Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Possuída pelo impeachment

Ao comentar o discurso inflamado da advogada Janaína Paschoal em um ato contra o impeachment, o colunista do 247 Alex Solnik destaca que "nem as emissoras de TV tiveram coragem de mostrar a cena na íntegra, com o intuito de proteger a imagem da protagonista do show de horror e poupar os telespectadores de um dos momentos mais grotescos da história brasileira"; "O que me pergunto é como uma pessoa que se comporta dessa maneira foi alçada à cena nacional por dois advogados que, concordemos com eles ou não, ocuparam cargos relevantes na República. O que me pergunto é como um pedido de impeachment assinado por essa pessoa que requer cuidados urgentes – sejam místicos ou médicos – foi aceito por outro personagem grotesco que estranhamente ocupa um dos postos mais importantes da República, sem falar no seu histórico de malfeitos que agridem a opinião pública", completa o jornalista


Alex Solnik
Certa vez, nos primórdios da TV Record sob administração da Igreja Universal, o líder da seita e dono da rede, Edir Macedo entrou de surpresa na redação da emissora.
E flagrou o diretor de Jornalismo, que se tratava com antidepressivos, atravessando a sala apenas de meias pretas, sem sapatos.
Sem perda de tempo, Macedo ordenou ao diretor-geral, Guga de Oliveira:
- Temos que exorcisar!
E o jornalista, dono de bela carreira com passagens pelos principais órgãos de comunicação do país, teve que se submeter ao ritual, realizado na igreja do bairro do Brás, pois, caso contrário, seria sumariamente demitido.
Não sei o que Edir Macedo diria a respeito do "espetáculo" apresentado pela advogada Janaína Pascoal no púlpito localizado em frente à vetusta e histórica Faculdade de Direito do Largo do São Francisco.
Nem as emissoras de TV tiveram coragem de mostrar a cena na íntegra, selecionaram apenas os momentos menos eufóricos, digamos assim, menos constrangedores, com o intuito de proteger a imagem da protagonista do show de horror e poupar os telespectadores de um dos momentos mais grotescos da história brasileira.
Mas, nas redes sociais, o discurso raivoso, patético e ininteligível circula livremente para quem quiser ver.
Não sei se, depois disso, alguém terá coragem de confiar a ela alguma causa ou se seus clientes vão continuar sendo seus clientes. O que, no momento, é irrelevante.
O que me pergunto é como uma pessoa que se comporta dessa maneira foi alçada à cena nacional por dois advogados que, concordemos com eles ou não, ocuparam cargos relevantes na República e um deles, o lendário Hélio Bicudo, que nos anos da ditadura notabilizou-se pela coragem de enfrentar e condenar os famigerados policiais do chamado Esquadrão da Morte de São Paulo, é visto ao seu lado, apreciando a performance e aplaudindo a moça de cabelos desgrenhados que berrava ao microfone palavras de ordem sem sentido, andava para frente e para trás nervosamente e agitava um pano amarelo acima da sua cabeça.
O que me pergunto é como um pedido de impeachment assinado por essa pessoa que requer cuidados urgentes – sejam místicos ou médicos – foi aceito por outro personagem grotesco que estranhamente ocupa um dos postos mais importantes da República, sem falar no seu histórico de malfeitos que agridem a opinião pública, com apoio de deputados que se enrolam em bandeiras no plenário e berram no mesmo tom da possuída, esquecidos da frase cunhada no século XVIII pelo escritor inglês Samuel Johnson que melhor os define: "o patriotismo é o último refúgio dos canalhas".
Quando Chico Buarque disse, em 1984, em uma de suas mais brilhantes e conhecidas canções que "o estandarte do sanatório geral vai passar", não imaginava que estava descrevendo o ambiente que vivemos em 2016.

terça-feira, 5 de abril de 2016

A transtornada do impeachment. Não creia em mim: veja com seus próprios olhos

possessao
A senhora aí de cima é Janaína Paschoal, a “advogada do impeachment”.
A cena se passa num ato pró-impeanchment, ontem, na USP.
Foi noticiado nos jornais e seu conteúdo é pouco ou nada relevante, porque quase nada além foi do xingatório.
Mas a cena, esta sim, é essencial para que vejamos o que ameaça tomar as rédeas do país.
É de fazer de Silas Malafaia um pregador discreto e sereno.
Veja com seus próprios olhos.
Assista. Mostre para os parentes e amigos, para os colegas de trabalho.
Veja a que tipo de “sessão de cura e exorcismo” se quer levar o Brasil.
Não preciso qualificar Janaína Paschoal.
E não é preciso coisa alguma além do seu comportamento para desqualificá-la.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Joaquim Barbosa pagou 335 mil dólares por apartamento em Miami e colocou em nome de offshore nas ilhas Virgens; o que o #panamaleaks não vai te contar agora

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Barbosa, o apartamento em Miami e Ademir Auada. Acusado de picar provas pela Polícia Federal, ele foi solto sem despertar a curiosidade dos jornalistas…
por Luiz Carlos Azenha
Messi, Macri, Mubarak, Eduardo Cunha, Joaquim Barbosa. Os #panamaleaks estão bombando. A empresa Mossack & Fonseca avisou seus clientes, ontem, que tinha sido vítima de uma invasão em seu banco de dados.
Na verdade, há mais de um ano o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, ICIJ, numa parceria que envolve 100 empresas jornalísticas de todo o mundo, está debruçado sobre os registros de mais de 214 mil empresas offshore criadas pela Mossack. Algumas podem ter servido a propósitos legais. Mas, na maioria das vezes, trata-se de esconder dinheiro sujo, sonegar imposto ou esconder patrimônio.
Joaquim Barbosa, o Batman do mensalão, segundo descreveu hoje o Miami Herald, escondeu o preço do apartamento que comprou em Miami, na Flórida: U$ 335 mil dólares em dinheiro. Os brasileiros poderiam ter descoberto este valor se Barbosa tivesse pago os impostos locais, já que eles são relativos ao valor total da transação. Mas, os U$ 2 mil nunca foram pagos!
Foi a Mossack quem criou a empresa de Joaquim Barbosa, Assas JB1, registrada nas ilhas Virgens Britânicas.
Ouvido pelo Miami Herald, Barbosa culpou a intermediária que cuidou da transação por não pagar os impostos locais e disse que qualquer pessoa com acesso a um serviço privado, exclusivo de corretores de imóveis, poderia ter descoberto quanto ele pagou pelo apartamento em 2012. Isso, de um campeão da moralidade pública que, no julgamento do mensalão, cobrou transparência alheia! Cabe, neste caso, utilizar a teoria do “domínio do fato”?
Barbosa pode não ter cometido um crime, mas o certo é que foi levado no bico. Pagou mais de R$ 1 milhão, em dinheiro de hoje, por um apartamento de 73 metros quadrados! Só novo rico para cair neste conto de Miami…
O QUE O #panamaleaks NÃO VAI TE CONTAR AGORA
27 de janeiro de 2016. Vigésima segunda fase da Operação Lava Jato. Título: Triplo X. Alvo? O ex-presidente Lula. Suspeitava-se que ele era dono de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá. Uma empresa, de nome Murray, tinha em seu nome ao menos uma unidade. A Murray foi criada pela Mossack & Fonseca, a mesma que ajudou o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa.
Quem sabe se a Murray não era de Lula ou de um parente dele?
Busca e apreensão na sede da Mossack na avenida Paulista, em São Paulo. Prisão de funcionários da empresa. Inclusive de um que havia sido gravado ao telefone com a filha falando em destruição de provas. A Globonews vibra! O Lula vai cair! Relembremos parte do diálogo (no link tem a gravação):
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Nossa, um homem que admite ter picado a mala inteira de papel? Que história saborosa! O que será que havia nesta mala? Qualquer jornalista daria tudo para saber o final desta história.
Nem a PF, nem o MPF acharam necessário mantê-lo na cadeia. Auada, que estava no Panamá quando teve a prisão decretada, entregou a lista de seus clientes — que milagrosamente não vazou!
Esta é uma das coisas que o #panamaleaks não vai te contar agora.
Auada era um intermediário entre a Mossack e clientes brasileiros.
Ele cuidava de ao menos 10 empresas que estão nos arquivos que a Polícia Federal apreendeu na sede da empresa panamenha em São Paulo.
Estes #panamaleaks, incrivelmente, não interessaram aos jornalistas brasileiros, embora os documentos tenham se tornado públicos.
Por que? São empresários, médicos, escritórios de advogados e bancos. Provavelmente, muitos dos responsáveis frequentam as manifestações contra a corrupção no Brasil. O Viomundo vai investigar a papelada através de um crowdfunding.
Papel importante neste imbróglio ocupa Ricardo Honório Neto, funcionário da Mossack no Brasil, para o qual a mídia também não deu a menor bola. Sobre a mesa dele a Polícia Federal encontrou manuscritos que equivalem ao controle de uma conta bancária. Entram as taxas de manutenção cobradas pela Mossack, saem pagamentos de despesas da firma.
Ricardo lidava com os clientes no dia-a-dia. São deles as anotações referentes a Paula Azevedo Marinho e Paula Marinho, ao lado de valores e datas de pagamento e das offshore A Plus Holdings (Panamá), Juste (ilhas Seychelles) e Vaincre LLC (Las Vegas, Nevada).
Nos documentos, elas aparecem relacionadas à Glem Participações, do genro de um dos donos do grupo Globo, João Roberto Marinho. Mas… suspense… só os arquivos da Mossack poderão revelar com absoluta certeza quem são os donos reais das três offshore.
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Honório, de azul, deixa a cadeia; o banco Safra, de Luxemburgo, pediu a criação de quase mil empresas offshore para seus clientes!
Neste caso, a falta de curiosidade de parte da mídia brasileira chama a atenção.
Jornal Nacional foi a Nevada, à sede da Mossack em Las Vegas, mas nem perguntou sobre a Vaincre LLC, que está registrada lá e é uma das donas da mansão de Paraty.
Esperemos, pois, até o mês de maio. Ou que o Fernando Rodrigues, desta vez, nos surpreenda positivamente.
PS do Viomundo: Vale a pena esperar. Denunciado recentemente por pagar propina de R$ 15 milhões para deixar de recolher R$ 1,5 bilhão em impostos, na Operação Zelotes, Joseph Safra é um dos controladores do banco que é vice-campeão em empresas offshore encomendadas à Mossack&Fonseca: quase mil! Essa lista de clientes do Safra queremos muito ver…
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Ricardo Costa ficou desconfiado dos #panamapapers: muito BRICs, nenhum EUA

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George Soros, um dos financiadores do ICIJ
por Ricardo Costa, via Facebook
Vamos analisar conjunturas sobre The Panama Papers e “tudo isso que está aí”:
— Denuncia-se em todos os grandes jornais do mundo — capas de sites — que Vladimir Putin (Rússia) tem 2 bi de dólares escondidos em paraísos fiscais;
— O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, está sofrendo um processo de impeachment por [supostamente] ter reformado sua casa particular com 16 mi de dólares não devolvidos aos cofres públicos;
— No vazamento supracitado entrega-se membros do PC chinês, mais exatamente do “ninho do dragão” (quem dá as ordens mesmo!), que teriam valores em offshores;
— Há uma série de nomes e empresas transnacionais indianas envolvidas na operação, políticos, empresários, dentre outros;
— Jogaram no ventilador nomes como Cunha, Joaquim Barbosa, outros envolvidos na Lava Jato — o que é perfeitamente salutar. No entanto, a República de Curitiba tenta a todo custo ligar o nome do Lula com a empresa, mas nessa lista ele não aparece. Lembro-me que no primeiro trabalho que o ICIJ fez sobre o “HSBC leaks”, seguraram um monte de dados de figurões interessados no impeachment (mídia, bancos, empresários, artistas) e só saiu para o cidadão da Folha, que fez um agrado aos patrões. Até o momento não vazou nada da Globo, confirmada por aqui como dona de offshore;
— A FIFA está fora do vazamento. Por sinal é um dos últimos redutos nos quais o governo norte-americano não interfere diretamente. Ele dita as regras na ONU, mas não faz isso na FIFA, onde temos muitas empresas concorrentes com as americanas. Os EUA têm obtido excelentes resultados com sua liga de futebol, entretanto a influência dela na FIFA, se comparada com as ligas europeias e sul-americanas, é quase nula;
— O primeiro ministro britânico aparece nos Panama Papers, no momento em que faz o referendo para sair da UE, o que desagrada boa parte da Europa ocidental e a Alemanha;
— O jornal que divulgou, Süddeustche Zeitung, segundo o Wikipedia foi o primeiro jornal a circular em Munique depois da Segunda Guerra, com permissão “especial dos aliados”; no site da embaixada da Alemanha, identifica-se como “liberal-esquerdista” (fiquei curioso em saber como é isso);
Observe que o vazamento não tem uma empresa norte-americana sequer, nem um figurão (que eles chamam de power player), mas em todos os lugares tidos como “problemáticos” pela diplomacia americana aparecem citados, especialmente nos BRICs. Ou este pessoal dos Estados Unidos usa outras offshore ou são extremamente honestos desde o ano de fundação da Mossack&Fonseca, em 1977. Não é estranho, nenhuma citação sequer? A pulga está atrás da orelha…
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sábado, 2 de abril de 2016

ÉPOCA REVELA COMO GOVERNO OBAMA SUBSIDIA A LAVA JATO

PORTA DOS FUNDOS REVELA FIM DE DELAÇÃO CONTRA PSDB

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Azenha: em semana difícil, Dilma ganha força Presidenta teve apoio de Chico Buarque, Beth Carvalho e milhares de pessoas nas ruas

manifestações 31/03
Saiu no Viomundo:


Numa semana que poderia ter sido desastrosa, Dilma ganha força com Chico Buarque, Beth Carvalho e milhares de pessoas nas ruas

Da Redação

Nas contas do Datafolha, foram 40 mil em São Paulo. Claramente, a manifestação foi menor que aquela em que o ex-presidente Lula discursou na avenida Paulista.

Mas, no cômputo geral, o dia foi positivo para a presidente Dilma Rousseff. Mostra que, mesmo sem o PMDB, ela não está só, pelo menos não na sociedade civil.

A debandada do PMDB, num ato de três minutos, sem debate e com a presença de figuras carimbadas, permitiu ao governo Dilma se afastar de notórios corruptos.

A presença do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na reunião de desembarque do PMDB, ajudou.

Cunha, agora mais do que nunca, está do outro lado.

Milhares de pessoas sairam às ruas em várias capitais, num dia simbólico para o golpe de 1964: do Rio a Brasília, de Recife a Belo Horizonte. O público surpreendeu em Natal e Porto Alegre.

O golpe também foi denunciado em várias cidades do mundo.

Ganhou força não a ideia de que o impeachment é golpe, mas que esse impeachment é golpe. Um vídeo narrado pelo jornalista Juca Kfouri se disseminou rapidamente nas redes, explicando em linguagem popular — futebolística — o confronto no Congresso.




Outra boa notícia é que o público nas manifestações foi mais uma vez bastante variado, com muitos jovens — e estes são sempre os militantes mais dispostos a participar de uma campanha que promete ser longa.

Combinado com o freio definitivo do STF nas ações do juiz Moro contra o ex-presidente Lula, é possível dizer que Dilma ganhou um respiro numa semana que poderia ter sido absolutamente desastrosa.

Lula fica agora mais livre para articular, dentro ou fora do governo.

Chico Buarque foi ao ato do Rio de Janeiro, Beth Carvalho foi de cadeira de rodas ao evento com artistas no Palácio do Planalto.

Dilma está ganhando o debate de que o impeachment, dadas as acusações que ela sofre, pode mesmo ser caracterizado como um golpe.

Dezenas de associações de classe começaram a se articular nos últimos dias para denunciar isso.

A má notícia é que, dada a falência do sistema político brasileiro, nada disso se traduz necessariamente em votos no Congresso.

quinta-feira, 31 de março de 2016

EM TODO O PAÍS, MULTIDÕES GRITAM: NÃO VAI TER GOLPE

Reação ao golpe cresce, surpreende golpistas e pode virar o jogo


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Nas últimas 48 horas – pouco mais, pouco menos -, começou a se formar no país e no exterior um clima de inconformismo que está chegando ao paroxismo. Pessoas e entidades que resistiam a se manifestar contra o golpe paraguaio que tentam dar no país, finalmente caíram em si.
Um bom exemplo disso é o PSOL. Apesar de a ex-candidata psolista a presidente Luciana Genro estar fazendo o jogo dos golpistas de um modo que sugere que tenha combinado alguma coisa com eles, ela se isolou no partido.
Na foto abaixo, reprodução da primeira página da Folha de São Paulo de quinta-feira, 31 de março. Nela, aparece ninguém mais, ninguém menos do que o deputado federal pelo PSOL paulista Ivan Valente chegando às vias de fato na comissão do impeachment.
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O PSOL fechou questão contra o golpe e, segundo relata o mesmo jornal supracitado, o partido integrará oficialmente o ato contra o impeachment que ocorrerá nesta quinta-feira 31 em todo o Brasil e em quase duas dezenas de cidades mundo afora.
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Ao todo, mais de 60 entidades participam do evento organizado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo. A primeira reúne movimentos historicamente ligadas ao PT, como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento dos Sem Terra) e UNE (União Nacional dos Estudantes), enquanto a segunda é composta, entre outros, por MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Psol.
Também nesta quinta-feira, intelectuais, artistas e cientistas entregaram a Dilma doze manifestos em favor da democracia e contra o golpe. O ato ocorreu no Palácio do Planalto.
Entre as personalidades presentes, os atores Letícia Sabatela e Osmar Prado, o jornalista e escritor Fernando Moraes, o produtor de cinema Luís Carlos Barreto, a diretora Ana Muylaert, o escritor Raduan Nassar, o rapper Renegado, o escritor e ilustrador Ziraldo, o sociólogo Emir Sader e o historiador Luiz Felipe Alencastro.
Foram apresentados vídeos de personalidades que não puderam comparecer, como o neurocientista Miguel Nicolelis, a economistas Maria Conceição Tavares e o linguista e filósofo Noam Chomsky.
Nos últimos dias, aliás, já vêm ocorrendo manifestações contra o golpe em cidades europeias como Lisboa e Paris.
Lisboa
Paris

Tudo somado, começa a se tornar muito custoso para o Brasil consumar um golpe paraguaio de forma tão escrachada, com o processo sendo conduzido por um presidente da Câmara envolvido em corrupção até o pescoço, indiciado pelo Supremo, com a mulher e filha sendo investigadas por corrupção, atingido por provas materiais como extratos de contas secretas no exterior abastecidas por dinheiro sem origem comprovada e sem ter sido declaradas ao fisco brasileiro.
A falta de moral dos que pretendem derrubar Dilma acusando-a de “crime de responsabilidade”, porém, não é o único nem o principal fator a caracterizar esse processo como golpista.
O que é pior, como diz o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello, é a falta de motivos concretos para derrubar a presidente da República. Apesar de os golpistas acusarem Dilma de ter cometido todos os crimes do Código Penal, o processo contra ela que tramita na Câmara se baseia nas tais “pedaladas”, ou seja, em uma manobra contábil largamente usada por todos os presidentes da República anteriores e pelos atuais e antigos prefeitos e governadores de todo país.
Apesar de haver quem queira fazer prevalecer a tese de que é possível penalizar só Dilma por prática contábil tão comum, as pessoas sérias e instruídas daqui e de toda parte não cairão nessa, como não estão caindo.
Assim, agora resta apenas conferir a reação dos democratas deste país nos protestos desta quinta-feira que se espalham pelo país e pelo mundo. A depender da intensidade desses atos públicos, sobretudo em São Paulo e Brasília, o preço a pagar por um golpe paraguaio pode ficar impagável para os golpistas de sempre.
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Confira no vídeo abaixo, ao vivo, o ato de Brasília.