Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ei, você aí , Coxinha. Quero falar com você

🇧🇷 *Ei, você ai, coxinha. Quero falar com você.*

Disseram a você que o PT inventou a corrupção no Brasil. Você nem parou para pensar que o PT só foi fundado em 1980 e que fala-se em corrupção no Brasil desde o descobrimento.
Tentaram lhe convencer que o PT era responsável por todos os problemas do Brasil na atualidade. Você não fez nenhum esforço para lembrar da fome, da miséria, do desemprego, da falta de moradia, dos apagões e da dependência do Brasil na época de FHC.
Incentivaram você a ir às ruas em 2013. Você foi. Nem sabia exatamente o porquê. Mas foi.
A partir daí você xingou Dilma, enforcou bonecos de Lula pendurados em pontes, abraçou patos e hostilizou pixulecos.
Você vestiu camisas amarelas e pediu saúde e educação padrão FIFA, sem nem pensar que a FIFA é uma das instituições mais corruptas do mundo.
Em 2014 você marchou junto com Aécio "pela ética na política". Aécio lhe chamou para conversar e você não deu ouvidos para os inúmeros indícios de que Aécio era um verdadeiro gângster da política brasileira. Quando ele perdeu as eleições você continuou junto com ele, porque mais importante de tudo era "tirar o PT do poder".
Você foi pato da FIESP, foi japonês da Federal, foi milhões de Cunhas, apoiado pela ampla cobertura da Rede Globo de Televisão.
O "qualquer coisa, menos o PT" que você queria resultou em Temer. E você estava lá, em 2016, dizendo que tinha que dar uma chance a Temer, que tinha que "deixar o homem trabalhar".
Pensei que você iria acordar quando tornaram-se públicos os depoimentos e conversas gravadas de Sergio Machado, de Odebrecht, da JBS. Estava ali demonstrado duas coisas: 1) O PT não havia criado e nem chefiava a corrupção; 2) a saída de Dilma se deu através de um golpe que feriu de morte a nossa democracia.
Agora você está perplexo. Sente-se enganado. Se deixou fazer de pato. Mesmo assim, não quer dar o braço a torcer.
Prefere dizer que "são todos iguais", que "nenhum político vale nada". Talvez você esteja até pensando que Bolsonaro vale alguma coisa e esteja pensando em votar nele nas próximas eleições. Esse é que não vale nada, mesmo.
Mas sou eu agora que te convido para uma reflexão: já parou para pensar que nos governos do PT sua vida era melhor e que agora está piorando muito? Viu que tudo está ficando parecido com o período de FHC?
Pensa um pouco, agora. Chega de atitudes erradas. Vamos juntos retomar nossa democracia. Vamos lutar por eleições diretas e contra a retirada dos nossos direitos.
Mesmo escondido, come um pãozinho com mortadela. É gostoso. Vez em quando pode.

*Renan Araújo*
Membro do Grupo Médicos pela Democracia - Bahia.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Corrupção ou traição? Cadê o Mal Lott?

Joaquim.jpg
Eu sou Joaquim, mas pode me chamar de Sérgio
Conversa Afiada reproduz artigo de Pedro Augusto Pinho*:
Com um mínimo de reflexão, talvez passássemos a entender a ação dos impérios, as farsa das propagandas nos veículos de comunicação de massa e a atuação deletéria de vários homens públicos, reduzindo nosso Brasil a uma eterna colônia de escravos. Não é em seu bolso que metem a mão, é em seu cérebro, pobre brasileiro que ainda acredita no perigo comunista e no surgimento de um salvador.
Em 1973, os comandos militares acolhiam, pelo que se dizia na época, a indicação do General Emilio Médici e escolhiam o General Ernesto Geisel para Presidente do Brasil, de 1974 a 1979. Os grandes problemas que enfrentaria Geisel seriam decorrentes do rompimento unilateral dos Estados Unidos da América (EUA) com o “Acordo de Bretton Woods”, encerrando o padrão dólar-ouro, em 1971, e as consequências cambiais e nas taxas de juro daquela decisão, e a dependência brasileira pelo petróleo.
Tratarei, inicialmente da questão do petróleo. A Petrobrás formou ao longo de sua existência, e Geisel presidente da empresa muito contribuiu para isso, equipe técnica de excelência, reconhecida pelas congêneres estrangeiras e nos simpósios, congressos e seminários internacionais que seus empregados participavam. A realidade geológica já havia sido percebida pelo ex-geólogo-chefe da Standard Oil, que veio estruturar a exploração de petróleo no Brasil: Walter Link. As bacias terrestres não tinham petróleo suficiente. A ida para a plataforma continental exigiu esforço tecnológico, participação da engenharia brasileira e muita pesquisa. Mas começou, ainda com Geisel, a mostrar resultados animadores. No entanto a questão fora muito anterior, quando, na vassalagem colonial, o Brasil optou pelo transporte terrestre e nele investiu, quando o transporte marítimo e fluvial e o transporte ferroviário eram muito mais adequados aos recursos e à geografia brasileira. Esta errônea opção deixava o País refém do produto que não tinha nem dominava, política ou militarmente, as fontes. Em suplemento sobre a economia nas Américas, The New York Times (28/01/1973), sob o título “Brasil, o Novo Japão”, elogiava a ditadura militar, a indústria automobilística e, ironicamente, o aumento da dívida “pública e particular”.
Mera coincidência, junta o Governo Geisel à luta dos capitais industriais com os financeiros, com a vitória dos últimos, onde as “crises” do petróleo desempenham papel preponderante. O Brasil sofreria muito e ocorreria o terceiro golpe dentro do golpe de 1964, levando João Figueiredo à Presidência. O Projeto Geisel era de Brasil Potência, um país soberano, não justo, mas com o controle das principais tecnologias do século: nuclear, informática e aeroespacial. Do mesmo modo que o sucesso da tecnologia petroleira incomoda até hoje as mentes entreguistas e os capitais estrangeiros, a nuclear também é combatida desde o momento que se transformou em objetivo nacional. A prisão do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva nada tem com a corrupção, nem deveria estar sob a Lava Jato, mas ali domina um representante do império para eliminar a engenharia e a tecnologia brasileiras.
A espionagem dos EUA na Petrobrás começa nos anos 1980, já afastado o General Geisel e necessitando a área de geofísica da empresa um computador mais potente, para os processamentos sísmicos, cada vez mais importantes nos trabalhos de exploração de petróleo. Para que a Petrobras pudesse contratar este computador, assinou uma série de salvaguardas, inclusive do controle estrangeiro à sala onde seria instalado o equipamento. Seria humilhante, não estivesse o País já sob o controle da banca (sistema financeiro internacional), exaltando o neoliberalismo e combatendo o “estatismo”.
Depois vieram os mordomos, os capitães do mato, e a Petrobrás franqueou seus sistemas, eliminou seus controles, destruiu a hierarquia estrutural que a colocara no píncaro da indústria petroleira. Daí a gravação das conversas destes gestores, onde não faltam a vaidade, o machismo, a inexistente intimidade com os poderes e os poderosos que os transformariam vítimas do sistema, planejado e com os elementos treinados nos EUA, para a destruição da maior empresa genuinamente brasileira, detentora única de tecnologia de exploração e produção em águas ultraprofundas, e das empresas de engenharia também brasileiras que deslocavam, pela capacidade técnica e empresarial, as congêneres do Hemisfério Norte. Como pode a colônia superar o Império?
A operação Lava Jato se desnuda. Não é a corrupção seu objetivo, fosse-o e estariam atrás das grades os FHCs e filhos, seus apartamentos e fazendas, os Aécios e sócios, com helicópteros do tráfico, aeroportos e desvios de dinheiro de estatais, as cúpulas dos partidos no governo, ávidas das gorjetas e farelos que lhes deixam os donos do mundo. A Lava Jato é um caso de traição, o antro dos Joaquins Silvérios dos Reis do século XXI.
O jornalista Paulo Henrique Amorim pergunta onde está o Marechal Lott para garantir a constituição, hoje; nem vou tão longe em nossa história, pergunto se ainda há um General Geisel, para defender o interesse nacional em nossas Forças Armadas?
* Avô, administrador aposentado, foi do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra.
Comentário de um leitor: Em Nuremberg cortaram as cabeças, mas preservaram as empresas. Aqui na lava-jato, coroam as cabeças e destroem as empresas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Donos do poder exibem o ódio de classe

BolsaOnaro.jpg
O Conversa Afiada reproduz o artigo inicial de Mauricio Dias, maestro da Rosa dos Ventos, na Carta Capital.

A última esperança

Medido pelo comportamento da mídia, autointitulada porta-voz da sociedade, mesmo assim é inacreditável o silêncio dos autointitulados democratas diante do golpe dissimulado de impeachment. Sem crime ao rasgar a Constituição.

A presidenta eleita e afastada parece confiar no seu retorno ao Palácio do Planalto. Apesar da sua esperança, ou convicção, do outro lado manifesta-se a força do engodo. Se o golpe for consumado, terá inevitáveis consequências, e mesmo conflitos perigosos.

O risco é percebido por Dilma. Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, publicada no domingo 24, a presidenta afastada mostrou preocupação com o desenrolar da história: “Esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis”.

Segundo ela, “não se pode sustentar indefinidamente a ocultação da realidade e a realidade é o golpe (...) processos típicos golpistas querem silenciar os protestos, os governos que não têm votos são intolerantes. Os líderes do golpe querem sempre o silêncio”.

Há um discurso predominante. Nasce da reação conservadora longe do poder por 13 anos e vinga nas reportagens, análises editoriais, colunas de jornais, rádios, televisões e nas semanais alinhadas.

Mais de 50 anos separam um golpe do outro. Hoje há, e não havia em 64, uma diversificação tão pronunciada entre os agrupamentos sociais. Além disso, ontem havia e hoje não há a ação direta dos militares.

Uma repulsa ao golpe existe, traduzida no lema “Fora Temer”. Trata-se, potencialmente, de uma fonte de fermentação, bem como outra, capaz de atingir cruelmente a população mais pobre.

É o resultado de um compromisso, sem-vergonha e sem virtude, assumido pelo presidente interino. Nesse sentido, há proposições e decisões já em curso no governo Temer.

Existe a promessa de fazer, a ferro e fogo, a reforma da Previdência e da Consolidação das Leis do Trabalho. Obviamente, não serão favoráveis aos beneficiários de hoje. Com o mesmo propósito, há de se criar um teto financeiro para os programas de Saúde e Educação.

Pretendem mandar para o espaço o programa Ciência sem Fronteiras. Registre-se ainda o esboço da intenção de dar um fim às universidades públicas.

Estamos diante do desmanche radical dos programas dos governos petistas, Lula e Dilma, alcançando ainda as políticas populares de Getúlio Vargas. 
 
Fica-se com a impressão de que os tradicionais donos do poder extravasam todo o seu ódio de classe.
 

 
Nesse domingo 31 de julho, na Avenida Paulista (sugestão do amigo navegante Pedro Vieira)


Nota Opedeuta:

Ao ver a imagem acima, creio de um senhor já sexagenário ou mais, fico com uma sensação muito ruim como se fosse um  pesadelo ou filme de péssima qualidade  reprisado muitas vezes. Lembro-me em algumas momentos na vida  já ter  visto e até conversado com alguns destes senhores. Há algo em comum entre todos eles, creio, pelo que notei. A maioria oriundos de uma família classe média ,classe média baixa, católica , conservadora. Não leem muito, a maioria ficam nos jornalões ou tabloides populares, pouco acesso a livros , quando muito de auto ajuda. Sempre com os mesmos discursos e frases quase padronizadas, " Entra governo e saia governo....e nada muda..... bom mesmo era na época de fulano. O fulano a que ele se referia ,  era sempre um politiqueiro de família  tradicional de politiqueiro que defendia justamente os interesses totalmente contrário das classes trabalhadoras. Sindicatos ...um bando de vagabundos. Ou , "Se não fosse a "revolução " de 64...os comunistas teriam tomado tudo......
Dava a impressão que eram produzidos em série com uma programação de discursos uniformes....
Programados para não verem nem saberem das causas mas apenas suportar o efeito ajudando a engordar o pato. Uma característica que me chama sempre a atenção, a mesma mídia , a mesma informação , os mesmos discursos, geração após geração sempre fora criado para passar a diante a mesma ignorância do que lhe ocorre sem questionar uma vez se quer .....as causas. Amestrados a não questionar. Adorar justamente aquele que lhe aperta o laço ao pescoço. Parece que o grande propósito em criar este tipo de ignorância foi atingido, fazendo-o descrer naquilo que para ele é o grande mal, a democracia. Para estes o estado de exceção, é a regra.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Doações eleitorais de Michel Temer ajudam a traçar um perfil do presidente interino; todos os caminhos levam ao Rio Grande do Sul e ao porto de Santos



 

Doações eleitorais de Michel Temer ajudam a traçar um perfil do presidente interino; todos os caminhos levam ao Rio Grande do Sul e ao porto de Santos

 VIOMUNDO

Captura de Tela 2016-06-19 às 03.06.03Beneficiados e beneficiários: em sentido horário, Fátima Pelaes, Cunha, Helder Barbalho e a mãe, Dárcisio Perondi, Edinho Araújo e Eliseu Padilha
Pelos direitos das crianças, dos jovens, das mulheres, de todos os brasileiros; por um Governo decente e, acima de tudo, por mais esperança para os brasileiros, voto “sim”. Darcísio Perondi, ao votar na Câmara pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff
Sr. Presidente, renovação; confiança; credibilidade; recuperação da esperança; ordem; harmonia; outro clima de investimentos; respeito às leis; respeito às instituições. Foi neste clima que o Brasil amanheceu hoje: céu azul, céu brilhante, temperatura agradável, bandeiras nos apartamentos e nos ônibus. Conversei com uma empregada doméstica, e ela me disse da alegria nos ônibus hoje de manhã que vieram do entorno do Brasília. Está renascendo um novo Brasil. E tenha a santa paciência o Deputado que me antecedeu! Michel Temer tem doutorado em Constituição. É professor, jurista. Foi Deputado por 16 anos, um homem inteiro, fala o português. Não confunda hombridade e legalidade com gente pequena! Viva o novo Brasil que está nascendo! Viva o novo Brasil que está nascendo! Darcísio Perondi, festejando o governo interino de Michel Temer na Câmara, em 11 de maio de 2016
Da Redação, com Garganta Profunda*
Assim como Eduardo Cunha, Michel Temer tem sua própria bancada na Câmara dos Deputados. É menor, certamente. Mas não menos dedicada a defender seu líder.
Dentre os admiradores mais ferrenhos do presidente interino está o deputado federal gaúcho Darcísio Perondi.
Em 2014, o então vice-presidente estourou o limite de doações eleitorais (10% da renda declarada no ano anterior) ao dar dinheiro diretamente a dois deputados, ambos gaúchos: Darcísio Perondi e Alceu Moreira.
Temer teve os direitos políticos cassados pelo TRE-SP e está recorrendo.
Como a Galeria dos Hipócritas revelou no último 26 de maio, um dos deputados, Alceu Moreira, está enrolado em denúncias de corrupção.
O apelido dele em sua região de origem é Tico Butico.
Quando Alceu Moreira era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foi flagrado em escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça numa operação da Polícia Federal que investigava um esquema de corrupção envolvendo obras públicas. O esquema começou com o desvio de dinheiro da merenda escolar em Canoas, no Rio Grande do Sul.
A certa altura, quando tratava da liberação de verbas para a conclusão de uma estrada de seu interesse, Alceu Moreira disse ao interlocutor Marco Antonio Camino, da Mac Engenharia, que tocava a obra: “Tem que chover na minha horta, neguinho”.
Alceu Moreira é apadrinhado de Eliseu Padilha, hoje ministro-chefe da Casa Civil do governo interino de Michel Temer.
Padilha também teve diálogos gravados pela PF quando conversava com o mesmo empreiteiro, na mesma operação.
O hoje ministro da Casa Civil de Temer aparentemente tratava de direcionar a licitação para a construção de uma barragem no Rio Grande do Sul.
A construção da barragem fazia parte de um pacote de combate à seca no Sul patrocinado por emendas do próprio Padilha.
No esquema, houve uma escandalosa mudança no edital de licitação para limitar o número de concorrentes.
Nas investigações, a PF descobriu pagamentos de R$ 367 mil de empreiteiras gaúchas a Padilha.
O então deputado federal se defendeu dizendo que parte do dinheiro era resultado da venda de uma propriedade a um empreiteiro e o restante fruto da prestação de consultoria.
Padilha só escapou de maiores problemas com a Justiça porque o STF considerou os grampos ilegais: como deputado federal, ele tinha direito a foro privilegiado e as gravações deveriam ter sido autorizadas pelo Supremo.
Não adiantou a PF argumentar que seu alvo era o empreiteiro Marco Antonio Camino e que o então deputado caiu no grampo por ser interlocutor dele.
Neste final de semana a revista Veja requentou as acusações contra Padilha acrescentando que o Ministério Público Federal pediu o bloqueio de bens e a devolução de R$ 300 mil pelo ministro de Temer num caso correlato.
A ação por improbidade administrativa diz respeito a uma funcionária fantasma:
A Polícia Federal concluiu que a funcionária fantasma, motivo da ação de improbidade, recebeu salário como servidora do gabinete de Padilha por quatro anos. A suspeita é de que o titular da Casa Civil teria contratado a dona de casa como pagamento de favores a um empresário. 
Padilha pede o arquivamento desta ação alegando que ela também está contaminada pelo vício de origem, as gravações não autorizadas pelo STF.
Captura de Tela 2016-06-19 às 03.33.04
Temer entre Darcísio e a esposa, que é vice-presidente nacional do PMDB-Mulher; o Hospital de Caridade de Ijuí
DARCÍSIO E A COBRANÇA NO SUS
O deputado Darcísio Perondi não é exceção à regra na “bancada gaúcha” de Michel Temer.
Eleito pela primeira vez em 1995, ele pode se dizer um deputado bem sucedido.
Nas campanhas mais recentes, dobrou os gastos para se reeleger: foram R$ 989 mil em 2010 e R$ 1,79 milhão em 2014.
Pelas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral, teve um salto no patrimônio de 293% entre 2006 e 2014.
Ao votar pela abertura de processo de impeachment contra Dilma, ele falou em defesa de um “governo decente”.
Porém, suas práticas destoaram do discurso em pelo menos uma ocasião, segundo o Ministério Público Federal.
Perondi, que é médico, era presidente do Hospital de Caridade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, quando aconteceu a denúncia.
Médicos locais cobraram por consultas do SUS, o Sistema Único de Saúde, com o conhecimento da direção do hospital.
Cobranças foram feitas de pacientes humildes dos municípios vizinhos de Catuípe, Chiapeta e Inhacorá que precisavam consultar especialistas.
O MPF recolheu vários depoimentos:
Ângela Dallepiane Schneider, professora estadual: “(…) que a aluna Cilene Patat havia sofrido uma fratura no braço, motivo pelo qual acompanhou­-a até o Hospital de Caridade de Ijuí. Chegando lá, Cilene foi atendida pelo médico Dr. Adonis Dei Ricardi. Após ter sido atendida, Cilene solicitou à declarante que lhe emprestasse um cheque no valor de R$ 100,00 para pagamento dos serviços médicos. Foi a própria declarante quem entregou o cheque para o Dr. Adonis. Declara que foi ressarcida pela Prefeitura Municipal de Catuípe”;
Cleci Vieira, do lar: “(…) em julho de 2001, procurou a assistência médica do Município, pois estava grávida, quando então foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí (…); foi atendida pelo Dr. Élvio Silveira. Declara que, na oportunidade, foi­-lhe cobrado unicamente R$ 50,00, quantia essa paga em dinheiro para o Dr. Élvio, referente a exame de toque. Refere que tal valor foi ressarcido pela Prefeitura de Catuípe, mediante apresentação do recibo firmado pelo médico que recebeu a importância. Informa que é carente e que não teria condições de pagar quaisquer despesas (…)”.
Celine Mezadre da Luz, do lar: “(…) foi encaminhada para o Hospital de Caridade de Ijuí, ocasião em que foi atendida pelo médico Dr. Élvio. Na oportunidade, foi ­lhe exigido a importância de R$ 180,00, apenas para chamar o médico, pois era final de semana e o mesmo encontrava- se em casa. Diante da informação de que não poderia pagá­-lo, este veio atendê­-la, porém, disse que mandaria cobrar a conta da Prefeitura do Município de Catuípe. Declara que foi trazida pela ambulância do município de Catuípe após ter feito a curetagem. Informa que perdeu o bebê (…)”.
Valdemar Bortolotti, agricultor: “(…) há mais ou menos um ano fraturou a perna esquerda, quando então foi atendido pelo Dr. Rui, na cidade de Catuípe, que o encaminhou para o Hospital de Caridade de Ijuí. Que foi conduzido até aquele hospital pela ambulância da Prefeitura Municipal de Catuípe; lá chegando, foi atendido no Pronto­ Socorro pelo Dr. Adonis, que lhe pediu pessoalmente R$ 180,00 (cento e oitenta reais) para operá­-lo. Diante da recusa, ante a falta de recurso, o referido médico disse que engessaria a perna do jeito que estava, pois com o tempo ficaria bom. Declara que relutou para aceitar o engessamento, contudo acabou aceitando. (…) Declara que até hoje sofre seriamente seqüelas do procedimento adotado pelo médico, sendo que sofre muitas dores (…)”
Registre-se que em 2001/2002, época da denúncia, o salário mínimo era de R$ 180, valor relevante para um agricultor que teve de recorrer a uma ambulância pública para ser transportado entre duas cidades.
O dr. Adonis Dei Ricardi foi incluído na lista de médicos denunciados, juntamente com Armindo Pydd, Alberto Arais Pydd, Aureo Paulo Zimmermann, Bruno Wayhs, Edemar Paula da Costa, Elvio Gonçalves da Silveira, Fernando Vargas Buenos, Francisco Coutinho Kubaski, João Antônio da Silva Stucky, Mario Valter Michel e Maristela Casagrande.
Em sua defesa, eles alegaram que a cobrança era feita apenas quando os pacientes não aceitavam o tratamento dos plantonistas do hospital. Portanto, era como se fossem consultas particulares.
O juiz Adriano Copetti, de Santo Ângelo, não aceitou a argumentação.
A defesa do deputado Darcísio Perondi tentou arguir que ele tinha foro privilegiado, mas o STF considerou que o caso não envolvia seu mandato parlamentar.
Advogados de Perondi também argumentaram que as cobranças não eram irregulares, uma vez que “os municípios devem complementar os serviços de saúde financiados pelo SUS”.
O juiz, porém, condenou Perondi por improbidade administrativa:
O demandado Darcísio Perondi, como Presidente do Hospital de Caridade de Ijuí ­ HCI, concorreu com a prática dos atos ímprobos, já que anuía com as cobranças ilícitas, tanto que pressionava os municípios da região a firmarem convênios com o HCI, dizendo que os repasses do SUS eram insuficientes para o atendimento gratuito de toda a região de abrangência do referido nosocômio. Tinha ele, portanto, na condição de administrador máximo do HCI, o dever de zelar pelo adequado funcionamento da estrutura, o que implica também, sobremaneira, em fiscalizar e coibir atos atentatórios aos princípios da Administração Pública e aos objetivos do Sistema Único de Saúde, dentre eles, em especial, os do acesso universal, gratuito e igualitário às ações e aos serviços de saúde, função a qual, ao que se apurou, omitiu-­se.
Pena? No caso de Perondi, multa de R$ 1 mil. Mil reais.
Os réus, condenados em primeira e segunda instâncias, estão recorrendo.
Darcísio é crítico do programa Mais Médicos. Ele protestou, por exemplo, pelo fato de que os primeiros médicos cubanos chegaram ao Brasil ganhando menos que seus colegas, “apenas” 300 dólares mensais. Segundo ele, a presença de médicos nas pequenas cidades, sem mais investimento federal na Saúde, causaria o estrangulamento do sistema.
Captura de Tela 2016-06-19 às 04.19.47
O terminal em Santos e o deputado federal Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista: porto seguro
A BANCADA DE TEMER E A DELAÇÃO DE CUNHA
A bancada de Michel Temer na Câmara não inclui apenas os deputados gaúchos Alceu Moreira e Darcísio Perondi, aos quais ele doou como pessoa física.
Nas eleições de 2014, só o CPF 20.569.767/0001-43, relacionado à campanha do vice-presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia, aparece associado ao repasse de R$ 11.886.827,14 a 78 candidatos do PMDB, PSD, PDT, PCdoB e PT em vários estados do Brasil.
Impressiona o interesse de Temer pelo Rio Grande do Sul: ele ajudou na campanha de 25 candidatos a deputado estadual e federal do Estado.
Uma possível explicação: Eliseu Padilha, braço direito de Temer, é gaúcho; foi prefeito de Tramandaí, deputado federal desde 1995 e serviu como ministro em governos que um dia tiveram apoio/participação de Temer: dos Transportes sob FHC, da Aviação Civil sob Dilma e da Casa Civil sob o próprio Temer.
Doar a candidatos gaúchos seria uma forma de reforçar a base parlamentar da dupla.
Na lista de doações de Temer em 2014, a maioria dos repasses é de dinheiro originário de empresas.
A empreiteira OAS, por exemplo, fez doações de mais de R$ 3,4 milhões através de Michel Temer.
Alguns casos chamam especialmente a atenção.
Temer repassou, por exemplo, R$ 300 mil da OAS e do frigorífico JBS à candidata Fátima Pelaes. Depois de cinco mandatos, ela não se reelegeu em 2014 como deputada federal pelo PMDB do Amapá.
Agora, a ex-deputada foi escolhida por Temer para dirigir a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.
Fátima responde a inquérito que resultou da Operação Voucher, da Polícia Federal, que investigou desvios no Ministério do Turismo.
Quando deputada, Fátima indicou uma ONG de nome Ibrasi para promover o turismo no Amapá a partir de emendas apresentadas por ela.
Fátima teria sido beneficiária de parte dos R$ 4 milhões recebidos pela ONG.
Outro que recebeu dinheiro de Temer para a campanha de 2014 foi Baleia Rossi, o presidente do PMDB paulista: R$ 150 mil, originários do frigorífico JBS.
No escândalo das merendas de São Paulo, o deputado foi acusado pelo presidente da Coaf, a cooperativa que pagou propina, de ser o beneficiário de pagamentos nos contratos fechados com as prefeituras de Campinas e Ribeirão Preto. Ele nega veementemente.
Mas, há coisas mais interessantes ainda na lista de doações eleitorais de Temer.
Voltemos no tempo.
Como o Viomundo denunciou aqui, o presidente interino já foi mencionado em ação de divórcio pelo suposto recebimento de R$ 2,7 milhões em propinas em contratos fechados quando Marcelo de Azeredo dirigia a Codesp, Companhia Docas do Estado de São Paulo, controladora das maiores instalações portuárias do Brasil, em Santos.
Temer era deputado federal e indicara seu afilhado político para dirigir a empresa, o que Marcelo fez entre julho de 1995 e maio de 1998, durante o governo FHC.
À época, Azeredo foi acusado de esbanjar dinheiro público – por exemplo, segundo denúncia assinada pelo repórter Gilberto Nascimento, ele “pagou pelo aluguel de sete veículos da marca Quantum, para atender à diretoria durante dois anos, a quantia de R$ 394 mil, suficiente para adquirir em definitivo 14 carros zero-quilômetro do mesmo tipo”.
A denúncia das propinas obtidas por Temer no porto de Santos partiu da ex-mulher de Azeredo, numa ação de divórcio litigioso.
Ela teve acesso ao computador do ex e copiou planilhas que registravam negócios e pagamentos.
A divisão do dinheiro: 25% ficavam com Azeredo, 25% com um certo Lima e 50% com MT, que os advogados dela identificaram como Michel Temer.
Lima provavelmente é o coronel aposentado da PM João Baptista Lima Filho, dono de 1.500 hectares de terras no interior de São Paulo e da empresa Argeplan, investigada na Operação Lava Jato por contrato com a Eletronuclear — que teria sido fechado depois de pagamento de propina.
O coronel Lima e Temer são amigos há mais de duas décadas.
Pois bem, segundo os registros obtidos pela ex-mulher de Azeredo naquele divórcio litigioso, Temer teria se beneficiado de R$ 640 mil em propina quando dois terminais do porto de Santos, os de número 34 e 35, foram concedidos ao Grupo Libra, especializado no transporte de contêineres.
Quando a concessão original aconteceu, em 1998, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp, era subordinada ao Ministério dos Transportes, ocupado então por Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil de Temer.
Fast forward para o governo Dilma, com Temer na vice-presidência.
Em 2013, foi editada a nova Lei dos Portos.
Ela permitia a renovação da concessão de terminais desde que houvesse promessa de novos investimentos, mas vedava isso para empresas inadimplentes.
A essa altura, o Grupo Libra tinha uma dívida com a União estimada em mais de R$ 800 milhões (valores atualizados), que contestava.
Porém, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou uma emenda que abriu uma exceção: renovação da concessão se a empresa inadimplente aceitasse um processo de arbitragem para a dívida.
O Grupo Libra aceitou e os processos de cobrança da União contra ele foram extintos.
Isso permitiu ao Grupo Libra renovar a concessão dos dois terminais de Santos por mais 20 anos, com a promessa de novos investimentos de R$ 750 milhões.
A Secretaria de Portos, vinculada hoje à Presidência da República, era ocupada na época pelo deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP), indicado por Temer.
A demissão de Edinho por Dilma foi um dos temas da famosa carta em que o vice reclamou da presidenta: “E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”, dizia trecho da carta.
Na lista de doações eleitorais de Temer em 2014, R$ 200 mil foram destinados à campanha de reeleição de Edinho, dinheiro originário das empresas JBS, Jofege Pavimentação e São Sebastião Desenvolvimento Imobiliário.
Já os donos do Grupo Libra, concessionários no porto de Santos desde 1998, compareceram com doações de ao menos R$ 800 mil através de Temer!
Rodrigues Borges Torrealba, um dos donos do Grupo, doou R$ 500 mil a cinco candidatos do PMDB: Edson Meuer Brum (estadual/RS), Rodrigo Sanches da Rocha Loures (federal/PR), Fábio Ricardo Trad (federal/MS), Edio Vieira Lopes (federal/RR) e Elcione Barbalho (federal, PA).
A irmã dele, Ana Carolina Borges Torrealba Affonso, também sócia do Grupo Libra, doou R$ 300 mil a candidatos do PMDB, sempre através de Temer: Hermes Parcianello (federal/PR), Mário Feitoza de Carvalho Freitas (federal/CE), Claudia Lyra Nascimento (federal/DF), Francisco Luiz Escorcio Lima (federal/MA) e Darcisio Paulo Perondi (federal/RS).
Detalhe: Elcione Barbalho, que recebeu R$ 100 mil do Grupo Libra, é mãe de Helder Barbalho, o deputado federal escolhido por Temer para ocupar… a Secretaria de Portos no governo interino!
Trocando em miúdos:
1. Temer foi citado em ação de divórcio por supostamente receber propina do Grupo Libra quando este obteve as concessões no porto de Santos, quando a Companhia Docas do Estado de São Paulo era subordinada ao então ministro dos Transportes Eliseu Padilha, no governo FHC;
2. O mesmo Grupo Libra, sob Dilma, teve as concessões renovadas por duas décadas tirando proveito de emenda parlamentar de Eduardo Cunha, quando Temer era vice-presidente e um aliado dele, Edinho Araujo, ocupava a Secretaria de Portos;
3. O Grupo Libra fez doações eleitorais através de Temer que beneficiaram inclusive a mãe do futuro secretário de Portos, Helder Barbalho.
Será que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se renunciar ao mandato e eventualmente fizer delação premiada, vai contar os motivos republicanos que o levaram a apresentar aquela emenda tão particular, um lustroso jabuti, à Lei dos Portos?
* Garganta Profunda é repórter investigativo com duas décadas de experiência; ele foi ‘contratado’ pelos leitores do Viomundo através de crowdfunding
Leia também:
Focinheira para os que atacaram a UNB

terça-feira, 19 de abril de 2016

ANISTIA A CUNHA GANHA CORPO ENTRE DEFENSORES DO GOLPE

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Delator revela tabela de propina paga a Eduardo Cunha no exterior: R$ 52 milhões em 36 parcelas

tabela da propina de cunha
Delator aponta propina de R$ 52 milhões em 36 parcelas a Eduardo Cunha
Em 14 páginas, o empresário Raul Pernambuco Júnior narra com detalhes encontro com o presidente da Câmara para combinar como seriam feitos pagamentos no exterior
tabela-pagamentosec
Delator afirma que pagou propina a Eduardo Cunha no exterior.
Em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, na Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, entregou aos investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05 em propinas supostamente pagas ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014.
Segundo o empreiteiro, empresas relacionadas às obras do Porto Maravilha, no Rio, deveriam pagar R$ 52 milhões ou 1,5% do valor total dos Certificados de Potencial de Área Construtiva (Cepac) a Eduardo Cunha. A parte que caberia à Carioca era de R$ 13 milhões.
delac-raul-pernambuco
O maior repasse ocorreu em 26 de agosto de 2013 no valor de US$ 391 mil depositados em conta do peemedebista no banco suíço Julius Baer. Em 2011 foram quatro depósitos, somando US$ 1,12 milhão. Em 2012, Eduardo Cunha recebeu só dessa fonte outros US$ 1,34 milhão divididos em seis depósitos.
A tabela revela que em 2013 o deputado – que ainda não exercia a presidência da Casa -, foi contemplado com mais seis depósitos, totalizando US$ 1,409 milhão. Já em 2014, Eduardo Cunha recebeu outros seis depósitos que somaram US$ 804 mil.
A tabela com o caminho das propinas é dividida em duas partes.
“Em relação a primeira tabela, que totaliza US$ 3.984.297,05 tem certeza de que foram destinadas a contas apontadas pela deputado Eduardo Cunha; que em relação a segunda tabela, no valor total de US$ 696 mil, é altíssima a probabilidade de que também eram valores destinados a contas indicadas por Eduardo Cunha, por todo o trabalho investigativo que fizeram, em especial porque não fizeram pagamentos deste tipo a outras pessoas e, também, pelo valor das transferências”, afirmou o empresário.
“Em nenhum momento Eduardo Cunha lhe disse que as contas eram de titularidade dele, mas tem certeza de que todas estas contas foram indicadas pela deputado Eduardo Cunha; que tampouco o depoente chegou a perguntar a Eduardo Cunha sobre o titular das referidas contas.”
Em 14 páginas, o empresário Raul Pernambuco Júnior narra com detalhes encontro com o presidente da Câmara para combinar como seriam realizados pagamentos no exterior. Raul Pernambuco Júnior descreveu uma reunião no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio, que, segundo ele, teria ocorrido entre junho e julho de 2011, época da aquisição das Cepac’s pelo Fundo de Investimento do FGTS.
“O depoente não estava presente, mas seu pai e um executivo da Carioca de nome Marcelo Macedo estiveram presentes a esta reunião; que após esta reunião, o depoente foi chamado pelo seu pai; que seu pai lhe comunicou que Léo Pinheiro, da OAS, e Benedicto Junior, da Odebrecht, na reunião do Hotel Sofitel, comunicaram que havia uma solicitação e um ‘compromisso’ com o deputado Eduardo Cunha, em razão da aquisição, pela FI-FGTS, da totalidade das CEPAC’s”, declarou.
O empreiteiro detalhou. “Que o valor destinado a Eduardo Cunha seria de 1,5% do valor total das Cepac’s, o que daria em tomo de R$ 52 milhões devidos pelo consórcio, sendo R$ 13 milhões a cota parte da Carioca; que este valor deveria ser pago a Eduardo Cunha em 36 parcelas mensais; que seu pai disse ao depoente que cada uma das empresas “assumiria” a sua parte diretamente com Eduardo Cunha.”
À Procuradoria, o delator contou que o primeiro pagamento no Israel Discount Bank para Eduardo Cunha ocorreu em 10 de agosto de 2011, no valor de US$ 220.777,00. Raul Pernambuco Júnior relatou que houve uma dificuldade do Banco de seu pai para efetuar a transferência, em razão do banco destinatário.
Segundo o delator, Marcelo Macedo não participou especificamente desta conversa entre ele, seu pai e os representantes da OAS e da Odebrecht. Raul Pernambuco Junior disse que a Carioca, na época não tinha contato com Eduardo Cunha. O empreiteiro afirmou que ele e seu pai foram apenas “comunicados” pela Odebrecht e pela OAS sobre o “compromisso”.
“Como cada empresa deveria acertar os valores diretamente com Eduardo Cunha, o pai do depoente pediu que este procurasse referido parlamentar para acertar os pagamentos; que o contato telefônico de Eduardo Cunha foi repassado ao depoente por Benedicto Junior, a pedido do depoente; que foi passado ao depoente um numero de rádio Nextel”, afirmou.
O delator contou aos procuradores da Lava Jato que entrou em contato com Eduardo Cunha e marcaram uma primeira reunião. Raul Pernambuco Júnior disse não se recordar se o encontro se deu no escritório político do deputado, no centro do Rio, ou na Câmara, em Brasilia, ‘mas acredita que tenha sido no escritório político’. O empresário afirmou acreditar que a reunião tenha ocorrido no início de agosto de 2011.
“Indagado sobre a descrição do escritório político de Eduardo Cunha, respondeu que se trata de um escritório com decoração mais antiga, que tem uma antessala, com uma recepcionista; que, além disso, havia dois sofás, em seguida um corredor, com duas salas; que nestas salas havia uma secretária mais alta e um assessor do deputado; que este assessor era uma pessoa mais velha, com cerca de 60 anos, acreditando que fosse um pouco calvo, possuindo cabelo lateral; que nunca conversou, porém, nenhum assunto com tais pessoas; que mais à esquerda tinha a sala do deputado Eduardo Cunha, com uma mesa antiga, de madeira maciça, com muitos papeis em cima; que acredita que o escritório fique no 32° andar.”
De acordo com Raul Pernambuco Júnior, durante a reunião, ele perguntou ‘sobre o “compromisso” estabelecido e, inclusive, o valor, o que foi confirmado por Eduardo Cunha’. O empresário disse que ele e o pai não queriam que o dinheiro passasse “por dentro da empresa”, para ser o mais reservado possível. O delator contou que questionou Eduardo Cunha ‘sobre a possibilidade de estes pagamentos serem feitos em contas no exterior’.
“Eduardo Cunha disse que não haveria problema nenhum e, neste momento, ele indicou a primeira conta em que deveria ser efetivado o pagamento”, relatou Raul Pernambuco Júnior.
“Eduardo Cunha passou a conta em um papel, com os dados já digitados; que se lembra bem deste primeiro pagamento, porque o Banco indicado por Eduardo Cunha era denominado Israel Discount Bank; que não sabia se este banco era realmente em Israel; que já ficou estabelecido, inclusive, o valor do primeiro pagamento; que, dividindo o valor total devido pelo número de parcelas, o valor de cada parcela era de cerca de R$ 360 mil.”
O empreiteiro disse que a reunião deve ter durado cerca de 30 minutos, ‘oportunidade em que se conheceram melhor’. Raul Pernambuco Júnior afirmou que ‘até então não se conheciam ou ao menos não se recorda de tê-lo conhecido pessoalmente’.
“O depoente disse nessa reunião a Eduardo Cunha que seria impossível fazer depósitos mensais; que o depoente disse a Eduardo Cunha que fariam depósitos com periodicidade irregular; que esta impossibilidade de realizar depósitos mensais decorria da precaução que seu pai tinha em dar as ordens bancárias para o exterior; que o pai do depoente normalmente dava tais ordens aos gerentes das contas no exterior pessoalmente, seja em viagens que seu genitor fazia ao exterior ou, ainda, quando o gerente vinha ao Brasil; que não sabe se seu pai enviava ordens por outro meio de comunicação à distância, como fax ou e-mail.”
O delator continuou. “A pedido de seu genitor, o depoente solicitou uma reunião com Eduardo Cunha, por meio da secretária do depoente; que a secretária do depoente, de nome Sheila Oliveira, entrou em contato com a secretária do deputado Eduardo Cunha e, em seguida, enviou um e-mail para o depoente, questionando qual seria a “pauta para a reunião”; que o depoente respondeu o e-mail afirmando que “Ele está a par. Só avisa q sou eu””, declarou. Segundo o delator, este e-mail é datado de 16 de agosto de 2011.
Raul Pernambuco Júnior disse que a reunião ‘foi efetivamente marcada e realizada, não se recordando ao certo onde’.
“Nesta reunião, ocorrida provavelmente entre final de agosto e início de setembro, perguntou a Eduardo Cunha se haveria a possibilidade de mudar o banco e indicar uma conta na própria Suíça; que Eduardo Cunha concordou e disse não haver problemas; que Eduardo Cunha, no mesmo ato, já indicou a conta Esteban Garcia, no banco Merryl Lynch Bank, na Suíça; que a partir daí todos os depósitos para Eduardo Cunha foram na Suíça”, declarou. “Se estabeleceu que se houvesse necessidade de alteração do banco, isto deveria partir do deputado Eduardo Cunha; que, de qualguer forma, em toda oportunidade em que iriam fazer os pagamentos, o depoente ligava ou se encontrava com Eduardo Cunha para perguntar se “mantínhamos o mesmo endereço”.”
O delator narrou ainda que por uma ou duas vezes, as contas no exterior eram enviadas por Eduardo Cunha para ele, em envelopes lacrados e sigilosos, para a filial da Carioca em São Paulo, ‘contendo os dados da conta e códigos de transferência’.
A defesa de Eduardo Cunha foi procurada pela reportagem nesta quinta-feira, 14, mas ainda não se manifestou. O espaço está aberto para o presidente da Câmara.
Leia também:

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

PF DEFLAGRA NOVA FASE DA OPERAÇÃO ZELOTES

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A discrição cúmplice dos jornalões com o “suiçalão” de Eduardo Cunha

escondecunha


Em qualquer país do mundo,  seria manchete a confirmação que o presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha de sucessão presidencial de um governo que  está ameaçado de sofrer impedimento, e tanto da Presidenta quanto do seu vice, no caso da ação do TSE (é o que se noticia todos os dias, não é?) teve descobertas contas ilegais num banco suíço.

Não é “suspeita”, “denúncia”, “suposição” ou “dizem”. É informação oficial da Justiça da Suíça, com documentos, confirmada aqui pela Procuradoria Geral da República.

É uma “bomba”, no velho jargão jornalístico. Porque nem é preciso provar que o dinheiro é de corrupção, a simples evasão de divisas e a não declaração de patrimônio – obrigatória tanto como candidato quanto na posse do mandato – já é crime previsto no art. 13 da lei de improbidade administrativa, que vale também para os deputados:

§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

Basta estar confirmada a existência da conta, de direito ou de fato, através de parente que não tenha razão econômica para tal para que se peça a condenação de Cunha e, antes disso, a cassação do seu mandato.

Nas edições de hoje da Folha e do Estadão, como assinalado na imagem, a notícia é uma “notinha” de primeira página.

Os destaques são para “suspeitas”, não para fatos; para o “supõe-se” e não para acontecimentos.

Claro, Cunha ainda pode ter serventia. Como escreveu um  daqueles inomináveis da Veja, citado hoje no ótimo artigo de Paulo Nogueira, no DCM, será que nossa imprensa “espera que Cunha derrube Dilma antes de ser preso.”?

O jornalismo brasileiro – salvo as ainda muitas exceções que, por isso mesmo, não o comandam – tornou-se o exercício do facciosismo político.

Um tipo destes, apanhado em flagrante, que se recusa até a negar que tenha as tais contas, esquecido (talvez nunca tenha sequer pensado nisso) de que é um homem público,, um servidor graduadíssimo da sociedade, o comandante do processo legislativo faz isso e dão-lhe “dez centímetros”, se tanto, das capas do jornais da “moralização” do país.


Que nome pode ter isso senão o de  cumplicidade?

sábado, 30 de maio de 2015

Comédia: Band cria teoria conspiratória sobre investigação contra Fifa

fifa

O empresário José Hawilla, proprietário da Traffic, já vai se tornando íntimo dos que curtem – e até dos que odeiam – futebol. O “parceiro comercial” predileto dos cartolas da Fifa e das empresas de mídia – Globo à frente – que exploram (literalmente) o futebol brasileiro foi o estopim para o escândalo de corrupção que eclodiu ao longo da semana.
Graças a acordo de delação premiada do empresário com a Justiça americana, o FBI estourou escândalo que envolve dirigentes esportivos como José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), preso na última quarta-feira (27) junto com outros dirigentes de entidades das Américas do Sul, Central e do Norte.
Para que não restem dúvidas sobre a seriedade do caso, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos o executivo foi procurado em dezembro do ano passado e aceitou as acusações de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro e selou um acordo de “delação premiada” de US$ 151 milhões, dos quais US$ 25 milhões foram pagos à vista.
Só tendo muita cara-de-pau, portanto, para sequer insinuar que empresas de mídia que estariam “de fora” da divisão do bolo de transmissão do futebol estariam participando, em conluio com os Estados Unidos da América, de uma conspiração que poderia ter “interesses políticos e econômicos”.
Bem, o que não falta à mídia tupiniquim é, justamente, cara-de-pau. Desse modo, o Jornal da Band deste sábado teve a audácia quase inacreditável de insinuar que “Prisões de dirigentes da FIFA podem ter interesses políticos e econômicos”.
Não acredita? Pois bem, então assista ao vídeo da reportagem da emissora paulista.




Incrível, não? Segundo você acabou de ver e ouvir, a teoria da Band é a de que as prisões efetuadas pela polícia suíça ao longo da semana “Podem ter interesses políticos e econômicos”.
Quais interesses? A matéria não soube explicar. Começa dizendo que o alvo dessa conspiração ianque poderia ser “a Rússia, sede da próxima Copa”. Mas o que é, diabos, que os EUA estariam pretendendo? Será que querem tirar a Copa da Rússia para trazê-la para o território norte-americano?
E, claro, não poderia faltar alguma insinuação contra o governo Dilma Rousseff. A bela apresentadora da Band diz que, “Aqui no Brasil, o temor é que o caso leve a uma tentativa de intervenção do governo no futebol brasileiro”.
Ou seja: o governo Dilma estaria mancomunado com o FBI para, quem sabe, estatizar o futebol brasileiro. Só pode ser essa a tese. Há que especular, porque a reportagem da Band não diz que tipo de intervenção seria essa, até porque está claro que não sabe o que inventar, já que não existe uma hipótese crível para tal bobagem.
Como indício de conspiração, a reportagem cita que as prisões foram levadas a cabo “A dois dias da eleição na Fifa”, como se todo esse monte de sujeira que está brotando do caso tivesse sido inventado para influir nessa eleição. Provavelmente J. Hawilla teria sido abduzido pela conspiração comuno-capitalista que envolve o governo norte-americano e o brasileiro e quem sabe a Record, interessada em tomar de Globo e companhia a exploração das imagens dos jogos.
A Band chegou ao ridículo de colocar um gringo com sotaque carregado para conferir verossimilhança à tese maluca:
— Questões políticas e geopolíticas também estão atrás dessa ação do governo dos Estados Unidos. Com certeza (…) Um dos grandes apoiadores do que se passa é a Rússia. A Copa do Mundo vai ser realizada na Rússia. Então isso é um recado ao governo russo, que os Estados Unidos estão de olho no que está acontecendo na Fifa.
Uau! Que revelação. Mas, afinal, qual é mesmo a revelação, que “Os Estados Unidos estão de olho”? Qual é a tese, afinal? O que os EUA pretenderiam supostamente inventando um esquema de corrupção na entidade?
A reportagem ainda teve a falta de vergonha na cara de colocar uma fala do respeitável Valter Maierovitch dizendo que tem que investigar tudo mesmo e que o caso deverá despertar o interesse de autoridades brasileiras para fazer crer ao espectador desatento que o es-desembargador concorda com a teoria da conspiração mal-ajambrada.
Palavras de Maierovitch:
— O Brasil vai ter que passar a limpo não só a CBF. Nós temos, ainda pendente, o Panamericano, que custou muito e se desviou muito, entre aspas.
Ora, o que diabos tem que ver essa fala de Maierovitch com uma reportagem intitulada “Prisões de dirigentes da FIFA podem ter interesses políticos e econômicos”? Ele está dizendo justamente o contrário, ou seja, que há motivos muito sólidos para investigar tudo, inclusive com participação do governo brasileiro.
A locução do repórter de campo da Band prossegue:
— Há setores muito preocupados com uma possível intervenção do governo na administração do futebol brasileiro…
E tome “especialistas” formulando teorias conspiratórias que não se entende quais seriam. Um tal “especialista em marketing esportivo” tirado do bolso do colete ainda tenta formular alguma coisa. O escândalo poderia “ser visto como oportunidade” para “Grupos que estão de olho nos negócios do futebol para ocupar espaços que até hoje não conseguiram”.
Segundo o tal especialista, os que não participam dos “negócios do futebol” precisariam de “uma ruptura, uma grande crise” para que esses grupos de mídia que não estão nesses “negócios” possam tirar uma parte do bolo.
O que quer dizer tudo isso? Que Globo e Band acham que a Record estaria por trás de tudo isso, juntamente com os EUA e o governo comuno-petista de Dilma Rousseff. A emissora de Edir Macedo estaria provendo informações a laranjas para desacreditarem as sacrossantas emissoras que controlam a veiculação do esporte.
Mas será que foram Dilma, os EUA e a Record que obrigaram J. Hawilla a fazer suas traquinagens – em parceria com herdeiros da família Marinho e outros personagens menores – ou será que existe mesmo uma sujeira muito grande, e decenal, conspurcando os tais “negócios do futebol”?