As mais recentes pesquisas de opinião, outra vez vantajosas para Lula, acirraram mais o temor dos adversários do metalúrgico representados por parte da população mais endinheirada, tendo como porta-voz a oposição da mídia conservadora.
Essa reação nervosa contra Lula tem o apoio, circunstancial, do desempenho dos operadores da Lava Jato, guiados pela tirania imposta pelo juiz Sergio Moro e orientados por certas regras da 13ª Vara Criminal Federal do Estado do Paraná. Em outras palavras, teria sido melhor para os inquisidores se a busca de corruptos e corruptores não tivesse sido politizada.
Em busca de um meio qualquer e na esperança de ordenar a prisão do ex-presidente, o badalado magistrado às vezes perde as estribeiras com decisões no gênero da exigência da presença de Lula na audiência de todas as 87 testemunhas elencadas pela defesa. Esse estranho confronto com o acusado talvez revele o início de desprestígio de Moro após três anos em cena.
O metalúrgico e o magistrado vão se encontrar no próximo dia 10 de maio, em Curitiba, quando o ex-presidente for depor. Frente a frente, diria Moro. Cara a cara, Lula replicaria. Até agora o juiz carece de provas “robustas”, como se diz nos corredores da Justiça.
Moro começa a murchar. Lula, ao contrário, cresce. O ex-presidente não desaparece como pretendiam seus adversários. Ou melhor, inimigos dispostos a destruí-lo. O golpe contra Dilma Rousseff, nota-se agora, resgatou parte dos danos provocados na influência política de Lula ao longo do processo.
Em parte, isso é explicável. O fortalecimento do ex-presidente, após os possíveis estragos da Lava Jato, contrapõe-se à ascensão de Michel Temer ao poder. Apoiado pelo PSDB, a crise caiu no colo da extrema direita. Jogar a culpa só no governo petista não colou.
O líder petista tem hoje o maior “potencial de votos” numa projetada disputa pela Presidência da República, em 2018, segundo números do Ibope. A rejeição a ele, embora elevada (51%), caiu 14% desde o golpe e já incluindo nesses números os processos da Lava Jato. Entra nessa história, pela convicção e não pela comprovação, o triplex de Guarujá, cuja propriedade é atribuída a Lula.
O segundo depoimento de Léo Pinheiro, diretor da OAS preso há quase um ano, desdiz o primeiro. Numa suplicante delação, ampliada e melhorada na perspectiva de Moro, ele tentou detonar uma bomba ao afirmar que Lula deu a seguinte ordem a ele: “Se houver provas, destrua”.
Pinheiro não apresentou provas e ainda deixou um rastro de incredibilidade na própria resposta que atribuiu a Lula. Seria mais crível ao soar da seguinte forma: “Se houver provas, rasga essa merda”.
Dois ídolos do ódio racista que a direita promoveu no Brasil,
Bolsonaro e Moro, usaram o dedo do Lula para expressar seus valores.
Bolsonaro imprimiu e difundiu camisetas em que aparece a mão do Lula com
quatro dedos, explorando o defeito físico do maior líder popular que o
Brasil já teve. Moro, conversando com seus comparsas, se refere ao maior
dirigente político que o país tem como "nine", uma forma depreciativa
de mencionar Lula.
São duas formas de expressão em que se revelam personalidades
desprezíveis, odiosas execráveis, de preconceito e de tentativa de
desqualificação de um líder popular, de um operário, de um imigrante
nordestino. Coisas que incomodam profundamente à direita brasileira e
por isso ela se expressa, através de seus lideres, dessa forma.
Expressam bem o que é a elite branca brasileira do centro sul, que se
considera dona do país e sempre tratou de tratar aos outros – os de
origem popular, os do nordeste, os trabalhadores – como bárbaros,
selvagens, "mal informados", como disse o outrora líder dessa gente, o
FHC.
A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus
pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o
trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi
constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como
ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca teve sempre como
ideologia dominante a da elite branca. Sempre presidiram o país,
ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos
ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos
clubes, nas universidades, nos governos – em todos os lugares em que se
concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista e do sul do país representa, melhor do que qualquer
outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revolução de 30,
menos ainda o governo de Getúlio. Foram derrotados sistematicamente por
Getúlio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos
"marmiteiros"- expressão depreciativa que a direita tinha para os
trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo "a
locomotiva da nação", o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os
vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o
sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil.
Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de São Paulo,
eram todos "baianos" ou "cabeças chatas", trabalhadores que sobreviviam
morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música
do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo
nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos
em São Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras
com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o
apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de
joias e outros bens para a "salvação do Brasil"- de que os militares da
ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com Lula como líder
popular e o Partido dos Trabalhadores, para quem canalizaram seu ódio de
classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses
sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais
detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem,
seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas
na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de
trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. Está
inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem
de classe. É insuportável para o racismo da elite branca brasileira.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula,
depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da
presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Teve que conviver com a
ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da
vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia
paulista e do centro sul do país e de setores de classe média que
assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os
tucanos foram sua representação política e a mídia privada, seu
porta-voz. Da discriminação, do racismo, do pânico diante das
ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado,
que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia
paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do
Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
Na crise atual, a burguesia e setores da classe media do centro sul
protagonizaram algumas das cenas mais vergonhosas da historia
brasileira, nas manifestações contra a democracia, a favor do golpe e da
ditadura militar, exibindo suas dimensões mais fascistas e
discriminatórias. Colocavam pra fora o ódio contra os que tinham
regulamento o trabalho das empregadas domésticas, que já não serviriam à
opressão e à exploração indiscriminada das patroas. Contra os que
tinham transformado o Nordeste, que tinham aberto as universidades para
os jovens pobres, contra os que tinham permitido aos pobres de viajar
para ver seus parentes ou para fazer turismo. Contra os que fizeram do
Brasil um país menos injusto, menos desigual, contra os que tiraram o
país do Mapa da Fome, a que as elites brancas tinham condenado o povo
para sempre.
E Lula sempre foi e continua sendo a expressão mais alta desse
movimento de democratização social do Brasil. Gente como Bolsonaro e
Moro ofendem a Lula porque sabem que assim ofendem ao povo, aos
trabalhadores, aos nordestinos. Tentam desconhecer que a indústria
brasileira foi construída com as mãos de operários como o Lula, que os
carros em que eles passeiam foram construídos por trabalhadores como o
Lula. Que o dedo que Lula perdeu são os muitos dedos que os acidentes
diários de trabalho provocam nos trabalhadores, para sobreviver com
baixos salários e produzir as riquezas do Brasil.
O racismo é um crime imprescritível. Bolsonaro e Moro são os
herdeiros do político do sul que disse que "iam acabar com essa raça por
décadas". Deveriam ser processados por racismo, ao exibir essas
camisetas com Lula sem um dedo e ao falar de Lula como "nine". São seres
desprezíveis, odiosos, execráveis, do pior que o Brasil tem, pelo ódio
de classe ao povo, aos trabalhadores, aos nordestinos, pelo ódio ao
Brasil.
Nós nos orgulhamos de Lula como eles não podem se orgulhar de seus
ídolos, promotores do estupro de mulheres e agentes fascistas contra os
partidos e líderes de esquerda, contra a própria democracia, que é e
será fatal para eles
Reportagem deste fim de semana da revista Época, da Globo, deixou escapar, inadvertidamente, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um dos principais braços da administração Barack Obama, entregou à força-tarefa da Lava Jato dados da caixa de emails de Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht; o email comprovaria que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um encontro no México a pedido da empreiteira de Marcelo Odebrecht; ação de Obama revela disputa geopolítica por trás da Lava Jato, que já fez com que a Odebrecht demitisse 70 mil pessoas, paralisasse a construção do submarino nuclear e pode também produzir a abertura do pré-sal; governo russo, de Vladimir Putin, já denunciou a ação dos Estados Unidos para desestabilizar a economia brasileira; em recente viagem à Argentina, Obama deixou transparecer que apoia o golpe de 2016, assim como ocorreu em 1964; reportagem recente da Foreign Affairs também apontou como, na era Lula, o Brasil vinha se transformando em potência global
247 – Uma reportagem da revista Época, do grupo Globo, revela, de forma inadvertida, as digitais da administração Barack Obama na produção de provas da Operação Lava Jato.
A caixa de e-mails de Alexandrino havia sido apagada, mas foi recuperada graças a uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, motivada pela Lava Jato. Os dados foram enviados à PF no início de março. “O e-mail supra aponta indícios de que Luiz Inácio Lula da Silva era incentivado a atender compromissos de interesse do Grupo Odebrecht ainda quando ocupava a cadeira de presidente”, diz o relatório da polícia enviado aojuiz Sergio Moro e obtido por ÉPOCA. O texto curto constitui um novo elemento na investigação sobre a suspeita de que Lula fez tráfico de influência para a Odebrecht – não só após deixar o cargo, mas desde que era presidente da República.
O que Época retrata como uma ação corriqueira pode ser algo muito maior, inserido numa ação geopolítica dos Estados Unidos, para enfraquecer a economia brasileira.
Desde o início da Operação Lava Jato, o setor de engenharia brasileiro praticamente quebrou. A Odebrecht, sozinha, demitiu 70 mil funcionários e pode reestruturar dívidas de R$ 100 bilhões.
Além disso, foram paralisados projetos estratégicos como a construção dos submarinos nucleares, a cargo da Odebrecht e do grupo francês DCNS, que visam patrulhar a fronteira marítima do Brasil, onde estão as reservas do pré-sal. Outra possível consequência da operação é abertura do pré-sal à exploração de grupos estrangeiros.
De 1964 a 2016
Na recente viagem que fez à Argentina, o presidente Barack Obama ensaiou um discurso pró-democracia. Ao lado do presidente argentino Mauricio Macri, disse que os Estados Unidos devem perdão aos argentinos por terem apoiado a ditadura sanguinária no país vizinho. Ao comentar a crise no Brasil, Obama se esquivou de condenar o golpe em curso e disse que o "Brasil possui instituições fortes" – a senha que traduz seu apoio à deposição da presidente Dilma Rousseff, que sua própria administração grampeou ilegalmente por meio da NSA. Depois disso, Macri, que vinha condenando o golpe no Brasil, decidiu se calar.
Dias atrás, o jornal russo Pravda apontou as digitais do governo americano na tentativa de derrubada do governo da presidente Dilma (leia mais aqui). Recentemente, uma reportagem da revista Foreign Affairs também destacou como o Brasil vinha se transformando em player global, graças à ação do ex-presidente Lula e das construtoras brasileiras – especialmente na África e na América Latina (leia aqui).
Assim como apoiaram o golpe militar de 1964, ao lado de grupos de comunicação como a Globo, os Estados Unidos também parecem estar envolvidos no golpe de 2016, para que o Brasil volte a ser quintal do império.
Na sexta-feira passada, quando a suposta delação do senador Delcídio Amaral voltava-se contra a presidente Dilma Rousseff, o jornal O Globo, da família Marinho, manchetava que "Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato", dando corda ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) em sua insana cruzada antidemocrática; menos de uma semana depois, quando se descobre que o senador Aécio também está na mesma suposta delação, o Globo esconde a notícia num pé de página, onde Aécio não aparece nem no título; e mais: o mesmo jornal que antes questionava a negativa de Delcídio em relação à hipotética delação hoje publica declarações de seu advogado, Antonio Figueiredo Basto, afirmando que estão sendo publicados documentos falsos; é preciso desenhar?
247 – O momento enfrentado pelo grupo Globo, da família Marinho, é delicado. No fim de semana, centenas de pessoas protestaram diante da sede da emissora no Rio de Janeiro. Pouco depois, um grupo invadiu um triplex em Paraty (RJ), cuja propriedade é atribuída aos Marinho, que negam serem donos da casa. Ontem, integrantes do MST invadiram a sede da afiliada da Globo em Goiânia, o que mereceu notas de repúdio de entidades ligadas ao jornalismo (saiba maisaqui).
Por trás do cerco à Globo, está a percepção de que a emissora dos Marinho hoje atua, assim como em 1964, com o propósito claro de fragilizar a democracia brasileira. E o problema é que a Globo, com seu noticiário enviesado, de fato alimenta essa percepção.
Na sexta-feira passada, por exemplo, quando a Globo decidiu entrar de cabeça na história da suposta delação de Delcídio Amaral (PT-MS) – não homologada pela Justiça e negada pelo próprio "suposto delator" –, o jornal O Globo chegou às bancas e casas de seus assinantes com uma manchete triunfante e definitiva: "Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato".
Hoje, quando se sabe que o senador Aécio Neves está na mesma hipotética delação, por seu suposto envolvimento nada republicano numa CPI, o Globo esconde a notícia no pé da primeira página e nem cita o presidente nacional do PSDB em seu título.
Na semana passada, após o vazamento da suposta delação de Delcídio, Aécio convocou uma reunião de emergência da oposição, decretou pela enésima vez a morte do governo da presidente Dilma Rousseff e decidiu retomar a pressão pelo impeachment, informando que anexaria a suposta delação de Delcídio ao pedido inicial, aprovado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Coincidência ou não, Aécio passou a dizer, agora, que a suposta delação de Delcídio só será anexada ao pedido de impeachment depois de ser homologada – uma vez citado, pode até ser que o senador passe a trabalhar contra sua homologação.
Por último, mas não menos importante, na semana passada todos os veículos de comunicação do grupo Globo relativizavam o fato de o próprio Delcídio ter negado, em nota, o teor da delação atribuída a ele. Hoje, o Globo publica declaração de um dos advogados de Delcídio, Antonio Figueiredo Basto, afirmando que "documentos falsos estão sendo publicados" e, de novo, negando a delação.
Ou seja: no mundo da Globo, ela só seria verdadeira, se atingisse apenas o PT e a presidente Dilma. Contra Aécio, vira mentira.
AÉCIO APARECE NA
SUPOSTA DELAÇÃO
DE DELCÍDIO
Já citado por vários delatores da Lava Jato como responsável por um esquema de propinas em Furnas e também como o 'mais chato' cobrador de recursos da UTC, o líder da oposição golpista, senador Aécio Neves (PSDB-MG), está em mais uma suposta delação: a do senador Delcídio Amaral (PT-MS); na semana passada, quando trechos atribuídos à hipotética colaboração judicial de Delcídio vazaram, Aécio mobilizou suas tropas para decretar o fim do governo da presidente Dilma e tentar acelerar o golpe; agora, o presidente nacional do PSDB afirma que a suposta delação, não reconhecida por Delcídio, só será anexada ao pedido de impeachment se vier a ser homologada; dias atrás, o MP arquivou uma acusação contra Aécio sem ouvir a principal testemunha; advogado de Delcidio, Antonio Figueiredo Basto, diz que estão sendo divulgados documentos falsos
247 – O líder da oposição golpista, senador Aécio Neves (PSDB-MG), já citado por vários delatores da Lava Jato, como o doleiro Alberto Yousseff e o transportador de valores Carlos Alexandre Rocha, o Ceará, como responsável por um esquema de propinas em Furnas e também como o 'mais chato' cobrador de recursos da UTC, aparece em mais uma suposta delação: a do senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Na semana passada, quando trechos atribuídos à hipotética colaboração judicial de Delcídio vazaram, Aécio mobilizou suas tropas para decretar o fim do governo da presidente Dilma e tentar acelerar o golpe.
Agora, o presidente nacional do PSDB afirma que a suposta delação, não reconhecida por Delcídio, só será anexada ao pedido de impeachment se vier a ser homologada. O trecho sobre o senador tucano diz respeito a sua atuação numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que permanece em sigilo. Questionado sobre as supostas declarações de Delcídio, disse que não iria comentar pela falta de "informação concreta".
Dias atrás, o MP arquivou uma acusação contra Aécio sem ouvir a principal testemunha.
O advogado de Delcidio, Antonio Figueiredo Basto, diz que estão sendo divulgados documentos falsos: “Nego o conteúdo e a origem da delação. Estão divulgando documentos falsos, de origem desconhecida e manipularora”
Qual a vantagem de Lula ser Ministro
Teori pode jogar fora tudo o que o Moro montou contra o Lula
O Lula vai ser preso antes da Semana Santa.
Isso estava escrito desde o início: a tarefa da força da Lava Jato sempre foi prender o Lula.
O resto é o luar de Paquetá, diria o Nelson Rodrigues.
Há um ano, o deputado Wadih Damous (PT-RJ), que pretende dar fim essa indústria anti-petista dos vazamentos, há um ano, quando ainda poderia haver duvida – do zé - sobre a verdadeira intenção do juizeco da Província de Maringá, Damous disse ao Lula: seja ministro.
Qual a vantagem de o Lula ser ministro?
Do ponto de vista processual é uma grande vantagem!
Com a prerrogativa de foro, tudo o que está nas mãos da Vara de Guantánamo é remetido, lacrado, para o Ministro Teori Zavascki, no Supremo.
Em tempo2: o sequestro de Lula foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando. O estopim da I Guerra Mundial. Moro desempenha o papel de Gavrilo Princip, o ativista sérvio autor do atentado. Como diria aquele obscuro (em Maringá) pensador: a História se repete como farsa...
O senador José Serra emprega em seu gabinete no Senado Margrit Dutra Schmidt, irmã de Mirian Dutra Schmidt, ex-namorada de Fernando Henrique Cardoso. Conforme informou o blog do jornalista Lauro Jardim, no site do GLOBO, “Margrit vai diariamente, de manhã e à noite, registrar sua digital na entrada principal do Congresso, a Chapelaria, mas não cumpre expediente”.
Em vez de trabalhar para o Senado da República, que paga seus vencimentos, a irmã daquela que hoje virou um desafeto de seu “patrão”, José Serra, por estar acusando o líder de seu grupo político, adivinhe onde Margrit está, leitor?
Na última sexta-feira, o jornal O Globo noticiou que a funcionária fantasma de Serra viajou à República Dominicana a pedido do tucano. A matéria não explica a razão da viagem. Porém, com a investida da Lava Jato contra aquele que é marqueteiro do PT desde 2006, João Santana, agora o Blog recebe uma informação estarrecedora.
Margrit está na República Dominicana, conforme a própria confirmou ao Globo na sexta-feira. Está no mesmo país que João Santana, quem, após as denúncias de hoje na imprensa e a deflagração da Operação Acarajé, da PF, já se prepara para voltar ao Brasil para se colocar à disposição das autoridades, diante dos boatos de que sua prisão preventiva foi pedida.
Mas o que tem que ver a irmã de Mirian Dutra com os problemas de João Santana? Segundo a minha fonte, tudo. Margrit Dutra teria seguido a irmã, quem teria se encontrado com Santana para fazer a ele as denúncias contra FHC que durante a semana passada convulsionaram o cenário político.
A funcionária fantasma de Serra teria informado ao tucano que Santana e Mirian haviam se encontrado. Deduziram que foi o marqueteiro do PT quem a “subornou” para contar ao público os podres de FHC.
Não há provas de que Santana se encontrou com Mírian. Só o que se sabe com certeza, graças ao Globo, é que Margrit, estranhamente, tirou “férias” do gabinete de Serra – ao qual não comparece nunca – para realizar uma missão não explicada para o tucano no mesmo país em que está João Santana. E, em seguida, o mundo desaba sobre a cabeça dele.
O massacre de Santana, pois, seria o troco de FHC por ter sido denunciado, segundo a fonte do Blog em questão.
Se acredito nisso? Só não acredito que todos esses personagens descobriram, de uma hora para outra, do nada, todos ao mesmo tempo, os encantos da República Dominicana. É coincidência demais para o meu gosto.
O Juiz Sergio “não vem ao caso” Moro reacendeu no PiG a chama incandescente do Golpe.
Cada “repórter”, cada chefe de “reportagem”, cada “editor”, cada um deles se prepara para entrar para a História e prender o Lula.
Agora, a coisa vai!
Com o fracasso retumbante do impítim – nem o Ataulpho Merval de Paiva apoia mais… -, agora a sanha Golpista se alimentará dos vazamentos que começam a ocorrer, já nas edições desse domingo, da quebra do sigilo telefônico da sede do PT!
O Juiz “não vem ao caso” Moro resolveu quebrar o sigilo da sede nacional do PT!
Telefone fixo ou celular?
Inclui whatsapp?
É bom demais!
O que vai vazar para a imprensa?
- o Lula combina com o José Genoino como depositar na conta do Serjão, em Luxemburgo, o que sobrou na Privataria da Telebrás;
- o Dirceu acerta com o seu gerente em Cayman a parte do PT no trensalão tucano;
- o Vaccari instruiu o Youssef como pagar em dinheiro a compra de uma fazendola em Minas;
- o Lulinha aplica na Bolsa de Genebra o produto da venda de parte das ações da FriBoi ao Pablo Escobar;
- o Paulo Okamoto descreve ao Frei Betto de que vive o Cerra.
Sobre a obsessão do '”não vem ao caso” em prender o Lula, não deixe de ler, até o fim, o importante documento do PT, em que acusa o Moro e o Gilmar de arquitetar o fechamento do PT e a prisão do Lula.
Os russos sabem que a Lava Jato é para entregar a Petrobrax à Chevron
É ali, olha, em Foz do Iguaçu !
Esse não é capítulo de uma alucinada “teoria da conspiração”.
Como se sabe, a Rússia é boa de serviços de inteligência.
A quem duvidasse, Putin localizou exatamente as áreas da atuação do ISIS na Síria, bombardeou-as e salvou o regime Assad.
Os americanos ficaram uma fera, porque o Putin aproveitou para acabar também com os ativistas armados e financiados pelos americanos para, em benefício de Israel, derrubar Assad.
Putin deu uma explicação irretocável: não há como distinguir terrorista bem intencionado de mal intencionado!
Mas, de volta à suposta “teoria da conspiração”.
Depois do 11 de Setembro, os americanos passaram a dedicar especial atenção à tríplice fronteira, Brasil, Argentina e Paraguai, a partir de Foz do Iguaçu.
Ali estaria uma base de financiamento de terroristas muçulmanos, de origem árabe.
Como os americanos vieram, os russos do Putin vieram atrás.
E se dedicaram, também, a analisar importante evento ocorrido em Foz do Iguaçu: o Banestado.
A maior lavanderia do mundo!
Por onde saíram fortunas, lavadas, desde então, por Youssef e outros doleiros.
Foi um dos momentos “Péricles de Atenas” do plúmbeo Governo do FHC…
A Presidenta Dilma Rousseff recebeu uma análise minuciosa, que associa os americanos à fúria vingadora do Moro.
Os agentes da inteligência russa que fizeram a análise encontraram o portador adequado para depositá-la na mesa presidencial.
A Lava Jato tem o objetivo central de prender o Lula.
Isso é tão óbvio que Ilustre colonista da Fel-lha, aquela que é um canhão com o espaço dos trabalhistas e um poodle com o outro, essa mesma diligente colonista resolveu se dedicar ao empresário Bumlai.
Bumlai se tornou o “batom na cueca” do Lula – segundo os moristas pendurados no PiG.
Mas, a Lava Jato, segundo a análise russa, vai além da cana do Lula.
(Com esse zé na Justiça o Lula passa o Natal na cadeia.)
A Lava Jato é um instrumento para desmontar a Petrobras.
E destruir o campo político que mantém a Petrobras sob o controle do povo brasileiro!
Um concorrente que tenha um rosto no Atlântico e outro no Pacífico, com a Bi-Oceânica.
E que não faça parte da TPP, aquela aliança contra a China e a Rússia e que se tornou fetiche dos tucanos.
A Lava Jato é o IBAD, o IPES, o Ponto IV, a Aliança para Progresso, a IV Frota, a Operação Brother Sam, o Golbery, o Rubem Fonseca - aqueles instrumentos do Golpe contra Jango, descritos magistralmente no filme “O dia que durou 21 anos”.
E, com a ajuda da obra magistral “1964 – a conquista do Estado”, de René Dreifuss, aparecem também no “Quarto Poder”.
(Como se sabe, o dos chapéus, notável historialista, escreveu 179 volumes para salvar o Golpe de 1964 e não cita o Dreifuss. Prefere defender a tese de que o Jango caiu porque gostava de pernas – de cavalos e coristas.)
Para voltar aos russos.
Os russos consideram o Brasil seu parceiro estratégico nas Américas.
O passarinho pousou numa janela do Instituto Lola ( revisor, não mexa aí), no bairro do Riacho, em São Paulo, e mandou dizer:
- o Lula sabe que o Moro só pensa em prender o Lula;
- que o Moro sabe que o Dirceu, o Vaccari e o Duque não vão confessar nada;
- que ele, Moro, agora só tem peixinho pra pescar - já que tucano não vem ao caso;
- que, se prender o Lula, ele chegará aos pincaros da Glória um Excelsis: será maior que o Barbosa e o Gilmar no Panteão da Casa Grande;
- que até à chegada do Bumlai na Lava Jato estava difícil algemar o perigoso meliante Lula da Silva;
- mas, agora as esperanças se reacenderam;
- Lula está preparado inclusive para ser preso na ida ou na chegada de uma viagem ao exterior, para que a heróica ação da Policia Federal se projete mundialmente.
Como diz o Conversa Afiada: com esse lealissimozé da Justiça o Lula vai passar o Natal na cadeia.
Prisões sem provas, pressões físicas e psicológicas. A Lava-Jato transita num fio da navalha e é impressionante ouvir quem acompanha os fatos de perto.
A frase que dá título a esse texto não foi dita por um militante petista desvairado. Nem por um jornalista (como esse que escreve) afeito a teorias da conspiração.
Saiu da boca de um advogado paulistano, bem-sucedido, com sólida formação acadêmica (é também professor de Direito), sócio de um escritório na região da avenida Paulista.
Detalhe: ele votou em Aécio no ano passado, mas não disse a frase em tom de “comemoração”, mas de alerta.
A conversa aconteceu num encontro social privado, há alguns dias, antes portanto da prisão de José Dirceu. O advogado, a quem conheço há mais de 30 anos, tem na sua carteira de clientes alguns empreiteiros. Um deles está em prisão domiciliar, por causa da Lava-Jato, e algumas semanas atrás foi obrigado a depor algemado em Curitiba – como forma de pressão.
“Um homem de quase 60 anos, franzino, que não oferece nenhum risco físico às autoridades, foi obrigado a depor algemado durante várias horas, sob alegação de ameaça à segurança do delegado“, contou.
Prisões sem provas, pressões físicas e psicológicas. A Lava-Jato transita num fio da navalha muito perigoso. Já sabemos disso. Mas é impressionante ouvir quem acompanha o desenrolar dos fatos ali, bem ao lado dos investigados e dos algozes da PF e do Judiciário.
Experiente operador do Direito, minha fonte está impressionada com o grau de truculência de delegados, procuradores e do juiz Sérgio Moro. Perguntei a ele (com veia sempre “conspiratória”) quem seria a cabeça pensante a traçar o roteiro da Lava-Jato: “Moro me parece frágil, mal preparado, tropeçando nas palavras nas inquirições…”, eu disse.
E o advogado: “não se engane, ele pode não ser brilhante ao falar, mas o cérebro é ele. Moro se acha imbuído de uma santa missão, e vai seguir em frente, nem que pra isso tenha que destruir metade da República. Ele é uma personalidade perigosa para a democracia”.
Todos advogados que trabalham na Lava-Jato estão assustados. Mas quase todos (e agora a avaliação é minha) temem enfrentar abertamente Sergio Moro. O juiz de primeira instância – com suas soturnas camisas pretas (ôpa, Itália dos anos 20 e 30!) acompanhadas de gravatas também escuras – virou uma espécie de intocável. Montou uma operação que – mais do que respeitada – é temida por todos que atuam no Judiciário.
“É uma espécie de estado islâmico judicial, onde tudo é permitido; afinal há um objetivo final que é sagrado: combater a corrupção”.
Algumas delações premiadas já chegam prontas, feito matéria da “Veja”: primeiro o editor escreve, depois o repórter acha alguma coisa que corrobore a tese. “Eles trazem a delação e dizem ao preso: você assume isso aqui? Sabemos que você sabe, fica mais fácil pra você”.
Mas o que explicaria essa voracidade, voltada não contra todos os corruptos, mas contra o governo (PMDB e PT são os alvos, com o PSDB poupado)? Não haveria uma operação tucana, uma conexão com a mídia?
“Pode haver alianças, mas são circunstanciais. Moro é bem tratado pela Globo, e faz o jogo. Mas não pense que a Globo ou o PSDB controlam cada passo dele e de todos envolvidos na operação”, foram as palavras do advogado, entre um gole e outro de vinho.
Minha fonte, que votou em Aécio sob o argumento pragmático de que “o Brasil e a Dilma não vão aguentar o que vem por aí na Lava-Jato; se o Aécio ganhar, isso tudo estará pacificado” (foi essa, mais ou menos, a frase dele em outubro de 2014, quando nos reunimos num jantar a poucos dias do segundo turno), está convicto de que a guerra santa promovida por Moro tem um alvo: o ex-presidente Lula.
“O Lula ainda não é a bola da vez, mas é a cabeça que os meninos de Curitiba querem sangrando numa bandeja”, disse o advogado. Segundo ele, muitos réus foram indagados nas últimas semanas sobre o que sabiam do “peixe grande”.
A conversa que narro nesse post aconteceu durante um encontro com 6 ou 8 pessoas, em São Paulo. Um dos presentes, que não é advogado, indagou: “então, caminhamos para uma grave crise institucional?
“Não”, respondeu o advogado. “Não caminhamos. Já estamos em plena crise”.
E a prisão de Lula então é inevitável, dada a inação do PT e do governo?
“Avaliação política eu deixo por sua conta” [o advogado disfarça, mas é também um arguto observador político]. “O o que posso dizer é na seara jurídica: posso apostar com você que até o fim do ano vão tentar prendê-lo; vai depender da postura do STJ e do STF nos HCs pendentes”.
Ou seja: Moro precisa ter certeza que não vai passar vergonha, mandando prender Lula, mas tendo sua decisão revogada em 24 horas, num tribunal superior.
“Quais seriam os próximos passos, antes do Lula?”
“Aí não é informação, mas especulação minha e de vários advogados que atuam na Lava-Jato. Não é segredo. Vão tentar prender o Dirceu ou o Palocci, primeiro, nas próximas semanas. Depois vem o Lula.”
Reparem, leitores. A conversa com esse advogado ocorreu na segunda quinzena de julho.
O penúltimo passo foi dado. Dirceu está preso.
Não há mais teoria conspiratória, pois.
Lembremos que Vargas, em 1954, estava na iminência de ser preso pela República do Galeão, e por isso tomou a medida extrema em 24 de agosto.
Espero que não caminhemos para o mesmo desfecho. Politicamente, Vargas salvou o trabalhismo com um tiro no peito. Foi o suicídio que salvou seu campo politico.
Dilma, até aqui, com sua inação, de certa forma faz o caminho inverso. Preserva-se pessoalmente, mas leva todo o campo político do lulismo e do trabalhismo para um suicídio político.
E Lula? A reação não pode mais levar semanas, ou meses. Acordos “pelo alto” (com a banca e a elite emprersarial) não vão adiantar. Vargas era estancieiro, e foi pro cadafalso. Por que poupariam o metalúrgico nordestino?
Moro não vai parar. Ele é o estado islâmico judicial.
O advogado, minha fonte, fala que tentarão a prisão de Lula “até o fim do ano”. Minha impressão é de que o relógio se acelerou.
Em 2015, o agosto terrível da política pode cair em agosto mesmo. Mas também pode cair em setembro ou outubro. Até lá, teremos um desfecho.