Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Levy, a Merkel é o maior monstro da Europa​ Uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.



Amigo navegante sugeriu republicar essa traduçao de um artigo no Guardian inglês:


Merkel é o maiormonstro da Europa



Owen Jones, no The Guardian

Angela Merkel é a líder mais monstruosa da Europa Ocidental desta geração. Políticos que infligem  crueldade econômica em larga escala e destróem a vida de milhões de pessoas acabam não tendo que enfrentar a Justiça.

Mas, Merkel, sem dúvida, permanece sob julgamento e foi condenada no banco dos réus da História.

Sumos sacerdotes da austeridade da União Européia  evocam as palavras do inflamado discurso de Charlie Chaplin, no fim de “O Grande Ditador”: “Homens máquinas, com mentes máquinas e corações máquinas”.

Os gregos se rebelaram contra os homens e mulheres -máquina -  e estão clamando para que outros os sigam.

Aliviar a dívida da Grécia faz sentido econômica e moralmente

Merkel, os burocratas da União Européia e financistas internacionais são cruéis, mas não estúpidos: eles sabem que a esperança é um contágio, e farão tudo o que puderem para que o movimento Syriza pare de inspirar outros.

Merkel já exigiu que Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro grego, ignore o seu mandato democrático e apoie as medidas de austeridade impostas do exterior.

No período de preparação para a eleição, vazamentos de informação do governo alemão sugeriam  a saída da Grécia da Zona do Euro: uma mensagem clara para que o povo grego não votasse da maneira errada.

Para aqueles que querem que a Europa tenha um futuro que não seja o da queda do padrão de vida, aumento da insegurança e retirada da provisão social, é a política de Merkel e das elites podres que ela representa que deve se submeter a um ajuste de contas.

Considere a espetada que o ganhador do Premio Nobel, o economista Paul Krugman está dando na política que destruiu um quarto da economia grega.

Como observa Krugman, a troika – FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia – promoveram “uma fantasia econômica”, pela qual os gregos pagaram.

Eles projetaram que o desemprego atingiria o pico de 15% em 2012 e, em lugar disso, a projeção foi arremessada para mais de 25%.

Krugman despiu a mentira de que os gregos não se impuseram austeridade suficiente: os gregos, na verdade, cortaram ainda mais do que foi planejado e, como a economia entrou em colapso, também as receitas fiscais sofreram mais do que o planejado.

Os gregos têm que viver dentro de suas posses; eles estão sofrendo, agora, pelos  anos de libertinagem, ao contrário do austero Estado alemão – e assim segue o mantra.

A Grécia foi mais atingida pela fraude e a evasão fiscal do que a maioria das nações, e o Syriza promete uma repressão radical a ambos.

Porém, os mitos que sustentam a mal velada punição coletiva seriam destruídos.

Como um editorial da Bloomberg postou: “Cada devedor  irresponsável é legitimado por um banqueiro  irresponsável.”

A Alemanha mamou dinheiro em países como a Grécia e Espanha – essa é a “magia” dos mercados desregulados – e, dessa forma,  “emprestou mais do que os devedores  podiam pagar “.

Os bancos alemães e os políticos alemaes  deveriam saber que isso acabaria em desastre.

Então, por que não agiram? Simples: a ganância.

Como Kevin Drum, um analista norte-americano, explica: concederam “aos poupadores alemães um lugar para investir dinheiro” e “forneceram à periferia – Grecia, Espanha, Portugal … -   dinheiro barato o suficiente para construir um próspero mercado para as exportações alemãs”.

Quais foram os primeiros países da UE a desrespeitar os tetos do Orçamento ?

A Alemanha e França? Poderosas como eram, elas não enfrentaram qualquer represália.

Isso absolve as elites gregas – atenção, não o povo grego – de seu papel na calamidade ? Claro que não.

Mas, Merkel deveria estar pedindo perdão também.

Tudo o que os dirigentes europeus têm a oferecer são sociedades falidas e pessoas falidas.

Mais da metade dos jovens na Espanha e na Grécia estão sem trabalho, o que deixa marcas: além da angústia, eles enfrentam a possibilidade de desemprego e salários mais baixos pelo resto de suas vidas.

Direitos dos trabalhadores, serviços públicos, um Estado de Bem-Estar: o que foi conquistado com alto custo por pessoas fortes e de visão é agora destruido.

(…)

É por isso que a Grécia tem de ser defendida com urgência – não apenas para apoiar um governo democraticamente eleito e as pessoas que o colocaram lá. E

As elites europeias sabem que, se as exigências do Syriza forem cumpridas, então, outras forças de mesma opinião serão  encorajadas.

Na Espanha, o Podemos, um movimento anti-austeridade,  que está em alta, e deverá triunfar nas eleições deste ano.

O Syriza já conquistou mudanças: a limitada flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu  é, em parte, uma resposta à sua ascensão.

Mesmo o conhecido radical Reza Moghadam,  Vice-Presidente do banco Morgan Stanley para mercados de capitais globais, e ex-chefe do Departamento Europeu do FMI, considera que o Syriza tem uma forte posicao de negociaçao.

O precedente de uma saída da Zona do Euro levaria o mercado a punir outros membros e, em consequencia, provocaria outros pedidos de perdão da dívida da Grécia.

A vitória da Grécia é possível, mas depende de pressão popular por toda a Europa.

Se o Syriza vencer,  será uma vitória impressionante para todas as forças anti-austeridade, e ajudará a mexer no equilíbrio de poder na Europa.

Mas, se a Grécia perder, os governos e os bancos  tentarão sufocar o Syriza  logo no inicio do Governo.

Será o triunfo da austeridade sobre a Democracia.

O futuro de milhões de europeus – gregos, franceses, espanhóis e também britânicos – será desolador.

Por isso, é importante um movimento para defender a Grécia em ruínas.

A  Alemanha derrotada se beneficiou do alívio da dívida em 1953, e temos de exigir o mesmo  para a Grécia hoje.

Devemos apoiar o pedido do Syriza para encerrar uma política de austeridade que não produziu nada, a não ser a ruína social em toda a Europa.
Posters do Syriza proclamavam:

“A esperança está a caminho”.

(…)

É um jogo de apostas altas: a derrota significará mais incontáveis anos de pesadelo econômico.

Esta reprise da década de 1930 pode ser encerrada – desta vez, pela Esquerda democrática, ao invés da Direita fascista e genocida.

A era de Merkel e os homens-máquina pode estar no fim.

Cabe a todos nós agir, e agir rapido.



Leia também:

Os pobres que se lixem. Piketty e o ajuste do Levy


Levy, deputados apoiam imposto sobre fortunas




 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

VITÓRIA DE DILMA E MERKEL: OBAMA REVÊ ESPIONAGEM

terça-feira, 26 de novembro de 2013

VITÓRIA DE DILMA E MERKEL: COMISSÃO DA ONU APROVA RESOLUÇÃO ANTIESPIONAGEM

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PERDEU, FOLHA: DILMA E MERKEL AGEM JUNTAS NA ONU

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

OBAMA REABRE DURO PASSADO AO GRAMPEAR MERKEL E ITÁLIA

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

OS PUPILOS DE MERKEL NO BRASIL

*AGENDA CARTA MAIOR: Presidenta Dilma Rousseff discursa nesta 3ª feira,24, na abertura da Assembleia da ONU, em Nova York. Pronunciamento deve abordar o conflito sírio (leia especial nesta pág) e a questão da espionagem, com proposta de nova governança da internet, a partir de regras internacionais pactuadas pela ONU (leia nest apág)

.**Semana decisiva para a disputa presidencial: a contagem regressiva das candidaturas, partidos e alianças (leia a análise de Antônio Lassance; nesta pág)



Ângela Merkel ruma ao seu terceiro mandato depois de haver reduzido a falência da União Europeia a um conflito entre ‘povos dolentes' - ‘gente como os grego-ibéricos, que se aposenta cedo, dorme tarde e gosta de tirar férias' -- e os laboriosos e austeros patrícios germânicos. Remédio? Chibatadas de austeridade pela manhã, à tarde e à noite. Segundo a Oxfam, ONG presente em 100 países, em 2011, havia 120 milhões de pobres na União Europeia. O desemprego é recorde em 13 anos. Entre a juventude, ele atinge 42% em Portugal; 56% na Espanha e 59% Grécia. A América Latina já provou dessa poção. Sob o efeito sequencial da crise da dívida externa , anos 80, e do ajuste neoliberal da década seguinte, a renda per capita latino-americana regrediu 15 anos. Soa desconcertante, assim, após uma década de avanços econômicos e sociais, que o conservadorismo brasileiro -a exemplo de Frau Merkel- tente reduzir os desafios atuais do país a uma questão moral. Nossos ‘gregos', segundo eles, seriam os 'mensaleiros'. Desobrigam-se assim de discutir questões substantivas.O economista turco, estudioso da globalização, Dani Rodrik, aponta, por exemplo, um dilema de natureza política, que condensa a falência da agenda conservadora em nosso tempo. Rodrik chama a atenção para a incompatibilidade histórica entre, de um lado, a liberalização financeira e comercial, defendida pelos nossos liberais de bico longo, e, de outro, a democracia e a soberania nacional.(LEIA MAIS AQUI)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O PESO MATERIAL DAS IDÉIAS: BENTO & MERKEL


* Rafael Correa deve conquistar vitória esmagadora no Equador neste  domingo**desde 2006, a pobreza recuou 27% no país** governo  bombardeado pela mídia conservadora tem 70% de aprovação (leia mais nesta pág.)**Venício Lima: 'a Constituição dá ao Presidente da República instrumentos para regular a mídia. Basta cumprir' (leia a coluna nesta pág; e também o blog do Emir)**Corporações globais lutam pelo controle dos mercados pós-crise: fusões, aquisições e onda de inovações tecnológicas** intensifica-se a guerra de posições pelo domínio da economia pós-crise **E as Nações? Qual a margem de manobra do governo Dilmaleia mais aqui.


Não se deve subestimar o efeito irradiador da endogamia entre a ortodoxia  dos costumes e a desregulação da economia.  Embora declinante, a força simbólica do Vaticano jogou e joga um papel  significativo na engrenagem ideológica que sustenta o alicerce de uma unificação européia estruturada e comandada pela lógica mercadista. As mazelas delinqüentes cometidas no interior do Banco do Vaticano ilustram a funcionalidade desse matrimônio de opostos complementares. Sua força demolidora difundiu-se mundo afora na negação do humanismo e na desmoralização do Estado do Bem Estar Social pelos interesses sabidos. Tucanos brasileiros farejaram os ares bentos: em 2010, Serra defendia a desregulação do pré-sal e aliava-se ao bispo da Opus Dei, Dom Luiz Bergonzini, para demonizar a 'Dilma aborteira'. Nada se faz sem um pouco de fé  e algumas gotas de água benta. Para ser livre e desregulado o mercado precisa de lubrificantes imaginários. A sintonia entre Bento XVI  e Angela Merkel, por exemplo, escapa às análises convencionais da renúncia do papa. Mas foi premonitoriamente destacada em artigo escrito pelo professor José Luís Fiori para Carta Maior, em junho de 2009. Três anos depois, a história apertou o passo. O texto preserva sua atualidade. Como se aguardasse os acontecimentos para reiterar a aderência de um intercurso histórico.(Leia a íntegra nesta pág.; e também o Especial 'A História Secreta da Renúncia').

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A SENSATEZ ESTÁ À ESQUERDA

A escassa disponibilidade de tempo, lógica e bom senso para evitar o pior levou Paul Krugman, um moderado,  ao ponto de  apelar para o instrumento de um manifesto global de economistas, no qual adverte: "Como resultado de suas ideias erradas, muitos políticos ocidentais estão impondo  sofrimento em massa aos seus povos. Mas as ideias que eles defendem para lidar com as recessões foram rechaçadas por quase todos os economistas depois dos desastres de 1930. É trágico..." http://www.manifestoforeconomicsense.org/.  O gesto de Krugman indica que não há mais tempo , nem espaço, para qualquer solenidade na crise. Nesse momento, a Espanha --secundada pela Itália--  implora, esse é o termo, aos gerentes do euro,em Bruxelas,  por uma linha de recursos para salvar seus bancos, sem que isso signifique o funeral do Estado, imolado em endividamento insustentável. A lógica da ortodoxia que alimenta a grande de depressão do século XXI, retruca seu mantra: 'Se os bancos necessitam socorro, a sociedade pagará por eles'. Será longa e áspera a noite do século XXI, avisam autoridades do centro à periferia. A crise se espalhou. Sombras ofuscam a China, invadem o Brasil. Dos Brics ricocheteiam de volta  à UE, sangrando empregos e exportações. Onde está a sensatez? A sensatez está à esquerda, expressa, por exemplo, no enunciado simples e reto do Syriza -- 'Se não crescermos, não pagaremos". Mas a sensatez é demonizada pelo terrorismo ortodoxo, o mesmo  que levou à vitória dos yes men em 17 de junho,na Grécia. No dia seguinte, lá estavam os mercados usando a conquista de Atenas para devorar Madrid, até o osso; condição na qual Rajoy se apresenta agora aos pés de Bruxelas. O descarnado suplicando ao açougueiro, que chance ele tem? 

Barclays leva multa em US$ 450 milhões por manipulação do mercado

As agências reguladoras do setor financeiro dos Estados Unidos e do Reino Unido aplicaram uma multa de mais de 450 milhões de dólares ao banco Barclays por manipular a taxa libor, ponto de referência para o juro diário dos empréstimos interbancários em nível mundial. As agências informaram que há outros bancos envolvidos. Nesta mesma semana, em seu informe anual, o Banco Internacional de Compensações (BIS), que representa os bancos centrais do mundo, alertou que as entidades financeiras não mudaram seu modus operandi. O artigo é de Marcelo Justo.

Londres - O escândalo está só começando. As agências reguladoras do setor financeiro dos Estados Unidos e do Reino Unido aplicaram uma multa de mais de 450 milhões de dólares ao banco Barclays por manipular a taxa libor, ponto de referência para o juro diário dos empréstimos interbancários em nível mundial. As agências informaram que há outros bancos envolvidos.

O primeiro ministro David Cameron assinalou que o Barclays terá que responder muitas perguntas. O ministro britânico de Finanças, George Osborne, compareceu ante o parlamento e o líder da oposição Ed Miliband exigiu que se abra uma investigação criminal sobre o tema. Enquanto isso, a diretora da FSA, agência reguladora financeira britânica, Tracey McDermott, indicou que há “várias investigações em marcha, mas tudo parece indicar no momento que o Barcalys não é a única empresa envolvida no caso”

E o enésimo escândalo financeiro dos últimos anos. Pode-se partir do escândalo da Enron, em 2000, e chegar às quedas do Stearn e do Lehman Brothers, em 2008, que detonaram a atual crise mundial, ou se pode começar com as pirâmides financeiras de Bernard Maddoff, maior fraude da história (50 bilhões de dólares), descobertas em 2008, e passar pelas perdas do UBS suíço, em 2011 (2 bilhões de dólares) ou do JP Morgan, em abril deste ano (2 bilhões de dólares evaporados em seis semanas). Em meio a este módico resume de uma lista frondosa de escândalos, os paraísos fiscais seguem funcionando como se nada tivesse acontecido.

Nesta mesma semana, em seu informe anual, o Banco Internacional de Compensações (BIS), que representa os bancos centrais do mundo, alertou que as entidades financeiras não mudaram seu modus operandi.

No caso do Barclays, a manipulação das taxas Libor ocorreu entre 2005 e 2009, entre a febre da especulação e o estouro da bolha. Calcula-se que o volume de transações bancárias baseadas na taxa Libor em nível mundial é de 360 trilhões de dólares (cerca de 40 vezes o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos). Segundo a autoridade reguladora estadunidense, a “Commodity Futures Trading Commision”, o banco buscava beneficiar sua posição no mercado de derivados – compra e venda no mercado de futuros – que move trilhões de dólares e foi ima das causas do estouro financeiro de 2008. “Alguns traders, ajudados e em coordenação com outros bancos, confluíram nesta manipulação das taxas”, assinala a autoridade.

O diretor executivo do banco, o estadunidense Bob Diamon, renunciou a sua bonificação anual em função do escândalo (no ano passado, suas rendas superaram a casa dos 40 milhões de dólares), mas dificilmente conseguirá salvar sua cabeça. Nos últimos 12 meses, Diamon havia lançado uma forte campanha para que se terminasse com a “caça às bruxas” dos banqueiros por causa do estouro financeiro de 2008. “Já passou a hora do arrependimento. Os bancos precisam seguir prestando o serviço essencial de que necessita a economia”, disse no ano passado a uma atordoada opinião pública.

Diamond detesta a regulação do sistema financeiro. Nisso, não se diferencia de Jamie Dimon, o diretor executivo do JP Morgan, que semanas antes de seu banco revelar perdas de mais de 2 dois bilhões de dólares havia dito que “a regulação tem que ser feita em privado, a portas fechadas”, algo que o site estadunidense Huffington Post comparou à masturbação. Parafraseando o Huff, pode se dizer que os reguladores pegaram o Barclays com as mãos na massa.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer


Governo aumenta crédito ao agronegócio para R$ 115 bi e reduz juros

Recursos para o Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 crescem 7,5%, em relação a sua versão anterior, e juros caem, seguindo “movimento que estamos vendo em toda a economia”, diz Dilma. Para a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu (PSD-TO), mais importante do que o aumento dos créditos e a diminuição dos juros é o seguro rural.

Brasília - O governo federal anunciou a disponibilização de R$ 115,2 bilhões em crédito para o agronegócio através do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, também conhecido como Plano Safra. O valor representa um crescimento de quase 7,5% em relação ao plano 2011/2012, quando foram disponibilizados R$ 107,2 bilhões, e é mais do que o quíntuplo dos R$ 20,25 bilhões liberados há uma década, no plano 2002/2003, fruto “do grande empenho em colocar como prioridade a questão agrícola no Brasil”, disse a presidenta Dilma Rousseff.

“Nós não vemos nenhuma contradição entre o agronegócio e a política para agricultura familiar, os médios e pequenos proprietários, pelo contrário, achamos que eles são complementares. Hoje lançamos aqui o Plano Safra para o agronegócio. Semana que vem lançaremos o plano safra da agricultura familiar”, antecipou-se a presidenta.

Ela ainda destacou que o plano 2012/2013 também incorpora o “movimento que estamos vendo em toda a economia” de redução dos juros. Para os créditos destinados ao custeio e comercialização, os juros cairão de 6,75% para 5,5% ao ano. Para os recursos destinados ao investimento, a taxa será reduzida de 6,75% para 5%. Sobre o dinheiro emprestado para capital de giro de cooperativas incidirão 9% e não mais 9,5%. Já o Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá os juros reduzidos de 6,25% para 5%.

O Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 divide os R$ 115,2 bilhões em
variadas modalidades de crédito, entre elas o médio produtor rural – com renda bruta anual máxima de 800 mil – que terá R$ 7,1 bilhões disponíveis e a Agricultura de Baixo Carbono (ABC) que, apesar de ter utilizado pouco mais de um terço dos R$ 3,15 bilhões previstos na atual safra, terá seu recurso aumentado para R$ 3,4 bilhões. Os recursos do plano estarão disponíveis nas agências bancárias a partir de segunda-feira (02).

Rousseff ainda divulgou que o governo está preparando uma política para assistência técnica e extensão rural e poderá criar uma agência específica para a área, articulando órgãos de extensão estaduais, cooperativas, produtores, Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). De acordo com a presidenta, o Brasil possui excelência em pesquisa rural, mas tem uma frágil democratização desse conhecimento.

Mudança de paradigma
Para a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu (PSD-TO), mais importante do que o aumento dos créditos e a diminuição dos juros é o seguro rural. O novo plano passa de R$ 253 milhões para R$ 400 milhões o volume de recursos para subvenção ao prêmio do seguro, o que, segundo Kátia Abreu, fará com que o Brasil saia de 5% para 20% de área segurada na safra 2012/2013, com a meta de chegar a 50% em 2015. Em entrevista após a cerimônia, a líder ruralista apontou que os Estados Unidos tem 86% de sua área plantada segurada e quanto maior a abrangência do seguro, mais a iniciativa privada financia a agricultura a juros baratos.

“Nós precisamos do livre mercado e só prosperamos com ele, mas os mercados só funcionam onde o Estado também funciona”, revelou Katia Abreu durante seu discurso na cerimônia.

Contraste
Durante toda a fala da presidenta Dilma Rousseff no lançamento do Plano Safra 2012/2013, trabalhadores do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) permaneceram com uma faixa aberta, com os dizeres “MDA/Incra em greve”.

Desde o último dia 18, trabalhadores destes dois órgãos começaram a greve alegando sucateamento e a falta de estrutura. O texto distribuído pelas organizações sindicais aponta que o Incra, entre 1985 e 2011, teve o seu quadro de pessoal reduzido de 9 mil para 5,7 mil servidores, enquanto sua atuação territorial foi acrescida em 32,7 vezes – saltando de 61 para mais de dois mil municípios. Além de concurso público, os trabalhadores pedem equiparação salarial com o Ministério da Agricultura, onde servidores chegam a ganhar três vezes mais do que qualquer funcionário do Incra ou do MDA, diz o texto.

Os trabalhadores da Embrapa também se encontram em greve. Desde quarta-feira (27), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) ocupa a sede da empresa em Brasília em busca de negociação. Entre as reivindicações, o sindicato exige 5% sobre a correção pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).


Fotos: A presidenta Dilma Rousseff, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman e a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) participam da cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 (Antonio Cruz - ABr)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O complicado assunto neonazi na Alemanha

Dossiê das duas agências do Serviço Secreto Federal Alemão indica que é inteiramente falsa a difundida e, na verdade, nunca contraditada versão de que grupos de esquerda, como o chamado grupo "Baader-Meinhof”, teriam ajudado os membros da facção palestina Setembro Negro que assaltaram o prédio 31 da Vila Olímpica em Munique, onde se hospedava a delegação israelense, durante os Jogos Olímpicos de 1972. A conexão do Setembro Negro, na verdade, teria sido com neonazistas. O artigo é de Flávio Aguiar.

Enquanto os eurolíderes se debatem com a banca financeira, por ela comprimidos agora na Espanha, novo(?) elo fraco na cadeia, enquanto a Itália está na sala de espera da UTI, o complicado assunto neo nazi voltou a mostrar o nariz – e a cara inteira – na Alemanha.

A revista Der Spiegel (versão em inglês) trouxe à luz copioso noticiário, a partir de um dossiê de duas mil páginas das duas agências do Serviço Secreto Federal Alemão (Bundesamt für Verfassungsschutz e Bundesnachrichtendienst), sobre ser inteiramente falsa a difundida e, na verdade, nunca contraditada versão de que grupos de esquerda, como a RAF (Rote Armee Fraktion, também conhecida indevidamente como “Grupo Baader-Meinhof”), teriam ajudado os membros da facção palestina Setembro Negro que assaltaram o prédio 31 da Vila Olímpica em Munique, onde se hospedava a delegação israelense, durante os Jogos Olímpicos de 1972.

No assalto, os oito assaltantes mataram dois dos israelenses (um atleta e um treinador) e sequestraram outros nove, no dia 5 de setembro. Queriam troca-los por 234 prisioneiros palestinos e também por alguns prisioneiros da RAF, fato que, entre outros, levaram à “conclusão” de que essa organização alemã os tinha ajudado.

No dia 6, ao tentarem embarcar num avião que os levaria para fora do país, num aeroporto militar, foram interceptados por uma operação anti-terrorista das Forças Armadas alemãs, o que redundou numa catástrofe. Os assaltantes mataram todos os reféns (embora haja a suspeita de que alguns deles possam ter morrido no fogo cruzado). Dos oito terroristas, cinco morreram na hora e três foram presos. Mais tarde esses três foram libertados através do sequestro de um avião da Lufthansa. Mas dois deles morreram em operações posteriores do Mossad, que eliminou quase todos os suspeitos de participação ou planejamento no ataque de Munique. O terceiro assaltante vive até hoje na clandestinidade, enquanto o idealizador do sequestro, Abu Daoud, morreu em 2010 de causas naturais.

O dossiê comprova que Abu Daoud tinha uma estreita ligação com Willi Pohl, hoje beirando os 70 anos, que conseguira-lhe pelo menos carros para a operação, além de levá-lo a viajar por toda a Alemanha. Há a possibilidade de que Pohl tenha conseguido também armas, embora ele, numa entrevista à própria Der Spiegel, o negue. Em todo caso, colocou Daoud em contato com Wolfgang Abramovski, reconhecido falsificador de documentos que, levado para as cercanias de Beirute, provavelmente forneceu passaportes para o grupo.

Ocorre que Pohl e Abramovski não eram membros de nenhum grupo terrorista ou não de esquerda, mas sim de uma célula neonazista, e foram denunciados à polícia ainda antes dos acontecimentos de Munique, inclusive sobre a ligação com Daoud, por um ex-colega de militância e pelo ex-patrão do primeiro, de quem ele tomara algum dinheiro.

Depois do conhecido “Massacre de Munique”, Abramovski e Pohl foram presos, em outubro daquele ano, de posse de considerável arsena de armamentos, panfletos e cartas ameaçadoras ao juiz que dirigia o processo contra os três sobreviventes da tragédia, parte de um primeiro plano para libertá-los, que evidentemente não foi adiante. Desde então o Serviço Secreto alemão já sabia que a conexão alemã do Setembro Negro era neonazi, e não esquerdista, como comprovam mensagens trocadas pelas agências envolvidas, que nunca vieram a público – até esta semana.

É claro que restam milhares de luzes e perguntas acesas e ainda sem respostas sobre esse caso e esse dossiê. Algumas delas:

1) Se agisse de modo mais consistente, investigando a fundo as denúncias que recebera, o Serviço Secreto alemão poderia ter evitado o sequestro?

2) Essa é mais uma operação neonazi na história alemã pós-Segunda Guerra que “passa batida”, num primeiro momento, por essas agências e que a opinião pública fica com a versão de que seriam outros os implicados. Qual o significado disso?

3) Grupos de esquerda – a RAF em particular – foram acusadas de forma disseminada de participação na tragédia. Nada se fez durante quatro décadas para desmentir essa acusação. Por quê? (É verdade que declarações bombásticas de mebros da RAF, inclusive de Ulrike Meinhof, ajudaram a forjar essa impressão, mas tudo, hoje está comprovado, era blefe, não realidade).

4) Surpreendentemente, quando julgados em 1974, Pohl e Abramovski receberam penas extremamente leves, somente por “posse ilegal de armas”. Por que? O que isso significa?

Para arrematar: segundo a revista, Pohl hoje nada tem a ver com terrorismos ou com quaisquer atividades neonazis. É autor (de sucesso) de histórias policiais, inclusive como roteiros de TV, com outro nome, é claro.
De Abramovski não se tem notícia.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Os gregos em Los Cabos e as intrigas no continente

 

 JB online:

Mauro Santayana


Há uma curiosa interpretação dos resultados eleitorais da Grécia – a de que a direita ganhou as eleições. O que as urnas revelaram foi a vitória da razão nacionalista: tanto os conservadores da Nova Democracia – não tão conservadores assim – quanto a extrema-direita e a coligação de esquerda Syriza, defendem uma postura de resistência contra as exigências da Europa, ditadas pela chanceler Ângela Merkel. O Pasok, provável parceiro de Samaras no governo, tampouco se encontra à direita do espectro.
Apesar de todo o simbolismo da Grécia, que teve seu fulgor no tempo clássico, e se escondeu da História até recentemente, o problema do mundo não se encontra em Atenas. Ele, como o diabo, está em todos os lugares. Como temos insistido, ele é de natureza política e se resume na aspiração das finanças internacionais em criar um estado único universal, sob seu domínio direto e tirânico, com a definitiva escravização dos povos,  e a resistência do sentimento nacionalista e da razão humanística. Para lembrar que o vocábulo problema vem do léxico grego (proboulema significava projeto de lei enviado à Boule, ou seja, ao parlamento de Atenas), a questão é sempre política.
É uma luta que se encontra na alma histórica do Ocidente. A Igreja presumia ter herdado o imperialismo romano, e os anglossaxões, têm buscado, desde o século 16, ocupar o mando, ao substituir o Sacro Império,  primeiro a partir de Londres e, mais tarde, de Washington.
A capital do mundo, nestes dois dias, se deslocou para Los Cabos, com a reunião do Grupo dos 20.  Ontem, segunda-feira, o New York Times publicava matéria sobre a “nova rivalidade” no universo latino-americano, entre o México e o Brasil. Segundo a análise, o Brasil está perdendo espaço para o México, que –  como é óbvio – segue integralmente a cartilha neoliberal e se encontra condenado pela natureza e pela história a viver encostado nos Estados Unidos, como  irmão xifópago atrofiado: não podem separar-se os dois, a menos que uma catástrofe planetária abra o mar ao longo da fronteira. Nem podem integrar-se, embora a fatalidade demográfica, com a predominância mestiça, e a força genética, possa expulsar, com o tempo que se torna veloz, a cultura da Nova Inglaterra.
De acordo com o texto do jornal de Nova Iorque, estamos, os brasileiros, dependendo da China, que importa as nossas mercadorias, enquanto indústrias americanas, no México, competem com o país asiático, suprindo o mercado norte-americano, em condições competitivas com os chineses. Em suma, a recessão chinesa significará uma desgraça para o nosso país.
As coisas não são tão simples assim. A própria matéria do jornal americano lembra que temos dois trunfos. O primeiro deles é o da política social, com o crescimento do mercado interno. O outro é o de que as circunstâncias, ao nos fazer parceiros da China, nos fazem seus companheiros de viagem – pelo menos nesse trecho histórico. Faltou, ao falar na China, referir-se aos Brics.
Pela primeira vez, na Idade Moderna – isto é, no meio milênio que nos separa do Renascimento e da descoberta do hemisfério em que vivemos – uma realidade geopolítica nova abre  cunha no sistema internacional de poder sob a hegemonia da Europa Ocidental (da qual os Estados Unidos são projeção geopolítica): a aliança entre os países que emergem. Ela rompe os marcos geográficos e se alicerça no fator humano, ao englobar a metade da população do mundo, que se encontram na Ásia, na África e no Brasil. E não nos esqueçamos que, na hora da decisão, o Mercosul se somará com o Brasil.
Mesmo que essa aliança não venha a ter futuro em horizonte mais longo, porque a História não é preguiçosa, essa coalizão pode definir o destino da Humanidade nas próximas décadas.
Assim, todas as previsões no curto prazo são meras especulações que atendem ao desejo dos analistas. Os gregos, açulados pela emergência, provavelmente encontrarão um caminho intermediário, entre a ruptura definitiva com o euro e a submissão a Berlim. Se se confirmar a decisão de Tsipras, de manter a coligação de esquerda na oposição, o governo a ser formado terá que dar alguma satisfação ao povo e ela só pode ser entendida na amenização das medidas de arrocho exigidas pela senhora Merkel.
O governo brasileiro tem a consciência de que as procelas atingirão também o nosso país. Daí as medidas de cautela que estão sendo tomadas. A reunião de Dilma com os governadores, embora não tivesse tom dramático, revelou a sua preocupação em assegurar a unidade institucional interna, sem prejuízo das divergências político-partidárias, que se acirrarão nestes dois anos próximos. A decisão de conceder empréstimos federais aos estados, para investimentos, em condições bem mais amenas do que as impostas por Fernando Henrique para a amortização das dívidas antigas, vindas  ainda do governo militar, serve a esse propósito. Estamos atingindo uma consciência republicana que separa as instituições permanentes do Estado das naturais divergências dos partidos, sujeitos às hesitações das circunstâncias.
O sentimento de nação sempre prevalece para erguer diques e quebra-ventos contra os vendavais planetários. Não devemos nos esmorecer na tarefa de buscar a unidade da América do Sul, e isso implica desdenhar as provocações externas que buscam criar arestas entre o Brasil e seus vizinhos. Somos suficientemente adultos para reconhecer a nossa força, e entender que devemos administrá-la com modéstia e prudência. De qualquer forma, há duas eleições que podem mudar tudo – além dos rumos que a Grécia tomará: as eleições presidenciais mexicanas dentro de poucos dias, e as eleições alemãs do ano que vem. De Washington nada devemos esperar de bom; se Obama nos quer cozinhar em banho-maria, Mitt Romney pretende assar-nos em fogo vivo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Merkel convida brasileiros a boicotarem Volkswagen, Continental, Osram, Bayer

A primeira-ministra alemã Angela Merkel, atacou com grosseria a presidenta Dilma pelas críticas feitas durante a visita à Alemanha:

"Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem obrigado apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente", disse Merkel em entrevista à revista Manager-Magazin.

A crítica de Dima não é quanto aos juros da Alemanha, e sim pelo Banco Central de lá imprimir dinheiro sem lastro, só para desvalorizar a moeda e tornar as exportações alemãs mais competitivas, de forma trapaceira e desleal. Além disso, a Alemanha não está apoiando medidas anti-cíclicas pra aumentar o consumo interno na Europa de forma a debelar a crise, e sem o apoio a esse consumo, o dinheiro impresso sem lastro vai para a especulação.

Diante da hostilidade do governo alemão, tanto econômica, como diplomática, só resta aos brasileiros boicotarem seus produtos. Pior para as empresas alemãs como Volkswagen, Continental, Osram, Bayer, Mercedes, Siemens, etc.

Que tal mandar um recado para estas empresas?

Bayer: bayer.comunicacao@bayer.com
Osram (e-mail): sac@osram.com
Volkswagen: http://www.vw.com.br/pt/fale_conosco.html

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O 'FIM DA CRISE' E O OXÍMORO ORTODOXO

A expressão 'contração fiscal expansionista' sugere um simples oxímoro, mas representa mais que uma contradição vocabular quando se sabe que abriga a viga mestra da proposta conservadora  para a crise mundial. Pulsa nesse paradoxo, ademais, uma visão de desenvolvimento recorrente em terras brasileiras, baseada na hipótese de que um bom arrocho nas despesas públicas e nas políticas sociais é pré-condição para se  'liberar' espaço à queda dos juros e, ato contínuo, festejar o 'crescimento saudável' capitaneado pelo setor privado. O tacão de Angela Merkel sobre os parceiros do euro; a decadência inglesa sob Cameron; a pobre Espanha com 48,5% da juventude desempregada; Portugal do extremismo conservador  que flertou com a volta da mais valia absoluta e a sofrida Grécia das crianças que desmaiam de fome em sala de aula, sem esquecer o embate orçamentário nos EUA, são protagonistas  da gigantesca massa de interesses e sacrifícios em ebulição no interior desse inocente  jogo de palavras. No fundo, estamos novamente às voltas com o bordão do Estado mínimo adaptado às condições da maior crise do capitalismo desde 1929. Não há nada de acadêmico nisso. A resiliência de um marco divisor que esfarela direitos e cospe desemprego planeta afora, em troca de uma improvável redenção purgativa  da economia, é a evidência mais óbvia de que o colapso neoliberal  ainda não produziu um antídoto ancorado em forças sociais aptas a inaugurar um novo ciclo histórico.  É desse horizonte escuro e inóspito  que  irrompem sinais bruxelantes  de  uma 'recuperação' trombeteada pela mídia, na qual bancos e grandes corporações emergem leves, líquidos e lucrativos. Mas a renda,  a qualidade do emprego, os direitos e a subjetividade despencam na maioria das nações. Bancos e grandes corporações acumulam cerca de US$ 13 trilhões em caixa no mundo rico. Mas não emprestam, não investem, nem contratam. Coube ao Presidente do Santander, Emilio Botín, elucidar esse desencontro com uma explicação que desmente o suposto poder regenerador  do oxímoro ortodoxo: " O crédito não flui e não emprestamos mais porque não há demanda solvente na sociedade", justificou Don Botín na 3ª feira, em Madrid. Em resumo, a 'contração' vai bem, já a contrapartida expansionista patina --justamente porque a contração vai bem.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

AS PEDRAS ESTAVAM LÁ


Certos desastres e rupturas históricas renovam os riscos inerentes a um tipo de cegueira gerado pelo excesso de confiança na razão, como já alertaram Adorno e Horkenheim.  O comandante Francesco Schettini, do 'Costa da Concórdia', confiou cegamente em instrumentos náuticos, na 6ª feira, 13; levou um transatlântico com 4.200 passageiros rumo a rochas que, nas suas palavras,  'não deveriam estar lá', embora navegasse a 300 metros da costa. Seu companheiro de infortúnio em 1912, Edward Smith, comandante do Titanic, confiou expressamente no progresso da ciência e da tecnologia que prometia um titã  à salvo da natureza: uma embarcação esfericamente racional, incapaz de afundar. A soberba levou-o a menosprezar alertas sobre icebergs na rota. O gelo rasgou o aço do colosso que afundou em duas horas e 30 minutos: 1.500 pessoas morreram. A resposta de Ângela Merkel à perda do grau de confiança de nove países do euro, rebaixados por uma agência de risco também na 6ª feira 13,  é outro capítulo da blindagem da razão, neste caso, por  interesses que querem manter a sociedade na rota dos 'mercados autoreguláveis'.  Merkel reagiu ao solavanco da 6ª feira como uma discípula de Schettini e Edward Smith: mandou acelerar as hélices da UE rumo ao pedral  ortodoxo, endurecendo a defesa do arrocho fiscal numa Europa abalroada por desemprego crescente e receitas minguantes. No Brasil expoentes conservadores mostraram-se estupefatos em agosto passado, quando o BC alterou a rota dos juros para desviar o país da recessão mundial. Em nome da razão de mercado o coro exortava o BC pela mídia: 'toca em frente; toca em frente!'  Nesta 4ª feira acontece a 1ª reunião do Copom em pleno agravamento da crise européia. Mais que nunca, o governo tem legitimidade para proceder a um novo e significativo corte do juro. As pedras estavam lá. A ver.
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Merkel quer CPMF. Urubóloga e FHC são contra



Saiu no Brasil Econômico, na capa:

“Alemanha exige criação de CPMF na Europa para acabar com a crise.”

“A chanceler alemã, Angela Merkel, reafirma que um imposto sobre transações financeiras é a ‘resposta certa’ para os problemas econômicos da Zona do Euro e estabelece prazo para que os países do bloco aceitem a proposta; Sarkozy diz que a França criará a taxa de qualquer forma.”


Isso tudo é uma brincadeira, na melhor das hipóteses.
Na pior, manobra eleitoreira de baixo calão.
Populismo.
Merkel não tem base parlamentar para aprovar isso.
E Sarkozy apenas corteja a esquerda, já que é candidato, este ano, à re-eleição.
Portanto, não perca o seu tempo.
Isso não é para valer.
CPMF – nem por cima do meu cadáver.
Esse foi o veredito irreversível da Urubóloga, no Bom (?) Dia Brasil, que será transmitido ao longo do dia, em toda a Europa – e ajudará a sepultar essa ideia rasteira.
A Urubóloga foi tão convincente que a Renata Vasconcelos, que faz um curso, de Alta Economia, ao vivo, todo dia, ao lado da Urubóloga, cantou no mesmo tom: já que isso aí da Merkel e do Sarkozy não passa de uma …
Quem também é contra é o Farol de Alexandria.
Foi ele, beneficiário, quando presidente, da CPMF do Ministro Adib Jatene, na hora de renovar a CPMF ele liderou a campanha “vamos tirar o remédio da boca das crianças”.
Com o apoio do inigualável Arthur Virgilio Cardoso e do Tasso tenho jatinho porque posso, Fernando Henrique derrotou a CPMF no Senado e deu uma pnhalada nas costas do Lula.
É o que ele mais quer(ia).
Um gesto que se inscreverá na biografia desses três tucanos estadistas.
Arthur Virgilio Cardoso é aquele que disse que ia dar uma surra no presidnete Lula e levou DUAS surras do eleitorado amazonense.
Portanto, Merkel é uma coitadinha.
O maciço apoio que tem no eleitorado e no Congresso da Alemanha se evaporam diante da dialética tucana e global.
Mal sabe ela do poder da Urubologa e do Farol de Alexandria.



Clique aqui para ler “O Brasil está no caminho certo”.


Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Memórias argentinas para a crise europeia

 
O ex-ministro da Economia argentino Roberto Lavagna deu, esta semana, uma entrevista extremamente lúcida ao jornal Valor Econômico, onde traça paralelos entre atual crise das dívidas dos países da União Europeia e aquela que, no início da década passada levou a Argentina ao caos financeiro e à moratória unilateral de seus títulos públicos.
Naquela época, foi seguido ali o receituário clássico do neoliberalismo – na ocasião, ainda um dogma inquestionável – e respondeu-se à crise com pacotes recessivos assemelhados aos que agora se impõem à Grécia, à Itália, a Portugal e Espanha. O FMI aportou recursos para socorrer as necessidades de rolagem da dívida argentina e, em troca, exigiu cortes e mais cortes nos gastos públicos.
E estes foram feitos com um rigor muito poucas vezes visto. Os salários do funcionalismo e as aposentadorias não apenas foram contidos: foram reduzidos nominalmente. O desemprego chegou aos níveis da Espanha de hoje: 21,5%. O déficit público não foi contido, foi proibido por lei.
Enfim, o remédio tinha a forma do que se propõe hoje, e a dose argentina, administrada pelo “intocável” ministro Domingos Caballo – um santo do altar neoliberal ao Sul do Equador – foi, sem trocadilho, cavalar.
Durante dois anos, de dezembro de 1999 a dezembro de 2001, foi aplicado sem contestação. O resultado foi que o país perdeu 60% de suas parcas reservas internacionais, aumentou em 50% sua dívida pública e multiplicou por dez o risco que lhe era atribuído no mercado de títulos públicos internacional.
Até que, com a corrida aos bancos e a limitação dos saques bancários, tudo explodiu. Os protestos viraram distúrbios de rua, com mortes e comoção nacional. O presidente Fernando De la Rúa chegou a ter de fugir de helicóptero da Casa Rosada, sede do governo.
O final desta história, todos sabem, só ocorreu quando o novo presidente, Nestor Kirchner, que já encontrou o país em moratória, praticou a suprema “heresia” de reduzir, unilateramente, o valor destas dívidas – e dos compromissos gerados por ela. Mesmo diante do caos evidente e da necessidade de salvar o país do aniquilamento, a medida de Kirchner enfrentou anos de contestação nos tribunais dos grandes centros financeiros mundiais.
A lição que o operador da recuperação da economia argentina – que depois se tornaria adversário de Nestor Kirchner – deixa, na entrevista, é muito clara: não há possibilidade de sair de uma crise econômica num quadro de alto endividamento e baixo crescimento com pacotes recessivos quando não se pode alterar o valor da moeda nacional, presa a uma conversibilidade automática.
É exatamente aí que reside o problema europeu.
A União Europeia, se tiver de ser resumida em uma palavra, chama-se Euro, a sua moeda.
Não é possível, quando se tem a moeda a circular livremente, como o sangue num imenso organismo, esperar que um de seus membros – e já não estamos falando de um “dedo-mindinho” como a Islândia – possa ser arrochado com um torniquete sem que isso coloque em risco todo o corpo. A moeda continental vai continuar circulando e trazendo com ela a contaminação da gangrena que se queria manter contida.
A recusa do mercado financeiro à compra de títulos do governo alemão, ontem – só um terço da emissão foi comprado, por considerarem baixos os juros de 2% oferecidos. É evidente que, com uma moeda única, os países de economias maiores – França, Itália e Espanha – que oferecem prêmios maiores por suas obrigações são mais atraentes. De um lado, a moeda única elimina o risco cambial; de outro, não podem quebrar sem levar junto toda a Europa. E, querendo ou não, a Alemanha terá de evitá-lo.
A resistência alemã em “socializar” a crise europeia através da emissão de títulos comuns aos países da zona do Euro é compreensível, dado o aparente “bom estado” das finanças germânicas, em grande parte construído com a expansão alemã sobre as demais economias.
Mas cobra um peso político grave, e muito grave, porque a memória histórica do expansionismo alemão é um trauma que, embora todos os julgassem superado, ainda está vivo e bem vivo no continente.
Por: Fernando Brito

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Presidenta, diz à Merkel como é que se faz.A Alemanha não conseguiu vender todos os títulos que levou ontem ao mercado: 1/3 encalhou.


Explica com calma que ela acaba entendendo

Saiu no New York Times:
Na pág. A4 do Valor, o Ministro Mantega anunciou que a economia brasileira retomou o ritmo de crescimento e entrará em 2012 “em franca aceleração”.

Ele acredita que a economia cresça, este ano, 3,2% e, ano que vem, entre 4,5% e 5%.

No Brasil Econômico, pág 9, Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional, informa que o aperto da Dilma funciona: União cumpre meta de superávit com antecedência.

“No acumulado do ano até outubro, o superávit soma R$ 87 bi, 95% da meta fixada para 2011.”

A preocupação agora não é fiscal, mas com o crescimento da Economia ano que vem.

A meta de crescimento da Economia para o ano que vem, diz ele, é 5%.

(Agora, a Urubóloga corta os pulsos …)
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A Alemanha não é mais “a ilha de estabilidade”, diz o New York Times.
Por que será ?
Porque os bancos europeus (e muitos americanos) estão descapitalizados.
Com a água no pescoço.
E não compram nem títulos da Merkel revestidos de ouro.
Vendem, para se capitalizar.
A Ângela Merkel, o último bastião do neolibelismo (*), começa a sentir o calor.
A fórmula neolibelista (*) clássica – sufoca o freguês (Grécia, Itália, Espanha, Portugal) para ele pagar a dívida – deu com os burros n’água.
Não adianta a Merkel resistir.
Se continuar nesse neolibelismo (*) furioso, o “mercado” vai acabar por demitir ela, como fez com o Zapatero, o Berlusconi e, breve, o Sarkozy.
A Alemanha vai ter que aceitar um Banco Central Europeu como emprestador de última instância e um título de toda a Europa que banque e capitalize todos os europeus – com dinheiro, sobretudo, da Alemanha.
A Merkel é engraçada: ela quer exportar com o Euro da Grécia, mas não quer que a Grécia cresça.
Tem re-capitalizar a Europa e fazer a Europa crescer.
Crescer.
Dar emprego.
Incluir.
Distribuir renda.
Botar a economia para rodar !
Presidenta, dá um pulinho a Berlim e explique como as cosias funcionam.
(Aproveite para ir ao Pergamon, antes que a Turquia leve de volta.)




Paulo Henrique Amorim


(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.