Reportagem exibida nesta noite no Jornal Nacional praticamente decreta a morte do governo Temer; o jornal teve acesso às delações da Odebrecht, que revelam que Michel Temer e seus dois principais assessores, Eliseu Padilha e Moreira Franco, estão no bolso da Odebrecht; JN também citou as propinas pagas aos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin; golpe dos corruptos contra a democracia e o povo brasileiro começa a desmoronar; empreiteira deixou claro que as doações via caixa dois tinham como objetivo favores governamentais, ou seja, eram propinas; um dos mais ativos arrecadadores foi Romero Jucá, com R$ 22 milhões; Temer pediu e levou US$ 10 milhões, dos quais US$ 4 milhões teriam sido entregues, em dinheiro, a seu amigo José Yunes, que é tido como seu sócio
247 - O Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu reportagem na noite desta sexta-feira (9), na qual revela detalhes da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, que implica o presidente da República, Michel Temer, seus dois principais assessores, Eliseu Padilha e Moreira Franco, além do líder do governo no Congresso, Romero Jucá, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Eunício Oliveira.
O delator detalhou como repassava dinheiro para o PMDB da Câmara e do Senado. Segundo ele, Jucá era o seu principal contato com o PMDB do Senado. O dinheiro era passado ao partido tanto em contribuição oficial ou por caixa 2. Ele disse que repassou mais de R$ 22 milhões a Jucá.
O dinheiro para a Câmara era passado via Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha. Cláudio Melo citou um jantar, em maio de 2014, no qual Temer pediu diretamente a Marcelo Odebrecht dinheiro para campanha eleitoral. O ex-executivo afirmou que parte de um valor prometido pela construtora ao PMDB na campanha eleitoral de 2014 foi entregue em dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e assessor do presidente Michel Temer. O delator disse que o montante fazia parte do valor de 10 milhões de dólares que havia sido prometido por Marcelo Odebrecht, ao PMDB, em 2014.
De acordo com o delator, o caixa 2 sempre teve como objetivo a obtenção de vantagens para a empresa, ou seja propina. O 247 noticiou o caso mais cedo (aqui). O JN informou que noticiará o caso, com mais detalhes, nos seus próximos telejornais.
Tucanos
O JN também noticiou as delações da Odebrecht sobre o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que foi notícia da Folha hoje (aqui). A Odebrecht afirmou que pagou caixa dois em dinheiro vivo para as campanhas de 2010 e 2014 do tucano. Um dos executivos que delataram o esquema foi Carlos Armando Paschoal, o CAP, ex-diretor da Odebrecht em São Paulo e que também fez afirmações sobre o repasse de R$ 23 milhões via caixa dois para a campanha presidencial de 2010 de José Serra (relembre aqui).
Em
Brasília há um panteão dos heróis nacionais. Lá estão gravados os nomes
de Zumbi, Sepé Tiaraju, Tiradentes, Anita Garibaldi, dentre outros. Não
duvido de que um dia os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma
Rousseff lá estarão.
Mas
seria bom, a partir deste 31 de agosto de 2016, quando se consumou o
golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, que se
erigisse ao lado um… bem, não um panteão, mas sim um Hall da Infâmia, já
que todos e todas que perpetraram este golpe são americanófilos e,
portanto, este nome lhes cai melhor.
O
patrono deste Hall é Joaquim Silvério dos Reis, na boa companhia de
Carlos Lacerda, Café Filho, Rainieri Mazzili e Auro de Moura Andrade,
além de todos os signatários do Ato Institucional no. 5, Carlos Alberto
Brilhante Ustra, só para começar.
Bem,
vai ser impossível designar aqui todos os candidatos a terem seus nomes
e fotos, em posições infames, inscritos neste Hall da Infâmia. Além
disto, cuidado! Não basta ter praticado algum ato infame para adentrar
este valhacouto ou covil. É necessário haver um devido processo, que
prove o requinte da infâmia. A seguir, portanto, tratarei apenas de
alguns dos infames declarados, e de alguns outros que são bons
candidatos a terem seu nome perpetuado neste Hall.
Para
começar, descartemos os infames de segunda categoria. Por exemplo: a
caterva de promotores menores, policiais federais, juízes e juízas de
nenhuma relevância, que ajudam o golpe, com milhares de coxinhas idiotas
que foram às ruas achando que estavam lutando para acabar com a
corrupção, ou mesmo de má fé, defendendo a volta da ditadura, por
exemplo. Estes e estas serviriam no máximo para serem incluídos no
tapete de entrada do Hall, pisados e repisados pelos pés dos visitantes
que, na entrada, passariam por um portal da lama para carregá-la
adentro, enlameando os nomes ali eternizados.
Também
eliminemos os concorrentes à Comenda Pôncio Pilatos, como os ministros e
ministras do Supremo Tribunal Federal que sistematicamente se negaram a
se pronunciar - pelo menos até agora - sobre o mérito de um processo
injusto, vazio e iníquo, no estilo daquele que condenou Joana d’Arc à
fogueira. Seu destino seria terem seus nomes e fotos eternizados em
placas de metal que ficariam gravitando em torno do Hall, nele impedidos
de entrar, assim como os omissos, no Inferno de Dante, correm sem parar
junto à sua porta perseguidos por enxames de vespas, moscas, mosquitos,
pernilongos que se saciam na sua carne apodrecente.
Não, no Hall da Infâmia entrarão apenas os eleitos, o supra-sumo da malfeitoria.
Para
começar, lá estarão, desprovidos de dedos, palmas e punhos, com os
braços interligados, apodrecendo juntos por toda a eternidade, Cunha,
Temer e Renan Calheiros. No seu centro, com os olhos na nuca, pois só
pode ver o passado, estará Meirelles, este exterminador do futuro, da
infância e da juventude de nosso país, com seu plano nefasto e nefando
de impedir investimentos em educação e saúde, e outras áreas sociais.
Logo a seguir virá o chanceler José Shell (antes conhecido como Serra
Chevron), com uma peculiaridade: ao invés de mãos terá cascos de cavalo e
em lugar dos pés, patas de rinoceronte. Ao abrir a boca, só sairão dela
bombas de fragmentação, ferindo seus companheiros de Hall, ungido pela
destruição não apenas da política externa independente e altiva de seus
antecessores imediatos, mas também da laboriosa tradição construída
desde Alexandre de Gusmão e os dois Rio Branco, o Visconde e o Barão.
Na
ala da idiotice contumaz estará reinando o senador Aécio Neves, por
declarar que com o golpe perpetrado a Brasil redescobriu a democracia e
recuperou o respeito internacional, quando é exatamente o contrário que
se dá. Terá os olhos e os ouvidos permanentemente tapados, pois assim
agiu neste e em outros momentos.
Já
na ala da hipocrisia e mentira se encontrarão os diretores e arautos da
mídia conservadora, Estadão, Globo, Veja, Folha de S. Paulo, Zero Hora,
Isto É e outros e outras, tendo suas línguas distendidas
permanentemente esfregadas com sabão de sebo cru.
Ao
lado deles, o juiz Gilmar Mendes terá as pálpebras permanentemente
abertas, sem nunca poder fecha-las, condenado, como diz São Tomás de
Aquino, a um choro sem lágrimas e a um soluçar silencioso. Ao tentar
gritar, nenhum som sairá de sua boca, somente um hálito fétido que
empestará a respiração dos demais eleitos do Hall.
Haverá muito mais neste Hall da Infâmia. Convido leitoras e leitores a soltar a imaginação.
Mas há ainda os candidatos que deverão passar pelo crivo de serem examinados em processo.
Por
exemplo, cito alguns casos. Primeiro, o juiz Sérgio Moro. Sabe-se que
se ele atuasse nos Estados Unidos, país que tanto ama, e fizesse o que
vem fazendo, já teria perdido o cargo. É um caso a ser estudado.
Trata-se de paranoia ou mistificação? Com a palavra os psicanalistas e
juristas do futuro. Idem, o caso da trinca Janaína Paschoal, Reale
Júnior e Helio Bicudo. Afinal, a primeira se vendeu por quarenta e cinco
mil dinheiros. É muito pouco. E os demais? Ganharam mais, menos, ou
apenas cederam perante a vaidade e a glória? O mesmo se pode dizer de
agentes de segunda mão, como Cristovam, Marta, Romário, Anastasia…
Seriam farsantes apenas?
Outro a ser estudado é o general Etchegoyen. Estará à altura dos seus antepassados conspiradores e golpistas?
Caso sejam reprovados nos devidos exames, ficarão no tapete de entrada, com os ajudantes do golpe, enlameados como os demais.
Questionada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-RN), a
presidente Dilma Rousseff teve um dos momentos altos do debate na sua
resposta; Cunha Lima havia feito uma homenagem a representantes do
Movimento Brasil Livre e disse que o impeachment nasceu das ruas, não de
uma conspiração do Congresso; "Não sejamos ingênuos, senador, todos nós
sabemos que esse processo nasceu de uma vingança do senhor Eduardo
Cunha, a quem vocês se aliaram. E disso devem se envergonhar", disse
Dilma; "E a ironia é que eu estou aqui nessa etapa não sendo julgada nem
por corrupção, nem por lavagem de dinheiro como esse personagem
notório"; Dilma lembrou ainda que alguns dos líderes dos protestos foram
"esfuziantes" em tirar fotos ao lado de Cunha, que ainda não foi
julgado
29 de Agosto de 2016
247 – A resposta da
presidente eleita Dilma Rousseff ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
foi um dos pontos altos da sessão desta segunda-feira no Senado.
Cunha Lima havia feito uma homenagem
a representantes do Movimento Brasil Livre e disse que o impeachment
nasceu das ruas, não de uma conspiração do Congresso.
"Não sejamos ingênuos, senador,
todos nós sabemos que esse processo nasceu de uma vingança do senhor
Eduardo Cunha, a quem vocês se aliaram. E disso devem se envergonhar",
disse Dilma. "E a ironia é que eu estou aqui nessa etapa não sendo
julgada nem por corrupção, nem por lavagem de dinheiro como esse
personagem notório."
Dilma lembrou ainda que alguns dos
líderes dos protestos foram "esfuziantes" em tirar fotos ao lado de
Cunha, que ainda não foi julgado.
Leia, ainda, reportagem da Reuters, sobre o embate entre Dilma e Aécio Neves:
BRASÍLIA (Reuters) -
A presidente afastada Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que não é
possível sair da crise sem cooperação entre os Poderes, após ser
questionada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre sua
responsabilidade pela recessão atual.
Dilma afirmou que a eleição do
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara criou
"situação complexa" para seu governo, com rejeição ou aprovação parcial
de medidas fiscais propostas para reverter a crise.
Também citou o ambiente externo, com
os Estados Unidos iniciando a política de elevação dos juros e a China
enfrentando desaceleração, para justificar o cenário econômico.
Dilma disse ainda acreditar no
"direito sagrado" da oposição de defender uma política contrária à da
situação, mas destacou não poder compactuar com uma postura de "quanto
pior melhor".
Em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo, o economista
Carlos Fernandes diz que "a única coisa mais afrontosa que Eduardo
Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas, Michel Temer na
presidência da República"; "Se ainda resta a Cunha o discurso de ter
chegado à presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode
alegar. A ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se
aprofunda à medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo
isso", afirma
247 – Em um artigo publicado no Diário do Centro do
Mundo, o economista Carlos Fernandes prevê que o presidente interino,
Michel Temer, terá um fim ainda pior que o de Eduardo Cunha, que
anunciou ontem sua renúncia à presidência da Câmara. "A única coisa mais
afrontosa que Eduardo Cunha na presidência da Câmara é, sem dúvidas,
Michel Temer na presidência da República", diz ele.
Para Fernandes, "se ainda resta a Cunha o discurso de ter chegado à
presidência da Câmara pela via dos votos, nem isso Temer pode alegar. A
ilegalidade de sua presidência é ainda mais aviltante e se aprofunda à
medida que se aprofunda a ruína de quem deu início a tudo isso".
"Humilhado, Eduardo Cunha saiu da presidência que tanto sonhou
através de uma carta de renúncia ridícula que nada mais fez do que
retratar toda a tragédia que foi a sua gestão. Michel Temer terá,
independente do que aconteça no Senado, um desfecho ainda pior",
conclui.
Preso por golpe contra o Banco do Brasil, Ruy Muniz enganou eleitores dizendo que foi por “resistência à ditadura”; vejam o vídeo
por Conceição Lemes
A hipocrisia despudorada da deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG), na sessão da Câmara de 17 de abril de 2016, jamais será esquecida.
Ao proferir o 303º voto a favor da abertura do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, a saltitante parlamentar afirmou:
“Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-251. É para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão.
O meu voto é por Tiago, David, Gabriel, Mateus, minha neta Júlia, minha mãe Elza. Meu voto é pelo Norte de Minas, é por Montes Claros, é por Minas Gerais, meu voto é pelo Brasil.
Sim, sim, sim, sim, sim, sim…”
Foram 35 segundos de glória, que, menos de 12 horas depois, desabaram nas páginas policiais.
O prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB), que é seu marido, foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã da última segunda-feira, 18 de abril, na operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde. Além de Ruy Muniz, foi presa a secretária de Saúde do município, Ana Paula Nascimento.
Ruy Adriano Borges Muniz e Ana Paula Nascimento são acusados de fraude na gestão pública de Saúde.
Eles teriam retido recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados a quatro hospitais filantrópicos e públicos da região, para beneficiar um privado, o Hospital das Clínicas “Mário Ribeiro”, que é do prefeito.
Na coletiva de imprensa após a prisão, os delegados da PFdisseram que:
* o prefeito denegria a imagem de hospitais públicos e filantrópicos da região, inclusive utilizando veículos de comunicação da região, para favorecer o seu hospital;
* ele [o prefeito] alegava que os hospitais devidamente credenciados e que deveriam receber repasses não estavam cumprindo os requisitos básicos e exigências da lei para que os recursos fossem repassados. Ao invés de adotar outras medidas para que o serviço fosse prestado da forma adequada, sem sacrificar a saúde financeira do hospital, ele simplesmente não repassava o recurso e deixava que as unidades passassem dificuldades e não conseguissem atender a demanda da sociedade. Foi identificado que em alguns casos, recursos provenientes do SUS estavam sendo desviados em detrimento dos hospitais credenciados para favorecer um hospital particular;
* o município reteve R$ 16,5 milhões, que seriam destinados as quatro unidades hospitalares, e que atendem mais de 1,6 milhão de pessoas por mês e que, portanto, foram afetadas. Segundo as investigações, apenas em outubro de 2015, 37 mil procedimentos deixaram de ser feitos.
Ruy Muniz deve responder pelos crimes de falsidade ideológica majorada, dispensa indevida de licitação pública, estelionato majorado, prevaricação e peculato. Pode pegar até 30 anos de cadeia.
“Mais um moralista sem moral”, detona o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). “A fama do Ruy Muniz é de corrupto; ele não tem currículo, tem ficha corrida.”
O jornalista Luís Carlos Gusmão, do blog Em cima da notícia, de Montes Claros, denuncia aoViomundo: “O Ruy Muniz vive praticando golpes. O primeiro, em 1987, foi o roubo do Banco do Brasil; ficou preso durante 14 meses”.
O GOLPE CONTRA O BANCO DO BRASIL: R$ 12 MILHÕES EM VALORES ATUAIS
A atual prisão é a segunda na vida de Ruy Muniz. A primeira foi, mesmo, em 1987.
O golpe aconteceu em 4 de maio de 1987. Resultou num desfalque de Cz$ 39,45 milhões (a moeda da época era o cruzado).
Em valores atuais seriam R$12 milhões.
Ruy Muniz, então com 27 anos e estudante de Medicina, e o bancário Setembrino Lopes Filho, arquitetaram e executaram o crime.
Naquela época, os pagamentos de prefeituras que tinham conta no Banco do Brasil eram autorizados por mensagem de telex. A prefeitura encaminhava um telex com sua senha e o banco realizava o pagamento.
Setembrino Lopes, que era funcionário do Banco do Brasil, conseguiu a senha da Prefeitura de Janaúba, município também no Norte de Minas.
Matéria de O Jornal, de Montes Claros, de 16 e 17 maio de 1987, dá detalhes. Segue um trecho:
Segundo o secretário de Segurança Pública, Sidney Safe da Silveira, o golpe começou quando Setembrino Lopes Filho conseguiu a chave secreta para liberação de ordem de pagamento da Prefeitura de Janaúba, no Banco do Brasil, número que varia diariamente.
A quadrilha alugou, então, um telex e, através dele, remeteu, no dia quatro de maio, ordem de pagamento usando o indicativo do Banco do Brasil de Janaúba para a agência da Savassi, em Belo Horizonte, para que fosse liberado o dinheiro para Luiz Roberto de Souza Marques; nome falso com o qual Ruy Muniz abriu conta em agência do Banco Real, na capital.
Quando a ordem chegou, o médicofoi ao banco da Savassi, com a identidade falsa, e de lá mesmo liberou “DOC” para sua conta no Banco Real.
Posteriormente, os membros da quadrilha dividiram o dinheiro em várias parcelas que foram aplicadas em diversos bancos de investimentos. Eles receberam desses bancos cheques endossados com os quais começaram a comprar dólares ao que seria a terceira fase da “lavagem” do dinheiro, após o que seria impossível localizar os criminosos.
Em um vídeo para a campanha a prefeito de 2012, Ruy deu sua versão do caso.
Disse que o golpe contra o BB tinha sido uma “ideia romântica de tirar dinheiro do governo de direita para ajudar os pobres”, foi “em nome de ideal”.
A narradora diz que “Ruy virou preso político e foi levado para um dos mais tenebrosos símbolos da ditadura”.
Contando apenas, é impossível acreditar. Ruy aposta na falta de memória e na desinformação dos eleitores em relação a esse período da história do Brasil. Abusa da boa fé deles.
O vídeo foi publicado no YouTube por um militante político, que se identifica como participante da resistência à ditadura militar, na década de 70, “indignado com as mentiras descaradas” do então candidato a prefeito Ruy Muniz.
Assista:
ESTELIONATÁRIO, SIM. PRESO POLÍTICO, NÃO.
“Essa história de preso político é a maior lorota. Foi a versão que o Ruy usou no calor do debate eleitoral para justificar o roubo do Banco do Brasil”, afirma Luís Carlos Gusmão. “Sua prisão não teve nada a ver com questões ideológicas.”
Ruy aplicou o golpe contra o BB em maio de 1987. A ditadura militar (1964 a 1985) já havia acabado. Um civil, José Sarney, estava na presidência da República.
Junto com vídeo, o militante político postou a seguinte mensagem:
Você, telespectador, acredita mesmo que Ruy Adriano Borges Muniz roubou para dar dinheiro aos pobres? Ou para combater a ditadura? Pois devia saber que o fato narrado (roubo do Banco do Brasil) na realidade ocorreu em 1987, quando a ditadura já havia acabado. Ruy Muniz, empresário do rendoso mercado da educação privada, está menosprezando o conhecimento de história do Brasil dos montesclarenses.
Como militante político que participou da resistência à ditadura militar, na década de 70, eu fico indignado com mentiras descaradas como esta deste autointitulado “ex-esquerdista romântico” que deu um golpe financeiro “para dar aos pobres”.
Os assaltos a bancos para financiar guerrilhas na luta contra a ditadura eram feitos por organizações políticas de esquerda. Isto aconteceu, de 1969 até meados de 1973. Os métodos podem ser questionados, mas jamais sua finalidade.
É esta confusão que o “profe$$or” quer fazer!
Quer estar no mesmo patamar daqueles que arriscaram ou deram a vida pelas liberdades democráticas. É totalmente diferente do desfalque de 1,34 milhão de dólares no Banco do Brasil, acontecido em 04 de maio de 1987, nas agências de Janaúba e Savassi, de BH.
Este foi um ato de um bandido de colarinho branco e seus 2 comparsas, para benefícios próprios. Ruy foi preso e confessou o crime. Não fez uma declaração sobre luta política. Até porque o Brasil vivia um momento de redemocratização, de debate da nova Constituição, promulgada em outubro de 1988.
Ele não conseguiria enganar ninguém. Ruy foi condenado, não como prisioneiro político como aqueles que lutaram contra a ditadura. Foi preso como estelionatário comum, pelo DOPS.
Através de mexidas políticas foi transferido para a cadeia de Montes Claros e posteriormente libertado, algum tempo depois, com o abatimento de alguns anos do que deveria passar na cadeia.
Coisas da (in)justiça brasileira.
– E o PT, o Lula, o que tem a ver com a história do golpe contra o BB? – quem assistiu ao vídeo deve estar se perguntando.
Nada. Nada. Nada.
Só que, malandramente, Ruy começa a sua fala no vídeo mencionando o Partido dos Trabalhadores e Lula. Uma tentativa óbvia de levar o eleitor incauto a crer que o golpe se deu na época em que ele estava no PT.
Por isso, aos fatos:
* Ruy ficou no PT pouco mais de um ano. Em 1982, lançou-se candidato à Prefeitura de Montes Claros e perdeu.
* No final de 1983, foi expulso. “Ele não se enquadrava no perfil do partido, naquela época mais à esquerda, linha definida por integrantes de pastorais da Igreja Católica”, afirma o blogueiro Gusmão.
* Ou seja, quando aplicou o golpe no BB, ele não tinha nada a ver com o PT há mais de três anos.
De lá para cá, Ruy já passeou pelo PDT, DEM, PRB e agora está no PSB:
* Em 1986, Ruy foi candidato a deputado estadual pelo PDT, mas não se elegeu.
* Em 2004, ele se filiou ao PFL, hoje Democratas (DEM), pelo qual se candidatou a vereador e foi eleito. Acusado de compra de votos, teve seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral. Decisão posteriormente revertida.
* Em 2006, foi eleito deputado estadual, também com a acusação de compra de votos.
* Em 2008, candidatou-se a prefeito de Montes Claros, mas acabou derrotado.
* Em 2009, voltou a ocupar a cadeira de deputado estadual. Foi eleito líder do DEM na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
* Em 2010, candidatou-se a deputado federal, ficando na quarta suplência do DEM.
* Em 2011, deixou o DEM e filiou-se ao PRB, do qual foi presidente regional.
* Em 2012, foi eleito prefeito de Montes Claros pelo PRB, partido que trocou recentemente pelo PSB.
Ruy Muniz é frequentemente apresentado como empresário da educação. Ele é dono da Funorte, Faculdades Unidas do Norte de Minas, a partir da qual expandiu seus interesses no ramo.
É um dos investidores na Universidade Santa Úrsula, do Rio de Janeiro.
O prefeito preso também é dono do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte.
“O RUY FAZIA E ACONTECIA E NADA OCORRIA COM ELE”
Ruy Muniz completará 56 anos no dia 2 de maio de 2016. A ficha corrida de suas burlas da lei ao longo da vida é grande.
O Viomundo não endossa o conteúdo de links que reproduz na Galeria dos Hipócritas, por não ter checado as informações neles constantes. Os reproduzidos abaixo são para facilitar o trabalho de investigação colaborativa com nossos leitores.
Trabalhamos com documentos oficiais sustentados por entrevistas. No pé deste post, você pode ver a denúncia completa e oficial contra Ruy no caso que o levou à cadeia pela segunda vez.
Agora, é fato. Está amplamente demonstrado que houve hipocrisia na declaração da esposa dele, a deputada Raquel: o modo de o marido dela governar Montes Claros não é demonstração de que o Brasil “tem jeito”.
Um único deputado estadual pode ter desviado dos cofres públicos mais de R$ 100 milhões nos últimos dez anos. Ruy Muniz (DEM) é suspeito de ter montado um esquema criminoso que utiliza da filantropia em benefício próprio e de familiares. Em sigilo, a Polícia Federal (PF), a Receita Federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Controladoria Geral da União (CGU) estão fazendo uma devassa nas empresas do deputado. Muniz nega a acusação e se diz vítima de uma perseguição política, já que é candidato à Prefeitura de Montes Claros.
O TEMPO teve acesso a documentos das investigações que mostram fortes indícios de envolvimento de Muniz. O esquema que ele teria montado tem ramificações em 22 Estados e tem como eixo a Associação Educativa do Brasil (Soebras). A entidade é filantrópica e mantém filiais espalhadas pelo país. Entre as instituições pertencentes à Soebras estão o Promove, a faculdade Kennedy e o Instituto Hilton Rocha.
Todas as investigações das autoridades foram baseadas em auditorias realizadas pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) na Soebras. Os relatórios da Previdência e os inquéritos da PF mostram que Muniz utilizava a entidade filantrópica para sonegar impostos, desviar recursos públicos, fraudar licitações e cometer crimes eleitorais. Ele responde ou respondeu, por meio de suas empresas, a mais de 200 processos judiciais e é investigado em cinco inquéritos da PF — sendo que em um deles já foi indiciado. Integrantes das equipes de investigação estão convencidos de que Ruy Muniz estaria preso se não fosse o foro privilegiado que o protege, já que é deputado estadual.
Por ser uma entidade filantrópica, a Soebras está isenta do pagamento de impostos federais, estaduais e municipais conforme prevê o artigo 55 da lei 8.212/91. De acordo com as investigações, Ruy Muniz incluía na contabilidade da instituição várias empresas das quais é dono para sonegar os tributos que elas deveriam pagar. Ou seja, funcionários das empresas particulares de Muniz estariam recebendo pela Soebras. A entidade é suspeita ainda de ter contratado empresas ligadas a Muniz para a prestação de serviços que não teriam sido prestados. O deputado também é acusado de ter firmado convênios com o governo federal sem licitação ou com processo licitatório suspeito e de não ter comprovado alguns dos serviços prestados.
A Soebras é dirigida por Muniz e familiares, entre eles um irmão e sua esposa. A entidade não poderia ter um dono, de acordo com a Constituição Federal, por ser filantrópica.
Ruy Muniz, ao depor na CPI das Universidades Privadas, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a “má gestão” das universidades privadas Sociedade Unificada de Ensino Superior e Cultura (Suesc), Cândido Mendes, Gama Filho e UniverCidade, pediu o indiciamento de seis pessoas. O documento foi votado e aprovado nesta quinta-feira (18) na Alerj e será levado ao Congresso Nacional. (…)
Dentre os indiciados estão Candido Mendes e Alexandre Kazé, da Universidade Candido Mendes (Ucam), Márcio André Mendes Costa (ex-controlador do Grupo Galileo, que administrou a UniverCidade e a Gama Filho entre 2010 e 2012), Rui Muniz, da Universidade Santa Úrsula, e Igor Xavier e Rodrigo Calvo Galindo, do Grupo Kroton, que administravam a Sociedade Unificada de Ensino Superior e Cultura (Suesc).
“A importação se dirigia a um grupo de empresas que atua sobre as vestes da filantropia, mas com propósito de extrair lucros e de promoção social de seus gestores de fato”, disse o procurador geral da república, Marcelo Malheiros, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (14), sobre a apreensão de equipamentos médicos supostamente comprados pelas associações sem fins lucrativos, Amas Brasil e Soebras. Os bens beneficiariam o grupo empresarial do prefeito Ruy Muniz e da esposa dele, deputada federal Raquel Muniz.
Os equipamentos, importados da Alemanha, são avaliados em R$ 9 milhões e estão retidos no Porto de Santos. O delegado da RFB [Receita Federal do Brasil], Gilmar Silva, explica que para que seja feita a importação toda empresa precisa estar habilitada no Sistema de Comércio Exterior, e, para comprar os bens, foi feito um pedido em nome da Amas, no valor de U$ 150 mil. Em tese, a entidade estaria livre de tributos por estar ligada à Prefeitura. Posteriormente, houve outro pedido, de valor ilimitado, com a justificativa de que a associação pegaria um empréstimo com a Soebras. (…)
Para o MPF, Ruy e Raquel utilizaram dos cargos públicos para “pressionar, intimidar e violar competências legais de auditores fiscais da Receita Federal. Com isso, objetivavam, de modo ilegítimo, facilitar e promover seus interesses econômicos”, por isso ambos respondem por ação de improbidade administrativa(…)
Os equipamentos apreendidos podem ter três destinos; leilão, doação ou incorporação ao patrimônio público.
Em nota, Ruy e Raquel Muniz negaram que sejam importadores dos equipamentos e disseram que a aquisição foi requerida pela Amas e Soebras. Informaram que as associações irão recorrer, assim que forem intimadas.
“A Amas/Soebras entrará com ação contra o delegado da Receita Federal por induzir a juíza ao erro. Outra ação será a denúncia do mesmo à Superintendência da Receita Federal. Quererem prejudicar uma entidade sem fins lucrativos, que trabalha sério em prol da educação e da saúde de Montes Clarose região”, diz a nota.
Quaisquer informação e/ou documentos aos quais nossos leitores tiverem acesso nos casos acima mencionados podem ser enviados por e-mail para galeriahipocritas@gmail.com. Agradecemos a colaboração.
SITUAÇÃO ELEITORAL COMPLICADA
A situação judicial da nobre deputada federal Raquel Muniz, esposa de Ruy, também é complicada.
Como nós já publicamos aqui, a Procuradoria Eleitoral do MPF de Minas Gerais pediu a cassação do registro ou do diploma de Raquel alegando “abuso de autoridade e de poder político, com uso da máquina administrativa em benefício de sua candidatura”. Ela e o marido correm o risco de se tornar inelegíveis por 8 anos devido a esse crime eleitoral.
Segundo a denúncia, Ruy montou esquema de captação de votos para a candidatura da mulher em 2014 prestando favores a pacientes de cidades distantes de Montes Claros, que não poderiam ser atendidos diretamente no sistema público de saúde do município. Teria sido uma espécie de fura-fila médico para garantir votos à esposa.
“Eu nunca imaginei que o prefeito acabasse preso. Até agora, o Ruy fazia e acontecia e nada ocorria com ele. Além disso, gozava de regalias com pessoas próximas da Polícia Federal”, observa o blogueiro Gusmão.
“Por exemplo, o atual corregedor da Prefeitura de Montes Claros é Geraldo Guimarães, delegado da PF aposentado recentemente. O secretário adjunto de Esportes, Antônio Eustáquio Gomes, o Toninho da Cowan, é sogro do atual delegado da Polícia Federal, o doutor Marcelo de Freitas. Sem falar no vereador Cláudio Prates, escrivão de Polícia Federal, aliado do prefeito Ruy Muniz.”
PS 1 do Viomundo: Diferentemente do que disse O Jornal, de Montes Claros, Ruy Muniz era estudante de Medicina em 1987, quando aplicou o golpe contra o BB, e não médico. Pesquisa no portal do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRMEMG) revela que a inscrição dele na instituição como médico se deu em 1989. Em 2006, ela foi cancelada, não podendo mais exercer a medicina.
PS 2 do Viomundo: A Soebras é a entidade filantrópica do prefeito Ruy Muniz e da deputada federal Raquel Muniz envolvida nos escândalos. Entre os bens patrimoniais da instituição, constam três aeronaves — bimotor Sêneca, jatinho Embraer Phenom e um helicóptero Robinson 66.
Abaixo, foto do interior de uma dessas aeronaves durante viagem a Minas Gerais. À bordo, o presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a deputada Raquel Muniz. Ela (com a sua indefectível gravatinha) aparece atrás dele. Há suspeitas de que o jatinho teria sido usado para levar parlamentares para votar pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Jovair Arantes (PTB-GO) levanta o braço do aliado, o presidente do Atlético Goianiense, acusado de mandar matar jornalista; Afonso Hamm (PP-RS), da bancada ruralista, deve ser o primeiro a votar pelo impeachment de Dilma Rousseff: ele é acusado de receber propina no esquema investigado pela Lava Jato
Da Redação
O Brasil está a caminho de um momento sui generis: um golpe midiático-parlamentar liderado por gatunos.
A hora é de guerra de nervos. A saída oficial do PP da base do governo Dilma é um duro golpe, mas não irreversível. É possível pescar alguns votos no partido, ou ao menos ausências.
É tarefa da oposição chegar aos 342 votos. Os cálculos conservadores são de que teria chegado aos 300. Do lado governista, falava-se na segunda-feira em 190 votos contra — são necessários 170.
Temer se diz “preparado” para assumir. Tem ao seu lado vantagens que não são desprezíveis:
— Pode oferecer, ainda que sem poder cumprir, “impunidade”. E a perspectiva de impunidade agrada ao baixo clero. O PP é o partido com o maior número de parlamentares sob investigação na Lava Jato. São 31 ao todo.
— Temer tem trabalhando ao lado dele, nos bastidores, o homem que é o maior símbolo da impunidade hoje no Brasil: Eduardo Cunha. Cunha opera com a garantia de que não perderá o mandato. Tem centenas de parlamentares como “devedores”. Basta analisar os documentos da contabilidade paralela da Odebrechet, aqueles que o Jornal Nacional desconheceu por “falta de tempo”: Cunha montou sua bancada em vários partidos com dinheiro da empreiteira. Ainda que formalmente deixe a presidência da Câmara, será homem forte nos bastidores. Trabalhando pela própria impunidade e a dos aliados.
— Temer tem o apoio da Globo, da Fiesp e do mercado. Como notou Mário Magalhães, no áudio em que ensaiou seu discurso de posse, Temer falou em “sacrifícios”, mas nenhuma vez em corrupção. Se assumir, é óbvio que a esquerda e os movimentos sociais serão acusados pela Globo de atentar contra a estabilidade. Será em nome dela que surgirão cobranças para por fim à Lava Jato.
— Foi Cunha quem definiu o rito do impeachment, a seu bel prazer. Marcou a decisão para um domingo, com garantia de transmissão ao vivo pela Globo. Cunha jogou os deputados do Nordeste para o final da votação. Colocou os do Sul em primeiro, para criar a sensação de avalanche. Por isso o sorridente Hamm, da foto acima, será o primeiro a votar contra Dilma em nome de extirpar a corrupção — justamente ele, que é acusado de receber propina no esquema da Petrobras.
Notem o espetáculo que Hamm e Jovair Arantes, o relator do impeachment escolhido pela turma de Cunha, oferecem neste vídeo:
Jovair condenou Dilma em seu relatório, mas não tem tanta certeza quando se trata de seu amigo Maurício Sampaio, o presidente do Atlético Goianiense, que foi preso como mandante do assassinato de um jornalista em Goiás.
“Não é meu papel defender ou acusar ninguém, mas acho sim que ele é inocente”, afirmou Jovair a respeito do homem de quem aparece levantando o braço.
Jovair publicou, no jornal O Popular, um artigo em tratou de seu relatório:
“O impeachment é necessário para que se resgate a credibilidade das instituições, para que a impunidade deixe de ser regra em crimes contra o patrimônio público e para que a ameaça à governabilidade não cause novos e irreparáveis danos à economia, já paralisada. Para que o Brasil conquiste espaço no noticiário internacional não em função dos escândalos de corrupção, mas pela punição imputada a quem os protagonizou.”
No texto está claro que ele defende “punição” para os que protagonizaram os escândalos de corrupção. Ele inclui punição a Afonso Hamm, seu leal colaborador no processo de impeachment, que está no rol dos deputados do PP acusados de levar propina?
Talvez ele queira repetir o que disse sobre Maurício Sampaio:
“Não é meu papel defender ou acusar ninguém, mas acho sim que ele é inocente”.
Já o filho do jornalista Valério Luiz não tem qualquer dúvida de que Maurício Sampaio, o parceiro de Jovair Arantes, mandou matar seu pai. Temos, assim, um microcosmo do golpe:
O deputado Jovair Arantes, de Goiás, é um dos principais generais do baixo clero, aquele exército de parlamentares de atuação inexpressiva no plenário, mas de apetite pantagruélico por benesses pagas com verbas públicas.
Político experiente, com cinco mandatos de deputado federal no currículo, líder do PTB e presença constante em reuniões no Planalto nas quais é discutida a pauta do Congresso, Jovair se destaca pela luta incansável por cargos e emendas.
Essa obstinação lhe rendeu a simpatia dos colegas e embala os sonhos dele de chegar à presidência da Casa ou ser escolhido ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de tais sonhos não se terem realizado, Jovair nem de longe é um fracassado. Muito pelo contrário.
Braço direito do presidente do PTB, o mensaleiro Roberto Jefferson, o deputado é responsável pela indicação e avalista da nomeação do chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
As indicações para cargos são praxe nos regimes presidencialistas em que o governo é apoiado por uma aliança de partidos, como ocorre no Brasil. Fazem parte do jogo — desde que, é claro, não sejam usadas para que políticos e legendas enriqueçam ou se financiem à custa do contribuinte. E é essa justamente a suspeita que pesa sobre Jovair Arantes.
No escândalo que derrubou Wagner Rossi do Ministério da Agricultura, o líder petebista foi apontado como sócio de um consórcio montado em parceria com o PMDB para desviar dinheiro da Conab, estatal com orçamento anual de 6 bilhões de reais chefiada desde o ano passado por Evangevaldo Moreira, seu homem de confiança há mais de uma década.
Jovair também já foi investigado por envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, que desviava dinheiro destinado à compra de ambulâncias, e, mais recentemente, teve seu nome relacionado às fraudes com dinheiro de emendas do Ministério do Turismo.
Isso sem falar nas denúncias que envolvem os órgãos controlados por seus apadrinhados no governo estadual de Goiás, que costuma apoiar sempre, qualquer que seja o governador. Trata-se, portanto, de um personagem recorrente da crônica político-policial.
Agora, o líder do PTB na Câmara é acusado por um ex-aliado de cobrar propina — descaradamente — para chancelar suas indicações. Quem acusa é Osmar Pires Martins Júnior, ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia e presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente até 2006.
Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. “O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público”, escreveu.
Ex-filiado ao PT, rompido com o grupo de Jovair por causa das conveniências políticas locais, Osmar Pires diz que o portador da proposta milionária foi justamente Evangevaldo Moreira — aquele que Jovair empurrou goela abaixo do governo federal e aboletou há um ano na presidência da poderosa Conab, onde permanece apesar da faxina no Ministério da Agricultura.
O autor da acusação, ao que tudo indica, sabe do que está falando: ele próprio é alvo de quinze processos por malfeitos cometidos no serviço público. Por se tratar de uma suspeita de crime envolvendo um deputado federal, detentor de foro privilegiado, o Ministério Público de Goiás vai enviar os papéis para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Procurado por VEJA, primeiro Jovair Arantes disse conhecer bem Osmar Pires e teceu elogios ao ex-companheiro: “A gente vive na mesma cidade. Não temos amizade pessoal, de frequentar um a casa do outro, mas o conheço bem. É um quadro muito qualificado, um gestor competente, conhecedor profundo da gestão ambiental e uma pessoa de bem”.
Informado da acusação, de repente ele mudou de tom: “Cada um fala o que quer. Se fez isso, agiu indevidamente e deve responder por isso”.
Evangevaldo negou que tenha sido o portador da proposta. “Nunca conversei isso com esse moço”, disse.
Ao contrário de seu padrinho político, o presidente da Conab tentou desqualificar o denunciante: “Ele foi afastado da agência porque responde a vários processos. Uma pessoa assim não pode ter credibilidade para fazer denúncia contra ninguém”.
Na ocasião do suposto pedido, Evangevaldo, ou Vange para os amigos, era o diretor financeiro da agência, especialmente interessante aos políticos por seu poder de autorizar ou proibir grandes empreendimentos. Ele ocupava o posto por indicação de Jovair, claro.
Aliás, Evangevaldo sempre é o homem escolhido por Jovair para ocupar os cargos relevantes que lhe são disponibilizados. A Conab é o mais vistoso de todos, mas vários outros vieram antes. Como uma chefia do INSS em Goiás, de onde ele saiu debaixo de investigação da Polícia Federal. A partir da quebra de seu sigilo fiscal, os policiais concluíram que pelas contas de Evangevaldo passava mais dinheiro do que sua renda permitia — treze vezes mais.
A investigação concluiu ainda que, depois que virou homem de confiança de Jovair, Vange teve uma estrondosa evolução patrimonial, também considerada incompatível com seus rendimentos. Nada, porém, que fosse suficiente para impedir que ele continuasse ocupando cargos públicos — ou que abalasse sua dobradinha com Jovair, o enrolado.
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Registre-se aqui que o repórter Policarpo Jr., da Veja, caiu na escuta da Polícia Federal pedindo ao bicheiro Carlinhos Cachoeira que grampeasse ilegalmente Jovair, com o objetivo de saber detalhes do envolvimento dele com a Conab.
Jovair também é um dos líderes da bancada da bola, aquela que bloqueou investigações contra Ricardo Teixeira e continua trabalhando para proteger os cartolas da CBF.
Este é o homem que celebrou com Afonso Hamm a aprovação do relatório contra Dilma, que prega por escrito que é preciso que o Brasil “conquiste espaço no noticiário internacional não em função dos escândalos de corrupção, mas pela punição imputada a quem os protagonizou”.
Como propagandista do impeachment, o jornalista Ricardo Noblat cometeu hoje um ato de sincericídio; segundo o colunista do Globo, os políticos devem derrubar rapidamente a presidente Dilma Rousseff para tentar se safar da Lava Jato e de outras investigações; ou seja, quem sair às ruas contra a corrupção neste domingo estará sendo manipulado por corruptos preocupados com o próprio pescoço; como diria Gregório Duvivier, "querem lavar o chão com merda"; depois do tweet, Noblat foi trucidado pelos internautas
247 -O jornalista Ricardo Noblat, colunista do jornal O Globo, cometeu nesta sexta-feira 11 mais um ato de sincericídio em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
"Políticos precisam derubar logo Dilma antes q sejam atingidos ainda + pela Lava-Jato e outras operações", escreveu Noblat em sua conta no Twitter.
Ou seja, um dos porta-vozes da família Marinho defende que quem sair às ruas contra a corrupção neste domingo estará sendo manipulado por corruptos preocupados com o próprio pescoço.
Como diria o humorista e escritor Gregório Duvivier, "querem lavar o chão com merda".
Confira o tweet e, em seguida, as reações de leitores que ficaram indignados com Noblat:
Na última quarta-feira, o Jornal Nacional noticiou parte dos dados divulgados no âmbito da última edição da série histórica de pesquisas que o Ibope faz para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O site da CNI diz que a popularidade de Dilma Rousseff aumentou. Porém, o JN se limitou a exibir um gráfico que distorceu esse fato.
Como se vê, o Ibope fez a pesquisa e concluiu que a popularidade de Dilma subiu. E os números do gráfico da CNI-Ibope não batem com os números do gráfico exibido no Jornal Nacional.
O que aconteceu é muito simples: o JN pegou números de outras pesquisas Ibope deste ano sobre a popularidade de Dilma e os apresentou como se fizessem parte da série histórica que o Ibope faz para a Confederação Nacional da Indústria.
Mas por que os números de outras pesquisas Ibope são diferentes dos números das pesquisas que o instituto faz exclusivamente para a CNI?, perguntará o leitor. Há vários fatores que explicam essa discrepância: índice de confiança, número de pesquisados etc.
Como cada pesquisa tem uma particularidade, não dá para misturar uma série histórica de pesquisas – que tem sempre o mesmo critério – com pesquisas aleatórias, feitas sobre base de dados diferente.
Ou seja: o Jornal Nacional perpetrou uma trapaça. Forjou uma série histórica da CNI para enganar seu telespectador.
Dez dias antes da divulgação da pesquisa CNI-ibope, a Folha de São Paulo estampou em sua primeira página uma pesquisa Datafolha que apresentou excelentes resultados para Dilma, mas que, tal qual ocorreu no Jornal Nacional, foi distorcida por quem a noticiou.
O assunto foi tratado no post Folha manipula gráfico e inverte dado da pesquisa Datafolha. O texto mostra que, na primeira página, a Folha uniu os que achavam que Dilma tinha pouca responsabilidade pelo escândalo na Petrobrás com quem achava que tinha muita. Graças a esse artifício, o jornal chegou aos tais 68% que estariam culpando Dilma pelo escândalo.
Contudo, analisando a pesquisa encontra-se dados que mostram que, ao contrário do que sugeriu a manchete, Dilma está sendo muitíssimo bem avaliada por combater a corrupção não só na Petrobrás, mas de forma geral.
Na própria Folha, um dos colunistas mais antigos e eminentes do jornal sugeriu que este manipulou a divulgação do estudo do Datafolha. Janio de Freitas insinuou que o instituto e o jornal que o controla fizeram uma pergunta ambígua para os entrevistados de forma a poderem construir a manchete.
Os fatos supracitados levam a uma conclusão inevitável: tanto o Jornal Nacional quanto a Folha brigaram com os dois institutos que lhes fornecem pesquisas de opinião. Enquanto esses institutos dizem uma coisa, o telejornal e o jornal dizem outra.
A fabricação de uma realidade mais rósea para as famílias Marinho e Frias por empregados que tentam adivinhar os desejos dos patrões decorre de um fato surpreendente. Há meses e meses que Dilma está sob intenso bombardeio. E após o fim da campanha eleitoral, com a reeleição dela, a artilharia não parou. Parece que a campanha não terminou.
Com todo o aparato de desmoralização mobilizado contra a presidente, tanto a Globo quanto a Folha noticiarem pesquisas mostrando que o bombardeio pós eleitoral não só não produziu efeito negativo para o alvo como tampouco impediu resultados positivos, seria arrasador.
O que surpreende é a manipulação grosseira dos fatos. Aliás, o mais surpreendente – porém, nem tanto – é a manipulação de pesquisas dessa forma. Certamente esses veículos já foram tão longe, mas, de momento, não ocorre quando…
Para finalizar, relato um fato que pode explicar ao leitor o que está acontecendo – por que a mídia não consegue destruir a presidente da República.
Na semana que finda, fui jantar com dois amigos comunistas para planejarmos como transformar o Brasil em Cuba… Brincadeiras à parte, o fato é que, durante o jantar, o garçom que nos servia relatou que lê este Blog e quis me cumprimentar.
Os fatos supracitados guardam relação íntima com pesquisa recentemente divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República sobre os hábitos dos brasileiros em relação às mídias.
Essa pesquisa confirma o que aconteceu no restaurante em que fui jantar. Cada vez mais, os brasileiros informam-se pela internet e, cada vez mais, informam-se por blogs como este. Dessa forma, as versões dos JN’s e Folhas da vida não ficam mais sem contraponto.
É por isso que a velha mídia tem tido que recorrer a falsificações da realidade. É simples assim.