Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista
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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Somos do bem: podemos tudo!

 
Não há nada mais perverso, doentio e perigoso que a mistura entre radicalismo político e radicalismo religioso. O fanático político-religioso não tem limites; não tem ética; não age com a razão. Age por convicção, ou seja, pela crença pervertida que é um porta-voz do bem ou um discípulo de uma causa transcendental. É convicto que tem uma missão a ser cumprida e sendo superior, porque é um enviado de Deus para extirpar o mal da terra, deve salvar o mundo daqueles "eleitos" como sendo os ímpios.
 
Os fanáticos político-religiosos se congregam em castas herméticas cujo objetivo é criar mecanismos de autoproteção. Só assim, sentem-se seguros e empoderados para cumprir sua missão redentora. Estão convictos: somos do bem; podemos tudo!
 
É por isso que o fanático político-religioso tem na pregação e na oratória suas principais armas para arrebanhar adeptos. Utiliza-se da propagação do medo para justificar a consolidação de uma seita baseada em discursos de ódio e de vingança. Lembremos da advogada Janaína e seus espetáculos em nome de um deus que “vai nos salvar": “Se tem alguém fazendo algum tipo de composição nesse processo, é deus", disse ela na defesa do impeachment.
 
O filósofo e cientista político esloveno Slavoj Žižek nos ajuda a entender esse fenômeno: a unificação de todos os medos (e/ou discursos do medo) numa (falsa) verdade é o grande objetivo que move os ideais dos grupos e líderes fanáticos. Essa estratégia justificou, por exemplo, o nazismo (os nazistas tinham horror dos judeus, dos homossexuais...); ou o golpe civil-militar de 1964 (o medo do comunismo). 
 
 A soma dos muitos medos (os verdadeiros ou aqueles construídos no imaginário social) produz um ambiente propício para se criar um clima de pânico; instalar a desconfiança generalizada; propagandear uma insatisfação irracional, mesmo num espaço institucionalmente normal. A partir daí, podem-se construir as saídas autoritárias e os golpes, através de pseudo-heróis "salvadores da Pátria"; justifica-se o injustificável com argumentos falaciosos, mas aparentemente palatáveis e aceitos pela cultura vingativa que, em alguma medida, nos congrega enquanto herdeiros da tradição cristã ocidental que se contenta, muitas vezes, com a eleição de bodes expiatórios para a superação das nossas mazelas.
 
A partir da unificação dos medos é fácil propagar o discurso do ódio, da violência e da eliminação a qualquer custo daqueles que encarnam os “males” que devem ser combatidos e extirpados pelos “bons”.
 
O espetáculo midiático promovido pelo promotor Dallagnol– um fervoroso fiel religioso que prega o combate à (um determinado tipo de) corrupção em templos pelo país afora – mostra que o fanatismo de base política e religiosa contaminou parte das instituições do sistema de justiça brasileiro. Talvez, por isso, há tantos “homens e mulheres da lei” (advogados, policiais, promotores, juízes) ligados umbilicalmente a certas igrejas e sociedades secretas.
 
Vários grupos incrustados em segmentos da advocacia, dos ministérios públicos, das instituições policiais e da magistratura têm se comportado como “caçadores de corruptos” cuja pregação e discursos de base religiosa significam uma ameaça efetiva ao estado democrático e de direito.
 
Pensam, tacanhamente, que o direito penal, seletivamente aplicado, resolve todos os problemas e mazelas sociais e políticos. Exercem seu ministério com base numa paranoia de acusação sem direito à defesa, facilitando a "perseguição" ou "delação" - ao gosto dos clientes, no caso, da mídia hegemônica, dos políticos tradicionais organicamente corruptos e de segmentos privilegiados da sociedade.
 
O reducionismo judicial, transformado em ativismo persecutório, tem produzido uma justiça ainda mais seletiva e corroborado um pensamento torto, simplista, odioso e infantil Brasil afora. Esse pensamento espraia-se nas redes sociais, contaminando-as de ódio e caca às bruxas. 
 
Até a morte de um ator global tem sido atribuída ao PT. São tantas as sandice, as expressões de irracionalidade e mesquinhez – inexplicáveis pela razão – que somente podem ser entendidas, de fato, por convicções de base religiosa. Obviamente, uma religião imatura, infantilizada, persecutória, vingativa.
 
É preciso lembrar: o Ministério Público, as instituições policiais, inclusive a Polícia Federal, e o Judiciário foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988 sem nenhuma prestação de conta de suas ações e omissões durante a ditadura. E mais: esses órgãos foram fortalecidos a partir de 1988, sem nenhum mecanismo efetivo de controle. Milhões de juízes, promotores e policiais, por exemplo, têm vencimentos acima do teto constitucional e isso parece natural e legal. Atualmente, parte dessas estruturas, povoadas pelos filhos das elites - que buscaram nas carreiras jurídicas do Estado a fonte de privilégios e defesa de interesses de classe -, formam uma espécie de estado paralelo dentro do estado de direito: uma juristocracia.
 
 A aliança espúria e virulenta entre setores do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário com a imprensa, desde o chamado “Mensalão” e agora na “Operação Lava Jato” – tramando jogadas midiáticas com traços fascistas –, constitui num perigo inominável não somente para a ordem democrática, mas também para todos os cidadãos e as demais instituições sociais.
 
Quando a acusação em doses cavalares e à revelia do devido processo legal é transformada em evidências de culpa, convicção, chantagem e difusão do medo e do ódio, mesmo não havendo investigações suficientes, provas cabais e apresentação do contraditório; quando a justiça não age de forma isonômica; quando o objetivo é destruir carreiras e reputações e promover caça às bruxas flerta-se com um estado totalitário.
 
Como está cada vez mais evidente e já foi apontado por Jânio de Freitas noutra ocasião, “o que a Lava Jato investiga de fato, por meio de investigações secundárias, não é a corrupção na Petrobras; não é a ação corruptora de empreiteiras; não são casos de lavagem de dinheiro: são os governos do PT”. 
 
E, dado que a coalizão golpista apeou a presidenta Dilma do poder à força, resta agora, aos torquemadas sacrossantos, a perseguição inquisitorial a Lula (que como já escrevi noutro post, não é nenhum santo). E, na sequência, como sempre prega o impoluto Aécio Neves, a eliminação do PT. Aí, todos os males da face da terra serão expurgados e os homens e mulheres de bem reinarão para sempre. Amém! 
 
Fábio Konder Comparato escreveu célebre artigo sobre o caráter patrimonialista, elitista, hermético e autoritário do Judiciário brasileiro. Esse poder, desde os seus primórdios, se tornou o menos transparente da República, avesso a investigações de toda ordem, impedindo, desde sempre, que as inúmeras denúncias de corrupção e favorecimento de seus quadros e de elites políticas tradicionais fossem punidas nos limites da lei (veja aqui).
 
Que fique claro: apesar da podridão do sistema político, os excessos e arroubos autoritários cometidos pelas convicções juízes, policiais e promotores na Lava Jato fazem com que o primeiro poder a ser questionado, nesse momento, seja justamente o Judiciário.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O MP é fascista? Não são dez medidas contra a corrupção, mas outra Constituição!

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O Conversa Afiada republica brilhante artigo de Breno Tardelli, extraído do site da Carta Capital:

A guinada autoritária do Ministério Público

A única consequência possível de um povo que vibra com sangue e ódio é o adoecimento de suas instituições. Uma delas é o Ministério Público, o qual, em tese, fala pela sociedade brasileira supercampeã em desigualdade social, discriminação racial, de gênero e outras mais variadas formas.

Como porta-voz dessa sociedade nas relações processuais, o MP tem prestado um excelente serviço em todos escalões – de Cabrobó até Brasília, o posicionamento da instituição caminha no sentido de ser o mais reacionário possível, inclusive em respostas exigidas nos concursos para ingresso na carreira.
Há exceções, claro. Basta acompanhar o trabalho dos promotores e promotoras compromissados com a Constituição. Ocorre que, além de serem cada vez mais raros, são perseguidos dentro da própria carreira e servem como prova de que a regra é outra.

Cada vez mais o Ministério Público opta pelo senso comum que repudia a diferença. Um exemplo paradigmático foi quando, no julgamento da descriminalização das drogas, o procurador-geral, Rodrigo Janot, naturalizou o chorume de comentários na rede social e foi além de todos que se posicionaram contra: passou a inventar dados.

Disse, entre outras desinformações, que 90% daqueles que fumam maconha se viciam; não satisfeito, segundo ele, basta fumar uma vez para que a pessoa se torne dependente química. Parece brincadeira de péssimo gosto, mas foi o argumento encontrado pela autoridade máxima da instituição.

Quando a desinformação e o autoritarismo rendem aplausos, as prioridades mudam. Em tempos de chacina de 19 cidadãos pela polícia, o ouvidor da corporação paulista elencou alguns motivos para que a PM assassinasse tanta gente com tamanha naturalidade. Um deles: policiais acusados de matarem são sistematicamente alvos de pedidos de absolvição pelo Ministério Público.

A mesma conclusão foi da Human Rights Watch, que analisou a atuação policial no Rio de Janeiro e percebeu que “há má vontade do Ministério Público em investigar esses casos e que normalmente as investigações só avançam quando há interesse social e pressão por parte da mídia”

O delegado de polícia Orlando Zaccone percebeu a mesma coisa e foi na sua tese de doutorado pesquisar como promotores e promotoras fundamentavam o pedido de arquivamento de casos em que quem está no banco dos réus não é um dos pês (pobre, preto e puta), mas um policial. Em entrevista ao Justificando, ele esclareceu, basicamente, os porquês dessa benevolência:

"O fundamento basicamente tem a grande pergunta do auto de resistência: não como a polícia agiu, mas quem ela matou. Então, completada a figura do inimigo, isto é, o traficante de drogas, e esse fato ocorrendo dentro de favelas, de guetos, isso é colocado na escrita dos promotores de justiça como elementos a justificar a morte."

Então é o seguinte: o Ministério Público é benevolente apenas e tão-somente com policiais militares, pois entende que por trás de cada assassinato há algo que o justifique, ou, ainda que não haja, "matar bandido" é necessário.

Uma das premissas fascistas é o arbítrio e a naturalidade com as quais as instituições lidam com a violação maciça de direitos humanos, em especial, se o alvo for um inimigo público. E em um país desigual e racista, não há inimigo maior do que o jovem negro da periferia.

Se esses jovens não são violados pela omissão do Ministério Público no controle da polícia que mais mata no mundo, são enviados para nossos presídios, a masmorra contemporânea, muito por conta de uma lei de drogas racista, cuja principal razão de existir é encarcerá-los, sob o protagonismo do Ministério Público de acusar e brigar pela prisão a todo custo, contra qualquer forma de liberdade.

Pela unidade da nação, que entrega sua liberdade em nome de um bem maior, a existência de um inimigo interno é a melhor coisa que uma instituição que descambou para o fascismo poderia desejar. Atualmente, além do jovem pobre, o inimigo atende pelo nome de político corrupto.

O termo é uma pegadinha, na verdade. Não são corruptos todos os políticos que percebem uma vantagem financeira indevida, mas especificamente políticos de um determinado partido – o PT.

É curioso que o partidarismo do MP seja sempre rebatido por analistas simpáticos à instituição toda vez que um cacique do PSDB sofre um processo judicial. "Tá vendo?", desafiam. Para eles, digo que falta o recorte de classe na análise: promotores e promotoras de justiça vêm de famílias elitizadas, além de perceberem um salário de classe média alta. São pessoas que reproduzem a opinião política majoritária na elite econômica, filiada no país ao PSDB.

Por isso promotores são tão vorazes contra "corruptos" do PT e políticos de demais partidos que representem a imagem e o voto do pobre, do evangélico, do incauto; em parceria com a magistratura, que sofre do mesmo mal, conseguem a liminar para prejudicar os planos do partido em um dia (alguém lembra do pedido de prisão baseado em Marx e Hegel?).

Contudo, quando um helicóptero cheio de cocaína é descoberto, bem, aí não acontece nada mesmo – há outras razões para o partidarismo, além do recorte de classe. Processo em face de tucanos rende menos mídia e menos tapinha nas costas nas confraternizações, por exemplo.

Então está feito o disclaimer. Político corrupto é uma categoria bem específica, mas é capaz de "unir" o País a ponto de milhares ocuparem as ruas nas mais variadas cidades e aplaudirem quem está combatendo esse inimigo. No caso do Judiciário, Sérgio Moro e os procuradores do Ministério Público Federal ganharam tamanho empoderamento e capital político a ponto de reunir dois milhões de assinaturas pelas 10 medidas contra a corrupção.

Um pouco diferente da batalha contra o jovem periférico, a guerra contra a corrupção esconde outra motivação preocupante: o sequestro da política pelo poder Judiciário – entendidos nesse contexto como magistratura e ministério público. A judicialização da política é ainda mais preocupante quando os juristas não escondem uma preferência partidária, muito menos o gosto agridoce do poder.

Voltando, 10 medidas contra a corrupção é, de fato, um ótimo nome para um projeto de lei. Quem seria oposição a 10 medidas contra a corrupção? O procurador que percorre o País na defesa delas é bem arrumado, tem gel no cabelo penteado para o lado e sorriso bobo. Verdadeiro menino bom.

Ocorre que por trás de tanta bondade, reside um projeto de lei que rebaixa o habeas corpus, legaliza prova ilícita, reduz a prescrição, cria crimes cuja prova deve ser feita pelo réu e demais arbítrios que destroem a Constituição. A crítica não é apenas a Deltan Dallagnol, mas sim, a toda carreira, ante o simbolismo e representatividade de sua atuação.

"Contra o político corrupto vale tudo, o que não aguentamos mais é impunidade", dirá o mantra da nação, empunhando suas bandeiras por um Brasil melhor contra-tudo-o-que-está-aí. Todavia, o procurador de sorriso bobo e o Ministério Público são incapazes de fazer, por terem submergido ao fascismo, a constatação de que estamos no pódio de países que mais prendem no mundo.

Impunidade aqui é piada e qualquer projeto, qualquer um mesmo, que venha a arrancar mais garantias das pessoas, endurecer mais uma instituição já autoritária e empoderada. Vai piorar o que já está péssimo. Vai prender o político corrupto? Vai, mas vai prender muitos jovens pobres também – fora que, convenhamos, violar a Constituição para cumprir a lei é um contrassenso tão grande que não vale nem adentrar no assunto.
Tatue na testa para não esquecer: quem vai pagar essa conta de oba-oba contra a corrupção é o pobre, o negro, o jovem, a mulher, o político corrupto, o honesto, ou quem mais não os agrade. Por isso, muita gente séria tem se levantado contra a perda dos direitos e garantias individuais, pela Constituição e se opondo a olhar no cárcere solução para o que quer que seja.

É a lógica do anti-punitivismo, que, infelizmente, não vende jornal, nem passa na tela da Globo. Para quem quiser conhecer a opinião de renomados estudiosos de todo país desconstruindo, medida a medida, esse absurdo de marketing institucional, sugiro a leitura do boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (abaixo)

Pelos aplausos e pelo poder de investigar e por serem a salva-guarda da nação, o MP rebaixa o Estado de Direito no País – já tão baixo. Para quem ainda não entendeu, o problema não é ser contra ou a favor da corrupção – acredito que é até tosco imaginar alguém a favor. O cenário complica quando alguém, ou alguma instituição, acredita ser a personificação da moral e da ética, mas apenas representa a escalada autoritária mesmo.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Além da imaginação: agora Lula “ganhou” prédio que não ganhou

soquenao


Fernando Brito

A campanha de propaganda da dupla MP-mídia parece que perdeu qualquer medida.
Depois do “tríplex” do Lula que não é do Lula, apareceu agora o prédio do Instituto Lula que não é do Instituto Lula.

Agora a história é a seguinte: uma empresa de um amigo do dono da Odebrecht comprou um imóvel que iria servir de sede ao Instituto Lula.

Mas que nunca foi nem sede  nem propriedade do Instituto Lula.

Segundo a “denúncia” a prova do “crime” seria uma planta da reforma do imóvel.

E daí se o Instituto Lula quisesse comprar um imóvel?

E daí se o comprasse?

Mas nem isso.

O instituto Lula está no mesmo lugar desde 1991.

O próprio advogado de Lula confirma que o prédio foi oferecido ao Instituto Lula e não interessou.

Onde está o crime?

O que está sendo investigado, afinal?

Supostas intenções?

Serve qualquer coisa ao lobo. “Se não foi você, foi seu pai, foi seu tio, foi seu avô”

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Haverá “vazamentos” no inquérito da PF sobre FHC?

fhc mirian
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As bancadas do PT e do PC do B na Câmara pediram que a Polícia Federal abrisse inquérito para investigar a suspeita de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou a empresa privada Brasif para enviar dinheiro ao exterior para a jornalista Mirian Dutra, com quem ele manteve relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990.
A representação foi entregue na última terça-feira (23) em encontro de deputados do PT e do PC do B com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O ministro, então, encaminhou o pedido ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, para que ele definisse qual superintendência da instituição cuidaria do caso, se a de Brasília ou a de São Paulo.
Na última sexta-feira (26), a PF abriu o inquérito. Nota do Ministério da Justiça não informa qual superitendência da PF investigará o caso.
Brasília, 26/02/16 – O Ministério da Justiça informa que a Polícia Federal abriu, nesta sexta-feira (26), inquérito para apurar a ocorrência de eventuais ilícitos criminais informados por Mirian Dutra Schimidt, em matéria publicada pela Folha de São Paulo, na coluna Mônica Bergamo, no último dia 17 de fevereiro de 2016. A abertura do inquérito se deu a partir do encaminhamento de representação de parlamentares, recebida no Ministério da Justiça em 23/02 e encaminhada à PF para providências. O inquérito tramitará em sigilo, na forma da legislação em vigor
Apesar de esse caso envolvendo o tucano estar passando meio que “batido” devido à repercussão da prisão do publicitário João Santana, dito “marqueteiro” do PT, a abertura do inquérito pela PF constitui um terremoto político, apesar da determinação legal de que tramitará “em sigilo”.
A jornalista disse, em entrevista à Folha, que o ex-presidente custeou parte de despesas dela e do filho, Tomás, no exterior, por meio da Brasif, empresa que administrava free shops em aeroportos brasileiros quando FHC governou o país. Ela contou que foi contratada pela Eurotrade, que era da Brasif, por US$ 3.000 mensais, entre 2002 e 2006, mas que nunca trabalhou para os free shops.
A empresa Brasif fora beneficiada pelo governo FHC com contratos para gerir todos os free shops dos aeroportos brasileiros – um negócio multimilionário.
Ou seja: a jornalista Mirian Dutra acusa FHC de, enquanto governava o Brasil, ter usado uma empresa com a qual seu governo fez um gordo contrato para que essa mesma empresa lhe pagasse uma mesada. E o que é mais: a ex-amante diz ter provas de sua afirmação.
Note-se que não se trata de uma menininha ingênua. É uma jornalista tarimbada, ex-correspondente da Globo na Europa. Se ela, publicamente, diz ter provas, fica difícil imaginar que não tenha nada na mão. A grande dúvida é se ela vai realmente entregar essas provas.
Mirian Dutra aceitou uma situação imoral por mais de duas décadas. Recebeu gordos salários da Globo e da Brasif sem trabalhar. Aceitou se exilar na Europa para não “comprometer” o seu “coronel”. O que ela quer com tudo isso? Decidiu fazer justiça a si mesma e à sociedade brasileira mais de duas décadas depois?
Mirian se mostra inconformada com a acusação do ex-amante de que o filho que ele sustentou – talvez até por meios ilícitos – durante mais de vinte anos não é dele Apesar de o rapaz ter sido presenteado com um imóvel de luxo pelo tucano, Mirian parece preocupada com a herança e, provavelmente, está precisando de dinheiro para si, já que a fonte de renda que a manteve durante décadas aparentemente secou com a vinda de tudo isso à tona.
Mirian, portanto, pode estar em busca, apenas, de um “cala-boca”, ou seja, de dinheiro para ficar calada. Porém, com a abertura de inquérito pela PF, em tese tudo ficaria mais difícil. Após ter afirmado publicamente ter provas contra o ex-amante, se retroceder poderá se complicar com a lei – comunicação falsa de crime é crime.
Tudo vai depender do real empenho da PF em investigar. O histórico da corporação não é muito promissor. Até hoje não conseguiu descobrir quem atirou uma bomba caseira no Instituto Lula, por exemplo. É piada. O veículo que jogou a bomba foi filmado pelas câmeras diante do instituto e, obviamente, por todas as outras que ficam nas redondezas.
Outra coisa que dificilmente irá acontecer nessa investigação da PF é um fenômeno que, como este Blog mostrou recentemente, ocorre aos montes em investigações da corporação que envolvem o PT: vazamento.
Tudo que a PF investiga do PT vaza para a imprensa. Absolutamente tudo. Isso apesar de também serem inquéritos envoltos em sigilo judicial tanto quanto o de FHC.
Mirian Dutra disse, em várias entrevistas que vem dando, que dispõe de provas de que o ex-amante usou o poder de Estado (quando era presidente da República) para fazer com que uma empresa que tinha negócios com seu governo a financiasse por anos a fio sem que ela tivesse que trabalhar em troca do “salário”.
A PF começará a investigação de FHC justamente por aí, pelas declarações de Mirian. O primeiríssimo passo da investigação será intimar a denunciante a apresentar as provas que diz ter. Não precisa ser um gênio para concluir isso.
Eis a questão: as eventuais provas que vierem a ser apresentadas por Mirian vão vazar? E se vazarem, a imprensa vai noticiar? Haverá algum magistrado ou delegado ou investigador da PF enviando o vazamento a TODOS os veículos de comunicação com MUITA antecedência ao anúncio oficial de qualquer descoberta, como ocorre em casos envolvendo petistas?
O histórico da PF não autoriza otimismo. Porém, a jornalista Mirian Dutra, pela qual FHC se encantou nos anos 1990, cobria política em Brasília. Era, como dizem, uma “raposa”. Conhece todos os bastidores, conhece todas as tramoias demo-tucano-midiáticas da época em que foi exilada na Europa. E muitas outras. Deve ter muitos documentos.
Mirian é o que chamam de deep throat (garganta profunda). Tem informações que podem abalar a direita brasileira de uma forma avassaladora. Fica difícil acreditar que não será comprada. A menos que tenha um ódio sobrenatural por FHC e que não esteja ligando para o que venha a acontecer consigo, provavelmente vai ser enquadrada.
Mesmo com a possibilidade de ela vir a retroceder, porém, se houvesse uma polícia disposta a ir a fundo nesse caso, a margem de manobra para Mirian ser subornada e recuar ficaria muito estreita. Contudo, fica difícil acreditar que ESSA Polícia Federal vai querer investigar alguma coisa de algum grupo político que não seja o do PT.
Entretanto, nunca se deve subestimar uma mulher magoada e humilhada. Elas podem ser os seres mais obstinados da criação, pois à mulher, oprimida pelo machismo, só resta uma tenacidade moral e emocional muito superior à do homem, para quem as coisas sempre são mais fáceis. É por essas e por outras que a direita deve estar muito preocupada.
DENÚNCIA DO BLOG CONTRA A POLÍCIA POLÍTICA ANTIPETISTA
O site Viomundo procurou o Instituto Lula para pedir opinião sobre a denúncia deste Blog feita na última sexta-feira. O resultado da consulta do site em questão você pode ler aqui.

Confira prova de que Lava Jato e mídia formam uma polícia política

Posted by 
moro globo

No post anterior, o Blog antecipou que divulgaria provas de que um conclave ilegal foi formado por órgãos de controle do Estado e por entes privados com a finalidade exclusiva de caçar petistas – e só petistas – em um processo golpista e literalmente ditatorial.
A partir daqui, o leitor receberá prova inquestionável de que a Operação Lava Jato (entenda-se, o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a Polícia Federal) atuam em simultaneidade com grupos privados de comunicação para desmoralizarem o Partido dos Trabalhadores, o governo Dilma Rousseff e, acima de todos esses, o ex-presidente Lula.
Sem mais delongas, portanto, vamos aos fatos.
Na última terça-feira (23), uma fonte procurou o Blog afirmando que na próxima segunda (29) ou na próxima terça-feira (01/03) será deflagrada a 24a fase da Operação Lava Jato. Nessa fase, serão quebrados os sigilos fiscal e bancário de 43 pessoas e entidades.
Supostamente, essa operação deveria ser sigilosa. As investigações da Lava Jato correm em segredo de Justiça. Nenhum ente privado deveria ter acesso aos próximos passos da operação. Essa é a teoria. Porém, a prática é outra.
A fonte desta página provou ter informações privilegiadas de que na nova fase da Lava Jato serão quebrados os sigilos de Lula, de Marisa, de todos os filhos deles, de suas empresas, do Instituto Lula, da empresa de palestras de Lula, de Fernando Bittar etc.
O mais estarrecedor, porém, foi a informação de que todos os veículos de uma dita “imprensa simpatizante” (como são conhecidos na Lava Jato os veículos que cumprem determinações dos investigadores no sentido de fustigar petistas) já dispunham de cópia da decisão de Moro quebrando o sigilo das 43 pessoas e entidades que o leitor irá conhecer em seguida.
Pedi à fonte que me enviasse a cópia. Travou-se, então, o seguinte diálogo:
[23/2 23:08] ‪+55 41 ‬: É isso. Pode fazer chegar as suas fontes no instituto?
[23/2 23:09] Eduardo Guimarães: Me manda a decisão.
[23/2 23:09] ‪+55 41 ‬: Não posso, coloco em risco a fonte.
[23/2 23:10] Eduardo Guimarães: Se tantos jornalistas têm não há por que
[23/2 23:10] ‪+55 41 ‬: Posso ditar a decisão, se quiser.
[23/2 23:10] Eduardo Guimarães: Copia a parte do texto sem timbre
[23/2 23:11] ‪+55 41 ‬: Colocaram códigos em cada cópia para rastrear quem vazar
[23/2 23:11] ‪+55 41 : Se eu puder falar ao fone eu leio a decisão pra vc. É uma lauda.
[23/2 23:12] ‪+55 41 ‬: Posso ler aqui no zap. gravar
[23/2 23:12] Eduardo Guimarães: Pode gravar um áudio? Isso
[24/2 23:12] ‪+55 41 ‬: O que acha?
[23/2 23:12] ‪+55 41 ‬: Sim.
[24/2 23:12] Eduardo Guimarães: Isso. Grava
[23/2 23:13] Eduardo Guimarães: Se tiver número de processo. Dá todas as informações possíveis
[23/2 23:14] ‪+55 41 : Vou pra rua gravar. Na rua não tenho web. Então vc vai receber em mais ou menos meia hora. Ok?
[23/2 23:15] Eduardo Guimarães: Ok
Enviado pelo UOL Mail Android
Como se vê, são informações sigilosas que agentes do Estado estão repassando a entes privados (grupos de mídia) de forma absolutamente ilegal e com a finalidade de montar um esquema publicitário para atingir investigados à margem da lei.
O que dirá o STF, por exemplo, sobre esses métodos do juiz Sergio Moro?
Chegamos, portanto, ao ponto de comprovar o que está sendo dito acima. A partir daqui o leitor poderá ler a degravação do áudio enviado pela fonte com todos os dados da decisão do juiz Moro, inclusive com o número da decisão.
DEGRAVAÇÃO
— Essas pessoas e entidades deverão ser alvo da fase 24 da Lava Jato, que deve ser detonada na próxima segunda ou terça
–Continuando. Encerrado aqui. Expediu ofício, etc., etc. A quebra de sigilo inclui todos os dados sobre as contas e transações inclusive a origem do crédito e destino do débito. Outras informações, aqui, orientação ao MP pra implementar a quebra, Receita, comunicação à autoridade policial… Datado de 23 de fevereiro de 2016. Sergio Fernando Moro…
— Decisão 5005896-77.2016.404.7000
— Datada de 23 de fevereiro de 2016
— Sessão judiciária do Paraná. 13a
— Vara Federal de Curitiba.
— Pedido de quebra de sigilo de dados bancários, fiscais e/ou telefônicos.
— Requerente: Ministério Público Federal
— Acusado: Luiz Inácio Lula da Silva e seguem-se mais ou menos 40 nomes. A partir daí o juiz [Moro] passsa a detalhar o pedido. Vou agora ao deferimento, que é o que interessa.
— Defiro o requerido e decreto a quebra do sigilo bancário e fiscal de:
LILS palestras, eventos e publicações (período 2011 a 2016)
Instituto Luiz Inácio Lula da Silva (período 2005 a 2016)
Luiz Inácio Lula da Silva (período 2003 a 2016)
Marisa Letícia Lula da Silva (período 2003 a 2016)
Fábio Luiz Lula da Silva (2004 a 2016)
G4 entretenimento e tecnologia digital (2004 a 2016)
BR4 participações ltda (2004 a 2016)
Game Corp (2004 a 2016)
LLF participações (período de 2004 a 2016)
FFK participações ltda (2004 a 2016)
Sandro Luiz Lula da Silva (2007 a 2016)
Flex BR tecnologia ltda (2007 a 2016)
Luiz Claudio Lula da Silva (2011 a 2016)
Marcos Claudio Lula da Silva (2007 a 2016)
Fernando Bittar (2004 a 2016)
TV Araras ltda (2004 a 2016)
Costinha assessoria empresarial ltda (2004 a 2016)
M7 produções e comércio de equipamentos ltda (2004 a 2016)
Jonas Leite Suassuna Filho (2004 a 2016)
Editora Go ltda (2004 a 2016)
Imobiliária Zarpar ltda (2004 a 2016)
Go Games ltda (2004 a 2016)
Zapt comércio e serviços ltda (2004 a 2016)
Go [incompreensível] disco ltda (2004 a 2016)
Banco Banca consultoria e projetos ltda (2004 a 2016)
Go mídia participações ltda (2004 a 2016)
Go Mobile produtos e serviços de tecnologia da informação (2004 a 2016)
Go Clean projetos ambientais e energéticos ltda (2004 a 2016)
Imobiliária Go ltda (2004 a 2016)
PJA empreendimentos ltda (2004 a 2016)
Nipo Sistema representação e lançamento (2004 a 2016)
Paulo Tarcísio Okamoto (2004 a 2016)
Oca 2 consultoria e gestão empresarial (2004 a 2016)
Guadelupe comércio de roupas e assessórios ltda (2004 a 2016)
José Filipi Junior (2006 a 2016)
Instituto Diadema de Estudos Municipais (2006 a 2016)
AFC3 engenharia ltda (2006 a 2016)
Adriano Fernandes dos Anjos (2010 a 2011)
Ignes dos Santos Irrigarai Neto (2010 a 2011)
Fernandes dos Anjos e Porto Montagens de estruturas metálicas ltda (2010 a 2011)
Elcio Pereira Vieira (2010 a 2016)
Edvaldo Pereira Vieira (2010 a 2016)
***
Sobre os dois últimos nomes da relação, vale explicar que Elcio é o caseiro do sítio de Atibaia do qual acusam Lula de ser dono e Edvaldo é o irmão dele, que nada tem que ver com o assunto.
Segundo o instituto Lula, ambos foram procurados há poucos dias por quatro procuradores do Ministério Público. Os procuradores não tinham mandato, mas, assim mesmo, interrogaram os dois trabalhadores, que sentiram-se ameaçados.
A primeira grande pergunta que se faz, é a seguinte: quem, diabos, deu poder de polícia para Globos, Folhas, Vejas e Estadões para atuarem conjuntamente com o Ministério Público, a Polícia Federal e, acima de todos, com o juiz Moro?
A Globo, por exemplo, é alvo da Operação Zelotes e é acusada de sonegação de centenas e e centenas de milhões de reais em impostos. Como pode agir como polícia ao lado de Sergio Moro e sua trupe?
O número da decisão de Moro e a relação dos que terão os sigilos quebrados na 24a fase da Lava Jato, a ser desencadeada na semana que vem, comprova que dados sigilosos da Operação vêm sendo sistematicamente vazados para entes privados.
O esquema é tão sofisticado que os vazadores colocam códigos nas cópias que distribuem para saberem que veículo vazou antes da hora, se houver vazamento.
Surge, então, nova pergunta: qual é a finalidade de vazar uma decisão sigilosa da Justiça (com grande antecedência) para grupos privados de mídia? Seria para que fossem fustigando os alvos com matérias, deboches, acusações para que quando essa 24a fase da operação for desencadeada o público já esteja predisposto?
Eis o que o Blog chama de PPA, a Polícia Política Antipetista cujo único objetivo é acusar e prender petistas sem julgamento, sem condenação, em um show midiático com objetivos meramente políticos, dos quais o combate à corrupção passa longe, apesar da retórica.


sábado, 17 de outubro de 2015

Prisão de Cunha é imperativo suprapartidário e civilizatório

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 eduguim
Acabou, não é mesmo? A gota d’água acaba de pingar no copo. Senão, vejamos.
Autoridades do governo da Suíça enviaram à Procuradoria Geral da República cópias do passaporte, a assinatura e os dados pessoais do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Os documentos materializam a existência de contas bancárias dele no exterior.
Os documentos, como se sabe, foram exibidos pelo “Jornal Hoje”, da TV Globo, na tarde desta sexta-feira (16). São milhões e milhões de francos suíços, dólares, euros etc. Uma fortuna que não tem origem explicável.
No mesmo dia, a imprensa noticia que Cunha é dono de carrões caríssimos, e os demais detalhes de sua vida faustosa pipocam por toda parte. E escandalizam ainda mais diante da imagem pública de arauto do impeachment de Dilma Rousseff que ele construiu junto a grupos que dizem “lutar contra a corrupção”.
Diz a imprensa corporativa que o PT não quer confrontar Cunha. Em menor intensidade, reconhece que o PSDB também não quer.  Os petistas porque buscariam um acordo para todos se salvarem e os tucanos porque veem nele o único que pode derrubar Dilma.
Não creio que todos os petistas e todos os tucanos pensem assim, mas é possível que boa parte de cada grupo tenha as ideias que lhes atribuem sobre a salvação de Cunha.
Fico me perguntando, porém, se algum dos lados tem poder para salvar Cunha. Será que o PT ou o governo Dilma ou o PSDB ou Aécio Neves controlam o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal?
Os petistas dirão que o PSDB controla e os tucanos dirão o mesmo sobre o PT. Não digo que a Justiça ou o MP não tenham seus interesses e seus vieses políticos. Seria uma bobagem. Mas digo que eles têm critérios políticos próprios e não tenho certeza se aliviar para Cunha seria um deles.
Por que? Simplesmente porque há muita prova contra Cunha. Muita prova. Uma quantidade de provas que tornará sua absolvição um escândalo de proporções imprevisíveis e incontroláveis. Sobretudo se ele continuar presidindo uma das Casas Legislativas do Brasil.
Notem bem que as provas contra Cunha estão vindo do exterior. As notícias sobre essa montanha de provas materiais de que o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil é corrupto estão se espalhando pelo mundo rapidamente.
Pelo que conheço do STF – e conheço pouco, mas conheço um pouco – aqueles ministros não quererão ficar associados ao escândalo internacional que seria Cunha se safar dessa sem passar uns bons anos vendo o sol nascer quadrado.
E muito menos eles querem ser responsabilizados pelo vexame que seria ele ter sido deixado comandando uma das Casas Legislativas do país. O STF tem o dever constitucional, ético e moral de tirar Eduardo Cunha do cargo, até para parar de atrapalhar as investigações.
O STF está conspurcando sua imagem ao não fazê-lo. Pelo que sei, a Corte já começa a ficar incomodada com a repercussão dessa vergonha…
Em tempo: a mesma premissa sobre preocupação com imagem vale para o Ministério Público, que se revela bafejado pelo culto à própria imagem – o que não é de todo mau, apesar de facilmente poder vir a ser ruim.
Seja como for, porém, o fato é que tirar Cunha do palco vai se tornando uma questão suprapartidária. E não estou nem me referindo a ética, mas a interesses políticos. Afinal, a sociedade logo estará cobrando em um nível insuportável que ele seja responsabilizado.
As correntes anti Cunha na internet já mobilizam centenas de milhares de pessoas em um único post em blogs ou no Facebook. E a efervescência contra o presidente da Câmara deve crescer geometricamente após a publicidade de sua assinatura nas fichas de contas bancárias que ele afirmara não ter.
Tucanos, petistas e até peemedebistas vão querer suas imagens associadas a Eduardo Cunha quando as imprensas alternativa ou corporativa acabarem acusando este ou aquele de estar ao lado dele?
Duvido.
Além de tudo isso, resta a questão civilizatória. Uma sociedade civilizada não pode permitir que ladrões façam suas leis. Ora, o que é que faz a Câmara dos Deputados? Leis. E quem comanda a Câmara dos Deputados? Alguém sob suspeita (com provas) de ser ladrão.
Daí que…
Por essas e outras, creio que, não tarda, Eduardo Cunha será atirado ao mar por gregos e troianos. Nesse momento, alguns vão correr feito loucos às portas da Justiça para exigir que certas imagens, como a que encima este texto, sejam retiradas da internet.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A discrição cúmplice dos jornalões com o “suiçalão” de Eduardo Cunha

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Em qualquer país do mundo,  seria manchete a confirmação que o presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha de sucessão presidencial de um governo que  está ameaçado de sofrer impedimento, e tanto da Presidenta quanto do seu vice, no caso da ação do TSE (é o que se noticia todos os dias, não é?) teve descobertas contas ilegais num banco suíço.

Não é “suspeita”, “denúncia”, “suposição” ou “dizem”. É informação oficial da Justiça da Suíça, com documentos, confirmada aqui pela Procuradoria Geral da República.

É uma “bomba”, no velho jargão jornalístico. Porque nem é preciso provar que o dinheiro é de corrupção, a simples evasão de divisas e a não declaração de patrimônio – obrigatória tanto como candidato quanto na posse do mandato – já é crime previsto no art. 13 da lei de improbidade administrativa, que vale também para os deputados:

§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

Basta estar confirmada a existência da conta, de direito ou de fato, através de parente que não tenha razão econômica para tal para que se peça a condenação de Cunha e, antes disso, a cassação do seu mandato.

Nas edições de hoje da Folha e do Estadão, como assinalado na imagem, a notícia é uma “notinha” de primeira página.

Os destaques são para “suspeitas”, não para fatos; para o “supõe-se” e não para acontecimentos.

Claro, Cunha ainda pode ter serventia. Como escreveu um  daqueles inomináveis da Veja, citado hoje no ótimo artigo de Paulo Nogueira, no DCM, será que nossa imprensa “espera que Cunha derrube Dilma antes de ser preso.”?

O jornalismo brasileiro – salvo as ainda muitas exceções que, por isso mesmo, não o comandam – tornou-se o exercício do facciosismo político.

Um tipo destes, apanhado em flagrante, que se recusa até a negar que tenha as tais contas, esquecido (talvez nunca tenha sequer pensado nisso) de que é um homem público,, um servidor graduadíssimo da sociedade, o comandante do processo legislativo faz isso e dão-lhe “dez centímetros”, se tanto, das capas do jornais da “moralização” do país.


Que nome pode ter isso senão o de  cumplicidade?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Revista Época “mutila” notícia para difamar Lula

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O consórcio do golpe reservou o último dia útil da semana para exercitar uma prática em alta no Brasil, o marketing golpista. A saber, trata-se de um ramo novo – mas nem tanto – e em alta da publicidade, o qual se dedica a produzir material para sustentar propostas de ruptura institucional. Ou seja: de golpe.
E, por óbvio, a mídia eternamente golpista faz parte desse esquema juntamente com setores da Polícia Federal e do Ministério público.joselio
O “furo” de que o ex-presidente Lula está sendo investigado pela Polícia Federal foi dado pelo site da revista Época. Diz a matéria que “Agora é oficial: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é suspeito de ter se beneficiado do petrolão para obter vantagens pessoais, para o PT e para o governo (…)”.
A matéria é um primor de antijornalismo – se é que vale o adjetivo para prática tão nefasta. Lendo-a, não se tem dúvida de que a PF descobriu algum fato novo contra o ex-presidente. Para que não reste dúvida, segue, abaixo, a reprodução do material.
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Em seguida, porém, sai a versão do site da Folha de São Paulo recheada de informações que a época omitiu. E que mostram que não há novidade alguma sobre Lula além de uma decisão de um delegado da PF que se baseia no mais puro subjetivismo. E que deve cair por terra em breve.
Antes de explicar por que, confira, primeiro, a versão da história segundo a Folha.
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A matéria da Folha é bem diferente da da Época, certo? Através dessa segunda matéria sobre o mesmo assunto, o distinto público descobre que não há nada de novo contra Lula e que o delegado que pediu ao STF autorização para interrogá-lo só faz isso como uma espécie de “desencargo de consciência” ao dizer que “não poderia deixar” de ouvi-lo.
Mais: enquanto a matéria da época sugere que surgiu algum fato novo, a da Folha deixa claro que inexiste qualquer fato novo e que o próprio delegado reconhece que não há provas ou sequer acusação de delatores contra o ex-presidente.
O que nenhuma das duas matérias disse, porém, é que a possibilidade de o procurador-geral da República autorizar interrogatório de Lula é pequena, se analisado o histórico dele nesses casos.
Rodrigo Janot, por exemplo, não autorizou interrogatório de Aécio Neves diante das denúncias do doleiro Alberto Yousseff contra o tucano. Por que autorizaria interrogatório do ex-presidente sob “indícios” infinitamente mais fracos que aqueles que pesam contra Aécio na questão da lista de Furnas e outros bichos?
Mesmo que fosse autorizado o interrogatório, o que sairia dele? Nada, pois a PF diz não ter nada contra Lula além de um mero “ouvir dizer” igualzinho àquele que pesa contra o pupilo de Aécio Antonio Anastasia, para quem o PGR acaba de pedir liberação das acusações.
Será que a matéria tendenciosa e ilusionista de Época tem algo que ver com o fato de a revista e o jornal O Globo estarem sendo processados por Lula?
Só rindo.
Contudo, Folha e Época se unem no marketing golpista ao darem essa notícia com estardalhaço, apesar de o primeiro veículo tê-lo feito de forma mais séria – e que deixa Época mal na foto, sugerindo que “editou” seu “furo” de modo a fazer o público acreditar que havia algo mais sério contra Lula.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Moro deve ser afastado da Lava Jato após farsa contra cunhada de Vaccari

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No último dia 16 de abril, um dia após a prisão do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a imprensa anunciou a prisão da cunhada dele, Marice Correia de Lima, e também que ela já estaria sendo considerada “foragida”.
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No mesmo dia, o advogado de Marice divulgou nota afirmando que ela estava participando de um congresso no Panamá e que decidiu voltar ao Brasil assim que soube do pedido de prisão.
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Quatro dias depois, a mesma imprensa anuncia que o juiz Sergio Moro decidiu prorrogar por mais cinco dias a prisão de Marice porque ela teria mentido.
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Como se vê na imagem acima, Moro tomou essa decisão dizendo que as imagens de uma câmera de um caixa-eletrônico mostrando uma mulher parecida com Marice depositando dinheiro na conta da esposa de Vaccari não deixavam “qualquer margem para dúvida” de que se trataria “da mesma pessoa”, ou seja, da irmã de Vaccari, de modo que Marice teria “mentido” ao dizer que não fez depósitos na conta da irmã.
O que se supõe que ocorreu: a Polícia verificou os extratos da conta da esposa de Vaccari, detectou um depósito em caixa-eletrônico e pediu as imagens da câmera que todo caixa-eletrônico tem filmando o movimento em torno de si.
Tudo muito fácil. E, de fato, Marice e Giselda Rousie de Lima, irmã dela e esposa de Vaccari, são extremamente parecidas nos traços faciais. Porém, só uma análise muito açodada – ou mal-intencionada – dessas imagens faria alguém dizer que “não deixam qualquer margem para dúvida”.
Para encarcerar uma pessoa, o mínimo que se espera das autoridades é que procedam com responsabilidade e critério. Do juiz que conduz as investigações, muito mais. Deste, espera-se absoluta isenção, serenidade e paciência. Por isso se chama juiz, não promotor, que tem a missão de acusar, não de analisar os dois lados da moeda.
A declaração de Moro sobre não haver “qualquer dúvida” de que a mulher filmada fazendo depósito no caixa-eletrônico seria a cunhada de Vaccari revela um juiz sem critério, sem isenção, sem serenidade, enfim, sem condições de conduzir essa investigação.
Uma análise superficial das fisionomias de Marice e Giselda basta para mostrar que, apesar de terem traços faciais parecidos, é muito fácil notar as diferenças. Comparemos as imagens das duas mulheres.
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É fácil notar que, além do corte e da cor diferente dos cabelos de ambas, elas têm porte físico bastante diverso. Marice é mais alta e esguia, tem cabelos avermelhados e curtos, enquanto que Giselda é mais baixa, usa óculos, tem corte e cor de cabelo diferente e é mais “cheinha”.
Após o advogado de Marice declarar que a foto da mulher no caixa-eletrônico não é de Marice e, sim, da irmã dela, Moro aparece na imprensa se fazendo de inocente em relação à sua escandalosa falta de critério para dar uma declaração peremptória como a de que a imagem daquele mesmo caixa-eletrônico não deixaria “qualquer margem para dúvida”.
Folha de São Paulo
23 de abril de 2015
Após prorrogar a prisão da cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e afirmar que uma das provas contra ela “não deixava margem para dúvidas”, o juiz Sergio Moro pediu para que a polícia esclareça o principal motivo que levou Marice Correa Lima a continuar presa: o vídeo de uma agência bancária.
Moro quer saber quem de fato aparece nas imagens, feitas em março, que mostram uma pessoa realizando depósitos na conta da mulher de Vaccari, Giselda de Lima.
Os procuradores a identificaram como Marice, e a acusaram de ter mentido em depoimento à polícia sobre nunca ter feito depósitos na conta de sua irmã Giselda.
[…]
Porém, segundo o advogado de Marice, Claudio Pimentel, quem aparece no vídeo é a própria Giselda, que se parece muito com a irmã.
Como se vê na reportagem acima, Moro está dando uma de joão-sem-braço.
O juiz quer que “a polícia esclareça o principal motivo que levou Marice Correa de Lima a continuar presa”? Ora, o principal motivo é que ele prorrogou a prisão dela sob o argumento de que as imagens do caixa-eletrônico não deixariam “qualquer margem para dúvida”.
Moro “quer saber quem de fato aparece nas imagens”? Ora, mas ele não disse que tais imagens “não deixam qualquer margem para dúvida”?
Moro está fazendo o país inteiro de palhaço. Está fazendo a Justiça de idiota. Está transformando a Justiça em Injustiça. Esse episódio que protagonizou fez cair de vez a sua máscara. Ele não tem mais condições de conduzir a Operação Lava Jato.
Em qualquer país sério, um juiz que colocasse na cadeia uma pessoa sem o mínimo amparo em provas, seria afastado do caso. Marice foi presa justamente por conta dessa imagem do caixa-eletrônico.
Será que Polícia, MP e Moro são tão incompetentes que não se deram conta de que a esposa de Vaccari e a cunhada dele são parecidas? Como pode um juiz federal ser tão irresponsável a ponto de qualificar como acima de dúvidas imagens tão duvidosas como a do caixa-eletrônico?
Quando se diz que há violações graves dos direitos civis de pessoas no âmbito da operação Lava Jato, não é brincadeira. Esse episódio é a prova que faltava de que o processo está sendo conduzido por juiz, policiais e procuradores que querem aparecer e que agem sob viés político.
Marice, cunhada de Vaccari, bem como o próprio podem ser considerados presos políticos. O PT, a defesa de Vaccari e a de Marice deveriam levar esses fatos a fóruns internacionais. Deveriam denunciar ao mundo que há uma ditadura judicial no Brasil