Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

WANDERLEY GUILHERME AO 247: "MARINA É INVIÁVEL"

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

NO DIA DA FESTA DO REAL, TUCANOS TOCAM O TERROR


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Brasil é pensado “dentro da caixa”

caixa


Nos anos 70, os estudiosos de marketing e administração criaram a expressão “pensando fora da caixa” para definir o que rompia a maneira convencional de encarar os problemas. E achava, por isso, soluções.
Nós, no Brasil, estamos com o nosso pensamento – salvo em raros momentos – sempre dentro de uma caixa de onde jamais nos libertamos.
Essa talvez seja a mais cruel e duradoura herança dos anos da ditadura neoliberal, que não penas persiste nas mentes conservadoras como acabou sendo absorvida por parte do pensamento progressista, que repete, sem compreender bem (e às vezes compreendendo, mas aceitando a lógica do conservadorismo) as “verdades” que em alguma tábua dos mandamentos estranha foram definidas como regra das relações sociais, a economia entre (e à frente) elas.
São inúmeros os exemplos disso, a começar pelo “tripé metas de inflação – superávit primário – câmbio flutuante”, que até Marina Silva anda repetindo.
Violar qualquer destes mandamentos é menos que um heresia, uma atitude demoníaca ou alucinada de irresponsáveis.
graficosicsu1Mas é só olhar os fatos e ver que essa cantilena de que a “inflação em alta” ameaça a “conquista da estabilidade econômica” que se repete todo santo dia. Uma olhadinha no gráfico ao lado mostra que, deste o estabelecimento da banda de variaçÑao inflacionária, quem as estourou foi o governo FHC e, com a escalada de preços que deixou, contaminou o primeiro ano de governo Lula.
De lá para cá, jamais se rompeu o teto das previsões. E você ppode reparar na ilustraçao que nao se elevou teto para que a perda de valor da moeda ficasse abaixo dele.
Idem, idem o tal do superavit primário, a economia que fazemos para pagar juros e tentar amortizar parte de nossa dívida pública.
gastos2Se é esse o seu fim, o tamanho do superávit necessário depende do volume e do custo (taxa de juros) desta dívida.  Sobre a comparação entre os juros do período do PSDB e os governos Lula-Dilma, nem é preciso falar. E do volume da dívida (em relação ao Produto interno Bruto, basta olhar o gráfico ao lado para ver que, com superávits imensos, crescia a dívida com Fernando Henrique, enquanto agora ela diminui.
O Brasil tem uma dívida pública lìquida (dívidas menos ativos financeiros) de 34%. Os EUA, 90%. Os países da Zona do Euro, idem.
Por último, o câmbio.
Você lembra do famoso um real = um dólar do início do Governo Fernando Henrique? Do início, não vamos falar do dólar acima de R$ 3 que ele deixou ao final…
Se corrigirmos o real pela inflação, aquele mesmo real valeria hoje R$ 4,75, enquanto aquele dólar, pela inflação americana, valeria hoje US$ 1,49. Ou seja, um dólar valeria R$ 3,17. Não é menos do que isso que está valendo, mesmo com a recente alta? É claro que essa taxa é hoje – como era naquele 1995 – ainda baixa para o equilíbrio comercial brasileiro.
Como se vê, ponto por ponto, onde está a história do “desmonte” do tripé econômico?
Mas você, caro leitor, escuta isso todo dia, repetido como um mantra.
Temos uma crosta intelectual que sufoca qualquer pensamento dissidente.
Começamos, até fora do campo conservador,  a nos pautar por estes indicadores, a pensar dentro desta caixa monetária e financeira.
E esquecemos que a finalidade da polìtica econômica é desenvolver o país, elevar a renda de seu povo, melhorando sua distribuição com impostos e “anti-impostos”, os programas de transferência de renda, dotando o país de infraestrutura, de serviços públicos de qualidade.
Quando o raciocínio dos homens públicos segue a lógica do capital, é ao capital que ele beneficia.
Ninguém, por obvio, está sugerindo “chutar baldes” em matéria de expansão monetária, de austeridade fiscal, de sobressaltos em matéria cambial.
Mas o tripé verdadeiramente capaz de desenvolver o país é outro: investimento, produção e consumo.
Por: Fernando Brito

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Volta do PSDB ao poder poderia gerar convulsão social no país



EduGuim

Se o bombardeio midiático de saturação contra o governo Dilma obtiver êxito e conseguir eleger um tucano como presidente no ano que vem, pode-se prever grandes mudanças na política econômica do país. Mudanças que podem ser desastrosas.
A similaridade entre o discurso do pré-candidato tucano Aécio Neves e o dos analistas e editorialistas da grande imprensa já permite ver algumas mudanças práticas que sobreviriam.
Em primeiro lugar, Aécio já encampou a pregação dos jornais e revistas semanais sobre o estímulo à economia via gastos públicos.
Em recente propaganda partidária do PSDB, o pré-candidato tucano defendeu controle de gastos públicos para conter a inflação. Esse discurso é exatamente o mesmo que o dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, além de revistas como Veja e Época.
Veja, abaixo, vídeo contendo recente propaganda partidária do PSDB em que Aécio acusa o governo de “gastar mais do que arrecada” e que isso precisa mudar para diminuir a inflação. Em seguida, leia trecho de editorial da Folha que diz exatamente o mesmo.
—–
Propaganda partidária do PSDB
22 de maio de 2013



FOLHA DE SÃO PAULO
Editorial
Um plano Dilma
2 de junho de 2013
“(…) O governo deve renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos enquanto o BC se dedica à missão contrária de desincentivar crédito e consumo, necessária para debelar a inflação (…)”
—–
Como se vê, ambos dizem a mesma coisa. No vídeo, Aécio diz, textualmente, que “Hoje, o governo federal gasta mais do que arrecada” e que, por isso, “A conta não fecha”, referindo-se à causa da inflação.
O gráfico abaixo mostra que o PSDB não tem como dar lições nesse assunto. A relação dívida-PIB que ilustra está desatualizada porque o estudo é de 2010 e, assim, os resultados daquele ano, de 2011, 2012 e 2013 estão desatualizados. Contudo, mostra a situação concreta entre 1984 e 2009.
Como se vê, a relação entre o Produto Interno Bruto e a dívida líquida do setor público começou a piorar entre 1995 e 2002, último ano do governo do PSDB, quando chegou a 60% do PIB. Depois, veio caindo. Em abril deste ano, estava em pouco mais de 35%.
Esse é um dos indicadores mais eloquentes sobre o Estado de uma economia. Sim, a dívida veio crescendo nos últimos meses, mas, ainda assim, não há uma situação explosiva como a da era tucana.
Todavia, seria possível o governo melhorar ainda mais esse número se seguisse o conselho da mídia e do PSDB sobre “renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos”.
Mas há um probleminha nessa política. Antes de explicar qual é, analisemos o patamar atual da economia brasileira em relação ao de 2002, último ano do governo FHC.
Em 2012, o PIB brasileiro foi de 2,5 trilhões de dólares; em 2002, foi de 450 bilhões. Ou seja: em dólares, a economia brasileira é hoje CINCO VEZES maior do que a de uma década atrás.
Nos últimos dez anos, portanto, houve uma revolução na economia brasileira que nos deu condições de usar o investimento do Estado para promover o crescimento.
Além disso, a política brasileira é bem sensata e produto de uma decisão do governo que se sustenta em um fato real: gastamos porque podemos.
Em abril, o governo divulgou que pode haver relaxamento da meta de superávit em 2013 e 2014. Superávit primário, para quem não sabe, é a diferença entre receitas e despesas do governo, excluído o valor dos juros da dívida pública, que, hoje, é muito menor em relação ao tamanho da economia.
O Brasil não tem como incluir os juros nessa conta, mas o indicador que define o Estado da economia não é o tamanho da dívida pública e sim a sua relação com o PIB, ou seja, quanto o governo deve em comparação com a riqueza que produz anualmente.
Ora, Lula chegou ao poder com uma dívida pública líquida que representava 60% do PIB e, hoje, com Dilma, esse percentual está em 35%.
Podemos – e devemos –, portanto, usar essa situação inédita na economia brasileira para fugir de uma política que teria como contrapartida um verdadeiro desastre social no país.
O desemprego só está baixo, hoje, porque o Estado lidera os investimentos no país com programas sociais (como o Bolsa Família) e de infraestrutura (como o PAC). Uma redução consistente nesses gastos, visando aumentar o superávit primário, teria como consequência o aumento do desemprego e a redução da renda e dos salários.
Aécio e a mídia ligada ao PSDB afirmam que essa política reduziria a inflação e aceleraria o crescimento.
Quanto à inflação, o arrocho salarial e o desemprego poderiam, sim, reduzi-la um pouco, mas de que adiantam preços mais baixos se o povo estiver desempregado e quem tiver emprego estiver ganhando muito menos?
Hoje, a população não sente a crise econômica que está gerando convulsão social em grande parte dos países ricos, sobretudo na Europa. A política que a mídia prega e que o PSDB deixa ver que pode adotar, no entanto, importaria essa convulsão para o Brasil.
A você que acredita no que dizem a mídia tucana e o partido que ela quer reconduzir ao poder, portanto, tenha em mente que, se o PSDB voltar ao poder, é certo que haverá mais desemprego e salários menores. E que você pode ser atingido por essa situação.

domingo, 6 de janeiro de 2013

ATAQUE EM MASSA A MANTEGA PARECE SER ORGANIZADO



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De repente, todos os jornais e colunistas passaram a bombardear a política econômica do governo Dilma; tema está nas manchetes de hoje do Globo e da Folha; Estadão usa editorial para atacar herança maldita; Merval Pereira e outros jornalistas de renome também apontam canhões contra a política fiscal; é essa a agenda pós-mensalão dos grandes meios de comunicação?


247 - Coincidência, falta de criatividade ou, simplesmente, ataque organizado? De repente, todos aqueles que repetiam o mesmo bordão até recentemente – mensalão, mensalão, mensalão – agora só falam de economia. Dois dos principais jornais do País, o Globo e a Folha, hoje estampam em suas manchetes críticas pesadas à política econômica do governo Dilma. O Globo trata de uma "maquiagem" de R$ 200 bilhões, que teria garantido o cumprimento das metas fiscais do governo e a Folha aborda a criação de novas empresas estatais.
No espaço dedicado à opinião, o editorial aponta a "herança maldita" deixada por Lula (que Dilma não estaria consertando) e Miriam Leitão parte para as caneladas contra Guido Mantega, falando em "bagunça" na economia e "estelionato fiscal". Na mesma toada, até Merval Pereira ataca na economia, falando das maquiagens fiscais. Leia abaixo:
O GLOBO - 06/01
As manobras contábeis feitas pelo governo brasileiro no fim do ano para tentar tapar o buraco que havia na formação do superávit primário, que serve para amortizar a dívida pública, envolvem os mesmos princípios de manipulação fiscal que vêm sendo adotados pelo Ministério da Fazenda desde a crise econômica internacional que teve início em 2007/2008. Mais uma vez o governo utilizou-se de bancos oficiais – Caixa Econômica Federal e BNDES – para, com a antecipação de dividendos ao Tesouro, cobrir parte do superávit que deveria ter sido poupado.
Apesar de só no mês de dezembro os dois bancos terem antecipado R$ 7 bilhões aos cofres do governo, o buraco continuava aberto e foi preciso utilizar pela primeira vez o Fundo Soberano, que transferiu para o tesouro mais R$ 12,4 bilhões. Na verdade, o governo não poupou esse dinheiro, apenas fez parecer contabilmente que o fizera, demonstrando que não está em condições de reduzir os gastos públicos.
O economista José Roberto R. Afonso, em artigo recente publicado na revista da Universidade Federal Fluminense (UFF) com base na sua tese de doutorado na UNICAMP, intitulado convenientemente “As intrincadas relações entre a política fiscal e creditícia no Brasil pós-2008”, demonstra como o BNDES e outros bancos públicos já vêm sendo utilizados em manobras fiscais para estimular a economia brasileira sem deixar registrado o aumento da dívida pública.
“A política fiscal brasileira em resposta à crise mundial foi tímida nos estímulos tradicionais, comparada à do resto do mundo, mas inovou ao conceder volumosos e crescentes empréstimos aos bancos públicos à custa da emissão de títulos governamentais”, explica Afonso, analisando “a forma peculiar” como passaram a interagir as políticas fiscal e creditícia no País, gerando “governo com um patamar alto de dívida (bruta) e uma carteira de crédito superior a dos maiores bancos do país, empresas cada vez mais líquidas e menos endividadas, e a taxa de investimento nacional que segue reduzida”.
Segundo o economista, ao contrário da grande maioria dos outros países, o Brasil não criou um novo programa de investimentos fixos governamentais a partir da crise de 2008, “apesar de ostentar das mais baixas taxas no mundo”. Nem mesmo reformas estruturais foram realizadas, mais uma vez destoando da tendência mundial recente de reestruturação dos sistemas tributários até os sociais, cujo caso mais emblemático é o da reforma da saúde pública nos Estados Unidos.
Esta atitude, ressalta o economista, contraria uma tradição nacional, pois o País enfrentou muitas crises no passado recente sempre promovendo mudanças estruturais, como foi o caso da desestatização no governo Fernando Henrique até um novo regime monetário e fiscal na segunda metade dos anos 90 do século passado. Em lugar de instrumentos fiscais tradicionais, pouco acionados na resposta do governo à crise mundial no Brasil, “outros menos conhecidos e analisados foram cruciais para a expansão do crédito que puxou a saída da recessão e moldou o crescimento posterior na economia brasileira”.
O mais importante foi a concessão de empréstimos pelo Tesouro a bancos públicos, custeados pela emissão de títulos governamentais. Segundo José Roberto Afonso, o crédito foi tão importante para a economia brasileira para sair da crise que se pode dizer que “o famoso tripé de política econômica (câmbio flutuante, metas de inflação e austeridade fiscal) virou um quatrilho (acrescido da expansão creditícia). Como no filme homônimo, tais pilares se misturam e interagem de forma intensa e permanente: um influencia o outro, mas, ao mesmo tempo, é pelos outros influenciado”.
Muito da retomada do crédito no país depois da crise foi liderada pelos bancos públicos, mas, para tanto, eles precisaram captar recursos excepcionalmente junto ao Tesouro Nacional, que, por sua vez, o fez à custa de expandir a dívida pública. Para o economista, o nível da dívida pública brasileira “é alto, muito acima da média dos países emergentes nos padrões internacionais, que contam a dívida bruta”.
Se esse quatrilho da política macroeconômica rendeu inegáveis resultados no curto prazo, por meio da sustentação e depois da forte expansão do consumo, e logrou sucesso em transformar recessão em crescimento acelerado, José Roberto Afonso destaca que ele “deixou, no entanto, novas armadilhas sem resolver antigos desafios como a baixa taxa de investimento, da economia e particularmente dos governos, e o elevado nível de endividamento público, no conceito internacional”.
Será que por trás desse ataque organizado à política econômica existe um "mastermind"? Há um comando na tentativa de derrubada do ministro Guido Mantega, que começou com a reportagem na revista The Economist? Segundo texto do boletim Relatório Reservado, o Palácio do Planalto teria identificado no Itaú Unibanco a origem do ataque especulativo. O banco negou. Mas que o ataque parece organizado, parece.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SERRA SABOTA ATÉ O PRÓPRIO PASSADO


*Serra diz que Haddad foi um desastre no MEC** vamos lá: em 1997, no governo FHC, apenas 1,8% dos jovens autodeclarados pretos  frequentavam ou já haviam concluído o ensino superior; em 2011 essa proporção saltou para 8,8%; no caso dos pardos, a relação passou de 2,2% para 11%**somado, o salto foi de 4% para 20% (Censo da Educação Superior-2011)  


SERRA PREVÊ ATENTADO, DESTA VEZ COM ARMA QUÍMICA.
Por Cloaca News 


A 12 dias das urnas do 2º turno, e somente depois de escancarada a omissão, José Serra lançou seu programa de governo. O evento entre amigos, em uma livraria em SP,  foi quase um programa de lazer tucano, uma encenação política filmada para tapar o buraco mais corrosivo de uma propaganda eleitoral: a credibilidade. Não há rigor técnico algum na rudimentar listagem tardia de propostas mal-ajambradas. O que é feito para não valer pode elidir metas, omitir cronogramas e abstrair custos.Em meio ao contravapor das pesquisas, o tucano enfrenta um desgaste de fundo. Quanto mais se expõe, mais se configura uma trajetória em que as dissimulações caem, como as cascas de uma cebola. Uma a uma elas tombaram:a casca progressista, a desenvolvimentista, a do administrador, a liberal (desta emergiu Silas Malafaia). O  acúmulo consolida a imagem de um político que sabota o próprio passado na busca pelo poder. 




O histórico das políticas de assistência

Em resposta ao André:
Sobre o debate entre o social e o econômico, há um equívoco nos períodos e mesmo nos moldes das políticas de assistência aos pobres. A primeira versão da lei dos pobres, o aparato legal que ainda hoje é o instrumento de regulação da assistência aos ingleses pobres, é de 1592. A teoria malthusiana da população, marco da demografia e escrita no começo do século XIX, já tratava do conflito entre o social e o econômico porque fundamentava as demandas dos "pagadores de impostos" contra os elevados custos tributários e os impactos negativos da assistência aos pobres sobre a oferta de trabalho. Ao longo desses séculos, todas as políticas direcionadas aos pobres passaram por revisões: a lei dos pobres passou por três mudanças; novos moldes de políticas de assistência surgiram após os conflitos mundiais (principalmente a idéia de seguridade); a emergência liberal do fim dos anos setenta também fez transformar grande parte das políticas vigentes. Nesse sentido, duvido muito das semelhanças entre as políticas do "New Deal" e o programa Bolsa Família ou às iniciativas semelhantes existentes no Chile e no México, por exemplo.
Quanto à questão educacional, concordo com o André porque é um fato: as políticas de educação em nível fundamental foram deixadas em segundo plano pelo governo Lula. Além da descrença dos pedagogos, existem outros dados que referendam essa questão como, por exemplo, a escassez de equipamentos e dependências (bibliotecas, laboratórios etc.) nas escolas, o baixo salário dos professores, a jornada escolar reduzida etc. Contudo, a melhora dos serviços públicos em geral pode ocorrer de forma articulada ao Bolsa Família, demanda recorrente na literatura acadêmica sobre o tema.
Quanto ao termo "economia falida" para retratar países com elevado estoque de riqueza patrimonial de fato é forte, mas não é "pedestre" retratar a situação socioeconômica norte americana, por exemplo, através de termos similares. Não custa lembrar que a natureza das privações naquela sociedade, onde o acesso a serviços básicos é vinculado à condição de ocupação das pessoas (se é ocupado, tem saúde, educação etc.), é muito mais severa que em países que dispõem de políticas universais. Portanto, um ponto percentual de desemprego na Europa ou nos EUA tem impacto completamente diferente sobre as sociedades. 
Quanto a burocracia de nossas autarquias públicas, não custa lembrar que é uma tradição de nossos "policy makers". Em outras palavras, não há nada mais constante no cenário econômico brasileiro que os custos com burocracia. É tão constante que seria uma completa idiotice não incorporar durante o planejamento do investimento esse dado aos custos prospectivos. Aliás, não existem estudos que comprovem essa hipótese de que a burocracia é um inibidor do investimento e, portanto, do emprego. Tudo o que circunda esse assunto são conjecturas disfarçadas de estudos sérios bancados por empresários. Seria algo como um estudo financiado pela indústria do tabaco dizer que a nicotina faz bem à saúde.



sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Manifesto for Economic Sense (Um Manifesto para o Sentido Econômico)-Paul Krugman


More than four years after the financial crisis began, the world’s major advanced economies remain deeply depressed, in a scene all too reminiscent of the 1930s. And the reason is simple: we are relying on the same ideas that governed policy in the 1930s. These ideas, long since disproved, involve profound errors both about the causes of the crisis, its nature, and the appropriate response.
These errors have taken deep root in public consciousness and provide the public support for the excessive austerity of current fiscal policies in many countries. So the time is ripe for a Manifesto in which mainstream economists offer the public a more evidence-based analysis of our problems.
■The causes. Many policy makers insist that the crisis was caused by irresponsible public borrowing. With very few exceptions - other than Greece - this is false. Instead, the conditions for crisis were created by excessive private sector borrowing and lending, including by over-leveraged banks. The collapse of this bubble led to massive falls in output and thus in tax revenue. So the large government deficits we see today are a consequence of the crisis, not its cause.
■The nature of the crisis. When real estate bubbles on both sides of the Atlantic burst, many parts of the private sector slashed spending in an attempt to pay down past debts. This was a rational response on the part of individuals, but - just like the similar response of debtors in the 1930s - it has proved collectively self-defeating, because one person’s spending is another person’s income. The result of the spending collapse has been an economic depression that has worsened the public debt.
■The appropriate response. At a time when the private sector is engaged in a collective effort to spend less, public policy should act as a stabilizing force, attempting to sustain spending. At the very least we should not be making things worse by big cuts in government spending or big increases in tax rates on ordinary people. Unfortunately, that’s exactly what many governments are now doing.
■The big mistake. After responding well in the first, acute phase of the economic crisis, conventional policy wisdom took a wrong turn - focusing on government deficits, which are mainly the result of a crisis-induced plunge in revenue, and arguing that the public sector should attempt to reduce its debts in tandem with the private sector. As a result, instead of playing a stabilizing role, fiscal policy has ended up reinforcing the dampening effects of private-sector spending cuts.
In the face of a less severe shock, monetary policy could take up the slack. But with interest rates close to zero, monetary policy - while it should do all it can - cannot do the whole job. There must of course be a medium-term plan for reducing the government deficit. But if this is too front-loaded it can easily be self-defeating by aborting the recovery. A key priority now is to reduce unemployment, before it becomes endemic, making recovery and future deficit reduction even more difficult.
How do those who support present policies answer the argument we have just made? They use two quite different arguments in support of their case.
The confidence argument. Their first argument is that government deficits will raise interest rates and thus prevent recovery. By contrast, they argue, austerity will increase confidence and thus encourage recovery.
But there is no evidence at all in favour of this argument. First, despite exceptionally high deficits, interest rates today are unprecedentedly low in all major countries where there is a normally functioning central bank. This is true even in Japan where the government debt now exceeds 200% of annual GDP; and past downgrades by the rating agencies here have had no effect on Japanese interest rates. Interest rates are only high in some Euro countries, because the ECB is not allowed to act as lender of last resort to the government. Elsewhere the central bank can always, if needed, fund the deficit, leaving the bond market unaffected.
Moreover past experience includes no relevant case where budget cuts have actually generated increased economic activity. The IMF has studied 173 cases of budget cuts in individual countries and found that the consistent result is economic contraction. In the handful of cases in which fiscal consolidation was followed by growth, the main channels were a currency depreciation against a strong world market, not a current possibility. The lesson of the IMF’s study is clear - budget cuts retard recovery. And that is what is happening now - the countries with the biggest budget cuts have experienced the biggest falls in output.
For the truth is, as we can now see, that budget cuts do not inspire business confidence. Companies will only invest when they can foresee enough customers with enough income to spend. Austerity discourages investment.
So there is massive evidence against the confidence argument; all the alleged evidence in favor of the doctrine has evaporated on closer examination.
The structural argument. A second argument against expanding demand is that output is in fact constrained on the supply side - by structural imbalances. If this theory were right, however, at least some parts of our economies ought to be at full stretch, and so should some occupations. But in most countries that is just not the case. Every major sector of our economies is struggling, and every occupation has higher unemployment than usual. So the problem must be a general lack of spending and demand.
In the 1930s the same structural argument was used against proactive spending policies in the U.S. But as spending rose between 1940 and 1942, output rose by 20%. So the problem in the 1930s, as now, was a shortage of demand not of supply.
As a result of their mistaken ideas, many Western policy-makers are inflicting massive suffering on their peoples. But the ideas they espouse about how to handle recessions were rejected by nearly all economists after the disasters of the 1930s, and for the following forty years or so the West enjoyed an unparalleled period of economic stability and low unemployment. It is tragic that in recent years the old ideas have again taken root. But we can no longer accept a situation where mistaken fears of higher interest rates weigh more highly with policy-makers than the horrors of mass unemployment.
Better policies will differ between countries and need detailed debate. But they must be based on a correct analysis of the problem. We therefore urge all economists and others who agree with the broad thrust of this Manifesto to register their agreement at http://www.manifestoforeconomicsense.org/, and to publically argue the case for a sounder approach. The whole world suffers when men and women are silent about what they know is wrong.

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Mais de quatro anos após a crise financeira começou, os grandes economias avançadas permanecem profundamente deprimido, em uma cena muito reminiscente dos anos 1930. E a razão é simples: estamos contando com as mesmas idéias que nortearam a política na década de 1930. Essas idéias, há muito refutada, envolvem erros profundas tanto sobre as causas da crise, sua natureza, ea resposta apropriada.
Esses erros têm raízes profundas na consciência do público e fornecer o apoio público para a austeridade excessiva das actuais políticas fiscais em muitos países. Assim, o momento é propício para um manifesto em que economistas oferecem a análise a um público mais baseada na evidência dos nossos problemas.
■ As causas. Muitos formuladores de políticas insistem que a crise foi causada por endividamento público irresponsável. Com poucas exceções - que não a Grécia - isto é falso. Em vez disso, as condições para a crise foram criados por empréstimos ao setor privado e excessiva concessão de empréstimos, inclusive por bancos super-alavancados. O colapso da bolha levou a quedas na produção em massa e, portanto, das receitas fiscais. Assim, os grandes déficits governamentais que vemos hoje são uma consequência da crise, e não sua causa.■ A natureza da crise. Quando bolhas imobiliárias em ambos os lados do Atlântico explosão, muitas partes do setor privado cortou gastos na tentativa de pagar as dívidas passadas. Esta foi uma resposta racional por parte de indivíduos, mas - assim como a resposta similar de devedores na década de 1930 - revelou-se colectivamente auto-destrutivo, porque os gastos de uma pessoa é a renda de outra pessoa. O resultado do colapso gastos tem sido uma depressão econômica que se agravou a dívida pública.■ A resposta apropriada. Numa altura em que o setor privado está envolvido em um esforço coletivo para gastar menos, a política pública deve agir como uma força estabilizadora, na tentativa de sustentar os gastos. Pelo menos não deveríamos estar fazendo as coisas piores por grandes cortes nos gastos do governo ou grandes aumentos nas taxas de imposto sobre as pessoas comuns. Infelizmente, é exatamente isso que muitos governos estão fazendo agora.■ O grande erro. Depois de responder bem na primeira fase, aguda da crise econômica, a sabedoria política convencional tomou um rumo errado - com foco em défices orçamentais, que são principalmente o resultado de uma queda induzida pela crise na receita, e argumentando que o setor público deve tentar reduzir suas dívidas em conjunto com o setor privado. Como resultado, em vez de jogar um papel estabilizador, a política fiscal acabou por reforçar os efeitos nocivos dos cortes de gastos do setor privado.Em face de um choque menos grave, a política monetária poderia pegar a folga. Mas com taxas de juros próximas a política, zero monetária - embora deva fazer todo o possível - não pode fazer o trabalho todo. Não deve ser, obviamente, um plano de médio prazo para reduzir o défice orçamental. Mas se isso é muito front-loaded que pode facilmente ser auto-destrutivo por abortar a recuperação. A prioridade agora é para reduzir o desemprego, antes que se torne endêmica, tornando a recuperação e futura redução do défice ainda mais difícil.
Como é que aqueles que apoiam as políticas actuais responder o argumento de que acabamos de fazer? Eles usam dois argumentos bastante diferentes em apoio do seu caso.
O argumento de confiança. Seu primeiro argumento é que os déficits do governo vai elevar as taxas de juros e, assim, impedir a recuperação. Por outro lado, eles argumentam, a austeridade vai aumentar a confiança e, assim, incentivar a recuperação.
Mas não há nenhuma evidência em favor deste argumento. Primeiro, apesar de déficits excepcionalmente elevados, as taxas de juros hoje são sem precedentes baixa em todos os principais países onde existe um banco funcionando normalmente central. Isto é verdadeiro mesmo no Japão, onde a dívida pública já ultrapassa 200% do PIB anual, e rebaixamentos passado pelas agências de classificação aqui não tiveram efeito sobre as taxas de juros japonesas. As taxas de juros só são elevados em alguns países do euro, porque o BCE não está autorizada a atuar como emprestador de última instância para o governo. Em outros lugares o banco central pode sempre, se necessário, financiar o déficit, deixando o mercado de títulos inalterados.
Além disso a experiência passada não inclui qualquer caso relevante onde os cortes orçamentários na verdade, gerado o aumento da atividade econômica. O FMI estudou 173 casos de cortes orçamentários em países individuais e descobriu que o resultado é consistente contração econômica. No punhado de casos em que a consolidação orçamental foi seguido de crescimento, os principais canais eram uma depreciação da moeda contra um mercado mundial forte, não uma possibilidade atual. A lição do estudo do FMI é claro - o orçamento de recuperação retardar cortes. E é isso que está acontecendo agora - os países com os maiores cortes orçamentais sofreram as maiores quedas na produção.
Pois a verdade é, como podemos ver agora, que os cortes orçamentários não inspiram confiança nos negócios. As empresas só investem quando eles podem prever bastante clientes com renda suficiente para gastar. Austeridade desencoraja o investimento.
Portanto, não há evidência maciça contra o argumento de confiança, todas as provas do alegado em favor da doutrina tenha evaporado em um exame mais detalhado.
O argumento estrutural. Um segundo argumento contra a expansão da demanda é que a produção é de fato limitada do lado da oferta - por desequilíbrios estruturais. Se essa teoria estava certa, no entanto, pelo menos algumas partes de nossas economias deveriam estar em pleno troço, e assim que algumas ocupações. Mas na maioria dos países que não é apenas o caso. Cada setor maior de nossas economias está lutando, e cada ocupação tem maior desemprego do que o habitual. Portanto, o problema deve ser uma falta geral de gastos e da demanda.
Na década de 1930 o mesmo argumento foi usado estrutural contra as políticas pró-ativas em gastos os EUA Mas como a despesa aumentou entre 1940 e 1942, a produção cresceu em 20%. Portanto, o problema na década de 1930, como agora, havia uma escassez de demanda não da oferta.
Como resultado de suas idéias equivocadas, muitos ocidentais os decisores políticos estão infligindo sofrimento em massa a seus povos. Mas as idéias que eles defendem sobre como lidar com recessões foram rejeitados por quase todos os economistas depois dos desastres de 1930, e para os seguintes quarenta anos mais ou menos o Ocidente desfrutado de um período sem precedentes de estabilidade econômica e baixo desemprego. É trágico que nos últimos anos, as velhas idéias, mais uma vez se enraizou. Mas não podemos mais aceitar uma situação onde os medos equivocados das taxas de juro mais elevadas pesar mais fortemente com os decisores políticos do que os horrores do desemprego em massa.
Melhores políticas diferem entre países e precisam de debate aprofundado. Mas eles devem se basear em uma análise correta do problema. Por isso, apelamos todos os economistas e outros que concordam com a orientação geral deste Manifesto para registrar o seu acordo em www.manifestoforeconomicsense.org, e para discutir o caso publicamente para uma abordagem mais sólida. O mundo inteiro sofre quando homens e mulheres são silenciosas sobre o que eles sabem que é errado.