Mente vazia, oficina do sistema da mídia golpista

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Assim a Globo derrubou a Dilma E a Dilma engordou a Globo

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Como a Rede Globo manipulou o impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff
Estudo mostra como o jornal O Globo e o Jornal Nacional demonizaram e deslegitimaram de maneira sistemática a então presidente Dilma Rousseff.
Por Teun A. van Dijk - Universidade Pompeu Fabra, Barcelona
Resumo
O presente artigo tem como objetivo demonstrar que o impeachment da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocorrido em 2016, resultou de um golpe orquestrado pela elite oligárquica e conservadora contra o Partido dos Trabalhadores, que estava no poder desde 2002, no qual a imprensa de direita brasileira desempenhou um papel determinante ao manipular a opinião pública, além dos políticos que votaram contra Dilma. Destaca-se o envolvimento do poderoso conglomerado midiático Organizações Globo que, utilizando-se de seus veículos de comunicação, como o jornal O Globo e o noticiário televisivo de mais alta audiência no país, o Jornal Nacional, demonizou e deslegitimou de maneira sistemática a então presidente Dilma, o ex-presidente Lula e o PT em suas reportagens e editoriais ao seletivamente associá-los à corrupção disseminada e culpá-los pela séria recessão econômica. Após um resumo desse contexto sociopolítico, e uma breve definição de manipulação, serão analisadas algumas das estratégias de manipulação empregadas pelos editoriais do jornal O Globo, no período que compreende março e abril de 2016.
 
Introdução
 
Em 31 de agosto de 2016, o Senado brasileiro votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, pois ela teria feito ajustes no orçamento nacional por meio de operações financeiras “ilegais”. Tal fato ocorreu após meses de debate nacional acirrado, travado na grande imprensa, na internet e na Câmara dos Deputados. Após os bem-sucedidos oito anos de governo de seu mundialmente famoso antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), e quatro anos de seu primeiro mandato, Dilma foi re-eleita em 2014, com uma vitória apertada, mas uma taxa de aprovação geral de 60%. 
Como explicar que, em 2016, sua taxa de aprovação caiu drasticamente e mais de dois-terços da Câmara e do Senado decidiram acusá-la e condená-la por uma prática financeira comum entre seus antecessores?
 
Neste artigo, mostro que esse impeachment foi resultado de uma enorme manipulação feita pelas Organizações Globo, o maior conglomerado midiático do país, voz da classe-média conservadora e, de maneira mais geral, representante da elite oligárquica conservadora brasileira.
 
Juntamente com outros jornais e revistas, o jornal O Globo e, especialmente, a Rede Globo, com seu Jornal Nacional, o noticiário televisivo mais assistido no país, aumentaram de maneira acentuada, desde 2012, seus ataques a Lula, Dilma eu seu partido, o Partido dos Trabalhadores (ver Souza, 2011). A imprensa seletivamente os culpou pela pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas, além de acusá-los de corrupção, como ocorreu no caso da Petrobrás.
 
A campanha midiática, exacerbando o descontentamento geral com relação à corrupção política disseminada e o ressentimento da direita contra a coalizão de esquerda liderada pelo PT, instigou, em março de 2016, enormes protestos feitos pela classe média conservadora. Nesse contexto sociopolítico, o parlamento usou as operações financeiras realizadas por Dilma Rousseff como pretexto para por fim em 13 anos de governo petista. 
 
Apesar de não ser nada surpreendente o fato de uma imprensa conservadora criticar um governo e uma presidente de esquerda, uma análise sistemática dos editoriais do jornal O Globo, publicados entre março e abril de 2016, mostra que a opinião pública, os protestos, e a subsequente decisão política tomada foram manipuladas por uma cobertura parcial e deturpada. Tratarei deste assunto com mais detalhe após um apresentar um resumo da teoria da manipulação, dentro do arcabouço da nossa abordagem multidisciplinar e sociocognitiva dos Estudos Críticos do Discurso.
 
Limitações
 
Há muitos elementos que, infelizmente, não são apresentados neste artigo. Em primeiro lugar, apenas ofereço um resumo de algumas propriedades teóricas da manipulação, e não uma nova teoria ou resenha de pesquisas anteriores sobre o tema – o que demandaria um estudo muito mais volumoso, um livro. Em segundo lugar, para entender os editoriais de O Globo, seria necessária uma seção dedicada ao contexto sociopolítico brasileiro, à grande imprensa brasileira e, especialmente, às Organizações Globo.
 
O contexto sociopolítico no Brasil
 
O impeachment da ex-presidente Rousseff (comumente chamada somente pelo primeiro nome, Dilma, conforme o costume brasileiro – refere-se a políticos e outros famosos da mesma maneira) deve ser analisado dentro de um contexto sociopolítico complexo de polarização entre a esquerda, liderada pelo PT, e a direita, liderada pelo PSDB (um dos partidos da oposição na época), cujo candidato, José Serra, perdeu as eleições de 2010 para Dilma (para análise a respeito do recente contexto sociopolítico do impeachment, ver, p.ex. Jinkings, Doria & Cleto, 2016; Souza, 2016; para um histórico político mais geral, ver, p.ex., Power, 2000; Hunter, 2010).
 
Desde a eleição do ex-presidente Lula em 2002, sua re-eleição em 2006 até os dias de hoje, a direita brasileira, em geral, e a imprensa, em particular, buscam deslegitimar tanto a ele quanto ao PT, apesar do sucesso espetacular e internacionalmente reconhecido que obtiveram na luta contra a pobreza, com as políticas do Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida – destinadas à população de baixa renda. Essa oposição se tornou mais evidente com a eleição de sua sucessora Dilma Rousseff, em 2010 e, especialmente, após sua re-eleição em 2014, quando ela ganhou (por pouco) do candidato da oposição Aécio Neves, do PSDB.
 
As políticas progressistas do PT e partidos aliados contribuíram para tirar milhões de brasileiros da pobreza e para aumentar a fama de Lula – motivos suficientes para gerar ressentimento entre partidos, políticos e mídia conservadores e neoliberais (ver Hunter, 2010). Além disso, em 2005, o PT – entre outros partidos – esteve envolvido no escândalo do Mensalão, um esquema de corrupção para compra de votos favorecendo propostas do governo. Apesar do envolvimento de outros partidos no escândalo do mensalão, a mídia seletivamente colocou seu foco no PT e nos políticos do PT, além do próprio Lula.
 
A intensidade dos editoriais e a parcialidade das reportagens do jornal O Globo em 2016 não devem ser explicadas apenas em termos da oposição ideológica, ou partidária, entre a direita e a esquerda. De diferentes maneiras, o discurso da direita e o da mídia demonstra um profundo ódio contra Lula, não apenas porque ele era a pessoa-símbolo do PT enquanto inimigo político, por causa de sua fama internacional e do sucesso de seus programas sociais, ou mesmo da corrupção da qual o PT participou, assim como os demais partidos. Conforme também mostrarei em nossa análise do discurso, há também uma questão de profundo ressentimento de classe, em um país com uma profunda e resiliente desigualdade social (e racial). Lula sempre foi visto pela elite (branca) conservadora como o metalúrgico pobre que conseguiu ganhas as eleições de 2002, finalmente derrotando o PSDB – o último presidente eleito pelo partido foi Fernando Henrique Cardoso (FHC), um conhecido professor de sociologia da Universidade de São Paulo. Em 2014, o candidato tucano Aécio Neves, ex-governador do estado de Minas Gerais, perdeu as eleições para Dilma.
 
Durante a presidência de Dilma Rousseff, a história se repetiu em um escândalo de corrupção muito maior (às vezes chamado de “Petrolão”) na estatal petrolífera Petrobras, além de outras grandes empresas, como a empreiteira Odebrecht, acusada de pagar propinas a políticos e partidos. A investigação desse escândalo de corrupção, chamada Operação Lava-Jato, foi (e ainda é) uma operação enorme que levou diversos empresários conhecidos, além de políticos de diversos partidos (ver verbete da Wikipedia sobre a Lava-Jato) a serem processados (e muitos! condenados). Mais uma vez, tanto a acusação, principalmente o juiz Sérgio Moro, da cidade de Curitiba, localizada no sul do país e centro da Operação Lava-Jato, e a mídia, voltaram mais sua atenção ao PT e a Lula do que a outros políticos e partidos. A própria Dilma, que já havia sido ex-diretora da Petrobras, nunca foi formalmente acusada de corrupção; mesmo assim, a mídia rotineiramente a associava ao escândalo, além de ter acusado a ela (e a Lula) repetidas vezes de obstruir as investigações da Operação. 
 
Principalmente por conta da intensa cobertura midiática dedicada a esses grandes escândalos, a opinião pública já tinha uma visão muito negativa da corrupção generalizada no Brasil, principalmente em relação aos políticos e, mais especificamente, ao PT, apesar da contínua popularidade de Lula e de Dilma entre milhões de brasileiros. Simultaneamente, em 2015, a crise financeira internacional também chegou ao Brasil, e a situação econômica do país se deteriorou rapidamente, contribuindo ainda mais para uma atmosfera geral de crise, afetando boa parte da população.
 
É nesse cenário complexo que a direita e sua mídia viram, em 2015 e 2016, uma oportunidade para finalmente acabar com o PT no poder e promover o impeachment de Dilma Rousseff, sob o pretexto das pedaladas fiscais, de esquemas financeiros (como empréstimos “ilegais” do Banco Central) para financiar programas sociais, a despeito do baixo orçamento nacional. Apesar de governos anteriores terem lançado mão de esquemas financeiros semelhantes, nesse caso a maioria dos políticos aproveitou a oportunidade para acusar a presidente de “crime de responsabilidade”, uma das condições formais para o impeachment no Brasil – uma democracia presidencialista.
 
Quando, em março de 2016, seu parceiro de coalizão, o PMDB e seu vice-presidente, Michel Temer (PMDB), deixaram o governo, tornou-se possível angariar votos para o início do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O poderoso e manipulador presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), ele próprio acusado de corrupção e lavagem de dinheiro (e atualmente preso), tornou- se o principal inimigo da presidente, pois o PT não impediu que Cunha fosse investigado na Comissão de Ética da Câmara.
 
Uma das principais estratégias midiáticas, que pode ser observada nos editoriais de O Globo, é a de repetidamente enfatizar a legitimidade e constitucionalidade do impeachment – uma repetição que acaba por sugerir que poderia haver dúvidas sobre sua legitimidade, já muito questionada por juristas brasileiros renomados (ver também Carta Capital, /Intervozes, 16 de abril de 2016).
 
Enquanto isso, em meados de abril de 2016, principalmente por conta da influente manipulação feita pela mídia, manifestações enormes (cujos participantes, em sua grande maioria, da classe-média conservadora) contra o PT e contra Dilma foram realizadas em todo o país, obviamente infladas pela mesma mídia e usadas como argumento populista para persuadir parlamentares a votar contra a ex-presidente. Ocorreram também manifestações menores a favor de Dilma, mas foram minimizadas pela mídia. 
 
Um importante antecedente dessas manifestações, por exemplo, foram os protestos locais ocorridos em 2013 contra o aumento das tarifas de ônibus, cujos participantes foram muitas vezes descritos pela mídia como vândalos (ver também Silva & Marcondes, 2014). Isso significa que em 2016 já havia um potencial generalizado de ocorrência de protestos, que logo a mídia estendeu para todo o país, só que desta vez os participantes não eram “vândalos”, mas todo o povo Brasileiro. Obviamente, conforme discutirei mais adiante, os protagonistas dos protestos a favor de Dilma foram apenas descritos como militantes e não como parte do povo. É interessante notar que, já nas manifestações antiDilma de março de 2015, pedia-se o impeachment da ex-presidente (ver também Catozzo & Barcellos, 2016).
 
Por fim, após a aprovação na Câmara, presidida por Eduardo Cunha, e sem o impedimento da Suprema Corte (que deixou o parlamento decidir – ver também, Feres, 2016), era tarefa constitucional do Senado julgar a presidente e, com mais do que a necessária maioria de dois-terços, em 31 de agosto de 2016, o voto pelo impeachment venceu.
 
Apesar das grandes e constantes manifestações contra ele, e apesar não ser admirado ou amado por ninguém, o vice-presidente Michel Temer se tornou automaticamente presidente. Pela esquerda, era visto como um traidor do governo Dilma e também a figura do que foi, de maneira geral, visto como um golpe contra ela. Todos os opositores ao impeachment de Dilma chamaram-no de ‘golpista’, assim como seu governo, o conglomerado Globo, além de outros veículos midiáticos e políticos envolvidos no golpe.
 
Como se para contrabalancear o impeachment anterior contra Dilma, no dia 12 de setembro de 2016, a Câmara finalmente cassou o mandato parlamentar do poderoso, porém, odiado Eduardo Cunha (ele já havia sido suspenso do posto de presidente da Câmara), o que o fez perder foro privilegiado por prerrogativa de função. É óbvio que, após o processo de impeachment, ele deixou de ser útil e se tornou motivo de vergonha para a direita por conta de seus conhecidos atos de corrupção e lavagem de dinheiro, além de (ter mentido sobre) suas contas na Suíça.
 
O conglomerado Globo e mídia brasileira
 
A mídia brasileira é dominada por poucas (umas quatro ou cinco) famílias ricas e conservadoras cujas empresas detêm o monopólio dos jornais impressos, programas televisivos e outros serviços. Além do jornal O Globo, há a influente Folha de São Paulo, lida principalmente pela elite intelectual e empresarial, e o Estado de São Paulo (chamado de Estadão) que, juntamente com as Organizações Globo, apoiou a ditadura militar em 1964 – contudo, a Globo reconheceu que seu apoio à ditadura foi um “erro” (ver Costa, 2015; Magnolo & Pereira, 2016). Por conta de seu papel no impeachment de Dilma Rousseff, esses jornais foram, de maneira geral, chamados de ‘golpistas’ nos diversos protestos contra o impeachment. A venda desses jornais relativamente é baixa (entre cerca de 160.000, como O Globo, e 350,000 cópias, como a Folha) para um país tão grande com mais de 200 milhões de habitantes.
 
Além desses grandes jornais, existem as revistas semanais, como a Época, das Organizações Globo, a Isto É e, principalmente, a Veja (cuja venda é superior a 1 milhão de cópias) e todas participaram da demonização midiática generalizada de Dilma, Lula e do PT (ver, p.ex., Matos, 2008; Porto, 2012).
 
É impressionante o fato de um país tão vasto como o Brasil, e com uma forte tradição de esquerda, não ter um único jornal progressista, como é o caso da Argentina (Página 12) ou do México (La Jornada), e apenas uma revista semanal progressista, a Carta Capital, lida pela elite de esquerda (mas cujas vendas não ultrapassam cerca de 75,000 cópias). Contudo, muitos brasileiros (principalmente os jovens), têm acesso à internet e leem notícias e opiniões publicadas por veículos alternativos (em 2014, 55% dos brasileiros tinham acesso à internet e 45% usavam as redes sociais).   
 
A poderosa mídia conservadora brasileira é, às vezes, chamada de Partido da Imprensa Golpista (PIG) – ver página informativa da Wikipedia – por conta de suas ações políticas e influência nos processos de tomada de decisão do país. Seu principal objetivo era “não deixar o PT ganhar” (Mauricio Dias, in Carta Capital 19/05/2010). O mesmo texto crítico da Wikipedia, além de listar muitos exemplos de desinformação e abuso de poder por parte da mídia, cita a opinião de José Antonio Camargo, presidente do Sindicato Profissional dos Jornalistas do Estado de São Paulo, e secretário-geral da Federação Nacional dos Jornalistas:
 
Distorcer, selecionar, divulgar opiniões como se fossem fatos não é exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o noticiário cotidiano segundo interesses outros que não os de informar com veracidade. Se esses recursos são usados para influenciar ou determinar o resultado de uma eleição configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular. Não se trata aqui do uso da força, mas sim de técnicas de manipulação da opinião pública. Neste contexto, o uso do conceito “golpe midiático” é perfeitamente compreensível.
 
A frase acima resume perfeitamente algumas das conclusões a que cheguei após analisar os editoriais publicados pelo jornal O Globo
 
Grupo Globo
 
De todos os conglomerados midiáticos conservadores, a Organizações Globo, além de ser o maior do Brasil, está entre os quatro maiores da América Latina. Mais relevante ao contexto deste estudo não é apenas o jornal O Globo e seus ataques contínuos a Lula, Dilma e o PT (ver, p.ex., Almeida & Lima, 2016), mas principalmente o noticiário diário Jornal Nacional (JN), que é transmitido pela televisão todas as noites por volta das 20.30, entre duas novelas de grande audiência. Apesar de sua audiência ter caído em cerca de 30%, ele permanece o noticiário televisivo mais influente, assistido por milhões de brasileiros – para muitos dos quais o JN é a única fonte de informação sobre o que ocorre no país em geral, e sobre o governo, corrupção e o processo de impeachment (ver, p.ex., Becker & Alves, 2015). Não há dúvidas de que a diminuição do apoio popular a Lula e a Dilma se deve, em boa parte, à demonização diária feita pelo Jornal Nacional.
 
Como será visto adiante, uma das características interessantes dos editoriais do jornal O Globo em 2016 foi sua reação à cobertura crítica ao impeachment feita pela imprensa internacional de qualidade, principalmente pelo jornal The Guardian, que chegou a usar o tempo golpe (ver os blogs Carta CapitalIntervozes, 28/4/2016; Comunidade PT, 12/5/2016).
 
Em 21 de abril de 2016, o The Guardian publicou um artigo de opinião do jornalista David Miranda, intitulado “The real reason Dilma Rousseff’s enemies want her impeached” [O verdadeiro motivo pelo qual os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment], no qual ele informa o público internacional a respeito do poder das Organizações Globo e de outros veículos midiáticos, de seus donos ricos e de como eles manipulam a opinião pública contra Dilma. O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, imediatamente reagiu com uma carta ao The Guardian, afirmando que a mídia brasileira é independente e diversa, que a Globo não é um monopólio midiático, que não incitava os protestos contra Dilma e o PT. O próprio David Miranda fez uma análise irônica dos argumentos em um longo artigo de opinião publicado no website The Intercept(25 de abril de 2016), no qual ele detalha ainda mais o papel do Grupo na política nacional enquanto “o maior agente propagandista da oligarquia brasileira”. Ele lembrou que os Repórteres sem Fronteiras, em seu último ranking internacional sobre liberdade de imprensa, colocou a mídia brasileira na escandalosa baixa posição de número 104. Também mencionou uma matéria do The Economist, publicada em junho de 2014 e intitulada “Globo Domination” [A dominação da Globo], segundo a qual metade da população brasileira assiste ao Jornal Nacional diariamente. Talvez a estimativa seja muito alta, mas isso não quer dizer que o Jornal Nacional não domine e que não seja extremamente influente no Brasil.
 
Arcabouço Teórico: Manipulação
 
Como este estudo não tem como principal objetivo contribuir para a teoria da manipulação, fará apenas um breve resumo do arcabouço teórico aplicado a este artigo, com base em meu trabalho anterior sobre manipulação e discurso (Van Dijk, 2006), e em outros trabalhos aos quais fiz referência, mas não comentários, a seguir.
 
1) A manipulação é um fenômeno complexo que requer um arcabouço multidisciplinar (ver também De Saussure & Schultz, 2005), que inclui:
 
(a) um estudo filosófico da manipulação enquanto algo antiético ou ilegítimo, majoritariamente utilizado como termo crítico para descrever a conduta de outros, e dificilmente a nossa própria;
 
(b) um estudo sociológico da manipulação como forma de interação social e como forma de abuso de poder e, portanto, um objeto relevante aos Estudos Críticos do Discurso;
 
(c) um estudo político da manipulação por políticos ou governantes;
 
(d) um estudo comunicacional da manipulação pela grande mídia;
 
(e) um estudo analítico-discursivo da manipulação na forma de texto ou fala;
 
(f) um estudo cognitivo dos processos e representações mentais envolvidos na manipulação.
 
2) A manipulação pode ser interpessoal, quando indivíduos manipulam uns aos outros, ou social, quando organizações ou instituições poderosas manipulam coletivos de pessoas (como leitores de um jornal, eleitores ou a opinião pública de maneira geral). Neste estudo, eu apenas abordo a manipulação social, apesar de tal manipulação poder ser implantada localmente, ou exercida na interação diária entre membros de grupos ou instituições.
 
3) A maior parte dos estudos psicológicos da manipulação é experimental e com foco nas várias formas de engano interpessoal na interação e no discurso que, no entanto, não é o mesmo que manipulação. Tal engano pode ser descrito conforme as várias formas de violação do Princípio Cooperativo de Grice (1979), ex. por meio de implicações ocultas (ver, p.ex. McCornack, 1992; e uma versão atualizada em McCornack, Morrison, Paik, Wisner, & Zhu, 2014; ver também Jacobs, Dawson & Brashers, 1996; Van Swol, Braun & Malhotra, 2012).
 
4) A manipulação social, como forma de dominação ou abuso de poder, envolve organizações ou instituições enquanto agentes manipuladores se utilizando de recursos de poder, como acesso a, controle sobre conhecimento ou discurso público (ver, p.ex., Goodin, 1980; Kedar, 1987; Riker, 1986; Stuhr & Cochran, 1990). Os alvos da manipulação são normalmente caracterizados como tendo menos recursos (conhecimento, por exemplo) para resistir a tal dominação.
 
5) Corporações e outras organizações poderosas, assim como Estados, podem organizar seu poder comunicativo de várias maneiras, com departamentos de RP, coletivas de imprensa, notas à imprensa, entrevistas, campanhas, publicidade, propaganda etc. – todas voltadas para comunicar informações que geralmente interessam à organização, incluindo formas de autorrepresentação positiva (ver Adams, 2006; Day, 1999; Key, 1989; MacKenzie, 1984).
 
6) O primeiro objetivo cognitivo da manipulação é o controle da mente, ou seja, ter influênciar sobre o que elas acreditam, como, por exemplo, seus modelos mentais (incluindo a emoção) em relação a acontecimentos específicos ou seu conhecimento mais genérico, atitudes ou ideologias, em geral a respeito de questões sociais importantes. O objetivo secundário, indireto é controle da ação: fazer as pessoas agirem (votarem, comprarem, marcharem, lutarem etc.) a partir de tais crenças e emoções (ver também Hart, 2013; Van Dijk, 1998).
 
7) Mais especificamente, a manipulação discursiva não raro envolve a comunicação da definição preferida da situação, que é descrita como a formação ou mudança dos modelos de situação mental, como as identidades e os papéis dos participantes envolvidos em um acontecimento, além de qual ação ou acontecimento está ocorrendo e quais suas causas e consequências (Johnson-Laird, 1983; Van Dijk & Kintsch, 1983).
 
Por exemplo, o discurso manipulador pode esconder, obscurecer ou permanecer vago a respeito da identidade de agentes ou organizações de elite responsáveis. As frases na voz passiva ou nominações podem deixar implícito quem é responsável por uma ação (por exemplo, a palavra discriminação não expressa quem discrimina e quem sofre discriminação). (ver p.ex., Fowler, Hodge, Kress & Trew, 1979; Van Dijk, 2008). Da mesma maneira, ações ou acontecimentos negativos podem ser descritos com o uso de termos eufemísticos (ex. insatisfação popular em vez de racismo, ver Van Dijk, 1993). Essa análise cognitiva do papel dos modelos mentais na manipulação é muito diferente dos estudos populares a respeito de “controle da mente” (ver também Jones & Flaxman, 2015).
 
8) Diferentemente de formas legítimas de controle da mente e da ação, como educação ou persuasão, a manipulação geralmente se dá conforme os interesses do manipulador e não os do manipulado. É típico da manipulação que as motivações, as razões, os objetivos ou interesses do manipulador fiquem mais ou menos encobertos (ver, p.ex., Adams, 2006; Day, 1999; Key, 1989; Mackenzie, 1984).
 
9) Uma das características cruciais da manipulação discursiva, de acordo com o contexto comunicativo, é, por exemplo, o tipo e as características (identidade, papel, relações) dos participantes, os objetivos ou intenções do discurso ou interação, além de seus recursos sociais e cognitivos (Van Dijk, 2008,2009). Os estudos pragmáticos da manipulação têm como foco esses aspectos do contexto. Assim, Billig & Marinho (2005) fazem uma distinção entre a manipulação de informação e os atos de manipulação de pessoas (ver também De Saussure & Schulz; Vázquez Orta & Aldea Gimeno, 1991).
 
Manipulação e Discurso
 
Conforme vimos em alguns dos exemplos/afirmações(?) acima, o discurso manipulador pode, de diversas maneiras, influenciar ou controlar os modelos mentais dos receptores ao, por exemplo, esconder a identidade ou reponsabilidade de ações negativas, a natureza de ações ou acontecimentos, suas causas e consequências ou, ainda, por outro lado, atribuir ações negativas a opositores ou ‘grupos externos’ [outgroups].
 
Conforme veremos mais detalhadamente, há muitas estruturas e estratégias discursivas que podem ser usadas para controlar os modelos mentais desejados para além da estrutura gramatical das frases, como
 
. Itens lexicais parciais (ex. depreciativos) (ver, p.ex., Cheng & Lam, 2012; Li, 2010);
 
. Implicações e implicaturas (ver, p.ex., Jacobs, Dawson & Brashers, 1996);
 
. Generalizações (Bilmes, 2008; Van Dijk, 1984,1986);
 
. Formas de descrições de agentes (Van Leeuwen, 1996);
 
. Granularidade e outros modos de descrição de eventos que podem ser mais ou menos precisos ou completos, detalhados ou vagos, próximos ou distantes etc. (Bhatia, 2005; Van Dijk, 2014; Zhang, 2015);
 
. Storytelling [narração de histórias] (ver, p.ex., Auvinem, Lamsa, Sintonen & Takala, 2013; Van Dijk, 1984);
 
. Argumentação (Boix, 2007; Ilatov, 1993; Kienpointer, 2005; Nettel & Roque, 2012).
 
. Categorias superestruturais (esquemáticas), como manchetes em artigos jornalísticos (Van Dijk, 1988a, 1988b);
 
. Polarização ideológica geral entre ‘grupos internos’ [ingroups] (Nós) e ‘grupos externos’ (Eles) (Van Dijk, 1988).
 
Corpus
 
Meu corpus consiste em 18 editoriais sobre Dilma, Lula, o PT e o impeachment publicados no jornalO Globo, nos meses de março e abril de 2016, que estrategicamente precedem a decisão da Câmara dos Deputados de dar início ao processo de impeachment contra a presidente. Os editoriais acompanham milhares de matérias, tanto no O Globo quanto em outras mídias conservadoras, apresentando uma sistemática e grotesca desinformação parcial a respeito de Dilma, Lula e do PT. Os editoriais foram escolhidos para esta pesquisa porque formulam explicitamente as opiniões do jornal. Também farei uma breve análise das manchetes correspondentes às matérias de capa a respeito deles, pois essa informação é frequentemente presumida nos editoriais (uma análise completa da Epistêmica da informação presumida em editoriais seria um tema interessante a ser estudado).
 
Os editoriais, tradicionalmente publicados próximos do final (página 18) da primeira seção do jornal (onde ficam as notícias nacionais), têm, em geral, de 500 a 1000 palavras, quatro colunas, o marcador de gênero ‘Opinião’ acima do título e um breve resumo entre as colunas.
 
O gênero editorial
 
Enquanto gênero textual, os editoriais seguem um esquema canônico (superestrutura), que consiste em categorias, como: Resumo dos Acontecimentos, Comentários/Opinião sobre os Acontecimentos e Conclusão/Recomendação. Essas categorias, por sua vez, pode ser/são(?) organizadas em estruturas argumentativas ou (outros) marcadores do discurso de persuasão. Seu estilo é a relativamente formal linguagem jornalística (ver, p.ex., Bagnall, 1993; Simon-Vandenberg, 1985; Van Dijk, 1988b). Opiniões são expressas em vários tipos de avaliações (ex. julgamentos sobre Lula, Dilma, o PT ou o impeachment) (Martin & White, 2005). Uma análise mais aprofundada de um grande número de editoriais de O Globo pode revelar estruturas mais específicas relativas ao gênero ‘editorial’ em jornais brasileiros, e seria necessária pesquisa de campo para saber mais sobre o contexto comunicacional, como, por exemplo, quem os escreve.
 
Métodos
 
Uma análise sistemática do discurso global e local dos editoriais se concentrará principalmente nas propriedades que podem ter influência sobre os modelos mentais e as atitudes dos leitores de maneira não explícita e que, portanto, podem ser chamadas de manipuladoras. Tal influência pode consistir na formação dos modelos mentais preferidos dos acontecimentos, a formação ou confirmação de atitudes, que os leitores de O Globo já podem ter – e com as quais eles podem muito bem concordar. Neste caso, a influência também é crucial, pois opiniões negativas sobre a presidente ou sobre o PT podem ser legitimadas por esse ou aquele jornal, ou pelo conhecimento de opiniões e atitudes de outros leitores ou brasileiros, conforme veiculadas pelo jornal.
 
Desta forma, primeiro me concentrarei nas macroestruturas semânticas (temas) das manchetes de capa e, em seguida, nas dos editoriais para, depois, prosseguir à análise de estruturas locais, especialmente as semânticas, como a identificação e descrição dos agentes, além de várias estratégias de argumentação e legitimação. Editoriais consistem em um gênero persuasivo, então, é claro que nos concentraremos nas propriedades destinadas à manipulação de opinião.
 
Análise das Estratégias e Estruturas de Manipulação de O Globo
 
Manchetes
 
Para melhor entendimento dos editoriais, é necessária uma breve análise dos principais acontecimentos ocorridos nas semanas que antecederam o processo de impeachment, principalmente porque os editoriais não raro pressupõem conhecimento de tais acontecimentos e comentam sobre deles. No entanto, tal conhecimento pode derivar não apenas das notícias a respeito dos principais acontecimentos do dia, mas também, de maneira mais geral, da cobertura dos mesmos ou de fatos relacionados a eles nas últimas semanas, ou até meses. Tais notícias foram veiculadas em milhares de matérias, e também em colunas, reportagens, entrevistas, e outros gêneros – e, portanto, iriam requerer uma vasta análise epistêmica que vai muito além da abrangência do presente artigo. Portanto, limitarei minha análise a uma breve descrição das manchetes de todas as principais matérias de capa publicadas entre os meses de março a abril de 2016, conforme indicado pelo tamanho e posição da manchete. Por definição, uma das principais funções das manchetes é exprimir as mais elevadas macroestruturas semânticas da matéria jornalística, ou seja, seu tema principal (Van Dijk, 1988b). Porém, manchetes também têm a função de chamar a atenção e podem ser ideologicamente parciais. Por exemplo, se Lula é acusado de algum ato criminoso, tal fato pode ser colocado em evidência na manchete mesmo não se tratando do assunto principal. Isso se dá por conta da orientação ideológica de O Globo, que irá enfatizar os aspectos negativos de seu inimigo ou do ‘grupo externo’ em geral (o PT ou a esquerda etc.).
 
Quarenta e cinco das 60 principais manchetes publicadas de março e abril de 2016 tinham como tema Dilma, Lula, PT ou o impeachment de Dilma ou seu governo (um número impressionante). Apenas no final desse período, após o início do processo de impeachment na Câmara, algumas das principais manchetes de capa voltaram atenção para Temer (enquanto presidente interino) e seu governo. Com frequência, mais de uma matéria de capa tratam de Dilma ou Lula. Mesmo quando nenhum acontecimento importante relacionado a eles tenha ocorrido, eles podem ser mencionados em manchetes de matérias de capa menores. Dependendo da interpretação dada a elas (para a qual uma análise avaliadora detalhada do discurso seria necessária), a maior parte das manchetes explicitamente acusa ou associa Dilma e/ou Lula a atividades criminosas, geralmente por meio de acusações da Operação Lava-Jato ou de muitos delatores que assinaram acordo com a Operação. A seguir, alguns exemplos característicos (MdC significa Manchete de Capa).
 
MdC01 Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato. Presidente é acusada de interferir em investigação. Lula mandou silêncio de Cerveró. (04/03/2016)
MdC02 Lava-Jato força Lula a depor e petista apela à militância. (05/03/2016)
MdC03 Lava-Jato desmente versão de Lula sobre tríplex. (06/03/2016)
MdC04 MP de São Paulo denuncia Lula por lavagem e falsidade. (10/03/2016)
MdC05 MP pede prisão de Lula. (11/03/2016)
MdC06 Brasil vai às ruas contra Lula e Dilma e a favor de Moto. Protesto pacífico reuniu 3,4 milhões de pessoas em 329 cidades de todos os estados e no Distrito Federal. (14/03/2016)
 
MdC07 Dilma pode dar a Lula superpoderes no governo. (15/03/2016)
MdC08 Diálogo ameaça Dilma. (17/03/2016)
MdC09 Aliados de Dilma e Lula fazem atos em todos os estados. (19/03/2016)
          PT reúne 275 mil. 7% do público das manifestações pelo impeachment. 
MdC10 Defesa de Lula pede ao STF que pare Moro. (21/03/2016)
MdC11 Supremo investiga se Dilma tentou obstruir Justiça. (24/03/2016)
MdC12 Dilma usará Bolsa Família contra impeachment. (04/04/2016)
MdC13 Procurador acusa Dilma de tentar obstruir a justiça. (08/04/2016)
MdC14 Comissão aprova relatório pelo impeachment de Dilma. (12/04/2016)
MdC15 Por 337 votos, 25 a mais do que o necessário, Câmara aprova autorização para processo de impeachment da presidente Dilma.
PERTO DO FIM (18/04/2016)
MdC16 Ministros do STF: Dilma ofende instituições ao falar em golpe. (21/04/2016)
 
Uma primeira análise mostra que a maioria das manchetes correspondentes às (principais) notícias publicadas em O Globo durante as duas semanas cruciais antecedentes à votação na Câmara apresenta Dilma e/ou Lula como participantes ativos ou passivos de acontecimentos ou atividades ligadas a questões legais ou penais. Ambos são representados como sendo ativamente envolvidos em algum crime, ou na Operação Lava-Jato ou, ainda, são acusados de crimes por terceiros. Nas manchetes publicadas mais tarde, o foco está nos acontecimentos ocorridos na Câmara, até 18 de abril, quando, detalhadamente, com precisão numérica, os votos da Câmara são noticiados e seguidos de uma enorme manchete que vai de ponta a ponta da página: PERTO DO FIM. Outras manchetes de capa, também contendo números, aparecem em 14 de abril, quando os enormes protestos contra Dilma foram noticiados. Nesse caso, contudo, as principais notícias da manifestação não ficam limitadas à primeira página; em vez disso, continuam por nove páginas inteiras, em muitas outras matérias, colunas e fotos. Comentarei a respeito dessas matérias na análise dos editoriais. Em 19 de março, os manifestantes a favor de Dilma também estão na capa, juntamente com números, mas nesse caso em uma comparação negativa com o número de manifestantes contra Dilma para minimizar a relevância dos pró-Dilma e enfatizar sua menor quantidade de apoiadores. Uma análise funcional da organização do tópico-comentário e das manchetes, em geral, coloca a Lava-Jato, delatores, a Polícia Federal (PF) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) na posição de primeiro tema enquanto agentes (em sua maioria) acusadores que colocam Dilma e Lula em posição focal e de paciente semântico da acusação. Apenas em algumas manchetes, Dilma ocupa posição focal e de agente, como em situações em que ela é diretamente acusada de algum ato (negativo) – ex. quando ela possivelmente nomeará Lula e lhe dará poderes especiais, ou quando ela (ameaça) acabar com o Bolsa Família.
 
Durante essas semanas (e muitas semanas anteriores, desde 2014), todas as manchetes transmitiam de maneira geral a informação (repetida, portanto, como a principal informação no modelo mental do evento na memória dos leitores) de que: (a) Dilma e Lula (são acusados) de atividades criminosas e (b) que (portanto) Dilma tem de sofrer impeachment. Também crucial é a ênfase que se dá às repetidas informações negativas sobre Lula – o que condiz com a atitude de O Globo em relação a ele. A principal intenção de tal retrato é deslegitimá-lo perante os milhões de brasileiros que costumavam amá-lo ou adorá-lo. E o elemento mais relevante politicamente é a condenação de Lula por corrupção (uma empresa supostamente teria pagado uma reforma em seu apartamento), algo que o impossibilitaria de ser candidato à presidência em 2018 – o que seria uma ameaça à direita, por que Lula, pelo menos até então, permanecia sendo o político mais querido/popular(?) do país.
 
Os Editoriais
 
Principais temas e parcialidades
 
Os temas gerais dos editoriais são, como esperado, semelhantes àqueles das principais matérias do dia ou do dia anterior, como acusações contra Lula, Dilma ou o PT. A seguir, os principais tópicos dos 18 editoriais (ver Tabela 1): 

Data

Manchete

Temas principais

03/03/2016

PT descontente é promessa de mais pressão sobre Dilma

PT pressiona Dilma para mudar o Ministro da Justiça, mas resiste em limitar a autonomia da Polícia Federal.

05/03/2016

Uma reafirmação de princípios republicanos

Delatores acusam Lula de corrupção. Acusações também atingem Dilma. Operação Lava-Jato é independente.

06/03/2016

Em 13 anos de escândalos

Treze anos de desastres econômicos e escândalos de corrupção devido ao governo do PT.

15/03/2016

Um ‘basta’ das ruas a Dilma, Lula e PT

Milhões de manifestantes contra Lula, Dilma e o PT, e a favor do juiz Moro da Operação Lava-Jato. Processo de impeachment iniciado.

17/03/2016

Lula e Dilma apostam tudo para sobreviver

Dilma quer nomear lula como ministro para protegê-lo de acusação.

18/03/2016

Vale-tudo empurra Dilma e Lula à ilegalidade

Conversa telefônica mostra que Dilma e Lula estão obstruindo a justiça.

19/03/2016

O impeachment é uma saída institucional para a crise

As instituições, o parlamento, devem começar o processo de impeachment imediatamente.

22/03/2016

A preocupante ofensiva do governo contra a Lava-Jato

Dilma nomeia novo ministro da Justiça, que quer paralisar a Operação Lava-Jato. As instituições funcionam: a comissão de impeachment iniciou os trabalhos.

24/03/2016

Dilma radicaliza e fala de um país imaginário

Dilma compara o impeachment com o golpe militar de 1964 e quer apenas agitar os fãs.

30/03/2016

A farsa do ‘golpe’ construída pelo lulopetismo.

O PT manipula as pessoas com acusação absurda de ‘golpe’.

31/03/2016

Tentativa desesperada com o velho fisiologismo

Depois de o PMDB deixar governo, Dilma marca reuniões para angariar votos contra o impeachment.

06/04/2016

Tempo no impeachment corr


Sobre como a Dilma engordou a Globo com a "mídia técnica" (expressão que, segundo o Requião, soava como um naipe de violinos nos ouvidos da Globo...), veja o que o Viomundo e a Carta Maior demonstraram de forma insofismável.
Como disse o Dirceu ao Fernando Morais: delenda est Globo.
Ou como diz o professor Wanderley Guilherme dos Santos: a Globo é a questão central da Democracia brasileira!
PHA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

MALAFAIA É ALVO DA PF EM OPERAÇÃO CONTRA FRAUDES EM ROYALTIES DE MINERAÇÃO


Listas de “petralhas” estariam sendo usadas para perseguições

lista
A melhor indicação de que o Brasil está sob um regime autoritário é a onda de perseguições políticas desencadeada após o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff. Demissões em massa em órgãos públicos por conta da posição política dos servidores, porém, não foram as únicas investidas dos golpistas.
Estranhas ações na Justiça, denúncias do Ministério Público feitas contra servidores ainda podem ser “justificadas” com acusações de envolvimento mesmo que os perseguidos sejam pessoas que jamais participariam de esquemas por serem simples servidores de 4º, 5º escalões – ou ainda mais baixos.
O que assusta é uma onda de demissões em meios de comunicação e empresas em geral fomentada por ideologia e que ainda vai ser condignamente denunciada nesta página e em outras, a partir do momento que os demitidos criarem coragem de falar.
Este blogueiro, porém, nunca teve medo e não é agora que começará a ter.
No momento em que escrevo, retorno de reunião com empresa que me contratou durante anos e anos e que, subitamente, sem explicação, não renovou o contrato. Este ano ocorreram outros casos, mas, até então, eu vinha atribuindo esse problema à crise econômica.
Desta feita, porém, algo mudou. Após a reunião com a direção da empresa, alguém veio se solidarizar comigo. Fomos tomar um café e, durante a conversa, ouvi um aviso bastante preocupante:
— Eduardo, você não vai ter problema só aqui. Você sabe que tá na lista de “petralhas perigosos” feita por aquele Rodrigo Constantino, que trabalhava na Veja?
Obviamente que sei. Sei até que militantes de esquerda criaram uma página no Facebook pedindo para ingressar nessa lista. Figuro na posição 214. Clique aqui para ver a lista de “petralhas perigosos” feita pelo ex-colunista de Veja.
Não é a primeira vez. Em 2012, outro colunista da Veja – desta vez, um que continua trabalhando lá – fez outra lista negra de “petralhas” na qual fui incluído.
lista-1Já havia recebido outros relatos sobre o uso dessas listas para promover perseguições políticas na hora em que o governo petista fosse derrubado – essas listas foram feitas com alguma finalidade; ninguém faz uma lista de pessoas se não for necessária para beneficiar ou prejudicar os que nela figuram.
Assim sendo, declaro-me alvo de perseguição política e acuso os autores dessas listas de serem responsáveis por isso e por tudo o mais que possa ocorrer com os alvos dessa iniciativa criminosa, levada a cabo para prejudicar pessoas por conta de suas opiniões políticas, como acontece em toda ditadura.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

MT reage! Equipe se reúne para a contra-ofensiva kkkkkkkkkkkkkkkk

Temer_Rasga_Constituicao.jpeg
​MT ​reuniu os aliados no Palácio​ para​ discutir as perspectivas de seu governo diante das mais recentes revelações da delação da​ empreiteira​ e da acachapante reprovação nas pesquisas.
Em seguida chegaram Corredor, Misericórdia, Tuca, Boca Mole​ - cada vez mais mole - e Todo Feio, visivelmente aborrecido com a alcunha.
Constataram-se as ausências de Caranguejo, que está preso desde que deixou a Presidência da Câmara, e Proximus, também preso.
Entretanto, apenas Decrépito justificou a ausência, alegando forte incontinência urinária.​
Ministro Supremo, criador de cangurus, não precisava nem comparecer: está sempre pronto para batalhas gloriosas!
- ​De um alto foncionário (revisor, não mexa!), 
conhecido como Ausêncio Trancato​​


Em tempo
: faltaram Reco-Reco, Bolão e Azeitona!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Volta de Lula e diretas já: de marolinha a tsunami

lula-capa
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O bunker golpista entrou em pânico. O estrondo da pesquisa Datafolha já se fazia ouvir de longe na semana passada, dias antes da divulgação.
Na quinta-feira 9/12, a Folha de São Paulo publica na primeira página que delatores da Lava Jato acusam a Odebrecht de ter “pago caixa 2 a Alckmin”, ou seja, propina.
Poucas horas depois, vem a contrapartida: Lula é denunciado pelo MPF por “tráfico de influência”
Três dias depois, na segunda-feira 12 – estranhamente, não no domingo, quando costumam ser publicadas pesquisas sobre eleições –, a Folha de São Paulo publica pesquisa Datafolha que mostra disparada de Lula na preferência do eleitorado para eleição presidencial de 2018.
Poucas horas depois, mais uma contrapartida. A Polícia Federal anuncia que está indiciando Lula, Palocci e outras cinco pessoas na Lava Jato.
O mais interessante é que uma enxurrada de leitores perguntou no dia seguinte ao jornal, em sua sessão de leitores, por que sua manchete principal de primeira página do dia anterior contradisse a lógica e estampou que Marina Silva venceria em todos os cenários de segundo turno sendo que Lula vence em todos os cenários de primeiro turno e reduziu drasticamente a diferença para a adversária no segundo turno, de mais de 30 pontos para 9, além de, agora, vencer todos os outros adversários nessa possível segunda rodada da eleição de 2018.
Confira, abaixo, cartas de leitores do jornal reclamando da manobra.
lula-1Não é só. Aparentando dar notícia negativa contra Temer, o UOL dá uma — lula 1
Não é só. Aparentando dar notícia negativa contra Temer, o UOL dá uma notícia para contrabalançar a subida de Lula no Datafolha. Diz que “Rejeição de Temer salta de 29% para 45% e empata com a de Lula”, que seria de 44%.
O jornal só se esqueceu de dizer que em março deste ano, pouco antes de a Lava Jato ter prendido Lula por algumas horas para levá-lo à força para depor no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ele tinha 57% de rejeição; que, um mês depois, essa rejeição caiu para 53%; que, em julho, a rejeição de Lula já havia despencado para 46%, segundo o mesmo Datafolha; e que neste mês de dezembro, caiu de novo, agora para 44%, ao mesmo tempo em que o petista passa a vencer todos os tucanos em primeiro e segundo turno, além de ter encostado em Marina Silva.
É neste ponto que sobressai uma pergunta: por quê e como? Por que e como Lula sobe na preferência do eleitorado, apesar dessas manipulações da mídia e da clara operação de guerra do Estado brasileiro contra ele, através do uso da “lei”?
A resposta parece evidente, à luz dos fatos supracitados. Está na cara que a população vai percebendo que há uma evidente manipulação de fatos contra Lula e, mais do que isso, essa mesma população parece estar chegando às conclusões óbvias a que este Blog disse tantas vezes que chegaria.
Essa conclusão é muito simples de entender: a manipulação grosseira que você viu acima está fazendo cada vez mais gente ficar desconfiada do processo que tirou Dilma Rousseff do poder e que fez milhões de brasileiros se voltarem contra um grupo político e um líder que durante mais de uma década melhoraram profundamente suas vidas.
Além disso, há um outro fator. As pessoas gostam de acreditar em soluções mágicas. Pelos menos a maioria das pessoas. Desse modo, acharam que tirar Dilma valeria aceitar tudo. Aceitaram sabotagem do governo dela e aceitaram mentiras toscas que negaram a melhora de vida inédita que os brasileiros tiveram ao longo de mais de dez anos de governos petistas.
Tudo em prol de promessas veladas que os golpistas fizeram no sentido de que tirando Dilma tudo voltaria ao que era. Como tantas vezes se disse aqui, o povo tirou o PT do poder para obter de volta tudo aquilo que quem lhe deu foi o PT.
Como era óbvio, os golpistas não teriam como entregar o que prometeram sem prometer, deixando subentendido. Se tivessem dito claramente que mesmo tirando Dilma os problemas prosseguiriam, talvez tivessem encompridado o prazo de tolerância, ainda que seja difícil tolerância para quem vê seus direitos trabalhistas e previdenciários e os serviços públicos afundando.
A erosão precoce do governo Temer – do qual o PSDB se tornou protagonista imaginando que o ódio ao PT seria suficiente para todo mundo aceitar piorar drasticamente de vida –, então, inaugura uma nova agenda.
A pesquisa Datafolha recém-divulgada deu conta de que 63% do eleitorado querem eleições diretas
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Ao contrário do que se pensava, porém, o Datafolha mostra que não está acontecendo no país aquilo que as manifestações dos patos verde-amarelos na avenida Paulista e em Copacabana sugeriam. Não é a direita que está sendo beneficiada com o naufrágio ultrarrápido do governo tucano-peemedebê, é a esquerda. E, mais do que isso, de forma impensável, Lula é que está ganhando. De novo.
No começo deste ano, Lula tinha virado uma marolinha eleitoral. A campanha midiático-estatal contra ele tinha surtido bons efeitos, ainda que muito menores do que se esperava. Apesar de tudo, quase 40% do eleitorado (segundo o Datafolha) continuava a considerar Lula o melhor presidente que o Brasil já teve.
Desesperados, os dois maiores lulofóbicos do país, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, surtaram ao reconhecerem que o ex-presidente começa a recuperar sua força eleitoral à revelia dos ataques da Lava Jato e da mídia.
lula-3Contudo, concordo com Azevedo. Acusações de “corrupção” como forma de combater Lula, Dilma e o PT fracassaram incontáveis vezes. Não foi por isso que grande parte do povo apoiou o golpe. É a economia, reaças estúpidos. Foi ela que fez o povo se voltar contra o PT.
Porém, como eu disse um bilhão de vezes neste Blog e nas rede sociais, o fator “recall” iria começar a se fortalecer conforme o povo fosse percebendo quanto piorou de vida após ter passado mais de dez anos de sua vida melhorando por obra e graça de quem mesmo…?
Enfim, é isso. Agora, a marolinha Lula + eleição direta para presidente ameaça virar uma tsunami devido ao mesmo fenômeno que fez grande parte do eleitorado pobre ou remediado (que é a ampla maioria) se voltar contra Lula, Dilma e o PT.
Os brasileiros começam a ver em Lula a possibilidade de obter de volta o que foi ele quem lhes deu durante mais de uma década. E para terem Lula de novo, querem eleição direta.
Prender Lula torna-se um imperativo. Os principais colunistas dos grandes meios já bradam que a única chance de impedir a volta dele é prendê-lo.
Estão errados. O povo não votará no PSDB porque Lula está preso, votará na coisa mais próxima de Lula que estiver disponível, se quiser muito que ele volte.

A CONTA DO GOLPE CONTRA O PAÍS CHEGOU PARA O PSDB

Lula: Lava Jato perdeu o senso do ridículo Márcio Anselmo é o notório delegado aecista

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Da Revista Fórum:
Delegado militante acusa Lula por apartamento e terreno que não são dele
Delegado, que fez postagem no Facebook chamando Lula de Anta e defendendo Aécio Neves na campanha presidencial de 2014, acusa Lula por apartamento que ele aluga e por terreno que jamais foi seu e onde jamais funcionou o Instituto Lula.

O Instituto Lula respondeu em nota que “o delegado Márcio Anselmo e a Operação Lava-Jato, perderam hoje qualquer pudor ou senso de ridículo ao apresentar um relatório com acusações sem qualquer base”.

O indiciamento se deve a dois inquéritos: um sobre a compra de um terreno em São Paulo para o Instituto Lula que nunca ocorreu e outro sobre a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP), que na verdade ele apenas aluga.
E do Facebook do Instituto Lula:
LAVA-JATO PERDE QUALQUER SENSO DO RIDÍCULO PARA ATACAR LULA

O delegado Márcio Anselmo e a Operação Lava-Jato, perderam hoje qualquer pudor ou senso de ridículo ao apresentar um relatório com acusações sem qualquer base contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa Marisa Letícia, seu advogado Roberto Teixeira, entre outras pessoas.

As acusações tratam do apartamento vizinho ao do ex-presidente, o qual ele paga aluguel, e um terreno que jamais foi e onde jamais funcionou o Instituto Lula, que tem uma única sede, adquirida em 1990 pelo Instituto de Pesquisas e Estudos do Trabalhador (IPET), entidade que antecedeu o Instituto Cidadania e o Instituto Lula.

Perguntas foram encaminhadas pela Polícia Federal ao ex-presidente apenas na última quarta-feira, com prazo de dois dias para respostas, que foram enviadas às 20:30 de sexta-feira. E hoje, o delegado, que já emitiu ataques ao ex-presidente no Facebook dizendo que "alguém precisa parar essa anta", e defendeu o candidato Aécio Neves, ao invés de se declarar suspeito para atuar nos casos envolvendo o ex-Presidente, apresenta um relatório sem qualquer base factual e legal ou fundamento lógico.

O relatório sai no mesmo dia em que pesquisas revelam que Lula lidera a corrida presidencial, e quando outro processo fútil da Lava Jato, sobre um tríplex do Guarujá que tentam atribuir a propriedade ao ex-presidente e alguma relação com desvios da Petrobras, tem suas testemunhas afirmando que Lula e sua família jamais tiveram as chaves do tal apartamento ou sua propriedade.

As práticas contra Lula consistem em mais um exemplo de "lawfare" e foram denunciadas por seus advogados perante o Alto Comissariado de Diretos Humanos das Nações Unidas. O governo brasileiro tem até o dia 27 de janeiro para responder contra os abusos de autoridade cometidos com fins políticos contra o ex-presidente da República.

GLOBO NÃO QUER QUE VOCÊ VOTE PARA PRESIDENTE