Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Beto Vasques: O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! , OLé !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

do leitor Beto Vasques
O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! Caetano, em seu momento, nos alertou que o Haiti é aqui. Estava evidenciado que nosso passivo e cordial convívio com injustiça social e a miséria nos fazia campeões da falta de vergonha na cara e de exploração do próprio povo. Não satisfeitos sujeitamo-nos, anos depois, a legitimar o golpe de estado impetrado contra o governo democrático de Bertrand Aristide, fazendo valer os mais sórdidos interesses geopolíticos e econômicos do império e disponibilizando nossas forças armadas para coordenar a intervenção (ou seria invasão?) em terras haitianas.
Talvez tenhamos sido movidos pela raiva de um Haiti que, mesmo castigado pela trágica trajetória colonial, pelo neocolonialismo ianqui (que faz da ilha uma colônia de férias caribeña para suas elites e, simultaneamente, enclave militar de seus mais nefastos interesses imperiais, pela inaceitável ocupação de seu território por forças da ONU) e pelos dramáticos impactos do terremoto, foi incapaz de nos superar tanto na má distribuição de renda, como no número de total de indivíduos miseráveis. Mas essa é outra história…
O fato é que, se Caetano estivesse agora por Madrid, possivelmente nos diria algo como: O Cairo é aqui! Madrid está tomada! Não pela ocupação de nenhuma “força de paz internacional”, mas por seu próprio povo, indignado. Curiosa a história que faz com que essa Espanha, outrora terra de sultões “expulsos” pela “reconquista”, uma vez mais se aproxime do oriente próximo.
Estariam os ventos soprados pelas revoltas populares por democracia no mundo árabe chegado à península ibérica? Estaria a Espanha “de los Borbones” mais próxima que nunca de seus irmãos mulçumanos, seja pela evidência de seus sistemas políticos falidos, ornados por reis e ditadores de toda sorte, seja pela indignação de seus povos às suas elites políticas?
O que está claro, no entanto, é o basta que vem das ruas. Milhares de madrileños, desde o “15-M” (em referência ao domingo 15 de março), resolveram que havia que se dar um “basta ya”!. Por certo que: “Yo no soy anti-sitema, el sistema es anti-yo”, “Esa crisis no la pagamos”, “Lo llaman democracia y no lo es”, “Sin casa, sin trabajo, sin miedo”, “El PSOE y el PP, la misma mierda es” (PSOE e PP, os dois principais partidos de um sistema desenhado a medida para que não haja espaço para outras expressões políticas) são algumas das consignas principais que se evocam desde a “Puerta del Sol”, marco zero da cidade.
Evidencia-se um claro rechaço da cidadania à forma como o governo (PSOE) e a oposição (PP) pactuaram para que ela pagasse a conta de uma crise financeira internacional. O grito entoado pelos acampados há 5 dias na Puerta del Sol de “esa crisis no la pagamos” traduz a revolta popular baseada na compreensão de que essa “dívida” não é sua e, portanto, não querem e não vão pagá-la.
Está claro para os cidadãos e cidadãs acampadas há dias no Sol que a crise é obra do pacto vil no qual a bancarrota de bancos e empresas desregulados é paga pelo resgate de um governo que, posteriormente, se permite ser acusado pelos próprios bancos, agora intitulados “mercado”, como o verdadeiro responsável pela crise. Assume assim, o governo, sua “gigantesca incapacidade de gerenciar o déficit fiscal gerado por sua irresponsável gastança” e, como cereja do bolo, se permite passar a conta ao povo.
Lembrando Garrincha, parece que dessa vez se esqueceram de combinar o jogo com os russos, ou melhor, até que tentaram tal artimanha através de seus sócios na velha mídia, mas dessa vez parece que a blogosfera e as redes sociais também funcionaram pra valer por aqui. Assim, o amargo cardápio que conta com a diminuição dos salários dos funcionários públicos, com a ampliação de prazos para obter a aposentadoria, flexibilização das leis trabalhistas ao gosto do empresariado, etc gerou uma indigestão social que parece, agora, regurgitar sobre o próprio sistema político.: “Lo llaman democracia y no lo es”, “Que no, que no…que no, nos representan” e “PSOE y PP, la misma mierda es” explicitam a pane de um sistema político decadente.
Fica evidente a crise de representação que pode, inclusive, possibilitar a impugnação democrática das elites políticas que só se preocupam em prestar contas aos poderes econômicos privados e não aos cidadãos e cidadãs. Os partidos deslegitimados, os sindicatos em descrédito (cabe destacar posição a pelega e submissa que Comisiones Obreras e UGT , as duas maiores centrais sindicais espanholas, tiveram nesse processo, pactuando com os “ajustes” no marco laboral), e a monarquia patética e perigosa, herdada do franquismo, são vistos como fiadores dessa bazofia. O basta está dado: “Que se vayan todos!”, resume a voz popular, nos remetendo aos aprendizados do panelaço argentino…
O Cairo, agora, é aqui, em Madrid! Dessa vez não há partidos nem sindicatos organizando e instrumentalizando a manifestação. Não são bem-vindos. Dessa vez, a convocatória é do povo saturado de tamanha canalhice de suas elites. As redes sociais são seus megafones. Um esforço parcial para entender a mobilização leva alguns analistas a apontar a existência de três principais coletivos espontâneos por de trás da indignação geral: i) os desempregados (aqui chamados “parados”, que já se aproximam dos 5 milhões de trabalhadores, algo como 22% da PEA); ii) a juventude precária, que assim que se da conta que a precariedade não é condição momentânea vinculada a sua condição de jovem, mas sim de uma questão estrutural que lhes acompanhará por toda vida (entre os jovens o desemprego ultrapassa ao assombroso índice de 40%.); iii) e as famílias despejadas de seus imóveis, arrastadas a pelo tsunami imobiliário e pela sanha da banca.
Sua articulação se dá a partir da plataforma Democracia Real Ya (http://www.democraciarealya.es/) e, na agenda, a reforma eleitoral como principal reivindicação. Trata-se de uma estratégia pela qual a reforma não seria mais que a ponta de lança dos desejos de câmbios mais profundos no sistema político, uma porta de entrada a um processo que se imagina que possa ir ganhando musculatura “sobre la marcha”. “Sabemos por onde queremos começar (pela reforma eleitoral), não até onde podemos ir” comentam os mais otimistas.
Os acampados pretendem permanecer ocupando a Puerta del Sol até domingo, 22 de maio, quando se celebram as eleições estaduais e municipais. Os poderes instituídos aturdidos fazem de sua torpes o combustível dos indignados. Assim foi com o violento despejo dos acampados na madrugada de segunda para terça-feira, no qual não contavam com os celulares 3G que em real time expunham na rede a violência policial contra os cidadãos. Na quarta foi a vez da Junta Eleitoral atear mais fogo, proibindo que as pessoas se manifestassem. Era o fermento que faltava para que a cada noite mais e mais gente acuda à Praça do Sol.
Nesta quinta-feira à tarde a incansável Junta Eleitoral em decisão renhida decidida por apenas 1 voto, resolveu ilegalizar novamente aos indignados. Diz que a partir de sábado, véspera das eleições, não poderá haver manifestações que inibam o direito a terceiros de votar. O governo diz que terá que utilizar a inteligência (o seria violência?) para fazer cumprir a ordem legal. A oposição de direita (PP – Partido Popular) em claro gesto de medo e desespero manifesta seu apoio à decisão ressaltando que “há de se preservar o direito dos cidadãos”. A eles a pergunta: e os que estão na Praça do Sol, não são cidadãos?
No momento, outras cidades espanholas já começam a realizar convocatórias semelhantes. Os possíveis desdobramentos ainda são imprevisíveis. O exemplo dos indignados vizinhos Islândia e Grécia também inspira os madrileños. À semelhança do mundo árabe, as elites apostam que o cansaço leve a desmobilização popular e que os indignados voltem a suas casas. O povo, por sua vez, se rebela e espera fazer com que o rei e os governantes que sejam “os que se vão”. A diferença fica por conta dos bairros, que não ardem em chamas enquanto a multidão toma a praça. É a velha Europa do respeito à integridade física se acercando às revoltas do século XXI. Mas a sensação permanece: o Cairo, agora, é aqui, em Madrid!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tragédia no Cairo

Huffingtonpost: Mubarak, pede pra sair !


E não me venham com a desculpa de fundamentalismo islâmico

Vá ao site Huffingtonpost e veja uma seleção de fotos espetacular.

O título é esse mesmo: Mubarak, se manda !

Leia aqui também.

aqui para ver que o Rei da Jordânia, outro Porto Rico do Oriente Médio, demitiu o Ministério todo.

O PiG (*) brasileiro e internacional está em dúvida: ainda não sabe o que o Obama quer.

O Obama também não sabe – esse é o problema.

Clique aqui para ler “Bem que poderia ser a Arábia Saudita, depois do Egito”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

1 MILHÃO NAS RUAS DO CAIRO, CONTRA A DITADURA




Trincas no Exército, que já registra deserções e confraternização entre soldados e manifestantes,  dificultam transição sem mudança, ensaiada por Mubarak. Regime resiste, mas espaço para reverter avanço das ruas se estreitou nas últimas horas. Hoje, oposição promete levar 1 milhão às ruas do Cairo. 

 INTERESSE DOS ACIONISTAS E O DO BRASIL
 
A diretoria da mineradora Vale do Rio Doce, presidida pelo tucano Roger Agnelli, aprovou uma proposta de remuneração mínima aos acionistas -entre eles, alguns fundos de pensão do setor público--  de US$ 4 bilhões para 2011. Segundo a notificação ao mercado, a 'remuneração mínima' de US$ 4 bilhões representa aumento de 60% em relação ao retorno ‘mínimo' anunciado em 2010. O Brasil exportou em 2010 cerca de US$ 28 bi em minérios. A Vale foi responsável por  US$ 24,04 bi desse total, a um preço médio entre US$ 92,98 e US$ 100 a tonelada. O mesmo Brasil que drena seu minério para a China a US$ 90/100 a tonelada vai importar , em boa parte da própria China, 244,6 mil toneladas de trilhos, ao preço médio de US$ 864/t - entre oito e noves vezes o valor do minério bruto embarcado. A montagem de uma fábrica de trilhos requer  investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão. A ‘remuneração mínima' aos acionistas da Vale  prevista  para este ano permitiria erguer uma fábrica de trilhos no país e ainda distribuir US$ 2,5 bi ao mercado. Por que isso não ocorre? Porque o marco regulatório do setor autoriza a espoliação das riquezas nacionais sem contrapartida ao desenvolvimento.  Um novo projeto regulatório deve ser aprovado no governo Dilma. A ver.

(Carta Maior, 3º feira, 01/02/2011)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

PiG é PiG (*) até no Egito


Na foto, Mubarak ao denunciar o vandalismo


Milton Temer é o único deputado federal a exigir do Banco Central de Fernando Henrique informações (jamais concedidas) sobre Daniel Dantas.

Ele foi o primeiro naquele prédio a perceber que Daniel Dantas era uma ameaça ao sistema político do país.

Hoje, derrotado para o Senado do Rio (com o voto inútil deste inútil blogueiro) transformou-se num implacável twitteiro.

Temer chamou a atenção das redes sociais para o fato de a Globo enviar um repórter ao Cairo para cobrir o vandalismo.

Temer, é o que a Folha (**) faz.

Na primeira página, no alto, “Saques e atos de vandalismo levam pânico ao Cairo”. 

“Uma onda de pânico se espalhou pelo Cairo”, inicia o bravo “enviado”.

De “pânico” e júbilo, alegria, fervor, esperança com a queda iminente de um ditador feroz.

O PiG (*) é assim, Temer, PiG (*) até no Cairo.

Cobrir o Egito da perspectiva do vandalismo é o mesmo que dizer que o protagonista do Novo Testamento é Judas.  

Agora, amigo  navegante, imagine um “enviado” do PiG ao Egito.

Diante dele, a ruína de um sistema pago pelos Estados Unidos – US 1,5 bi por ano, há 30 anos -, com a finalidade de manter o fluxo do petróleo e a estabilidade do regime de Israel.

(Depois de Israel, o Egito recebe a maior mesada do Tesouro americano.) 

Um sistema, portanto, que pressupõe discriminação e perseguição em Gaza e a supressão do Estado Palestino (em boa hora reconhecido pelo Governo Nunca Dantes).

Imagine um representante do PiG chegar ao Cairo e ver diante dos olhos ruir um sistema que formava oficiais superiores das Forças Armadas no Pentágono, em Washington.

Um sistema que podia montar no Egito, com exclusividade, tanques americanos M1A1 Abrams com licença especial.

Um Porto Rico com o Museu do Egito – é o que era o Egito do Mubarak.

(Ou um México, já que a corrupção no sistema Mubarak era um modo de vida.)

O PiG está diante de um impasse.

Ainda não sabe o que os Estados Unidos vão fazer.

A esperança numa “transição ordenada” – como disse a Hillary – não basta para orientar o PiG.

Hillary ainda não sabe até que ponto os islamitas mandarão no novo regime.

Até que ponto serão preservadas as relações com Israel.

Se a Jordânia – outro Porto Rico – vai cair junto.

Com certeza, o que se sabe, é que Mubarak entra para a lista do Xá da Pérsia e do Toni Blair: é uma fria ser poodle dos Estados Unidos.

Fora do poder, o poodle não tem direito nem a água.

Como o Xá da Pérsia com os comunistas, Mubarak vendia a carta “ou eu ou o Bin Laden”.

A verdade é que, enquanto a Al Jazeera cobre o levante popular, a tevê estatal egípcia cobre o vandalismo.

Como o PiG.

Deviam mandar o William Waack para lá.

Seria perfeito, com aquelas mandíbulas mubarakianas.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.