Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador mensalão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mensalão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Carmen Lúcia fará você sentir muita saudade de Lewandowski


lewandowski capa

EDUGUIM

Uma amiga muito querida, jornalista e ser humano de primeira, signatária de desagravo que promovi em 2012 em defesa do (ainda) presidente do Supremo ministro Ricardo Lewandowski, assim como vários outros companheiros de luta veio pedir minha avaliação sobre ele por conta de sua conduta ao longo do processo de impeachment de Dilma no Senado, que preside.

Alguns amigos queridos que assinaram o desagravo a Lewandowski há quase quatro anos chegaram a me dizer que queriam retirar suas assinaturas de documento que fui entregar a ele em Brasília, logo após o julgamento do mensalão.

lewandowski 1

Antes de mais nada, quero dizer que entendo cada companheira e cada companheiro que, no afã de lutar contra o processo ilegal que tramita no Senado contra Dilma Rousseff, exasperam-se ao não verem aquele no qual muitos apostavam para combater essa injustiça (Lewandowski) fazer alguma coisa para impedir a farsa que o Legislativo federal empreende não (apenas) contra a presidente legítima dos brasileiros, mas contra a democracia.

Antes de abordar essa questão da conduta de Lewandowski no julgamento de Dilma no Senado – e a questão Carmen Lúcia, que dá título a este texto – vamos nos lembrar por que mais de cinco mil leitores desta página assinaram, em 2012, o desagravo ao ainda presidente do Supremo.

Confira, abaixo, vídeo da luta de Lewandowski, no julgamento do mensalão, em 2012, contra a famigerada “teoria do domínio do fato”, usada para condenar José Dirceu, José Genoino e outros petistas sem provas.



Lewandowski pagou um alto preço pela sua luta contra o arbítrio, contra farsa jurídica anterior que permitiu cassar a liberdade de cidadãos ao arrepio da Constituição Federal.

Quando fui levar a ele o calhamaço com mais de cinco mil comentários de leitores solidarizando-se com ele por ter defendido a justiça e a verdade no julgamento do mensalão, fui recebido por sua família, que me agradeceu pela iniciativa, pois todos estavam sendo ofendidos por vizinhos, nas ruas, pois o ministro e sua família são pessoas de classe média alta e, nesse meio, o consenso a favor da farsa do mensalão era total.

Por essa razão, pela iniciativa deste blogueiro, Lewandowski gravou o vídeo abaixo.



Contudo, não é por conta desse vídeo ou do convite de Lewandowski para que eu participasse de sua posse que, agora, volto a me manifestar em seu favor. Quase não temos tido mais contato. De 2012 a 2014, todos os finais de ano ele me telefonava para desejar boas festas; em 2015, não houve ligação. E os contatos diretos e indiretos que tínhamos, cessaram.

O que ocorre é que minha postura política decerto pesou para ele por estar presidente do Supremo. E é compreensível. Lewandowski tomou todos os cuidados para não ser ligado a nenhuma corrente política. E a melhor coisa que ele pode fazer para me agradar é se portar com justiça. É isso o que todos queremos dele.
Não vou exigir ou cobrar nada dele.

Agora, quero que os amigos reflitam comigo o seguinte: ninguém assinou o desagravo a Lewandowski em 2012 por conta do que ele faria no futuro, mas pelo que ele havia feito no passado então recentíssimo, ou seja, no julgamento do mensalão, como mostra o vídeo acima.

Quanto ao que o presidente do Supremo tem feito ao longo do processo de Dilma, em minha opinião ele está fazendo o que pode ser feito. Temos que entender que ser presidente do STF não significa ser dono daquela Corte ou decidir sozinho em nome dela.

Claro que Dilma ainda poderá arguir no Supremo o mérito do processo contra si no Senado, mas só fará isso quando o processo terminar. Ela ainda não fez porque se sofrer uma derrota no STF ela influirá na decisão que o Senado tomará no fim deste mês. E quando o fizer estou certo de que Lewandowski votará corretamente, da forma mais honesta possível.

Um exemplo da conduta decente do ministro no processo contra Dilma foi quando ele barrou abuso que estava sendo cometido contra ela pela Comissão do Impeachment

lewandowski 3
Até hoje, lewandowski vem sendo achincalhado e perseguido pelo seu comportamento destemido no julgamento do mensalão, que ele adotou em prejuízo até de sua família, de sua imagem nos setores abastados da sociedade em que vivem pessoas como ministros do Supremo.

Um bando de vagabundos chegou a mandar fazer um boneco inflável dele para achincalhá-lo.

lewandowski 2

Por fim, sobre o título deste post, quero dizer que, assim como a gestão Temer vem fazendo muitos dos que criticavam Dilma antes de ela ser afastada agora sentirem saudade do governo dela, Carmen Lúcia fará as pessoas que estão descontentes com a postura de Lewandowski no julgamento da presidente no Senado sentirem saudade e valorizarem a gestão dele à frente do Supremo.

A grosseria de Carmen Lúcia contra Dilma ao dizer que não quer ser chamada de “presidenta” e, sim, de “presidente”, não foi um caso isolado. Carmen Lúcia gosta de atender aos caprichos da mídia. Há anos vem se comportando de modo midiático. Assim como Gilmar Mendes, ela está sempre lá para dizer o que a mídia antipetista quer ouvir.

Em agosto do ano passado, por exemplo, deu declaração política sobre petistas investigados pela Lava Jato. A então vice-presidente do STF declarou para as câmeras que brasileiros precisam ter ‘a ousadia dos canalhas’.

Ela deu a declaração durante uma palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, mas, de acordo com a agência de notícias Reuters, não esclareceu a quem se referia quando usou o palavra ‘‘canalhas’’, mas o contexto foi quando petistas haviam sido denunciados pela Lava Jato naquele mesmo dia.

Em setembro de 2015, Carmen Lucia voltou a encenar para as câmeras ao votar pela validação da decisão do ministro Teori Zavascki, que decretara a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS); disse que o crime não venceria a Justiça, e disse de forma teatral, que foi prontamente usada pelo Jornal Nacional contra o PT.

Em março deste ano, sobre a queixa de Dilma de que estava sendo vítima de um golpe, Carmen Lúcia novamente estava lá para dizer o que a mídia queria. Confira a declaração dela  sobre essa questão:

“Não ouvi [o discurso de Dilma], mas tenho certeza que a presidente deve ter dito que, se não se cumprir a Constituição, poderia haver algum problema. Não acredito que ela tenha dito que impeachment é golpe porque ele é previsto na Constituição”
Uma bobagem. É claro que Dilma não disse que impeachment é golpe, ela havia dito que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe, e até defensores do impeachment reconhecem que não há crime de responsabilidade e que Dilma está sendo derrubada por “julgamento político”.

Lewandowski não tem muito o que fazer por Dilma durante o julgamento. Se prazos e procedimentos da lei do impeachment forem seguidos, ele não pode se meter. Só em casos de abusos como negarem a perícia pedida por Dilma é que ele pode fazer alguma coisa.

Não quero que Lewandowski atue como advogado de defesa de Dilma, muito menos como acusador. 

Quero que atue como magistrado, e ele tem feito isso. Lewandowski não é presidente do PT, é presidente do Poder Judiciário. Por pouco tempo. Infelizmente. Sejamos justos com ele, companheiras e companheiros. De injustiça já basta a que fazem com Dilma.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Azenha: Mídia atropela notícia para servir ao “governo anterior”

O Conversa Afiada reproduz artigo de Luiz Carlos Azenha, extraído no Viomundo:

Mídia atropela a notícia para servir ao “governo anterior”


por Luiz Carlos Azenha

Milhares de pessoas cercam o prédio de uma assembleia legislativa. Encaram bombas e balas de borracha. Impedem a votação do plano de austeridade de um dos principais governos estaduais do Brasil.

Manchete da Folha? Outra notícia, vinda também de Curitiba, extraída de um antigo depoimento do doleiro: José Dirceu sabia (dos desvios na Petrobras). Depoimento, aliás, desmentido pelo próprio. E pelo também citado tesoureiro do PT, João Vaccari. O doleiro disse à PF o que bem entendeu. No caso, ele é o réu confesso. Mas sua palavra é publicada como verdade absoluta e inquestionável.

O que está acontecendo?

O suposto envolvimento de Dirceu cai como uma luva no roteiro. Mensalão + petrolão = Lula derrotado em 2018. Mas, para que tenha credibilidade, é preciso eliminar do escândalo o que a Globonews chamou de “período que antecede o governo petista”. Sarney? Itamar? Médici?

É por isso que, como notou o presidente do PT, a curiosidade dos delegados que colhem depoimentos na Operação Lava Jato parece se fixar no período pós-2003.

É como se Youssef, o doleiro, não tivesse servido também a tucanos.

Aliás, a credibilidade do PT está no fim com os eleitores também pelo fato de o partido ter convivido muito bem, sempre, com a herança maldita dos antecessores.

A origem da máfia dos sanguessugas — que vendia ambulâncias superfaturadas — foi o ministério da Saúde sob José Serra, mas ela prosseguiu depois que Lula assumiu o poder.

O mesmo aconteceu com a máfia dos vampiros — que negociava hemoderivados.

O PT de Lula, em nome de um acordo em Minas, manteve no poder em Furnas o diretor Dimas Toledo, justamente o homem da Lista de Furnas, o esquema de financiamento de campanha de tucanos e aliados através dos fornecedores da estatal.

Marcos Valério serviu ao esquema de caixa 2 do PSDB e aliados antes de repetir a jogada com o PT e aliados.

Quando o PT no poder teve a oportunidade de provocar rupturas com o passado, não o fez.

CPI do Banestado? Terminou em acordão. CPI da Privataria? Nem então, nem depois do livro de Amaury Ribeiro Jr.

Quando um delegado da Polícia Federal teve a coragem de encanar o banqueiro, o governo se voltou… contra o delegado. O chefe da Polícia Federal foi mandado para o exílio. O banqueiro hoje financia um site de apoio ao governo Dilma!

Quando um repórter da Veja foi flagrado em aliança jornalística com o bicheiro, o PT olhou, olhou e fez que não viu.

Por isso, não foi surpresa quando o vice de um governador tucano — Afif Domingos — se tornou ministro de uma presidente petista.

Ninguém enrubesce com a perspectiva de ver Marta Suplicy, petista histórica, concorrendo à Prefeitura de São Paulo pelo PSB com o apoio de Geraldo Alckmin.

É nesta geleia geral que Curitiba assume relevância ainda maior. Não a Curitiba do Moro, mas a que impediu a austeridade de Beto Richa.

É junho de 2013, de novo.

Mas a mídia não entendeu isso. Ela está ocupada na campanha que parece não ter fim: criminalizar apenas um dos irmãos — eles estão ficando cada vez mais parecidos.

Não mencionem “PSDB” que ela enterra nas páginas internas. Na Globo, como famosamente saia no Jornal Nacional já na campanha de 2006, é “o governo anterior”.

Para esconder o grande desastre em andamento no Brasil, o apagão da água em São Paulo — este sim, não é um depoimento sem provas –, disfarça criando a perspectiva de um racionamento de energia que ainda nem é considerado.

PS do Viomundo: Conforme dissemos anteriormente, quando a blogosfera entrou em surto com a eleição de Eduardo Cunha, ele nunca se interessou pelo impeachment de Dilma. Definido como lobista por Altamiro Borges, o deputado carioca é isso: serviçal da grana. Ele não vai entregar a chave do cofre para os tucanos. Jamais. Cunha é o artífice da reação da elite brasileira contra junho de 2013. Se deixarem, vai fazer uma reforma política que nos fará ficar com saudade daquele Congresso cercado pelos manifestantes.

Sobre o site do banqueiro que apoia a Dilma, veja aqui o que o Conversa Afiada já disse a respeito.
Em tempo: por falar em Governo anterior, esse Bessinha …

Paulo Henrique Amorim




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Como e quando Marcos Valério inocentou Lula e Zé Dirceu.

FHC sem limite: 'Fiz (um ajuste) sem que o povo pagasse a conta'. Perguntas: e quem pagou o desemprego de 12,6% em 2002? E a inflação de 12,5% no mesmo ano? Quem pagou a entrega das estatais? Quem pagou a fatura das tres idas ao FMI? Quem pagou o juro de 45% em 1998?


Brasil aos cacos? Mortalidade infantil recua mais uma vez em 2013 para 15 por mil; era de quase 20 por mil (19,7 por mil) no final do governo FHC; brasileiro ganha quase quatro anos à mais de expectatva de vida desde 2002 (de 71 anos para 74,9)


'As maiorias não se equivocam, as maiorias dirigem uma nação. Os resultados das urnas são para ser acatados e defendidos'. Com essas palavras,Luis Lacalle, candidato derrotado no Uruguai, felicitou Tabaré Vázquez e deu uma lição aos paladinos do terceiro turno no Brasil


Com 53,6% dos votos, uma vantagem de cerca de 12 pontos sobre o conservador Lacalle, Tabaré Vázquez é o novo Presidente do Uruguai; Frente Ampla emenda seu terceiro mandato no país com maioria na Câmara e no Senado


 Resolução do Diretório Nacional, instância máxima do PT, reunida em Fortaleza: 'todo filiado comprovadamente envolvido em prática de corrupção será expulso do partido'

Carta Maior.


Como e quando Marcos Valério inocentou Lula e Zé Dirceu


Valério capa

Blog Cidadania
O Blog recebeu, de fonte que não quer ser identificada, um calhamaço de documentos contendo informações bombásticas – algumas, já conhecidas. Há acusações pesadíssimas contra figuras importantes da república. Algumas dessas acusações são de caráter pessoal e não envolvem condutas lesivas ao interesse público.
Esse material consta do inquérito físico do mensalão tucano e já houve vazamentos seletivos em 2012, quando reportagem da revista Veja afirmou que o dito operador do “mensalão do PT”, Marcos Valério, em entrevista da qual ninguém jamais ouviu a gravação além da revista, teria acusado o ex-presidente Lula de ter se encontrado consigo e de ser o “chefe” do mensalão.
Valerio 1
Abaixo, trecho da matéria de capa da edição 2287 da revista Veja, datada de 19 de setembro de 2012
“(…) Feita com base em revelações de parentes, amigos e associados, a reportagem de capa de VEJA desta semana reabre de forma incontornável a questão da participação do ex-presidente Lula no mensalão. “Lula era o chefe”, vem repetindo Valério com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo STF (…)”
O material enviado ao Blog contém reprodução de gravações do inquérito 3530 da PF que mostram que dificilmente Marcos Valério poderia ter feito acusações a Lula na entrevista à Veja, porque, naquele momento, já sabia que fora grampeado em reunião com vários envolvidos no mensalão tucano, reunião na qual inocentou Lula e José Dirceu de qualquer participação no esquema do mensalão.
Para entender a origem do material, reproduzo, abaixo, trecho do manual que o acompanha.
“(…) Aí estão os principais arquivos do Inquérito 3530 da Polícia Federal, que gerou a Ação Penal 536 (Mensalão Tucano), com base na qual o Procurador Geral da República – Rodrigo Janot –, pediu quase 23 anos de prisão para Eduardo Azeredo (…)”
Este Blog acredita ter razões para divulgar, neste momento, trecho de material que circulou parcialmente na internet em 2012. Refere-se a trecho de gravações clandestinas feitas por Joaquim Engler, advogado de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro de campanha do ex-senador e ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo, pivô do mensalão tucano.
No trecho em questão, Valério inocenta Lula e José Dirceu de qualquer responsabilidade pelo mensalão do PT.

Valerio 2

A degravação foi feita por Engler em 19 de outubro de 2011

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Convite da PF a Lula reedita golpe midiático-eleitoral de 2012


Há exatos dois anos e nove dias (15/09/2012), às portas das eleições municipais, chegava às bancas de jornal a edição 2287 da revista Veja. A publicação usara mais uma das muitas capas rubras que reiteradamente divulga quando quer acusar o PT de alguma coisa.
Era ano eleitoral e, para variar, a mídia trabalhava furiosamente para impedir uma das cerca de cinco mil eleições para prefeito que ocorreriam no país dali a cerca de duas semanas, a eleição de Fernando Haddad.
Na capa de Veja (vide imagem no alto da página), a esperança midiática de impedir uma das maiores derrotas que o PSDB já sofreu para o PT, a derrota do candidato preferido dos barões da mídia para qualquer cargo: José Serra.
Contudo, não rolou. Haddad surrou Serra eleitoralmente e virou prefeito de São Paulo.
Em 2012, Veja jogou no cenário eleitoral a mesma “bomba” que, dois anos depois, outro braço da mídia tenta usar para impedir a eleição de Dilma Rousseff: Marcos Valério, operador dos mensalões tucano e petista.
O ex-presidente Lula foi usado em 2012 por Veja e agora está sendo usado por Folha de São Paulo e Estadão para tentar impedir a eleição de um petista. Nesta quarta-feira (24), os dois jornais publicaram matérias dizendo que Lula se esquiva de depor na PF há 7 meses.
Quem forneceu munição à mídia em 2012 foi Marcos Valério Fernandes de Souza. Há dois anos, o operador de mensalões acusou Lula de intermediar repasse ilegal de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT.
A denúncia de Valério contra Lula foi feita logo após o ex-publicitário ter sido condenado pelo STF no julgamento do mensalão. Não havia mais tempo para ele pedir “delação premiada”, mas como a Corte ainda não havia usado a “dosimetria” para calcular as penas dos condenados, Valério esperava que, com a acusação a Lula, obteria pena menor.
A denúncia do operador do mensalão contra Lula gerou OITO inquéritos na Polícia Federal. Dois, inclusive, já foram arquivados. Ao longo dos últimos dois anos, todas essas investigações ainda não conduziram a lugar nenhum.
Lula jamais foi indiciado, mas, no início deste ano, a PF o convidou a depor como testemunha. Ele não atendeu a solicitação porque não é obrigado e porque, escolado pelo uso eleitoral do caso em 2012, resolveu esperar passar as eleições para colaborar com a PF.
O Blog apurou que alguém da PF vazou a denúncia de Valério para Veja em 2012 e agora vazou para Folha e Estadão essa história de que “há 7 meses a PF tenta ouvir Lula”.
As manchetes de Folha e Estadão desta quarta-feira sobre o caso induzem a crer que o ex-presidente está sendo intimado e até que teria sido indiciado nessa montanha de inquéritos que um procurador do MPF conseguiu abrir na PF apesar de ter ficado claro que Valério, no desespero, dissera qualquer coisa para tentar escapar de uma pena de 37 anos de prisão.
A manchete do Estadão diz que “Polícia Federal tenta há 7 meses ouvir Lula” e a da Folha diz que “Polícia tenta ouvir Lula há sete meses sobre mensalão”.  Como se vê, o vazamento simultâneo da PF para os dois jornais impôs até o mote das manchetes que publicariam.
Lula, porém, só tem uma razão para não ter atendido ao CONVITE da PF: a banda tucana da instituição usou eleitoralmente essa história em 2012 e certamente tentaria usar eleitoralmente agora.
O ex-presidente disse à PF, no início do ano, que não cairia novamente nesse golpe, ou seja, não testemunharia para que, mais uma vez, a instituição vazasse o caso à mídia antipetista para que esta usasse eleitoralmente o que não vai dar em nada por falta de provas.
Ninguém se esquiva da Polícia Federal por sete meses. Se a instituição tem algo contra alguém, intima esse alguém e a pessoa tem que comparecer espontaneamente ou então, como se diz no jargão policial, será conduzida a depor sob vara – ou seja: à força.
A PF não pode nem sequer intimar Lula a depor porque a acusação de Valério não tem provas. Aliás, as matérias de Folha e Estadão confirmam tal fato, mas, para saber disso, a pessoa tem que ler as matérias e, como se sabe, brasileiro tem mania de só ler as manchetes.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Saída de Barbosa debilita oposição midiática em ano eleitoral



São variadas e sobremaneira importantes as implicações políticas resultantes da recém-anunciada renúncia do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aos 11 anos que lhe restam de mandato como ministro daquela Corte. E, mais do que isso, aos seis meses que lhe restam como seu presidente.
Em primeiro lugar, a mídia, o PSDB, o DEM, o PPS, o PSB e o PSOL perdem uma verdadeira fábrica de factoides políticos contra o PT; por outro lado, o PT e o governo Dilma se livram daquele que proveu seus adversários com a manutenção do mensalão nas manchetes e que liderou a bancada oposicionista na Suprema Corte de Justiça.
Em segundo lugar, cai a principal barreira à investigação de fatos nebulosos envolvendo a Ação Penal 470, como no caso do inquérito 2474, que, durante anos, Barbosa manteve em segredo de Justiça.
Apelidado de “gavetão”, o inquérito 2474 correu paralelamente ao inquérito 2245, que deu origem à ação penal do mensalão. Barbosa manteve engavetados os 100 volumes do 2474, que contém documentos que poderiam ter inocentado parte dos réus do mensalão. Vários investigados pelo 2474 pediram acesso ao inquérito para elaborarem suas defesas, mas Barbosa sempre negou, contrariando normas do próprio STF.
Em terceiro lugar, os políticos condenados pelo julgamento do mensalão – com destaque para José Dirceu e José Genoíno, os alvos 1 e 2 de Barbosa e seus aliados políticos de oposição ao governo Dilma – deixam de ter um carcereiro que, desde o fim do ano passado, dedica-se a torturá-los, buscando, de todas as formas, endurecer suas penas, negando-lhes direitos e provendo a mídia com elementos para fustigá-los dentro da prisão.
Com a saída de Barbosa, deve se tornar inócua a resolução 514 – de autoria do presidente do STF –, que, pela primeira vez na história, delegou àquela Corte a execução penal de condenados pela Justiça. Com isso, Dirceu, Genoíno e Delúbio Soares devem conseguir direitos que lhes estavam sendo negados, como o de trabalharem fora da prisão, em consonância com o regime semiaberto.
Em quarto lugar, o STF passa a ter um presidente que deixará de ser um estafeta de partidos políticos e que deixará de usar o principal poder desse cargo – o poder de estabelecer a pauta da Corte – para favorecer aliados e prejudicar desafetos; Ricardo Lewandowski assumirá já cargo que só deveria assumir em novembro.
Em quinto lugar, a presidente Dilma Rousseff poderá – espera-se – nomear mais um ministro do STF que dissentirá do grupo político, antes majoritário, que permitiu à Corte transformar-se em marionete da mídia e da oposição. Com essa nomeação, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello – o núcleo duro do tucanato no STF – ficarão em débil minoria.
Em sexto lugar, com um STF tão diferente, torna-se bastante provável que o julgamento do mensalão possa ser revisto no que diz respeito ao núcleo político inventado por Barbosa para que pudesse se converter no primeiro pop star do Judiciário em mais de um século de vida republicana.
As chances de uma revisão criminal para os réus do núcleo político aumentaram muito.
Visando exclusivamente seus interesses políticos, Barbosa deixou a oposição e a mídia com a brocha na mão em pleno ano eleitoral. Impérios de mídia, partidos de centro-direita e de extrema-esquerda deixaram de ter uma verdadeira arma eleitoral que, ao longo da campanha eleitoral, iria prover-lhes seguidos factoides para serem usados na propaganda política.
Para concluir esta análise, pode-se dizer que as eleições deste ano serão bem diferentes do que poderiam ser se a Presidência do STF continuasse nas mãos de um ególatra que se dispôs ao papel de capanga de partidos políticos e de impérios de mídia.
Pode-se dizer, portanto, que Barbosa traiu àqueles que o ajudaram a construir a imagem que certamente usará na previsível carreira política que abraçará. Não parece demais dizer que traiu seus aliados políticos. É o que dá apostar alto em aventureiros, pois traição é a principal característica desse tipo de gente.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

DOCUMENTO PROVA: STF PROTEGEU DANTAS !​ O sumiço do Inquérito 2474 teve o efeito de ​ ​esconder o “esquema criminoso” !!!​


O blogueiro Alexandre Cesar Teixeira, do valente Blog da  Megacidadania​ acessou documentos do Ministério Público que reabrem o “mensalão”do PT, porque o dos tucanos jamais será julgado !

Como disse o Lula: 80% do julgamento no STF foi político, porque o mensalão não existiu !​

​É o que o Alexandre agora demonstra inequivocamente:


No exato momento em que o ex presidente Lula declara à imprensa internacional que o julgamento do ‘mensalão’ teve “80% de decisão política e 20% jurídica”, o blog Megacidadania apresenta documento inédito no qual se comprova que Joaquim Barbosa sabia da existência do Laudo 2828 e que ele serviu de base para o ainda sigiloso inquérito 2474.

INFORMAÇÕES PRELIMINARES

No dia 06 de março de 2007 foi aberto no STF o inquérito 2474 que ficou sob a responsabilidade exclusiva de Joaquim Barbosa até o dia 01 de agosto de 2013.

Diversos blogs por toda blogosfera já divulgaram trechos deste sigiloso inquérito 2474, mas, nunca antes se teve acesso a qualquer documento oficial que tratasse publicamente do 2474. Pois agora temos. Trata-se do Voto 3946 de 20 de maio de 2013.





VOTO 3946 DE 20 DE MAIO DE 2013

Neste importante documento o MPF analisa um conflito de atribuições entre o MPF do DF e o de MG, exatamente sobre quem deva acompanhar o caso do inquérito 2474.

E neste Voto 3946 são feitas afirmações surpreendentes, a saber:

* A estrutura básica do esquema criminoso se erigiu sobre a formação de quadrilha, a corrupção, o peculato e a lavagem de dinheiro;

* O inquérito 2474 decorre do fato de a denúncia que originou a AP 470, não ter incluído outros eventos que não puderam ser, naquela altura, objeto de imputação;

* Investigação realizada pela PF encontrou elementos de prova que confirmam que empresas pertencentes ao grupo Opportunity aderiram ao esquema de Marcos Valério.

LEIA A SEGUIR TRECHOS INÉDITOS DO VOTO 3946/2013 (clique aqui para acessar a íntegra)


Clique na imagem para maior nitidez


CRONOLOGIA DEMOLIDORA COMPROVA OCULTAÇÃO DO LAUDO 2828 DA PF





CONCLUSÕES

Este Voto 3946/2013 é bem curto, são apenas 10 (dez) páginas. E nele estão registrados fatos já superados como a denúncia de Marcos Valério contra o ex presidente Lula. Porém, o surpreendente é que pela primeira vez se pode ler, em um documento oficial da própria PGR/MPF, que o Laudo 2828 foi utilizado como instrumento decisivo para fundamentar os trabalhos do sigiloso inquérito 2474. E isso derruba definitivamente o argumento de Joaquim Barbosa de que o 2474 nada tinha que ver com a AP 470.

Joaquim Barbosa como relator da AP 470 e também do inquérito 2474, sempre soube da existência do Laudo 2828 da Polícia Federal. Este Laudo 2828 ficou pronto em 20 de dezembro de 2006. E tudo confirma que, s.m.j., ao ter ciência de que o Laudo 2828 desmontava o principal argumento da acusação que é o desvio de dinheiro público do Banco do Brasil realizado por um petista, o relator encaminhou este Laudo 2828 para dentro do inquérito 2474, impedindo assim que – antes da aceitação da denúncia – as defesas e os demais ministros tivessem acesso a este vital Laudo 2828.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Justiça à brasileira: Demóstenes Torres curte Ano Novo na Itália

Dois homens, duas acusações, dois pesos e duas medidas.
O ex-senador Demóstenes Torres foi flagrado mantendo relações com um chefe do crime organizado de Goiás. Há fartas provas materiais contra ele, inclusive gravações em que aparece se corrompendo.
Demóstenes foi flagrado por uma fonte deste blog desfrutando das delícias que o dinheiro pode comprar. A foto que o leitor vê acima foi tirada na cidade italiana de Firenze no primeiro dia deste ano.
José Genoino foi acusado de corrupção ativa e formação de guadrilha e condenado a 6 anos e 11 meses de prisão sem uma única prova material ou mesmo testemunhal. Para condená-lo, usaram a teoria de que seria “verossímil” que fosse culpado.
No mesma foto acima, Genoino aparece em prisão domiciliar, em Brasília, no dia 6 último, após a justiça ter decidido lhe cobrar uma multa que vale mais do que a casa humilde em que reside, num bairro de periferia da grande São Paulo.
Os fatos acima resumem a Justiça brasileira. Abaixo, as fotos de como a elite judiciária trata a elite política deste país, que paira acima das leis enquanto debocha delas.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O QUE O PIG (*) NÃO DIZ SOBRE O MENSALÃO Novo site mostra fatos ignorados pela grande imprensa sobre a AP 470.

O Conversa Afiada reproduz post do Blog do Zé Dirceu, com a indicação de um novo site lançado para acabar com a farsa do mensalão:

O QUE SETORES DA MÍDIA NÃO DIZEM SOBRE A AP 470



Queremos compartilhar com vocês a informação sobre a criação de um novo site mostrando fatos ignorados pela grande imprensa sobre a AP 470. É o “Ação 470 – O que setores da mídia não dizem sobre o suposto mensalão”.

“Esse blog nasceu para ser um contraponto ao discurso hegemônico de parte da mídia sobre o caso da Ação Penal 470, popularmente conhecida como ‘mensalão’. Reunimos publicações, reportagens especiais e artigos que expõem o outro lado da história, sem o viés político que marcou a cobertura dos veículos tradicionais de comunicação”, afirma o deputado estadual Fernando Mineiro (PT-RN) na apresentação do site.

“O objetivo é reunir, num mesmo espaço virtual, uma coletânea de textos que ofereçam uma visão mais plural, permitindo assim que as pessoas possam comparar fatos, argumentos e versões, para que tirem suas próprias conclusões”, acrescenta.


CLIQUE AQUI PARA CONHECER E VISITAR O SITE !



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Príncipe da privataria e imperador do cinismo


“Rameira! Ponha-se daqui pra fora!”

O escritor Palmério Dória não poderia ter sido mais feliz ao iniciar o best-seller “O Príncipe da Privataria” (Geração Editorial) com o relato da expulsão da jornalista da Globo Miriam Dutra do gabinete do então senador Fernando Henrique Cardoso, no início dos anos 1990, quando ele se preparava para disputar a Presidência da República pela primeira vez.
Dória sabia que sua obra deveria mostrar, para começo de conversa, o caráter de seu protagonista. E nada melhor para mostrar o caráter de um homem do que uma situação em que é colocado diante de sua responsabilidade na concepção de um filho.
FHC agiu da forma mais vil que um homem pode agir com uma mulher: além de fugir da própria responsabilidade pela concepção de uma nova vida, ainda humilhou aquela a quem, quando o desejo carnal falou mais alto, por certo não tratou de “rameira” nem expulsou da alcova em que foi inseminada.
A conduta reveladora de FHC, imortalizada por Dória, coaduna-se à perfeição com o seu último artigo nos jornais O Estado de São Paulo e O Globo, os quais lhe dão espaço todo início de mês. Seu texto revela, acima da falta de caráter, um cinismo quase sobrenatural.
Se existe um político que não poderia criticar uso de dinheiro público para comprar parlamentares, esse alguém é Fernando Henrique Cardoso. O livro “Príncipe da Privataria” mostra, sem deixar dúvida (a quem tiver uma réstia de honestidade intelectual), que, na pior das hipóteses, o ex-presidente teve o domínio do fato da compra de votos de parlamentares para que aprovassem a emenda constitucional que lhe permitiu disputar a própria sucessão.
FHC não nega que votos tenham sido comprados – quem não souber disso, que se informe. Já deu várias entrevistas em que reconhece que “alguém” comprou deputados para que votassem a favor de sua reeleição. Até a CNBB denunciou isso, à época – e antes da denúncia pela Folha de São Paulo. Mas ele diz que “não sabia” de nada.
Ganha um exemplar de “O Príncipe da Privataria” quem postar aqui o link de uma coluna, de um artigo ou de um editorial de algum grande meio de comunicação em que o “não sabia” de FHC tenha sido ironizado como foi, tantas vezes, o de Lula ao negar que soubesse do mensalão.
Nunca houve uma única prova material que tornasse inquestionável a acusação ao PT de que “comprou” deputados para aprovar matérias de interesse do governo Lula. Os membros do partido que hoje mofam em uma masmorra qualquer no Planalto Central foram condenados pela “verossimilhança” que ministros do STF viram na acusação.
Com a compra de votos para a reeleição de FHC, foi muito diferente. Havia abundância de provas de que os votos foram comprados, sendo a principal um conjunto de gravações de deputados governistas confessando que foram corrompidos por 200 mil reais cada um para votarem a favor da emenda da reeleição.
Era o tempo do engavetador-geral da República, o ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC e que, ao longo de oito anos, nunca incomodou o governo ao qual prestou serviços – infringindo a lei, diga-se.
Isso não impediu que FHC escrevesse, nesse último artigo, acusações aos adversários petistas de terem feito aquilo que ele diz que não fez, mas que a teoria do domínio do fato, tal como foi usada pelo Supremo, diria que só pode ter feito, pois não se imagina que alguém cometa um crime para favorecer a outrem desinteressadamente e sem que o favorecido saiba de nada.
E se algum defensor do tucano disser que, se é assim, Lula também teria que “saber”, engana-se:  o mensalão não beneficiaria o ex-presidente petista pessoalmente, mas a compra de votos de FHC foi um benefício pessoal para ele e só para ele, pois poderia ter feito como Lula e elegido algum “poste” para continuar sua “obra”, mas seu projeto de poder era pessoal.
Sobre o artigo de FHC em questão, no entanto, há pouco mais que dizer. Sob o ridículo título “Sinais alarmantes”, apenas escancara seu cinismo sobrenatural enquanto tenta construir um risco qualquer para a democracia que haveria em seus adversários simplesmente fazerem política.
O primeiro parágrafo dessa peça lamentável resume tudo:

“Finalmente fez-se justiça no caso do mensalão. Escrevo sem júbilo: é triste ver na cadeia gente que em outras épocas lutou com desprendimento. Estão presos ao lado de outros que se dedicaram a encher os bolsos ou a pagar suas campanhas à custa do dinheiro público”

Só esse parágrafo basta para ilustrar a falta de caráter de alguém que, se tivesse ao menos um pingo de decência, trataria de se fechar em copas, de não apontar o dedo para quem, no máximo – mesmo acedendo à tese farsesca de que o PT compraria os próprios deputados –, pode ter feito o que ele mesmo fez. Só que sem as provas que abundam contra si.
Mas o que esperar de um homem que, sob insultos pesados, expulsa a mulher que inseminou ao ser comunicado por ela de que o ato que praticaram gerou um fruto? A falta de caráter desse sujeito não precisava desse artigo deplorável em que, além de “príncipe” da roubalheira de patrimônio público, confirmou ser o imperador do cinismo.
Datafolha
Enquanto a mídia e o PSDB continuarem apostando no mensalão para convencer os brasileiros a votarem como querem, o PT pode ficar tranquilo. Só FHC e os barões da mídia seus amigos acreditam que alguém dará bola à tese maluca de que só petistas merecem estar na cadeia.
Como diz o novo marqueteiro do PSDB – ao qual o partido e seu aparato midiático teimam em não dar bola –, o mensalão não lhes dará um único voto.
Só existe um meio de o PSDB ou qualquer outro impedir a reeleição de Dilma Rousseff: há que convencer o eleitorado de que (1) sua vida vai mal e de que (2) pode-se fazer melhor do que está sendo feito. Do contrário, o conservadorismo brasileiro vai manter tudo como está.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A vingança dos médicos contra o PT

O destino deu às entidades médicas e aos profissionais da área a oportunidade perfeita para se vingarem da derrota acachapante que o governo Dilma e o PT lhe impuseram desde que, em 8 de julho deste ano, a presidente da República lançou o programa Mais Médicos, enfurecendo a categoria de forma jamais vista no país e levando-a a praticar legítimas insanidades.
No âmbito da ofensiva massiva contra o Partido dos Trabalhadores desencadeada pela mídia e pelo PSDB a partir das prisões de algumas de suas lideranças históricas condenadas pelo julgamento do mensalão, finalmente funcionou a recomendação das entidades médicas para que a categoria empreendesse retaliação política ao governo federal e ao seu partido.
Em meados de outubro, o jornal O Globo já anunciava: “Médicos São orientados a pedir votos de pacientes contra Dilma” (clique na imagem abaixo se quiser ler a matéria na íntegra, ou leia abaixo o que ela tem de importante).

A matéria em si, porém, diz muito mais do que a manchete. Abaixo, alguns trechos bastante eloquentes.
—–
“Em reação à aprovação da medida provisória que criou o programa Mais Médicos, as entidades que representam esses profissionais de Saúde preparam uma ofensiva nacional na campanha de 2014 contra a presidente Dilma Rousseff, sobretudo na população de baixa renda (…)
Além disso, há um movimento de filiações em massa dos médicos a partidos de oposição, principalmente ao PSDB e ao DEM. Segundo a AMB, pelo menos 300 médicos já se filiaram ao PSDB do Ceará, a convite do ex-senador tucano Tasso Jereissati (…)
No Mato Grosso do Sul e em Goiás, o DEM já articula um número grande de filiações até novembro. O deputado Luiz Henrique Mandetta (MS) trabalha junto ao líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), para fazer um ato político e filiar, em um dia, cerca de mil profissionais (…)
- A gente está preparando uma data para fazer um bloco, a gente quer fazer um barulho num dia só. Estou preparando um ato político, para fazer essa marca histórica, estamos numa agenda política muito intensa (…)”
—–
Quem diz que a categoria médica anunciou, através de suas entidades, que passaria a atuar politicamente e em peso contra Dilma e seu partido, portanto, não é este Blog, mas o jornal O Globo.
De fato, os Conselhos Regionais de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos, a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, mais ou menos explicitamente recomendaram a atuação política da categoria médica contra o governo federal e o seu partido.
Essa fúria dos médicos brasileiros contra Dilma e seu partido começou a tomar corpo cerca de um mês e meio após o lançamento do programa Mais Médicos. Em 26 de agosto, 95 médicos estrangeiros, a maioria cubanos – e negros –, foram hostilizados por cerca de 50 colegas brasileiros – todos brancos – durante manifestação contra o programa federal em Fortaleza.
Dois meses depois, a presidente da República, em cerimônia oficial, pediu desculpas ao médico negro e cubano Juan, cuja imagem sendo vaiado por médicas brasileiras brancas comoveu o país. Em resumo, Dilma pediu desculpas pelas atitudes inacreditavelmente incivilizadas dos médicos brasileiros.
De que lado ficou a maioria do país? Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada no início deste mês mostrou quem venceu esse embate. Abaixo, matéria da Agência Brasil sobre a pesquisa (clique na imagem para visitar a página original).


Se não tiveram força, até aqui, para macular imagem de Dilma e do seu partido como disseram que pretendiam, a alguns dos médicos que se enfureceram com a presidente da República foi dada, recentemente, a possibilidade de “darem o troco”.
De terça para quarta-feira, dois laudos produzidos por duas juntas médicas distintas geraram ao partido da presidente da República uma derrota na Justiça e outra no Congresso nacional. Médicos envolvidos, em maior ou menor grau, na disputa política com Dilma e seu partido emitiram pareceres que devem devolver o petista José Genoino à prisão e impedir que ele obtenha aposentadoria da Câmara dos Deputados.
Em um momento em que o PT sofre ataques por conta das prisões de suas lideranças históricas e no qual a mídia conseguiu jogar sobre si a culpa pela corrupção na prefeitura de São Paulo e no governo do Estado durante gestões do PSDB e do DEM, o golpe contra Genoino deve ter tido um sabor especial de vingança para os médicos enfurecidos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Você está assistindo ao primeiro Big Brother Penal da história


O que mais querem esses impérios de comunicação que vão deixando cada vez mais claro que estão muito longe de se satisfizer com as condenações sem provas (by Ives Gandra Martins) e com os consequentes encarceramentos dos réus do julgamento do “mensalão” filiados ao PT?
Há mais de dez dias que José Genoino e José Dirceu – os alvos exclusivos do noticiário – estão privados da liberdade, mas nem jogá-los extemporaneamente na prisão fez parar o bombardeio midiático que ora sofrem.
Desde o dia 16 deste mês que a prisão desses dois vem sendo coberta sem parar, numa espécie de Big Brother Penal em que o dia a dia dos dois petistas foi transformado.
Apesar de mais de uma dezena de condenados da ação penal 470 ter sido presa, o noticiário se concentra, exclusivamente, nos dois Josés. E sempre com um só viés, o de tornar ainda mais dura a vida deles no cárcere.
A rotina da cela em que estão confinados os petistas, as vidas íntimas das famílias deles e até o emprego que Dirceu conseguiu para sair do regime fechado para o semiaberto alimentam a sede de sangue do noticiário.
Genoino apareceu em um telejornal com o peito desnudo, deitado numa cama de hospital, em uma situação para lá de humilhante. O hotel em que Dirceu irá trabalhar teve sua imagem exposta em uma matéria do Jornal Nacional que exibiu até o registro em carteira e o salário que ele receberá.
Além da divulgação do nome da empresa em que Dirceu poderá trabalhar para “desfrutar” do regime semiaberto, do salário que receberá e do local em que fica essa empresa, a mídia ainda divulga informações sobre os empregadores do petista.
A empresa em questão, seus proprietários, seus funcionários, seus clientes e o petista recém-contratado foram todos expostos a riscos. Dada a tensão política que eclodiu no país após os petistas terem sido presos, todos podem ser alvo de algum tipo de violência.
Intimidar os que cometeram o crime de dar emprego àquele para o qual a mídia parece não aceitar nada menos do que a pena de morte, porém, não é suficiente.
A junta médica formada a pedido do presidente do STF, Joaquim Barbosa, para avaliar se Genoino pode permanecer na cadeia, produziu um laudo que dificulta a compreensão da conclusão clara de que não pode.
O laudo propositalmente confuso emitido por médicos rebelados contra o governo do PT devido ao programa Mais Médicos diz que, “até onde for possível”, Genoino deve ser poupado de “estresse psicológico”, pois este pode gerar efeitos “psicossomáticos” como os que, semana passada, tiraram-no da prisão e o colocaram no hospital.
A mídia soube usar um laudo confuso que só reconhece tacitamente que Genoino não pode ser submetido ao estresse de uma prisão; divulgou que o estado de saúde momentâneo dele “não é grave” sem esclarecer que, obviamente, isso mudará no dia a dia da prisão.
Já se antevê, portanto, que as prisões de Dirceu e Genoino continuarão sendo usadas politicamente por muito tempo, ainda. Serem presos deveria encerrar o caso, mas como a militância petista não aceita essas prisões e protesta, a mídia, em retaliação, trata de exacerbar as punições.
Não se tem notícia, neste país ou no mundo, de cobertura tão meticulosa e ampla do dia a dia do cumprimento de penas de prisão.  A mídia combate até as visitas que os presos recebem.
Não basta que os petistas sejam os primeiros políticos condenados à prisão na história brasileira recente, as penas deles têm que ser tão duras quanto possível. Parece que a mídia quer lhes quebrar o moral – e o da militância – para que deixem de dar declarações políticas.
Dirceu e Genoino poderiam evitar tudo isso simplesmente se calando e se mostrando alquebrados como a mídia exige, mas esses não são homens que baixam a cabeça. Não o fizeram nem quando política rendia torturas físicas e assassinatos. Não o farão agora.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Celso de Mello x mídia: ressaca de um julgamento político


*A ressaca pedagógica de um juiz: desta vez na condição de alvo, o ministro Celso de Mello experimentou a pressão intrusiva da mídia conservadora. E se indignou com o que viu (leia nesta pág) 

**Com a cidade na ponta da língua: Haddad sacode a poeira e dá volta por cima (leia nesta pág) **Raquel Rolnik e o novo Plano Diretor de SP: adensar para quem, para que e como? 

*Mais de 80 milhões de brasileiros estão plugados na Internet (PNAD 2012):  os interesses em conflito na disputa pelo marco civil da rede (leia nesta pág)

**Mauro  Santayana adverte: há uma queda de braço política nas postergações dos investimentos em infraestrutura (leia a coluna nesta pág)

**Portugal: eleições municipais punem o arrocho; governo perde em Lisboa e no Porto.

AGENDA CARTA MAIOR: O PRAZO FATAL DE SERRA, MARINA E LUIZIANNE

O destaque da semana é dado pelo prazo final (5 de outubro) para
o registro ou não da Rede (o partido de Marina Silva), bem como das filiações e mudanças de partido dos candidatos ao pleito de 2014: o 5 de outubro é o dia ‘D' para Marina, Serra, os irmãos Cid e Ciro Gomes, bem como a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins. Cogitada por Eduardo Campos para ser o nome do PSB nas eleições ao governo do Ceará, em 2014, Luizianne terá, nas próximas horas,  uma reunião decisiva com o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Expira também na semana o prazo para a última tentativa de reforma eleitoral capaz de incidir nas eleições do próximo ano. Nesta 2ª feira, 30 de setembro, Fernando Haddad, Prefeito de São Paulo (leia entrevista nesta pág), reúne-se com a presidenta Dilma Rousseff, às 15h. Em pauta: a dívida de São Paulo, de cuja equação depende o futuro da gestão petista na cidade. Ainda hoje, organizações civis e coletivos que lutam pelo marco civil da internet (leiam reportagens nesta pág) realizam reunião ampliada para planejar a mobilização nas ruas e nas redes em defesa do projeto. Setores conservadores resistem por temer a presença eleitoral da esquerda na rede. A neutralidade da rede, a salvo de controles unilaterais, políticos ou corporativos, é o ponto decisivo.