Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

GILMAR JULGA DEMÓSTENES. ALÔ, É VOCÊ ? ALÔ ? >>>>Gilmar usa jatinho com (e de) Demóstenes … Viva o Brasil !


O incansável Stanley Burburinho envia esse precioso testemunho da qualidade da Justiça (sic) do Brasil.

(Não deixe de ler sobre o curso sobre bancos dado por banqueiros a juízes.)

Diz o Burburinho:


Gilmar Mendes analisa pedido de Demóstenes para reassumir cargo de Procurador –http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=76561 

Veja a imagem que peguei no site do STF:

Lembra que Gilmar Mendes e Demóstenes podem ter viajado juntos num jatinho da Europa para o Brasil ?

Carta Maior

Escutas telefônicas indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou um jatinho King Air para dar uma carona ao senador Demóstenes Torres e a “Gilmar”, no retorno de uma viagem da Alemanha ao Brasil. Em uma ligação no dia 23 de abril, um ex-vereador do PSDB pede autorização para buscar o “Professor” Demóstenes em um jatinho, que está com o “Gilmar”. Na degravação, a PF questiona entre parênteses (“Mendes?”). O ministro do STF foi a Europa neste período para participar de um congresso internacional de Direito.)

Lembra do “grampo” sem áudio que Gilmar Mendes e Demóstenes disseram que foram vítimas? 

Lembra que a enteada de Gilmar Mendes tinha cargo de confiança no gabinete do Demóstenes quando ele era senador?

Gilmar Mendes não tinha que se considerar impedido de julgar esse processo?

No dia 17/02/2014 a Ministra Cármen Lúcia publicou despacho que diz que    ”Por motivo de foro íntimo, declino suspeição para atuar neste processo (…)” 

Olha o que foi publicado no dia 19/02/2014″ “Determinada a redistribuição em 18/02/2014: A ministra Cármen Lúcia declarou-se suspeita para atuar no presente feito, conforme despacho de 17.02.2014, e remeteu os autos à Presidência para redistribuição. Redistribua-se este mandado de segurança, com a devida compensação na distribuição. Publique-se.”  

http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4529080


E tem mais:

GILMAR MENDES ADMITE DOIS VOOS EM AVIÕES CEDIDOS POR DEMÓSTENES



Mariângela Galucci, de O Estado de S. Paulo – Texto atualizado às 19h35

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta terça-feira, 29, que nunca voou em avião de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mas que por duas vezes viajou em aeronaves cedidas pelo senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). As duas viagens, segundo Mendes, foram de Brasília para Goiânia e realizadas em aviões de uma empresa de táxi aéreo chamada Voar.
Não esquecer que Gilmar foi com Demóstenes à formatura do grande jurista Marconi Perillo, também, como Demóstenes, portador de relações íntimas com Carlinhos Cachoeira, notável empreendedor da indústria editorial.
Não é, Caneta ?
Vejam o que publicou o Conversa Afiada, com a ajuda do Fábio (Viva o Brasil, Fábio !)

QUEM GILMAR E DEMÓSTENES FORAM PARANINFAR EM GOIÂNIA ?


Conversa Afiada reproduz comentário e singelo vídeo enviados pelo amigo navegante Fábio.
Enternecedor, amigo navegante.
Contenha a emoção !
Fabio 31 de maio de 2012
PHA
Sou de Goiânia, estava lendo sobre sobre esse caso da “reportagem” da revista Veja envolvendo Lula e Gilmar Mendes, e algo me chamou a atenção. O Gilmar Mendes alegou que pegou carona de avião com o Demóstenes, porque seria paraninfo de uma turma de Direito em Goiânia. Foi aí que lembrei que o governador Marconi se formou em Direito. Nesse momento, fiquei imaginando se não seria essa a turma de que ele foi paraninfo. Que turma será essa, tão importante ? Adivinhe só ! Vejam esse vídeo: http://youtu.be/moy7zYxOihY Todos juntos: Gilmar, Demóstenes e Marconi. Está lá pra todo mundo ver. Aliás, Marconi Perillo foi um aluno especial. A mulher dele, Valéria Perillo, também. A Faculdade Alves Faria (Alfa), em Goiânia, montou uma turma de Direito exclusiva para os dois. Que prestigio, hein ?
Navalha
Observe, amigo navegante, a fala do Demóstenes neste vídeo revelador: diz que o Maconi sabe tudo, tem a “expertise”.
Sem dúvida !!!
E a fala do Gilmar Dantas (*), amigo navegante ?
Uma platitude.
Parece fala do Fernando Henrique – ali, o sol não brilha !
Tem a luminosidade de uma toga de Juiz.
Em tempo: é ou não é uma comunidade unida: Gilmar, Demóstenes, Perillo e o Cerra que pede ao Johnbim para ter uma conversinha com a Veja ? Só faltou nessa formatura o Carlinhos. Será que ele estava com o Policarpo ?

Clique aqui para ler “Depois de Gilmar e Barbosa, Dallari pega Marco Aurélio”. 



Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Andrea Matarazzo quer institucionalizar a inviolabilidade tucana

gg
Repare essas frases do advogado de Matarazzo, que está tentando uma proeza incrível, até mesmo para a tradição tucana de manter seus quadros indevassáveis e intocáveis: proibir que a Polícia Federal o investigue. Suas razões:
“O que me causa espanto é que vivemos um momento em que todo homem público tem que ser investigado. Um cidadão assume o governo e já se abre inquérito contra ele. O homem público está estigmatizado neste país.”
(…)
“O grande problema disso tudo é o desgaste político, fica sangrando.”
É o cúmulo do cinismo. Condena-se Dirceu sem absolutamente nenhuma prova. Já o trensalão tucano, há emails, contas, cartas, depoimentos, testemunhas, investigações na Suíça, documentos. E agora, o único político tucano que as autoridades tiveram coragem de investigar, e mesmo assim em inquérito “exclusivo”, vai tentar, junto ao Judiciário, proibir que seja investigado pela Polícia Federal.
E isso porque ele “fica sangrando”.
O PSDB nunca deixou abrir uma CPI em São Paulo pelas mesmas razões. Já o PT experimentou incontáveis CPIs, e seus quadros são condenados impiedosamente pela mídia mesmo que o crime seja tão grave quanto comprar uma tapioca.
Não sei porque, mas tenho a impressão que a mídia não vai dar um pio contra as chorumelas esfarrapadas de Matarazzo.
Acho que o PSDB poderia fazer logo um projeto de lei para instituir no Brasil, de maneira oficial, a inviolabilidade tucana. Eu ajudo no texto, que poderia ser algo assim: fica proibido, a partir desta data, criar CPIs que prejudiquem o PSDB; nenhum político do partido pode ser investigado; inquéritos eventualmente abertos contra crimes nos quais tucanos sejam suspeitos serão automaticamente fechados ou engavetados. Ficou bom?
Abaixo a notícia do Estadão sobre mais uma genial ideia tucana: barrar inquérito.
*
Matarazzo quer barrar inquérito da PF
Defesa de vereador tucano estuda entrar com habeas corpus contra nova investigação no caso Alstom
por Fausto Macedo, no Estadão.
A defesa do vereador Andrea Matarazzo (PSDB) estuda ir à Justiça com pedido de habeas corpus para evitar a abertura de inquérito da Polícia Federal contra o tucano no âmbito do caso Alstom – suposto esquema de propinas a funcionários públicos da área de energia do Estado, entre 1998 e 2003, nos governos Mário Covas e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.
A alegação central é de que a investigação – requerida pela Procuradoria da República e autorizada pela 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo – “não tem causa, nem objeto”.
O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa Matarazzo, destaca que “não há nada a temer”, mas faz um alerta. “O que me causa espanto é que vivemos um momento em que todo homem público tem que ser investigado. Um cidadão assume o governo e já se abre inquérito contra ele. O homem público está estigmatizado neste país.”
Matarazzo já foi investigado pela PF no inquérito Alstom. Ex-secretário de Energia de Covas, ex-ministro de Comunicação Social do governo Fernando Henrique Cardoso e ex-secretário de Cultura das gestões Alberto Goldman e Alckmin, o tucano foi indiciado por corrupção passiva, mas ele afirma que não conhece os lobistas, empresários e executivos que protagonizaram o escândalo.
“Não assinei o contrato e nenhum aditamento, todas as atas estão lá”, disse Matarazzo. “Fiquei apenas 7 meses no cargo de secretário, em 1998. A Eletropaulo estava em pleno processo de privatização. O grande problema disso tudo é o desgaste político, fica sangrando.”
Há três semanas, ao apresentar à Justiça denúncia criminal contra 12 investigados do caso Alstom, a Procuradoria excluiu Matarazzo porque reconheceu expressamente “inexistência de provas” contra ele.
No entanto, a Procuradoria requereu inquérito específico sobre o tucano alegando que ainda são aguardados documentos da Suíça em nível de cooperação jurídica internacional.
O advogado do vereador afirma que nenhum documento poderá comprometer Matarazzo. “Mas, suponha-se que mandem para o Brasil a prova de um crime. Aí sim o Ministério Público poderia requisitar inquérito policial ou aditar a denúncia já oferecida. O caminho natural é este, jamais abrir um inquérito sem fato a ser investigado.”
Para o criminalista Mariz de Oliveira, o novo inquérito representa “uma punição política, uma punição fora da lei”.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CNJ VAI APURAR CONTRATO DO TJ-BA COM IDP DE GILMAR

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

POR QUE DANTAS TEM (AINDA) TANTO PODER ? É porque ele sabe se virar, disse o Greenhalgh.

Na entrevista que concedeu ao Barão de Itararé, Rubens Valente, autor de “Operação Banqueiro” – que está a merecer uma daquelas páginas inteiras na Folha (*) ou no UOL … – enfrentou com valentia uma pergunta do Miro Borges, presidente perpétuo do Barão.

“Por que o Dantas tem tanto poder ?”, quis saber o Miro, com a singeleza do óbvio demolidor.

Rubens valeu-se de uma explicação do nobre petista Greenhalgh, ou “Gomes”, ou “Jacu-3”, que, com Vaccari, faz parte do elenco petista de “Operação Banqueiro”.

Porque ele sabe se virar, disse Greenhalgh.

Dantas sabe se virar.

De outro jeito, como explicar que ele nadasse de braçada na Privataria Tucana e detivesse o controle da Brasil Telecom, sem botar um tusta, com a ajuda de tucanos como o André Lara Resende e Luiz Carlos Mendonça de Barros, do Banco Matrix, e do nunca assaz louvado Ricardo Sergio de Oliveira, tesoureiro-chefe de campanhas doPríncipe da Privataria e do Padim Pade Cerra ?

Como explicar que Dantas controle o maior terminal de containers do Porto de Santos e, por pouco, não impedisse a aprovação da MP dos Portos, conhecida como MP do Tio Patinhas ?

Como explicar que ele tivesse participação no controle do metrô do Rio.

Só “sabendo se virar”…

Mas, onde Dantas sabe se virar ?

No Executivo, antes de mais nada, porque ele gosta de operar bens públicos que, na teoria, deveriam ser investigados implacavelmente por procuradores, policiais, juízes – e colonistas (**) zelosos.

Ele sabe se virar no Executivo através dos partidos.

No PSDB – consulte “Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr – e no PT: fala, Valério, fala !fala, Pizzolatto, fala !

No Legislativo, sem dúvida.

Quem não lembra da CPI dos Amigos de Dantas sob a Presidência (sic) do notável policial Marcelo Lunus Itagiba e o devotado socialista de Eduardo Campos, o Raul Jungmann ?

A CPI que tentou destruir o destemido Juiz Fausto De Sanctis !

Ele sabe se virar no PiG.

Que o diga o seu braço petista, o site 247 – clique aqui para ler “Dilma caiu nos braços do Dantas”.

Leonardo Attuch, do 247, é estrela de secundária grandeza no livro de Valente – págs. 42, 157 e 384. Sempre no papel de “repórter” da IstoÉ Dinheiro, a produzir “reportagens” que casavam, por incrível coincidência, com os interesses empresariais, tópicos, do banqueiro em tela.

Dantas tentou comprar a IstoÉ.

Attuch telefonou a Naji Nahas para que processasse o ansioso blogueiro e Mino Carta.

E ele não é o único “repórter” do Sistema Dantas de Comunicação.

Protógenes Queiroz, lamentavelmente, não teve tempo de concluir na Operação Satiagraha as investigações sobre o conluio Dantas-PiG.

Ele chegou a pedir a prisão de uma repórter da Folha, Andrea Michael, que quase “derrubou” a Operação pouco antes de nascer.

O Juiz De Sanctis não aceitou o pedido de prisão de Michael, porque, com a simples citação dela, a própria imprensa a condenaria.

Ao contrário !

Foi exaltada como Joana D’Arc num inesquecível Roda Morta …

Hoje é muito provável que De Sanctis se arrependa amargamente do que fez.

Mas, onde o Dantas sabe muito bem se virar é na Justiça !

Aí, ele é (quase) imbatível !

Ele os 1001 melhores advogados do Brasil !

Pagos em tonéis de ouro !

O excelente repórter Samuel Possebon, da Teletime, defende a tese de que parte do business plan do Dantas era montar teias de aranha societárias complexíssimas, inacreditáveis, indecifráveis e demonstrar aos sócios que seria capaz de referendá-las na Justiça. 

No post “Janot vai ter a coragem de investigar Gilmar ?” se trata da operação de Dantas e seu lobista com Gilmar Dantas (***) para tirar do âmbito da Anatel e levar à Justiça um dos pleitos de Dantas.

Isso tudo sem falar nos dois HCs Canguru de Gilmar Dantas (***), que o ministro Marco Aurélio (Collor de) Mello chamou de “per saltum”.

Clique aqui para ir ao vídeo que a Globo censurou e mostra o “per saltum” em sua verdadeira extensão.

(O Conversa Afiada evita falar do ministro Adilson Macabu, e das Juízas Morgana Richa, no Conselho Nacional de Justiça, e Cecília Mello, do TRF da 3ª Região.

Macabu absolveu Dantas no STJ, mas isso será devidamente revisto no Supremo, breve. 

Morgana votou com o Opportunity na tentativa de degolar o destemido Juiz De Sanctis. 

E Cecília Mello houve por bem sepultar a investigação sobre a Operação Chacal e agora está inscrita na História de Dantas, no livro de Valente.) 

Sobre as relações de Dantas com Gilmar – que a República precisa conhecer – o livro de Valente escancarou a porta.

Não há HC Canguru que impeça o conhecimento dos fatos.

(Clique aqui para ir ao TV Afiada, que pergunta: Gilmar já veio de férias ?).

O júri instalou-se na praça da opinião pública.

E na blogosfera.

Sobre o papel da imprensa na carreira do Dantas, um Rubens Valente a escreverá, breve.

Quem sabe não será um “jornalista de Economia” da Folha (*), Guilherme Bastos, que Protógenes cita na Satiagraha ?

Como diria o Ricardo Melo, é ou não é uma esculhambação, amigo navegante ?


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(***) Clique aqui para ver como notável colonista (**) da Globo Overseas Investment BV se referiu a Ele. E aqui para ver como outra notável colonista (**) da GloboNews e da CBN se referia a Ele. O Ataulfo Merval de Paiva preferiu inovar. Cansado do antigo apelido, o imortal colonista (**) decidiu chamá-lo de Gilmar Mentes. Esse Ataulfo é um jenio. O Luiz Fucks que o diga.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

OS ARGUMENTOS DE RENAN NA BATALHA CONTRA GILMAR

:
No recurso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirma que a liminar concedida por Gilmar Mendes ao mandado de segurança levado ao STF por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) "ofende a Constituição", transforma o STF num "suprapoder", acima dos demais, e enfraquece a democracia; embate é crucial para os rumos do País

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Envergonhe-se da Justiça do País


EduGuim.
Se contra o STF só pesassem dúvidas sobre o julgamento da Ação Penal 470 – vulgo julgamento do mensalão –, não seria nada. Por embasadas que sejam, pertencem à política. Mas neste texto, leitor, ser-lhe-ão apresentadas razões muito mais concretas para desconfiar do Judiciário como um todo.
Os escândalos que vicejam em uma Corte que julga escândalos dos mortais comuns podem escapar da mídia e dos órgãos de controle da República, mas não escaparão dos livros de história. E você que me lê, cedo ou tarde será atingido por seus efeitos.
Aliás, valerá você refletir que, se na Cúpula do Judiciário os abusos dos ministros do STF são tão descarados quanto lhe serão apresentados, o que devemos imaginar que ocorre nas instâncias inferiores, nas quais a visibilidade é tão menor?
Só neste mês, o país ficou sabendo de festas milionárias organizadas por grandes escritórios de advocacia para ministros do STF que julgam as causas que tais escritórios defendem, de reformas nababescas em imóveis do Estado que os mesmos ministros usam e, pior do que tudo isso, ficou sabendo que esses superadvogados empregam parentes próximos dos juízes aos quais, repito, submeterão suas causas.
Fica difícil escolher por onde começar. Talvez pelo fato menos grave, mas não menos patético: a reforma do apartamento funcional do virulento ministro Joaquim Barbosa, de quem o moralismo sobre dinheiro público não inclui o uso que dá a este.
Ou gastar R$ 90 mil dos cofres públicos para reformar um banheiro não é uma bofetada no povo brasileiro? Imagine, leitor, se fosse um deputado, um senador, um prefeito, um governador ou um presidente.
Ser mal-educado ou viver como um nababo às custas dos nossos impostos, porém, torna-se um mal menor quando vêm à tona as relações de ministros do STF com escritórios multimilionários de advocacia como o do advogado Sergio Bermudes.
E pior ainda é o fato de que as relações de juízes com o advogado milionário ganham um jornal – a Folha de São Paulo, que denunciou festa de aniversário para centenas de pessoas que Bermudes daria para Luiz Fux e que acabou não dando por conta da denúncia –, mas esse mesmo veículo poupou outro juiz que recebe muito mais favores, Gilmar Mendes, quem, por ser amigo do dono do tal jornal, foi poupado.
A Folha denunciou a festa de Bermudes para Fux? Sim, mas omitiu as relações de Gilmar com o mesmo Bermudes e que o mesmo Gilmar e o mesmo Fux têm parentes próximos trabalhando para o advogado milionário – no caso, a filha de Fux e a esposa de Gilmar.
Engraçado que os dois, Fux e Gilmar, consideraram que um empréstimo concedido pelo Banco Rural à ex-mulher de José Dirceu seria prova do envolvimento deste com o escândalo do mensalão.
Claro que Bermudes não está envolvido em nenhum escândalo como o Banco Rural, mas o Código de Processo Civil, em seu artigo 135, é muito claro: “Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz, quando for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes”.
Mas a lei, ora, a lei… No Brasil ela não vale para todos da mesma forma. Inclusive não vale da mesma forma nem para os supremos juízes. A que vale para Fux, por exemplo, não vale para Gilmar.
Fux, intimidado pelo noticiário do jornal amigo de Gilmar, pediu a Bermudes para cancelar a festa – mas não para demitir a filha ou para que fossem anuladas todas as causas do amigo milionário que julgou. Mas Gilmar, esse nem deu satisfações a ninguém.
E olhem que chegou a sair uma notinha de 3 ou 4 linhas no Estadão dando conta de que a mulher de Gilmar trabalha para Bermudes. Mas, claro, não saiu nem um terço dessa missa.
Em 2011, um advogado lá de Brasília chegou a pedir ao Senado o impeachment de Gilmar por suas relações com Bermudes – para ler o pedido completo, clique aqui. Quem adivinhar o que fez o Senado com a bem fundamentada peça, ganha um nariz de palhaço.
A petição do advogado Alberto de Oliveira Piovesan é um primor, segundo jurisconsultos a que este blogueiro recorreu. No mínimo, o Senado deveria ter aberto uma investigação, mas, mesmo diante dos fatos espantosos que a peça revela sobre a relação de Gilmar com Bermudes, arquivou-a sem dó nem piedade.
A peça relata, por exemplo, que em 2009, quando Gilmar era presidente do STF, foi à festa de Bermudes no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e ficou à porta com o anfitrião do convescote recebendo convidados e que, dentre estes, pululavam grandes empresários.
Não vamos falar nem de mimos milionários como festas para centenas de pessoas ou empregos bem remunerados para filhas e esposas dos que irão julgar as causas de um advogado milionário. Nem de um ministro do Supremo se aproximar desse jeito de pessoas que têm tanto interesse no seu trabalho. Falemos de ficar em situação tão íntima como a descrita no pedido de impeachment citado no parágrafo anterior…
Você, leitor, pode gostar das decisões políticas que o STF tomou em relação a políticos do PT, mas, diante de todo esse escândalo na Cúpula do Poder Judiciário, consegue confiar de alguma maneira na Justiça deste país? Antes de responder, lembre-se de que, se ainda não precisou dela, um dia irá precisar.