB, José Serra, manifestantes tentaram impedir a caminhada do tucano no local
Houve empurra-empurra e confusão. Enquanto os ânimos se exaltavam, Serra, o vice Índio da Costa (DEM) e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) abrigaram-se dentro de uma loja.
Durante cerca de 45 minutos, militantes do PT e do PSDB gritaram palavras ordem em defesa de seus candidatos. José Serra chegou a ser atingido por um cabo de bandeira arremessado por um dos manifestantes
Quando ele retomou a caminhada, houve mais tumulto. Seguranças fizeram um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes se aproximassem do candidato. Por precaução, lojistas fecharam as portas. Nenhum policial esteve no local.
Para fugir do tumulto, o tucano entrou em um carro da campanha e retomou a passeata alguns metros à frente, mas logo o ato foi encerrado.

sábado, 16 de outubro de 2010

Abala otimismo tucano e anima militância pró-Dilma



A grande mídia, a oposição e até mesmo lideranças da base governista alimentaram nos últimos dias a suspeita de que a segunda pesquisa Datafolha do segundo turno traria o candidato da direita, José Serra, encostado na candidata da esquerda, Dilma Rousseff (PT). Mas não foi isso que aconteceu. Dilma continua com 8 pontos de vantagem sobre o tucano e o Datafolha ainda mostra um recorde na avaliação positiva do governo Lula.

Foi o que bastou para acabar com o otimismo na campanha tucana e reanimar a militância pró-Dilma. O desencanto da oposição com os números do Datafolha pode ser percebido pelo Twitter. Enquanto os usuários do microblog, alinhados com a candidatura de Serra, reclamavam de suposta manipulação de números, os apoiadores de Dilma comemoravam a dianteira da candidata e a boa avaliação do governo.

O ultra-direitista Reinaldo Azevedo, da igualmente reacionária revista Veja, vociferava contra o instituto de pesquisa: "O Datfolha afronta a matemática...", reclamou o jornalista, que havia postado em seu blog, pouco antes da pesquisa ser divulgada, que o Datafolha traria Dilma com apenas seis pontos de vantagem sobre Serra.

Já o cientista político e sócio da consultoria Arko Device, Murillo de Aragão, comentou em seu microblog que "considerando toda a onda da semana, o resultado do Datafolha é excepcional para a Dilma".

O ex-vereador de Capivari (SP) pelo PT, Luís Antônio Albiero, também usou o Twitter para comentar a pesquisa, mas fez um alerta válido: "Alô, militância #Dilma13. Legal o DataFolha, a Istoé, os programas de TV. Mas não podemos permitir que pesquisas e mídia pautem nosso ânimo!".

Quando a notícia sobre os novos números do Datafolha foi dada no evento do qual Dilma participava na zona leste de São Paulo, a militância ficou empolgada.

Dilma mantém vantagem de 8 pontos

Segundo o Datafolha divulgado nesta sexta-feira pelo Jornal Nacional, o cenário é de estabilidade. Dilma Rousseff (PT) tem 54% dos votos válidos, contra 46% de seu oponente, José Serra (PSDB). Os números são iguais aos registrados na pesquisa realizada na semana passada .

Em votos totais, a petista registrou uma leve oscilação para baixo, passando de 48% para 47%, enquanto o tucano se manteve com 41%. De acordo com a pesquisa, a taxa de indecisos oscilou para cima e agora está em 8% (na pesquisa anterior era 7%). Os que pretendem anular o voto ou votar em branco, 4%, eram em número idêntico na semana anterior.

Para o Datafolha, essa oscilação se explica por uma queda de 3 pontos percentuais entre o eleitorado de menor escolaridade, que representa 47% do total de eleitores no Brasil.

A pesquisa foi realizada nos dias 14 e 15 de outubro com 3.281 eleitores de 202 municípios brasileiros e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Folha e a Rede Globo, e foi registrada no TSE sob o número 35.746.

Presidente do PT diz que candidatura da Dilma voltou a crescer

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que as pesquisas internas de acompanhamento diária da campanha, encomendadas ao Ibope e Vox Populi, indicam uma retomada do crescimento da candidata petista. Segundo Dutra, esse rastreamento mostrou o pior resultado para Dilma na segunda-feira, quando a diferença com o tucano José Serra caiu para 5 pontos. Nesta sexta-feira, disse, a diferença foi ampliada para 10 pontos.

"Pelos nossos levantamentos, essa diferença chegou a 5 pontos, mas agora a Dilma começa a dar uma recuperada", disse Dutra.

Dutra disse ainda que a partir de agora a campanha de Dilma ganha novo impulso, com um chamamento à militância.

O comando de campanha de Dilma reuniu-se na manhã desta sexta-feira em Brasília e, com a presença do presidente Lula, cobrou uma presença maior dos militantes na rua e da própria candidata.

Ficou estabelecida no encontro a estratégia de concentrar a campanha de Dilma nos maiores centros - São Paulo, Minas Gerais e também no Paraná -, mas o Norte e Nordeste não serão descuidados e deve haver eventos na candidata no Ceará, Pernambuco, Bahia e Amazonas.

"Conversamos sobre a necessidade de botar o bloco na rua. Já estamos fazendo isso, conversando com vereadores, deputados estaduais, federais, prefeitos, é um processo de chamamento. Numa disputa como essa a militância faz a diferença. A perplexidade (que houve no fim do primeiro turno) já está superada", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Recorde na aprovação ao presidente Lula

A mesma pesquisa Datafolha mostra que a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir na reta final da eleição, após meses de estabilidade, e atingiu na segunda semana de outubro seu maior índice desde que o petista foi eleito.

Pela primeira vez, a aprovação do presidente chega a 81% de ótimo/bom, recorde na série histórica do Datafolha.

No levantamento realizado na semana passada, 78% dos eleitores brasileiros consideravam a administração de Lula ótima ou boa. Antes, a melhor avaliação havia sido atingida em 24 de agosto (79%).

O pior momento do petista na Presidência foi entre outubro e dezembro de 2005, quando 28% avaliavam-na como ótima ou boa. Nessa época, Lula enfrentava as denúncias relacionadas ao mensalão.

No levantamento atual, 15% consideram o atual governo regular, enquanto 4% avaliam que ele é ruim ou péssimo.

A nota atribuída ao governo Lula no levantamento atual é de 8,1, ante 8 na semana passada.

Da redação,
Cláudio Gonzalez, com agências

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cuidado com supostas revelações de ex-aluna de Mônica Serra,Cheiro de armadilha no ar:



Está rolando uma denúncia no twitter de que um suposta ex-aluna da mulher do Serra está fazendo graves revelações sobre ela no facebook. Nem vou dizer do que se trata, pois é baixaria pura.

Só que tem cheiro de armadilha!

Serra agora precisa desesperadamente reverter essa história da baixaria na internet que seus jagunços vem fazendo há meses e que finalmente o PT resolveu peitar - ainda mais depois do seu desempenho desastroso no debate da Band.

Nada melhor do que colocar alguém fingindo ser ex-aluna da mulher dele com graves revelações. Aí todos nós divulgamos a "denúncia" como se fosse verdade e então uma investigação vai "descobrir" que na verdade o perfil era falso e quem estava por trás de tudo é um "filiado do PT". Serra, indignado, vai vociferar contra os "blogs sujos do PT" e acusar a Dilma de estar por trás de tudo. Capa de todos os jornalões e destaque no Jornal Nacional, com direito à mulher do Serra chorando abraçada à ex-aluna verdadeira!

Não caiam nessa! Estamos lidando com gente barra pesadíssima. Muita calma nessa hora. Como bem disse o Rodrigo Viana, "sem checar é fria. e mesmo checando é fria. Baixaria é a praia deles. Nao vale jogar nesse campo. serra quer vitimizar familia dele".

Nervos de aço, pessoal. Não caiam em armadilhas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Índio da Costa, que integra frente GLTB, é contra projeto que defende direitos civis



O deputado Índio da Costa, candidato a vice na chapa de José Serra, integra no Congresso a Frente Parlamentar GLTB. Mas condena um projeto que visa combater a homofobia, aparentemente para satisfazer eleitores evangélicos. Do jornal carioca O Dia:
08.10.10 às 02h20
Intenção de vetar projeto de lei que pune com prisão o preconceito causa indignação
Rio – A afirmação de que José Serra (PSDB), se eleito presidente, vai vetar o projeto de lei que transforma em crime a discriminação a homossexuais, feita por seu vice, Indio da Costa (PSDB), causou revolta entre militantes do movimento gay de todo o País.
Indignados, os principais grupos de apoio a homossexuais do Rio se reúnem hoje para definir uma posição com relação ao candidato. Entidades nacionais serão consultadas para uma decisão conjunta e, na próxima terça-feira, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) também discute a possibilidade de fazer uma manifestação antes das eleições, de exigir a assinatura de um termo de compromisso ou divulgar carta de apoio à Dilma Rousseff (PT).
Como a coluna Informe do Dia mostrou ontem, Indio da Costa disse que ele e Serra atendem a um pedido de evangélicos. Segundo ele, o projeto de lei 122/2006 atenta contra a liberdade de expressão ao punir com prisão manifestações consideradas homofóbicas. Ontem, o pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, admitiu que foi ele quem conversou com Indio, embora o candidato tenha divulgado ontem na internet que O DIA deturpou sua declaração. À noite, porém, Indio confirmou à Revista Veja sua posição.
“É uma lei esdrúxula, vergonhosa. Não é ser contra o direito dos homossexuais, é ser contra criminalizar quem é contra a prática homossexual”, disse o pastor Malafaia.
Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação da Presidência, Cláudio Nascimento classificou a decisão como conservadora e reacionária. “A lei é importante para a demarcação dos direitos dos homossexuais, nada diferente da proteção contra o racismo e a intolerância religiosa”.
Para o presidente da ABGLT, Toni Reis, há um mal entendido na interpretação da lei. “Respeitamos as crenças religiosas. O que não pode é fazer apologia à violência. E quem assume a presidência deve cumprir a Constituição e garantir que ninguém seja discriminado”.
Ativista e deputado estadual eleito, o ex-BBB Jean Wyllys também criticou a decisão da chapa de Serra. “Acho lamentável que os dois façam concessão a grupos fundamentalistas cristãos, em vez de garantir os direitos das minorias”.

Indio reafirma ser contra o projeto em entrevista a site
Apesar de ter criticado a manchete de ontem de O DIA — ‘Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays’ —, à noite, Indio da Costa voltou a falar com um jornalista sobre o projeto e reafirmou sua posição em entrevista ao site da revista Veja, que foi ao ar às 20h50.
“Não somos contra os direitos dos homossexuais, mas não somos a favor que se criminalize, como propõe o PL 122, as pessoas que têm opinião contrária a essa prática”, afirmou Indio, que, na quarta-feira, ao lado da mulher de José Serra, Mônica Serra, participou de encontro com lideranças evangélicas. Na pauta, entre vários temas, discutiu-se a polêmica em torno do projeto e os evangélicos voltaram a pedir a ele que ajude a impedir a criminalização da homofobia no País.
Na mesma entrevista, Indio da Costa afirma que o texto da petista Iara Bernardi contém excessos e, caso seja aprovado, “haverá liberdade de expressão só para os gays”.
Candidato é polêmico e já foi alvo de CPI
Não é a primeira vez que o vice de Serra chama atenção por declarações e atitudes polêmicas ou ideias mirabolantes. Na campanha do 1º turno, por exemplo, Indio da Costa acusou o PT de ter ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Em julho, o candidato disse que mais de um milhão e meio de pessoas já haviam acessado documentos postados por ele em seu Twitter que comprovariam o envolvimento do partido do presidente Lula com os narcoguerrilheiros. “É papo furado essa conversinha de que não pode falar mal do PT”, afirmou. O partido recorreu à Justiça por conta das declarações.
Em 2005, Indio, então secretário municipal de Administração, foi alvo da CPI da Merenda, instalada na Câmara de Vereadores após reportagens de O DIA. O relatório final concluiu que a licitação causou prejuízo aos cofres públicos, mas a investigação foi arquivada pelo Ministério Público.
O candidato ainda responde na Justiça a processo movido por taxista que o acusa de causar acidente de carro na Barra, em 2003. O motorista ficou com sequelas.
Em 1997, o então vereador Indio da Costa quis proibir com um projeto de lei a prática de dar esmolas a mendigos. Propunha até mesmo o recolhimento a albergue de quem fosse flagrado, mas o projeto foi rejeitado por seus pares.

SILAS MALAFAIA : “ELES SÃO O GRUPO MAIS INTOLERANTE”
O pastor evangélico Silas Malafaia se declara uma barreira para os homossexuais. Admitiu que ligou para o vice de Serra, Índio da Costa, pedindo apoio para “não aprovar esse absurdo”.
1. O que o senhor pensa sobre o PL 122?
— Não sou a favor da violência contra homossexuais, mas sou contra criminalizar quem é contra a prática homossexual. Eles se dizem discriminados, mas são o grupo mais intolerante da modernidade porque não suportam críticas. Se meu filho tiver babá homossexual, quero poder demiti-la porque não quero que ele tenha esta orientação. Se homossexuais se beijarem no pátio da minha igreja, quero pedir para que saiam. E não quero ser punido com 3 a 5 anos de prisão.
2. Por que a iniciativa de pedir apoio a Serra?
— Não quero que meu presidente seja contra nenhum grupo, mas tenho que me posicionar. Disse a Serra que teria segundo turno e que a comunidade evangélica estava atenta às questões do aborto e do PL 122.
3. Qual a real mensagem no outdoor que espalhou pela cidade?
— A carapuça serviu? Eles não são a favor da família? Não são a favor da preservação da espécie humana? Não são macho e fêmea? São o que, andrógenos? É uma mensagem e cada um interpreta como quiser.
Autora: “Serra devia se posicionar”
Autora do projeto de lei 122, aprovado por unanimidade na Câmara e à espera de votação no Senado, a deputada federal Iara Bernardi, do PT de São Paulo, cobrou um pronunciamento público de José Serra sobre o tema.
“Ele é que deveria falar, se posicionar, e não colocar o seu vice para falar por ele, como se fosse um ventríloquo. Essa é mais uma bobagem que o Índio da Costa diz. Ele só fez isso nessa campanha”, criticou.
Segundo Iara, muitas mentiras sobre o projeto foram espalhadas na internet para difamá-lo e prejudicar sua tramitação no Senado. Mas ela está confiante na aprovação.
“Dizem que obriga igrejas a fazer casamento gay, mas não tem nada disso. Muitos senadores progressistas foram eleitos agora, tenho certeza que vão colocar o projeto de novo na pauta”, concluiu.
Reportagem de Celso Oliveira e Paula Sarapu

Leitor diz que blog da Veja apagou post sobre Índio e movimento gay



07/10/2010
às 20:50
Indio abre crise entre o movimento gay e a campanha de Serra
do blog das eleições da revista Veja [o leitor Luis Arthur recapturou o post que, segundo ele, o blog das eleições da Veja tirou do ar]
O candidato a vice da chapa tucana, Indio da Costa, do DEM, viu-se nesta quinta-feira no centro de uma polêmica sobre os direitos dos homossexuais. O jornal carioca O DIA atribuiu ao vice de José Serra a informação de que os tucanos votarão contra o projeto de lei 122, que transforma em crime a discriminação a homossexuais. O texto da manchete – “Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays” despertou a ira das lideranças GLBT e uma enxurrada de protestos no Twitter. Em entrevista ao site de VEJA, Indio frisou que sempre defendeu os gays. “Mentira deslavada que eu quero tirar algum direito deles. Quando era secretário de administração (do Rio de Janeiro, em 2001), fui o primeiro a reconhecer a relação homossexual para fins de pensão. Sou favorável à união civil para fins de direito do casal, como em casos de morte e herança.”
Liberdade de expressão – “Não somos contra os direitos dos homossexuais, mas não somos a favor que se criminalize, como propõe o PL 122, as pessoas que têm opinião contrária a essa pratica”, resumiu Indio. O PL 122 propõe a modificação da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, o Código Penal e a Consolidação das Leis do Trabalho, definindo os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Esse conjunto de leis já pune a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.
Indio diz que sua posição sobre o projeto baseia-se na defesa do direito de expressão, e que a lei contém excessos. De acordo com ele, se o texto for aprovado, “haverá liberdade de expressão só para os gays”. Para o candidato a vice, a figura do crime de injúria, previsto no Código Penal, é suficiente para punir as manifestações de preconceito contra os homossexuais. Indio não leva em conta, no entanto, que, no código, a discriminação é considerada agravante, e aumenta a pena por injúria para um prazo de um ano a três anos e multa.

Lideranças religiosas 
– A preocupação de Indio com o tema está ligada à busca pelos votos de evangélicos e católicos, um dos principais objetivos das campanhas de Dilma Rousseff e José Serra no segundo turno. Nesta quarta-feira, Indio e a mulher de José Serra, Mônica Serra, se reuniram com 30 lideranças religiosas que reforçaram o pedido para que impedissem a criminalização do preconceito aos gays.
A posição do vice de Serra provocou desconforto entre os tucanos. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que a campanha de Serra não tratou desse assunto. E o blog “Diversidade Tucana”, depois de criticar a manchete de O DIA como “mais um capítulo de um jogo lamentável de criação de factóides” esclareceu que “José Serra é  o homem público que mais fez pelos LGBTs no Brasil. Estão em sua história de serviços prestados à nossa população iniciativas pioneiras, como coordenadorias municipal e estadual de diversidade sexual, ambulatório de saúde para travestis e transexuais e centros de referência de atendimento a vítimas de homofobia.”
(Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Perdido por perdido, truco!

Serra InSalubre
"Deu ontem no Datafolha: Dilma (51%) ganha de Serra (27%) no primeiro turno. Então no vale-tudo do Zé, perdido por perdido, truco!"


Márcia Denser*
É possível ganhar eleição com uma campanha exclusivamente negativa? Até porque nas mais “notáveis” realizações tucanas, cinismos à parte – e por realizações entenda-se tudo o que não é factóide ou omissão ou desacontecimento – o sinal também se inverte, uma vez que constituem exclusivamente empreendimentos negativos, pois ideologicamente – em tese e na prática – seus políticos atuam contra os interesses da população que os elege. Eis a fórmula tucana da “boa gestão”: a aplicação literal do subcapitalismo desigual e combinado – que combina a iniquidade do atraso com a truculência do progresso. Ou seja, a tecnologia do futuro em retrocesso!

E a nunca por demais esquecida omissão ou desinformação ou mentira descarada ou manobra divergente ou contramedida ou denuncismo anacrônico que campeia criminosa e impunemente via jornalões, vejas, blogs, rádios e tevês associados ao PIG Inc. E como Serra trata o não-PIG? A tapa (vide episódio ocorrido esta semana com minha xará, Márcia Peltier). Deu ontem no Datafolha: Dilma (51%) ganha de Serra (27%) no primeiro turno. Então no vale-tudo do Zé, perdido por perdido, truco!

Daí que, de “olhar armado”, caçadoramente, começa-se a garimpar pela imprensa informações aqui e ali, e pouco a pouco a realidade vai emergindo – bela e horrível, banal, gravíssima, definitivamente inexorável:

Estadão de 14/4
“Anunciando a quem passasse: “Sou a mulher do Serra e vim pedir seu voto”, Mônica Serra esteve na tarde de hoje em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Acompanhada do candidato a vice, Índio da Costa (DEM), a mulher de Serra partiu para o ataque à petista Dilma Rousseff. A um eleitor evangélico, que declarou voto em Dilma, Mônica Serra afirmou que Dilma é a favor do aborto. “Ela é a favor de matar as criancinhas”, disse ao vendedor ambulante Edgar da Silva, de 73 anos.“

UOL Notícias de 15-09
“Documentos revelam falhas em 'maternidade de referência' em SP. Documentos internos assinados por médicos e gestores do Hospital [estadual] Maternidade Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, mostram que, apesar dos prêmios de gestão e do rótulo de unidade referência (???), sofrem com a falta de infraestrutura, superlotação e são obrigados a improvisar procedimentos para evitar a morte de pacientes – nem sempre com sucesso. A seguir, alguns exemplos de apelos – inúteis – feitos pelos médicos ao governo estadual de José Serra, relatados à reportagem da UOL:
(1) "Saliento a necessidade urgente de uma unidade de terapia intensiva nesta instituição para que os profissionais possam trabalhar com mais segurança..." ;
(2) "Na entrada do plantão, não havia sequer macas para retirar pacientes da sala de obstetrícia";
(3)“É desumana a situação em que a direção do hospital nos deixa diariamente nesta maternidade dita de ‘alto risco’. Não vou repetir o que dizem e escrevem neste livro nos últimos 19 anos que convivo e trabalho neste C.O. (Centro Obstétrico) sem UTI, escreveu um médico no domingo, 30/08/agosto de 2009, referindo-se a uma paciente cujo atendimento foi prejudicado pela falta de materiais como cateter central e lâmina de ventilação. Mesmo diagnosticada com choque hemorrágico, ela ficou aguardando durante cerca de seis horas por uma vaga em uma UTI, obtida somente em região distante. “A paciente foi transferida para o Hospital Cachoeirinha, e não sei se ela está viva”, complementa o médico, pedindo providências da direção.”
(4) “Em 20 de junho de 2009, situação semelhante é relatada: Histerectomia total puerperal de paciente por choque hemorrágico + atonia uterina + coagulopatia. Paciente transferida para a UTI do Hospital Geral de Sapopemba, evoluindo para óbito na chegada do mesmo”, diz o registro médico, assinado por um profissional do hospital."

Mas nada como um salutar feed back a fim de melhor caracterizar este Serra tão cinicamente insalubre.

Recuerdos pedagógicos

Carta Maior de 21/04/2010
“O pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra (PSDB) saiu do armário esta semana em Minas Gerais e, durante encontro com empresários prometeu, entre outros pontos:
1) desmontar o legado de Lula;
2) acabar com o PAC, uma vez que não passa de “um monte de obras”;
3) paralisar o país para “rever” todos os contratos federais assinados durante o governo Lula;
4) abolir o Mercosul e mudar totalmente a política externa para uma orientação no estilo subordinado de FHC;
5) mudar a atual Fundação Nacional de Saúde – Funasa – , muito criticada por ele, para repetir o que fez quando ministro da Saúde de FHC, entre 1998 a 2002.
E o que ele fez condensa, em pequena dimensão, o que promete agora repetir, em escala ampliada, se for eleito.”

Modestamente, eis o que ele fez:

“I) Serra assumiu o ministério em 31 de março de 1998, em meio a uma epidemia de dengue e prometeu uma guerra das forças da saúde contra a doença;
II) iniciou então o desmonte que ameaça agora repetir;
III) primeiro, ignorou as linhas de ação e planos iniciados por seu antecessor, o médico Adib Jatene;
IV) em nome de uma descentralização atabalhoada, transferiu responsabilidades da Funasa, Fundação Nacional de Saúde, o órgão executivo do ministério, para prefeituras despreparadas e sem sincronia na ação;
V) Em junho de 1999, Serra demitiu 5.792 agentes sanitários contratados pela Funasa em regime temporário, acelerando o desmonte do órgão, em sintonia com a agenda do Estado mínimo;
VI) um mês depois, em 1º de julho de 1999, o procurador da República, Rogério Nascimento, pediu à Justiça o adiamento da dispensa dos 5.792 mata-mosquitos até que as prefeituras pudessem treinar pessoal; pedido ignorado por Serra.
VII) Em 5 de agosto de 1999, num despacho do processo dos mata-mosquitos, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira escreveu: "Estamos diante de uma situação de consequências catastróficas, haja vista a iminente ocorrência de dengue hemorrágica".
VIII) O epidemiologista Roberto Medronho, diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, completaria: ‘"A descentralização da saúde não foi feita de forma bem planejada. O afastamento dos mata-mosquitos no Rio foi uma atitude irresponsável”
IX) em abril de 2001, a Coordenação de Dengue do município do Rio previu uma epidemia no verão de 2002 com grande incidência de febre hemorrágica. A sugestão, contratar 1.500 agentes e comprar mais equipamentos de emergência, foi ignorada por Serra.
X) O ano de 2001 foi o primeiro em que os mata-mosquitos da Funasa, dispensados por Serra, não atuaram . A dengue, então, voltou de forma fulminante no Rio: 68.438 pessoas infectadas, mais que o dobro das 32.382 de 1998, quando Serra assumiu o ministério.
XI) Em 2002, já candidato contra Lula, Serra era ovacionado em vários pontos do país aos gritos de 'Presidengue!'. Justa homenagem à sua devastadora atuação na saúde pública.”

A propósito, voltando a Mônica Serra: li não sei onde que quando ela esteve em campanha pelo marido em Curitiba, alguém a ouviu comentar junto à comitiva tucana: ”Bolsa-Família? Somos totalmente contra esse assistencialismo. No começo, o Serra vai deixar, depois será abolida pouco a pouco...”.

Pois é, minha cara, escrúpulo é para pobre, e bonzinho morre na praia, não é mesmo?

É isso aí: perdido por perdido, truco!

*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), A Ponte das Estrelas (1990), Toda Prosa (2002 - Esgotado), Diana Caçadora/Tango Fantasma (2003,Ateliê Editorial, reedição), Caim (Record, 2006), Toda Prosa II - Obra Escolhida (Record, 2008). É traduzida na Holanda, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Suiça, Argentina e Espanha (catalão e galaico-português). Dois de seus contos - O Vampiro da Alameda Casabranca e Hell's Angel - foram incluídos nos 100 Melhores Contos Brasileiros do Século, sendo que Hell's Angel está também entre os 100 Melhores Contos Eróticos Universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUCSP, é pesquisadora de literatura, jornalista e curadora de Literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gaspari exige que Serra se salve do "galope em direção ao nada"




O jornalista Elio Gaspari, colunista da Folha de S.Paulo e de O Globo, deixou claro que não está nada satisfeito com os rumos da campanha presidencial de José Serra (PSDB). No artigo “O modelo ‘Serra Palin’ emborcou”, publicado nesta quarta-feira (18), Gaspari dispara críticas — como é de seu hábito — ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à candidata Dilma Rousseff e ao que chama de “aparelho petista”. Mas a decepção com Serra é que dá o tom de sua impaciência.

Por André Cintra

“Enquanto John McCain, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, tirou da cartola Sarah Palin, uma governadora do Alaska, desconhecida, feroz e simpática, o candidato tucano, que o país conhece há décadas, apresentou-se como algo que nunca foi. Pior: pelo que se suspeita, apresenta-se como algo de que o eleitorado não precisa”, choraminga Gaspari.

O pretexto para seus petardos é a vantagem aberta por Dilma sobre Serra nas intenções de voto detectadas pelos principais institutos de pesquisa — Ibope, Datafolha e Vox Populi. Na opinião do colunista da Folha e do Globo, a mudança de tática do presidenciável tucano culminou na derrocada.

“Serra lançou-se candidato com um discurso de unidade nacional, por um Brasil que ‘pode mais’, apimentado com um toque moralista (‘meu governo nunca cultivou roubalheira’). Em poucos dias arquivou a proposta de unidade e serviu a pimenta”, escreve Gaspari — que faz questão de isentar até os marqueteiros da campanha, cobrando Serra diretamente: “Os desastres raramente derivam de estratégias ou astúcias da marquetagem. O fator decisivo, por incrível que possa parecer, sempre sai da essência da candidatura”.

Gaspari se invocou ainda mais com a artimanha barata da campanha Serra de chamar o candidato de “Zé” na propaganda eleitoral da TV. Nas páginas dos jornais da grande mídia que mais lhe apoiam, o tucano toma a reprimenda: “Tentando ser o que nunca foi, (Serra) deixou de informar quem pretende ser como presidente da República. O coroamento desse galope em direção ao nada poderá se cristalizar numa tentativa de metamorfose num hipotético ‘Zé’, eco aziago da transformação de Alckmin no ‘Geraldo’ da campanha de 2006.”

Todos os erros de um lado só

O artigo mostra o óbvio: a campanha Serra falhou ao subestimar a transferência de votos de Lula para Dilma. “É verdade que os 78% de popularidade de Nosso Guia lhe permitem esse luxo, mas esse dado está na equação política nacional desde o final do ano passado, quando ele atravessou a crise financeira com leves escoriações.”

Num dos trechos mais salientes do artigo, o colunista apela à metafísica para intuir que os ventos da sorte podem passar de uma campanha para outra — de Dilma para Serra. “Afinal de contas”, teoriza Gaspari, “não se pode supor que, numa campanha eleitoral, só um dos lados cometa todos os erros durante todo o tempo”.

A conclusão do texto mostra que o colunista tem realmente a pretensão de ditar os novos rumos da campanha demo-tucana. “Em março, ao deixar o governo de São Paulo, Serra lembrou-se de Guimarães Rosa: ‘Mestre não é quem ensina, mestre é quem, de repente, aprende’”. Se aliados e marqueteiros da campanha não conseguiram colocar Serra nos trilhos, Gaspari conseguirá?

Quando o vice é um trapalhão

17/08/2010 - 23:26 | Enviado por: Mauro Santayana

Por Mauro Santayana

Enganam-se os que desprezam os programas de propaganda eleitoral pela televisão. Se é certo que eles pouco influem para que os eleitores de opinião formada mudem seus votos, é também certo que são importantes para a conquista dos indecisos. A imagem dos candidatos, com o seu olhar, os seus gestos e o tom de sua voz, podem transferir a mensagem de confiança ou de repulsa. É também certo que os candidatos só conseguem obter a simpatia daqueles telespectadores que – pela sua origem de classe e sua história de vida, suas crenças e sua inteligência – com eles se identifiquem. E, a menos que o candidato seja excepcional ator, ele acaba se revelando nos dias intensos de proselitismo eletrônico.

O primeiro dia do programa foi mais ou menos equilibrado, mas os principais protagonistas ainda se encontram um pouco cambaleantes. Dilma e Serra se empenharam em usar a emoção como envoltório de seu recado. Serra buscou, na origem familiar, sua vinculação com a classe trabalhadora, ao relembrar o trabalho modesto de feirante de seu pai e a frequência à escola pública. Dilma buscou o mesmo efeito, ao recordar sua infância e adolescência em Minas, a ação política contra a ditadura, e sua atividade na prefeitura de Porto Alegre e no governo gaúcho. De certa forma, saíram-se bem.

Serra está correndo o risco de se transformar em homem de um só tema, o tema da saúde. Ainda que ele possa orgulhar-se do que fez quando ministro da Saúde, convém-lhe entender que é candidato à Presidência da República, e não ao retorno ao cargo que ocupou no governo Fernando Henrique.

Uma coisa parece certa: os candidatos serão mais conhecidos do grande eleitorado a partir de agora. As pesquisas, sendo anteriores a essa presença diária nos meios de comunicação, provavelmente serão alteradas, até o pleito. Ainda assim, elas não são infalíveis. Temos assistido a mudanças rápidas do ânimo do eleitorado, diante de fatores inesperados. Ao apresentar em seu programa uma senhora ressentida e alugada, Fernando Collor derrotou Lula, no segundo turno, em 1989. Grande parte do eleitorado feminino, naquele momento, deixou-se iludir pela farsa, e mudou seu voto.

José Serra cometeu muitos erros em sua postulação. Como já anotamos, neste espaço, nada indica que ele fatalmente perderia as prévias regionais de seu partido para Aécio Neves, se elas se realizassem, o que ele não permitiu. Além desse grave equívoco, Serra cometeu outro, o de pressionar o mineiro para candidatar-se a vice-presidente. Com a clara recusa de Aécio, ele teve tempo bastante para procurar um candidato a vice que lhe trouxesse votos, e não que os subtraísse. Era elementar que ele fosse ao Nordeste, como tem sido da tradição brasileira, em busca de seu vice, e ali havia, tanto em seu partido quanto nos partidos aliados, nomes respeitáveis. No último momento, foi escolher, na lista de deputados federais pelo Rio de Janeiro, um político desconhecido, provocador, de atitudes fascistas, absolutamente indesejável para ocupar, eventualmente, a suprema magistratura do país.

Ainda agora, em debate com Michel Temer, ele se revelou o que é, ao acusar Dilma Rousseff de partidária das Farc e de estimuladora de invasão de terras. Os quatro candidatos à Presidência (Dilma, Serra, Marina e Plínio) vieram da esquerda. Mas esse Indio da Costa parece desconhecer a origem ideológica de Serra.

Ou ele dispensa esse Indio (ainda há tempo) ou não sairá do lugar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PAZ ENTRE COLOMBIA E VENEZUELA: DERROTA PARA O URIBISMO TUCANO

PAZ ENTRE COLOMBIA E VENEZUELA: DERROTA PARA O URIBISMO TUCANO

Álvaro Uribe despediu-se do poder regurgitando provocações contra Chávez, que o ignorou. A tentativa algo desesperada de impedir que o belicismo desagregador personificado por ele virasse passado na política regional não deu certo. Nem bem a cadeira presidencial esfriou, seu sucessor, Juan Santos, recebeu o venezuelano para restabelecer a paz nas relações bilaterais. A atitude madura reforçada pela intermediação cuidadosa da Unasul, através de Nestor Kirchner, adiciona um caminhão de más notícias à candidatura do presidenciável brasileiro, José Serra. Esganado pela mão dupla de uma economia que bate recordes sucessivos na geração de empregos e tem um Presidente com 80% de aprovação, interessaria ao tucano vocalizar o uribismo no ambiente eleitoral brasileiro. Seu parceiro de chapa e idéias, Índio da Costa, e o back-vocal obsequioso da mídia demotucana, foram insuficientes, porém, para emplacar o delirante enredo que insinuava a existência de um ‘eixo do mal’ latinoamericano, formado por guerrilheiros das Farcs, tráfico, o PT e, claro, a candidatura apoiada por Lula. Era o título pronto de um filme à moda Stallone: ‘Uribe e Serra contra o Mal’: --Eles cortam cabeças de pessoas’, disse o ex-governador de São Paulo na pré-estréia. O reatamento das relações entre Venezuela e Colômbia indica que o trem da paz pode incorporar uma solução política para o futuro das Farcs. O rápido avanço das negociações no ambiente pós-Uribe avulta a desconcertante inadequação e o esférico despreparo da dupla Serra & Índio para liderar o mais influente guarda-chuva econômico e político de uma convergencia regional assentada na paz e na cooperação: a chefia do Estado brasileiro. (Carta Maior; 11-08)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“Indio acertou o alvo”, TSE acertou a Veja


De: Brizola Neto- Blog brizolaço

sexta-feira, 6 agosto, 2010 às 14:27
O TSE confirmou ontem, por unanimidade, o direito de resposta concedido ao PT contra a revista Veja por ter se associado às acusações do sr. I. da Costa de ligações do partido com as FARC e o narcotráfico. A decisão havia sido tomada no dia 2 deste mês por quatro votos a três.
O TSE entendeu que Veja extrapolou o limite da informação na matéria “Indio acertou o alvo”, ao afirmar que candidato a vice-presidente do PSDB, sobre as declarações do Sr. da Costa relacionando o PT a atividades ilícitas e organizações criminosas que “o vice de José Serra está correto em se espantar com a ligação dos membros do PT com a Farc e seus narcoterroristas”.
Agora a revista vai ter de publicar a resposta com o mesmo destaque em sua próxima edição, se não houver nenuma manobra protelatória a mais.

Colômbia: o cemitério que faz perguntas



Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. A descoberta de uma vala comum gigante no município de La Macarena segue sob investigação. Em um pedaço da vala, há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010. De quem são esses corpos?
Constanza Vieira, enviada especial da IPS
La Macarena, Colômbia (IPS) – A tentativa mais séria dos paramilitares de entrar neste município do centro da Colômbia foi um fracasso. Fizeram isso em 2003 protegidos pela polícia, mas os moradores, armados com paus e escopetas, os prenderam e entregaram para a Procuradoria Geral da Nação, que os encarcerou. Os combatentes de ultra-direita roubavam à saída dos bares de La Macarena, onde, previamente, a polícia havia confiscado os clientes, assinalando a seus sócios aqueles que portavam alguma riqueza. Estes clientes eram mortos pelos paramilitares e tinham seus corpos lançados no rio Guayabero.

O fato de o paramilitarismo não ter conseguido apoio neste município localizado ao sul da serra que carrega o mesmo nome, legendária por sua megabiodiversidade, dá um significado diferenciado à descoberta de uma vala comum em duas faixas em forma de L que somam cerca de 10 mil metros quadrados, numa área próxima a do cemitério do povoado. O terreno faz fronteira com a base local das brigadas móveis da chamada Força de Deslocamento Rápido (Fudra), que recebe cooperação estadunidense e combate a guerrilha de esquerda.

A Procuradoria Geral da Nação descreveu o achado como um “cemitério de pessoas não identificadas”. “Cemitério clandestino” preferem chamá-lo os parlamentares de esquerda Gloria Ramírez e Ivan Cepeda, este porta-voz do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado.

O braço mais curto do “L” é uma fossa comum, segundo peritos estatais e outras testemunhas que hoje já não se atrevem mais a falar. Está localizada atrás de umas abóbadas baixas no lado esquerdo do cemitério. Parece que ninguém se aventura por ali, ninguém investiga, dizem que está minada e que não há nada de especial ali. Em troca, chama atenção a faixa mais larga, de aproximadamente 6.500 metros quadrados, por onde se chega a partir de um caminho reto deste a entrada do cemitério. A Procuradoria fechou o local no dia 21 de julho, quando um qualificado grupo de especialistas forenses passaram a trabalhar no setor. Ali há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010.

Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. Soube-se da existência do anexo do cemitério de La Macarena há um ano, por meio de um artigo publicado no semanário regional Llano 7 Días, do jornal El Tiempo, de Bogotá. De 2002 até julho de 2009, reconheciam então as autoridades, o exército havia enterrado ali 564 cadáveres, todos eles reportados como guerrilheiros mortos em combate. Cerca de 71% dos corpos permanecia sem identificação.

Tudo começou pela água

Os habitantes do bairro Colinas, a uns 200 metros do cemitério, notaram em junho de 2008 que a água saía com mau cheiro e com sabores putrefatos dos poços profundos de onde ela é extraída no verão. Ao examinar o motivo, a população descobriu que o desagradável assunto vinha do cemitério. “Esses foram os primeiros indícios”, disse a IPS o advogado penalista Ramiro Orjuela, com vínculos familiares e profissionais na região. Desde 2004, “helicópteros traziam para cá corpos e mais corpos, abriam uma vala com uma retroescavadeira e atiravam esses corpos ali. O povo aqui de La Macarena sabe disso”, acrescentou.

Isso não era uma surpresa para os macarenenses. Ao fim e ao cabo, La Macarena vê a guerra passar desde 1950, 14 anos do surgimento das insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O município integrou a zona desmilitarizada onde o governo de Andrés Pastrana (1998-2002) manteve um diálogo de três anos com a guerrilha (diálogo que acabou fracassando no final). Após essa tentativa, o exército retomou os 42 mil quilômetros quadrados do santuário, incluídos os 11.229 que envolvem La Macarena. Desde então, todos os dias os habitantes viam chegar ao cemitério os corpos de supostos guerrilheiros. Os cadáveres eram amontoados em sacos pretos. E, logo em seguida, as fossas eram escavadas. Todo mundo sabia disso.

Assim, o caso da água não foi levantado com uma segunda intenção: “Não acreditavam que se tratava de algo grave, mas sim de uma coisa normal. E resultou que era grave, sim”, observou o advogado. Os militares disseram a Llano 7 Días que não temiam uma investigação. A Polícia teria feito um levantamento legal sobre cada corpo, identificando a arma que portava e a roupa camuflada que vestia, procedimento, garantiram os militares, que teve o aval da Procuradoria. Mas nesta região, na prática, a justiça penal militar tornou-se civil. Os promotores, segundo uma fonte da Igreja Católica, seriam militares da reserva ou em vias de se aposentar que hoje atuam sob as ordens do comandante militar, um equivalente da Polícia, efeito do programa piloto cívico-militar denominado Plano de Consolidação Integral de La Macarena, emitido em 2004.

Orjuela não atribui responsabilidades nem adianta acusação alguma. Só pede que as autoridades investiguem. “Não temos nenhum outro meio de prova que não aquilo que nos diz a comunidade”, disse a IPS. “Eles contam para alguém, mas depois não confirmam o depoimento porque têm medo”, assinalou. Assim que Orjuela e um grupo defensor dos direitos humanos enviaram petições ao Ministério Público e à Procuradoria, esta última fez uma inspeção no local e produziu um informe que permanece oculto ao público.
Baseada neste informe, a Direção Nacional de Investigações Especiais da Procuradoria respondeu em fevereiro que seu objetivo era “alcançar a plena identidade dos aproximadamente 2.000 corpos”, para o que esperava criar “um laboratório especializado de identificação” em La Macarena, junto com outras instituições. O Ministério Público, em troca, não respondeu por escrito. Em meados de julho deste ano relatou a Orjuela e a senadora Ramírez, organizadora de uma audiência pública do Senado em La Macarena no dia 22 de agosto, que até esse momento havia “detectado” 449 corpos. Também confirmou que “em 100% dos casos esses corpos tinham sido trazidos pelo exército. Todos. Não há um único que não”, segundo Orjuela.

Em meio a fortes xingamentos dirigidos contra os organizadores da audiência pública, o governo de Uribe insiste que todos são guerrilheiros mortos em combate e levados para lá. Orjuela adverte: “Isso é possível. Mas não todos”. É que 449 guerrilheiros equivalem a três ou quatro frentes das FARC. Como a guerrilha permanece atuante na região, “então quem são esses 400 e tantos mortos?”, pergunta.

O jesuíta Banco de Dados sobre Direitos Humanos e Violência Política tem testemunhos sobre 79 civis desaparecidos em La Macarena e municípios vizinhos. Há 25 casos documentados sobre supostas execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército. Por enquanto, o Ministério Público identificou cinco civis reportados como desaparecidos e que já foram devolvidos às duas famílias. Há outros 37 corpos em processo de identificação. Os demais permanecem perguntando.