Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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terça-feira, 19 de maio de 2015

A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso - II


Sem anestesia, FHC tirou dinheiro da área social e aumentou o desemprego com o pacote fiscal de 1998. E ainda assim quer falar de 'estelionato eleitoral'?

Maria Inês Nassif

reprodução


Por razões que qualquer pedaço amarelado de jornal da época indicam, é difícil entender a lógica do PSDB e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual o pesadíssimo ajuste fiscal feito nos primeiros dias após as eleições de outubro de 1998 foi um ato louvável, e as medidas anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff no ano passado, nas mesmas condições, são estelionato eleitoral.
 
Em 1998, o mundo tinha acabado de enfrentar a crise russa, com grande repercussão sobre o Brasil, que empurrou seus sérios problemas cambiais com a barriga até que FHC vencesse a disputa pela reeleição, apesar das fragilidades externas do país, e jogou o país na recessão.
 
No ano passado, Dilma, logo após o pleito que a reconduziu ao cargo, anunciou um corte drástico de despesas e investimentos do governo e reduziu gastos com alguns programas sociais – e, ao que tudo indica, paralisou também o país – sob o argumento de que a crise internacional, que o Brasil dribla desde 2008, havia, enfim, atingido a economia brasileira com intensidade.
 
A semelhança entre ambos é que os dois ajustes foram feitos seguindo o be-a-bá da ortodoxia e jogaram ainda mais para baixo uma atividade econômica já deprimida.
 
A diferença entre ambos é que o Brasil de FHC não tinha gordura, estava à beira da bancarrota e sequer teve escolha: seguiu à risca o receituário do FMI porque precisava desesperadamente da ajuda de U$ 41 bilhões que o FMI, outros organismos internacionais e países desenvolvidos condicionavam à aplicação dos famosos remédios amargos que, segundo o receituário neoliberal tão caro ao então presidente e sua equipe econômica, eram necessários, um preço a ser pago para entrar no clube do mundo globalizado.
 
Em 1998, sequer houve escolha: ou era isso, ou o Brasil quebrava. O clima beirava ao pânico. Tanto que, em 29 de janeiro de 1999, uma sexta-feira negra, boatos sobre a situação econômica do país provocaram uma corrida aos bancos. O governo teve que decretar feriado bancário na segunda-feira para evitar o pior. (“Agora, sob nova direção: FMI assume política econômica e impõe pesada recessão para conter a inflação e a queda do Real”, Isto É, 10/2/1999).
 
No caso de Dilma, embora haja uma justa discussão se o pacote fiscal foi amargo demais para o tamanho da doença, existe o fato inegável de que o Brasil não vai quebrar – e vai precisar de muito ataque especulativo ao país, como os que já ocorreram, para tornar o Brasil próximo ao que era na crise de 1998. Naquele ano, as reservas internacionais brasileiras eram de US$ 34 bilhões e cairiam para US$ 23,9 bilhões no ano seguinte. O Brasil fechou o ano passado com US$ 374,1 bilhões de reservas.
 
O que não é crível, no caso atual, é que o ex-presidente FHC, que considerou como remédio necessário o arrocho fiscal de 1998, venha dizer do pacote de Dilma que “estão operando sem anestesia” para uma plateia de empresários, em 29 de maio passado. Provavelmente, o mesmo público que, 17 anos atrás, pagava pelos danos do pacote de FHC. No final de agosto de 1998, um grupo de empresários e o então sindicalista Paulinho da Força foram ao vice-presidente Marco Maciel para alertá-lo dos efeitos colaterais do pacote (“Principal temor é o desemprego”, O Estado de S. Paulo, 8/10/1998). Não haviam conseguido chegar em FHC ou no seu ministro da Economia para apresentarem as queixas.
 
Naquele ano, o IEDI (Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial), em documento, diagnosticava que “as políticas de juros, cambial e tributária condenam as empresas ao desaparecimento”.
 
O governo FHC chegou a anunciar um “mutirão anticrise”, a disponibilização de linhas de crédito para empresas em dificuldade, segundo a Folha de S. Paulo para “compensar os efeitos das altas taxas de juros na economia e atenuar a recessão”. Mas, segundo o jornal, sem grandes chances de concretização, pois “falta dinheiro nas principais instituições oficiais de crédito”. “O BNDES deverá reduzir em 1999 seu orçamento de investimentos”, informa o jornal. (“Falta dinheiro para o mutirão anticrise”, Folha de S. Paulo, 27/01/1999).
 
Da parte de FHC, não teve anestesia nem remédio para dor. Depois dos cortes de outubro de 1998, em fevereiro seguinte o governo anunciou um corte adicional (“Governo decide cortar mais R$ 1 bilhão só no 1o. bimestre”, FSP, 20/2/1999). Sem Novalgina, FHC resolve reduzir “Outras despesas de custeio, que incluem os gastos em projetos sociais do governo federal”. O anúncio foi feito no mesmo dia em que era divulgado o resultado do PIB de 1998 pelo IBGE, de 0,15%, perdendo apenas para o posterior ao Plano Collor, em 1992, que provocou um crescimento negativo do PIB de 0,54% (“PIB tem o pior resultado em seis anos”, FSP, 20/2/1999).
 
O jornal Folha de S. Paulo, em 21 de fevereiro de 1999, deu na manchete que “País tem 5% do desemprego mundial”. Na página de dentro (a 7 do Caderno Dinheiro) informava que não apenas o ajuste fiscal do governo, mas o próprio modelo econômico do modelo FHC, havia levado o Brasil a um quarto lugar mundial em número de desempregados. “O crescimento recente da participação brasileira no desemprego mundial começou quatro anos atrás, em 1995. Não por acaso, o desemprego acompanha o aumento da abertura do país aos produtos importados”. Era a âncora cambial do governo FHC produzindo os seus efeitos. Sem anestesia.
 
Também sem nenhum conforto para a dor, os preços dos produtos básicos chegaram à estratosfera. “Cesta básica sobe e bate recorde no real”, anunciou a Folha de S. Paulo, em sua edição de 23/02/1999. Onze dias depois, era a vez de mais más notícias: “Desemprego bate recorde em SP” (FSP, 3/3/1999). Segundo o IBGE, a Região Metropolitana de São Paulo atingia a maior taxa de desemprego desde 1983, de 9,18% da população economicamente ativa.
 
Dois dias depois, os jornais anunciavam que o novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no dia de sua posse, promoveu um aumento de juros para 45% ao ano, a unificação das taxas em uma única, a Selic, e o início do regime de metas de inflação – herança imposta aos sucessores de FHC. No mesmo dia, sem anestesia, o governo aumentou os derivados de petróleo em 11,5%. Esperou a campanha eleitoral passar. (“Juros sobem para conter a inflação; combustível terá aumento de 11,5%”, FSP, 05/03/1999).
 
Ainda no mês de março, e já como resultado das medidas fiscais restritivas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou a redução de 0,71% no nível de emprego industrial do Estado (“Indústrias fecham 11,6 mil vagas em fevereiro em SP”, FSP, 11/03/1999). Na edição do dia 14, a FSP informa que “o PIB vai cair de 3,5% a 4% em 1999” segundo o FMI, previsão que “embute o recuo de 8% na produção industrial” (“Indústria tem pior queda com o FMI”, FSP, 14/3/1999).  
 
Esses são apenas exemplos da autoridade moral de FHC para se tornar o porta-voz das críticas a Dilma. Quem quiser mais, basta ler jornais velhos.
 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Filme (mudo) de horror. Vão censurar?

O João de Andrade Neto, editor do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, deveria cobrar um chope do marqueteiro do PT, João Santana.
É que ele deixou pronto o roteiro de imagens – não é preciso palavras – para um “comercial” do PT que eu gostaria de ver a Ministra Laurita Vaz, do TSE, censurar.
É uma “recortagem” fotográfica da mídia.
Um filme de terror.
Para proibir este, só se o PSDB apelar para a censura etária, exigindo que só seja passado de madrugada, sem as crianças na sala.
Porque, de fato, é imoral.
Esse, sim, deveria exigir o carimbo de “avisado” que tanta polêmica causou.
Carimbado no título eleitoral…




PRIVATARIA










QUALIDADE DE VIDA







ESCÂNDALOS



FMI




ECONOMIA






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Itamar Franco


Cadu Amaral: Vídeo para os mais novos conhecerem um pouco sobre o governo FHC


FHC_EUA02


Cadu Amaral em seu blog

É natural que toda uma geração que hoje começa a assumir como principal faixa etária na economia do país não tenha lembrança alguma de como foi o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Afinal, Lula e Dilma completam no final do ano 12 anos de governos do PT e aliados.
Se essa geração citada acima tem hoje entre 25 e 30 anos, teria quando o governo FHC terminou entre 13 e 18 anos. Não lembrar é normal. Ainda mais com a mídia que temos no Brasil que esconde o passado da governança tucana, pois apoiava suas práticas e nega tudo o que se tem conquistado no Brasil nesses anos de Lula e Dilma.
Também é verdade que por vezes – muitas vezes – o debate político gira em torno de acusações mútuas. Isso não ajuda na construção comparativa que consequentemente ajuda no debate sobre os rumos do Brasil.
Porém, também é fato que o que tem se apresentado como novidade política em nada o é. E o único objetivo é mudar o foco da disputa política institucional no país capitaneada pelo PSDB e pelo PT.
O que também é normal diante do pouco tempo de democracia no país. Esses são os únicos partidos, à exceção de Collor, que tiveram – ou tem – presidentes da República. Se a política brasileira precisa se renovar, não é forçando a barra que isso vai dar certo. É muito mais importante renovar métodos e conceitos do que, necessariamente, siglas partidárias.
E os partidos não são ilhas, eles também refletem a cultura política média da sociedade e do tempo histórico em que estão inseridos. Negar isso é conversa fiada. O objetivo de essas novidades é apenas tomar o lugar de PT e PSDB. Só isso. Mudar apenas as siglas partidárias.
Assista abaixo um vídeo com momentos dos governos FHC e Lula, entenda um pouco mais as diferenças entre eles e o papel da imprensa grande nesse processo. O PSDB continua insistindo nas mesmas teses do governo FHC para a economia do país e a mídia faz você achar que essa é a única alternativa que temos para fazer o Brasil avançar economicamente.
Também certo que muita coisa não conseguiu ser quebrada nos governos Lula e Dilma, mas aí entra a diferença entre governo e poder. Os petistas estão no governo, enquanto o poder continua nas mãos daqueles em que sempre estiveram e o PSDB é o partido do poder no Brasil. Se não foi fundado para sê-lo, se tornou.
Abaixo o vídeo.




Todas as crises econômicas citas na fala de FHC foram muito menores do que a de 2008 em que Lula afirmou que no Brasil seria uma “marolinha”. E foi!

***
Leia também:

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

NO DIA DA FESTA DO REAL, TUCANOS TOCAM O TERROR


AULA DE LULA FAZ O PIG (*) CHORAR. DE RAIVA Por que o Brasil é o país das oportunidades

O Conversa Afiada reproduz post do Instituto Lula:

ARTIGO DE LULA: POR QUE O BRASIL É O PAÍS DAS OPORTUNIDADES



Por Luiz Inácio Lula da Silva

Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. O povo brasileiro está construindo uma nova era – uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente da República e presidente de honra do PT



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

EDUARDO QUER QUE DILMA COPIE FHC FHC não ouvia ninguém. Ele só ouvia o FMI.


Saiu na Folha (*):

CAMPOS DIZ QUE MEDIDAS DE ESTÍMULO À ECONOMIA NÃO RESOLVEM CRISE E CITA FHC


No mesmo dia em que o governo federal anunciou que beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida terão 5% de desconto na compra à vista de eletrodomésticos e móveis, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta quarta-feira (12) que esse tipo de medida “não resolve” o problema do desempenho ainda fraco da economia, associado à queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff. 

O governador sugeriu que a presidente Dilma faça como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) que, em 2002, chamou os pré-candidatos à Presidência para discutir os rumos do país. 

“É importante que a gente aprenda com esses bons momentos da história, onde as pessoas podem deixar ambições pessoais e partidárias de lado e pensar no futuro do país”, disse Campos. (DANIEL CARVALHO).

O Governador Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, deveria ter uma noção mais precisa da História Sombria do governo do Farol de Alexandria.
O Presidente Fernando Henrique jamais consultou ninguém sobre como administrar a Econômica.
Ele tinha um consultor permanente, na sala, no quarto e na cozinha: o FMI.
Essa mesma obsoleta instituição que agora pede desculpas pelo crime que cometeu na Grécia.
Fernando Henrique, sim, chamou os candidatos a Presidente ao Palácio, quando o Governo agonizava, sangrava por todo lado, a ponto de não conseguir eleger o sucessor.
(Aliás, o candidato, dele, o Padim Pade Cerra, renegou a paternidade e não citou o Fernando Henrique na campanha – clique aqui para entender a razão desse repúdio, na explicação serena do Marcos Coimbra.)
Fernando Henrique chamou os candidatos – Lula entre eles – ao Palácio para dar conta das medidas de emergência que teriam efeito sobre o governo do sucessor.
Não foi para receber sugestões, como essa: suspenda o consumo, Presidenta !
O povo não precisa consumir mais !
O provo prefere investir !
Fernando Henrique não queria ouvir ninguém.
Foi para ler o próprio obituário.



Em tempo: Eduardo está na categoria do Velho do Restelo.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Nassif desmonta um neolibelê

André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só


Em algum momento de 1995 escrevi algumas colunas na Folha dizendo que havia algo de errado na economia. Não era possível um modelo em que uma pequena distribuidora, com R$ 14 milhões de capital, registrasse um lucro de R$ 140 milhões (a parte registrada), enquanto um atacadista com R$ 1 bilhão de faturamento tinha lucro de apenas R$ 10 mi.


André Lara (um dos sócios da distribuidora), primeiro, tentou dar uma carteirada acadêmica, em um artigo na Folha em que falava sobre “palpiteiros”. Depois, recuou e marcou um almoço.


Lá, questionei o absurdo de especialistas exclusivos em inflação inercial serem tratados como demiurgos. Sua resposta foi franca: “Eu entendo de inflação inercial. É a imprensa que cria as lendas”.


André foi um dos principais responsáveis por abortar o projeto de privatização com fundos sociais – que garantiria um capitalismo popular no país, e a distribuição equitativa dos benefícios da privatização com os chamados fundos sociais. Já era um jogo de cartas marcadas.


A fórmula de remonetização que adotou para o Real visou exclusivamente enriquecer grupos aliados no mercado futuro de câmbio. Explico detalhadamente isso em “Os Cabeças de Planilha” (*).


Agora, tem-se uma nova realidade, com o fim do ciclo financista – do qual ele foi um dos expoentes no país, à custa da perda da grande oportunidade de desenvolvimento trazida pelo Real. E o demiurgo reaparece trazendo não-soluções. (Nassif se refere a artigo que André escreveu nesta sexta-feira no Valor: http://www.valor.com.br/cultura/2491926/os-novos-limites-do-possivel – PHA)


Tal qual Pérsio, tem bons diagnósticos sobre a crise e uma incrível incapacidade de enxergar caminhos novos. Confunde sua impotência intelectual de prospectar o novo – sem nenhum demérito, porque o mundo está atrás dessa pedra filosofal – com a incapacidade do mundo de atender às demandas de seus habitantes. Sua máxima parece ser: “Se não encontro uma solução é porque a solução não existe”.


Passa ao largo de um conjunto fundamental de desafios e possibilidades – como extirpar a miséria absoluta, como levar a civilização à maioria da população do planeta, quais as tecnologias disponíveis para melhorar a produtividade, a produção de alimentos, quais os caminhos para a exploração das riquezas no fundo do mar, a era da economia verde – e limita-se a decretar que, dado o esgotamento da capacidade do planeta, nada mais resta do que rezar. O correto seria: dada a incapacidade de visualizar cenários novos, nada mais a pensar.


Esse neo-malthusianismo, essa visão atrasada do Clube de Roma não é uma solução. Com a carteirada das citações bibliográficas, André não consegue ir além de UM problema. E não trazer nenhuma solução.


Sua única solução será os Bancos Centrais remonetizarem as dívidas e trazerem de volta a inflação. Aí, André terá o que dizer novamente. Por enquanto ele comete esse notável feito econômico de rebater Keynes… com Malthus.


(*) No excelente “Cabeças de Planilha”, Nassif demonstra que o lançamento do Plano Real foi montado de tal forma que a fixação do valor do Real em relação dólar beneficiou, diretamente, operadores das finanças,.  André, que estava com a boca na botija, pode ter sido um deles.. O ansioso blogueiro encaminhou essa grave denuncia do Nassif (no livro, FHC, como sempre, disse que nunca soube de nada) ao Ministério Público Federal, para esmiuçar a relação Real x Dolar e a subita fortuna de jenios brasileiros das finanças. Não deu em nada. E o brindeiro Gurgel ainda não estava lá. PHA

terça-feira, 5 de julho de 2011

FHC usurpou até o velório de Itamar


A pequenez humana nunca deixa de surpreender. E certas pessoas nunca decepcionam nesse quesito.
Foi assim durante o primeiro dia útil da semana. Os telejornais exibiram uma cena patética de políticos tentando faturar mais um defunto, pois, como se sabe, todos são santificados na partida final, ainda mais quando não se deixou para trás uma história desabonadora, como é o caso de Itamar Franco.
Como que se cumpriu uma profecia: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o homem que há 17 anos reivindica para si a autoria do Plano Real, não perdeu a oportunidade de usurpar até o velório daquele de quem tanto usurpara em vida.
Notícia veiculada pelo Terra Magazine, de Bob Fernandes, no meio da tarde desse dia triste em que o Brasil se despediu de um homem que pegou uma literal bomba nas mãos e fez dela fogos de artifício, dava conta de que FHC, no velório de Itamar, voltou a reivindicar para si o que jamais lhe pertenceu.
Eis:
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Em velório de Itamar, FHC volta a reivindicar paternidade do Real
Terra Magazine
4 de julho de 2011
Ana Cláudia Barros
Uma relação “entremeada por brincadeiras”. Foi assim que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) definiu o relacionamento entre ele e o também ex-chefe do Executivo nacional, Itamar Franco. Durante o velório do político mineiro, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, FHC esqueceu as rusgas do passado, engrossou o coro dos elogios e destacou a importância de Itamar para a implantação do Plano Real, sem, entretanto, abrir mão da paternidade do projeto.
- Eu devo a Itamar por ter aberto espaço para um obscuro político da época. Sociólogo, não economista. Mal treinado ainda no Itamaraty. Por decisão do Itamar de me convocar para ser ministro da Fazenda numa época muito difícil. O plano Real foi feito por uma equipe. Eu chefiei esta equipe, mas nada disso seria feito sem o apoio irrestrito do presidente da República. Mesmo que o Itamar, lá no fundo da alma dele, não estivesse totalmente convencido. Mas ele confiava e deu a mim uma força difícil de imaginar que algum presidente pudesse dar – afirmou, sublinhando ainda o desprendimento do mineiro.
- Devo dizer mais, fez isso sem nenhum sentimento menor, sem nenhuma disputa de vaidade. Abria espaço como quem sentia aquilo com naturalidade, o que não é fácil para qualquer pessoa.
Fernando Henrique afirmou ainda que recebeu “com choque” a notícia da morte do senador.
- Nós tivemos uma relação estreita durante muitos anos. Itamar sempre foi um homem simples, extremadamente simples. No modo de viver, no modo de falar, no modo de se relacionar. Itamar foi um homem que nunca, nunca se deixou fascinar pelo poder. Sempre manteve seu modo de viver, o jeito como ele tratava as pessoas. E sempre teve um sentimento ético, que faz falta ao Brasil neste momento. Ele deixa realmente uma marca muito profunda.
O áudio da entrevista foi divulgado pela assessoria de comunicação do governo do Estado de Minas Gerais.
Terra Magazine
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“Relação entremeada por brincadeiras”, é? Não acho. Pelo que me lembro, FHC e Itamar Franco romperam em 1998, quando o tucano arrancou do Congresso Nacional a emenda constitucional que lhe permitiu disputar a reeleição, pois Itamar queria ser indicado candidato a presidente pela então coalizão tucano-pefelê.
A opinião de FHC sobre Itamar, como se vê, mudou bastante. Aquele que telejornais apresentaram como “amigo” do presidente morto ostentando aquele ar compungido, afetando uma dor que deve ter encoberto uma última vingança, dizia outra coisa sobre o falecido.
Abaixo, o passado volta a assombrar FHC.
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FHC diz que ‘o verdadeiro mineiro é aquele que não guarda rancor’
FOLHA DE SÃO PAULO
8 de julho de 2000
NIELA NAHASS
ENVIADA ESPECIAL A OURO BRANCO (MG)
O presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ontem um recado para o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido). Em sua terceira visita a Minas após a reeleição, FHC declarou que “o verdadeiro mineiro é aquele que não guarda rancor”.
“O mineiro é o homem que se acostumou à tolerância, é o homem generoso, o homem que perdoa. Esse é o verdadeiro mineiro. O mineiro me comove, o mineiro que não guarda rancor, o mineiro que vê o futuro, que vê o crescimento de Minas Gerais. O crescimento de Minas Gerais é o crescimento do Brasil”, afirmou.
FHC mandou o recado em discurso durante a solenidade de expansão da siderúrgica Açominas, em Ouro Branco (100 km de Belo Horizonte). Itamar Franco não foi à cerimônia nem mandou representantes. O governador está rompido com o presidente desde 1998, quando não obteve legenda para disputar a Presidência.
Estavam lá políticos mineiros que apóiam o governo, como os senadores Francelino Pereira (PFL) e José Alencar (PMDB), o deputado federal Walfrido Mares Guia (PTB), o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), deputados estaduais e prefeitos.
“Não posso deixar de agradecer a presença dos representantes de Minas Gerais, da Câmara Federal, do Senado da República, de deputados estaduais e prefeitos dessa região. Todos aqueles que têm a sensibilidade para sentir que o Brasil está em um momento que precisa de coesão”, disse FHC.
Logo que assumiu o governo de Minas Gerais, Itamar Franco declarou a moratória da dívida do Estado com a União e disse que Minas seria “um front de oposição ao governo federal”.
Itamar, que ao deixar a Presidência apoiou a candidatura de FHC para sua sucessão, considera o presidente “um traidor”. Para o governador mineiro, FHC teve influência decisiva na convenção do PMDB de 98, que optou por não lançar candidatura própria nas últimas eleições presidenciais.
No início deste ano, Itamar suspendeu a moratória e foi a Brasília conversar com o ministro José Serra (Saúde), mas, na última semana, o governador voltou a radicalizar o discurso contra FHC.
Itamar defendeu o impeachment de FHC porque o governo enviou o Exército para proteger a fazenda do presidente em Buritis (MG). “Minas Gerais não aguenta mais essa enxurrada de brincadeiras que estão fazendo”, disse o ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), adversário de Itamar.
Ontem, FHC gastou boa parte do discurso elogiando o Estado: disse que Minas está vivendo uma “transformação extraordinária” e que “sente uma revolução, um renascimento do Estado”.
O presidente disse que o governo vai se empenhar pela aprovação da reforma tributária, promessa cobrada pelo empresário Jorge Gerdau: “Precisamos ter segurança jurídica para poder trabalhar, não só de um governo, mas de todos. A reforma tributária é peça-chave para o desenvolvimento”, afirmou o empresário.
“Nós vamos, sim, fazer a reforma tributária com o apoio do Congresso Nacional, aqui representado pelos seus senadores e deputados que terão a capacidade de negociar os difíceis interesses contraditórios. Nós vamos fazê-la porque ela é essencial para que possamos seguir adiante nessa caminhada pela reconstrução do Brasil e da reafirmação da nossa fé nesse nosso país”, disse FHC.
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Como se vê, FHC riu por último… Ou não?
Blog Cidadania

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ITAMAR FRANCO: UM HONRADO PATRIOTA

O homem que morreu neste sábado não pertencia às elites políticas ou empresariais de Minas. Engenheiro, filho de descendentes de imigrantes (o pai, de alemães, e a mãe, de italianos) Itamar teve uma infância de classe média modesta. Não chegou a conhecer o pai, que morreu pouco antes que nascesse. Formado, com as dificuldades da situação familiar, em engenharia, aos 24 anos, trabalhou no saneamento básico na periferia de Juiz de Fora, antes de integrar os quadros do DNOCS. Esse contato com o povo o levou à vida pública.
Itamar não foi um político definido pelos estereótipos. Destacaram-se em sua personalidade e ação política os dois sentimentos que orientam os grandes homens públicos de Minas: o do nacionalismo – que vem da Inconfidência - e o da justiça social. Não há como negar a Itamar o alinhamento ideológico à esquerda. Um de seus ídolos desde a adolescência foi o gaúcho Alberto Pasqualini, dos mais importantes pensadores políticos brasileiros e conselheiro de Getúlio.
Como é de conhecimento público, prestei assessoria informal ao Presidente, e, mais tarde, ao governador. Pude acompanhar, de perto, seu empenho na defesa dos interesses nacionais e da moralidade no governo. Acompanhei, de perto, as suas preocupações, quando decidiu adotar, a conselho de membros da equipe econômica, o expediente antiinflacionário da Alemanha dos anos 20 – o Plano Schacht. Era a segunda vez que se tentava, no continente, a mesma estratégia contra a hiperinflação, bem conhecida como matéria de estudos financeiros. A primeira fora a do Plano Austral, da Argentina. Também o Plano Cruzado, de Sarney, contemplava algumas de suas medidas.
Conhecedor de matemática, Itamar reviu o plano, ponto a ponto, fez correções que lhe pareceram apropriadas e, só depois disso, assinou a medida provisória que o implantou.
Poucos dias antes de sua internação, estive em seu gabinete, em companhia do Embaixador Jerônimo Moscardo, que foi seu Ministro da Cultura. Ao nos cumprimentar, visivelmente gripado, Itamar reclamou do ambiente frio do Senado. “Esse ar acondicionado é de matar”. E disse que estava com uma gripe que não cedia.
Convidou-nos para uma visita ao gabinete do presidente José Sarney, ao lado do seu. Conversamos os quatro, alguns minutos, sobre a situação do país e do mundo. Relembramos a personalidade de Tancredo Neves e episódios menos conhecidos do processo de transição democrática que, pelas circunstâncias do tempo, Sarney e este jornalista haviam vivido mais de perto.
Itamar estava preocupado com a situação do país, e a necessidade de que se formassem líderes capazes de enfrentar as dificuldades internacionais do futuro próximo. Naquele mesmo dia, ele solicitara da Mesa do Senado a transcrição de um artigo meu, publicado neste jornal, de reparos ao seu sucessor.
O grande êxito de Itamar pode ser explicado pela renúncia pessoal às glórias e pompas do poder. Não foi açodado em assumir o governo, depois do impeachment de Collor. Coube a Simon instá-lo a isso, sob o argumento da razão de Estado: o poder não admite o vazio. Logo que assumiu a Presidência, reuniu todos os dirigentes partidários e líderes no Congresso, sem excluir ninguém, nem mesmo o folclórico Enéas Cardoso. Disse-lhes que estava disposto a convocar eleições imediatas para a Presidência e Vice-Presidência, se estivessem de acordo. Silenciou-se, à espera da resposta – e ninguém concordou. Por duas ou três vezes, ele me disse que, apesar daquela recusa unânime, talvez tivesse sido melhor consultar o povo, naquela difícil circunstância.
Quando se pôs o problema de sua sucessão, tendo em vista a sua altíssima popularidade – de mais de 80% - alguns líderes políticos lhe propuseram a apresentação de emenda constitucional permitindo a sua reeleição. Itamar recusou, com veemência, a proposta. O democrata não poderia admitir o golpe que seu sucessor desfecharia.
Mais do que sanear a moeda, Itamar ficará na História por haver recuperado a credibilidade da Presidência da República junto ao povo brasileiro. Poucos, muito poucos, dos que exerceram o alto cargo ao longo da História, ficarão na memória da Nação com a mesma e sólida presença de Itamar Franco, modesto homem do povo, intransigente patriota, severo guardião do bem público.

Redação Conversa Afiada


As festividades dos 80 anos do FCH têm a dimensão da Vaidade do aniversariante.

No PiG, os 80 anos ocuparam mais espaço neste domingo do que a morte do Presidente que lançou o Plano Real, o Santo Graal dos conservadores brasileiros.

O próprio Rei Artur falou de seus 80 anos com modéstia franciscana nas comovidas páginas do Globo e do Estadão.

Os 80 anos do Farol de Alexandria preenchem o volumoso vácuo político e ideológico que se instalou no sistema conservador.

Depois do Farol de Alexandria, os conservadores perderam três eleições.

Na sucessão em 2002 nem o candidato dele, o Padim,  o defendeu.

E, mesmo assim, pelo simples fato de simbolizar o que o Governo dele significava, tomou uma surra.

Os conservadores brasileiros estão atolados em 2002.

Não foram capazes de produzir uma única ideia, uma plataforma que possa confrontar a maioria que o PT lidera.

O Padim Pade Cerra lançou um manifesto-chabu.

Seu Conselho Políico baixou meia dúzia de obviedades – e grosserias – que os tucanos repudiaram.

Houve, porém, um importante aggiornamento na ideologia conservadora que saiu do baú do FHC: foi a conversão de Cerra ao fundamentalismo na campanha de 2010, que Ciro Gomes chamou de “calhordice”.

Cerra tirou de trás do armário o tea-party brasileiro: com a tentativa de colar na Dilma o aborto clandestino (no Chile, tudo bem), ao se alojar no colo do Papa e oferecer o pré-sal à Chevron.

Cerra tem o monopólio da extrema-direita.

Demonstrou na Carta Capital o professor Wanderley Guilherme dos Santos.

É uma forma melancólica de celebrar a Obra Magna do Farol de Alexandria.

E que não ganha eleição.

Resta aos conservadores aplicar à Dilma os argumentos da UDN contra Vargas, Jango e Brizola.

Nada de novo.

Por isso, o Farol faz 80 anos tantas vezes.

Mesmo depois de se saber que ele não era o pai e de confessar que assinou o eterno sigilo sem ler.

O que não ajuda a soprar 80 velinhas.

Mas, para a Dilma, é a sopa no mel.

Os conservadores batem palmas para o Farol de Alexandria, aquele que iluminou a Antiguidade e afundou num terremoto.

E o sol não nasce no campo conservador.


Paulo Henrique Amorim