Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Doações a PT e PSDB se equivalem. É propina?

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Levantamento junto ao Tribunal Superior Eleitoral das doações eleitorais feitas pelas empresas investigadas na Lava Jato nos anos de 2010, quando a presidente Dilma Rousseff venceu José Serra, e de 2014, quando ela superou Aécio Neves, revela que os valores doados por Odebrecht, Galvão, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Skanska aos diretórios petistas e tucanos são praticamente equivalentes; mais: o PMDB também recebeu valores muitos próximos; a questão é: por que as doações a alguns partidos são consideradas propina pelo Ministério Público Federal e a outros são classificadas como algo normal?



247 - Um dos pedidos de inquérito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na Lava Jato compra a tese de que doações legais de empreiteiras a determinados partidos políticos, na realidade, seriam propina. Com base nesse argumento, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) chegou até a apresentar um projeto propondo a cassação do registro de partidos que possam ser enquadrados nessa classificação – seu alvo, obviamente, é o PT.

Para provar essa tese, o Ministério Público pretende fazer uma varredura em R$ 62 milhões doados pelas empresas investigadas na Lava Jato nos últimos anos (leia mais aqui).

Ocorre, no entanto, que um levantamento das doações de campanha feitas por essas mesmas empresas em 2010 e 2014, anos das duas últimas eleições presidenciais, mostra que os valores doados aos diretórios nacionais de PT e PSDB foram praticamente idênticos. E mais: o PMDB também recebeu um valor muito próximo, tendo sido o primeiro no ranking em 2010 e o terceiro em 2014.

O levantamento envolve as empresas Odebrecht, Galvão, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Skanska.

Eis os números de 2010:

Partido Valor % sobre o total da arrecadação

PMDB 32.850.000,00 24

PT 31.400.000,00 23

PSDB 27.770.000,00 20

PSB 19.515.000,00 14

PR 6.501.000,00 5

PP 4.950.000,00 4

Fonte: TSE

Os dados revelam, portanto, que, em 2010, quando a presidente Dilma Rousseff superou José Serra na disputa presidencial, o PMDB recebeu R$ 32,8 milhões, seguido pelo PT, com R$ 31,4 milhões e pelo PSDB, com R$ 27,7 milhões. Nos três casos, a participação das empreiteiras sobre o total arrecadado foi próxima a 20%.

Em 2014, quando a presidente Dilma Rousseff superou Aécio Neves, não foi muito diferente.

Eis os números:

Partido Valor % sobre o total da arrecadação

PT 56.386.000,00 25

PSDB 53.730.000,00 24

PMDB 46.620.000,00 21

PSB 15.800.000,00 7

DEM 12.100.000,00 5

PP 10.255.000,00 5

Fonte: TSE

É novamente uma situação de equilíbrio entre os três maiores partidos: PT, PSDB e PMDB. E, de novo, com a participação das empreiteiras sobre o total arrecadado pouco superior a 20%.

Esses dados revelam a incoerência de quem pretende demonstrar que as doações a determinados partidos são "propina", enquanto a outros representam algum tipo de convicção ideológica ou cidadania corporativa. (A esse respeito, vale ler, aqui, a análise de Fernando Brito, editor do Tijolaço)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Lava Jato deve limpar partidos aliados e de oposição ao governo federal

Eduardo Cunha

A se confirmar reportagem da Folha de São Paulo que afirma que o deputado pelo PMDB fluminense Eduardo Cunha, supostamente “favorito” para presidir a Câmara dos Deputados no início da próxima Legislatura, está entre os citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, poder-se-á concluir que, antes arma política anti-PT, essa Operação pode melhorar o Brasil.

A Folha diz que “De acordo com os investigadores que atuam no caso, ele [Cunha] é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema [de corrupção] por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o ‘Careca’, que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Yousseff”.

Não se sabe, ainda, a quantidade exata de políticos citados nas investigações, mas já se sabe que há nomes ligados ao governo e à oposição. Fala-se em até uma centena de parlamentares de TODOS os partidos, talvez com exceção do PSOL, que não governa nada e não tem qualquer peso político.

No caso de Cunha, a se confirmar essa denúncia ela atingirá muito mais a oposição do que o governo, já que o parlamentar de um dos partidos da base aliada atua em consonância com a oposição e é sua grande esperança para impedir Dilma de governar, caso se eleja presidente da Câmara.

Mas já se sabe que nomes graúdos da oposição devem aparecer na lista que o Procurador Geral da República deve divulgar no mês que vem, no reinício dos trabalhos legislativos e com o retorno do Supremo às atividades.

Cunha, por exemplo, se for denunciado e eventualmente cassado contribuirá para grande melhora do

Legislativo. É o grande despachante, na Câmara, dos lobistas de grandes conglomerados econômicos.

Tentou acabar com a internet no Brasil durante a votação do Marco Civil na internet, em prol dos interesses econômicos das empresas provedoras de serviços.

Apesar dos problemas para a economia que a Lava Jato pode gerar, pois as empresas envolvidas têm muito peso econômico e a forte redução ou paralisação de suas atividades por certo contribuirá para esfriar ainda mais a economia em um momento em que ela precisa crescer, se não fosse essa investigação picaretas envolvidos com Yousseff e companhia continuariam roubando o país e chantageando o governo, como faz

Cunha.

Além disso, a revelação dos nomes dos envolvidos servirá para desmascarar a oposição ao governo Dilma, que tenta vender ao país a teoria absurda de que só existe corrupção entre os governistas federais, apesar de que os oposicionistas federais são governo nos Estados e municípios, onde vicejam tantos casos de corrupção quanto na esfera federal.

Ironicamente, portanto, a aposta da mídia e da oposição em que a Operação Lava Jato seria ruim para o PT e o governo federal pode – e deve – sair pela culatra, pois essa operação deve atingir gente como Cunha, que atrapalha muito a governabilidade do país apesar de se abrigar em uma sigla governista.

Eis por que tanto Dilma quanto Lula, à diferença de seus antecessores, nunca impediram investigações de corrupção, mesmo quando atingem seus aliados e até correligionários de partido. Quando se limpa uma casa a fundo, há que bagunçá-la, tirar os móveis do lugar, mas, após a limpeza, os que nela residem passam a viver melhor.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PSDB bancou baderna no Congresso? Aécio nega

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"Se amanhã você abrir as portas da galeria, você vai ter centenas de pessoas querendo participar. A população brasileira acordou", disse ele; ontem sessão que votaria o novo cálculo fiscal foi adiada depois que manifestantes insultaram parlamentares; "Esse caso é único na história do Congresso Nacional, 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruíram os trabalhos", afirmou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), dizendo ainda que a convocação foi feita pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) 

Brasília 247 - Ao determinar o adiamento da votação sobre a meta fiscal, que deveria ter ocorrido ontem, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou diretamente o PSDB.
"Esse caso é único na história do Congresso Nacional, 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruíram os trabalhos do Congresso Nacional", afirmou Renan a jornalistas ao sair do plenário, dizendo ainda que a convocação dos manifestantes foi feita pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).

Na tumultuada sessão, parlamentares foram insultados por manifestantes que invadiram as galerias. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi uma das mais agredidas, tendo sido chamada de "vagabunda".

Em entrevista, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB, negou que os tucanos estivessem por trás da baderna.

"Não tenho nenhuma noção em relação a isso. Se amanhã você abrir as portas da galeria, você vai ter centenas e centenas de pessoas querendo participar dessa sessão. Isso é uma bobagem. É mais um equívoco. A população brasileira acordou. A verdade é que existe um Brasil diferente hoje e o PT e seus aliados ainda não perceberam", disse ele, em texto distribuído por sua assessoria.

"As pessoas estão participando do que está acontecendo no Brasil. Elas querem saber e algumas querem vir aqui no Congresso Nacional. Vamos fechar as galerias para atender a uma base que quer votar escondido uma proposta desta gravidade com estas consequências para o país? Não, esta é a casa da democracia. O fato inédito aqui hoje foi não permitirmos que o povo brasileiro que aqui veio, que aqui ontem ficou em vigília e outros que gostariam de vir pudessem participar desta sessão. Eu defendo inclusive que participe como determina o regimento. Ao não permitir isso, radicalizou-se o clima e ninguém segurou mais."


Kotscho: dinheiro privado banca eleição de Cunha

 
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Jornalista Ricardo Kotscho revela que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deverá se tornar presidente da Câmara dos Deputados graças às generosas doações obtidas junto a grandes grupos empresariais, que lhe permitiram ajudar dezenas de deputados; "Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas", diz Kotscho. 

247 - O jornalista Ricardo Kotscho revela os bastidores por trás da eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados.

Eis um trecho de sua coluna publicada no Balaio do Kotscho:
"Eduardo Cunha não esconde os métodos empregados para montar sua bancada particular, que reúne mais de 50 parlamentares fiéis, de diferentes partidos, um número que não para de crescer nestes dias de campanha pela presidência. "Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na minha campanha", disse candidamente aos repórteres David Friedlander e Catia Seabra, da Folha de S. Paulo, após a campanha eleitoral de 2014. "Na maioria das vezes, são as empresas que me procuram. Até porque, tenho a mesma visão delas".

E não são empresas pequenas: Bradesco, BTG Pactual, Safra, Santander, Vale, Ambev e Coca-Cola estão na lista dos doadores que deram ao peemedebista um total declarado de R$ 6,8 milhões. Se sobrou dinheiro, como ele afirma, não é difícil imaginar como Cunha fez para ajudar nas campanhas de sua base suprapartidária, além de dar conselhos, é claro.

Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas.

Sem estas doações desinteressadas, como Eduardo Cunha poderia montar sua bancada particular e surgir como franco favorito para assumir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, desafiando os caciques do seu próprio partido? O deputado Gastão Vieira, do Maranhão, que já foi seu rival e recebeu a módica ajuda de R$ 300 mil para fazer campanha, só tem elogios a fazer à generosidade de Cunha: "Ele ajudou todo mundo", admitiu aos repórteres da Folha. Um dos doadores, executivo de grande empresa, revelou que Cunha lhe pediu ajuda para um grupo de 20 a 30 candidatos a deputado, em sua maioria do Nordeste, de Minas Gerais e do Rio.

Claro que esta turma toda de eleitores cativos de Cunha não pode nem ouvir falar em reforma política. Se está bom demais assim, para que mudar as regras do jogo?"


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Celso de Mello x mídia: ressaca de um julgamento político


*A ressaca pedagógica de um juiz: desta vez na condição de alvo, o ministro Celso de Mello experimentou a pressão intrusiva da mídia conservadora. E se indignou com o que viu (leia nesta pág) 

**Com a cidade na ponta da língua: Haddad sacode a poeira e dá volta por cima (leia nesta pág) **Raquel Rolnik e o novo Plano Diretor de SP: adensar para quem, para que e como? 

*Mais de 80 milhões de brasileiros estão plugados na Internet (PNAD 2012):  os interesses em conflito na disputa pelo marco civil da rede (leia nesta pág)

**Mauro  Santayana adverte: há uma queda de braço política nas postergações dos investimentos em infraestrutura (leia a coluna nesta pág)

**Portugal: eleições municipais punem o arrocho; governo perde em Lisboa e no Porto.

AGENDA CARTA MAIOR: O PRAZO FATAL DE SERRA, MARINA E LUIZIANNE

O destaque da semana é dado pelo prazo final (5 de outubro) para
o registro ou não da Rede (o partido de Marina Silva), bem como das filiações e mudanças de partido dos candidatos ao pleito de 2014: o 5 de outubro é o dia ‘D' para Marina, Serra, os irmãos Cid e Ciro Gomes, bem como a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins. Cogitada por Eduardo Campos para ser o nome do PSB nas eleições ao governo do Ceará, em 2014, Luizianne terá, nas próximas horas,  uma reunião decisiva com o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Expira também na semana o prazo para a última tentativa de reforma eleitoral capaz de incidir nas eleições do próximo ano. Nesta 2ª feira, 30 de setembro, Fernando Haddad, Prefeito de São Paulo (leia entrevista nesta pág), reúne-se com a presidenta Dilma Rousseff, às 15h. Em pauta: a dívida de São Paulo, de cuja equação depende o futuro da gestão petista na cidade. Ainda hoje, organizações civis e coletivos que lutam pelo marco civil da internet (leiam reportagens nesta pág) realizam reunião ampliada para planejar a mobilização nas ruas e nas redes em defesa do projeto. Setores conservadores resistem por temer a presença eleitoral da esquerda na rede. A neutralidade da rede, a salvo de controles unilaterais, políticos ou corporativos, é o ponto decisivo.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

É COM JEITINHO OU SEM JEITINHO, MARCOS PALMEIRA?

TEM PARTIDO DEMAIS ? CONVOCA A CONSTITUINTE EXCLUSIVA ! O PiG saúda o Pauzinho do Dantas, a Bláblárina e o Eduardo Campriles. E espinafra a política …

O PiG (*) reanima o preconceito contra a Política, na reta final para a fundar e trocar de partidos.

Como se sabe, a Big House prefere trocar os políticos por economistas que trabalham em bancos e colonistas (**) que não trabalham em banco mas é como se trabalhassem.

Como nos bons tempos do Príncipe da Privataria.

Quando o Brasil era governado por economistas que trabalhavam ou iam trabalhar em bancos.

O Brasil tem 33 partidos.

O do Pauzinho do Dantas é um caso típico.

Na discussão da MP dos Porcos, ou da Emenda Tio Patinhas, como disse o Garotinho da tribuna da Câmara, o Pauzinho do Dantas fez tabelinha com o Eduardo Campriles e o Eduardo Cunha – que agora se prepara para defender as telefônicas na discussão do marco da internet.

Pauzinho entrou para a base do Aécio Never antes de existir o partido. 

(Clique aqui para ver que o Aécio e o Cerra são do mesmo tamanho no Globope – ou seja, nem a Globo os salva.)

Pauzinho não tem o que declarar.

Tem o que apoiar.

Faz sentido numa Democracia ?

Paciência.

Quem mandou não aprovar a Constituinte Exclusiva do Genoino para fazer a reforma política ?

Quem manda não aprovar o financiamento público exclusivo para as campanhas ?

Os colonistas merválicos espinafram a Democracia.

Mas, saúdam o Pauzinhho, a Bláblárina e o Eduardo.

Outro que levou um drible do Romário.

E só vai perceber quando acabar o jogo …


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

terça-feira, 11 de junho de 2013

GURGEL FAZ REVANCHE E EXONERA DEBORAH

terça-feira, 27 de março de 2012

Diminuir a corrupção na política é moleza, mas ninguém quer


Mais uma vez, o país assiste a um escândalo de corrupção desalentador porque insinua que em toda parte do espectro político há gente com o rabo preso. Políticos adversários se defendem mutuamente de acusações de corrupção. Corporativismo? Pode ser. Mas por que é tão difícil o Congresso aprovar uma CPI da Privataria ou essa, agora, do Senador Cachoeira?
Porque há atores de todos os partidos mais importantes envolvidos, o que não pode ser tomado como culpa das agremiações mas denota um apodrecimento do nosso sistema político. Quando escroques como um Carlinhos Cachoeira ou um Marcos Valério transitam do PSDB ao PT com toda a desenvoltura que se viu da década passada para cá, algo está muito podre.
De onde vem tudo isso? Simples: do financiamento privado de campanhas eleitorais. É aí que interesses privados conseguem se fazer representar. É aí que as grandes corporações conseguem ferrar o consumidor. É aí que uma igreja picareta consegue se transformar em uma das bancadas mais fortes do Congresso.
Por que um banco dá dezenas de milhões de reais a campanhas eleitorais? Patriotismo? Como verdadeiras organizações criminosas conseguem fundar partidos políticos e influírem e negociarem leis ou impedirem investigações incômodas?
Como os políticos precisam de dinheiro para se eleger, de quantidades astronômicas dele, grupos que têm sobrando aquilo de que precisam financiam-nos e, assim, sempre terão, no mínimo, que ser ouvidos, apesar de, frequentemente, só representarem meia dúzia de empresários.
Demóstenes Torres e José Roberto Arruda, por exemplo – e não me venham falar de políticos que não têm contra si uma fração daquilo que há contra esses dois. Como chegariam aonde chegaram sem que escroques os financiassem?
É óbvio que a proibição expressa de dinheiro privado em campanhas eleitorais e o estabelecimento de um teto para financiamento delas – que, sem dúvida, seria respeitado porque candidatos adversários fiscalizariam um ao outro –, seria a solução. Todavia, os detentores de enorme poderio financeiro deixariam de manipular o Estado brasileiro.
É por isso que nenhum grupo de mídia põe discussão como essa em pauta, assim como todos impedem a discussão de uma legislação para a comunicação que existe em todos os países mais desenvolvidos.
Imagine, leitor, se os planos de saúde ou as empresas de telefonia conseguiriam abusar da sociedade como abusam se não colocassem suas bancadas no Legislativo para bloquearem medidas de proteção ao consumidor que não aprovar é um escândalo, mas que não são aprovadas porque esses grupos de interesse têm milícias de parlamentares para defendê-los.
Imagine, leitor, uma campanha em que os candidatos de todos os partidos disputassem em estrito pé de igualdade, sem que os mais ricos atraíssem público com trios elétricos e outras baboseiras financiadas por grupos de interesse que obviamente quererão ressarcimento do eleito.
É por isso que, nos países mais desenvolvidos – quase todos da Europa, mas também da Ásia –, o financiamento é público. Nem misto pode ser. Precisa ser estritamente público.
Todavia, os grupos de interesse, usando a mídia, conseguem fazer valer o mesmo estratagema que os americanos criaram, de tachar o financiamento público como doação do cidadão ao político, a qualquer político, falácia que esconde que quando não é o dinheiro público que financia as campanhas é o grande capital privado que vence a eleição.
Tem muito classe média, por aí, que acha que o seu lado é o lado do grande capital. Esse tonto já deve ter sido estafado pelo seu plano de saúde ou pela sua operadora de telefonia. E muito mais.
Então, meu caro companheiro leitor, o fato é que a corrupção na política poderia ser drasticamente reduzida, do dia para a noite, mas é a minoria da minoria da classe política que aceita sequer discutir o assunto. E, assim mesmo, boa parte desse grupo prega sistema misto (financiamentos público e privado misturados), o que não muda nada.
Enquanto o atual sistema de financiamento da democracia perdurar, estaremos condenados a ficar nos escandalizando o tempo todo com a ousadia que a promiscuidade entre o capital privado e o sistema eleitoral gera. A corrupção política é uma opção que fez esta sociedade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

José Serra manda no STF. Gilmar Mendes obedece: Após falar com Serra, Gilmar Mendes para sessão

José Serra fala ao celular com o ministro do STF Gilmar Mendes em auditório onde se reuniu com entidades de servidores

Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo.

A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista (mais prazo para análise), adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.
A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT). A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menos escolaridade.A lei foi aprovada com apoio do PT e depois sancionada por Lula, sem vetos.

"MEU PRESIDENTE"

Ontem, após pedir que o assessor ligasse para o ministro, Serra recebeu um celular das mãos de um ajudante de ordens, que o informou que Mendes estava na linha.Ao telefone, Serra cumprimentou o interlocutor como "meu presidente". Durante a conversa, caminhou pelo auditório. Após desligar, brincou com os jornalistas: "O que estão xeretando?"

Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.Para tucanos, a exigência da apresentação de dois documentos pode aumentar a abstenção nas faixas de menor escolaridade.Temendo o impacto sobre essa fatia do eleitorado, o PT entrou com a ação pedindo a derrubada da exigência.

O resultado do julgamento já está praticamente definido, mas o seu final depende agora de Mendes.Se o Supremo não julgar a ação a tempo das eleições, no próximo domingo, continuará valendo a exigência.
À Folha, o ministro disse que pretende apresentar seu voto na sessão de hoje.

CONSENSO

Antes da interrupção, foi consenso entro os ministros que votaram que o eleitor não pode ser proibido de votar pelo fato de não possuir ou ter perdido o título.
Votaram assim a relatora da ação, ministra Ellen Gracie, e os colegas José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.

Para eles, o título, por si só, não garante que não ocorram fraudes. Argumentam ainda que os dados do eleitor já estão presentes, tanto na sessão, quanto na urna em que ele vota, sendo suficiente apenas a apresentação do documento com foto."A apresentação do título não é tão indispensável quanto a do documento com foto", disse Ellen Gracie.

O ministro Marco Aurélio afirmou que ele próprio teve de confirmar se tinha seu título de eleitor. "Procurei em minha residência o meu título", disse. "Felizmente, sou minimamente organizado."

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos foi definida em setembro de 2009, quando o Congresso Nacional aprovou uma minirreforma eleitoral.O PT resolveu entrar com a ação direta de inconstitucionalidade semana passada por temer que a nova exigência provoque aumento nas abstenções.

O advogado do PT, José Gerardo Grossi, afirmou que a exigência de dois documentos para o voto é um "excesso". "Parece que já temos um sistema suficientemente seguro para que se exija mais segurança", disse.Na Folha dos tucanos

terça-feira, 6 de julho de 2010

Casa De Ferreiro...

Casa De Ferreiro...
Discursos de Serra são registrados como programa de campanha no TSE
Agência Brasil


BRASÍLIA - A coligação O Brasil Pode Mais, formada por PSDB/DEM/PPS/PTB/PTdoB, registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um resumo dos principais pontos que o candidato José Serra defenderá na campanha presidencial.

O documento de 13 páginas traz a íntegra dos discursos feitos por Serra no encontro nacional do PSDB, DEM e PPS, realizado no último dia 10 de abril, em Brasília (DF), e na convenção nacional do partido, em Salvador (BA), no dia 12 de junho. De acordo com o PSDB, o documento atende aos requisitos definidos pelo TSE, que pede que o programa básico da campanha esteja anexado aos documentos de registro.

Na área de educação, são três os principais projetos defendidos por Serra. O primeiro é colocar dois professores por sala da primeira série do ensino fundamental; o segundo, a criação de mais de 1 milhão de novas vagas em escolas técnicas de nível médio; e o terceiro, a criação de mais cursos de qualificação de curta duração para trabalhadores desempregados.

Na área da saúde, Serra defende que o Brasil tenha 150 ambulatórios médicos de especialidades espalhados em todos os estados, com capacidade de realizar 27 milhões de consultas e fazer 63 milhões de exames por ano.

O combate ao crime organizado e ao tráfico de armas e de drogas são as principais objetivos para a área de segurança, juntamente com a aplicação de medidas que impeçam a impunidade dos criminosos. A ideia é que o governo federal assuma, na prática, a coordenação de ações que resultem em mais segurança. Ele também pretende investir no treinamento e em equipamento para as Forças Armadas.

Na área de assistência social, Serra quer ampliar e melhorar o Bolsa Família, que atenderia a 27 milhões de brasileiros na base da pirâmide social. Para os deficientes físicos, o candidato defende mais acessibilidade, educação, reabilitação e oportunidades profissionais.

Para o setor de infraestrutura, o candidato prevê melhoria das estradas, dos portos e aeroportos, metrôs e ferrovias. O investimento em infraestrutura é apontado como uma das soluções para geração de mais empregos, assim como a expansão da indústria doméstica e da agricultura. Serra também defende a preservação do meio ambiente com desenvolvimento sustentável.