Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Memórias argentinas para a crise europeia

 
O ex-ministro da Economia argentino Roberto Lavagna deu, esta semana, uma entrevista extremamente lúcida ao jornal Valor Econômico, onde traça paralelos entre atual crise das dívidas dos países da União Europeia e aquela que, no início da década passada levou a Argentina ao caos financeiro e à moratória unilateral de seus títulos públicos.
Naquela época, foi seguido ali o receituário clássico do neoliberalismo – na ocasião, ainda um dogma inquestionável – e respondeu-se à crise com pacotes recessivos assemelhados aos que agora se impõem à Grécia, à Itália, a Portugal e Espanha. O FMI aportou recursos para socorrer as necessidades de rolagem da dívida argentina e, em troca, exigiu cortes e mais cortes nos gastos públicos.
E estes foram feitos com um rigor muito poucas vezes visto. Os salários do funcionalismo e as aposentadorias não apenas foram contidos: foram reduzidos nominalmente. O desemprego chegou aos níveis da Espanha de hoje: 21,5%. O déficit público não foi contido, foi proibido por lei.
Enfim, o remédio tinha a forma do que se propõe hoje, e a dose argentina, administrada pelo “intocável” ministro Domingos Caballo – um santo do altar neoliberal ao Sul do Equador – foi, sem trocadilho, cavalar.
Durante dois anos, de dezembro de 1999 a dezembro de 2001, foi aplicado sem contestação. O resultado foi que o país perdeu 60% de suas parcas reservas internacionais, aumentou em 50% sua dívida pública e multiplicou por dez o risco que lhe era atribuído no mercado de títulos públicos internacional.
Até que, com a corrida aos bancos e a limitação dos saques bancários, tudo explodiu. Os protestos viraram distúrbios de rua, com mortes e comoção nacional. O presidente Fernando De la Rúa chegou a ter de fugir de helicóptero da Casa Rosada, sede do governo.
O final desta história, todos sabem, só ocorreu quando o novo presidente, Nestor Kirchner, que já encontrou o país em moratória, praticou a suprema “heresia” de reduzir, unilateramente, o valor destas dívidas – e dos compromissos gerados por ela. Mesmo diante do caos evidente e da necessidade de salvar o país do aniquilamento, a medida de Kirchner enfrentou anos de contestação nos tribunais dos grandes centros financeiros mundiais.
A lição que o operador da recuperação da economia argentina – que depois se tornaria adversário de Nestor Kirchner – deixa, na entrevista, é muito clara: não há possibilidade de sair de uma crise econômica num quadro de alto endividamento e baixo crescimento com pacotes recessivos quando não se pode alterar o valor da moeda nacional, presa a uma conversibilidade automática.
É exatamente aí que reside o problema europeu.
A União Europeia, se tiver de ser resumida em uma palavra, chama-se Euro, a sua moeda.
Não é possível, quando se tem a moeda a circular livremente, como o sangue num imenso organismo, esperar que um de seus membros – e já não estamos falando de um “dedo-mindinho” como a Islândia – possa ser arrochado com um torniquete sem que isso coloque em risco todo o corpo. A moeda continental vai continuar circulando e trazendo com ela a contaminação da gangrena que se queria manter contida.
A recusa do mercado financeiro à compra de títulos do governo alemão, ontem – só um terço da emissão foi comprado, por considerarem baixos os juros de 2% oferecidos. É evidente que, com uma moeda única, os países de economias maiores – França, Itália e Espanha – que oferecem prêmios maiores por suas obrigações são mais atraentes. De um lado, a moeda única elimina o risco cambial; de outro, não podem quebrar sem levar junto toda a Europa. E, querendo ou não, a Alemanha terá de evitá-lo.
A resistência alemã em “socializar” a crise europeia através da emissão de títulos comuns aos países da zona do Euro é compreensível, dado o aparente “bom estado” das finanças germânicas, em grande parte construído com a expansão alemã sobre as demais economias.
Mas cobra um peso político grave, e muito grave, porque a memória histórica do expansionismo alemão é um trauma que, embora todos os julgassem superado, ainda está vivo e bem vivo no continente.
Por: Fernando Brito

quinta-feira, 21 de julho de 2011

PSDB e FHC. Sempre foram o que são

Em fevereiro de 1989, Fernando Henrique Cardoso era Senador.
Sarney, o presidente.
Os Planos Cruzado I, Cruzado II, Bresser e Verão não tinham conseguido resolver o problema da inflação.
Dois anos antes, o Ministro Funaro tinha decretado a moratória da divida externa, porque o Brasil não tinha um centavo de dólar em caixa.
A campanha presidencial estava nas ruas, e o Dr. Roberto Marinho ainda não sabia se apoiava Mario Covas, Orestes Quércia ou Guilherme Afif Domingues (iluminadamente assessorado por Paulo Guedes, hoje "colonista" do Globo).
Qualquer um, desde que não fossem o Lula ou o Brizola.
A Veja e a Globo ainda não tinham feito de Collor o Salvador da Pátria, “O caçador de marajás”.
Por aí se vê que a situação era confusa.
Tão confusa que, mais tarde, o Fernando Henrique só não foi Chanceler do Collor porque o Covas não deixou.
Em fevereiro de 1989, este ansioso blogueiro era editor de Economia na Rede Globo e tinha a mania de guardar papel.
E o Senador lhe enviou o programa “Os desafios do Brasil e do PSDB, documento elaborado pela Comissão Diretora Nacional Provisória para discussão nas bases partidárias”.
O bilhete anexo dizia:
Paulo Henrique,
Receba aí o parto da montanha. Deu trabalho alinhavar. O difícil, como você sabe, não é fazer programas (somos nisso especialistas). O difícil é ter votos … Mas teremos. Um abraço Fernando Henrique
Cinco anos depois, ele teve os votos e se elegeu Presidente.
O documento tem pontos interessantes.
Defende o parlamentarismo.
Os tucanos e o Cerra principalmente defendem o parlamentarismo sempre que estão FORA do poder.
(O documento não defende o “voto distrital”, um dos pontos cardeais dos tucanos de hoje – clique aqui para ler o que diz Henrique Fontana, relator o projeto de reforma política e defensor do voto proporcional misto.)
O documento joga pesado na “dívida externa” – o PSDB vai pagar a dívida sem inviabilizar o desenvolvimento do país.
E, se preciso for, tomará medidas unilaterais para proteger o país.
Seria uma nova moratória?
Ou o PSDB jogava para a plateia?
Não foi o que fez o Presidente Fernando Henrique, que, por três vezes, bateu às portas do FMI.
No capítulo “resgate da dívida social”, não há qualquer menção ou defesa de um programa sequer parecido com Bolsa Escola ou Bolsa Família, sobre os quais os tucanos invocam a paternidade.
Ao contrário.
O documento critíca os “populistas” (clique aqui para ler sobre “populismo” e Jango em “Ferreira revisita Jango e Gaspari leva um tiro no peito”).
Não aceita qualquer tipo de “compensação social”, mas “justiça social”, que “requer discernimento, continuidade, investimentos, progresso técnico e, obviamente, fortes pressões redistributivas”.
Ou seja, trololó.
Ainda na “política de redistribuição de rendas”, o documento avisa que “o sistema tributário será progressivo”.
Não foi.
O Governo do PSDB não aumentou o imposto dos ricos ou diminuiu o dos pobres.
Foi, aí, outra peripécia dirigida à plateia.
E a privatização.
A privatização sempre foi centro do programa, a sua razão de ser.
Onde for correto privatizar, o PSDB privatizará.
O critério fundamental para essas decisões há de ser a subordinação ao interesse nacional e desse ao interesse popular”.
E, nessa linha de obediente subordinação, ele e o Cerra venderam a Light e seus bueiros com um sorriso nos lábios.
A Vale – está neste vídeo histórico.
A telefonia ao passador de bola, com aquela advertência inesquecível – “se isso der m… “.
Quase venderam o Banco do Brasil e a Caixa (como atesta esse documento do Ministério da Fazenda de seu Governo).
Abriram uma brecha na política de exploração de petróleo e começaram a desmanchar a Petrobras, para transformá-la na Petrobrax.
É o que fariam os tucanos, com a ajuda da Chevron – veja a prova no documento do WikiLeaks que trata da conversa com a Chevron, em plena campanha presidencial –, tivesse o Padim Pade Cerra sido eleito em 2002 ou em 2010.
Amigo navegante, que sorte a da Dilma, hein?
Pelo jeito, este é o mesmo PSDB que vai para a eleição de 2014.
Com o programa de fevereiro de 1889.
Desculpe, revisor: 1989.
Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

The Economist adere ao comunismo e propõe o calote da dívida externa


Caloteiros
Todos nós estranhamos quando a outrora respeitável publicação inglesa trouxe uma capa mentirosa elogiando o desgoverno Lula. E agora, fica claro que aquele magazine degenerou-se para as raias do marxismo satânico passando a espargir ideias socialistas retrógradas e falidas. Vejam só, amados leitores fiéis, a falta que faz para um órgão de imprensa profissionais qualificados do gabarito de uma Míriam Leitão, Carlos Sardenberg, Arnaldo Jabour, Boris Casoy, William Waack, dentre outros. Não conseguem manter a linha da decência e da dignidade capitalista e descambam para o comunismo. Agora deram para pregarem o calote e a moratória, como se fossem membros da direção do Partido dos Trabalhadores, ou partícipes dos Círculos Bolivarianos Chavistas, ou maridos da presidenta argentina.
Capa mentirosa
Capa mentirosa que não resisitiu a meia edição do Jornal Nacional
Será que eles não leem a Veja, nunca ouviram as analises da Lúcia Hipolitro ou os comentários do Sardenberg na CBN? Que tipo de jornalistas eles são? Só podem estar tomados pelo bolchevismo ateu, não há outra explicação. Adam Smith deve estar se revirando no túmulo com tamanha imbecilidade. É por isso que este semanário estrangeiro não tem e nunca terá a mesma credibilidade que tem a imprensa livre do Brasil não comprada pelo imprensalão petista.