Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

terça-feira, 17 de agosto de 2010

DESESPERO REQUENTADO

DE: JenipapoNews.


A revista Época que está nas bancas traz uma capa requentada de uma tentativa da Folha que foi desmoralizada como sendo uma farsa e que, infelizmente, ficou por isso mesmo.

O que pretendia ser um estardalhaço, não traz nada de novo, a não ser o fato de que é uma tentativa de, pelo menos, segurar a disparada da candidata do PT nas próximas pesquisas. O mais sinistro dessa tentativa de golpe das Organizações Globo, é um box da revista da famiglia Marinho que se pergunta: “as duvidas sobre o passado”.
As duvidas estão respondidas no corpo da própria matéria.
Aguarda-se numa próxima edição da revista da Globo reportagens sobre a ação de José Serra na Ação Popular (organização a que se atribui um atentado ao Aeroporto de Guararapes, em Recife); e os assaltos a banco de Aloysio Nunes Ferreira (Aloysio quem ?), candidato de Serra ao Senado, por São Paulo.
Até nisso foi incompetente, pois naquele dia 25 de julho de 1966, o“terrorista” Zé Serra, perdeu a chance de explodir, evaporar o candidato aDitador do momento, o criador do repressivo e sanguinolento AI-5, General Costa e Silva que acabou morrendo (DIZEM!), de uma pacífica trombose.

VEJAM O ESTRAGO QUE O "TERRORISTA" SERRA FEZ NO RECIFE:





QUEM É O TERRORISTA NESTA HISTÓRIA?
Se é que existe, pois estávamos em guerra contra a ILEGALIDADE DE UM GOLPE DE ESTADO QUE TIROU UM PRESIDENTE ELEITO CONSTITUCIONALMENTE PELO POVO.

E PRA FECHAR, MAIS UMA PROVA DA INTIMIDADE QUE A GLOBOSEMPRE TEVE COM OS GENERAIS GOLPISTAS, SEUS PATROCINADORES DESDE O NASCEDOURO.
NA FOTO, O "DR. ROBERTO" MARINHO PARECE PREOCUPADO COM A FIRMEZA DO GENERAL CAVALARIANO JOÃO BATISTA FIGUEIREDO, EM CONDUZIR ATÉ O FIM O PROCESSO DE ENTREGA DO PODER AOS LEGÍTIMOS DONOS: OS CIVÍS.

Lula X FHC: TV Vermelho compara o que mudou para o Brasil



Alkimim é Serra , Serra é Alkimim.

Delegados de polícia de São Paulo desmentem Serra

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) divulgou nota à imprensa desmentindo José Serra (PSDB).

O demo-tucano afirmou na sexta-feira, que seria uma ‘bobagem’ a afirmação feita por Dilma Rousseff (PT), de que os delegados de São Paulo são os mais mal pagos do País.

Segue a nota da Adpesp:

Nota de esclarecimento

Sobre a declaração do candidato à presidência José Serra, que disse ser mentira a informação divulgada pela também candidata Dilma Rousseff, de que os salários dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo são os piores do país.

Diferente do que disse na última sexta-feira (13) o candidato à presidência José Serra, os salários dos delegados de polícia do estado de São Paulo, o estado mais rico do país, são os piores da nação, sim. Clique aqui para ver a tabela, com as suas respectivas fontes.

E isso não é “bobagem”, é apenas uma das aberrações da situação da Segurança Pública paulista. Além da baixa remuneração, hoje são apenas 3,2 mil delegados para os 42 milhões de habitantes. Sem contar que 30% das delegacias do Estado de SP não contam com delegados titulares.

Essa não é a primeira vez que José Serra ignora a situação. Inúmeras foram as investidas dos delegados em conversar sobre reestruturação. Em 2008, o então governador assistiu à maior greve da história da Polícia Civil (59 dias) com a promessa de reformas em dois anos, o que não ocorreu.

As propostas estão no Palácio dos Bandeirantes e visam à melhora de condições na carreira e estruturais.

Recentemente, o governo paulista aprovou o Adicional de Local de Exercício (ALE). O benefício traz ironias como tornar a arrecadação do imposto de renda maior do que o aumento. Vale destacar, também, que o adicional será pago integralmente em apenas cinco anos. O que fica de certeza com o ALE é que pelo menos até 2014 os delegados paulistas continuarão tendo o pior salário do Brasil.

PSDB está processando novamente delegados de polícia – no mesmo dia em que José Serra disse ser “bobagem” a questão salarial dos delegados, o Tribunal Regional Eleitoral de SP, a pedido do partido e seus coligados nas eleições, entrou com um Mandado de Suspensão de campanha publicitária (www.adpesp.org.br/campanha) da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP – Adpesp.

Alega-se que a Associação esteja fazendo propaganda eleitoral negativa.

Contudo, os números divulgados, como a remuneração, são oficiais. Por isso, a Adpesp reforça que é apartidária e está, como sempre esteve, preocupada apenas em tornar o mínimo razoável as condições de trabalho dos delegados de SP.

Marilda Pansonato Pinheiro, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo – Adpesp

Jornal Nacional mergulha na campanha de Serra A partir desta terça-feira, o Jornal Nacional da TV Globo escala cinco repórteres para fazer uma série d

Jornal Nacional mergulha na campanha de Serra
A partir desta terça-feira, o Jornal Nacional da TV Globo escala cinco repórteres para fazer uma série de reportagens sobre "desafios dos governantes em relação à saúde".

"Coincidentemente", o tema é o carro-chefe da campanha do candidato da oposição ao governo Lula, José Serra (PSDB/SP).

Em 2006, o Jornal Nacional fez dobradinha com o candidato demo-tucano da época, Geraldo Alckmin (PSDB/SP), a ponto do candidato fazer gravação em uma rodovia, onde a "caravana" do Jornal Nacional havia passado.

Programa no rádio de Serra começou mentindo



A propaganda no rádio de José Serra (PSDB/SP) foi inaugurada com mentiras.

A primeira delas foi quando tentou contar uma estorinha de que o demo-tucano "estudou em escola pública"... É uma forma de escamotear a verdade, porque o curso mais caro e supostamente mais importante da carreira dele, foi numa universidade privada nos Estados Unidos.

Ciro Gomes foi desconstruído pela imprensa em 2002 por dizer o mesmo

Na eleição presidencial de 2002, o então candidato a presidente Ciro Gomes, foi atacado por Serra e pela imprensa demo-tucana, injustamente, por uma frase enviesada, apenas por dizer que havia estudado em escola pública, quando foram 13 anos em escola pública, e apenas 3 anos do ensino médio cursado em escola particular.

Como pau que bate em Chico, também deve bater em Chirico, vamos ver se a imprensa demo-tucana dará um tratamento pelo menos igual ao que concedeu a Ciro Gomes, em 2002.

Aliás, Serra esconde também de sua biografia, o mistério de como o golpe de estado no Chile contra o governo de Salvador Allende, apoiado e promovido pelos Estados Unidos, abriu as portas justamente dos EUA, para um suposto militante da esquerda no Chile, na época, como era a imagem que Serra tinha.

Biografia de Serra não tem nada de "brasileiro comum"

Outra mentira no programa de rádio foi dizer "... o Serra tem a história de um brasileiro comum".

Quantos "brasileiros comuns" estudaram nas caríssimas universidades dos EUA, ainda mais na época da ditadura, e fugido de golpes de estado apoiados pelos EUA, tanto no Brasil como no Chile?

Quantos "brasileiros comuns" arranjaram um cobiçado emprego de professor na Universidade de Campinas, sem enfrentar concurso público, por indicação de "pistolão", ainda na época da ditadura (em 1978), e sem diploma de graduação em economia reconhecido no Brasil?

Crônica de uma candidatura nati-morta



Enviado por luisnassif

Agora, quando o jogo caminha para o final, ficou fácil avaliar o potencial político de Serra.
No ano passado, alertei inúmeras vezes para o desastre anunciado da sua candidatura. Algumas pessoas interpretaram como visão parcial de quem tomou posição.

Admito que tomei posição, sim. Depois que a gestão Serra em São Paulo e o pacto espúrio com a mídia desnudaram sua verdadeira personalidade, enxerguei-o como a maior ameaça que já se teve para a consolidação do processo político brasileiro - trabalho duro, pertinaz, desenvolvido desde o impeachment de Collor.

Mas não se briga com os fatos. Se não tivesse perfeita consciência sobre os desdobramento da campanha, jamais teria feito os prognósticos que fiz, já que poderiam ser facilmente desmoralizados pelos fatos.

Aqui, o artigo "O Senhor da Guerra", de 8 de setembro de 2006, onde mostrava que a única saída para Serra e o PSDB seria abrir mão do legado de FHC, não se deixar levar pelo espírito golpista que se apossou dele e tratar de refundar o PSDB.

Aqui, o artigo "O Último Suspiro de Serra", de 19 de julho de 2009. Nele, os principais vícios de origem que levariam ao fracasso da candidatura. Apenas agora a velha mídia está caindo na real.

Quando Aécio anunciou sua desistência da pré-candidatura, escrevi a coluna "O maior lance de Aécio", em 17 de dezembro de 2009. Lá, explicava que a lógica de Serra seria levar a indefinição até março. Depois, abriria mão da candidatura, se candidataria ao governo de São Paulo sem o risco de ter Aécio na presidência - já que o pouco tempo de campanha inviabilizaria sua candidatura. Percebendo isso, Aécio comunicou sua desistência e deixou Serra com a broxa na mão. Sua idéia era que Serra se definisse logo e, pulando fora, abrisse espaço para sua candidatura:

1. Ele tem dois cargos à disposição: o de candidato à presidente ou de candidato à reeleição. Para o primeiro, as chances são menores; para o segundo, as chances são concretas.

2. Perdendo a disputa para a Presidência, no dia seguinte aposenta-se da política. O PSDB em peso vai para os braços de Aécio Neves. E São Paulo ficará nas mãos de Geraldo Alckmin - correligionário porém adversário.

3. Se se candidatar à reeleição por São Paulo, provavelmente leva, mas abrirá caminho para a candidatura de Aécio para a Presidência. Tornando-se presidente, no mesmo momento Aécio ofuscará para sempre a liderança de Serra que, até mesmo pela idade, não terá uma outra oportunidade de se candidatar à Presidência.

4. A lógica de Serra consistiria em arrastar a definição do candidato à presidência até março. Lá, desistiria, se candidataria ao governo de São Paulo mas, pelo pouco tempo, inviabilizaria o candidato do PSDB. Com isso mataria qualquer possibilidade do PSDB ressurgir com uma nova liderança.
E concluía:
O próximo lance, agora, será de Serra. Não terá mais como passar o pepino para outro disposto ao sacrifício - como foi com Alckmin em 2006.
A indecisão de Serra apressou o desmonte do PSDB. Recentemente, o Estadão publicou ótima reportagem onde conta que, no começo do ano, Serra tentou desistir da candidatura, procurou FHC para se aconselhar, mas o ex-presidente mostrou que não dava mais para pular fora.

Em 19 de dezembro de 2009 publiquei artigo descrevendo o estilo Serra de gestão: "A inapetência administrativa de Serra". Ali, mostrava a verdadeira faceta de Serra, agora desnudada pelo desastre que foi a gestão da sua própria campanha: nunca foi administrador, nem gerente. O artigo motivou pressões da Secretaria de Comunicação do governo do Estado sobre os jornais que publicaram a coluna.
Aqui, "O fim da era paulista da política", de 21 de fevereiro de 2010, mostrando que o jogo tinha terminado.

Em 1o de agosto de 2010 publiquei o artigo "FHC-Serra, uma relação delicada", tentando decifrar a dependência emocional de Serra em relação a Fernando Henrique.
Muitas vezes previ que no próximo ano a velha mídia procederia à desconstrução da própria imagem que criou de Serra. E o faria com gana, sentindo-se ludibriada por ter apostado em um cavalo manco.

Errei o prazo. A desconstrução já começou.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/cronica-de-uma-candidatura-nati-morta

No Facebook, a humilhação banalizada

As fotos, espalhadas pelo Facebook, lembram as humilhações no Iraque
Em 2004, o mundo ficou chocado com a divulgação das imagens da soldado americana Lynndie England humilhando prisioneiros iraquianos na tenebrosa prisão de Abu Ghraib. A jovem soldado, então com 21 anos, se divertia com abusos físicos, psicológicos e sexuais contra prisioneiros iraquianos, numa postura covarde e reveladora de como o exército de ocupação dos Estados Unidos via o povo que dominara à força. Parecia impossível que tal desprezo poderia se repetir em situação semelhante, mas uma ex-soldado do exército israelense postou em seu Facebook fotos pousadas suas junto a prisioneiros palestinos de olhos vendados.

A soldado Eden Abergil reuniu as fotos em um álbum que intitulou de “o melhor período de minha vida”. Sobre uma das fotos, um amigo comenta que ela está sexy, ao que ela responde: Eu me pergunto se ele (o palestino com as mãos amarradas às costas e vendado) tem Facebook também. Eu teria que marcá-lo na foto”.

O comentário é um escárnio pois trata de forma pejorativa o prisioneiro, que na visão da soldado jamais participaria de seu universo de redes sociais. O governo palestino considerou a atitude da soldado uma afronta, que demonstra a “mentalidade ocupante, orgulhosa de humilhar”.

Um porta-voz das Forças Armadas de Israel criticou a ex-soldado, mas não está claro se ela poderá ser punida porque já encerrou seu período de serviço militar obrigatório. O mais grave é que a atitude da soldado não se trata de um comportamento isolado. Em julho, circulou no YouTube um vídeo de soldados israelenses fazendo danças coreografadas enquanto patrulhavam a Cisjordânia, o que também gerou protesto dos palestinos. Houve ameaça de punição aos soldados, mas depois não se soube se forma realmente punidos.

Subordinados não agem de forma tão irresponsável se não percebem eco de seus gestos nos superiores. As soldados americana e israelense revelam o total desprezo que sentem por outros povos, que consideram inferiores. Refletem exatamente a atitude de seus governos em relação aos países que ocupam. E o pior, não sentem um pingo de remorso por isso, como a própria Lynndie England falou cinco anos após o episódio, quando insistiu não feito nada de errado.

Quando o exemplo da brutalidade vem de cima, espalha-se. E aí, quando é uma pessoa – e mais, uma jovem – que personifica o que é feito institucionalmente sem chocar o mundo

Serra queria ser Brizola; vai virar Cristiano Machado

Serra deu mais uma declaração que revela o grau de confusão mental dos tucanos nessa campanha. O tucano disse que aprendeu a falar no rádio com o Brizola! Disse isso lá no sul! Um agrado ao brizolismo. Uma tentativa de capturar votos brizolistas… Triste.

O velho líder gaúcho deve ter revirado na tumba de São Borja, onde descansa ao lado de Vargas.

Os tucanos não vão perder só a eleição. Vão perder o discurso, o programa, e o que sobrou de vergonha.

Quando eu era 20 anos mais jovem, o grande programa dos “intelectuais” que dominavam as Ciêncas Humanas na USP era desmontar a “herança populista”. Vargas, Brizola, Jango eram considerados “cafonas”. A turma dos punhos de renda chegou a fazer a cabeça de Lula durante algum tempo. Weffort era o principal teórico do “populismo”. Para essa turma, Brizola, Janio e Ademar eram a mesma coisa – vertentes do mesmo “populismo”.

Weffort chegou a ter cargo de direção no PT (que ele e os amigos dele na USP enxergavam como uma alternativa “autêntica”, e não-populista, ao brizolismo). Depois, bandeou-se para o tucanismo, no governo FHC.

O PSDB tentou desmontar a herança de Vargas. FHC disse – num discurso pouco antes do início de seu primeiro governo – que esse era o objetivo dele: enterrar Vargas. E tentou. Chegou a planejar a venda da Petrobras. Só não foram adiante os tucanos porque o povo resistiu na rua. A Argentina cumpriu o programa na íntegra. Os tucanos, sempre muito moderados, ficaram pelo meio do caminho.

Serra, em 1950, quando concorreu com o nome de Cristiano Machado
Agora, tentam se reaproximar da herança de Brizola. É vergonhoso. Tenho um amigo que, em 2006, votou no Alckmin no primeiro turno – convicto. Como o candidato fez aquele papelão no segundo turno (vestiu-se de “estatista”, com adesivos dos Correios, Petrobrás e BB), meu amigo mudou o voto. “O cara não é capaz de defender o programa do partido dele, vai defender o que no governo?”

Serra vai por esse caminho… Sinto até alguma pena do Serra. Não pelo que ele é, mas pelo que já foi. Nos anos 60, era um aliado de Jango. Foi pro exílio. Na volta pra democracia, renegou o passado, e agora vaga pelo Brasil sem programa, sem história. Vazio. A defender mutirões para cirurgia de catarata! Esse é o programa dele? Não, é só metade. A outra metade é falar no rádio como o Brizola!

Brizola morreu sem nunca chegar à Presidência. Mas tem um lugar na história.

Serra, abandonado e vazio, caminha para se transformar num Cristiano Machado – o candidato do PSD em 1950, rifado pelo partido (que preferiu apoiar Vargas).

É esse o caminho, triste, de quem joga a história no lixo.

Brizola não é bóia pra salvar o Serra. Vivo, Brizola estaria (apesar de todas as críticas ao governo Lula – críticas feitas sempre pela esquerda!) ao lado de Dilma. Sabia escolher o lado do interesse popular… Sem titubear. Como fez em 61, como fez em 89, no segundo turno, com apoio total a Lula.

Dilma, quando terminou a ditadura, passou a militar no PDT. Só mais recentemente migrou para o PT.

Não poderia haver um símbolo mais forte para esse reencontro entre o PT e o PDT, entre o lulismo e o brizolismo. Dilma é o resultado desse reencontro.

Serra, não. Serra é só Cristiano Machado.

15 de agosto de 2010 às 12:46 Celso Amorim enfrenta o maniqueísmo midiático

Dedo acusador pode render aplauso, mas raramente salva

Atuar com discrição é a expressão da natureza conciliadora do brasileiro

Celso Amorim, na Folha

Têm sido frequentes as críticas que apontam para uma suposta “indiferença” -ou mesmo “conivência”- da diplomacia brasileira diante de países acusados de violar os direitos humanos. Trata-se de um juízo equivocado.

O Brasil deseja para todos os demais países o que deseja para si -a democracia plena e o respeito aos direitos humanos, cuja consolidação e aperfeiçoamento têm sido uma das preocupações centrais do governo do presidente Lula.

Consideramos, entretanto, que as reprimendas ou condenações públicas a outros Estados não são o melhor caminho para obter esse resultado. Na verdade, escolher a intimidação em detrimento da persuasão é quase sempre ineficaz, quando não contraproducente.

O dedo acusador pode render aplausos ao dono, mas raramente salva o jornalista silenciado, o condenado à morte, o povo sem acesso à urna ou a mulher privada de sua dignidade. Isolar quem se quer convencer ou dissuadir é má estratégia.

Preferimos dar o exemplo e, ao mesmo tempo, agir pela via do diálogo franco -em geral, mais eficaz. No caso do Brasil, essa capacidade de atuar com discrição não é oriunda de algum talento excepcional; é a expressão, em nossas relações com outros Estados soberanos, da natureza conciliadora do povo brasileiro.

AGENDA

Ações desse tipo são bem menos visíveis do que a admoestação midiática exercida por alguns países contra um punhado de governos, selecionados de forma nem sempre criteriosa ou politicamente isenta. A escolha dos indigitados, além de obedecer a agenda política, muitas vezes revela preconceitos, ora religiosos, ora raciais.

Muitos dos países que se consideram modelares cultivam relações com regimes não democráticos, desde que isso corresponda a interesses econômicos ou estratégico-militares. Os exemplos são tantos que não podem escapar ao mais complacente dos olhares.

Além disso, alguns aplicam, eles próprios, a pena capital. Ou conferem tratamento desumano e degradante a trabalhadores imigrantes. Ou ainda transferem suspeitos sem julgamento para prisões secretas, em voos também secretos. Isso para não falar de ações militares unilaterais, à margem do Conselho de Segurança da ONU, que resultam em milhares de vítimas civis.

O Brasil considera que as referências específicas a outros Estados no campo dos direitos humanos devem ser feitas preferencialmente no âmbito do Mecanismo de Revisão Periódica Universal do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH), que, aliás, nosso país ajudou a criar.

Ali se busca o tratamento não seletivo, objetivo e multilateral dos direitos humanos em todos os países-membros da ONU.

Em 2011, os métodos de trabalho do CDH serão revisados. Procuraremos aperfeiçoá-los para que o órgão se torne cada vez mais eficaz e para que possa trazer benefícios diretos àqueles que sofrem violações. Em matéria de direitos humanos, como já declarei diversas vezes, não há país que não tenha algo a ensinar, assim como não há país que não tenha algo a aprender.

No esforço de persuadir, o Brasil se vale da cooperação com organizações ou países da mesma região, que têm muito mais probabilidade de serem ouvidos do que, por exemplo, as ex-potências coloniais ou outras nações cuja ação é percebida como reflexo de arrogância e complexo de superioridade.

Destas, pode-se dizer, como na Bíblia, que percebem mais facilmente o cisco no olho do próximo do que a trave em seu próprio olho. Foi o que se revelou quando propusemos, na antiga Comissão de Direitos Humanos, resolução que enunciava que o racismo era incompatível com a democracia.

Tampouco é verdade que o Brasil se recuse a recorrer à condenação quando o diálogo se revela ineficaz.

SEM INDIFERENÇA

O acompanhamento cuidadoso, não movido por preconceitos, de nossas votações no CDH revela que estas estão longe de obedecer a um padrão uniforme e tomam em conta uma variedade de fatores. Muito recentemente, aliás, o Brasil apoiou resolução condenatória a um Estado que se negou a acolher recomendações que tinham por objetivo aperfeiçoar a situação dos direitos humanos no país.

Tampouco é demais lembrar que, por meio da ação multilateral e de projetos de cooperação, o Brasil tem ajudado concretamente na melhora da situação de direitos humanos -no Haiti, na Guiné-Bissau e na Palestina, para citar apenas alguns. As posições do Brasil são fruto de um conjunto bem menos simplório de considerações do que a enganosa dicotomia entre bons e maus.

O Brasil não é indiferente ao sofrimento daqueles que defendem liberdade de expressão ou de culto, dos que lutam pela democracia, dos que se insurgem contra discriminações de toda natureza.

Ao contrário, nossa diplomacia busca constantemente -sem alarde, sem interferências que geram resistências e ressentimentos, mas visando resultados efetivos- atuar em prol da universalização dos valores fundamentais da sociedade brasileira.

CELSO AMORIM é ministro das Relações Exteriores

Caso Lunus: a versão do cachorro louco


O Conversa Afiada republica texto de Leandro Fortes:

Por Leandro Fortes (Brasília, eu vi)

Seria apenas risível, não fosse, antes de tudo, muito grave, o surgimento de uma nova e alucinada versão sobre a operação da Polícia Federal, deflagrada em março de 2002, que resultou na apreensão de 1,3 milhão de reais na sede da construtora Lunus, em São Luís, no Maranhão. A empresa, de propriedade da governadora Roseana Sarney (PMDB) e do marido dela, Jorge Murad, tornou-se o epicentro de uma crise política que modificou os rumos da campanha eleitoral de 2002, justamente quando a direita brasileira parecia capaz de emplacar, finalmente, um candidato puro-sangue com real chance de chegar à Presidência da República. Na época, Roseana Sarney era do PFL, atual DEM, e resplandecia numa eficiente campanha de mídia como exemplo de mulher corajosa, determinada e, sobretudo, competente. Resguardada pelo poder do pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), e pela aliança pefelista que sustentava o governo Fernando Henrique Cardoso, Roseana sonhou, de fato, em tornar-se a candidata da situação contra Luiz Inácio Lula da Silva.

O desejo da família Sarney de retornar ao Palácio do Planalto revelava, em primeiro plano, o absoluto descolamento da realidade de um clã provinciano e truculento, incapaz de perceber o mundo além das fronteiras do Maranhão. Por outro lado, revelava, ainda, total desconhecimento dos métodos e da sanha de seu verdadeiro adversário, o tucano José Serra, empenhado em ser candidato pelo PSDB a qualquer custo. Serra, ao contrário de Roseana, tinha montado uma máquina de moer inimigos a partir de um “núcleo de inteligência” instalado na antiga Central de Medicamentos (CEME) do Ministério da Justiça, comandada pelo delegado da PF Marcelo Itagiba, atual deputado federal pelo PSDB. Itagiba, no entanto, era apenas o ponto de contato entre Serra a direção-geral da corporação, então nas mãos de outro tucano, o delegado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidat ar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados, em 2002, também pelo PSDB. Em 2007, o delegado foi nomeado ouvidor-geral adjunto do Estado de Minas Gerais, uma espécie de ombudsman paroquial, pelo governador Aécio Neves. Um prêmio de consolação, convenhamos, para lá de meia-boca.

Agílio Monteiro Filho comandou de longe uma operação montada em bases políticas, dentro do Palácio do Planalto, com o aval do presidente Fernando Henrique e de seu candidato à sucessão, José Serra. Imputar esse fato ao PT e, mais incrivelmente, a Lula, quase uma década depois do ocorrido, só se justifica pela insana caminhada de parte da mídia ao precipício, onde também se pretende jogar a memória nacional e a inteligência alheia, para ficarmos em termos brandos. O depoimento do tal sindicalista Wagner Cinchetto à revista Veja, como parte da série “grandes entrevistas de dedos-duros do mundo sindical”, tem a pretensão de transformar fatos concretos e apurados numa versão aloprada baseada, unicamente, nos valores invertidos do mundo bizarro em que se transformou boa parte da imprensa brasileira. Trata-se de caso explícito de abandono completo da regras bá sicas do jornalismo, mesmo a mais primária, a de pesquisar, com um google que seja, aquilo que já foi escrito a respeito.

Digo isso porque, quando da deflagração da Operação Lunus, eu era repórter do Jornal do Brasil, em Brasília, e fui destacado para descobrir os bastidores daquela sensacional ação policial que, inusitadamente, havia sido comemorada tanto pelo Palácio do Planalto como pela oposição petista. Eu tinha boas fontes na Polícia Federal, tanto em Brasília como no Maranhão, e desde as primeiras horas da notícia fui alertado de que, embora a grana dos Sarney fosse mesmo suja, a operação da PF tinha sido armada para detonar Roseana Sarney. Outro que foi avisado cedo sobre o assunto foi o próprio José Sarney. Furibundo, o chefe do clã iniciou um movimento político que resultou em uma de suas raras dissidências governistas e em um ódio paternal profundo pela figura de José Serra.

Na ponta da Operação Lunus estava o delegado Paulo Tarso de Oliveira Gomes, atual adido policial nos Estados Unidos, nomeado pelo diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Corrêa, imagina-se, por bons serviços prestados à corporação. Gomes era um homem de confiança de Agílio Monteiro Filho e, portanto, do PSDB. A chance de haver alguma ligação dele com o PT ou Lula é a mesma de Marcelo Itagiba se tornar ministro da Justiça em um eventual governo Dilma Rousseff. Ou seja, zero. Jamais houve, contudo, o tal telefonema para o Palácio do Planalto feita por Gomes para avisar FHC do sucesso da empreitada. O delegado Paulo Tarso Gomes enviou, isso sim, de dentro do escritório da Lunus, um fax para o Palácio da Alvorada, à noite, onde o presidente Fernando Henrique, ansioso e de pijamas, aguardava notícias sobre a ação. O texto anunciava a missão cumprida. Foi uma matéria minha, no JB de 2 de março de 2002, que revelou a armação.

Eu soube do fax porque, à época, consegui acessar os dados da companhia telefônica do Maranhão e me deparei com o grau de amadorismo da ação. Incrivelmente, o delegado-chefe da operação, no afã de mostrar serviço, nem esperou voltar para o hotel em São Luís para dar as boas novas a FHC: passou um fax de dentro da empresa investigada! Os números, tanto do telefone da Lunus, como do Palácio da Alvorada, foram registrados pela telefônica e, um dia depois, também foram estampados pelo Jornal do Brasil, a tempo de desmentir uma versão montada às pressas, na assessoria de imprensa da PF, que chegou a apresentar um fax falso para evitar a desmoralização da operação. Tudo isso poderia ter sido checado, sobretudo na Editora Abril, haja vista que o editor-chefe do jornal, que participou diretamente da edição das matérias, era o jornalista Augusto Nunes, atualmente , um dos colunistas da revista Veja.

Mais uma coisinha que ninguém se lembra de falar quando se trata da Operação Lunus: embora tenha sido um sucesso político para os tucanos, foi um fracasso total para a Polícia Federal. Um ano depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou, por falta de provas, o processo contra Roseana Sarney decorrente da ação da PF.

No fim das contas, o neoarrependido Wagner Cinchetto nada mais é o do que um dos cachorros loucos liberados pela mídia neste agosto eleitoral. Ao imputar a Lula e ao PT a tucaníssima Operação Lunus, o sindicalista conseguiu apenas consolidar essa impressão terrível, que cresce com a proximidade das eleições, de que os ventos da derrota não trazem, definitivamente, bons conselhos aos candidatos.

O passado e o presente da imprensa brasileira



A revista Época fez o que se espera da Globo, um dos pilares de sustentação da ditadura militar: resgatou a agenda da Guerra Fria e destacou na capa o “passado de Dilma”. O ovo da serpente permanece presente na sociedade brasileira. O que deveria ser tema de orgulho para uma sociedade democrática é apresentado por uma das principais revistas do país com ares de suspeita. Os editores de Época honram assim o passado autoritário e anti-democrático de sua empresa e nos mostram que ele está vivo e atuante. No RS, jornal Zero Hora aplaude suspensão de indenizações às vítimas da ditadura e fala do risco de instituir uma "bolsa anistia".
Marco Aurélio Weissheimer
As empresas de comunicação têm o hábito de se apresentarem como porta-vozes do interesse público. Em que medida uma empresa privada, cujo objetivo central é o lucro, pode ser porta-voz do interesse público? Essas empresas participam ativamente da vida política, econômica e cultural do país, assumindo posições, fazendo escolhas, pretendendo dizer à população como ela deve ver o mundo. No caso do Brasil, a história recente de muitas dessas empresas é marcada pelo apoio a violações constitucionais, à deposição de governantes eleitos pelo voto e pela cumplicidade com crimes cometidos pela ditadura militar (cumplicidade ativa muitas vezes, como no caso do uso de veículos da ão Paulo durante a Operação Bandeirantes). Até hoje nenhuma dessas empresas julgou necessário justificar seu posicionamento durante a ditadura. Muitas delas sequer usam hoje a expressão “ditadura militar” ao se referir aquele triste período da história brasileira, preferindo falar em “regime de exceção”. Agem como se suas escolhas (de apoiar a ditadura) e os benefícios obtidos com elas fossem também expressões do “interesse público”.

Apoiar o golpe militar que derrubou o governo Jango foi uma expressão do interesse público? Ser cúmplice de uma ditadura que pisoteou a Constituição brasileira, torturou e matou é credencial para se apresentar como defensor da liberdade? O silêncio dessas empresas diante dessas perguntas já é uma resposta. O que é importante destacar é que a semente do autoritarismo, da perversidade e da violência prossegue ativa, conforme se viu neste final de semana (e se vê praticamente todos os dias).

A revista Época fez o que se espera da Globo, maior empresa midiática do país e um dos pilares de sustentação da ditadura militar: resgatou a agenda da Guerra Fria e destacou na capa o “passado de Dilma”. O ovo da serpente permanece presente na sociedade brasileira. O que deveria ser tema de orgulho para uma sociedade democrática é apresentado por uma das principais revistas do país como motivo de suspeita. Os editores de Época honram assim o passado autoritário e anti-democrático de sua empresa e nos mostram que ele está vivo e atuante.

Indenizações às vítimas da ditadura
De maneira similar, aqui no Rio Grande do Sul, o jornal Zero Hora publicou um editorial apoiando a decisão do TCU de questionar às indenizações que estão sendo pagas às vítimas de perseguição e maus tratos durante a ditadura, ou “regime de exceção”, como prefere a publicação. Trata-se, segundo a RBS, de defender um “princípio da razoabilidade”. “Ninguém tem direito a indenizações perdulárias ou a aposentadorias e pensões que extrapolam critérios de prudência, ponderação e equilíbrio”, diz o texto. Prudência, ponderação, equilíbrio e razoabilidade: foram esses os valores que levaram o jornal e sua empresa a cerrarem fileiras ao lado dos militares que rasgaram a Constituição brasileira? Quanto dinheiro os proprietários da RBS ganharam com esse apoio? Não seria razoável e ponderado defender que indenizassem a sociedade brasileira pelo desserviço que prestaram à democracia?

É cansativo, mas necessário relembrar. Sempre. Como a maioria da grande mídia brasileira, a empresa gaúcha apoiou o golpe que derrubou João Goulart. O jornal Zero Hora ocupou o lugar da Última Hora, fechado pelos militares por apoiar Jango. Esse foi o batismo de nascimento de ZH: a violência contra o Estado Democrático de Direito. Três dias depois da publicação do Ato Institucional n° 5 (13 de dezembro de 1968), ZH publicou matéria sobre o assunto afirmando que “o governo federal vem recebendo a solidariedade e o apoio dos diversos setores da vida nacional”. No dia 1° de setembro de 1969, o jornal publica um editorial intitulado “A preservação dos ideais”, exaltando a “autoridade e a irreversibilidade da Revolução”. A última frase editorial fala por si:

“Os interesses nacionais devem ser preservados a qualquer preço e acima de tudo”.

Interesses nacionais?

A expansão da empresa se consolidou em 1970, com a criação da RBS. A partir das boas relações estabelecidas com os governos da ditadura militar e da ação articulada com a Rede Globo, a RBS foi conseguindo novas concessões e diversificando seus negócios.

Como a revista Época, Zero Hora é fiel ao seu passado e exercita um de seus esportes favoritos: pisotear a memória do país e ofender a inteligência alheia. O editorial tenta ser ardiloso e defende, no início, as indenizações como decisão correta e justa. Mas logo os senões começam a desfilar: os exageros nas indenizações de Ziraldo, Lula, Jaguar e Carlos Lamarca, “outro caso aberrante segundo o procurador”. A pressão exercida por setores militares junto ao governo e ao Judiciário é convenientemente omitida pelo editorial que fala do “risco” de as indenizações se transformarem em algo como “uma bolsa-anistia”.

O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão Pires Junior, divulgou uma esclarecedora nota a respeito da decisão do TCU e das pressões que vem sendo exercidas contra o processo das indenizações. A capa da revista Época e o editorial de Zero Hora mostram que as empresas responsáveis por essas publicações permanecem impregnadas do autoritarismo que alimentou seu nascimento e expansão. É triste ver jornalistas emprestando sua pena para inimigos da democracia e da liberdade. Pois é exatamente disso que se trata. Esse é o conteúdo que habita a caixa preta de boa parte da imprensa brasileira.

IBOPE: DILMA 41% x SERRA 32% 'O TREM TÁ ATRASADO OU JÁ PASSOU?'

com apenas dez dias de intervalo entre os dois levantamentos do Ibope, Dilma dobra a vantagem sobre Serra, ampliando a diferença de 5 para 11 pontos. Tucano já testou todos os discursos e combinações possíveis para cativar o eleitorado. De 'continuador' de Lula, a sucessor de Álvaro Uribe na liderança da direita latinoamericana; nada funcionou. Na agenda econômica, sua voz foi esganada pelas sucessivas altas do nível de emprego, da demanda e do investimento. O que virá agora? Nesta 2º feira, em Porto Alegre, sob efeito atordoante do Ibope, Serra elogiou, pela ordem, Yeda Crusius ('grande candidata... grande governadora'), Leonel Brizola e João Goulart... Fica a dúvida, o tucano ainda é candidato a presidente ou aspirante a compositor de samba enredo? A fala no RS sugere, no mínimo, que a versatilidade eleitoral do ex-governador acumula massa crítica suficiente para adotar como jingle de campanha uma espécie de 'Samba do Crioulo Doido' -- PARTE 2. Confira trecho do original de Stanislaw Ponte Preta e avalie: '...Joaquim José/Que também é Da Silva Xavier/Queria ser dono do mundo/E se elegeu Pedro II/Das estradas de Minas/Seguiu pra São Paulo/E falou com Anchieta/O vigário dos índios/Aliou-se a Dom Pedro/ E acabou com a falseta/Da união deles dois/Ficou resolvida a questão/ E foi proclamada a escravidão/E foi proclamada a escravidão/'Assim se conta essa história/Que é dos dois a maior glória/dona Leopoldina virou trem/E D. Pedro é uma estação também/O, ô , ô, ô, ô, ô/O trem tá atrasado ou já passou?'

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mal Nas Paradas

Professora perturba desfile de Serra:
“Votem em qualquer um, menos nele”

Um desfile do presidenciável José Serra (PSDB) pela 21ª Bienal do Livro de São Paulo, neste domingo, acabou prejudicado pelo protesto de uma professora da rede estadual – Lúcia Valéria. Munida de um contracheque, ela reagiu à promessa de Serra de “distribuir três livros para cada aluno a partir da 4ª série” dizendo que, com o salário que ganha, não consegue comprar um livro sequer.
“Esse é o candidato que paga mal aos professores. Votem em qualquer um, menos nele”, gritou Lúcia, para a contrariedade dos tucanos.
O holerite mostrava que a professora de Física havia recebido R$ 300, mesmo tendo, segundo ela, 40 anos de magistério.
“Eles me pagaram isso porque eu fiz uma greve contra esse governo”, disse aos jornalistas.
O secretário estadual de Educação, Paulo Renato de Souza, acompanhava Serra, ouviu a professora e não se manifestou. Já o presidenciável tucano disse que ela tinha sido a única pessoa a reclamar dele durante a hora e meia de sua caminhada na Bienal.

Brasília Confidencial

Quem Conta É A Folha!

SILVIO NAVARRO
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO


A queda de José Serra (PSDB) em seis das sete capitais onde o Datafolha realizou a última pesquisa ajuda a explicar a virada de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência.

As sete capitais concentram 15% do eleitorado, ou 20,3 milhões de eleitores. Nos últimos 20 dias, o tucano passou a ter a dianteira ameaçada até em São Paulo, seu reduto eleitoral e onde o PSDB exerce forte influência na gestão municipal.
Dilma subiu três pontos na capital paulista em relação ao levantamento anterior, passando de 34% para 37%. Ele oscilou um ponto positivamente --tem 40%.

QUEDA EM BH


Os índices apontam que, hoje, os dois estão tecnicamente empatados na cidade, no limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A queda mais acentuada de Serra ocorreu em Belo Horizonte, onde perdeu nove pontos --tem 32%. A capital mineira também registrou virada de Dilma, com 34%. Em Salvador, o tucano tem seu pior índice --16%, ante 48% da petista.
No Estado de São Paulo, Serra perdeu três pontos nas últimas semanas --tem 41%--, sinal de que a queda ocorreu no interior, onde o PT faz forte campanha contra o preço dos pedágios. Dilma ganhou quatro pontos no maior colégio eleitoral do país e marca 34%.
O comando da campanha de Serra diagnosticou risco de queda na capital há 20 dias. Desde então, o candidato concentra a agenda em bairros da periferia, como Heliópolis, onde visitou programa habitacional. A campanha avalia que foi essa a faixa em que Dilma cresceu, na esteira da popularidade de Lula. "O que ela tem agora não é por ela", diz o governador Alberto Goldman.
Ontem, em visita à Bienal do Livro, Serra negou que vá intensificar agenda em SP ou fazer qualquer alteração em sua estratégia.

Fôia de SumPaulo

Nunca é tarde demais para aprender, Serra.



por Mauro Carrara

Agora, caro Serra, a vaca já foi para o brejo; ou melhor, pastou da sua Mooca para a Várzea do Carmo, atolou ali, à beira do Tamanduateí, pertinho do Mercadão.


No entanto, ainda é possível perder de pouco, não tomar goleada, e fechar a carreira política com alguma dignidade.


Como nasci no Brás, e você na vizinha Mooca, ambos descendentes de italianos, manifesto-lhe solidariedade neste momento inglório. E assim elenco abaixo nove orientações para esta reta final de campanha.


1) Pare de mentir. E, se mentir, minta melhor. Não é possível afirmar, por exemplo, que a Fernão Dias está “fechada”. As pessoas trafegam por lá todos os dias. Você acha que algum desses milhares de motoristas lhe dará crédito?


2) Pare de inventar. Creia-me: pouca gente leva a sério essa história de que você é o “pai” do FAT?


3) Abra os olhos. Você trafegou recentemente pela Regis Bittencourt? Sabe o que o foi feito lá nos últimos anos? Aliás, acredita mesmo que as estradas brasileiras eram melhores na época de FHC? Pare de brincadeira, né?!


4) Admita. Existe uma máfia dos pedágios em São Paulo. Há postos de cobrança em excesso. O valor é altíssimo. E o cidadão ainda tem que enfrentar congestionamentos em trajetos caríssimos em estradas como a Castello Branco.


5) Confesse. Sua gestão desatenta e preguiçosa paralisou as obras de combate às enchentes em São Paulo. A cidade virou um imenso lago contaminado no verão.


6) Reconheça. Que a escolha de seu vice foi um festival de trapaças. E que o amalucado Índio da Costa, o aparentado do meliante Cacciola, não mostrou preparo sequer para ocupar o cargo de síndico no prédio onde residia.


7) Peça perdão. Pela presença vergonhosa no convescote da máfia dos irmãos Vedoin. Preferimos acreditar que você ignorava o esquema das ambulâncias. Peça desculpas pelo caos na segurança pública paulista, pela brutal perseguição aos moradores de rua e também pelo vergonhoso sistema de ensino tucano, que todos os anos destrói o sonho educativo de milhares de crianças e adolescentes de nosso Estado.


8) Demita. Não permita mais que o entrevado Ali Kamel coordene sua campanha na mídia privada. O rapaz sempre foi péssimo jornalista. Não sabe apurar, escreve mal e esconde sua incompetência com arrogância. Como seu “capitão do mato”, tem sido ainda pior. Rompa seus laços também com o gerente da “Tempestade no Cerrado”. Como você pôde acreditar em Eurípedes Alcântara, o protagonista do “Boimate”, o maior vexame da imprensa brasileira em todos os tempos?


9) Regenere-se. Volte a ser o mocinho da UNE. Demita-se da UDN, admita que a gestão Lula é infinitamente melhor que a de FHC e desative urgentemente a central de sabotagem virtual informativa construída pelo insano Alberto Carlos Almeida.


Por fim, Serra, utilize sua influência política para ao menos botar ordem no quintal de casa. Nosso mundo pequeno do Brás-Mooca já não tem polícia, a coleta de lixo é deficiente e a máfia dos fiscais atua livremente, transformando em marajás os bandidos empregados na subprefeitura.


Os calabreses (e os outros ítalo-brasileiros) da Zona Leste ficariam felizes em ver seu representante protagonizar um ato de coragem e decência no crepúsculo de sua carreira política.