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quarta-feira, 7 de março de 2012

Veja diz que cartola da Fifa que insultou o Brasil foi “preciso”


Durante evento da Fifa na Inglaterra na última sexta-feira, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, criticou supostos atrasos do Brasil nos preparativos da Copa e insultou o país dizendo que merecia um “chute no traseiro”.
As reações brasileiras não tardaram. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, convocou a imprensa para anunciar que o governo brasileiro não aceita mais Valcke como o interlocutor da Fifa no âmbito da organização do Mundial de 2014.
Valcke tem se notabilizado por afrontar o Brasil com a mesma lenga-lenga da grande imprensa brasileira de que o país passará por um vexame na Copa e, ano passado, chegou a se meter na política brasileira.
Durante o cai-não-cai do ex-ministro Orlando Silva, Valcke chegou a dizer, em entrevista coletiva em que falava pela Fifa, que já não considerava mais o então ministro como interlocutor da entidade que integra.
Na segunda-feira, provavelmente assustado com a repercussão e com o pedido oficial de desculpas emitido pela Fifa, seu secretário-geral emitiu justificativa de que teria havido falha na tradução de sua declaração.
A história de Valcke é a de que, em francês, a expressão “se donner un coup de pied aux fesses” significa apenas “acelerar o ritmo”.
Ontem, a desculpa de Valcke foi contestada por jornalistas internacionais. O repórter inglês Rob Harris, da agência “AP”, que esteve na coletiva do secretário-geral da Fifa em que este insultou o Brasil, disse que a conversa dele com a imprensa foi todinha em inglês. Martyn Ziegler, chefe de reportagem da “Press Association Sport”, também confirmou que a entrevista do dirigente não foi em francês.

Os jornalistas estrangeiros testemunharam que Valcke disse, textualmente, que o país merecia um “kick up in the backside”, expressão que pode ser traduzida como um “chute no traseiro”.
A reação brasileira, porém, não se limitou às declarações oficiais de autoridades. Pelo Twitter, milhares de pessoas promoveram um “tuitaço” usando a hashtag #ForaValcke, que, rapidamente, chegou aos trending topics.
O que surpreendeu foi matéria do site da revista Veja que foi na contra-mão da indignação nacional com o insulto do cartola da Fifa ao Brasil. Abaixo, reprodução de trecho da matéria que afirma que o agressor teria sido “preciso em sua observação”.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, porém, descarta maiores problemas e chega a brincar com a preocupação da Veja e do cartola da Fifa afirmando que seu “único receio” é com o desempenho da seleção brasileira dentro de campo durante a Copa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lula diz que Dilma é alvo das 'cretinices' pelas quais passou

Em Curitiba, presidente diz que os adversários atacam somente Dilma porque não podem falar mal de presidente com alta popularidade

Piero Locatelli, enviado a Curitiba

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em comício nesta terça-feira em Curitiba, que sofreu nas eleições de 1989 os mesmos ataques sofridos pela candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, neste ano.

“A impressão que eu tenho (nesta campanha) era que era eu que estava sendo atacado. Em 89, os mesmos diziam sobra mim: ‘Não vota no Lula, o partido dele tem bandeira vermelha. (...). Não vota no Lula porque ele tem barba. Não vota no Lula porque ele é comunista, (...) porque ele vai fechar a Igreja Católica, vai fechar as igrejas evangélicas’. As mesmas cretinices eles falaram da Dilma Rousseff agora”, disse o presidente, durante comício realizado na Cidade Industrial, zona Sul da capital paranaense.

Segundo Lula, os seus adversários só atacam Dilma porque não podem falar mal de um presidente com alta popularidade. “Só tem 3% no Brasil que acham o governo ruim ou péssimo. Esses 3% devem estar no comitê do Serra”, falou Lula.

Foto: Agência Estado
Lula faz comício em Curitiba na véspera de seu aniversário
Lula também disse que, apesar de ter sido derrotado em três eleições, nunca agiu como o postulante tucano à Presidência José Serra. “Eu ia para casa chorar minhas derrotas, mas não atacava os adversários como eles estão fazendo com a Dilma”, disse Lula. “Não vamos aceitar nada, que daqui a pouco eles vão jogar bola de papel na gente. Não vamos aceitar nenhuma provocação.”

O presidente também usou a expressão “serra abaixo”, em referência a José Serra, utilizada por Dilma em comício no Nordeste. 
“Eu estou aqui para pedir para vocês. Não é possível que um Estado como o Estado do Paraná. Um dos Estados mais desenvolvidos deste país. Um Estado em que o seu povo atingiu um padrão de maturidade acima da média nacional. Não é possível que a gente permita que esse país desça serra abaixo”.

Respeito 

O presidente pediu para que as pessoas presentes no comício se perguntassem como uma pessoa que “não respeita uma mulher” conseguiria respeitar “cada um de nós”.

A pergunta que eu faço para vocês é a seguinte. Um cara que não respeita numa campanha política, não respeita uma mulher que está disputando com ele. Agredindo ela na televisão, pra gente receber as ofensas dentro da sala da gente. Eu me pergunto: e um cara desses? Como ele ia respeitar cada um de nós? O que ele ia fazer com cada um de nós?

Durante seu discurso, Lula pediu para que os militantes comparassem seu governo com os anteriores e disse que a oposição só pensa em pobre no período eleitoral.

“Na época de eleição, a coisa mais valorizada é o pobre. Todo mundo na televisão. Pobrezinho daqui, pobrezinho dali. Se pudessem ser vendidas ações nas bolsas de valores, a ação mais valorizada seria a do pobre na época de eleição. Agora, depois da eleição, eles tomam café da manhã e o pobre não é convidado. Eles almoçam e o pobre não é convidado”, disse o presidente.

Lula discursou durante aproximadamente meia hora em um palco instalado numa praça. No evento, os militantes cantaram parabéns para o presidente que fará 65 anos nesta quarta-feira. O presidente foi homenageado no palco com balões em formato de estrelas vermelhas, símbolo do partido, e recebeu presentes de militantes em cima do palco. Muito emocionado, o presidente chegou a levar as mãos ao rosto durante grande parte do comício em que jingle de suas campanhas, "Lula lá", foi tocado. Depois, a letra da música foi trocada pelo refrão “Dilma lá”.

O governador do Estado, Orlando Pessuti (PMDB), o senador Osmar Dias (PDT), os senadores eleitos Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) e o ministro do planejamento, Paulo Bernardo, participaram do evento.