Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Exército de Israel mata doze palestinos em dia de protesto


Milhares de palestinos participaram neste domingo de protestos nas fronteiras de Israel com a Síria e o Líbano, para marcar o dia da Nakba, que marca a criação do Estado de Israel, em 1948. Militares israelenses abriram fogo contra os manifestantes. Pelo menos 12 palestinos foram mortos nos confrontos. “Dei ordem ao exército para atuar com a maior prudência, mas também para impedir que nossas fronteiras sejam violadas”, disse o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Milhares de palestinos marcharam neste domingo para marcar o dia da “Nakba” (catástrofe, que é como os palestinos chamam o dia da fundação de Israel, em 1948). Militares israelenses abriram fogo contra os manifestantes em áreas localizadas nas fronteiras com a Síria e o Líbano. “Dei ordem ao exército para atuar com a maior prudência, mas também para impedir que nossas fronteiras sejam violadas”, justificou o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu. Pelo menos 12 palestinos foram mortos nos confrontos.

As tropas israelenses abriram fogo contra uma manifestação de pelo menos 1.000 pessoas que se dirigia em direcção ao check point de Erez, na passagem entre a Faixa de Gaza e Israel. Segundo relatou uma correspondente da Al Jazeera, um grupo de palestinos, incluindo crianças, foi morto pelo exército israelense depois de atravessar um posto de controle do Hamas e entrar no que Israel chama de "zona tampão" - um espaço vazio entre as fronteiras.

Também foram ouvidos disparos de artilharia a partir da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza e há notícias da existência de dezenas de feridos resultantes de um tiroteio nas Colinas de Golã, uma área de fronteira com a Síria. Vários refugiados palestinianos vindos do lado sírio foram mortos ao tentar romper o muro da fronteira.

Os incidentes ocorreram nas zonas fronteiriças da Síria e do Líbano. O exército israelense disparou contra manifestantes vindos da Síria que penetraram numa área das colinas de Golan, território ocupado desde 1967 por Israel apesar das condenações internacionais que reconhecem o território como pertencente à Síria.

“Esperamos que a calma regresse rapidamente, mas estamos determinados a defender nossas fronteiras e nossa soberania”, disse ainda Netanyahu, que acrescentou: “as manifestações não dizem respeito às fronteiras de 1967, mas são um questionamento da própria existência do Estado de Israel”.

Para os palestinos, a “Nakba” se traduziu no êxodo de cerca de 760 mil pessoas que, hoje, incluindo seus descendentes chegam a 4,8 milhões. Os refugiados palestinos estão refugiados entre Jordânia, Síria e Líbano. A resolução 194 da ONU dispõe que “os refugiados que desejem regressar a seus lares e viver em paz com seus vizinhos devem ser autorizados a fazê-lo o mais cedo possível”.

Todos os governos israelenses se opuseram à aplicação do direito de retorno. Os palestinos exigem o reconhecimento desse direito por Israel, ainda que se declarem dispostos a negociar as modalidades de sua aplicação.

(*) Com informações do Página/12 e do portal Esquerda.net

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

1 MILHÃO NAS RUAS DO CAIRO, CONTRA A DITADURA




Trincas no Exército, que já registra deserções e confraternização entre soldados e manifestantes,  dificultam transição sem mudança, ensaiada por Mubarak. Regime resiste, mas espaço para reverter avanço das ruas se estreitou nas últimas horas. Hoje, oposição promete levar 1 milhão às ruas do Cairo. 

 INTERESSE DOS ACIONISTAS E O DO BRASIL
 
A diretoria da mineradora Vale do Rio Doce, presidida pelo tucano Roger Agnelli, aprovou uma proposta de remuneração mínima aos acionistas -entre eles, alguns fundos de pensão do setor público--  de US$ 4 bilhões para 2011. Segundo a notificação ao mercado, a 'remuneração mínima' de US$ 4 bilhões representa aumento de 60% em relação ao retorno ‘mínimo' anunciado em 2010. O Brasil exportou em 2010 cerca de US$ 28 bi em minérios. A Vale foi responsável por  US$ 24,04 bi desse total, a um preço médio entre US$ 92,98 e US$ 100 a tonelada. O mesmo Brasil que drena seu minério para a China a US$ 90/100 a tonelada vai importar , em boa parte da própria China, 244,6 mil toneladas de trilhos, ao preço médio de US$ 864/t - entre oito e noves vezes o valor do minério bruto embarcado. A montagem de uma fábrica de trilhos requer  investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão. A ‘remuneração mínima' aos acionistas da Vale  prevista  para este ano permitiria erguer uma fábrica de trilhos no país e ainda distribuir US$ 2,5 bi ao mercado. Por que isso não ocorre? Porque o marco regulatório do setor autoriza a espoliação das riquezas nacionais sem contrapartida ao desenvolvimento.  Um novo projeto regulatório deve ser aprovado no governo Dilma. A ver.

(Carta Maior, 3º feira, 01/02/2011)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Carlos Lessa: sonhar com o petróleo, mas pôr as barbas de molho

Ano Novo, novo presidente, novo Congresso e é uma contramão afetiva violenta fazer prognósticos sobre a conjuntura econômica mundial, bem como explicitar dúvidas essenciais em relação à provável política econômica brasileira.


Por Carlos Lessa, no Valor Econômico

Quero sonhar com a potencialidade da civilização brasileira, que tem como ponto de partida um povão admirável, sem arrogância, aberto a novidades e extremamente criativo e cordial.

Creio que a mão de Deus nos deu a Amazônia verde, cujo potencial desconhecemos, mas que nos permite sonhar com importantes descobertas. A verdade é que a mão de Deus também nos deu o pré-sal (uma suspeita antiga da geologia brasileira) e uma capacidade tecnológica nacional que dominou a técnica de prospecção em águas profundas e abaixo de uma capa de muitos quilômetros de sal.

As perfurações já feitas dobraram as reservas de petróleo brasileiro. É plausível encontrar muito mais petróleo pois a formação geológica submarina se estende do Espírito Santo até Santa Catarina (inclusive). Grosseiramente, é um retângulo com 800 quilômetros de extensão, 200 quilômetros de largura, afastado da costa brasileira.

Não sei em que estágio se encontra, mas posso afirmar estar em curso um ambicioso projeto tecnológico para superar as plataformas de operação e instalar um sistema robotizado e interligado, que racionalizará e reduzirá custos de extração.

Há quem diga que o pré-sal, tranquilamente, ampliará as reservas brasileiras entre 40 a 70 bilhões de barris de óleo de ótima qualidade. Alguém mais exagerado fala de 100 bilhões ou mais, o que converteria o Brasil em terceira maior reserva petrolífera do mundo.

Esta é uma situação potencialmente admirável, pois será possível multiplicar a energia à disposição dos brasileiros; hoje, o brasileiro utiliza por ano menos que o cidadão do mundo. Como temos uma enorme potencialidade hidrelétrica, devemos afastar o cálice de termeletricidade movida a derivados de petróleo. Aliás, existem três perigos em uma grande riqueza energética:

a) Adição em consumo de petróleo (vício americano). No Brasil, temos adição a diesel pela utilização excessiva do transporte rodoviário. Em 2010, a produção de veículos a motor cresceu 11% e a circulação urbana e metropolitana caminha para o colapso. Não tenho dúvida de que haverá tendência a subsidiar o comprador de veículo, já altamente endividado, principalmente se for política ampliar a produção automobilística;

b) Valorização da moeda nacional (o real), tornando vantajosa toda e qualquer importação. Os europeus denominaram essa "doença" de holandesa, pois aquele país transferiu suas unidades industriais para o exterior e desmantelou sua produção agropecuária. Quando acabou seu gás do Mar do Norte, viveu uma crise devastadora.

c) O país, objeto de desejo pelas potências, está no quintal da maior de todas, bebedora frenética de petróleo. Dadas as tendências mundiais de evolução do consumo de petróleo e tamanho das reservas, já está sinalizada uma era de produção de baixo consumo de carbono. Novas tecnologias energéticas estão em pesquisa, entretanto vivemos a sociedade do desperdício, onde há uma pedagogia diuturna para criar um consumidor compulsivo da nova coisa, da nova cor, do novo formato, etc. Alguém já disse que o shopping é uma escola de consumidores irracionais, lugar sem paisagem, sem orientação espaço-temporal, luz controlada e, em alguns, como nos cassinos — reforço de oxigênio.

A vitória da vida curta é a bijuteria acabando com a joia, a caneta, o relógio, o isqueiro descartáveis. É meritório todo esforço de reciclagem, porém sem a adoção de uma tecnologia que aumente a vida útil do objeto e de uma psicologia social que elimine o prazer de estraçalhar embalagens, não há petróleo para segurar esse mundo.

Nada é mais importante para qualquer potência do que garantir suprimento de petróleo. O Brasil tem que botar suas barbas de molho. É um erro estratégico o país se converter em exportador de óleo cru; é escancarar as portas para as potências. Nossa entidade estratégica é a Petrobras.

Há uma intensa relação afetiva entre o brasileiro e a sua empresa, porém a Petrobras é vulnerável. Acidentes em campos de petróleo submarino são terríveis, haja vista o que está ocorrendo no Atlântico Norte; o pré-sal é lindeiro das duas maiores concentrações demográficas do Brasil. A Petrobras não noticia suas medidas de precaução; creio que a Aepet e o Sindipetro deveriam ser os fiscais dessas medidas e toda constatação de falha deveria ter prioridade nacional.

Detesto visões conspiratórias, mas acidentes casuais podem ser simulados e realizados com o propósito de desmoralizar a política de petróleo do Brasil. Imaginem o horror de Copacabana ou Guarujá recebendo em suas praias cutículas de petróleo e cadáveres de peixes e aves marinhas; imaginem uma chaminé alimentada pelo incêndio de óleo do pré-sal. A pesquisa brasileira de mísseis ficou prejudicada com o morticínio da pequena equipe de especialistas em Alcântara. Foi um acidente?

A melhor solução é intensificar o patrulhamento militar da área. A Marinha tem que dispor de todos os meios; as rotas que tangenciam o pré-sal tem que ser patrulhadas com radares de altíssima precisão, embarcações rápidas com capacidade de defesa, helicópteros navais. As dotações militares tem que ser multiplicadas e espero que já estejam concluídos os estudos e projetos necessários para essa multiplicação.

* Carlos Lessa é professor emérito de Economia Brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES