Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Golpe está derretendo antes do que se pensava

geddel

Vai se cumprindo a previsão de que bastaria deixar a direita governar para ela se enterrar sozinha. Não poderia dar em outra coisa. O governo tucano-peemedebista fará pelo PT e pela esquerda em geral o que nenhum marqueteiro faria. Só o que está surpreendendo é a velocidade da deterioração do “governo” golpista.
Senão, vejamos o contexto em que tudo isso está sucedendo.
Enquanto a direita militante se masturba com a fictícia imagem mental de Lula preso, ele vai sendo absolvido por sucessivos delatores que não conseguiram oferecer nada mais do que a acusação sem provas que propiciou aos golpistas algumas manchetes espalhafatosas.
Moro, Dallagnol, Globo e cia. acusarem Lula é fácil, provar acusações falsas é que são elas. Moro pode não conseguir nem condenar o ex-presidente em primeira instância, apesar de que falta de provas nunca o impediu de condenar ninguém.
Mas não é (só) no fracasso anunciado em destruir Lula que reside o motivo não para comemoração – pois, fracassando ou não, o golpe terá causado prejuízos ao país que vão levar décadas para ser reparados –, mas para alento.
Este Blog quer reiterar, pela enésima vez, que, assim como o golpe era previsível com base em simples lógica, seu fracasso é igualmente previsível com base na mesma lógica.
Em primeiro lugar, a “inteligência” que justificou o golpe contra Dilma Rousseff vendeu a uma maioria de incautos a ideia estapafúrdia de que um grupo político que durante onze anos fez o desemprego cair, o salário aumentar, a economia crescer e a vida dos mais pobres melhorar de forma inédita, de repente, em um ano e pouco, do nada desaprendeu a governar.
Ora, o povo ficar em maioria ao lado dos golpistas foi uma atitude flagrantemente insensata. Esqueceu que votou no PT por QUATRO eleições presidenciais seguidas e, mais do que isso, esqueceu POR QUE votou repetidamente no candidato a presidente desse partido.
Ou alguém acredita que as dezenas de milhões de pessoas que deram quatro mandatos de presidente ao PT fizeram isso pelos belos olhos de Lula ou Dilma?
Ah, foram enganadas, é? Quer dizer que o primeiro mandato de Lula foi ruim e as pessoas quiseram votar nele pela segunda vez por isso?
Lula deixou o poder em 2010 com 80% de aprovação porque ninguém viu as atrocidades que ele cometeu entre aquele ano e 2002 ou porque os brasileiros julgaram que durante oito anos ele governou bem?
Lula elegeu Dilma em 2010 e ela se reelegeu em 2014 porque os períodos anteriores à eleição de dois anos atrás foram um desastre? Quer dizer que o povo votou pela quarta vez seguida no PT mesmo com seus três governos anteriores tendo sido uma droga?
Como se vê, não há lógica na premissa golpista. Assim como não houve lógica em a maioria da população apoiar a destituição de Dilma, conferindo-lhe, do nada, cerca de 10% de aprovação.
Faltou reflexão a este povo. Faltou tentar entender por que um partido que foi bom no poder durante 11 anos, de repente parou de funcionar. Se a maioria que abandonou Dilma, Lula e o PT tivesse pensado um pouco, veria que havia alguma coisa além das aparências.
Havia, como se sabe, sabotagem – o Congresso parou de votar qualquer matéria do interesse de Dilma, impedindo-a de governar, e a Lava Jato paralisou o setor mais dinâmico e que mais dinheiro movimenta na economia, o da construção pesada, gerando forte recessão, sem falar na crise de confiança dos investidores, que se recolheram vendo incerteza sobre quem iria governar o país.
Porém, como se dizia aqui nesta página antes do golpe, era bobagem pensar que a crise política pararia depois do golpe.
Primeiro erro dos golpistas foi achar que a sociedade aceitaria perder direitos e piorar de vida em troca da satisfação da sanha antipetista de uma sua parcela conjunturalmente majoritária. A vida das pessoas começou a piorar em ritmo acelerado.
Nenhum dos problemas na economia que predispuseram grande parcela da população contra Dilma, Lula e PT refluíu. Muito pelo contrário, a economia vem piorando.
Ao lado da piora da economia, os golpistas, acreditando que a maioria esmagadora do povo se convertera em gado e poderia ser “tocada” para qualquer lado pelo berrante midiático, começaram a propor extinção de direitos trabalhistas, precarização do trabalho formal, redução drástica de programas sociais…
Mas não é só isso. A ousadia golpista foi aos píncaros da desfaçatez. Acreditando que bastava tirar o PT do poder para obter salvo-conduto contra a lei e para roubar à vontade, Temer e cia. caíram na esbórnia.
Michê Temer nomeou um ministério composto em maioria por acusados de corrupção e investigados na Lava Jato. Transformou o governo federal em esconderijo para bandidos.
Temer se esqueceu que a maioria esmagadora dos escândalos dos governos petistas foram causados por conta de o PMDB fazer parte da aliança governista. E achou que bastaria trair Dilma e dar o golpe para tudo ser perdoado.
Talvez até fosse assim, mas a ousadia com que Temer e cia. tomaram o poder os fez ir longe demais. Mal Temer e sua quadrilha haviam assumido e o ministro da Saúde já deu a “singela” declaração de que haveria que reduzir o SUS…
Assim, como quem não quer nada.
Veio outro, o ministro da Justiça, e declarou que, derrubado o PT, o presidente da República não poderia mais ficar exposto a procuradores-gerais da República que não fossem aliados, pois esse cargo permite processar o presidente e qualquer outro político com foro privilegiado.
Alexandre de Moraes, para resumir, propôs a enormidade de que a escolha do PGR passasse a desconsiderar a orientação da maioria do Ministério Público do Brasil, o que se constituiu em meia confissão de corrupção.
O nível tosco dos peemedebistas se viu reforçado pelos tucanos. O PSDB mergulhou de cabeça na aventura temerária. Promoveu lambanças nas Relações Exteriores, ameaçando países vizinhos, dando declarações mal-educadas, avessas ao próprio conceito de Diplomacia.
Como se não bastasse, vem à tona que o moralista José Serra, o queridinho da mídia paulista e da esmagadora maioria de militantes de extrema-direita, tem problemas muito mais sérios que a falta de Educação que fez Katia Abreu lhe atirar uma taça de champanhe no rosto.
Os 23 milhões de reais (ou 34 milhões, se atualizados monetariamente) que Serra é acusado de receber de propina deixam a corrupção mineira parecendo uma brisa – não aquela brisa que você está pensando, mas uma brisa mesmo, um vento suave.
Mas a pá de cal no governo Temer é a queda de seu sexto ministro. Mais do que por qualquer outra coisa, porque esse episódio está permitindo provar definitivamente ao país e ao mundo que houve, sim, um golpe no Brasil.
Michel Temer e Geddel Vieira Lima cometeram crime de concussão. De acordo com o Código Penal, concussão é o ato de exigir, para si ou para outrem, dinheiro ou vantagem indevida em razão da função, direta ou indiretamente.
Trocando em miúdos: há provas materiais (gravações) de que Michel Temer e Geddel Vieira Lima, respectivamente presidente da República e (então) ministro da Secretaria de Governo, cometeram concussão ao pedirem ao (então) ministro da Cultura que tomasse medida ilegal para favorecer um deles.
O que faz o PSDB (Aécio Neves)? Critica o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, autor da denúncia, por ter gravado Temer. Aécio agiu como se o conteúdo da gravação não provasse que o presidente da República pediu a um ministro que tomasse uma medida ilegal para beneficiar um amigo e também ministro (Geddel).
Aécio, em suma, propôs, PU-BLI-CA-MEN-TE, que todos ignorassem gravações que podem mostrar Temer cometendo um crime. Por que? Porque, pela lógica tucana, Temer pode ter prova contra si que ela não vale, enquanto que Dilma pôde ser condenada sem uma única prova.
Eis o ponto: a comparação entre a causa da derrubada de Dilma e o crime de que Temer está sendo acusado (com prova gravada) vai mostrar ao mundo e a muito brasileiro ingênuo e de boa fé que acreditou nos golpistas que Dilma não foi derrubada por conta de crime algum, já que Temer tem um crime mais grave e mais provado contra si e o Congresso não se move para derrubá-lo.
O Congresso já estava ficando mal na foto por não ter convocado Geddel. Agora, vai ficar ainda pior por não ter arroubos moralistas diante de um crime tão tosco quanto o do ex-ministro e de Temer.
Temer vinha fazendo um esforço hercúleo para recuperar a imagem internacional do Brasil após o país ter sofrido um golpe parlamentar e jogado 54 milhões de votos no lixo. O esforço, porém, não vinha sendo bem sucedido. Em fóruns internacionais, o presidente golpista vem sendo tratado com frieza por seus homólogos.
Agora ficou pior. Como explicar à comunidade internacional que o Congresso brasileiro cassou uma presidente por medida administrativa que todos os antecessores tomaram e sem crime de responsabilidade e não se propõe a cassar um presidente que cometeu crime comum de corrupção, e com prova material desse crime?
Pois é, não dá pra explicar. Qualquer pessoa minimamente honesta sabe que agora está ficando claro que Dilma foi vítima de um golpe.
Como um governo tão fraco vai ter condições de tomar medidas como eliminar direitos trabalhistas?
Para Temer praticar as tais “medidas amargas” basta ter maioria em um Congresso em que parcela imensa dos integrantes está envolvida e/ou processada por corrupção?
Até quando o povo ingênuo vai ficar comemorando a queda de Dilma enquanto os golpistas e a mídia que o induziram tratam de reverter os benefícios sociais da era petista?
Ah, o povo quer perder direitos, ganhar menos, ter empregos sem garantias? Sério que você acha isso?
Começo a duvidar de que Temer vá levar até o fim projetos de mudança nas leis trabalhistas, previdenciárias e sobre programas sociais que fez tramitar no Congresso. Ele vai acabar vetando o que ele mesmo e seus amiguinhos tucanos propuseram.
Isso se ele não cair antes, é claro. De minha parte, espero que Temer governe até o último dia do mandato que usurpou de Dilma Rousseff. O povo brasileiro tem que arcar com a responsabilidade pela decisão de uma maioria conjuntural de abandonar o governo constitucional do país à própria sorte, nas mãos desses fascistas.
Sim, eu lamento que a permanência de Temer vá causar tantos males ao Brasil. Talvez ele não consiga tirar direitos ou programas sociais, mas irá desidratá-los, relativizá-los, venderá patrimônio público a preço de banana, fará concessões criminosas a grupos econômicos nacionais e estrangeiros…
Porém, se ele for defenestrado (certamente no ano que vem) todos sabemos que virá o pior dos piores. Todos sabemos que esse Congresso de maioria meliante irá colocar Fernando Henrique Cardoso no poder sem ele ter recebido um único voto.
E o que é pior: duvido que, empossado, FHC não faça o que fez em seu segundo governo, quando fez mudar a Constituição para alongar sua permanência no poder. E às custas de compra de votos.
Sim, voltamos ao primeiro mandato de FHC, voltamos a 1997, há quase vinte anos, quando o PSDB e o PMDB comandavam o país com mão de ferro, quando dispunham dos recursos públicos a seu bel-prazer, quando a mídia era só elogios e não existia corrupção no Brasil, segundo a mídia, já que, até então, o STF nunca havia condenado um político à cadeia.
Porém, a grande diferença é que hoje não dá mais para calar ninguém. Hoje qualquer garoto de oito anos pode colocar alguma coisa na internet que em questão de horas poderá ser lida por milhões e até bilhões de pessoas.
Se há vinte anos um garotinho gravasse com uma câmera a chegada de extraterrestres, haveria um longo caminho até que essas imagens e essa informação virassem notícias. No século XXI, esse garotinho posta o vídeo no You Tube via conexão 4g do local do pouso alienígena e em meia hora centenas de milhares ou até milhões de pessoas ficarão sabendo.
É por isso que o golpe está derretendo. Agora, é preciso que se cumpra a lei em relação a Michel Temer e Geddel Vieira Lima, entre tantos outros. Porém, não se pode desgostar da ironia poética de que os golpistas mesmos estão tratando de fazer Justiça consigo mesmos ao abusarem tanto da sorte e da patientia mostra.

Golpe está derretendo antes do que se pensava

geddel

Vai se cumprindo a previsão de que bastaria deixar a direita governar para ela se enterrar sozinha. Não poderia dar em outra coisa. O governo tucano-peemedebista fará pelo PT e pela esquerda em geral o que nenhum marqueteiro faria. Só o que está surpreendendo é a velocidade da deterioração do “governo” golpista.
Senão, vejamos o contexto em que tudo isso está sucedendo.
Enquanto a direita militante se masturba com a fictícia imagem mental de Lula preso, ele vai sendo absolvido por sucessivos delatores que não conseguiram oferecer nada mais do que a acusação sem provas que propiciou aos golpistas algumas manchetes espalhafatosas.
Moro, Dallagnol, Globo e cia. acusarem Lula é fácil, provar acusações falsas é que são elas. Moro pode não conseguir nem condenar o ex-presidente em primeira instância, apesar de que falta de provas nunca o impediu de condenar ninguém.
Mas não é (só) no fracasso anunciado em destruir Lula que reside o motivo não para comemoração – pois, fracassando ou não, o golpe terá causado prejuízos ao país que vão levar décadas para ser reparados –, mas para alento.
Este Blog quer reiterar, pela enésima vez, que, assim como o golpe era previsível com base em simples lógica, seu fracasso é igualmente previsível com base na mesma lógica.
Em primeiro lugar, a “inteligência” que justificou o golpe contra Dilma Rousseff vendeu a uma maioria de incautos a ideia estapafúrdia de que um grupo político que durante onze anos fez o desemprego cair, o salário aumentar, a economia crescer e a vida dos mais pobres melhorar de forma inédita, de repente, em um ano e pouco, do nada desaprendeu a governar.
Ora, o povo ficar em maioria ao lado dos golpistas foi uma atitude flagrantemente insensata. Esqueceu que votou no PT por QUATRO eleições presidenciais seguidas e, mais do que isso, esqueceu POR QUE votou repetidamente no candidato a presidente desse partido.
Ou alguém acredita que as dezenas de milhões de pessoas que deram quatro mandatos de presidente ao PT fizeram isso pelos belos olhos de Lula ou Dilma?
Ah, foram enganadas, é? Quer dizer que o primeiro mandato de Lula foi ruim e as pessoas quiseram votar nele pela segunda vez por isso?
Lula deixou o poder em 2010 com 80% de aprovação porque ninguém viu as atrocidades que ele cometeu entre aquele ano e 2002 ou porque os brasileiros julgaram que durante oito anos ele governou bem?
Lula elegeu Dilma em 2010 e ela se reelegeu em 2014 porque os períodos anteriores à eleição de dois anos atrás foram um desastre? Quer dizer que o povo votou pela quarta vez seguida no PT mesmo com seus três governos anteriores tendo sido uma droga?
Como se vê, não há lógica na premissa golpista. Assim como não houve lógica em a maioria da população apoiar a destituição de Dilma, conferindo-lhe, do nada, cerca de 10% de aprovação.
Faltou reflexão a este povo. Faltou tentar entender por que um partido que foi bom no poder durante 11 anos, de repente parou de funcionar. Se a maioria que abandonou Dilma, Lula e o PT tivesse pensado um pouco, veria que havia alguma coisa além das aparências.
Havia, como se sabe, sabotagem – o Congresso parou de votar qualquer matéria do interesse de Dilma, impedindo-a de governar, e a Lava Jato paralisou o setor mais dinâmico e que mais dinheiro movimenta na economia, o da construção pesada, gerando forte recessão, sem falar na crise de confiança dos investidores, que se recolheram vendo incerteza sobre quem iria governar o país.
Porém, como se dizia aqui nesta página antes do golpe, era bobagem pensar que a crise política pararia depois do golpe.
Primeiro erro dos golpistas foi achar que a sociedade aceitaria perder direitos e piorar de vida em troca da satisfação da sanha antipetista de uma sua parcela conjunturalmente majoritária. A vida das pessoas começou a piorar em ritmo acelerado.
Nenhum dos problemas na economia que predispuseram grande parcela da população contra Dilma, Lula e PT refluíu. Muito pelo contrário, a economia vem piorando.
Ao lado da piora da economia, os golpistas, acreditando que a maioria esmagadora do povo se convertera em gado e poderia ser “tocada” para qualquer lado pelo berrante midiático, começaram a propor extinção de direitos trabalhistas, precarização do trabalho formal, redução drástica de programas sociais…
Mas não é só isso. A ousadia golpista foi aos píncaros da desfaçatez. Acreditando que bastava tirar o PT do poder para obter salvo-conduto contra a lei e para roubar à vontade, Temer e cia. caíram na esbórnia.
Michê Temer nomeou um ministério composto em maioria por acusados de corrupção e investigados na Lava Jato. Transformou o governo federal em esconderijo para bandidos.
Temer se esqueceu que a maioria esmagadora dos escândalos dos governos petistas foram causados por conta de o PMDB fazer parte da aliança governista. E achou que bastaria trair Dilma e dar o golpe para tudo ser perdoado.
Talvez até fosse assim, mas a ousadia com que Temer e cia. tomaram o poder os fez ir longe demais. Mal Temer e sua quadrilha haviam assumido e o ministro da Saúde já deu a “singela” declaração de que haveria que reduzir o SUS…
Assim, como quem não quer nada.
Veio outro, o ministro da Justiça, e declarou que, derrubado o PT, o presidente da República não poderia mais ficar exposto a procuradores-gerais da República que não fossem aliados, pois esse cargo permite processar o presidente e qualquer outro político com foro privilegiado.
Alexandre de Moraes, para resumir, propôs a enormidade de que a escolha do PGR passasse a desconsiderar a orientação da maioria do Ministério Público do Brasil, o que se constituiu em meia confissão de corrupção.
O nível tosco dos peemedebistas se viu reforçado pelos tucanos. O PSDB mergulhou de cabeça na aventura temerária. Promoveu lambanças nas Relações Exteriores, ameaçando países vizinhos, dando declarações mal-educadas, avessas ao próprio conceito de Diplomacia.
Como se não bastasse, vem à tona que o moralista José Serra, o queridinho da mídia paulista e da esmagadora maioria de militantes de extrema-direita, tem problemas muito mais sérios que a falta de Educação que fez Katia Abreu lhe atirar uma taça de champanhe no rosto.
Os 23 milhões de reais (ou 34 milhões, se atualizados monetariamente) que Serra é acusado de receber de propina deixam a corrupção mineira parecendo uma brisa – não aquela brisa que você está pensando, mas uma brisa mesmo, um vento suave.
Mas a pá de cal no governo Temer é a queda de seu sexto ministro. Mais do que por qualquer outra coisa, porque esse episódio está permitindo provar definitivamente ao país e ao mundo que houve, sim, um golpe no Brasil.
Michel Temer e Geddel Vieira Lima cometeram crime de concussão. De acordo com o Código Penal, concussão é o ato de exigir, para si ou para outrem, dinheiro ou vantagem indevida em razão da função, direta ou indiretamente.
Trocando em miúdos: há provas materiais (gravações) de que Michel Temer e Geddel Vieira Lima, respectivamente presidente da República e (então) ministro da Secretaria de Governo, cometeram concussão ao pedirem ao (então) ministro da Cultura que tomasse medida ilegal para favorecer um deles.
O que faz o PSDB (Aécio Neves)? Critica o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, autor da denúncia, por ter gravado Temer. Aécio agiu como se o conteúdo da gravação não provasse que o presidente da República pediu a um ministro que tomasse uma medida ilegal para beneficiar um amigo e também ministro (Geddel).
Aécio, em suma, propôs, PU-BLI-CA-MEN-TE, que todos ignorassem gravações que podem mostrar Temer cometendo um crime. Por que? Porque, pela lógica tucana, Temer pode ter prova contra si que ela não vale, enquanto que Dilma pôde ser condenada sem uma única prova.
Eis o ponto: a comparação entre a causa da derrubada de Dilma e o crime de que Temer está sendo acusado (com prova gravada) vai mostrar ao mundo e a muito brasileiro ingênuo e de boa fé que acreditou nos golpistas que Dilma não foi derrubada por conta de crime algum, já que Temer tem um crime mais grave e mais provado contra si e o Congresso não se move para derrubá-lo.
O Congresso já estava ficando mal na foto por não ter convocado Geddel. Agora, vai ficar ainda pior por não ter arroubos moralistas diante de um crime tão tosco quanto o do ex-ministro e de Temer.
Temer vinha fazendo um esforço hercúleo para recuperar a imagem internacional do Brasil após o país ter sofrido um golpe parlamentar e jogado 54 milhões de votos no lixo. O esforço, porém, não vinha sendo bem sucedido. Em fóruns internacionais, o presidente golpista vem sendo tratado com frieza por seus homólogos.
Agora ficou pior. Como explicar à comunidade internacional que o Congresso brasileiro cassou uma presidente por medida administrativa que todos os antecessores tomaram e sem crime de responsabilidade e não se propõe a cassar um presidente que cometeu crime comum de corrupção, e com prova material desse crime?
Pois é, não dá pra explicar. Qualquer pessoa minimamente honesta sabe que agora está ficando claro que Dilma foi vítima de um golpe.
Como um governo tão fraco vai ter condições de tomar medidas como eliminar direitos trabalhistas?
Para Temer praticar as tais “medidas amargas” basta ter maioria em um Congresso em que parcela imensa dos integrantes está envolvida e/ou processada por corrupção?
Até quando o povo ingênuo vai ficar comemorando a queda de Dilma enquanto os golpistas e a mídia que o induziram tratam de reverter os benefícios sociais da era petista?
Ah, o povo quer perder direitos, ganhar menos, ter empregos sem garantias? Sério que você acha isso?
Começo a duvidar de que Temer vá levar até o fim projetos de mudança nas leis trabalhistas, previdenciárias e sobre programas sociais que fez tramitar no Congresso. Ele vai acabar vetando o que ele mesmo e seus amiguinhos tucanos propuseram.
Isso se ele não cair antes, é claro. De minha parte, espero que Temer governe até o último dia do mandato que usurpou de Dilma Rousseff. O povo brasileiro tem que arcar com a responsabilidade pela decisão de uma maioria conjuntural de abandonar o governo constitucional do país à própria sorte, nas mãos desses fascistas.
Sim, eu lamento que a permanência de Temer vá causar tantos males ao Brasil. Talvez ele não consiga tirar direitos ou programas sociais, mas irá desidratá-los, relativizá-los, venderá patrimônio público a preço de banana, fará concessões criminosas a grupos econômicos nacionais e estrangeiros…
Porém, se ele for defenestrado (certamente no ano que vem) todos sabemos que virá o pior dos piores. Todos sabemos que esse Congresso de maioria meliante irá colocar Fernando Henrique Cardoso no poder sem ele ter recebido um único voto.
E o que é pior: duvido que, empossado, FHC não faça o que fez em seu segundo governo, quando fez mudar a Constituição para alongar sua permanência no poder. E às custas de compra de votos.
Sim, voltamos ao primeiro mandato de FHC, voltamos a 1997, há quase vinte anos, quando o PSDB e o PMDB comandavam o país com mão de ferro, quando dispunham dos recursos públicos a seu bel-prazer, quando a mídia era só elogios e não existia corrupção no Brasil, segundo a mídia, já que, até então, o STF nunca havia condenado um político à cadeia.
Porém, a grande diferença é que hoje não dá mais para calar ninguém. Hoje qualquer garoto de oito anos pode colocar alguma coisa na internet que em questão de horas poderá ser lida por milhões e até bilhões de pessoas.
Se há vinte anos um garotinho gravasse com uma câmera a chegada de extraterrestres, haveria um longo caminho até que essas imagens e essa informação virassem notícias. No século XXI, esse garotinho posta o vídeo no You Tube via conexão 4g do local do pouso alienígena e em meia hora centenas de milhares ou até milhões de pessoas ficarão sabendo.
É por isso que o golpe está derretendo. Agora, é preciso que se cumpra a lei em relação a Michel Temer e Geddel Vieira Lima, entre tantos outros. Porém, não se pode desgostar da ironia poética de que os golpistas mesmos estão tratando de fazer Justiça consigo mesmos ao abusarem tanto da sorte e da patientia mostra.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Chanceler uruguaio acusa Serra de tentar comprar voto do país no Mercosul


:

Reportagem do jornal El País do Uruguai, o maior no país, noticia que o chanceler Rodolfo Nin Novoa acusa o ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, de ter tentado comprar o voto do Uruguai no Mercosul para suspender a presidência da Venezuela no bloco; a promessa do tucano, em troca do voto, teria sido levar o Uruguai isoladamente em tratativas de acordos comerciais do Brasil na África e no Irã; acompanhado de FHC, Serra viajou ao país vizinho no início de julho para tentar convencer o governo de Tabaré Vázquez a se posicionar contra a Venezuela, algo que não aconteceu; a atitude "chateou muito" Vázquez e "bastante" o chanceler, disse Nin Novoa em uma comissão de deputados no último dia 10 


247 – Notas taquigráficas de uma comissão de deputados obtidas pelo jornal El País do Uruguai, o mais importante no país, apontam acusações feitas pelo chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa de que o ministro interino das Relações Exteriores, José Serra, tentou comprar o voto do Uruguai no Mercosul para se posicionar contra a Venezuela.

"Nós não gostamos muito que o chanceler (José) Serra veio ao Uruguai para nos dizer – disse em público, é por isso que lhes digo – que veio com a alegação de que a transferência [da presidência do Mercosul] deve ser suspensa e que, além disso, se fosse suspensa, nos levariam em suas negociações com outros países, como querendo comprar o voto do Uruguai", declarou o chanceler uruguaio.
Acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Serra viajou ao Uruguai no dia 5 de julho, onde se encontrou com o presidente Tabaré Vázquez e teria como função principal convencer o governo vizinho a se opor à presidência da Venezuela no Mercosul, algo que não aconteceu. Os uruguaios disseram que era preciso seguir as regras (relembre aqui).

Segundo disse o chanceler uruguaio na comissão que ocorreu no país no último dia 10 a promessa de Serra em troca do voto teria sido levar o Uruguai isoladamente em tratativas de acordos comerciais do Brasil na África e no Irã. A atitude do governo brasileiro "chateou muito" Vázquez e "bastante" ele próprio, afirmou Nin Novoa.

Nin Novoa voltou a declarar, no encontro com os deputados, que o Uruguai entende que a "Venezuela é o legítimo ocupante da presidência pro tempore e, por isso, quando convocar uma reunião, o governo uruguaio comparecerá". "O Uruguai vai estar presente [nos encontros do Mercosul]. Se os outros não vão, será uma responsabilidade deles", completou. Paraguai e Argentina estão do lado do governo Temer contra a Venezuela.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

PEDRO CORRÊA DELATOU A COMPRA DA REELEIÇÃO DE FHC

terça-feira, 19 de maio de 2015

A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso - II


Sem anestesia, FHC tirou dinheiro da área social e aumentou o desemprego com o pacote fiscal de 1998. E ainda assim quer falar de 'estelionato eleitoral'?

Maria Inês Nassif

reprodução


Por razões que qualquer pedaço amarelado de jornal da época indicam, é difícil entender a lógica do PSDB e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual o pesadíssimo ajuste fiscal feito nos primeiros dias após as eleições de outubro de 1998 foi um ato louvável, e as medidas anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado, nas mesmas condições, são estelionato eleitoral.
 
Em 1998, o mundo tinha acabado de enfrentar a crise russa, com grande repercussão sobre o Brasil, que empurrou seus sérios problemas cambiais com a barriga até que FHC vencesse a disputa pela reeleição, apesar das fragilidades externas do país, e jogou o país na recessão.
 
No ano passado, Dilma, logo após o pleito que a reconduziu ao cargo, anunciou um corte drástico de despesas e investimentos do governo e reduziu gastos com alguns programas sociais – e, ao que tudo indica, paralisou também o país – sob o argumento de que a crise internacional, que o Brasil dribla desde 2008, havia, enfim, atingido a economia brasileira com intensidade.
 
A semelhança entre ambos é que os dois ajustes foram feitos seguindo o be-a-bá da ortodoxia e jogaram ainda mais para baixo uma atividade econômica já deprimida.
 
A diferença entre ambos é que o Brasil de FHC não tinha gordura, estava à beira da bancarrota e sequer teve escolha: seguiu à risca o receituário do FMI porque precisava desesperadamente da ajuda de U$ 41 bilhões que o FMI, outros organismos internacionais e países desenvolvidos condicionavam à aplicação dos famosos remédios amargos que, segundo o receituário neoliberal tão caro ao então presidente e sua equipe econômica, eram necessários, um preço a ser pago para entrar no clube do mundo globalizado.
 
Em 1998, sequer houve escolha: ou era isso, ou o Brasil quebrava. O clima beirava ao pânico. Tanto que, em 29 de janeiro de 1999, uma sexta-feira negra, boatos sobre a situação econômica do país provocaram uma corrida aos bancos. O governo teve que decretar feriado bancário na segunda-feira para evitar o pior. (“Agora, sob nova direção: FMI assume política econômica e impõe pesada recessão para conter a inflação e a queda do Real”, Isto É, 10/2/1999).
 
No caso de Dilma, embora haja uma justa discussão se o pacote fiscal foi amargo demais para o tamanho da doença, existe o fato inegável de que o Brasil não vai quebrar – e vai precisar de muito ataque especulativo ao país, como os que já ocorreram, para tornar o Brasil próximo ao que era na crise de 1998. Naquele ano, as reservas internacionais brasileiras eram de US$ 34 bilhões e cairiam para US$ 23,9 bilhões no ano seguinte. O Brasil fechou o ano passado com US$ 374,1 bilhões de reservas.
 
O que não é crível, no caso atual, é que o ex-presidente FHC, que considerou como remédio necessário o arrocho fiscal de 1998, venha dizer do pacote de Dilma que “estão operando sem anestesia” para uma plateia de empresários, em 29 de maio passado. Provavelmente, o mesmo público que, 17 anos atrás, pagava pelos danos do pacote de FHC. No final de agosto de 1998, um grupo de empresários e o então sindicalista Paulinho da Força foram ao vice-presidente Marco Maciel para alertá-lo dos efeitos colaterais do pacote (“Principal temor é o desemprego”, O Estado de S. Paulo, 8/10/1998). Não haviam conseguido chegar em FHC ou no seu ministro da Economia para apresentarem as queixas.
 
Naquele ano, o IEDI (Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial), em documento, diagnosticava que “as políticas de juros, cambial e tributária condenam as empresas ao desaparecimento”.
 
O governo FHC chegou a anunciar um “mutirão anticrise”, a disponibilização de linhas de crédito para empresas em dificuldade, segundo a Folha de S. Paulo para “compensar os efeitos das altas taxas de juros na economia e atenuar a recessão”. Mas, segundo o jornal, sem grandes chances de concretização, pois “falta dinheiro nas principais instituições oficiais de crédito”. “O BNDES deverá reduzir em 1999 seu orçamento de investimentos”, informa o jornal. (“Falta dinheiro para o mutirão anticrise”, Folha de S. Paulo, 27/01/1999).
 
Da parte de FHC, não teve anestesia nem remédio para dor. Depois dos cortes de outubro de 1998, em fevereiro seguinte o governo anunciou um corte adicional (“Governo decide cortar mais R$ 1 bilhão só no 1o. bimestre”, FSP, 20/2/1999). Sem Novalgina, FHC resolve reduzir “Outras despesas de custeio, que incluem os gastos em projetos sociais do governo federal”. O anúncio foi feito no mesmo dia em que era divulgado o resultado do PIB de 1998 pelo IBGE, de 0,15%, perdendo apenas para o posterior ao Plano Collor, em 1992, que provocou um crescimento negativo do PIB de 0,54% (“PIB tem o pior resultado em seis anos”, FSP, 20/2/1999).
 
O jornal Folha de S. Paulo, em 21 de fevereiro de 1999, deu na manchete que “País tem 5% do desemprego mundial”. Na página de dentro (a 7 do Caderno Dinheiro) informava que não apenas o ajuste fiscal do governo, mas o próprio modelo econômico do modelo FHC, havia levado o Brasil a um quarto lugar mundial em número de desempregados. “O crescimento recente da participação brasileira no desemprego mundial começou quatro anos atrás, em 1995. Não por acaso, o desemprego acompanha o aumento da abertura do país aos produtos importados”. Era a âncora cambial do governo FHC produzindo os seus efeitos. Sem anestesia.
 
Também sem nenhum conforto para a dor, os preços dos produtos básicos chegaram à estratosfera. “Cesta básica sobe e bate recorde no real”, anunciou a Folha de S. Paulo, em sua edição de 23/02/1999. Onze dias depois, era a vez de mais más notícias: “Desemprego bate recorde em SP” (FSP, 3/3/1999). Segundo o IBGE, a Região Metropolitana de São Paulo atingia a maior taxa de desemprego desde 1983, de 9,18% da população economicamente ativa.
 
Dois dias depois, os jornais anunciavam que o novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no dia de sua posse, promoveu um aumento de juros para 45% ao ano, a unificação das taxas em uma única, a Selic, e o início do regime de metas de inflação – herança imposta aos sucessores de FHC. No mesmo dia, sem anestesia, o governo aumentou os derivados de petróleo em 11,5%. Esperou a campanha eleitoral passar. (“Juros sobem para conter a inflação; combustível terá aumento de 11,5%”, FSP, 05/03/1999).
 
Ainda no mês de março, e já como resultado das medidas fiscais restritivas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou a redução de 0,71% no nível de emprego industrial do Estado (“Indústrias fecham 11,6 mil vagas em fevereiro em SP”, FSP, 11/03/1999). Na edição do dia 14, a FSP informa que “o PIB vai cair de 3,5% a 4% em 1999” segundo o FMI, previsão que “embute o recuo de 8% na produção industrial” (“Indústria tem pior queda com o FMI”, FSP, 14/3/1999).  
 
Esses são apenas exemplos da autoridade moral de FHC para se tornar o porta-voz das críticas a Dilma. Quem quiser mais, basta ler jornais velhos.
 

AÉCIO COBRA QUEM ROUBOU, QUEM MANDOU E QUEM CALOU

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso - I


O ex-presidente, que pontifica lições de boa governança para Dilma Rousseff, foi reeleito com dinheiro dos bancos e depois jogou o Brasil na crise

Tânia Rego / ABr


Maria Inês Nassif

A crise econômica vivida pelo governo Dilma Rousseff, no primeiro ano de seu segundo mandato, nem de longe tem a gravidade da que balançou o país no primeiro ano do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). A crise política enfrentada por Dilma apenas é mais intensa que a de FHC nesse primeiro ano de segundo mandato porque ele tinha uma base de apoio que, embora mais vulnerável do que a dos primeiros quatro anos, reunia elementos de coesão ideológica inexistentes na atual coalizão governista. FHC apenas tinha uma posição um pouco mais confortável do que tem Dilma agora.
 
No governo FHC, a aliança parlamentar se fazia do centro à direita ideológica. Assim, mesmo que houvessem discordâncias pessoais na base parlamentar e quedas-de-braço do Congresso com o Palácio do Planalto – e o então senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fazia questão que isso acontecesse com regularidade –, nas questões fundamentais para o projeto econômico os interesses convergiam. Ajudava a constituir maiorias parlamentares o apoio dos meios de comunicação às chamadas “reformas estruturais” – e a pressão de fora para dentro do Congresso tinha o poder de resolver as disputas mais mesquinhas.
 
Nas gestões do PT, a diluição ideológica do apoio parlamentar – ao centro, à direita e à esquerda – tornaram a vida dos presidentes Lula e Dilma mais difícil. No governo Dilma, a exposição de uma fragilidade econômica deu à mídia oposicionista o elemento que faltava para pressionar os parlamentares, de fora para dentro do Congresso, a assumirem posições contrárias ao governo; e, junto à opinião pública, jogar elementos de insegurança e desqualificar toda a gestão anterior.
 
Ainda assim, e apesar da propaganda contrária ao governo Dilma, não se pode atribuir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso qualidades morais para pontificar julgamentos sobre política econômica, ajuste fiscal, relacionamento com a base parlamentar, relações apropriadas com financiadores de campanha ou de fidelidade a promessas eleitorais da atual presidente. Se sua experiência ajudar em alguma coisa a crise de agora, é para dar o exemplo de como não fazer o ajuste fiscal, de como não se relacionar com a base parlamentar e de como não fazer política eleitoral.
 
No ano de 1999, segundo os jornais, o Brasil pagava a conta do governo anterior tucano, que manteve a estabilidade de preços às custas de uma âncora cambial artificial e de uma política fiscal rigorosa, que resultou numa enorme fragilidade externa, em grande desemprego, pífio crescimento econômico e, ironicamente, aumento da inflação.
 
A conta foi alta. Em 1998, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4%, e em 1999, 0,5%; o dólar, que valia R$ 1,2 em 1998, saltou para R$ 1,8 no ano seguinte. A inflação foi de 8,9% em 1999; o ajuste fiscal do governo imprimiu uma inflação de 19,2% em 1999 sobre os preços monitorados (petróleo e energia). O consumo das famílias teve crescimento negativo de 0,7% em 1998 e apenas 0,4% positivo no ano seguinte. O investimento público federal caiu de 2,1% do PIB em 1998 para 1,4% em 1999; a taxa de investimento, de 17% para 15,7% do PIB; a formação bruta de capital fixo, que sofreu variação negativa de 0,2% em 1998, chegou ao fundo do poço em 1999, com queda de 8,9% em relação ao ano anterior.
 
As reservas internacionais, que eram de US$ 52,1 bilhões em 1997 e haviam caído para US$ 34,4 bilhões em 1998, chegaram ao perigoso nível de US$ 23,9 bilhões em 1999. O saldo da balança comercial no final do ano eleitoral de 1998 foi negativo em US$ 6,6 bilhões, e em 1999 de US$ 1,3 bilhões. Em 1998, o Brasil perdeu 36 mil postos de trabalho, e 582 mil em 1989.


Eleições caras
 
Em outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso conquistou o seu segundo mandato no primeiro turno, com a ajuda de financiadores privados de campanha que haviam sido enormemente beneficiados no seu primeiro governo e no governo Itamar Franco, quando o PSDB ocupou o comando econômico que permitiu ao partido e a FHC se credenciarem como os pais do Plano Real nas eleições de 1994.
 
Segundo a Folha de S. Paulo (“Bancos lideram doações para campanha de FHC”, 26/11/1998 e “Bancos lideraram contribuições a FHC”, 6/6/1999), bancos e instituições financeiras foram os principais doadores de campanha, e contribuíram com 25,7% do total de R$ 43 milhões arrecadados pelo comitê do presidente reeleito.
 
É o próprio jornal que lembra a razão do interesse de financiadores de campanha do mercado financeiro pelo candidato: “Em novembro de 95, o governo FHC criou o Proer, o programa de socorro a bancos em dificuldade. Já foram injetados R$ 21 bilhões para financiar fusões bancárias”, diz na material de 1998.
 
Na matéria publicada em 1999, o jornal afirma: “No primeiro mandato de FHC, as instituições [financeiras] viveram anos de prosperidade, segundo balanços divulgados pelo Banco Central, e escaparam dos impostos, segundo a Receita Federal. A soma do patrimônio líquido do conjunto das 223 instituições financeiras mais do que duplicou no periodo, passando de R$ 26,426 bilhões para R$ 55,653 bilhões”.
 
Além disso, FHC teve uma generosa contribuição de empresas com interesse direto no processo de privatização levado a termo pelo PSDB desde o governo Itamar. Figuravam entre os dez maiores financiadores da campanha de 1998 de FHC a Inepar (que participou do Consórcio Telemar), a Vale do Rio Doce (privatizada em 1997), a Companha Siderúrgica Nacional (CSN, privatizada em 1993, quando FHC era ministro de Itamar), a Copesul (privatizada em 1992) e a Copene (privatizada em 1993). A Andrade e Gutierrez, que também fez parte do Consórcio Telemar, figurava no 11o. lugar entre os financiadores de campanha do tucano.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

FHC “combateu corrupção” tentando pôr “engavetador” no STF


Eduguim


Apontar ganhador no debate da Record entre Dilma e Aécio no último domingo depende da filiação ou da simpatia partidária de cada um. Claro que cada lado terá seus argumentos sobre o que disse seu candidato para que fosse vencedor, mas, para o eleitor indeciso – que é o alvo dos debates e das campanhas neste momento –, não deve ter havido vencedor.

Este Blog, porém, tem opinião sobre o que viu. E, de tudo que foi visto, recolheu ao menos uma informação eloquente para que o leitor enxergue melhor quem se opõe a Dilma.

A numeralha e os termos técnicos são absolutamente inacessíveis para a população em geral. Isso sem falar que Aécio usa mentiras. Por exemplo, ao dizer que todos os indicadores sociais do Brasil vêm caindo. É mentira, vêm subindo há mais de uma década. Mas o tucano não pretende falar a verdade; seu objetivo é dar ares de verdade às próprias mentiras.

Aécio afirmou que Dilma não tem responsabilidade por investigações de corrupção, de modo que as milhares de operações da PF nos governos dela e de Lula, por exemplo, não seriam mérito dos dois. Mentiu de novo.

Sim, o governo pode permitir ou bloquear investigações. Como Dilma lembra sempre, no governo FHC chegava-se a transferir delegados da PF que investigavam “mais do que deviam”. E, ao nomear o primo do vice-presidente Marco Maciel como Procurador Geral da República, o ex-presidente tucano agiu para impedir “problemas” com o único órgão que poderia investigá-lo.

Contudo, além de manter um único procurador-geral da República em seu governo de 8 anos, e ainda um PGR que era parente de seu vice, FHC ainda tentou resguardar-se contra problemas futuros com a lei, pois nem ele acreditava que Lula assumiria e colocaria uma pedra sobre o passado.

Poucos se lembram disso, mas FHC tentou colocar no Supremo Tribunal Federal o homem que, durante oito longos anos, tratou de impedir toda e qualquer investigação sobre o governo federal, à diferença do que fariam Lula e, depois, Dilma, os quais nomearam para a Procuradoria sempre o nome indicado pelo Ministério Público.

E, repito, foram 3 PGR’s em 8 anos de Lula e 2 em 4 anos de Dilma contra 1 durante os 8 anos de FHC. É assim, como Lula e Dilma, que se combate a corrupção; é assim, como FHC, que se impede investigações de corrupção.

O ex-procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro, primo do então vice-presidente Marco Maciel, livrou a cara de FHC várias vezes. Uma delas foi no caso da compra de votos para a reeleição do tucano, que o jornalista da Folha de SP Fernando Rodrigues considerou que foi inquestionavelmente corrupção envolvendo o governo tucano.

Veja, abaixo, vídeo em que Rodrigues fala sobre o caso.




Alguém foi sequer processado? Houve investigação? Nenhuma. Sabe por que, leitor? Porque FHC impediu.
Ou melhor, o despachante que pôs na Procuradoria impediu.

O caso ao qual você viu o repórter da Folha se referir foi sumariamente engavetado por Geraldo Brindeiro. Se tivéssemos uma Procuradoria como as de Lula e Dilma, talvez o ex-presidente tucano estivesse saindo hoje da cadeia.

Devido a tão bons serviços prestados por Brindeiro, FHC tratou de tentar colocá-lo no STF, além de ter colocado Gilmar Mendes pouco antes para fazer o servicinho que vem fazendo para o PSDB ao longo dos anos. Porém, o tucano não conseguiu. Com a derrota de Serra para Lula, FHC tornou-se um “lame duck” e não teve força para dar sobrevida ao seu engavetador.

Abaixo, matéria do jornal O Estado de São Paulo de 2 de setembro de 2002 que mostra a manobra que FHC tentou para prolongar a vida útil do engavetador-geral da República, quem, ao lado de uma Polícia Federal manietada, impediu que qualquer das muitas falcatruas daquele governo fosse investigada.



clique aqui para ir à página original da matéria

quarta-feira, 12 de março de 2014

Azenha: Folha (*), mensalão tucano e lista de Furnas Parece, ao leitor desavisado, que Aécio não tem relação alguma com o mensalão tucano






O Conversa Afiada republica post de Luiz Carlos Azenha, extraído do Viomundo:

A cobertura marota da Folha sobre o mensalão tucano e a lista de Furnas



por Luiz Carlos Azenha

Eu não sei se o PT está ou não promovendo a ofensiva de que fala a Folha na reportagem. Tenho comigo que trata-se de uma justificativa para a cobertura pífia que, historicamente, o jornal fez do mensalão tucano, também chamado de “mensalão mineiro”.

O certo é que fica parecendo, ao leitor desavisado, que o presidenciável Aécio Neves não tem relação alguma com o mensalão tucano e que é vítima de uma campanha difamatória do PT, de mero oportunismo dos petistas em plena campanha eleitoral.

Esta possibilidade estaria descartada se a Folha tivesse dedicado ao mensalão tucano o mesmo espaço que o Viomundo, por exemplo, dedicou.

Se isso tivesse acontecido, as relações entre Aécio Neves e o mensalão tucano estariam absolutamente claras para os leitores.

Na reportagem, a Folha esmiuça supostas acusações do PT a Aécio e abre espaço para que o tucano se defenda. Especulo que pode se tratar de uma “vacina”, ou seja, de uma antecipação da defesa de Aécio diante de argumentos que serão usados na campanha.

A Folha menciona um suposto “exército na internet”, que seria o encarregado de ajudar o partido governista a colar Aécio no mensalão tucano, mas não entra em detalhes. Estaria preparando o terreno para alguma ação aecista?

O trecho que me chamou a atenção foi o seguinte:



É importante lembrar que existem dois episódios distintos e ainda não plenamente esclarecidos em Minas, referentes às campanhas tucanas: de 1998 (reeleição de Eduardo Azeredo e FHC)  e 2002 (com Aécio concorrendo ao governo do Estado e José Serra ao Planalto).

A Folha não trata do segundo, embora alguns personagens importantes se repitam.

1998 = mensalão mineiro

2002 = lista de Furnas

Quanto a 1998, a Folha sugere que Eduardo Azeredo e Aécio Neves pertenciam a grupos políticos distintos.

Talvez venha a dizer, eventualmente, que os dois nem se conheciam.

O fato é que o mensalão tucano buscava beneficiar políticos do PSDB e de partidos aliados ao PSDB! Aécio era um deles.

Quanto a 2002, as perícias atestaram que a lista de Furnas não foi uma montagem e que a assinatura de Dimas Toledo (então diretor de Furnas) não foi falsificada.

Porém, é óbvio que os peritos não tinham condições de atestar se aquele conteúdo representava algo real ou era ficção.

Algumas informações que a Folha sonegou a seus leitores:

1. O lobista Nilton Monteiro era homem dos bastidores do tucanato. Era o intermediário. A quem ele servia? Se a prisão dele não tem relação com a falsificação da lista do mensalão tucano, nem da lista de Furnas, por que noticiar que ele está preso por falsificação sem ouví-lo, como fizemos nós do Viomundo, que temos muito menos recursos que a Folha? Por que acreditar em Roberto Jefferson mas não em Nilton Monteiro? Do jeito que a Folha noticiou, fica parecendo que Monteiro caiu de paraquedas para ganhar algum.

2. A prisão de Nilton Monteiro não foi um caso isolado. Houve busca e apreensão na casa do advogado Dino Miraglia, que representou a família de Cristiana Aparecida Ferreira. A família sustenta que o assassinato dela tem relação com o papel desempenhado por Cristiana no mensalão tucano, o de transportar dinheiro vivo. Houve a prisão do jornalista Marco Aurélio Carone, a intervenção no site que ele dirigia e busca e apreensão na casa de um segundo jornalista que trabalhou com Carone, Geraldo Elísio Machado Lopes. Por que a Folha não cobriu o caso se, como dizem os tucanos, ele demonstra claramente a existência de uma quadrilha que tinha o objetivo de difamá-los?  Por que a Folha não ouviu Carone, Miraglia e Geraldo Elísio, além de Monteiro?

3. A procuradora Andréa Bayão Pereira, do Rio de Janeiro, investigou a lista de Furnas. Ela ouviu Nilton Monteiro e executivos de empresas que teriam colaborado com a caixinha tucana. A procuradora confirmou vários aspectos da lista. Por exemplo, o deputado Roberto Jeferson confirma que recebeu os 75 mil reais atribuídos a ele na lista. Jeferson serve para denunciar o mensalão petista mas não para reforçar a credibilidade da lista? A procuradora chegou a oferecer denúncia contra Dimas Toledo, o diretor de Furnas acusado de organizar o esquema. Segundo a lista, R$ 5,5 milhões abasteceram a campanha de Aécio a governador,em 2002. Por que a Folha não tratou dos dois casos — mensalão tucano e lista de Furnas –, se ambos foram parar na Justiça e ambos repetem personagens?

4. As denúncias são sustentadas por duas das mais importantes lideranças da oposição em Minas. Os deputados Sávio Souza Cruz (PMDB) e Rogério Correia (PT). Pode se atribuir a eles motivação política — óbvia, nestes casos –, mas não se trata de dois irresponsáveis. Pelo jeito que a Folha noticiou, fica parecendo que um deles, Rogério Correia, caiu de paraquedas em Brasília, quando vem denunciando o caso faz muitos anos.

Estranho, muito estranho tudo isso. Parece uma coreografia do qual só a campanha de Aécio e a própria Folha sabem os próximos passos
.

Clique aqui para ler “Valério condenado no mensalão do PSDB. E os tucanos ?”.

E aqui para ler “Viomundo foi a Furnas: Barbosa, e os tucanos ?”.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.