Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Mauro Santayana: Telefônica recebe R$ 3 bilhões do BNDES e demite 1,5 mil no Brasil

por Mauro Santayana, no seu blog

A desfaçatez das empresas espanholas no Brasil não tem limites. Ajudados por decisões do setor público, no mínimo incompreensíveis, os acionistas controladores da Telefônica auferem, aqui , lucros espantosos. Cem por cento desses lucros sobre o investimento estrangeiro, mais juros sobre esse capital, são repatriados via remessa de lucros . A empresa está, agora, procurando, com esse dinheiro, comprar as poucas ações ainda em mãos de brasileiros (cerca de 20%), para atingir a totalidade do controle acionário.
A Telefônica obteve empréstimo, junto ao BNDES, de 3 bilhões de reais no ano passado, destinado à “expansão de infra-estrutura”. Ora, se ela tem dinheiro para comprar mais ações por que o empréstimo? Por que não usar o lucro a fim de cumprir suas obrigações de expansão da rede? Ou seus controladores, na realidade, vai usar o dinheiro do BNDES para comprar mais ações? Esses investimentos para expandir a infra-estrutura deveriam ter saído dos lucros que envia ao exterior. A empresa nada investe de seus ganhos, que escoam para fora do país, comprometendo nosso balanço de pagamentos.
Em contradição com esse pretenso movimento de “expansão da infra-estrutura”, e apesar desse gigantesco empréstimo público, a Telefônica está demitindo, no Brasil, segundo informa a imprensa, mil e quinhentos empregados.
Sabe-se que, por agora, na área técnica, ela já demitiu setenta dos funcionários mais antigos, mediante Plano de Demissão “voluntária”.
Mas, em seu cabide de empregos, no Conselho de Administração, pendura-se Iñaki Undargarin, genro do Rei da Espanha – que está sendo processado por corrupção naquele país.
A ambição de lucro e de benefícios por parte do setor público, no entanto, não tem limites. Os meios de comunicação informam que a Telefônica do Brasil está pleiteando, agora, junto à ANATEL, a retirada de duas casas e de seu edifício sede – localizados no centro de São Paulo – da “ lista de bens reversíveis “, isto é, que devem, por força do contrato, retornar à posse da União quando acabar a concessão, e que fazem parte do patrimônio de todos os brasileiros.
Essa exclusão possibilitaria a venda dos imóveis, que, embora valendo milhões, são pálida migalha do que foi saqueado e entregue, a preço de banana, na farra do boi das privatizações dos anos noventa – realizada no governo FHC, pelo PSDB de São Paulo.
Maior do que a cara de pau da empresa em pedir a liberação dos imóveis para alienar o patrimônio e levar o dinheiro para a Europa- onde está devendo mais de 50 bilhões de euros (140 bilhões de reais) – será o escândalo que se vai armar se a ANATEL, Agência Nacional de Telecomunicações, atender a esse pedido.
O Congresso, os cidadãos, o Judiciário, precisam agir e impedir a agência de considerar com leviandade o caso. Pelo que se comenta, o Ministério Público já pensa determinar pesquisa cartorial, em todo o território nacional, que estabeleça a verdade em relação ao rol das propriedades das antigas estatais. Aceitar a possibilidade da exclusão dessas propriedades da Lista de Bens Reversíveis seria escandaloso crime de Lesa Pátria, sobretudo no momento em que a Vivo – cada vez mais “viva” – está demitindo centenas de trabalhadores.
Quando se esquartejou a Telebrás, uma das maiores empresas de telefonia do mundo, que concorria, por meio do CPQD, de forma direta, à época, com os grandes grupos de telecomunicações internacionais no desenvolvimento de tecnologia de ponta, como o cartão indutivo, as Centrais Trópico R, ou o BiNA, alegou-se que a entrega desse patrimônio estratégico nacional às empresas estrangeiras proporcionaria os capitais e a tecnologia necessários à universalização das telecomunicações no Brasil.
Nada disso ocorreu. Não houve praticamente investimentos em telefonia fixa, e o filé da telefonia celular foi entregue de mão beijada aos estrangeiros. Com acesso ao dinheiro do BNDES e aos benefícios concedidos às empresas estrangeiras depois da privatização – entre eles um brutal aumento das tarifas – técnicos e empresas nacionais já teriam alcançado, com folga, esse objetivo.
Os espanhóis não possuem tecnologia na área de telecomunicações e não desenvolvem nova tecnologia. A prova disso é que a maioria dos equipamentos usados aqui pela Telefônica são importados da China.
As empresas estrangeiras que atuam neste momento, no Brasil, na área de telecomunicações, não conseguem competir por seus próprios meios. O BNDES, sob controle do Ministério do Planejamento, e alimentado com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e parcela dos impostos de todos os brasileiros, tem que parar de ficar tratando a pão-de-ló as empresas estrangeiras. É urgente investir na recuperação institucional da Telebrás – que precisa voltar a trabalhar no varejo.
A ficar assim, daqui a pouco o Brasil estará trabalhando apenas para conseguir dólares para continuar garantindo – via remessa de lucros – a sobrevivência e o statu-quo, ou seja, a manutenção dessas elites desumanizadas neoliberais que estão submetendo seus povos à miséria – e colocaram seus países em crise, e neles, parte do povo é levada, por elas, a exacerbado ânimo colonialista.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TCC na PUC sobre Dantas e Gilmar. “Um crime contra a esperança”

PHA, Murilo e Rubens: "você entendeu como isso funciona !"

Ao lado de Rubens Glasberg, editor da respeitada Teletime (e alvo de 6 ações judiciais de Daniel Dantas), este ansioso blogueiro fez parte da banca de conclusão do curso de graduação de Murilo Henrique da Silva, no curso de Jornalismo da PUC de São Paulo.

O Trabalho de Conclusão do Curso, o TCC resultou num livro de 268 páginas com o título “D.D. – Entre o público e o privado”.

Este ansioso blogueiro deu nota 10.

Trata-se de um levantamento completo de todas as atividades do banqueiro condenado e aqui exaustivamente descritas ao longo dos anos e “43 ações judiciais”.

É mais do que um TCC: é um prontuário.

Murilo trabalhou seis horas por dia – ele é do “rádio escuta” da TV Record – durante nove meses.

Foi com as primeiras notícias da Operação Chacal que Murilo começou a se interessar pelo banqueiro condenado – clique aqui para ver o vídeo inolvidável do jornal nacional, que o flagra no ato de subornar um agente da Polícia Federal e que Gilmar Dantas (*) devidamente ignorou.

(A notável desembargadora Cecília Melo, como se sabe, transformou a Operação Chacal num monte de papel velho, sepultado na Primeira Instância da Justiça de São Paulo. Viva o Brasil !

Ela aparece com fulgor na narrativa de Murilo.)

Murilo considera que Dantas é a síntese, a alegoria do Brasil pós-regime militar.

A sobrevivência do arcaico no Judiciário, no Legislativo, no Executivo e na Mídia – aqui chamada de PiG (**).

Não bastou concluir o ciclo militar.

Nem a eleição de Lula, diz Murilo, que parecia um sopro de esperança.

Dantas demonstrou que o Poder não deriva da vontade popular.

Dantas é, para Murilo, “um crime contra a esperança”.

Murilo tem a sensação de que Dantas é um canalha, apesar da proteção que recebe da imprensa.

Na rua, as pessoas, segundo ele, não tem a menor duvida.

Ele é a encarnação da corrupção.

Dantas, porém, é a alegoria.

Ele contém esse Brasil que Murilo tenta descrever.

Murilo diz que seria possível descrever o Brasil contemporâneo através da carreira de José Serra, Gilmar Dantas (*), Naji Nahas, Roberto Amaral, o lobbista de Dantas que trata Cerra de “Niger”.

São todos eles personagens de Brasil arcaico e renitente e, ao mesmo, arquitetos dele.

Murilo descreve exaustivamente a privatização do Farol de Alexandria – “se isso der m… “ – , a tentativa de abafar a Satiagraha e os HCs Canguru de Gilmar Dantas (*).

Gilmar Dantas, especialmente, sai do TCC tão arranhado quanto Dantas e Fernando Henrique.

Recomenda-se que não pise na PUC de São Paulo.

Outros heróis destacados do livro são Luiz Carlos Mendonça de Barros e André Lara Rezende, operadores da privatização do Farol.

Murilo faz perfis com a ponta da faca desses heróis do PiG (**).

Murilo acatou recomendação deste ansioso blogueiro: que aprofundasse a dívida que tem com os “Donos do Poder” do Raymundo Faoro.

Essa misturança entre o público e o privado, entre Dantas e Gilmar, Dantas e Fernando Henrique, Dantas e Collor, Dantas e ACM – está toda lá, na obra do mestre Faoro.

Murilo pretende ampliar o livro e, provavelmente, escrever “As Memórias do Cárcere” de Daniel Dantas.

Rubens Glasberg também deu nota 10 !

Pela coragem intelectual de enfrentar um tema e um personagem que afugentam os “jornalistas adequados”, como diz Rubens.

Rubens sugeriu alguns caminhos a Murilo.

Que lesse, além do Faoro, o Caio Prado Junior.

Dantas e Gilmar lá estão, de corpo inteiro: nesse Capitalismo de Estado, sem dinheiro, tardio,  pendurado nas tetas do Governo.

Rubens concorda com o ansioso blogueiro: o maior mérito de Murilo é entender a dinâmica do sistema.

Dantas e Gilmar são o sistema em funcionamento.

Como seriam Cerra e Fernando Henrique.

Gilmar e Serra.

Naji Nahas e Dantas.

Rubens sugeriu que, ao ampliar o livro, Murilo pesquisasse duas áreas fertilíssimas.

As relações de Dantas com o PiG.

Como ele compra, planta, dissemina informação.

Outra área a perseguir, segundo Rubens, deveria ser a relação de Dantas e seus 3003 advogados com o Judiciário.

Rubens sugeriu que Murilo consultasse na CVM a denúncia contra as atividades de Dantas na BrT.

Ali está um documento que mostra que Dantas gastou R$ 50 milhões com advogados e não se sabe em que !

O que fizeram os advogados ?

Rubens suspeita que muitos advogados não são ou eram advogados de Dantas, mas cúmplices de Dantas.

Na relação com a imprensa e o Judiciário, Dantas, segundo Rubens, leva ao extremo a convivência entre o legal e a criminalidade.

Rubens sugeriu uma linha de pesquisa especialmente promissora.

Teve um advogado, contou Rubens ao perplexo estudante, que trabalhava no BNDES.

No BNDES, ele arquitetou a privatização do Farol.

Aí, foi trabalhar com o banqueiro condenado.

Como contratado do banqueiro condenado, montou a engenharia societária que permitiu Dantas tornar-se o Grande Herói da Privatização Tucana.

Nessa engenharia, ele disfarçou a presença maciça do Citibank.

E conferiu a Dantas, numa operação com debêntures conversíveis – que Murilo captou muito bem – o privilégio de entrar na BrT e na Telemar.

O que era ilegal, segundo a arquitetura que esse mesmo advogado desenhou antes, lá no BNDES, e, depois, na Lei da Privatização do Sergio Mota.

Uma beleza !

Mas, não parou, aí, continuou Rubens na sua narrativa deprimente.

Aí, por desinteressada sugestão de Dantas, Fernando Henrique nomearia este notável advogado para presidir a CVM, a instituição que deveria vigiar o Dantas !

Sensacional !

O público no colo do privado.

Ou será o contrário ?

Murilo, você entendeu como a coisa funciona !, disse Rubens entusiasmado, ainda que no seu jeito contido.

Vá em frente !

Entre na selva do capitalismo moderno entranhado na criminalidade !

Siga os jornalistas “inadequados”, Rubens recomendou.

Em tempo: Murilo tem 22 anos. A mãe é costureira e o pai, operário metalúrgico, sem militância política ou sindical.

Em tempo2: este ansioso blogueiro faz singela sugestão ao dr Greenhalgh, o “Gomes” da Satiagraha, que se tornou editor de livros. Por que não financiar uma bolsa de estudos para o Murilo escrever as “Memórias do Cárcere do Dantas ” ?


Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews  e da CBN se refere a Ele.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Banco de Daniel Dantas diz que seu “mensalão” foi para a Globo


Dantas x Rainha do PiG - um duelo de titãs

Sumiu dinheiro que
o Dantas mandou para a Globo

Saiu no Blog Amigos do Presidente Lula:

Banco de Daniel Dantas diz que seu “mensalão” foi para a Globo


Quando os tubarões brigam, o povo ganha.


O Opportunity, banco de Daniel Dantas, emitiu nota considerando idiota a reportagem da revista Época, ao considerá-lo fonte de pagamentos ao governo, no chamado “mensalão”, pois desde que o governo Lula assumiu, o seu banco não teve mais a “generosidade” encontrada no governo FHC, e precisou enfrentar as barras da lei.


Dessa vez, e só desta, temos que concordar em parte com Dantas. A CPI dos Correios apurou que a Telemig Celular e a Amazônia Celular, pagou R$ 152 milhões às empresas de Marcos Valério. A Brasil Telecom, R$ 4,7 milhões. Se esse dinheiro foi para políticos, não foi para o governo Lula (hostil às investidas de Dantas), e sim para a bancada de Dantas, no Congresso ou nos estados.


Mas o curioso é o final da nota: “Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados as Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época.”


Se o “mensalão” da Telemig foi para a Globo, alguém não contabilizou todo o valor.


A CPI apurou R$ 122,3 milhões pagos pela Telemig para as empresas de Marcos Valério, entre 2000 e 2005.


Os pagamentos para o Grupo Globo, apurados pela CPI, no mesmo período, foram de R$ 7,4 milhões.


Tem R$ 114 milhões de diferença, não contabilizados.


Então ou a Globo apresenta voluntariamente sua planilha dos recebimentos da DNA e SMPB para dirimir dúvidas, ou o Ministério Público precisa pedir a quebra do sigilo bancário e contábil das empresas das Organizações Globo para encontrar essa diferença.


Clique aqui para ler “PF incrimina Dantas no mensalão. Nem Época conseguiu esconder”.

aqui para ler “Será que Macabu vai absolver Dantas na semana em que até a Época, da Globo, o incrimina ?”.