Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Dep. Paulo Teixeira denuncia texto falso em que PT admitiria derrota

paulo teixeira

O Blog procurou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) para obter mais informações a respeito de vídeo de sua autoria que circula desde a noite de quarta-feira, no qual ele afirma que o governo já disporia de votos suficientes na Câmara para barrar o impeachment. Além de falar da contabilidade da votação, o deputado fez uma denúncia
Confira, abaixo, o vídeo.
O deputado, porém, já abriu a entrevista desmentindo texto que circula na internet também desde quarta-feira e que está sendo atribuído a ele. O texto afirma que o PT já aceitou a derrota na votação na Câmara que julgará a admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
Além de Teixeira denunciar que o texto é falso, denuncia que a estratégia dos grupos pró-impeachment para atingirem seu objetivo é tentar desanimar a militância anti-impeachment para que não compareça aos atos públicos do próximo domingo.
Teixeira ainda avalia o que se pode esperar de um hipotético governo Michel Temer e reafirma que o governo tem todas as chances de barrar o golpe. E discrimina todos os apoios de que o governo dispõe entre os diversos partidos.
O Blog junta-se ao deputado Paulo Teixeira e orienta seu público a que despreze esse tipo de material que está circulando pelas redes “noticiando” desistência das forças governistas. As mais diversas fontes do Blog dão conta de que está completamente aberta a disputa pelo impeachment.
Os textos e vídeos falsos que circulam na internet em nome do PT afirmando que o partido desistiu de lutar porque a batalha final estaria perdida é a maior prova de que o jogo ainda não foi jogado, do contrário esse tipo de iniciativa torpe seria desnecessária. Se produzem essas farsas é justamente devido ao fato de que ainda não há nada definido.
Confira, abaixo, a entrevista do deputado.
Blog da Cidadania – Paulo Teixeira, você me falava de um texto falso que está circulando em seu nome na internet. Do que se trata?
Paulo Teixeira – Há um texto circulando em meu nome dizendo que já deu tudo errado e que a presidente Dilma tem que chamar cadeia nacional [de rádio e tevê para admitir a derrota do governo na votação do impeachment].
Foram os adversários que postaram isso em meu nome para criar um clima de desânimo [entre a militância pró governo]. Eles iniciaram uma guerra de versões, uma guerra de números. Isso só prova que não nos derrotaram, do contrário não se dariam a esse trabalho.
Peço a você que divulgue, Eduardo, que nós temos condições de vencer essa votação, até porque já alcançamos o número de votos contra impeachment suficiente para barrar o processo na Câmara. Agora, estamos tratando de consolidar e até ampliar esse número.
Também peço que divulgue a necessidade extrema de continuarmos a mobilização nas ruas e nas redes enquanto nós, parlamentares, continuamos nosso trabalho de convencimento junto aos deputados indecisos.
Neste momento, porém, a principal disputa é essa guerra de números, essa mentira de que os golpistas já disporiam de votos para aprovar o impeachment. Não dispõem.
Blog da Cidadania – Você afirma, então, que, segundo a contabilidade governista já haveria votos suficientes para barrar o impeachment
Paulo Teixeira – Sim, sim. Temos número para barrar o impeachment. Estou afirmando isso a você. E mais: nós vamos ampliar esse número de votos. Muitos deputados estão preocupados com a ruptura institucional e com a repercussão do golpe em escala mundial.
Então, escreva aí: nós vamos barrar esse golpe no domingo.
Blog da Cidadania – Você pode dizer de que partidos são os parlamentares que já se dispuseram a barrar o impeachment?
Paulo Teixeira – Ontem tivemos uma reunião da presidente Dilma Rousseff com parlamentares do PMDB, do PR, do PSB, do PC do B, do PP, PEN, do PTN, do PT, do PSD, da Rede e do PSOL.
Enfim, temos um arco muito grande de alianças contra o golpe e espalha-se pela sociedade uma consciência democrática de que um golpe como esse vai desestabilizar o Brasil, dividir o Brasil e fazer desta década uma década perdida.
É por isso que na segunda-feira, derrotado o golpe, teremos que chamar as forças estiveram nesse processo e estabelecermos uma agenda positiva para o país.
Enquanto isso, que os adversários pensem que já ganharam. Estão até escolhendo como vão dividir ministérios. Ontem, teve um deputado pró impeachment que disse que eles já escolheram quem irá ocupar o Ministério da Fazenda (o Armínio [Fraga]), o Serra quer ter poder, o Paulinho da Força [Sindical] quer ter poder, o Eduardo Cunha quer ter poder de indicar seus apaniguados para cargos no governo.
O mais bizarro é ver alguém como Eduardo Cunha dizendo que no governo que ele quer ver instalado haverá combate à corrupção. Alguém como Cunha, indiciado por corrupção, dizer isso é desmoralizante para o país.
Blog da Cidadania – Paulo, para além da questão ética, as pessoas precisam se dar conta do que representaria um governo Michel Temer. Nesse aspecto, o que o povo poderia esperar de um governo como esse se o golpe vingasse?
Paulo Teixeira – Basicamente, seria um governo de retrocesso. Seria marcado por intensa retirada de direitos. Basta ler as propostas do programa “Uma ponte para o futuro”, endossado por Temer.
Haveria terceirização indiscriminada, acabariam as vinculações para a saúde e para a Educação, haveria mudanças infinitamente mais drásticas na Previdência, enfim, agora, sim, conta iria ser enviada para os trabalhadores. Se o golpe vingasse.
Além disso, um governo Michel Temer iria privatizar a área de petróleo. Basicamente seria isso. Esse é o grande objetivo econômico do golpe, além da retirada de direitos dos trabalhadores.
[…]
A boa notícia é que está se formando uma massa crítica contra as loucuras que esse grupo golpista está pretendendo aplicar. Se após o golpe não houvesse essa agenda nefasta contrária às conquistas sociais dos governos do PT, não seria nada. Acredito que a resistência ao golpe seria menor. Afinal, ninguém quer ver o Brasil afundar porque estamos todos no mesmo barco.
Contudo, não é o que aconteceria. Se o golpe vingasse, o que tocaria fogo no país seria essa agenda nefasta. Todos os que acusaram o governo Dilma de ser “de direita” iriam descobrir, na prática, o que é um governo de direita.
O resultado de mudanças tão drásticas e prejudiciais aos trabalhadores seria um forte embate social através de sindicatos e movimentos sociais. E com o uso consequente do aparato repressivo do Estado contra quem quisesse protestar. Na prática, a guinada do Brasil à direita terminaria em uma ditadura clássica, com uma onda de prisões políticas e violações muito mais escancaradas do Estado de Direito.
Ao fim, dirijo-me a você que odeia o PT, Lula e Dilma, mas que não é rico, que precisa lutar pela sobrevivência. Esteja avisado: você não está entre os que serão beneficiados por esse golpe. E política não é futebol. Quando seu time perde, a única consequência é a gozação dos torcedores do time adversário. Na política a história é bem outra.
Você quer mesmo ser empregado terceirizado? Sabe o que isso fará com seu salário e sua carreira? Esse é só um dos exemplos de medidas que os golpistas pretendem aplicar caso vençam essa disputa. Se não for rico, se tiver que lutar pela sua sobrevivência, guarde estas palavras. Se o golpe vingar, em meses você me dará razão

Estrangeiros descobrem que Globo ameaça a democracia; blindagem garante domínio dos Marinho sobre opinião e espaço públicos



Da Redação
A radiodifusão brasileira é regulamentada por uma lei de 1962, assinada pelo presidente João Goulart. Desde então, é a selva. Segundo a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), a selva favorece ao atuais radiodifusores, especialmente à Globo.
Não é, portanto, uma selva casual, já que na ausência de uma lei moderna a Globo faz o que quer. Se a legislação é desconexa, desatualizada, a Globo tem o poder de emplacar as mudanças administrativas ou mesmo legislativas que bem entende. Basta usar o poder de pressão que obteve graças aos favores recebidos durante a ditadura militar.
Neste sentido, a Globo é o maior dos entulhos autoritários que resta remover desde o fim formal da ditadura. A emissora reproduz, através de suas afiliadas locais, a coalizão de interesses econômicos que governa o Brasil desde 1964.
É o poder da Globo em relação ao Estado, sem qualquer tipo de controle, que permite à emissora usar espaço público para suas atividades sem pagar nada — das praias de Copacabana para os eventos de futebol de areia ao parque Ibirapuera para gravações de novela.
Em Nova York, a prefeitura cobra de emissoras de TV e produtoras de cinema todas as locações feitas nas ruas da cidade: da hora extra do policial ao eventual prejuízo dos comerciantes.
Livre de qualquer tipo de regulamentação, a Globo usa o poder de seu grupo — que inclui no mesmo mercado emissora de TV, jornal, portal e emissoras de rádio — para extorquir, ameaçar e “convencer” autoridades com mandato popular. Há vários exemplos:
1. Paula, herdeira da família Marinho, recebeu através do marido, como permissionária — sem concorrência pública — o estádio de remo em área nobre da cidade, adjacente à lagoa Rodrigo de Freitas, para montar cinemas, restaurantes e clube noturno; estava tudo formalmente em nome do marido, mas ela assinou um dos aditivos como fiadora e desfrutava de bens resultantes do contrato;
2. a Fundação Roberto Marinho administra museus construídos com dinheiro público, o que também faz em São Paulo no Pacaembu (Museu do Futebol) e na estação da Luz (Museu da Língua Portuguesa). Em todos os casos, a Globo entra apenas com a promoção. Os locais são públicos e o dinheiro para manutenção é levantado através da Lei Rouanet, ou seja, acaba saindo do bolso do contribuinte na forma de isenção fiscal;
3. Através de relação carnal com a CBF, a Globo tem controle dos direitos de transmissão dos principais eventos do futebol brasileiro e da FIFA, numa relação desenvolvida ao longo de décadas com dirigentes como Ricardo Teixeira, João Havelange e outros, todos implicados em escândalos que foram ou estão sob investigação de autoridades da Suiça e dos Estados Unidos.
4. No Rio, conforme denunciado pelo candidato a prefeito Marcelo Freixo, o modelo de ocupação do espaço público segue os princípios gerais da TV Globo: um modelo autoritário de cidade. Militarização das favelas, que atende ao projeto de estender os serviços de TV a cabo da emissora aos morros e grandes projetos privados financiados com dinheiro público, como o Porto Maravilha, onde fica o Museu do Amanhã, administrado pela Fundação Roberto Marinho. Em São Paulo, depois de construir seu prédio na avenida Berrini, a emissora conseguiu acelerar a construção de uma obra de prioridade duvidosa, a ponte Octávio Frias de Oliveira sobre o rio Pinheiros, com o objetivo de usá-la como backdrop para seu estúdio envidraçado.
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A ponte que teve construção acelerada para servir de cenário, a herdeira blindada e um dos museus que a Globo controla no Rio: dona do espaço construído com dinheiro público, tudo mantido com isenção fiscal
No plano mais geral da política, a Globo atua como o principal partido de oposição, filtrando seu noticiário de acordo com os interesses dos maiores bilionários do Brasil — os irmãos Marinho. Tais interesses são subordinados aos objetivos mais gerais da política externa dos Estados Unidos: privatização de bens públicos a preço de banana para investidores estrangeiros, entrega do patrimônio nacional para exploração pelo capital internacional — das minas de ferro de Carajás ao pré-sal — dominação do campo pelas empresas multinacionais — curiosamente, a Globo integra uma associação do agronegócio!
De outra parte, a política editorial da emissora criminaliza aqueles que se opõem a seus interesses, o que resulta em críticas constantes, distorcidas e infundadas à esquerda e aos movimentos sociais em geral e a líderes específicos que discordem de seus objetivos: de Leonel Brizola a João Pedro Stédile, do MST, do ex-presidente Lula ao deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
O conluio com outros donos de meios de comunicação, que jogam um papel subordinado ou têm negócios em sociedade com os Marinho, garante blindagem quase absoluta à emissora na mídia.
Para tratar apenas de três casos da atualidade:
1. Passou quase batido pelo noticiário o fato de que a Globo foi denunciada pela Receita Federal como autora de uma manobra para sonegar impostos no Brasil através da criação de uma empresa de papel nas ilhas Virgens Britânicas, a Empire. Os Marinho, sempre segundo inspetor da Receita, simularam investimento externo na empresa, que em seguida foi desmontada, com o capital transferido para a compra de direitos de transmissão. Isso resultou em multa de mais de R$ 600 milhões por sonegação de impostos no Brasil através de artifício contábil. O processo desapareceu de dentro de uma sede da Receita no Rio de Janeiro, o que retardou ação que poderia resultar em denúncia criminal dos Marinho — segundo nossas fontes, eles pagaram a multa que ascendeu a cerca de R$ 1 bilhão.
2. Embora não tenham sido citados na contabilidade paralela da empreiteira Odebrecht, os irmãos Marinho deixaram de noticiar em detalhes a existência de contribuições de campanha a seus aliados políticos. As justificativas: “faltaria tempo” no Jornal Nacional e era impossível determinar exatamente quais pagamentos tinham sido ilegais. No entanto, este mesmo cuidado nunca foi observado quando se tratava de delações que comprometiam o PT, Lula ou a presidente Dilma. O grampo entre Dilma e Lula, captado ilegalmente, foi reproduzido no mesmo Jornal Nacional sem qualquer tipo de observação que poderia macular seu conteúdo.
3. A neta xodó de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, teve o nome diretamente associado a três empresas offshore criadas pela panamenha Mossack & Fonseca. Paula, pelas anotações, teria pago taxas de manutenção das empresas Vaincre LLC, Juste International e A Plus Holdings. Os documentos, apreendidos no escritório da Mossack em São Paulo, nunca foram avaliados ou divulgados pela mídia corporativa. A família Marinho diz que Paula não tinha relação com as empresas, que pertenciam ao marido dela, Alexandre Chiappetta Azevedo. Porém, a investigação segue sem que haja vazamentos como aqueles que acompanharam outras investigações da Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, herói promovido pela Globo, remeteu os dados da apreensão para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), sem que se tenha determinado que as empresas pertencessem a pessoas com foro privilegiado.
Tal é o poder da Globo!
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Brito questiona "acerto": Cunha absolvido na Câmara Ao mesmo tempo, Moro já fala em encerrar a Operação Lava Jato

sobraram
Charge de Ivan Cabral
Folha já deu ontem: o deputado que foi retirado da relatoria do caso Eduardo Cunha na Comissão de Ética da Câmara por ter apresentado um relatório por sua cassação, renunciou ontem a sua vaga no colegiado. Fausto Pinatto, que chegou a receber ameaças por isso, não diz, mas é óbvio que sabe que, vencendo, Cunha o esmagaria.

E o Estadão, numa discreta matéria, registra que Moro sonha com fim da Lava Jato até dezembro.

Missão cumprida. Derrubado o governo, “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

Nas contas deles, não entra, senão como massa de manobra, o povo brasileiro.

Despertaram-lhe, com uma campanha de mídia, os seus “instintos mais primitivos”, criando uma legião de Robertos Jeffersons.

Contra isso, só bem tarde, mas de maneira crescente, ergueu-se a nação sadia, tolerante, legalista.

Os homens do poder político e econômico, agora, acham que podem, simplesmente, desligar a máquina monstruosa que acionaram.

Não podem, porque  se despertou um processo político-social que já não depende dela para andar.

A história está nas ruas

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Golpistas, não cruzem o Rubicão; a guerra vos espera do outro lado

rubicão
EDUGUIM
Em 49 Antes de Cristo (ac), o ditador romano Caio Júlio César atravessou o rio Rubicão, uma fronteira natural que separava a Gália Cisalpina da Itália. O Senado Romano proibira que o exército do Império transpusesse a fronteira. Ao transgredir a ordem, Júlio César violou a lei e declarou guerra ao Senado. No instante em que atravessou o Rubicão, exclamou frase em dialeto local traduzida em latim popular como “Alea jacta est” (A sorte está lançada).
Ao cruzar o rio Rubicão com suas legiões, entrando armado na Itália, Caio Júlio César precipitou uma violenta guerra civil. Por essa razão, a expressão “atravessar o Rubicão” tornou-se sinônimo de tomada de decisão cujos resultados podem ser imprevisíveis, ou melhor, cujos resultados são previsivelmente perigosos, desconhecendo-se, porém, até que ponto.
Ao longo de meses a fio, foram feitos incontáveis alertas ao grupo político que está conduzindo a derrubada do governo Dilma Rousseff com o objetivo óbvio e primordial de fazer cessar a Operação Lava Jato, que, apesar de vitimar o PT, está levando consigo gente de praticamente todos os partidos da base aliada.
Apesar de partidos de oposição como PSDB e DEM estarem sendo preservados pela Lava Jato e pelo Ministério Público, a investida da Lava Jato contra partidos aliados do governo Dilma Rousseff atingiu o que parece ser o único objetivo da Operação: derrubar a presidente da República.
A Lava Jato e os setores do MP que trabalham pela ruptura institucional decorrente da derrubada da presidente ao oferecerem factoides aos golpistas, com seus vazamentos seletivos, sabem perfeitamente que o governo que resultará do impeachment terá como primeira medida desmontar a Operação. Afinal, o presidente de facto e seu vice seriam, ambos, investigados pela Operação.
O mundo inteiro já sabe que o Legislativo brasileiro está para tirar do poder uma presidente contra quem não pesa uma única acusação de crime para colocar um presidente e um vice acusados e investigados por corrupção, inclusive com provas materiais.
A incerteza jurídica que se abaterá sobre um país que tira uma governante honesta e coloca dois picaretas investigados e processados em seu lugar terá repercussões imensas na vida econômica do país. Vá lá que os golpistas e seus apoiadores estejam pouco se lixando para a democracia, mas quem apoia o golpe ingenuamente irá descobrir que país sem democracia não é atraente para os negócios.
Se o golpe vingar, portanto, sobrevirá uma era de incertezas e de choques violentos na sociedade.
Claro que o Brasil não deixará de existir após uma eventual derrubada do governo. E que ninguém vai querer ver o país afundar só para se vingar dos golpistas. Não haveria sentido. Eu e você podemos não querer o golpe, mas tampouco haveremos de querer que o país afunde porque vivemos nele e o que nele ocorrer nos afetará a todos.
Porém, o que iria convulsionar o país e afundá-lo econômica e institucionalmente seria a forma como os golpistas iriam governá-lo se o golpe passasse. O desmonte de políticas públicas que tanto melhoraram a distribuição de renda e o nível de pobreza é um dos objetivos dos golpistas. E esse desmonte irá ocorrer.
De início, o desmonte do Estado de Bem Estar social edificado ao longo da era petista será levado a cabo timidamente. Com o passar do tempo, o ritmo será acelerado.
Privatizações serão retomadas, pré-sal e Petrobrás à frente. Políticas públicas como cotas étnicas nas universidades, por exemplo, serão extintas rapidamente. Outras como Fies, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida irão sendo desidratadas mais lentamente, mas a ideia central do golpe, além de suspender a ameaça à corrupção, é fazer o país parar de gastar dinheiro com pobre.
Tudo isso irá gerar um conflito social imenso, de proporções e intensidade imprevisíveis. Após mais de uma década melhorando de vida ano a ano,a maioria pobre dos brasileiros descobrirá que cometeu um erro imenso ao condescender com o golpe.
Não existe hipótese de o país não voltar a melhorar ano a ano como ocorreu durante 11 dos 13 anos de governos petistas e o país se conformar.
Assim como este Blog avisou, durante anos, que um golpe sobreviria para interromper ascensão social dos brasileiros e assim como avisou que as “jornadas de junho” teriam consequências desastrosas, agora está avisando que uma rebelião resultará do golpe e não ocorrerá por vingança dos que estão sendo apeados ilegalmente do poder, mas porque o povo não vai aceitar retrocessos.
Os programas sociais nunca mais serão os mesmos, se houver golpe. A direita dirá ao povo que não há mais melhora acentuada do social porque os programas petistas eram “inviáveis” e levaram o país à bancarrota, mas, aos poucos, o povo irá despertar da embriaguez em que foi atirado e se dará conta de que dos 13 anos de PT, durante 11 o país melhorou.
Nem precisa dizer mais nada.
A interrupção do governo Dilma, de certa forma, favoreceria Lula. A convulsão social que se instalaria no país um minuto após o golpe faria o Brasil chegar a 2018 em situação igual ou pior que a de hoje. E as pessoas começarão a lembrar que só melhoraram de vida enquanto Lula esteve no poder.
Claro que tentarão prender o ex-presidente para evitar que se candidate, mas se o fizerem vão desencadear uma guerra civil neste país. Estamos falando de um ato ditatorial. É impensável que prendam o maior líder político brasileiro (vide a última pesquisa Datafolha) e todos se conformem.
Eis por que a comparação com a transposição do rio Rubicão é perfeita. Se a Câmara dos Deputados entoar seu “Alea jacta est” e cruzar essa linha invisível, estará colocando o país em uma aventura cujas consequências nefastas só não são totalmente previsíveis porque serão muitas.
A oposição tem todas as chances de chegar a 2018 e vencer legitimamente a eleição presidencial. Seria o melhor caminho para o Brasil.
Dificilmente haverá plena recuperação da economia nos próximos dois anos e meio, então a eleição de 2018 será bastante renhida, com certa dose de favoritismo para os opositores de Dilma Rousseff e do PT. Que a direita opte pela democracia e aposte no próprio taco. Se não o fizer, não haverá volta no caminho que terá começado a trilhar. Ninguém sabe quem ganhará e quem perderá em um país em guerra civil.

Suspeitos trocam elogios ao celebrar avanço do impeachment, veja a cena; deputado gaúcho que será o primeiro a votar contra Dilma na lista da propina da Lava Jato

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Jovair Arantes (PTB-GO) levanta o braço do aliado, o presidente do Atlético Goianiense, acusado de mandar matar jornalista; Afonso Hamm (PP-RS), da bancada ruralista, deve ser o primeiro a votar pelo impeachment de Dilma Rousseff: ele é acusado de receber propina no esquema investigado pela Lava Jato
Da Redação
O Brasil está a caminho de um momento sui generis: um golpe midiático-parlamentar liderado por gatunos.
A hora é de guerra de nervos. A saída oficial do PP da base do governo Dilma é um duro golpe, mas não irreversível. É possível pescar alguns votos no partido, ou ao menos ausências.
É tarefa da oposição chegar aos 342 votos. Os cálculos conservadores são de que teria chegado aos 300. Do lado governista, falava-se na segunda-feira em 190 votos contra — são necessários 170.
Temer se diz “preparado” para assumir. Tem ao seu lado vantagens que não são desprezíveis:
— Pode oferecer, ainda que sem poder cumprir, “impunidade”. E a perspectiva de impunidade agrada ao baixo clero. O PP é o partido com o maior número de parlamentares sob investigação na Lava Jato. São 31 ao todo.
— Temer tem trabalhando ao lado dele, nos bastidores, o homem que é o maior símbolo da impunidade hoje no Brasil: Eduardo Cunha. Cunha opera com a garantia de que não perderá o mandato. Tem centenas de parlamentares como “devedores”. Basta analisar os documentos da contabilidade paralela da Odebrechet, aqueles que o Jornal Nacional desconheceu por “falta de tempo”: Cunha montou sua bancada em vários partidos com dinheiro da empreiteira. Ainda que formalmente deixe a presidência da Câmara, será homem forte nos bastidores. Trabalhando pela própria impunidade e a dos aliados.
— Temer tem o apoio da Globo, da Fiesp e do mercado. Como notou Mário Magalhães, no áudio em que ensaiou seu discurso de posse, Temer falou em “sacrifícios”, mas nenhuma vez em corrupção. Se assumir, é óbvio que a esquerda e os movimentos sociais serão acusados pela Globo de atentar contra a estabilidade. Será em nome dela que surgirão cobranças para por fim à Lava Jato.
— Foi Cunha quem definiu o rito do impeachment, a seu bel prazer. Marcou a decisão para um domingo, com garantia de transmissão ao vivo pela Globo. Cunha jogou os deputados do Nordeste para o final da votação. Colocou os do Sul em primeiro, para criar a sensação de avalanche. Por isso o sorridente Hamm, da foto acima, será o primeiro a votar contra Dilma em nome de extirpar a corrupção — justamente ele, que é acusado de receber propina no esquema da Petrobras.
Notem o espetáculo que Hamm e Jovair Arantes, o relator do impeachment escolhido pela turma de Cunha, oferecem neste vídeo:
Jovair condenou Dilma em seu relatório, mas não tem tanta certeza quando se trata de seu amigo Maurício Sampaio, o presidente do Atlético Goianiense, que foi preso como mandante do assassinato de um jornalista em Goiás.
“Não é meu papel defender ou acusar ninguém, mas acho sim que ele é inocente”, afirmou Jovair a respeito do homem de quem aparece levantando o braço.
Jovair publicou, no jornal O Popular, um artigo em tratou de seu relatório:
“O impeachment é necessário para que se resgate a credibilidade das instituições, para que a impunidade deixe de ser regra em crimes contra o patrimônio público e para que a ameaça à governabilidade não cause novos e irreparáveis danos à economia, já paralisada. Para que o Brasil conquiste espaço no noticiário internacional não em função dos escândalos de corrupção, mas pela punição imputada a quem os protagonizou.”
No texto está claro que ele defende “punição” para os que protagonizaram os escândalos de corrupção. Ele inclui punição a Afonso Hamm, seu leal colaborador no processo de impeachment, que está no rol dos deputados do PP acusados de levar propina?
Talvez ele queira repetir o que disse sobre Maurício Sampaio:
“Não é meu papel defender ou acusar ninguém, mas acho sim que ele é inocente”.
Já o filho do jornalista Valério Luiz não tem qualquer dúvida de que Maurício Sampaio, o parceiro de Jovair Arantes, mandou matar seu pai. Temos, assim, um microcosmo do golpe:
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O deputado Jovair Arantes, de Goiás, é um dos principais generais do baixo clero, aquele exército de parlamentares de atuação inexpressiva no plenário, mas de apetite pantagruélico por benesses pagas com verbas públicas.
Político experiente, com cinco mandatos de deputado federal no currículo, líder do PTB e presença constante em reuniões no Planalto nas quais é discutida a pauta do Congresso, Jovair se destaca pela luta incansável por cargos e emendas.
Essa obstinação lhe rendeu a simpatia dos colegas e embala os sonhos dele de chegar à presidência da Casa ou ser escolhido ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de tais sonhos não se terem realizado, Jovair nem de longe é um fracassado. Muito pelo contrário.
Braço direito do presidente do PTB, o mensaleiro Roberto Jefferson, o deputado é responsável pela indicação e avalista da nomeação do chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
As indicações para cargos são praxe nos regimes presidencialistas em que o governo é apoiado por uma aliança de partidos, como ocorre no Brasil. Fazem parte do jogo — desde que, é claro, não sejam usadas para que políticos e legendas enriqueçam ou se financiem à custa do contribuinte. E é essa justamente a suspeita que pesa sobre Jovair Arantes.
No escândalo que derrubou Wagner Rossi do Ministério da Agricultura, o líder petebista foi apontado como sócio de um consórcio montado em parceria com o PMDB para desviar dinheiro da Conab, estatal com orçamento anual de 6 bilhões de reais chefiada desde o ano passado por Evangevaldo Moreira, seu homem de confiança há mais de uma década.
Jovair também já foi investigado por envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, que desviava dinheiro destinado à compra de ambulâncias, e, mais recentemente, teve seu nome relacionado às fraudes com dinheiro de emendas do Ministério do Turismo.
Isso sem falar nas denúncias que envolvem os órgãos controlados por seus apadrinhados no governo estadual de Goiás, que costuma apoiar sempre, qualquer que seja o governador. Trata-se, portanto, de um personagem recorrente da crônica político-policial.
Agora, o líder do PTB na Câmara é acusado por um ex-aliado de cobrar propina — descaradamente — para chancelar suas indicações. Quem acusa é Osmar Pires Martins Júnior, ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia e presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente até 2006.
Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. “O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público”, escreveu.
Ex-filiado ao PT, rompido com o grupo de Jovair por causa das conveniências políticas locais, Osmar Pires diz que o portador da proposta milionária foi justamente Evangevaldo Moreira — aquele que Jovair empurrou goela abaixo do governo federal e aboletou há um ano na presidência da poderosa Conab, onde permanece apesar da faxina no Ministério da Agricultura.
O autor da acusação, ao que tudo indica, sabe do que está falando: ele próprio é alvo de quinze processos por malfeitos cometidos no serviço público. Por se tratar de uma suspeita de crime envolvendo um deputado federal, detentor de foro privilegiado, o Ministério Público de Goiás vai enviar os papéis para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Procurado por VEJA, primeiro Jovair Arantes disse conhecer bem Osmar Pires e teceu elogios ao ex-companheiro: “A gente vive na mesma cidade. Não temos amizade pessoal, de frequentar um a casa do outro, mas o conheço bem. É um quadro muito qualificado, um gestor competente, conhecedor profundo da gestão ambiental e uma pessoa de bem”.
Informado da acusação, de repente ele mudou de tom: “Cada um fala o que quer. Se fez isso, agiu indevidamente e deve responder por isso”.
Evangevaldo negou que tenha sido o portador da proposta. “Nunca conversei isso com esse moço”, disse.
Ao contrário de seu padrinho político, o presidente da Conab tentou desqualificar o denunciante: “Ele foi afastado da agência porque responde a vários processos. Uma pessoa assim não pode ter credibilidade para fazer denúncia contra ninguém”.
Na ocasião do suposto pedido, Evangevaldo, ou Vange para os amigos, era o diretor financeiro da agência, especialmente interessante aos políticos por seu poder de autorizar ou proibir grandes empreendimentos. Ele ocupava o posto por indicação de Jovair, claro.
Aliás, Evangevaldo sempre é o homem escolhido por Jovair para ocupar os cargos relevantes que lhe são disponibilizados. A Conab é o mais vistoso de todos, mas vários outros vieram antes. Como uma chefia do INSS em Goiás, de onde ele saiu debaixo de investigação da Polícia Federal. A partir da quebra de seu sigilo fiscal, os policiais concluíram que pelas contas de Evangevaldo passava mais dinheiro do que sua renda permitia — treze vezes mais.
A investigação concluiu ainda que, depois que virou homem de confiança de Jovair, Vange teve uma estrondosa evolução patrimonial, também considerada incompatível com seus rendimentos. Nada, porém, que fosse suficiente para impedir que ele continuasse ocupando cargos públicos — ou que abalasse sua dobradinha com Jovair, o enrolado.
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Registre-se aqui que o repórter Policarpo Jr., da Veja, caiu na escuta da Polícia Federal pedindo ao bicheiro Carlinhos Cachoeira que grampeasse ilegalmente Jovair, com o objetivo de saber detalhes do envolvimento dele com a Conab.
Jovair também é um dos líderes da bancada da bola, aquela que bloqueou investigações contra Ricardo Teixeira e continua trabalhando para proteger os cartolas da CBF.
Este é o homem que celebrou com Afonso Hamm a aprovação do relatório contra Dilma, que prega por escrito que é preciso que o Brasil “conquiste espaço no noticiário internacional não em função dos escândalos de corrupção, mas pela punição imputada a quem os protagonizou”.
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Brito: o papelão do Supremo As ruas vão rugir em advertência

bessinha justiça

Pode-se ser golpista agindo contra a ordem constitucional.

O Congresso Nacional está mostrando como, com um processo de julgamento onde pouco ou nada importa a veracidade ou a legalidade das acusações, mas o gostar ou não do “acusado”. Ou, a esta altura, quase vítima.

Pode-se ser golpista agindo sem mínimos princípios éticos  e morais, como faz o vice-presidente Michel Temer, chamando líderes  de partido ao Palácio do  Jaburu e prometendo nacos do seu natimoribundo Governo.

Existe, porém, outra forma de ser golpista: deixar, por omissão ou retardamento nos seus deveres, que a ordem constitucional seja rompida para só depois  disso debater e até proibir – que o martelo quebre o cristal.

A mais forte reação política do Governo Dilma em defesa de sua sobrevivência foi a nomeação de Lula como seu ministro da Casa Civil.

E esta reação – ao contrário dos atropelos e da correria da Câmara – foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal. A corte agiu como quem amarra uma das mão de um lutador e espera que, enquanto decide se é justo fazê-lo, pela possibilidade que aquela mão possa desferir um golpe baixo e, enquanto o faz, permite que seu adversário bata, bata e bata.

Sábado, véspera da sessão do Coliseu onde a legalidade democrática será jogada aos leões, enquanto Michel Temer e Eduardo Cunha viram para baixo seus polegares , a nomeação de Lula completa um mês.

E segue impedida. Só no preguiçoso dia 20 vai se analisar se ela é ou não legal, embora tudo o que tenha levado à suspensão da posse  já se tenha julgado injurídico e que a alegada fuga à Justiça em que se funda a acusação seja, justamente, colocá-lo sob o julgamento daquela Corte, que se confessaria, assim, leniente e parcial a favor do ex-presidente.

Ou seja, o Supremo julgará se Dilma pode nomear seu ministro só quando, talvez, já nem haja um Governo, quanto mais ministros.

Pode-se argumentar que é assim, pela recente jurisprudência do STF, que proibiu o Habeas Corpus contra decisão, mesmo singular, de qualquer de seus ministros. Numa frase: aquilo que os juristas chamam de “remédio heroico” contra o abuso de  autoridade vale para qualquer delas, menos para os ministros do Supremo. Se um deles tornar-se atrabiliário ou, simplesmente, aloprar, ainda assim as consequências continuarão, até que se cumpra o lento rito de pareceres, vistas e, finalmente, o seu exame pelo plenário, que, em tese, restaure a sabedoria e o equilíbrio colegiados.

Não há trocadilho: o “paciente” – termo jurídico daquele que busca o habeas corpus – será examinado apenas quando estiver morto.

No homem comum a procrastinação pode vir de um perfeccionismo tolo, do desejo perfeição se sobrepondo à de consciência realista de seu dever.

No exercício da autoridade, é pior. Denota a fraqueza, a auto-escusa de suas responsabilidade e, em última análise, a capa de invisibilidade do matreiro traidor.

O silêncio dos bons, expressão histórica de Martin Luther King, os converte em maus.

Mas, no Brasil dos canalhas, onde se celebra o traidor e a traição, o golpe e os golpistas, o abuso e o abusador, tudo pode ser pior.

O Supremo julga hoje um Mandado de Segurança contra decisão da Câmara de emendar a Constituição para estabelecer o parlamentarismo como forma de governo. Ou seja, a abolição das eleições diretas para a eleição de um Presidente que governe, restando apenas para um cargo decorativo.

Aquilo que por duas vezes – e mil, se necessário, faria – o povo brasileiro recusou em plebiscito.

Não é preciso muito para avaliar as consequências disso, basta abrir os olhos e ver o que se passa no parlamento.

É tão absurda e abjeta esta ideia que não se pode dizer que vá passar pelo julgamento de hoje.

Mas quando  o absurdo e a abjeção já se tornaram cena comum e o Supremo se apequena ao ponto de deixar que os crimes se consumem e lave as mãos como Pilatos, o que dizer?

Mas, embora aqueles senhores e senhoras -quase todos conduzidos aos postos que ocupam pelo governo que agora deixam morrer sob o argumento que de escolhe com “desvio de finalidade” (seriam também eles oito “desvios”?) – possam acovardar-se (dói, não é, Ministros?), os brasileiros não são covardes.

Seremos leões, não ratos como os que se atiram ao queijo.

As ruas vão rugir em advertência.

Não queremos a tragédia, mas não viveremos na indignidade.

terça-feira, 12 de abril de 2016

CIRO: COM IMPEACHMENT, QUEM ASSUME É UMA COALIZÃO DE BANDIDOS

Golpistas conquistam 58% dos votos, mas precisam de 66% no plenário; Lula nomeia os líderes da conspiração, assista ao discurso; ministro prevê que impeachment será barrado com 200 votos

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Em discurso na noite desta segunda-feira 11, nos arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, o ex-presidente Lula nomeou os líderes da conspiração que pretende afastar Dilma Rousseff do Planalto: o vice-presidente Michel Temer e outros cinco líderes do PMDB — Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Henrique Eduardo Alves e Moreira Franco.
Foi depois do ato “Cultura pela Democracia”, do qual participaram Chico Buarque e Beth Carvalho, dentre outros.
Milhares de pessoas acompanharam ao vivo a fala do ex-presidente.
Lula afirmou que, apesar de três derrotas em disputas pelo Planalto, nunca tentou o golpe. “Eu perdi em 1989, roubado pela Globo, e fiquei quieto”, relembrou.
Voltou a mencionar a emissora carioca quando falou de empresas offshore que teriam ligação com o triplex atribuído a Lula no Guarujá: “Inventaram um offshore, que depois descobriram que cuidava do triplex dos irmãos Marinho em Paraty”.
É uma referência à empresa Vaincre LLC, baseada em Las Vegas, Nevada. É uma das donas da mansão de concreto com a qual os Marinho negam ter relação. No entanto, conforme denúncia do Viomundo, o nome de uma das herdeiras da Globo, Paula Marinho, aparece em anotações encontradas na sede da empresa panamenha Mossack & Fonseca em São Paulo. Paula, que é filha de João Roberto Marinho, teria pago taxas de manutenção não só da Vaincre LLC, mas de duas outras offshore: A Plus Holdings e Juste International. Em nota oficial, a Globo atribuiu a mansão ao ex-marido dela, Alexandre Chiappetta Azevedo.
Em seu discurso, Lula lembrou que a principal lei que regulamenta a mídia eletrônica no Brasil é de 1962: “Eu quero uma regulamentação que nos livre das mentiras da Veja, da IstoÉ, do Jornal Nacional”.
O ex-presidente também falou como candidato em 2018 ao tratar do aborto: “Eu sou contra o aborto, mas como presidente da República vou tratá-lo como [caso de] saúde pública”. Ele parecia determinado a convocar as mulheres a defender Dilma: “A gente está defendendo a honra das mulheres brasileiras, que sempre foram tratadas como objeto de cama e mesa”.
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A fala do ex-presidente começou logo depois da comissão do impeachment na Câmara dos Deputados ter aprovado o relatório do deputado Jovair Arantes, do PTB de Goiás, por 38 votos a 27.
Em 1992, no impeachment de Collor, lembrou o perfil @charlesnisz no twitter, o resultado foi de 32 a 1.
Sobre o resultado, Lula comentou:
Isso não quer dizer nada. A comissão foi montada pelo Eduardo Cunha.
A deputada Luciana Santos, do PCdoB de Pernambuco, reagiu:
A aprovação do relatório do deputado Jovair Arantes já era esperada. Este relatório teve caráter eminentemente político, não levou em consideração todos os argumentos técnicos e jurídicos que foram apresentados pelo ministro Eduardo Cardozo, da Advocacia Geral da União, e pelos parlamentares que fizeram parte da Comissão. A oposição obteve 58% dos votos na comissão, o mínimo para aprovação no plenário é de 66%. Os defensores do golpe, que tentam a todo custo interromper o mandato da presidenta Dilma Rousseff, precisam, portanto, percorrer um longo caminho para atingir os necessários dois terços do plenário. Assim esse resultado não é decisivo e nem aponta vitória para nenhum dos lados. O quadro geral é de indefinição.
O plenário deve apreciar o relatório no próximo domingo.
O ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner, previu vitória:
A disputa final acontecerá no domingo, dia em que sairemos vitoriosos com mais de 200 votos contrários ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Será a vitória do time que precisava fazer sete gols e fez dois. Pode até comemorar a vitória, mas sabe que não levou porque não corresponde ao que eles precisam no plenário.
IMG_6156Horas antes da votação, vazou ou foi vazado áudio do vice-presidente Michel Temer em que ele ensaia seu discurso já como presidente da República. O ponto principal é a pregação de um governo de união nacional, com a promessa de que não haverá cortes nos programas sociais.
Petistas atacaram o discurso de Temer. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, disse que Temer disputa uma eleição indireta:
Ele está confundindo a apuração de eventual crime de responsabilidade da presidenta Dilma com eleição indireta. Está disputando votos. Esse áudio demonstra as características golpistas do vice. Transformou o processo numa eleição indireta para conseguir votos em favor do impeachment.
Para o principal assessor político de Dilma, Jacques Wagner, se for derrotado domingo Temer deveria renunciar ao cargo de vice:
Se a presidente passar pelo impeachment, o mínimo de coerência, uma vez derrotada a conspiração, é que Temer deveria renunciar. Ele gravou o áudio imaginando estar com a faixa presidencial. O áudio macula a história do Temer. É uma nota triste para democracia brasileira. Não há educação para conspiradores. Conspirador não tem código de ética.
No Facebook, o senador Lindbergh Farias ironizou:
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O blogueiro Antonio Mello lembrou que Joaquim Silvério dos Reis também traiu Tiradentes num 11 de abril, só que em 1789.




Veja o vídeo do discurso de Lula nos Arcos da Lapa;  sugestão de FrancoAtirador nos comentários
Ouça a íntegra da fala de Lula no ato: