De 4 horas, 24 minutos e 51 segundos de reportagens sobre a lista de Fachin desde que o STF tornou pública a delação da Odebrecht, na última sexta-feira 11, até a ediçaõ desta segunda 17, o Jornal Nacional dedicou 33 minutos e 32 segundos ao ex-presidente Lula, político mais mencionado no principal telejornal da TV Globo; a segunda na lista é Dilma Rousseff, com 18 minutos e 7 segundos; o senador Aécio Neves (PSDB-MG), campeão em número de inquéritos (cinco), entre os quais é acusado de receber R$ 50 milhões em propina, teve a metade do tempo de Lula: 16min27seg; já Michel Temer, citado por delatores por ter participado de uma reunião em que foi combinado o repasse de US$ 40 milhões em propina pela Odebrecht ao PMDB, recebeu uma reportagem de 5 minutos e teve o vídeo em que se defende exibido pelo Jornal Nacional; ranking foi elaborado pelo portal Poder 360
247 – O ex-presidente Lula foi o político mais atacado pelo Jornal Nacional após a divulgação da chamada "lista de Fachin" – relação de 105 pessoas investigadas no Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato, tornada pública na última sexta-feira 11, de acordo com um levantamento feito pelo portal Poder 360.
De 4 horas, 24 minutos e 51 segundos dedicados a reportagens sobre o tema, o JN separou 33 minutos e 32 segundos para Lula. O segundo nome mais mencionado pelo principal telejornal da TV Globo é o de Dilma Rousseff, com 18 minutos e 7 segundos.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), campeão em número de inquéritos (cinco), entre os quais é acusado de receber R$ 50 milhões em propina em troca de favores em projetos do setor elétrico, recebeu metade do tempo de Lula: 16min27seg. José Serra, acusado de ter recebido milhões em caixa 2 em suas campanhas, entre eles os R$ 23 milhões em uma conta no exterior, vem em seguida de Aécio, com pouco mais da metade do tempo: 9min03seg.
Já Michel Temer, citado por delatores por ter participado de uma reunião em que foi combinado o repasse de 40 milhões de dólares em propina pela Odebrecht ao PMDB, parece ter sido esquecido pelo telejornal. O atual presidente foi alvo de uma reportagem de 5 minutos e teve o vídeo em que se defende exibido pelo JN.
Temer não é alvo de investigação porque o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, valeu-se de um entendimento equivocado para dizer que o presidente desfruta de "imunidade temporária", uma vez que a Constituição anota que "o presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções".
No entanto, o veto constitucional não impede que o presidente seja investigado. Esse entendimento foi reconhecido em despacho assinado no dia 15 de maio de 2015 pelo então ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo. No âmbito da Lava Jato, existem elementos para a abertura de pelo menos dois inquéritos contra Temer.
O moralismo hipócrita e neoudenista, utilizado para tirar a presidenta honesta do poder, destruiu a democracia, a economia e a política do Brasil. O país está em frangalhos. E tende a piorar.
Os nossos moralistas de ocasião, que insuflaram paneleiros de classe média e procuradores messiânicos contra Dilma e o PT, com discurso raso e equivocado, agora se veem tragados pelo maelstrom das investigações "purificadoras".
Cometeram o mesmo erro de certos setores da classe política alemã, que acharam que Hitler podia ser útil no combate aos "comunistas". Mas, uma vez deflagrados, esses processos de histeria coletiva adquirem dinâmica própria, intensificando-se com a crise política e econômica. A caixa de Pandora do protofascismo moralizante, uma vez aberta, é muito difícil de ser fechada. Em pouco tempo, o Reichstag (o parlamento) já está pegando fogo e as instituições democráticas são reduzidas a cinzas.
No Brasil, com os últimos e sempre ilegais vazamentos da Lava Jato, o nosso Reichstag já está em chamas. Isso tem consequências sérias.
Com um presidente com 5% de popularidade, a tocar um ministério de acusados, e um parlamento reduzido a cinzas, o poder real no Brasil deslocou-se definitivamente do sistema de representação política para um consórcio formado pelo grande capital, especialmente o internacional e o financeiro, o poder judiciário, o ministério público e a mídia oligopolizada.
Obviamente, essa não era a intenção inicial do golpe e da Lava Jato. O objetivo era (e é ) afastar, de forma definitiva, o PT e a esquerda do poder. Entretanto, não houve como circunscrever as investigações apenas ao PT, como queriam. Com o tempo, começou a ficar muito clara a seletividade escancarada e desavergonhada da Lava Jato, que criminalizava o "caixa um", legal, do PT e tentava ignorar as propinas, depositadas em contas no exterior, do PMDB e do PSDB. Os vazamentos e os indiciamentos tinham de se generalizar, justamente para dar credibilidade à seletividade.
Na Alemanha, o sistema político foi destruído para que Hitler chegasse ao poder. No Brasil, o sistema político está sendo destruído para impedir que Lula volte ao poder. Vazamentos eventuais contra o PMDB, PSDB e DEM, apoiadores do golpe, são o dano colateral inevitável do maelstrom deflagrado contra o projeto progressista. Dano que poderá ser amainado nos misteriosos meandros da "justiça".
Contudo, o prejuízo geral e grave à política, à economia e à democracia já está feito.
Isso suscita a questão: como o golpe e sua restauração neoliberal vão continuar? Como tocar reformas tão impopulares, como a reforma da previdência e a trabalhista, sem voto, sem legitimidade e com um Executivo e Legislativo com altíssima rejeição? Acima de tudo, como o consórcio que concentra o poder real no país vai tirar o Brasil da pior crise da sua história com um governo sem nenhuma credibilidade e com o mais baixo índice de popularidade já registrado?
Há duas possibilidades: 1) continuar, aos trancos e barrancos, com a "solução" Temer até 2018, ou 2) dar o "golpe dentro do golpe" e eleger indiretamente um novo governo formado por figuras "ilibadas e técnicas".
Ora, nenhuma das duas tem a menor condição de funcionar. A primeira por motivos bastante óbvios. Ninguém aguenta mais a "solução" Temer, que virou um problemão para os próprios apoiadores do golpe e, sobretudo, para o país. O governo ilegítimo de Temer só prolonga e aprofunda a crise política e econômica. Mesmo que consiga aprovar as reformas impopulares e fazer o trabalho sujo para o consórcio golpista, não oferecerá saída viável para a crise. Falta-lhe um mínimo de credibilidade.
Já a solução 'técnica', que seria propiciada pelo "golpe dentro do golpe", esbarra numa contradição fundamental: nas condições atuais, ela significaria o enterro da classe política vigente e das suas lideranças colocadas sob suspeita, mas ela teria de ser votada por essa mesma classe. Com o PSDB atirado também no maelstrom, não sobraram atores políticos de relevo para o "golpe dentro do golpe".
Porém, mesmo que fosse promovida, tal "solução" teria exatamente a mesma probabilidade de funcionar que a "solução Temer", pois ela também não possuiria credibilidade e legitimidade.
O grande engodo do golpe não foi ter substituído a presidente honesta pela "turma da sangria". O grande engodo da Lava Jato partidarizada não foi ter levado a opinião pública a acreditar que o PT havia criado o "maior esquema de corrupção do Brasil".
O grande engodo do golpe e da Lava Jato foi o de mudar em cento e oitenta graus os rumos de todas as políticas do país (econômicas, sociais, externa, de educação, saúde, previdência, etc.) sem fazer disputa política aberta e democrática. A grande fraude do golpe e da Lava a Jato é política e democrática: roubaram da população o poder de decidir seu próprio destino.
Ou alguém aí votou para que se contribua meio século ininterruptamente para conseguir se aposentar com proventos integrais? Para que o trabalho precário e terceirizado, sem férias e outros direitos, se torne a norma no Brasil? Para vender o pré-sal e a Petrobras a preço de bananas podres? Para vender as terras do Brasil a estrangeiros? Para acabar com o Ciência sem Fronteiras e a Farmácia Popular? Para "desinvestir" em Saúde e Educação por 20 anos? Claro que não. Foi necessário um golpe para se fazer tudo isso.
Roubaram do povo, fonte do poder democrático, a capacidade de decidir. A partir daí, a criminalização de toda a classe política era apenas uma questão de tempo. Não há corrupção pior do essa. Não há corrupção pior que o roubo da soberania popular. O Brasil está sendo vendido e destruído sem um único voto.
O cerne da crise brasileira é político. O Brasil não sairá da mais grave crise de sua história sem política. Não há nada crível para ser colocado no lugar do sistema de representação, mesmo com todos os seus problemas. Banqueiros, donos de meios de comunicação, juízes e procuradores não têm voto. Uns têm dinheiro e outros têm fama e prestígio ocasionais. Nenhum tem legitimidade para governar, a não ser que se aposte numa nova forma de ditadura, com a substituição de militares por juízes e procuradores.
A política precisa reagir e sair do gueto moral em que foi jogada pelo golpismo e a Lava Jato messiânica e partidarizada.
Mas a classe política, por sua vez, não representará opção crível e legítima se não for renovada pelo crivo do voto.
Não serão delatores e corruptores à procura de absolvição e procuradores e juízes à procura de holofotes que vão passar o "país a limpo". A única coisa que passa um país democrático a limpo é o voto popular.
Portanto, a única saída para a classe política e para o Brasil são eleições diretas já. A urgência é necessária pela profundidade da crise e, sobretudo, para se evitar que país inteiro seja vendido e destruído pela agenda retrógrada do golpe.
A construção civil pesada e a engenharia nacional já se foram. O pré-sal, nosso passaporte para o futuro, e a Petrobras estão sendo vendidos a preços aviltados. Vêm aí a venda das terras a estrangeiros e a abertura do espaço aéreo para o capital internacional. Subsolo, solo e ar brasileiros serão leiloados. Prepara-se a privatização dos bancos públicos e, como disse o presidente ilegítimo, de "tudo o que for possível". São grandes negociatas que renderão muito dinheiro ao capital internacional e aos seus associados golpistas. Procuradores, acredita-se, não interferirão. Continuarão a perseguir Lula e seus pedalinhos.
No próximo mês, o Estado de Bem Estar, já duramente golpeado pela emenda constitucional do congelamento dos investimentos, será praticamente destruído pela reforma contra a aposentadoria e a reforma contra o trabalhador.
No ritmo em que a destruição do país vai, não haverá mais um Brasil em 2018.
Em nota escrita do complexo penal onde está preso, em Curitiba, o ex-deputado Eduardo Cunha rebateu o teor de entrevista do presidente Michel Temer, no sábado (15), à TV Bandeirantes.
Na nota, Cunha questiona dois pontos principais: no primeiro, sustenta que o encontro de 2010 – em que delatores da Odebrecht dizem ter negociado propina para o PMDB em reunião de que ele e Temer participaram – foi “agendado diretamente com” o presidente.
No segundo, afirma que a decisão de abrir o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em dezembro de 2015, foi discutida com o então vice dois dias antes de oficializada.
O texto foi distribuído a interlocutores próximos.
Temer confirma a existência da reunião, realizada em seu escritório político em São Paulo, mas nega que nela tenham sido discutidos valores ou acertos escusos. Também negou, em entrevista à Band, no sábado, ter sido ele o responsável por agendar a reunião.
“[Em 2010], o Eduardo Cunha diz: ‘Há uma pessoa que quer colaborar, mas quer pegar na sua mão, quer cumprimentá-lo’. E ajustamos um dia em que eu estava em São Paulo. Eu até confesso que cheguei um pouco atrasado à reunião”, disse Temer.
Na nota, Cunha diz que “o presidente se equivocou nos detalhes”.
“A referida reunião não foi por mim marcada. O fato é que estava em São Paulo, juntamente com Henrique Alves e almoçamos os três juntos no restaurante Senzala, ao lado do escritório político dele, após outra reunião e fomos convidados a participar dessa reunião já agendada diretamente com ele.”
Cunha diz, no entanto, que na reunião “não se tratou de valor nem [se fez] referência a qualquer contrato daquela empresa”.
“A conversa girou sobre a possibilidade de possível doação e não corresponde a verdade o depoimento do executivo”, escreveu o peemedebista.
Os delatores da Odebrecht sustentam ter recebido, nesse encontro, a chancela de Temer para o pagamento de US$ 40 milhões em propina a integrantes do PMDB
IMPEACHMENT
Na mesma nota, Cunha afirma que sua decisão pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff foi previamente submetida ao então vice.
Segundo Cunha, o parecer foi “debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico”.
“O verdadeiro diálogo ocorrido sobre o impeachment com o então vice-presidente, às 14 horas da segunda-feira, 30 de novembro de 2015, na varanda do Palácio do Jaburu, 48 horas antes da aceitação da abertura do processo de impeachment foi submeter a ele o parecer que aceitava o impeachment”, escreve.
“O parecer, preparado por advogados de confiança mútua, foi debatido e considerado por ele correto do ponto de vista jurídico”, diz o deputado.
Na mesa entrevista à Band, no sábado, Temer havia dito que Cunha o procurara para dizer que, como o PT havia prometido votar a seu favor no processo de cassação que tramitava no Conselho de Ética, o então deputado decidira engavetar os pedidos.
Depois, no entanto, quando o PT anunciou posição favorável a sua cassação – seguiu Temer – Cunha voltou a procurá-lo para dizer que o acordo tinha ruído e que o processo seria aberto naquela tarde.
CONDENAÇÃO
Em março, Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.
Ele é acusado de receber propina de US$ 1,5 milhão em um negócio da Petrobras em Benin, na África. Além do recebimento do dinheiro, Cunha também foi condenado por ter ocultado os valores entre 2011 e 2014, enquanto era deputado, segundo o juizsa é a primeira condenação de Cunha na Lava Jato.
Ele também é réu em outras duas ações, por suposto recebimento de propina em contratos de aquisição de navios-sonda pela Petrobras junto a um estaleiro sul-coreano e também em um desdobramento da operação, que prendeu Lucio Funaro, apontado como operador financeiro do ex-deputado.
Cunha ainda é investigado em ao menos outros cinco inquéritos.
Na decisão em que o condenou, Moro criticou o envio de questionamentos por Cunha para o presidente Michel Temer, arrolado inicialmente como testemunha de defesa no caso.
O juiz afirma que Cunha, já em seu período na cadeia, provavelmente tentou provocar “alguma espécie de intervenção indevida” de Temer em seu favor na Justiça ao encaminhar perguntas a ele na ação penal, em novembro passado.
TEMER QUER MUDAR 100 PONTOS DA CLT E LIBERAR JORNADA DE TRABALHO DE 12H
Encomendado por Michel Temer, o projeto de reforma trabalhista capitaneado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) acaba de ter seus principais pontos divulgados e comprova: o governo quer mesmo rasgar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas); serão mais de cem mudanças na legislação que protege os direitos do trabalhador; o projeto, que ainda precisa ser aprovado no Congresso, dá força de lei a acordos negociados entre empresas e trabalhadores, permitindo, por exemplo, a jornada de trabalho de até 12 horas diárias (limitadas a 220 horas mensais); em outro ponto polêmico, o texto libera que mulheres grávidas e lactantes possam trabalhar em locais insalubres, desde que apresentem um atestado médico, o que hoje é proibido pela legislação; “Mexer em 100 pontos da CLT. Isso é inaceitável em uma conjuntura como essa, em um momento de forte desemprego, quando o trabalhador está em fragilidade maior”, criticou o deputado Luiz Sergio (PT-RJ)
247 - O relatório da reforma trabalhista, do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que deve ser apresentado amanhã, mexerá em 100 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
O projeto dá força de lei aos acordos coletivos negociados entre empresas e trabalhadores em vários pontos. Entre eles, permite que sindicatos e empresas negociem jornadas de até 12 horas diárias, desde que respeitando o limite de 48 horas semanais (contabilizando horas extras). O projeto propõe ainda que patrões e empregados negociem o trabalho remoto (fora do ambiente da empresa), remuneração por produtividade e registro de ponto.
Marinho promete incluir pelo menos duas salvaguardas aos cerca de 13 milhões de trabalhadores terceirizados.
As informações são de reportagem de Murilo Rodrigues Alves e Igor Gadelha no Estado de S.Paulo.
"O relator afirmou também que vai manter no relatório a regulamentação do trabalho intermitente -que permite jornadas inferiores a 44 horas semanais e o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical.
Uma das mudanças é permitir que grávidas e lactantes possam trabalhar em locais insalubres, desde que apresentem um atestado médico. Hoje, isso é proibido pela legislação trabalhista.
Para a oposição, as mudanças que serão propostas por Marinho poderão prejudicar o trabalhador. “Mexer em 100 pontos da CLT . Isso é inaceitável em uma conjuntura como essa, em um momento de forte desemprego, quando o trabalhador está em fragilidade maior”, criticou o deputado Luiz Sergio (PT-RJ)."
Patrus denuncia manobra de Maia-Temer: Reforma trabalhista será votada por apenas 7% dos deputados!
Crédito: Agência Brasil
Democracia terminativa
por Patrus Ananias
Há quase 300 anos, o filósofo Jean-Jacques Rousseau refletia que “o povo inglês pensa ser livre; ele se engana muito, pois só o é durante a eleição dos membros do Parlamento; assim que são eleitos, o povo torna-se escravo, não é nada.”
A verdade por trás desta sentença, ao longo dos séculos, foi cotidianamente reforçada. Em nossos parlamentos contemporâneos, a crise de representatividade é aguda e a total desconexão entre eleitos e eleitores vem levando a um descrédito democrático resumido na repetida palavra de ordem “Não me representam”.
O Congresso Nacional tem dado exemplos insuperáveis desta crise e desta desconexão.
O país, necessitado de um projeto nacional de desenvolvimento, vê o eterno adiamento de reformas fundamentais, como a reforma agrária, a urbana e a tributária.
Por outro lado, a agenda legislativa está “de vento em popa” para aprovar duas reformas notoriamente antipopulares, só possíveis sob um governo ilegítimo: a previdenciária e a trabalhista.
A reforma previdenciária é tão cruel e tem despertado tamanha reação que o governo agora acena com a desistência de alguns pontos mais absurdos.
Veículos de mídia indagam semanalmente aos deputados sobre seus posicionamentos; organizações da sociedade civil constrangem os parlamentares nas milhares de cidades onde buscaram e buscarão seus votos; incontáveis e-mails abarrotam a caixa eletrônica de cada deputado.
Já a reforma trabalhista tem a mesma crueldade e tramita com a mesma pressa, mas com muito menor transparência.
O Projeto de Lei (PL) 6.787/16, proposto pelo governo federal, amplia a possibilidade de trabalhos temporários e a tempo parcial, favorecendo a troca em massa de empregos a prazo indeterminado por outros precarizados e, ainda, define regras em que o negociado entre patrões e empregados poderá livremente definir que os trabalhadores terão menos direitos do que o patamar civilizatório legal, com intervalos de almoço menores, jornadas diárias maiores sem remuneração das horas-extras e necessidade de seguir o regulamento empresarial mesmo que este seja ilegal.
Embora a Câmara tenha comissão permanente para analisar questões referentes a direito do trabalho, o projeto da reforma trabalhista nunca tramitou e não tramitará por lá.
A presidência da Câmara preferiu criar em fevereiro uma Comissão Especial, temporária, composta por 36 deputados federais. Destes 36, a grande maioria já tem convicção formada no molde permitido pelo governo e seus integrantes são ferrenhos defensores da precarização ilimitada do trabalho.
A oposição que reúne o PT, o PDT e o PCdoB conta com sete representantes. Somos aguerridos, mas temos só 20% dos votos na Comissão Especial.
Esse é o fórum que vem conduzindo os debates sobre a vida dos trabalhadores brasileiros com uma invisibilidade ímpar.
E – mais grave – este fórum não vai simplesmente analisar e debater o PL 6.787/16. Por decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já nos próximos dias a Comissão Especial votará o projeto em caráter terminativo: após a votação dos 36 membros, a reforma trabalhista estará aprovada na Câmara, sem que seja submetida ao plenário da Casa.
O déficit democrático será impressionante. A grande maioria dos deputados não participará de nada e não será obrigada a tornar transparentes as suas posições e seus votos. Quer dizer que o maior retrocesso do direito dos trabalhadores do Brasil será decidido pela Câmara mediante avaliação de apenas 7% dos deputados.
A expressão terminativa significa, no vocabulário jurídico, o ato que termina um determinado processo.
Neste caso, a parceria do presidente da Câmara e do presidente da República visa a terminar o processo de debate dos direitos dos trabalhadores numa escondida Comissão Especial encomendada para retirar direitos.
Mas, na verdade, as consequências serão muito maiores: será selada a sentença de morte do pacto social sonhado para abrigar todos os brasileiros.
Chega a ser irônico o ataque a Lula que a ex-candidata a presidente pelo PSOL Luciana Genro fez recentemente, à luz dos ataques que os psolistas de São Paulo vêm sofrendo da extrema-direita enquanto são apoiados justamente pelo PT.
Luciana escreveu em seu site:
“(…) A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo. A liderança de Lula não representa a esquerda – e isso deve ser dito em alto e bom som (…)”
Enquanto Genro brinca de antipetismo, seu partido, em São Paulo, sofre ataques sistemáticos do MBL, braço “armado” da extrema-direita bolsonariana e defensora de “intervenção militar”, entre outras loucuras.
Qs vereadoras Sâmia Bomfim e Isa Penna, ambas do PSOL paulistano, tiveram seus números de celulares expostos em redes sociais e grupos de WhatsApp para serem “convencidas” do projeto de lei “Escola Sem Partido”.
Com a sigla do Movimento Brasil Livre (MBL), que é coordenado pelo vereador Fernando Holiday (DEM), a imagem da vereadora Sâmia Bomfim e seu respectivo contato telefônico foram divulgados acompanhados dos dizeres “Escola Sem Partido. Sâmia Bomfim é a favor da doutrinação nas escolas, ajude-nos a convence-la do contrário”.
O PSOL de São Paulo avisa que vai pedir a cassação de Holiday
Só quem parece não estar preocupado é o setor do PSOL que Luciana Genro integra e que ela diz ser “majoritário” no partido.
Em sua escalada fascista, porém, o MBL não parou por aí. Na semana passada, o secretário de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, postou no Facebook crítica à ação do vereador Fernando Holiday (DEM), um dos líderes do MBL que havia visitado uma escola para denunciar o que chama de “doutrinação ideológica” à esquerda feita pelos professores.
O sindicato da categoria atacou Holiday, e o secretário endossou a crítica, afirmando que não era correto “intimidar professores”. O MBL retrucou, Schneider pediu demissão, mas o prefeito João Doria, por ora, conseguiu demovê-lo de sair.
Eis que o MBL, agora, volta suas baterias contra o governo Doria… Ou melhor, contra o secretário Schneider, acusando-o de ser “psolista”.
Ao MBL, soma-se a ofensiva da extrema-direita no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, onde a grande aposta desse movimento extremista para as eleições de 2014, Jair Bolsonaro (PSC-RJ), deu um show preocupante, difundindo racismo, defendendo armar a população e sugerindo até ataques violentos a quem não comungue com suas ideias.
Para terminar de compor esse quadro, quero dar meu depoimento sobre fatos que revelam que a centro-direita já começa a se preocupar com a ofensiva da extrema-direita.
Nas últimas semanas, após os abusos de que fui alvo por parte da operação Lava Jato, recebi solidariedade e espaço de órgãos de imprensa insuspeitos de simpática com “comunistas”, tais como a Globo e o Grupo Folha de São Paulo, que me deram espaço em matérias corretas ou até para que eu me manifestasse contra esses abusos.
Além disso, nomes como Reinaldo Azevedo ou Ricardo Noblat protestaram contra os abusos de que fui vítima.
No caso de Reinaldo, ele vem travando uma guerra particular contra o que, eufemisticamente, chama de “direita xucra”, ou seja, contra Bolsonaro e seu MBL, pois, além de ver no deputado pelo PSC fluminense um risco eleitoral para a centro-direita, que integra, parece enxergar onde pode dar uma aventura como essa.
Os métodos da extrema-direita, ao fim e ao cabo, encontram-se com os da extrema-esquerda e seus protestos regados a quebra-quebra e cerceamento da liberdade de expressão alheia.
Nesse aspecto, a Operação Lava Jato, em sua escalada de abusos contra qualquer divergência, já começa a preocupar os moderados de esquerda, de direita e os de centro, enquanto que encanta os extremistas dos dois lados do espectro político.
De volta a Luciana Genro. Em seu artigo supracitado, ela dispara:
“(…) Sempre defendi que a Lava Jato estava cumprindo um papel positivo ao enfraquecer um sistema político corrupto e burguês (…)”.
Em 26 de março, o MBL fez uma manifestação da qual Luciana poderia ter participado, em apoio à Lava Jato.
O PSOL tem muita gente boa. As jovens vereadoras paulistanas, Luiza Erundina, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, mas há correntes no partido que preocupam por parecerem não enxergar o avanço da extrema-direita no país.
Por conta disso, centro-esquerda e centro-direita precisam estabelecer o diálogo. Antes que seja tarde. É óbvio que não há condição de comunhão sobre políticas públicas, etc. Todavia, deve ser levado a cabo um diálogo em defesa da democracia.
Nem no sequestro com cárcere privado o Juiz Moro foi original. O filme "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto, mostra que meganhas invadiram a casa dele também às 6:30 da manhã, quando ainda não tinha sido (duas vezes) Presidente da República
Foi anunciada poucos dias atrás, a informação por parte da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que certamente provocará opiniões e críticas contrárias de muitos brasileiros; sendo que, alguns dirão que se trata de um avanço geral nas relações entre a nação gigante dá América do Sul e o gigante mundial dos EUA, mas outros céticos acreditam que se trata de mais uma forma de manifestação do imperialismo norte-americano no país. O RDECOM (Comando de Engenharia, Desenvolvimento e Pesquisa do Exército dos Estados Unidos) abriu as portas no dia 24 de março, de um escritório localizado no Consulado dos EUA na Zona Sul da Cidade de São Paulo, segundo as autoridades daquela nação com o único intuito de intensificar relações de parcerias diversas com o Brasil, no que diz respeito aos trabalhos nos campos da inovação e pesquisas.
A entrevista de Zanin contém uma informação perturbadora sobre aquele "deslize" - que nos Estados Unidos dava cadeira elétrica - do Juiz Imparcial de Curitiba: divulgar na Rede Globo Overseas Investment BV o grampo ilegal de uma conversa entre a Presidenta Dilma e o ex-presidente Lula. Veja a cronologia que Zanin expôs com clareza letal:
‣ às 11h00 se encerrou prazo para o Juiz Imparcial de Curitba poder grampear Lula e a Presidenta; ‣ às 13h30, o Juiz Imparcial de Curitiba grampeou uma conversa entre os dois, ou seja, duas horas e meia DEPOIS DO PRAZO que a Justiça tinha concedido ao Imparcial de Curitiba; ‣ às 15h30 a GloboNews Investment BV divulgou o grampo: com áudio e texto. Portanto, DUAS HORAS DEPOIS DE O GRAMPO TER VISTO FEITO, ILEGALMENTE!
Numa das audiências do Imparcial de Curitiba, Zanin perguntou a um dos delegados federais incumbidos de comprar, instalar e fazer funcionar o Guardião (que já nasceu na sombra...), o sistema que a Polícia Aecista Federal e o Ministério Público (sic) Federal compartilham: quanto tempo, NA MÉDIA, o sistema Guardião leva para localizar e identificar um grampo?
Depois de feito o grampo, quanto tempo leva a Polícia ou o MPF para localizar um único, entre os milhares, milhões, trocentos grampos feitos?
Resposta: na média, QUINZE DIAS! QUINZE DIAS!
E o Imparcial de Curitiba conseguiu localizá-lo e ceder à Globo Investment BV em DUAS HORAS!
Como é possível? Como explicar tanta agilidade? Na Polícia Aecista Federal? Difícil.
A agilidade de raio laser também não estaria na Globo Investment BV, porque seu jornalismo (sic) se limita, nos tempos que correm, a vazar... Excretar o que recebem pronto...
É mais provável que tal agilidade só se encontre... na CIA!
É a última arma do Moro para impedir que Lula se eleja em 2018!
O Japa, o símbolo da Lava Jato, mostra a Léo Pinheiro onde fica Guantánamo (Reprodução: Abril)
No dia 20 de abril, dois meses, portanto, antes do lançamento do filme "A Lei é para todos, menos para tucanos" - produto dessa patranha que deputados denunciaram ao Janot (doce ilusão...) -, dois meses antes desse retumbante lançamento, o empreiteiro Léo Pinheiro vai depor na Vara do Imparcial de Curitiba.
Até agora, em 24 audiências em que foram ouvidas 73 testemunhas - veja bem, amigo navegante, 73 testemunhas! - NENHUMA COMPROVOU QUE O LULA É O DONO DO TRIPLEX NO GUARUJÁ!
NENHUMA!
É o que o PiG chama de "o triplex do Guarujá", como se fosse uma mansão debruçada sobre o mar de Trancoso, Itacaré, ou ainda na Bahia, na Ilha do Urubu, onde o Careca, o homem mais rico do Brasil, costuma veranear.
O triplex que o Lula não quis comprar tem 200 metros quadrados (200m2 em três andares...) e fica diante de uma praia popular do litoral de São Paulo, a praia da Enseada.
Para um amigo navegante carioca entender: o PiG faz parecer que o Lula tenha um triplex na Avenida Vieira Souto, quando, na verdade, fica na Praia de Ramos...
E o Lula foi lá uma única vez: e nunca mais voltou, porque não gostou daquele imóvel que a D. Marisa vinha comprando, com cotas mensais.
Mas, o PiG e a Força Tarefa hollywoodiana querem que você, amigo navegante, ache que a OAS pegou dinheiro roubado da Petrobras e, em troca do roubo patrocinado pelo Lula, deu a ele um triplex na Praia de Ramos e, não, na Vieira Souto.
Querem que você acredite que a D. Marisa há dois anos pagava religiosamente as cotas já sabendo que daí a dois anos a OAS ia dar de presente o tal triplex...
D. Marisa tinha várias virtudes, mas não era advinha... Nem o amigo navegante é um parvo...
Mas, esse roubo do triplex é a acusação mais avançada que a Vara do Moro montou contra o Lula.
É a arma mais poderosa que o Moro tem para impedir que o Lula ganhe ou indique o vencedor da eleição de 2018.
Por isso, o Conversa Afiada suspeita que o chefe da OAS, o empreiteiro Léo Pinheiro, encarcerado na Guantánamo de Curitiba, seja submetido, nesse momento, a um insuportável constrangimento físico e moral.
Porque o Léo Pinheiro tem que PROVAR que deu o triplex de presente ao Lula como propina, em troca de três contratos que o Lula arrumou para a OAS na Petrobras.
Os mega delatores Cerveró e Paulo Roberto Costa - que assaltaram a Petrobras - já depuseram nessa instrução do processo e, sob juramento, juraram que não estiveram com o Lula, sozinho, em nenhum momento.
Que estiveram com o Lula em poucos encontros públicos e INSTITUCIONAIS.
Paulo Roberto desmentiu categoricamente que se referisse ao Lula como o "Lulinha"!
Nunca fez isso.
Quando depôs a favor do Lula, a propósito da "denúncia" de que a OAS guardava para o Lula os milhares de presentes que recebeu quando presidente - FHC confirmou que são um trambolho e que também precisou de ajuda para guardar -, um advogado de Lula lembrou que a roubalheira - segundo os depoimentos já registrados - na Petrobras tinha começado no Governo dele, FHC.
E perguntou se ele, FHC, sabia da roubalheira desenfreada que ali se realizava.
FHC respondeu: o Presidente não sabe de tudo!
Registre-se que, nessa audiência, segundo testemunhas, o Juiz Moro se desfez em mesuras e reverências ao FHC Brasif, como se estivesse diante de uma cruza de Papai Noel com Madre Teresa de Calcutá!
(Não há notícia de que Moro tenha beijado a mão do Príncipe da Privataria.)
Em nome dos princípios humanitários que respeita, o ansioso blogueiro espera que, nesse momento em que escreve, o Léo Pinheiro não esteja sentado na cadeira do dragão!
O maior grupo industrial genuinamente brasileiro vai se desnacionalizar
Para que serve o cimento? (Reprodução: Mapa da Obra)
Deu no Estadão, ele próprio em comatoso estado:
Votorantim registra prejuízo em 2016 e não descarta entrada de futuros sócios. Diante da recessão no País (que o Estadão não noticia... - PHA) receita do grupo da família Ermírio de Moraes caiu 9% em 2016. O prejuízo líquido foi de R$ 1,25 bilhão.
Um colosso, diria a Cegonhóloga! O que aconteceu, segundo o Estadão?
O desempenho reflete a recessão que se abateu sobre o país, afetando as divisões de cimento - principal negócio do grupo, que teve baixa demanda...
Mas, pergunta-se: quem vai comprar cimento?
Cimento para que? Para construir? Para fazer hidrelétricas, obras de infra-estrutura?
Comprar cimento para construir casa, apartamentos? Mas, como, se ninguém compra e ninguém paga os imóveis comprados, como demonstram as esquálidas páginas dos cadernos imobiliários do PiG?
Os Golpistas copiam o governo (sic) do FHC Brasif tudo: em popularidade (quá, quá, quá!), com a ressurreição do assim chamado neolibelismo - esse que deu num micaço, como demonstra o professor Belluzzo - e com o fato de o governo (sic) FHC não ter produzido uma única obra que utilizasse de tijolo e cimento!
Que ponte construiu o FHC? Escola, universidade, hidrelétrica?
O prejuízo do grupo Votorantim mostra como os empresários brasileiros são pato do Golpe!
É só derrubar a Dilma que o PIB cresce!
A familia Ermirio de Moraes devia chamar o dono da Riachuelo, autor da célebre frase, para presidente do Conselho do grupo! E a Cegonhóloga de vice...
Na seção "mercado" da Fel-lha, a presidente da Latam, Claudia Sender, faz desabar um avião na cabeça da Cegonhóloga:
Não estamos vendo real retomada na demanda.
O dinheiro no Brasil é caro.
Para as empresas conseguirem se capitalizar ao custo do capital do Brasil(imagina se a Latam resolve ir ao BNDES da coveira Maria Silvia, comtaxas de "mercado" - PHA) é quase impossivel, mesmo com a queda da taxa de juros. Mas ninguém investe a fundo perdido. Várias empresas ja falaram que, se vier liberação de capital, não necessariamente vai ter entrada.
Enquanto as empresas continuarem perdendo dinheiro, quem vai investir? (Provavelmente, só a empresa do Ministro Gilmar... - PHA)
Capital estrangeiro ajuda, mas é aspirina para doente na UTI.