Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Covardia político-midiática veta única solução real para o crack


O desastre que a operação policial na Cracolândia de São Paulo encerra transtorna a vida da capital paulista e envergonha a cidade, o Estado e até o país, pois revela a mentalidade atrasada da sociedade brasileira e a covardia da nossa classe política e até da imprensa, que sabem que existe uma solução para o problema das drogas, mas a ignoram e escondem.
No mundo inteiro, a drogadição é uma tragédia. Contudo, alguns países – os mais avançados em termos sócio-econômicos – conseguiram reduzir drasticamente essas chagas sociais com políticas públicas realistas, dentre as quais sobressai a Política de Redução de Danos, representada pelas “narcossalas” ou “salas de uso seguro”.
A XXI Conferência Internacional de Redução de Danos, realizada no ano passado em Liverpool, na Inglaterra, expôs os avanços que as nações mais civilizadas do planeta alcançaram na questão das drogas através do uso das narcossalas, e se debruçou sobre a imperiosidade de expandir essa política pública para regiões menos desenvolvidas como a América Latina, nas quais sociedades conservadoras obrigam a classe política a adotar repressão e violência contra usuários de drogas.
O baixo nível cultural e educacional dos povos latino-americanos, entre outros, não se restringe às classes populares. As elites econômicas vibram com operações policiais truculentas por confundirem políticas de segurança publica reais e efetivas com vingança contra criminosos e até contra as principais vítimas do tráfico, os usuários.
A incompetência desumana da ação policial em São Paulo, na Cracolândia, onde o governo do Estado e a prefeitura da capital decidiram pela técnica de “sufoco, dor e sofrimento” contra pessoas mentalmente doentes e que não têm mais nada a perder na vida, exibe o assustador despreparo das autoridades locais e até da grande imprensa.
A conferência sobre redução de danos que teve lugar na Europa, ano passado, contabilizou o extremo sucesso dessa política pública que consiste na implantação de centros para viciados nos quais recebem drogas –  ou substâncias alternativas que produzem os mesmos efeitos da droga convencional, mas fazem menos mal – para consumo controlado e assistido e podem recorrer a tratamento de desintoxicação, se quiserem.
Vejam só o que ocorre na Cracolândia paulistana. Nem sob ameaça de uma polícia truculenta, mal-paga, inculta, despreparada e corrupta os viciados se intimidam. A “fissura” pela droga já se tornou a razão da existência desses seres humanos, de forma que não há nada mais assustador para o viciado em crack do que não ter como se drogar. Violência policial não intimida essas pessoas.
Por isso, na abertura da 21ª edição da conferência sobre Redução de Danos o sociólogo especializado em saúde pública Gerry Stimson, atual diretor da International Harm Reduction Association (IHRA), que organiza a conferência, considerou que o grande desafio hoje é conscientizar sociedades conservadoras do Terceiro Mundo.
Ano passado, a Conferência relatou que há hoje 93 países e territórios no mundo que adotaram a Redução de Danos. No entanto, em certos países em que o conceito foi adotado os resultados não foram tão bons porque os recursos investidos foram insuficientes. Esse é o grande erro, pois economizam recursos de um lado (na estrutura da Redução de Danos) e gastam em outro (no combate ao tráfico e na assistência médica aos viciados em estado terminal).
Vemos como os usuários de crack em São Paulo não se deixam intimidar ou convencer. Apanham, são escorraçados, humilhados, ameaçados e mesmo assim não cedem e nem cogitam fazê-lo simplesmente porque não podem, pois não há tortura maior para seus corpos e mentes do que ficar sem droga para consumir.
O mais trágico que a covardia da classe política gera pode ser visto nas meninas, algumas pré-adolescentes que parecem mais velhas pelos seus rostos envelhecidos e que carregam filhos na barriga que fatalmente engrossarão os contingentes de criminosos, drogados etc. Essas gestantes tão jovens sabem disso, mas o instinto maternal é suplantado pela “fissura” pela droga.
Entretanto, o vício poderia ser usado contra si mesmo, pois se os viciados fazem tudo pelo crack, por exemplo, basta lhes oferecer um local para consumi-lo sem terem que roubar, se prostituir etc. Nesse local, concomitantemente ao fornecimento de drogas haveria todo um trabalho psicológico e químico de desintoxicação, além de capacitação profissional. E que seria estendido a quem quisesse.
As experiências nesses países mais desenvolvidos como Alemanha, Holanda, Austrália e tantos outros mostram que, aos poucos, os viciados vão se deixando seduzir pela possibilidade de se reinserirem na sociedade. Nos países em que a política de Redução de Danos foi implantada de forma séria, com recursos suficientes, os gastos com saúde pública e com segurança diminuíram e, mais importante, o contingente de viciados também diminuiu consistentemente.
Por que não se faz isso no Brasil? Porque ninguém quer enfrentar uma sociedade atrasada, ignorante e preconceituosa que acha que a solução para esse drama é espancar ou até matar traficantes e suas vítimas – ou, na melhor das hipóteses, confiná-las em celas superlotadas ou guetos para não terem que olhar para o que a ignorância produz.
Então, leitor, saiba que solução existe. Ironicamente, no médio prazo seria mais barata do que essas dispendiosas operações policiais como a que está em curso na Cracolândia de São Paulo ou do que cuidar dos problemas gravíssimos de saúde que sobrecarregam o SUS quando os piores efeitos do consumo de drogas já se fazem sentir.
Há dinheiro para adotar essa solução e ela funciona, mas o país não a adota. Por que? Política, meu caro leitor. É a mesma coisa com o aborto. Todos sabem que é uma hipocrisia proibi-lo porque é praticado  à larga em todo território nacional, mas a lei funciona como uma espécie de venda social para a realidade.
Devido à covardia dos políticos e da imprensa, o debate sobre Redução de Danos jamais prosperou. Temem a escandalização que a proposta geraria entre os setores conservadores, que são maioria. Então nem tentam explicar. Uma campanha bem feita, porém, mostraria as vantagens dessa política pública. Mas quem terá coragem de empreendê-la?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FMI exige mais cortes aos países do BRIC (Brasil, Rúsia, Índia e China)





O FMI (Fundo Monetário Internacional) fez um novo "alerta" para os chamados países "emergentes", os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), exigindo que os países não gastem mais que o necessário e orientando novos gastos públicos.
Segundo o relatório divulgado pelo FMI, "as economias emergentes devem resistir à tentação de aproveitar os ventos favoráveis no curto prazo para aumentar os gastos e optar por reconstituir suas reservas fiscais" (BBC, 12/4/2011). O FMI quer conter os gastos para que estes países aumentem os fundos que eventualmente possam ser usados para socorrer capitalistas e especuladores da crise econômica.
O fundo diz que mesmo com um certo alívio nos déficits fiscais das economias destes países os gastos devem ser evitados, ou seja, deve-se gastar menos e cortar mais. Ressalta ainda o fato de que os países do BRIC estão em uma posição melhor devido ao grande volume de exportações de commodities e os elevados preços desta categoria de produtos e também pela grande entrada de investimentos estrangeiros no País. Esta situação pode ser rapidamente revertida criando bolhas financeiras que afundariam as economias destes países.
Na China e no Brasil, por exemplo, a vasta disponibilidade de crédito para empréstimo nos bancos provocou um verdadeiro "boom" no mercado imobiliário destes países e criou as condições para o surgimento de uma bolha financeira neste setor. Prevendo o desenvolvimento desta bolha, o governo chinês já reduziu a disponibilidade de crédito e implantou outras medidas para evitar o aumento do consumo. No Brasil, o Ministério da Fazenda está adotando medidas semelhantes para inibir os empréstimos e frear a corrida ao crédito imobiliário. Estas medidas estão na verdade contendo a produção nestes países e levando estas economias à estagnação.
Cortes nos gastos públicos
Uma das recomendações do FMI é diminuir os gastos públicos para diminuir o endividamento dos países de capitalismo atrasado que compõem o BRIC. Para realizar estes cortes a indicação do FMI é diminuir os gastos principalmente com aposentadoria e na área da saúde.
Este é o verdadeiro sentido desta política apresentada pelo FMI, deixar que a crise seja paga pelos mais pobres, por países como o Brasil e China que já possuem os mais baixos salários de todo o mundo e que possuem um dos piores serviços públicos do mundo. Resumidamente, o recado do FMI é a imediata implantação de planos de austeridade nestes países.